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sábado, 3 de outubro de 2026

Quando a IA responde, quem fica pelo caminho?

 


#PensamentoCrítico  #InteligenciaArtificial #FontesDeInformação  #LiteraciaDosMedia  #LiteraciaDigital

 

 

                                                                                   Alex Shuper | Unsplash

 


A desvalorização dos autores e criadores

Recentemente, quando se coloca uma pergunta no motor de busca Google, ou quando se abre um documento, por exemplo na extensão PDF, surge: 

  • A resposta pronta escrita por IA, que aparece no topo da página;   
  • O convite para gerar automaticamente o resumo e as conclusões do documento, antes mesmo de o abrir e ler. 

A pesquisa na internet passou a ser centrada na IA, que se apresenta como “dona e senhora da verdade” (Descartes). A IA oferece ao utilizador/consumidor a ilusão de que há uma resposta única e simples para questões e problemas complexos, que têm diferentes interpretações e perspetivas críticas. Neste processo, há todo um universo de exploração próprio, especificamente humano, que pode desaparecer e, a médio prazo, reduzir a diversidade de pensamento e da criatividade humana.  

Por outro lado, dantes víamos quem aparecia no topo da página como patrocinado e, agora, a resposta automática não o indica, apesar de sabermos que as empresas de tecnologias dão maior visibilidade às fontes das quais retiram maior lucro.  

Perante este desafio da mudança silenciosa de motores de busca e de ferramentas digitais em assistentes personalizados de IA - que ocorre de forma silenciosa - que soluções deve a escola e os professores bibliotecários pôr em prática?  

No âmbito da leitura e da literacia digital, da informação e media, deve: 

  • Incentivar o acesso a fontes credíveis de informação, em vez de aceitar os resultados - não validados - de seleção automática baseada em algoritmos. É fundamental que cada aluno seja orientado para avaliar e classificar sítios Web e respostas de IA generativa de diferentes LLM; 
  • Priorizar os diferentes autores e criadores que aparecem em segundo plano na página do Google e priorizar a leitura das autoridades que podem validar o conhecimento, como cientistas e investigadores especializados; profissionais de informação, de bibliotecas, de museus e de arquivos; líderes institucionais e comunitários; professores e professores bibliotecários qualificados.  
    Só através da consulta destas fontes se pode comparar/cruzar informação e acrescentar perspetivas diversas que alargam e aprofundam o pensamento, a criação e os modos de ser e de se relacionar; 
  • Promover fontes abertas de interesse público, como a Wikipédia ou a Europeana, cujas ferramentas redistribuem o poder narrativo, garantindo que o património cultural inclui aqueles cujas vozes foram omitidas ao longo da História; 
  • Apoiar e ajudar a construir redes de património digital local/regional de acesso aberto, com conteúdo de qualidade, construído a partir de fontes primárias, que sempre que são clicadas ganham audiência e financiamento através de publicidade e criam condições para a participação democrática no governo de IA. 

 Continuar a ler...

Rede Bibliotecas Escolares. (n.d.). Retrieved from https://www.rbe.mec.pt/np4/5885.html?fbclid=IwY2xjawUvo9BleHRuA2FlbQIxMAB

 

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Como configurar um GPT?

 

 #InteligênciaArtificial  #LiteraciaDigital

 

 


 
Em termos práticos, criar um GPT é construir um assistente desenhado à medida de um objetivo pedagógico concreto. Não se trata de substituir o trabalho docente, mas sim de criar um recurso que estende a nossa intenção educativa: seja para desenhar guiões de estudo diferenciados, simular estudos de caso ou estruturar momentos de avaliação formativa.
 
O processo de construção não exige competências de programação, mas exige rigor de conceção. No infográfico aqui anexado é sistematizado esse processo em três fases fundamentais:
 
1. O Planeamento prévio 
A eficácia do assistente decide-se antes de abrir a plataforma. Definir com clareza o objetivo da tarefa, o perfil dos utilizadores, a bibliografia de suporte (conhecimento fidedigno) e assegurar a estrita proteção de dados sensíveis são etapas que determinam a qualidade das respostas.
 
2. A Configuração técnica e pedagógica 
Na criação do assistente, a redação das instruções é o núcleo do projeto. É aí que estabelecemos a identidade, o tom de comunicação, a metodologia de resposta e os limites operacionais. O carregamento dos documentos de referência permite ancorar a IA em fontes científicas e pedagógicas validadas, evitando alucinações conceptuais.
 
3. A Validação e partilha 
Nenhum assistente deve ser disponibilizado sem testes rigorosos. Experimentar pedidos ambíguos, forçar os limites das instruções e corrigir desvios garante a fiabilidade do recurso antes da sua partilha com alunos ou colegas.
 
Cocriação: Mário Martins | ChatGPT | Gemini

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2026

Utilização ética da IA e de dados no ensino e na aprendizagem

 

  

#InteligênciaArtificial #EducaçãoDigital #LiteraciaDeIA  #ComissãoEuropeia

 

Download | 

 

Partilhamos a nova edição revista e atualizada (2026) das Orientações sobre a utilização ética de Inteligência Artificial (IA) e de dados no ensino e na aprendizagem.
 
