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quarta-feira, 15 de maio de 2024

Exposição | Interpretar o Douro

 

 

 

 

 

De 15 a 27 de maio, está patente, na escadaria de acesso à Biblioteca, a exposição de pintura "Interpretar o Douro", de João Rebelo. 

O evento é realizado no âmbito da Rede de Bibliotecas de Vila Real e conta com o apoio do Município.

   

 


                             

 



 

sexta-feira, 10 de maio de 2024

João Rebelo | Exposição: 1 livro, 1 pintura

 



Não consigo deixar de pintar.
Há mais de 60 anos que o faço.
Realizei inúmeras exposições individuais. 
Foram várias séries.
Agora estou mais retratista dos livros que vou lendo.
Acho que é uma boa aposta. Juntar um autor e um livro.
Espero pelo Público. - João Rebelo

 




São duas as exposições de João Rebelo patentes na ES Camilo Castelo Branco.



Escritores: 1 livro, 1 pintura

Está na escadaria de acesso à Biblioteca, até ao dia 15 de maio. 

Florbela Espanca, Fernando Pessoa, Almada Negreiros, Aquilino Ribeiro, Maria Archer, Irene Lisboa, Natália Correia e José Saramago são os autores representados nas pinturas. 








Filósofos: 1 livro, uma pintura


Está no espaço de exposições da Biblioteca, até ao dia 27 de maio.


Obras e filósofos aí representados:  

O nome da Rosa, de Umberto Eco, O olho e o espírito, de Maurice Merleau Ponty, A beleza, de de Roger Scruton, A verdade e o Método, de Hans- Georg Gadamer, A Tentação de Existir, de Emil Cioran, As Origens do Totalitarismo, de Hannah Arendt, Sources of the Self, de Charles Taylor








sábado, 4 de maio de 2024

Encontro do escritor Nuno Castelo com os alunos do 2º A






"Homens garrafa" é o título do romance abordado com os alunos do 2º A do Curso Profissional Técnico Auxiliar de Farmácia, na Biblioteca. A professora de Inglês, Dra. Carmen Soraia, acompanhou a turma na sua deslocação à Biblioteca.

Nuno Castelo, que está representado no Plano Nacional de Leitura com o livro infantil "O homem de papelão", para além da escrita literária de poesia e ficção narrativa, é também pintor e ilustrador. 

Na pintura, é o criador da série "Homem Garrafa", iniciada em 1993. Fortemente premiado, o seu nome figura em algumas publicações nacionais e internacionais de destaque.





O motivo dos homens garrafa, caraterístico da representação do Douro Vinhateiro




quinta-feira, 27 de abril de 2023

Simonetta Vespucci, la stella senza pari

 





Ficou imortalizada na pintura com Sandro Botticelli.
Foi eleita a "Rainha da Beleza" de Florença. Lorenzo di Medici, o Magnífico, dedicou-lhe um soneto (“O chiara stella che co’ raggi tuoi…”) e o seu irmão Giuliano apaixonou-se loucamente por ela. 
Morreu de tuberculose aos 23 anos.


quarta-feira, 26 de abril de 2023

Conferência | O vampiro de Botticelli

 














O que há de comum entre Simoneta Vespucci e Marilyn Monroe?

Qual é a verdadeira história da musa de Sandro Botticelli?

Estas e outras questões serão esclarecidas na conferência O vampiro de Botticelli, pelo professor Álvaro Pinto.

Iniciativa conjunta do Departamento de Línguas Românicas e Clássicas (Projeto Língua portuguesa - uma língua de encontros na terra e no mar) e do Grupo disciplinar de História.





domingo, 12 de março de 2023

Há poderes que tutelam a liberdade artística

 




Q


uando o quadro “Les Baigneuses”, de Gustave Courbet, foi exibido no Salão de 1853 em Paris, o imperador Napoleão III, exaltado, chicoteou a pintura — a nudez não era desconhecida naquelas paredes, mas mostrou-se chocado com o realismo da imagem, a mulher de costas, ancas largas e um pano que não as escondia. A Napoleão, o “trapaceiro”, como lhe chamou um contemporâneo, que fora eleito presidente há cinco anos e consagrado imperador há um, convinham os grandes gestos de autoridade, porventura mais do que o castigo da arte, e a imperatriz aplaudiu-o. Do gesto daquele chicote, ou pingalim que fosse, nada mais sobrou; quanto ao pintor, já habituado à controvérsia, continuou a apresentar novos olhares sobre o mundo. Ficou, no entanto, a reafirmação de que há poderes que tutelam a liberdade artística e, dez anos depois, o “Déjeuner sur l’Herbe”, de Édouard Manet, foi simplesmente recusado pelo Salão, por imoralidade.


