Mostrar mensagens com a etiqueta língua portuguesa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta língua portuguesa. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Intervalo Cultural em português

 

 

#DiaMundialDaLinguaPortuguesa #alermaisemelhor

 

 

 


Para assinalar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, a Biblioteca Escolar e o Departamento de Línguas Românicas e Clássicas promoveram um evento dedicado à palavra dita, cantada e sentida - o Intervalo Cultural.

Os alunos das turmas 12.º C, 12.º E e 12.º G - Carlos Miguel Matos, Alba Mancera, Cristiana Barreiro, Juliana Gando, Mafalda Alves, Rita Melo Silva, Ana Francisca Morais, Lara Matos, Núria Morais e Sofia Teixeira - deram voz à poesia, à declamação e ao canto, num encontro onde diferentes ritmos, timbres e expressões revelaram a pluralidade da nossa língua e a criatividade dos nossos jovens. O momento contou ainda com a participação musical da Leonor Clemente e da Maria João Abreu, que interpretaram peças em bandolim (Vivaldi, Concerto para Cordas em Dó Maior, 2º Andame) e violoncelo, respetivamente, oferecendo uma dimensão intimista e profundamente sensível à celebração.






A sessão integrou a declamação do poema O Mar dos Meus Olhos, de Sophia de Mello Breyner Andresen, trazendo ao encontro a limpidez, o ritmo e a imagética marítima tão característicos da autora. Seguiu-se uma leitura coral do poema Trovas do Amor Lusíada, de Manuel Alegre, destacando a força coletiva da palavra dita e a musicalidade intrínseca do texto. O momento cultural culminou com a interpretação cantada de A Pedra Filosofal, evocando a capacidade da língua portuguesa unir gerações através da música, da imaginação e do sonho.
 
"Da minha língua vê-se o mar" - Vergílio Ferreira
 
Simbolicamente, a evocar a presença do mar na língua portuguesa, os alunos usaram adereços em azul (os rapazes) e branco (as meninas) confecionados pelas professoras de Educação Especial. 
 

 

 
Esta celebração mostrou que a língua portuguesa é mais do que um instrumento de comunicação: é um território vivo onde cabem memórias, afetos, identidades e futuros. Ao dizerem, cantarem e interpretarem em português, os alunos reafirmaram a força da palavra e a sua capacidade de emocionar, criar e transformar.
 

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Celebrar a língua que nos une a milhões de falantes em todos os continentes

 

 #DiaMundialDaLinguaPortuguesa #alermaisemelhor







No dia 5 de maio, a Biblioteca Escolar, em articulação com o Departamento de Línguas Românicas e Clássicas, convida toda a comunidade educativa a celebrar o Dia Mundial da Língua Portuguesa, uma data que destaca a riqueza, a diversidade e a vitalidade da língua que nos une a milhões de falantes em todos os continentes.

Para assinalar esta efeméride, será dinamizado um Intervalo Cultural especialmente dedicado à palavra dita, cantada e sentida. Haverá música, poesia, declamação e canto, num momento de encontro entre vozes, ritmos e expressões que revelam a pluralidade da nossa língua e a criatividade dos nossos alunos.

Esta iniciativa pretende valorizar o património linguístico comum, promover o contacto com diferentes manifestações artísticas e reforçar o papel da escola como espaço de cultura, partilha e celebração. 

Escrita criativa - Poema‑Mapa da Língua Portuguesa

 

#DiaMundialdaLinguaPortuguesa


 
 
Proposta Criativa para celebrar o Dia mundial da língua portuguesa: “Poema‑Mapa da Língua Portuguesa”

🎯 Ideia central

Os alunos criam um poema onde a língua portuguesa é um território vivo, feito de lugares, sons, memórias, sabores, gestos e palavras que só existem em português. Cada verso é um “marco geográfico” desse território afetivo.


Estrutura orientadora (flexível)

Peça aos alunos que escrevam um poema com: 

  • 1 verso sobre um som da língua (ex.: “o sussurro do ç a deslizar na boca”)
  • 1 verso sobre uma palavra‑símbolo (ex.: saudade, aconchego, miudinho, luar)
  • 1 verso sobre um lugar onde a língua vive (a escola, a casa, a rua, a internet, a biblioteca)
  • 1 verso sobre uma memória pessoal ligada à língua
  • 1 verso final que declare o que a língua lhes permite fazer (sonhar, resistir, imaginar, pertencer)


Modelo para inspiração (original e livre de direitos de autor)


A língua que falo tem o rumor das ondas antigas,
um sopro de sílabas que me acorda devagar.
Carrega palavras que brilham como pedras quentes —
saudade, lume, abrigo — guardadas no peito.
E quando a digo, o mundo abre uma porta secreta,
como se cada frase fosse um mapa que me ensina a voltar a casa. 