Este documento da Comissão Europeia apresenta diretrizes para a utilização ética da inteligência artificial e de dados no ecossistema educativo. O guia foca-se numa abordagem centrada no ser humano, capacitando professores e dirigentes escolares para integrarem estas tecnologias de forma segura e responsável. A publicação detalha exemplos práticos de apoio pedagógico, abordando desde a planificação de aulas até à personalização da aprendizagem para os alunos. Além disso, contextualiza a IA no quadro regulamentar da União Europeia, enfatizando a proteção de dados e a importância da literacia digital. O objetivo central é promover um ensino inovador e inclusivo, garantindo que a inovação tecnológica respeite os direitos fundamentais e a autonomia docente. 
 
 
Síntese dos aspetos abordados neste guia
 
 
 
 
 
A IA como parceira pedagógica: apoio aos professores e personalização do ensino 
 
A Inteligência Artificial (IA) possui um elevado potencial para transformar as práticas de ensino, avaliação e aprendizagem. O seu papel estende-se a várias frentes no ambiente escolar:
  • Personalização da aprendizagem: A IA e a análise de dados permitem ajustar o ensino para satisfazer as necessidades específicas de cada aprendente. Através de plataformas de aprendizagem adaptativa, os sistemas analisam dados em tempo real e adaptam automaticamente os conteúdos, o ritmo e os métodos pedagógicos para melhorar a experiência individual. Adicionalmente, sistemas inteligentes de tutoria podem encaminhar de forma autónoma os estudantes para recursos adaptados ao seu nível, enquanto os agentes de IA podem ajudar a resolver problemas complexos por etapas. 
  • Apoio prático aos professores: A IA atua como facilitadora no trabalho docente diário e o seu apoio pode ser categorizado em três momentos principais:
    • Na preparação: Auxilia os docentes a planificar aulas, a produzir materiais personalizados de acordo com os diferentes níveis de competências dos alunos e a simular cenários virtuais com respostas e comportamentos realistas de estudantes para que os professores pratiquem estratégias pedagógicas e de gestão de sala de aula. 
    • No ensino e aprendizagem: Permite diferenciar formatos de conteúdos e ritmos para apoiar alunos com dificuldades de aprendizagem específicas, apoiar o trabalho colaborativo utilizando o emparelhamento inteligente de grupos e otimizar o ensino de línguas estrangeiras através de tradução e reconhecimento de voz em tempo real.
    • Na avaliação e reflexão: Apoia a criação de avaliações flexíveis e rubricas diferenciadas. Permite a automatização de tarefas repetitivas, como a correção de testes de escolha múltipla ou respostas curtas, sinaliza erros em tarefas abertas e fornece assistência no feedback estrutural e gramatical de textos escritos.
  • Redução da carga administrativa: Ao assumir tarefas administrativas logísticas de rotina — como a elaboração de horários escolares, controlo de assiduidade, matriculas e redação de comunicações — os sistemas automatizados e os algoritmos libertam tempo valioso para que os professores se possam focar no apoio direto e em interações humanas significativas com os alunos.  
 
 
Considerações éticas e riscos na educação 
A integração ética da tecnologia na educação deve ser o princípio orientador para salvaguardar a dignidade humana. Foram identificadas cinco considerações éticas fundamentais:
  • Dignidade humana: Garante o direito à privacidade, autonomia e à ação humana, assegurando que os indivíduos são tratados com respeito pelo seu valor intrínseco, sem serem reduzidos a meros objetos de dados. 
  • Equidade: Exige igualdade de oportunidades, processos inclusivos, não discriminação e uma distribuição equitativa de direitos e responsabilidades. 
  • Confiança e fiabilidade: Implica que os sistemas de IA funcionem de forma transparente e segura, respeitando a privacidade e a dinâmica de poder das comunidades escolares.
  • Integridade académica: Fomenta o uso honesto da IA, garantindo que os contributos não sejam deturpados, as ideias de terceiros sejam devidamente creditadas e as avaliações se mantenham válidas na era digital.
  • Escolha justificada: Baseia-se no uso de dados e factos para justificar coletivamente as decisões da escola, promovendo a explicabilidade e processos participativos.
Paralelamente, os educadores e dirigentes escolares necessitam de reconhecer e gerir os riscos emergentes:
  • Enviesamento algorítmico (Bias): Como as ferramentas de IA são treinadas com base em dados históricos humanos, podem herdar preconceitos, reforçar desigualdades sociais e culturais e interpretar de forma incorreta as necessidades de estudantes marginalizados ou sub-representados.
  • Privacidade e governação de dados: O rastreio das atividades dos alunos (cliques, tempo despendido, interações) gera um volume enorme de dados pessoais. Existe o risco de as empresas comerciais de tecnologia controlarem e recolherem estes dados sensíveis para aperfeiçoar os seus próprios sistemas comerciais, muitas vezes sem consentimento explícito das famílias e das escolas. 
  • Alucinações: Modelos de linguagem baseados em estatísticas (como os de finalidade geral) podem gerar, com elevado nível de confiança, informações coerentes, mas que são totalmente inventadas ou factualmente incorretas. 
  • Dependência excessiva e perda de competências: Existe o risco de que o uso desmedido de IA generativa e resumos leve os alunos a uma leitura superficial, dependência excessiva e diminuição da interação social e do pensamento crítico.
 
 
Quadro regulamentar e as políticas da UE 
A União Europeia desenvolveu um robusto contexto político e legislativo para garantir que a transição digital na educação seja centrada no ser humano.

