
As antigas vias romanas eram cerca de 50% mais longas do que se estimava, revela um novo atlas digital que cartografa quase 300 mil quilómetros de estradas. O trabalho resulta de cinco anos de investigação por uma equipa de arqueólogos que utilizou registos históricos, diários antigos, a localização de marcos quilométricos e outros dados de arquivo.
Quando os relatos mencionavam estradas perdidas em determinadas zonas, os investigadores observavam o terreno de cima, procurando pistas através de imagens de
satélite e fotografias aéreas, incluindo imagens captadas por aviões
durante a Segunda Guerra Mundial e digitalizadas recentemente, para identificar vestígios subtis, como diferenças na vegetação, variações no solo ou pequenas alterações de altitude. Também procuraram sinais de engenharia antiga, como montes artificiais ou encostas escavadas, que ajudaram a traçar o percurso das vias romanas.
Os investigadores calculavam até agora que a extensão das estradas romanas rondava os 188.555 quilómetros. O novo estudo identifica quase 300.000 quilómetros de vias espalhadas por todo o Império Romano, permitindo visualizar percursos que iam da Península Ibérica à Síria.

O trabalho aumentou também o conhecimento sobre estradas antigas no Norte de África, nas planícies de França e na península do Peloponeso, na Grécia.
A possibilidade de visualizar as antigas rotas utilizadas por agricultores, soldados, diplomatas e outros viajantes romanos permitirá compreender melhor tendências históricas que dependiam da circulação de pessoas durante o período romano. Entre elas, a ascensão do cristianismo na região e a disseminação de epidemias.
As proezas de engenharia romana na construção e manutenção de estradas, incluindo pontes de pedra em arco e túneis escavados em encostas, continuam a moldar a geografia e a economia da região do Mediterrâneo e de outras áreas.