Bom trabalho!


domingo, 3 de maio de 2026

Dia mundial da língua portuguesa | António Guterres

 

 #linguaportuguesa  #diamundialdalinguaportuguesa

 

"A língua portuguesa é  a riqueza da diversidade."

- António Guterres 

 

sexta-feira, 1 de maio de 2026

O Português é a língua mais bonita do mundo, por Ariano Suassuna

 

#diadalinguaportuguesa  #camões500   #alermaisemelhor

 

 

 

Neste vídeo, Ariano Suassun, escritor, filósofo, poeta e dramaturgo brasileiro, celebra o português como uma língua sonora, musical e rica, recorrendo ao seu humor característico para cativar o público. Explica o conceito de mote e glosa, uma tradição da poesia popular nordestina, e exemplifica com um improviso de um "cantador" sobre o mote “A vida venceu a morte”, comparando a qualidade desta poesia popular à obra de Calderón de la Barca. 

Suassuna recita ainda a glosa de Luís de Camões sobre a jovem Leonor, destacando a musicalidade do português, e critica a hegemonia do inglês, mostrando como a nossa língua distingue conceitos de forma precisa, algo que o inglês não consegue, valorizando assim a riqueza e expressividade do português. Termina reforçando que escreve e fala em português por opção e por respeito à cultura lusófona, defendendo a língua como património cultural.

sábado, 22 de novembro de 2025

Cadernos de Língua Portuguesa 3

 

 

"A língua é como um rio: sem margens, desaparece." João Carreira Bom


 

 





Já está em linha nº 3 dos Cadernos de Língua Portuguesa, dedicado a tópicos de sintaxe - Funções Sintáticas.

Os Cadernos de Língua Portuguesa constituem uma coleção de brochuras digitais elaboradas e publicadas pelo Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e pelo Laboratório de Competências Transversais (LCT) do Iscte. Trata-se de uma publicação que aborda temas da língua portuguesa com base no Consultório do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa.

Este terceiro número reúne 12 fichas com esclarecimentos que abordam as unidades e as funções da sintaxe da língua portuguesa. A recolha, elaboração e organização deste número são de Carla Marques, Carlos Rocha e Inês Gama. 

 
O nº 3 dos CLP encontra-se aqui.

Pode consultar o nº 1 aqui e o nº 2 aqui


quarta-feira, 12 de novembro de 2025

Aprender a língua, viver as tradições

 

 

 



Os alunos de Português Língua de Acolhimento (PLA) comemoraram o Dia de São Martinho com criatividade e dedicação: dramatizaram a lenda de São Martinho, declamaram um poema e entoaram uma canção alusiva ao dia, envolvendo todos num momento cultural muito especial.

Mais do que uma simples comemoração, esta iniciativa destacou o empenho e a alegria dos participantes, revelando o prazer que sentem em aprender a língua portuguesa e em conhecer as tradições do nosso país.

No final, todos se reuniram para saborear as tradicionais castanhas assadas, num ambiente de convívio e partilha, marcado pelo gosto em descobrir a riqueza cultural que nos une.

 

sexta-feira, 12 de setembro de 2025

Cadernos de Língua Portuguesa 2

 

 

 


 

 

Apresenta-se o segundo número dos Cadernos de Língua Portuguesa, uma publicação do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa que visa esclarecer, de forma sintética e prática, aspetos essenciais do uso correto do português na sua variedade europeia. 

A seleção e organização dos conteúdos explorados no presente número decorre sobretudo da experiência dos cursos que o Laboratório de Competências Transversais do ISCTE-IUL tem promovido para integração dos estudantes provenientes dos países africanos de língua portuguesa na atividade académica desenvolvida pela referida instituição. 

Tendo em atenção lacunas e dificuldades detetadas entre os estudantes nas suas produções escritas, as 21 fichas que se seguem repartem-se por três grandes áreas: a ortografia, a sintaxe e a pontuação. Prestando-se tanto ao trabalho em sala de aula como ao trabalho autónomo do estudante, cada ficha articula-se em duas secções: 

  • uma sequência expositiva dedicada a um tópico do funcionamento da língua, apoiada também em exemplos de usos corretos; 
  • e uma segunda secção, de caráter prático, constituída por exercícios acompanhados de soluções. 