Regulamento da Inteligência Artificial (Regulamento IA - 2024)
Este ato legislativo estabelece regras vinculativas e adota uma abordagem de regulação baseada na classificação de riscos. As suas implicações no setor educativo são profundas:
  • Práticas proibidas (Risco Inaceitável): O Regulamento proíbe terminantemente a utilização de sistemas de IA concebidos para detetar ou inferir emoções de pessoas singulares em contextos educativos ou laborais (Artigo 5.º, n.º 1, alínea f). Por exemplo, é proibido usar software de deteção de emoções para avaliar o interesse dos alunos, durante exames ou em testes de admissão. 
  • Sistemas de risco elevado: A educação está classificada como um setor de "risco elevado". As ferramentas de IA utilizadas para gerir admissões, atribuir notas, avaliar resultados de aprendizagem, monitorizar comportamentos dos alunos ou detetar fraudes em testes são categorizadas como de risco elevado. Para serem introduzidos no mercado e nas salas de aula, estes sistemas têm de cumprir obrigações muito rigorosas, incluindo supervisão humana, cibersegurança, alta qualidade de dados e registo de atividades.
  • Obrigações de transparência: É obrigatório informar os utilizadores quando estes estão a interagir com um sistema de IA (como robôs de conversação) e rotular de forma clara todos os conteúdos que tenham sido artificialmente gerados ou manipulados. 
  • Direito a explicações: Alunos e professores têm o direito de obter explicações claras e pertinentes quando uma decisão tomada por um sistema de IA produzir efeitos jurídicos ou afetar significativamente os seus resultados, percurso escolar ou acesso à educação. 
  • Literacia em IA: Exige-se que as escolas, enquanto responsáveis pela implementação, garantam que o seu pessoal disponha de um nível suficiente de literacia em IA, promovendo competências e o conhecimento dos riscos inerentes. 👉A literacia em IA distingue-se entre aprender com a IA (uso crítico) e aprender sobre a IA (funcionamento técnico).

 
Outras políticas e regulamentos relevantes 
  • RGPD: O Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados exige que o tratamento de dados pessoais no âmbito escolar respeite salvaguardas rigorosas. Exige o fornecimento de informações claras e concisas, adequadas à idade das crianças, e obriga à realização de uma Avaliação de Impacto sobre a Proteção de Dados (AIPD) antes da implementação de tecnologias como a IA que coloquem em risco os direitos dos utilizadores.
  • A União das Competências e o Plano de Ação para a Educação Digital (2021-2027): Visam o desenvolvimento sustentável e a digitalização das práticas de ensino, instando os Estados-Membros a investirem na formação em literacia de IA e competências digitais.
  • Declaração Europeia sobre os Direitos e Princípios Digitais: Define princípios que centram a transformação digital nas pessoas e salvaguardam a segurança e capacitação dos jovens.
 
Cocriação: Adelaide Jordão | GeminiNotebook 

quinta-feira, 14 de maio de 2026

Projeto Lidera & Operação 7 dias com os media

 

 #literaciadosmedia  #7diascomosmedia2026  #aLerMaiseMelhor

 

 


 



No passado dia 12 de maio, os alunos do 10.º F participaram, na Biblioteca Escolar, em mais uma sessão do projeto LIDERA – Ler Informação Diária para Escolher, Refletir. 

A sessão foi dedicada ao tema “Revista de Imprensa: comparação de fontes de informação e perspetivas”, desafiando os estudantes a observar criticamente a forma como diferentes meios de comunicação selecionam, hierarquizam e apresentam as notícias do dia.

A partir da análise das primeiras páginas de jornais diários, semanários e revistas, os alunos exploraram: 
  • diferenças editoriais entre órgãos de comunicação,
  • critérios de relevância noticiosa,
  • diversidade (ou ausência) de perspetivas,
  • impacto das escolhas mediáticas na construção da opinião pública.
Num segundo momento, os estudantes assumiram o papel de editores e produziram a sua própria revista de imprensa em formato podcast, selecionando notícias, organizando conteúdos e gravando comentários informados sobre os temas em destaque.

Esta atividade permitiu desenvolver competências de literacia mediática, pensamento crítico e produção digital, reforçando a importância de uma relação consciente e responsável com a informação — princípios centrais da Operação 7 Dias com os Media, promovida pelo GILM, e com o tema selecionado para este ano - Direitos Humanos: Em rede ou sem rede?


sexta-feira, 8 de maio de 2026

Diretrizes para professores promoverem a literacia digital e combaterem a desinformação

 

 #literaciadigital  #desinformação

 



Estas diretrizes, atualizadas em 2026, destinam-se a professores de todos os níveis de ensino que desejam ajudar seus alunos a aprimorar suas competências em literacia digital e a usar essas competências para enfrentar o crescente desafio da desinformação. Elas fornecem conselhos e sugestões práticas que os professores podem aplicar nas suas salas de aula, aproveitando os seus conhecimentos e experiência especializados.

Incluem diversas análises aprofundadas sobre tópicos de relevância específica, como a natureza da desinformação, o papel da Inteligência Artificial Generativa (IAGen) e das plataformas e influenciadores das redes sociais, além de descrições de estratégias específicas para combater a desinformação, incluindo a pré-desmentida. 

Juntamente com dicas e insights, as Diretrizes incluem vários planos de aula que podem ser usados ​​por professores para abordar a desinformação. Essas Diretrizes também incluem uma série de recomendações para apoiar líderes escolares e outros formuladores de políticas a promoverem ainda mais a literacia digital em salas de aula e escolas. 