“Les Baigneuses”, de Gustave Courbet. Quadro exibido no Salão de 1853, em Paris


Manet tinha pintado duas mulheres, uma despida e que olha confiantemente para nós, outra, mais longe, em vestes transparentes (a primeira era a sua modelo preferida, a outra veio a casar-se com o escritor Émile Zola), ao lado de dois homens irrepreensivelmente de fato completo, sentados num piquenique no campo. O contraste entre elas e eles é realçado pela voluptuosidade tranquila da mulher que nos fita e que é iluminada pelo jogo de cores do quadro. Curiosamente, nem a versão divertida e posterior de Cézanne (que incluiu mais figuras, todas enroupadas), nem as de Picasso (que pintou duas centenas de esboços a partir deste quadro, quarenta dessas telas entre 1959 e 1962, incluindo algumas em que todas as figuras estão nuas) transmitem a mesma sugestão. Melhor do que os seus imitadores, a imagem da Manet sublinhava a luminosidade e a natural sensualidade da mulher que domina o quadro. Por isso, ou dado que a censura não anda com bom nome — pelo menos numa pequena parte do mundo, mais pequena do que se pode supor —, a acusação de obscenidade de que então Manet foi vítima, como o fora Courbet, parecer-nos-á agora uma simples zombaria. Como nestes casos, a designação de obscenidade, para reduzir uma das formas de sentir o erotismo, é uma interpretação de poder e tem o contexto de cada época em que é enunciada.

Francisco Louçã. "Vai Bocage contra o fanatismo dos bonzos" (excerto), in Revista Expresso, Semanário#2627, de 3 de março de 2023


terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Carnaval | Pintura

 















Carnival por Gösta von Hennigs - 1909 - Nationalmuseum Sweden, Sweden - Public Domain.
http://www.europeana.eu/item/2064116/Museu_ProvidedCHO_Nationalmuseum__Sweden_18748


quarta-feira, 21 de dezembro de 2022

“Amadeo” | Filme sobre o pintor Amadeo de Souza-Cardoso

 






Amadeo” o mais recente filme de Vicente Alves do Ó inspira-se na vida e obra do pintor Amadeo de Souza-Cardoso. A história do homem que sonhou pintar o futuro e o seu grande amor por Lucie, a mulher que lutou pela eternidade, terá a sua estreia a 26 de janeiro.

“Amadeo” é uma longa metragem de ficção histórica, inspirada na vida e na obra do pintor nascido em Manhufe (Amarante) a 14 de novembro de 1887 e que cedo parte para Paris, onde faz amizade próxima com Picasso, Gaudí, Modigliani, Apollinaire e Delaunay.






Escrito e realizado por Vicente Alves do Ó, o filme é estruturado em 3 tempos/episódios da vida de Amadeo Ferreira de Souza-Cardoso. Em 1916 quando o jovem Amadeo organiza a primeira grande exposição modernista em Portugal e revela um mundo novo a um país velho e conservador, depois de ter estado em Paris. Recua a 1911 quando Amadeo apresenta os seus primeiros trabalhos à elite artística da cidade de Paris; e por fim, 1918, o fatídico ano da pandemia que assolou o mundo, a gripe espanhola, que matou milhões de pessoas, nomeadamente a família Souza-Cardoso, e que abrevia a vida inesquecível deste homem a quem Lucie dedicou o resto da sua vida.

Considerado um dos artistas mais relevantes e importantes do modernismo, nos inícios do século XX, o realizador vê em Amadeo de Souza-Cardoso «um homem de vanguarda num período da História marcado por revoluções, clivagens, o velho a combater o novo, simbolizando esse “novo novíssimo”, que ainda hoje nos inspira.»

O filme conta com Rafael Morais, Ana Lopes, Lúcia Moniz, Ana Vilela da Costa, Manuela Couto, Ricardo Barbosa, Raquel Rocha Vieira, José Pimentão, Rogério Samora e Eunice Muñoz.