Este número, cuja motivação vem de preocupações com um público adulto universitário, configura-se principalmente como um recurso produzido pelo Ciberdúvidas da Língua Portuguesa para apoio do processo de contacto – e eventual acomodação — com as especificidades do português europeu escrito. Mesmo assim, as regras aqui enumeradas também interessarão a um público mais alargado, oferecendo a quantos têm o português europeu como variedade materna a oportunidade de retomar conscienciosamente usos corretos que andavam esquecidos ou menos consolidados. 

Carla Marques e Inês Gama (org.). Cadernos de Línga Portuguesa 2, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

quinta-feira, 11 de setembro de 2025

Ciberdúvidas no Youtube


 

 

 

 




Para além do Portal, o Ciberdúvidas da Língua Portuguesa tem uma nova rubrica, por meio da qual diferentes consultores respondem oralmente a questões colocadas por consulentes. A divulgação destas respostas é feita em formato vídeo (incluindo reels), que são divulgados nas diferentes redes sociais. 
 
Veja todos os vídeos aqui
 
 
 

Cadernos de Língua Portuguesa 1

 

 


 

Este é o primeiro número de Cadernos da Língua Portuguesa, uma coleção destinada a dar a conhecer respostas a questões / dúvidas linguísticas que integram o acervo do portal Ciberdúvidas da Língua Portuguesa

O público-alvo desta publicação, em formato digital, são os leitores e consulentes habituais do espaço Ciberdúvidas, nomeadamente professores, alunos, tradutores, jornalistas e investigadores. 

Este primeiro número contempla questões/dúvidas de vários domínios linguísticos (morfologia, classes de palavras, sintaxe, semântica/pragmática, pontuação) com vista a dar a conhecer algumas das áreas mais consultadas do portal. Prevê-se que os números seguintes dos Cadernos de Língua Portuguesa incidam sobre ramos específicos da gramática. 

  • O presente caderno está organizado em cinco secções, cada qual com a seguinte estrutura interna: 
  • noções gerais: breve exposição da área de funcionamento da língua normativa e das noções descritivas básicas. 
  • quatro a seis pares de pergunta (dúvida)/resposta (esclarecimento) selecionados do acervo do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa. 

A formulação de cada pergunta foi adaptada de modo a facilitar a identificação da dúvida a esclarecer. As respostas apresentadas podem não corresponder na íntegra ao texto original, uma vez que se procedeu a adaptações, a atualizações ou à condensação de informação dispersa. 

Carla Marques e Carlos Rocha (org.). Cadernos de Línga Portuguesa 1, Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

sexta-feira, 30 de maio de 2025

Guia de Leitura - ensino de português a públicos não nativos

 

 





Este guia oferece orientações práticas e fundamentadas para professores que ensinam português a públicos não nativos – seja como língua de acolhimento, língua estrangeira, língua de herança ou segunda língua. Intitulado Guia de Leitura PLA/PLE/PLNM/PLH/PLS, o documento propõe uma abordagem inovadora, integrando literatura e ensino da língua numa perspetiva cultural, linguística e pedagógica. 

Estruturado em seis capítulos, o guia aborda as vantagens da leitura literária, propõe sugestões de leitura por níveis de competência linguística, estratégias de mediação, propostas para leitura autónoma, formas de monitorização dos progressos e instrumentos de avaliação. Parte de conhecimento científico atualizado e práticas educativas consolidadas, aproximando investigação e contexto de sala de aula. 

Ao reconhecer o papel central da literatura no desenvolvimento vocabular, cognitivo, cultural e pessoal, este guia responde a um desafio antigo no ensino do português como língua adicional, afirmando que ler literatura com os aprendentes não só é possível como desejável – em qualquer parte do mundo. 

Plano Nacional de Leitura


 

sábado, 10 de maio de 2025

"O Pensador"- Uma revista romena escrita em português

 

 



"O Pensador é um site envolvente dedicado à língua portuguesa, à cultura lusófona e às nossas atividades escolares. Inspirado no famoso monumento de Auguste Rodin, a escultura "O Pensador". Esta revista online oferece um espaço valioso para os alunos exporem a sua criatividade e partilharem os seus trabalhos em língua portuguesa, como composições, poemas e muito mais."