Comissão Europeia: Direção-Geral da Educação, Juventude, Desporto e Cultura, Orientações para professores e educadores sobre o combate à desinformação e a promoção da literacia digital através da educação e da formação , Serviço de Publicações da União Europeia, 2026, https://data.europa.eu/doi/10.2766/5220136



O que a atualização oferece

A versão atualizada (2026) reflete os desenvolvimentos mais recentes no cenário digital. Inclui novas seções sobre:

  • Inteligência artificial generativa e sua ligação com a desinformação
  • Uso das redes sociais e o papel dos influenciadores
  • Pré-bunking (preparar os alunos para reconhecer a manipulação antes da exposição)
  • Planos de aula elaborados e um glossário atualizado
  • Recomendações para líderes escolares e formuladores de políticas
 

Como as diretrizes funcionam na sua sala de aula

As orientações irão ajudar a:
  • Compreender melhor a desinformação, incluindo os seus desdobramentos mais recentes, e como pode ser combatida em sala de aula.
  • Naveguar pelas principais definições e conceitos atualizados na área da literacia digital e desinformação.
  • Desenvolver a literacia digital na sala de aula e ajudar os alunos a tornarem-se cidadãos digitais.
  • Buscar inspiração sobre como avaliar os alunos na área e avaliar as iniciativas de literacia digital na escola. 
 
 
👉Habilidades essenciais para a literacia digital

A consulta pública da Comissão Europeia sobre o Plano de Ação para a Educação Digital identificou três competências-chave:
  • Identificar factos e distinguir informações falsas ou enganosas.
  • Gerir a sobrecarga de informações
  • Navegar com segurança online
 

quarta-feira, 15 de abril de 2026

Literacia financeira | Alunos do 2º A-TAS assistem a palestra sobre prevenção da fraude

 

 #literaciafinanceira  #literaciadigital  

 

 


 

 

 

No passado dia 13 de abril, os alunos do 2.º A‑TAS (Curso Profissional) deslocaram-se à Biblioteca, às 13:15, para participarem numa sessão de (in)formação dedicada ao tema “Prevenção da fraude”, realizada em articulação com o Banco de Portugal.

A sessão integrou‑se no trabalho contínuo da Biblioteca na área da literacia financeira, oferecendo aos alunos conhecimentos essenciais para reconhecerem práticas fraudulentas, compreenderem mecanismos de proteção e adotarem comportamentos seguros no quotidiano digital e financeiro. Foram abordados aspetos como a identificação de sinais de alerta, os tipos de fraude mais comuns, estratégias de prevenção e procedimentos de denúncia.

A capacitação dos alunos nesta área revela‑se particularmente relevante num contexto em que as tentativas de fraude se tornam cada vez mais sofisticadas e frequentes. Dotar os jovens de ferramentas para avaliar riscos, proteger dados pessoais e tomar decisões informadas é fundamental para a sua autonomia, segurança e participação responsável na vida financeira.


Clássicos em Rede | Orfeu e Eurídice: o reconto do mito

 

   #alermaisemelhor #OlimpíadasDaCulturaClássica #ClássicosEmRede #mitologia #RedeDeBibliotecasEscolares 

 

 






Marcus Benício, aluno de Grego do 12ºE, faz o reconto do conhecido mito de Orfeu e Eurídice e apresenta-o num apelativo ebook.


 

Olimpíadas da Cultura Clássica | Orfeu e Eurídice : A voz da avó, a escuta da neta

 

 

  #alermaisemelhor #OlimpíadasDaCulturaClássica #ClássicosEmRede #mitologia #RedeDeBibliotecasEscolares 

 

 

 

 

Neste vídeo, as alunas Cristiana Barreira, Catarina Teixeira, Matilde Ferreira, Rita Pinto e Rita Silva, alunas de Grego do 12º E, revisitam o mito de Orfeu e Eurídice através de uma abordagem intimista e profundamente humana. A narrativa ganha forma numa sala aquecida pela lareira, onde uma avó partilha com a neta uma das histórias mais marcantes da mitologia grega. Este enquadramento — terno, doméstico, intergeracional — sublinha a força ancestral dos mitos e a forma como continuam a ser transmitidos, reinventados e sentidos.

Convidamos à visualização deste vídeo, onde o mito se acende novamente no gesto simples de contar uma história.


Olimpíadas da Cultura Clássica | Tétis e Peleu: destino, metamorfose e desejo

 

  #alermaisemelhor #OlimpíadasDaCulturaClássica #ClássicosEmRede #mitologia #RedeDeBibliotecasEscolares 

 

 

 

 



Neste vídeo, o Gustavo Campos e a Mafalda Alves, alunos de Grego do 12º E, dão nova vida ao mito de Tétis e Peleu através de uma combinação expressiva de animação e narrativa em verso. A partir de uma linguagem visual cuidada e de uma escrita rítmica que evoca a tradição épica, os alunos recriam o encontro entre a deusa marinha e o herói mortal, explorando os contrastes entre destino, metamorfose e desejo.

O resultado é uma interpretação criativa e sensível, que alia rigor mitológico a uma estética contemporânea, revelando a capacidade dos estudantes para transformar narrativas antigas em experiências artísticas envolventes.