Digital, B. (2022). “Amadeo”. Filme sobre o pintor Amadeo de Souza-Cardoso estreia nos cinemas portugueses. Retrieved 23 December 2022, from https://comunidadeculturaearte.com/amadeo-filme-sobre-o-pintor-amadeo-de-souza-cardoso-estreia-nos-cinemas-portugueses/




sábado, 17 de dezembro de 2022

terça-feira, 6 de setembro de 2022

A árvore do conhecimento

 


"Tree of Knowledge", de Dion Pollard



“Sempre que no meu ambiente faltou apoio e alimentação, agarrei-me aos livros...”

― Richard Wright, em 1908



segunda-feira, 15 de agosto de 2022

Da cidade

 














Maria Susarenko, artista contemporânea da República do Cazaquistão,
conhecida pelas suas paisagens urbanas e ilustrações semi-abstratas.




Um viciado em ópio perde-se na selva; homens fazem guerra a um império de mutantes; um jovem e belo pirata confronta-se com a sua execução; e a população mundial está infetada por uma epidemia radioativa. Estas histórias ligam-se através de uma narrativa maior de mutilação e caos. Cidades da Noite Vermelha, publicado em 1981, marca uma nova etapa na escrita de William S. Burroughs, que desenvolve aqui a sua poética plástica, recorrendo à incorporação de variadíssimos níveis de linguagem e diferentes meios de expressão artística, como a pintura ou a música.
A ação desenvolve-se em dois planos, fazendo-nos navegar entre o século XVIII, em que a atuação de um grupo de piratas se rege pelos «Artigos» do capitão James Mission (que antecederam em cem anos os princípios da Revolução Francesa), e o século XX, em que um detetive investiga o desaparecimento e a morte ritual de um rapaz.



«Podia ser isto: um "travelling" ininterrupto de fachadas iguais, janelas em quadrícula miúda e cimento vivo onde a tinta cedeu ao tempo, o colorido sujo, disperso, da roupa estendida, os grafites em risco descontínuo, o ceú em recorte oblíquo, a incongruência áspera do sol.
[...]
Talvez sejamos todos suburbanos. Mas uns, como no ditado orwelliano, são mais que os outros. É desses que trata este livro. É o ponto de vista deles - esse ponto de vista que por sistema o olhar sobre a periferia ilide e rasura, porque impróprio no poema - que se procura. Porque eles vivem.»

Cidades Sem Nome - Crónica da Condição Suburbana, editado pela Tinta da China, é o resultado de um trabalho de investigação jornalística realizado por Fernanda Câncio a convite da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo, entre 2003 e 2004.



A cidade encontra-se numa encruzilhada. É palco, cenário e actor de grande parte dos nossos actuais dilemas e possibilidades. A maioria das cidades são hoje meta ou mesmo hípercidades, estendidas as suas influências por vastos territórios relacionais e pelas mais variadas escalas de quotidianos, de sofrimentos e de expressões cívicas. Em formas muito mais complexas - mas também muito mais fascinantes - de as compreender e governar; muito para além de velhas muralhas ou divisões administrativas; de estruturas políticas e socioprofissionais corporativas; de lógicas de governação baseadas em simples determinismos, sectorialismos ou relações directas de causa-efeito. Por entre os vieses da democracia e as dúvidas do progresso, novas e magníficas oportunidades - de desenvolvimento, de justiça e de inclusão, de qualidade de vida, de realização cívica - se irão formar e expandir. Como as apoiar e consolidar? Com inteligência, estratégia e compromisso. Defendendo princípios sólidos, como o direito à cidade, ao habitat, à mobilidade; à inclusão social, ao consumo sustentável, ao empreendedorismo local; à participação. E a uma cidadania activa, responsável e atenta. Inteligência global, decerto, mas muita inteligência local. Inteligência urbana, portanto. Como escreveu Jorge Luís Borges, «a cidade impõe-nos o terrível dever da esperança». O livro A cidade na encruzilhada é editado pela Afrontamento.


Christian Schloe, Fly Me to Paris



«"As Cidades Invisíveis" apresenta-se como uma série de relatos de viagem que Marco Polo faz a Kublai Kan, imperador dos tártaros. [...] A este imperador melancólico, que percebeu que o seu poder ilimitado conta pouco num mundo que caminha em direção à ruína, um viajante visionário fala de cidades impossíveis, por exemplo, uma cidade microscópica que se expande, se expande até que termina formada por muitas cidades concêntricas em expansão, uma cidade teia de aranha suspensa sobre um abismo, ou uma cidade bidimensional como Moriana. [...] Creio que o livro não evoca apenas uma ideia atemporal de cidade, mas que desenvolve, ora implícita ora explicitamente, uma discussão sobre a cidade moderna. [...] Penso ter escrito algo como um último poema de amor às cidades, quando é cada vez mais difícil vivê-las como cidades.». Livro editado pela Dom Quixote.