 

Estas são as palavras de apresentação do Site /Revista O Pensador, do Liceu Eugen Lovinescu, de Bucareste, Roménia, onde funciona o Centro de Avaliação Camões Júnior – e-certificação Português Língua Estrangeira

Lembramos que esta foi a escola parceira da Camilo no âmbito do projeto Latitudes da Língua Portuguesa.



"A revista tem como objetivo oferecer uma perspetiva abrangente da cultura lusófona, apresentando textos literários originais e explorando diversos temas relacionados à identidade, tradições, história e muito mais. Seja um artigo cativante sobre a vida dos alunos ou um poema sensível que reflete a beleza da natureza, "O Pensador" ilustra a riqueza e a diversidade dos talentos literários dos alunos. Além das contribuições dos alunos, a revista possui também secções especiais com entrevistas a pessoas nativas, críticas de livros, artigos sobre eventos culturais e dicas úteis para a melhoria das habilidades de escrita em língua portuguesa".

 

 Vale a pena ler! 👏 👏 👏

quinta-feira, 8 de maio de 2025

A língua explica (-se) - Uma viagem por palavras, definições e formas de pensar o português

 

#Diamundialdalínguaportuguesa #alermaisemelhor

 #semanadaleitura2025

 

 

 






Organizada no âmbito do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a exposição bibliográfica "A língua explica (-se)", patente na ES Camilo Castelo Branco até ao dia 9 de maio, convida à descoberta da língua enquanto objeto de estudo e expressão cultural. 

Através de gramáticas, elucidários, prontuários e dicionários — maioritariamente do século XIX — os títulos selecionados do fundo museológico revelam como, ao longo do tempo, a língua procurou explicar-se e ser explicada. 

Uma viagem por palavras, definições e formas de pensar o português.

 

terça-feira, 6 de maio de 2025

Museu da Língua Portuguesa

 

 #linguaportuguesa

 

 

Museu da Língua Portuguesa é um museu interativo sobre a língua portuguesa localizado na cidade de São Paulo, Brasil, no histórico edifício da Estação da Luz, no Bairro da Luz, região central da cidade.

 

Exposição Bibliográfica | A língua explica (-se)

 

 Dia mundial da língua portuguesa (03.05.2025)



#Diamundialdalínguaportuguesa #alermaisemelhor

 


 


No âmbito da celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa, a Biblioteca Escolar preparou a exposição bibliográfica A língua explica (-se) com títulos do fundo museológico (dicionários de língua, dicionários de apelidos, prontuários, elucidários, gramáticas), que vai estar patente no átrio da escola de 5 a 9 de maio.

segunda-feira, 5 de maio de 2025

23 palavras em homenagem à nossa língua

 

 

 


 


Leio por aí que o dia 5 de Maio é o Dia da Língua Portuguesa [que em 2019 coincidiu com o Dia da Mãe em Portugal ]. Pois bem: aqui ficam 23 palavras em homenagem à nossa língua, de A a Z…

Aprender. Nascemos sem palavras, num choro que se mistura com a dor, o amor e os nervos dos pais. Palavras? Nenhumas. Devagar, aprendemo-las e, com elas, o peculiar mecanismo a que chamamos língua portuguesa.

Beleza. Depois, quando crescemos, usamos esse mecanismo para comprar e vender, namorar e discutir, aprender e ensinar — e também para insultar e conspirar. Mas é também material da literatura, da música, de discursos de coração a bater, de frases sussurradas e que nunca esquecemos. A língua — e em especial a língua a que chamamos nossa — é uma das maneiras que temos de criar coisas belas neste mundo. Não é coisa pouca!

Camões. É a língua de Camões, não porque tenha sido inventada pelo poeta, mas porque era a língua que ele falava… Mas também é a língua do Martim Codax, do Gil Vicente, do Bernardim Ribeiro, do Manuel, da Maria, da Sara — e de todos os que a falam por esse mundo fora.

Descoberta. Diz-se e escreve-se muita coisa que não vale a pena. Mas, no meio de todos os livros que temos na nossa própria língua, há tanto a descobrir. Para começar, o próprio do Camões, que para lá de servir para chatear e para nomear de cada vez que falamos da língua, também serve para ler. E não é só Camões, claro — deixo apenas três sugestões, mais do que batidas, mas novíssimas de cada vez que alguém abre um destes livros: A Queda dum Anjo, de Camilo; A Relíquia, de Eça; Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. Ah, e já agora, delicie-se com um livro bem mais recente, descoberto ontem mesmo por milhares de espanhóis, nas páginas do El País: A Sala Magenta, de Mário de Carvalho.