Convidamos à visualização deste trabalho, onde a poesia e a imagem se entrelaçam para recontar um dos episódios mais fascinantes da mitologia grega.


terça-feira, 14 de abril de 2026

Olimpíadas da Cultura Clássica | Orfeu, Eurídice e a Modernidade de Pessoa

 

  #alermaisemelhor #OlimpíadasDaCulturaClássica #ClássicosEmRede #mitologia #RedeDeBibliotecasEscolares 

 

 





Para reinterpretar o mito de Orfeu e Eurídice, a 
Alba Mancera, o Bruno Carvalho, a Juliana Gando, o João Azevedo, a Lara Fernandes, a Liliana Paulo e a Rita Bertelo, alunos do 12ºE, criaram um vídeo na aula de Grego, que cruza a tradição clássica com a modernidade literária portuguesa. A partir de uma associação ousada — Fernando Pessoa e Ofélia como novas figuras órficas — os alunos exploram os temas do amor, da perda e da criação artística, evocando ainda a estética da Revista Orfeu através da capa fictícia do seu nº 3.

O resultado é um exercício criativo que liga o imaginário grego ao universo pessoano, revelando a atualidade dos mitos e a capacidade dos estudantes para reinventarem narrativas antigas com sensibilidade e inteligência.

Convidamos à visualização deste trabalho, onde o passado clássico e a vanguarda modernista dialogam de forma inesperada e inspiradora.


Olimpíadas da Cultura Clássica | Orfeu e Eurídice na linguagem visual contemporânea

 

 #alermaisemelhor #OlimpíadasDaCulturaClássica #ClássicosEmRede #mitologia #RedeDeBibliotecasEscolares 

 

 


Recorrendo à linguagem visual, o Juan Garcia, o Mateus Alves e o Marcus Benício, alunos do 12º E, criaram uma narrativa enquadradora simples e profundamente humana: um avô que, sentado ao lado do neto, lhe conta uma das histórias mais belas e trágicas da mitologia grega - Orfeu e Eurídice.

A escolha desta situação narrativa não é casual. Ao colocar o mito no espaço íntimo da transmissão oral — onde as histórias passam de geração em geração — os alunos sublinham a força intemporal dos relatos clássicos e a sua capacidade de continuarem a interpelar-nos hoje. 

Convidamos todos a assistir ao vídeo e a deixarem-se tocar, uma vez mais, pela eterna pergunta que atravessa o mito: até onde pode ir o amor — e o que significa olhar para trás.

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Por que os professores bibliotecários são essenciais para a literacia em IA?

 

 

 


 

Os Professores Bibliotecários com formação em pedagogia são essenciais para o ensino da literacia em IA, pois combinam habilidades de pesquisa, avaliação crítica e mediação tecnológica que permitem aos alunos compreender, usar e questionar a IA de forma informada e responsável nas suas vidas académicas e quotidianas.

Dada a rápida expansão das ferramentas de inteligência artificial (IA) na educação, os bibliotecários escolares com formação pedagógica têm um papel essencial no desenvolvimento da literacia em IA entre os alunos. Num contexto em que as escolas integram cada vez mais tecnologias baseadas em IA, não basta simplesmente saber como usar essas ferramentas: é necessário compreender o que são, como funcionam, quais são as suas limitações e como avaliá-las criticamente para que os alunos se tornem utilizadores informados e responsáveis ​​desta tecnologia.

O texto argumenta que os bibliotecários escolares já desempenham papéis fundamentais no ensino de pesquisa, literacia informacional e literacia mediática, estando, portanto, em uma posição privilegiada para estender essas habilidades à IA. O seu trabalho tradicional de ensinar os alunos a encontrar, avaliar e usar informações relevantes articula-se diretamente com o que a literacia eficaz em IA implica: promover o pensamento crítico sobre algoritmos, dados e resultados gerados por sistemas automatizados, bem como abordar questões éticas e vieses.

Além disso, o artigo destaca a necessidade de acesso equitativo ao ensino de IA. Nem todos os alunos têm as mesmas oportunidades de interagir com tecnologias avançadas fora da escola, portanto, os bibliotecários escolares podem contribuir para essa igualdade, oferecendo recursos, workshops, guias e suporte contínuo. Isso inclui explicar não apenas como usar as ferramentas de IA, mas também abordar discussões sobre privacidade, propriedade intelectual, verificação de factos e riscos da desinformação.

Por fim, o artigo alerta que, sem uma literacia adequada em IA — orientada por profissionais capacitados —, os alunos correm o risco de adotar essas tecnologias de forma superficial ou sem compreender as suas implicações sociais e éticas. Portanto, capacitar, apoiar e fortalecer o papel dos bibliotecários escolares é apresentado como uma estratégia educacional fundamental para preparar os alunos de hoje para navegar com segurança num mundo cada vez mais impulsionado pela inteligência artificial.

 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Roteiro "Caminhos de Camilo em Vila Real"

 

 
#camilo200 #alermaisemelhor #promoçãodaleitura #ferramentasdigitais #semanasdeleitura

 

 

 

No passado dia 24 de março, pelas 10:20, foi apresentado o Roteiro Digital de Leitura Os Caminhos de Camilo em Vila Real à Comunidade Educativa.

Para além de alunos do 3º Ciclo e do Ensino Secundário e do Subdiretor da Escola, Dr. Armando Figueiredo, a cerimónia de apresentação do Roteiro contou com a presença da Dra. Mara Minhava, Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Vila Real, da Dra. Carla Eiriz, Coordenadora dos Serviços de Gestão do Arquivo Municipal de Vila Real, e do Dr. Carlos Santos Silva, do CFAE de Vila Real.