Para uma Cartografia Imaginária pretende interpretar todos os lugares que o leitor/a vê ao viajar pelas Cidades Invisíveis. O caminho traçado por Calvino desvendanos subtis relações entre personagens sem nome, que nos contam como vivem, onde vivem ou onde poderiam viver. Ao deixar em aberto quais são as cidades descritas, o autor conduz o nosso imaginário por diversos cenários e épocas sem nunca ser possível identificar, com uma certeza inequívoca, a cidade que o autor retrata. Esbate-se a cidade real e a cidade utópica para nascer a cidade invisível. 

A desfragmentação que se apresenta nesta dissertação resulta de uma intenção de refletir sobre a cidade. Neste sentido, a nova sequência narrativa que aqui propomos corresponde a uma análise realizada sob o ponto de vista arquitetónico e urbanístico, mas abriu espaço a que outras áreas que se consideraram pertinentes se inscrevessem e diluíssem nesta análise. As cidades foram reagrupadas e analisadas sequencialmente, segundo o tema em que se inserem, e foram realizados vários quadros onde se procuraram conexões variáveis, consoante os pressupostos que interessava analisar. À semelhança do que acontece num tabuleiro de xadrez, tema recorrente no texto, as cidades (como peças) foram deslocadas, propondo novas ligações. 

Foi possível estabelecer uma conexão entre as várias narrativas de As Cidades Invisíveis; aliás, a sua leitura individual torna-as incompletas, sendo apenas na sua continuidade que se complementam. A estrutura dúplice presente na obra é uma das características que estimula a criação de esquemas abstratos, onde se estabelecem ligações que impulsionam a especulação sobre diversos temas, tendo sempre como pretexto uma vontade de pensar a cidade.


Marcin Kołpanowicz, Building of the Tower of Babel





















100 anos da revista Contemporânea

 




















A mulher e o galgo, de Almada Negreiros.
Revista Contemporânea. Ano 1, nº 2, junho 1922
Hemeroteca Digital

A

revista “Contemporanea” contou com nove números, saídos entre 1922 e 1923. Em 1924 saiu o nº 10 e em 1926 mais três. Organizado pelo arquiteto José Pacheco, o centenário da sua publicação celebra-se este ano. Na “Contemporanea” era evidente a existência de uma aliança entre o integralismo de António Sardinha e o modernismo de Fernando Pessoa e Almada Negreiros. Uma aliança feita em nome de um nacionalismo de que o Estado Novo se iria aproveitar.

Na matriz folclórica, etnográfica e das artes populares, partilhada por Veiga Simões e Vergílio Correia, dois outros colaboradores da revista, a força de um povo orientado por um escol contrapunha-se quer às lutas políticas consideradas estéreis quer aos projetos estéticos situados em “torres de péssima porcelana” (os visados seriam o simbolismo de Eugénio de Castro e o saudosismo de Teixeira de Pascoaes).

Todos os elementos acabados de referir — integralismo, modernismo, outros projetos estéticos, nacionalismo e forças que com ele concorreram, relação do escol com o povo, conhecimento folclórico, etc. — necessitam de ser tidos em linha de conta para compreender o que foi a “Contemporanea”. Uma revista eclética que articulou vozes dissonantes e na qual os seus colaboradores estavam longe de partilhar a mesma agenda.

Diogo Ramada Curto. Expresso Semanário#2598, 12 de agosto de 2022


sábado, 23 de julho de 2022

Restauro dos Painéis de S.Vicente


 

 

 

 





A equipa que está a estudar os Painéis de S. Vicente no Museu Nacional de Arte Antiga, em Lisboa, está a fazer um check-up extremamente rigoroso a esta importante pintura portuguesa para ter na mão um diagnóstico completo das suas doenças e decidir, depois, como tratá-las.

Veja aqui como Helena Serra e Moura, conservadora-restauradora de pintura do Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA) vai identificando as áreas que terão sido objecto de intervenções anteriores, como aponta aqui e ali zonas em que a superfície da pintura é irregular devido à aplicação, menos correta em restauros anteriores, de massas de preenchimento, e recorre às radiografias que tem à mão, junto às pinturas, para mostrar como duas pequenas lacunas próximas uma da outra no rosto de um dos santos levaram no passado um restaurador a optar por um retoque alargado, algo que hoje não se faria.