Escrita. Dos milhares de línguas da Terra, só uma minoria tem uma forma escrita. Temos essa sorte. Ainda por cima, ao contrário do que acontecia há 200 anos, uma grande maioria da população sabe escrever — e, hoje, escreve mesmo o dia inteiro. Daí, surgem dúvidas, hesitações e erros — e surge ainda o maior erro de todos: a convicção de que há quem nunca erre. Todos erram — uns mais do que outros, é bem verdade.

Filhos. E quem mais erra — e ainda bem! — são as crianças, ao começar a dominar esta língua, devagar, esforçando-se por aprender as regras, as excepções, os tabus, os truques e as delícias. É pela tentativa e erro que vamos lá — a língua é mesmo assim, qualquer coisa de muito humana, construída no dia-a-dia na cabeça e na boca de cada um de nós.

Galego. Esquecemo-nos de onde veio a língua — sim, veio do latim (que também já tinha vindo de outras línguas mais antigas, numa sucessão que segue por muitos milhares de anos enterrados no passado). Mas esse latim começou a ser cozido nas bocas dos falantes lá para cima, no nosso Norte, mas também na Galiza, onde ainda hoje se fala qualquer coisa de muito parecida com o português. É uma das surpresas guardadas no sótão da língua.

História. Uma língua que já existia quando Afonso Henriques se tornou rei — mas que não tinha o nome que tem hoje. Uma língua que veio lá das serranias do Noroeste da Península e desceu até ao Algarve, fazendo-se depois ao mar. Não é uma epopeia, é uma história feita de tanta gente que não cabe em poucas linhas — ou em muitas linhas. Fico-me, apenas, por estas letras, de A a Z, em homenagem a essa História.

Indignação. O português é também a tentativa — desesperada, inevitável — de o aprisionar nas páginas de dicionários e gramáticas. Não são esses livros que criam a língua, mas tiram-lhe o retrato. Depois, há quem se indigne quando a língua não se comporta sempre como aparece no retrato. Acontece isso com o português e com todas as línguas aqui à volta. Faz parte.

Jogo. A língua também é brincadeira. Às vezes, é até uma forma de passar o tempo, em conversas aos círculos, palavras que não acrescentam, mas que nos ligam uns aos outros nos momentos em que estamos juntos. E é também um jogo no recreio da escola, nas mensagens dos ecrãs, nas canções de embalar, nas anedotas ao jantar, nas frases dos namorados…

Letras. A língua começa nos sons e não nas letras — e, no entanto, são as letras que nos dão o aspecto da língua. As letras e tudo o que as acompanha — por exemplo, no português, temos a nossa conhecida cedilha e o til, criando, só como exemplo, esse conjunto — «-ção» — que nunca inicia uma palavra, mas permite reconhecer de imediato um texto como português.

Medo. Há quem tenha medo de escrever, não vá dar-se o caso de cair no temido erro. Pois bem: é certo e sabido que, sim, vai mesmo cair no erro. Não deixe de o combater, mas descontraia: a língua é demasiado importante e saborosa para se deixar de usar por receio dum qualquer tropeção. Fale (sem pudor). Leia (bons livros). Escreva (por prazer).

Nascimento. Uma língua como a nossa há-de ter nascido num certo momento da História, não é? E, no entanto, nunca nasceu — foi-se criando, devagar, na rua, a partir do que vinha antes e sempre a caminho do que vem depois. Parece uma banalidade, mas não é bem: o português — como todas as línguas — nunca chegou a um estado completo, final. Está sempre a transformar-se, devagar, noutra língua, ligeiramente diferente. Um processo inevitável — mas, valha-nos isso, muito lento… É por essa razão que ainda hoje conseguimos ler poemas que falam de ondas do mar de Vigo e é por isso que, daqui a alguns séculos, ainda há-de haver quem leia um ou outro livro que alguém está a escrever neste preciso momento.

Ondas. Desde o mar de Vigo ao mostrengo que está no fim do mar, a nossa língua tem qualquer coisa de onda e de água, de espuma e de areia. É só impressão minha, certamente, inscrita na minha cabeça por tudo o que já li na minha língua.