O projeto pretende ser um recurso aberto, acessível a estudantes, professores e a todos os que desejam conhecer melhor a relação entre o escritor e a cidade.






 
Mais do que um simples percurso geográfico, trata‑se de uma viagem cultural e literária que aproxima o público do universo camiliano através da tecnologia.
 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Vila Real: por estes lugares que me viram crescer na dor, no afeto e na escrita.

 

 #camilo200 #alermaisemelhor #promoçãodaleitura #ferramentasdigitais #semanasdeleitura

 

 

 




Fiquei órfão cedo demais: primeiro perdi minha mãe, depois meu pai, Manuel Correia Botelho, natural de Vila Real. Foi essa dupla ausência que me trouxe, ainda menino, para estas terras transmontanas, onde a família paterna me acolheu e onde encontrei, entre montes severos e afetos discretos, um lugar que se tornou meu por necessidade, destino e formação.

Vim viver com a minha tia, D. Rita Emília, no solar da família Castelo Branco — a conhecida Casa dos Brocas. Mais tarde, vivi em Vilarinho de Samardã, junto da minha irmã, onde iniciei estudos sob a orientação do padre António Azevedo. Foi um período de disciplina, leitura e descoberta, que moldou a minha vocação literária.

Recordo-me de percorrer as ruas estreitas da cidade, de escutar o Corgo como quem escuta confidências, de observar as gentes firmes e reservadas que tanto inspiraram a minha pena. Cada rosto, cada gesto, cada sombra destas serras encontrou eco nos meus romances, mesmo quando disfarçados sob outros nomes e outras geografias.

Hoje, convido-vos a caminhar comigo por estes lugares que me viram crescer na dor, no afeto e na escrita. 
 
Vila Real não foi apenas refúgio: foi raiz, escola, ferida e revelação.
 
(Texto produzido com recurso ao ChatGPT) 
  

sexta-feira, 20 de março de 2026

Apresentação do Roteiro Digital de Leitura "Caminhos de Camilo em Vila Real"

 

#camilo200 #alermaisemelhor #promoçãodaleitura #ferramentasdigitais #semanasdeleitura

 

  



«Nesta Samardã passei eu os descuidos e as alegrias da infância, na companhia da minha irmã, que ali casou, e aquele padre António de Azevedo, alma de Deus, missionário fervoroso, que me podia ensinar tanto latim, tanta virtude, e só me ensinou princípios de cantochão, os quais me serviam de muito para as acertadas apreciações que eu fiz depois das primas-donas. Bem se via que eu tinha a prenda. Aquele santo homem ignora que eu escrevo novelas, nem cuida que a humanidade gaste o seu dinheiro e tempo a ler histórias estranhas à salvação.»
In Memórias do cárcere


"É que sinto a nostalgia daquela povoaçãozinha, há muitos anos – uma saudade inveterada como a reminiscência dum primeiro amor, e único feliz. Na minha mocidade, nada mais vejo. Não nasci lá; mas aí foi que me alvoreceu o arrebol do entendimento, a ânsia de trasladar ao papel o dilúculo dessa alvorada; foi ali que fiz os meus primeiros versos… versos, meu Deus! não – a primeira página da minha biografia de lágrimas.

A aldeia chama-se VILARINHO DA SAMARDÃ. Demora em Trás-os-Montes, na comarca de Vila Real, sobranceira ao rio Córrego, no desfiladeiro de uma serra sulcada de barrocais.

In Serões de S. Miguel de Ceide

  

No próximo dia 24 de março, pelas 10.20, vai ser apresentado à Comunidade Escolar, no Auditório 1, o Roteiro Digital de Leitura "Caminhos de Camilo em Vila Real", produzido por docentes do Departamento de Línguas Românicas e Clássicas, em articulação com a Biblioteca Escolar, no âmbito da Oficina de Formação “As tecnologias em cena - Da teoria à prática - Plataformas e Ferramentas Digitais na Aula de Português", realizada pelo CFAE Vila Real.

Este Roteiro Digital de Leitura convida o visitante a explorar Vila Real através da vida e da memória de Camilo Castelo Branco, uma das figuras maiores da literatura portuguesa. Recorrendo ao Google Earth, o percurso reúne os locais mais marcantes da infância e juventude de Camilo, período em que o escritor viveu intensamente a cidade e o seu território.


terça-feira, 17 de março de 2026

Clássicos em Rede - Submissão de trabalhos

 

 #ClássicosEmRede  #OlimpíadasDaCulturaClássica  #concursos  

 

 


 


A Escola Camilo Castelo Branco vai participar, mais uma vez, nas Olimpíadas da Cultura Clássica, concurso que tem por objetivo estimular a curiosidade dos alunos e alargar os seus conhecimentos sobre temas de Cultura Clássica, através de desafios que apelam à escrita, à expressão artística e ao domínio de ferramentas digitais.

Os trabalhos das categorias 1 e 2 (recusos digitais e vídeos) vão ser publicados nos canais digitais da Biblioteca, para ser facultada a respetiva hiperligação, aquando da submissão do formulário . 
 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Perspetivas da OCDE para a Educação Digital


#inteligenciaartificial #literaciadigital 



 

 
Esta edição de 2026 das Perspetivas da OCDE para a Educação Digital sintetiza evidências e sugestões de especialistas para mostrar como a IA generativa tem o potencial de transformar a qualidade e a eficácia da aprendizagem, bem como a produtividade dos sistemas educativos, desde que os riscos associados sejam cuidadosamente geridos. 
 
As suas aplicações incluem melhorar a aprendizagem dos alunos, apoiar o desempenho dos professores, preservando a autonomia profissional, e fortalecer os sistemas educativos, bem como as capacidades institucionais e de investigação.
 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Formação para as literacias | Super Searchers

 




Os alunos das turmas 8.º A e 8.º B deslocaram-se à biblioteca, no passado dia 16 de dezembro, para participaram numa sessão de formação integrada no projeto Super Searchers, dedicada ao desenvolvimento de literacias digitais e informacionais essenciais para a navegação segura e crítica no ambiente online.

Ao longo das sessões, os alunos exploraram estratégias para aperfeiçoar competências de pesquisa, avaliar a fiabilidade de conteúdos digitais e compreender os mecanismos que moldam a informação que circula na internet. A formação, orientada pela Professora bibliotecária, Dra Adelaide Jordão, abordou um conjunto de temas fundamentais:

  • Interação critica com informação online, reconhecendo riscos, vieses e manipulações.
  • Verificação de imagens, vídeos e reivindicações, rastreando o contexto e a origem dos conteúdos.
  • Pesquisa de forma eficiente, aplicando técnicas avançadas para obter resultados mais precisos.
  • Exploração e interpretação da página de resultados do Google, compreendendo o funcionamento do motor de pesquisa.
  • Aprofundamento da literacia de informação em quatro passos simples, incluindo parar, pensar e investigar a fonte.
  • Rastreamento de citações, multimédia e cobertura noticiosa, identificando versões mais completas e fiáveis.


A sessão integrou também um módulo dedicado à Inteligência Artificial Generativa, no qual os alunos:

  • Experimentaram ferramentas de IA aplicadas à pesquisa.
  • Aprenderam como a IA generativa produz respostas e que fontes utiliza.
  • Identificaram imagens geradas por IA e avaliaram a sua confiabilidade.
  • Conheceram os cinco aspetos essenciais para começar a usar IA de forma segura e crítica.


Por fim, os participantes exploraram a Pesquisa Segura do Google, aprendendo a gerir configurações, filtrar conteúdos impróprios, bloquear a pesquisa segura em dispositivos e redes, e denunciar materiais inadequados.

Esta iniciativa reforça o compromisso da Biblioteca Escolar em promover literacias digitais, mediáticas e informacionais, capacitando os alunos para uma participação mais consciente, crítica e segura no mundo digital.

Super Searchers é um projeto da Google cuja adaptação para Portugal foi acordada com MiudosSegurosNa.Net para ser implementado através do projeto Agarrados à Net, tendo a Rede de Bibliotecas Escolares sido convidada para ser parceira na implementação da iniciativa.
  

 

O narcisismo patológico alimentado por chatbots

 

 #inteligência artificial



 

 Conversa com um humanóide da AI Life (Frederic J. Brown/AFP)

 

Quem precisa de amigos chatos, que dizem não e são problemáticos, se podemos ter um “amigo IA” que concorda com tudo, nos venera e está sempre presente?

O criador do AI Friend — um “amigo de inteligência artificial” — garante que sempre soube que a sua criação seria polémica. Trata-se de um pendente usado ao pescoço, basicamente um microfone com a missão de ouvir conversas durante o dia. Sempre, sem ser ativado. E enquanto ouve, vai produzindo respostas e reações, enviadas para uma app. Um amigalhaço eletrónico, um companheiro portátil que segue o utilizador sem cansaço e sem pedir intervalo.

Esse micro está ligado via Bluetooth ao sistema de IA Gemini e tem, supostamente, capacidade de “analisar” e reagir. Pode fazer resumos do dia, destacar momentos e discutir nuances emocionais e sociais. A promessa é oferecer um “amigo” que presta “apoio emocional constante e sem julgamentos” — por 129 dólares, uma quantia acessível para um produto que se apresenta como companhia permanente.

Quando foi lançado, o AI Friend tinha personalidade irreverente e pespineta. Criticava reuniões, como quem está farto de aturar gente. Mas a empresa percebeu que ninguém aguenta um penduricalho irritante e sarcástico ao pescoço. Optaram por “lobotomizar” o sistema e transformá-lo num lambe botas superprotetor, sempre a concordar e reforçar tudo o que o utilizador faz. Não é um amigo, é uma claque portátil.

Curiosamente, houve reação visceral, algo raro com tecnologia. Os nova-iorquinos vandalizaram placards no Metro. “Isso não é um amigo: mesmo que nunca falte um jantar ou não deixe louça na pia.” Para muitos, o dispositivo simbolizava a mercantilização da intimidade. Uma desumanização do afeto, e algo intrusivo na relação com os outros.

Havia quem se sentisse desconfortável em conversar com pessoas que o traziam ao pescoço. Era como estar a ser “escutado”. E tornou-se símbolo de quem precisa de ter um “amigo IA”, logo alguém com problemas de sociabilização. Não é um objeto de estatuto. É uma falha de personalidade. “Este tipo não tem amigos e tem de andar com aquilo ao pescoço... patético.”

Talvez o perigo seja de que os humanos desaprendam a amar pessoas por causa das máquinas

Mas o debate ficou lançado: trata-se de “amizade engarrafada”, uma máquina que serve para louvar e reforçar. Uma substituição da realidade por performance afetiva low cost. Venderam-se poucos milhares destes aparelhos (estas coisas nunca chegam cá devido à legislação da UE), mas tornou-se legítimo questionar o impacto cultural e social da sua eventual disseminação.

Que nos acontece quando temos constantemente um “amigo” a reforçar comportamentos — atos nobres, banais, delírios, dependências ou estados maníacos? Que acontece quando gerações crescem a ter um chatbot que lhes diz “isso faz sentido, compreendo-te, continua”? E se perdem a capacidade de ouvir uma resposta desagradável?

Imaginemos uma adolescência formada na digital sycophancy — lisonja algorítmica permanente. Respostas antipáticas ou negativas? Nunca. O “não” desaparece.



Enio from Pixabay


Vale lembrar que um “amigo” de carne e osso muitas vezes diz: “não sejas burro, não faças isso”. A amizade real é fricção, risco, confronto e limites.

Mas as amizades reais são insuportavelmente humanas. E uma geração deprimida, ansiosa, hipersensível, prefere amigos que não a contradigam. Preferem um espelho a um “não”. Talvez o problema não seja o dispositivo, mas a cultura que o torna necessário e lucrativo.

Tínhamos medo de que as máquinas nos matassem. Agora, teme-se que nos amem tanto que deixemos de ter necessidade dos outros. Não é pânico moral. É existencial. E se descobrirmos que preferimos amigos artificiais porque são mais fáceis, mais seguros, menos exigentes?

Criou-se a ideia de que “há uma epidemia de solidão”. Talvez seja mito. Talvez o drama não seja estarmos mais sós, mas menos preparados para estarmos sós. O termo ‘solidão’ é recente — tem uns 200 anos. Antes, “estava-se só”. Deus estava presente. Nem Robinson Crusoe usou o termo solidão para descrever a vida na ilha sem o Sexta-Feira.

Agora, haverá o AI Friend. Um substituto barato de Deus, do amigo e do terapeuta. É que uma amizade é uma chatice. Dizem que são precisas 200 horas de interação e exposição de vulnerabilidades para que se forme uma amizade profunda. Quem tem esse tempo? E quem se arrisca?

Assim, de repente, o que poderá acontecer a uma geração criada com “amigos” que só reforçam convicções? Arrisca-se a ser uma geração de narcisistas patológicos e dependentes emocionais da IA, que só conhecem validação e ausência de confronto com o outro e com a diferença.

Sim, ainda estou a falar do penduricalho, que assumirá outra forma comercial. Mas é uma experiência que pode alargar-se a toda a relação com chatbots e modelos de linguagem usados para resolver problemas quotidianos, nomeadamente emocionais, que se expandem diariamente como próteses psíquicas.

Humanos fechados sobre si e sobre a “sua” IA, num potencial cenário de degradação do tecido social, em que a amizade algorítmica promete conforto e anestesia emocional, dado ser um amigo que nunca discorda e serve de calmante. Bem melhor do que os “reais”, não?

O que se tem lido em livros e visto em filmes é a preocupação de que os humanos comecem a amar máquinas, a ter relações com elas. Mas talvez o perigo seja de que os humanos desaprendam a amar pessoas por causa das máquinas. Que a intimidade real fique obsoleta porque exige demasiado trabalho.
 
 
Luís Pedro Nunes. Expresso, 17 de dezembro de 2025
 

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

DigComp 3.0: Ensinar no tempo da IA

 

 


A IA não pode substituir o professor.
A IA obriga-nos a repensar o que significa ensinar.

 

 

 



O DigComp 3.0 é a quinta edição do Quadro Europeu de Competência Digital (Comissão Europeia 2025). Ele descreve os conhecimentos, habilidades e atitudes necessários para ser competente digitalmente na vida quotidiana, na participação na sociedade, no trabalho e na aprendizagem, podendo ser utilizado tanto por crianças quanto por adultos. 

O quadro é neutro em relação à tecnologia e foi projetado para ser adaptado e ajustado a uma variedade de propósitos nos contextos de educação, formação e emprego. 

O DigComp é destinado a indivíduos e organizações, sejam locais, regionais, nacionais, europeias ou internacionais, que compartilhem o objetivo comum de compreender e identificar as necessidades de competência digital e apoiar seu desenvolvimento. Ele apoia políticas e iniciativas da União Europeia sobre habilidades digitais (como a União de Competências, onde o DigComp é explicitamente mencionado, e o Programa de Políticas da Década Digital) e as implicações sociais e económicas da transformação digital (como o Plano de Ação do Continente de IA e a Estratégia Europeia para uma Internet Melhor para Crianças).

O DigComp 3.0 incorpora desenvolvimentos tecnológicos digitais, tendências e práticas que ocorreram desde 2022 e que têm implicações abrangentes para a competência digital. Ele também inclui uma nova seção que descreve os resultados de aprendizagem, proporcionando uma visão mais detalhada da competência digital, permitindo uma interpretação e aplicação mais fácil e consistente do quadro, bem como a integração sistemática e transversal da competência em IA em todo o quadro.


COSGROVE, J. and CACHIA, R., DigComp 3.0: European Digital Competence Framework - Fifth Edition, Publications Office of the European Union, Luxembourg, 2025, https://data.europa.eu/doi/10.2760/0001149, JRC144121.



O DigComp 3.0 propõe:

  • integrar a IA como contexto (não como fim),
  • reforçar a capacidade crítica face à informação,
  • recentrar o debate no bem-estar, na ética e na responsabilidade,
  • devolver aos professores o papel de mediadores conscientes.