Palavrões. Aqui, nesta letra, podia ter deixado Pessoa, com essa frase escrita por uma das suas criações, transformada num dos mais enjoativos chavões da língua («Minha pátria é blá, blá, blá»). O arquipélago de poetas não merece tal sorte. Também podia ter escolhido a pureza, objectivo raras vezes confessado de quem gosta de limpar a língua, a mais desarrumada das criações humanas. Fico-me pelos palavrões — essa prova bruta da força das palavras, da maneira como a língua serve para levar a nossa imaginação, mesmo a menos recomendável, ao corpo e à mente das outras pessoas.

Queria — ou quer? A língua também são os seus mitos, as irritações, as ideias-feitas, as pequenas graçolas. Há quem não goste do simpático «queria» e prefira o «quero». Há quem insista em pedir um «copo com água», para se proteger do perigo de receber um copo feito de água. Há quem ande sempre à caça da falta de lógica da língua. Ora, como a língua não foi feita com um esquadro nem planeada por ninguém, o material à disposição desses caçadores é praticamente infinito…

Redundância. E o que gostam eles (os tais caçadores de imperfeições da língua) de procurar redundâncias! É um desporto divertido, mas um pouco absurdo: afinal, a redundância é essencial a todas as línguas humanas, como é apanágio de um sistema natural. Não fosse a redundância e a língua exigiria sempre silêncio absoluto, atenção sem falhas, falantes perfeitinhos. Não somos robots e dizemos muita coisa em modo de repetição. É mesmo assim…

Saudade. É comum dizer que a saudade é só portuguesa e não se traduz! E, no entanto, traduz-se. A língua é qualquer coisa de muito particular, mas é também universal: não há nenhum grupo de humanos sem língua e, até hoje, não se encontrou uma frase que fosse impossível de traduzir. Até as frases que levam dentro essa portuguesíssima «saudade».

Tradução. Pois é: as línguas são barreiras, mas temos esse bilhete de passagem que é a tradução — ou a aprendizagem de outras línguas. E, no entanto, dentro de cada língua, estão outras barreiras bem mais profundas e difíceis de ultrapassar: às vezes, é mais fácil pôr a conversar um português com um japonês do que um benfiquista com um sportinguista…

Universal. A língua — a nossa língua — separa-nos dos outros povos, é verdade. Há quem veja nisto uma tragédia humana, uma maldição antiga. E, no entanto, imagine-se um mundo em que todos aprendessem, numa geração, a mesma língua. Garanto: poucas gerações depois, as diferenças voltariam a aparecer. Novas línguas surgiriam… Mais vale aproveitar o melhor possível a nossa língua e olhar com curiosidade para as outras línguas todas.

Variação. A língua nunca é pura, varia sempre, de situação para situação (digo «a gente vai» a um amigo, mas não diria numa entrevista»), de pessoa para pessoa (a língua que aprendemos nunca é exactamente igual à língua do vizinho), de terra para terra, de ano para ano… Há quem desespere com esta língua sempre a mudar — mas sempre assim foi e sempre assim será.

X. A mais complicada das letras, com não sei quantos sons — mas também um símbolo do 10, do voto, de um tesouro… A língua esconde sempre mais qualquer coisa — mesmo dentro de uma só letra.

Zebra. A última letra é sempre a mais complicada. Acabamos em «zebra», uma palavra portuguesa que foi exportada para o inglês. Não é a única! E com este animal às riscas, como se fosse uma passadeira que ganhou pernas, termino esta pequeníssima brincadeira em 23 letras, uma homenagem a esta língua em que trabalhamos, namoramos, brincamos, cantamos — vivemos, pois então.


Fonte
Texto de Março Neves, transcrito do seu blogue Certas Palavras. Escrito segundo a norma ortográfica de 1945.
 

sexta-feira, 2 de maio de 2025

Latitudes da língua portuguesa | Videoconferência

 

 #línguaportuguesa #latitudesdalínguaportuguesa #alermaisemelhor #RBE #camões500 #bibliotecaccbvr

 

"Latitudes da língua portuguesa" é a proposta da Rede de Bibliotecas Escolares para a celebração do Dia Mundial da Língua Portuguesa

 

 


Objetivo de "Latitudes": Afirmar a língua portuguesa como plataforma global de entendimento e partilha entre alunos/ escolas de diversas regiões e culturas.
 
Neste âmbito, no próximo dia 5 de maio, os alunos do 11ºH vão participar numa videoconferência com alunos do Eugen Lovinescu Theoretical High School, Bucareste, Roménia. Tema central do encontro: Camões.
 
Camões 500
 

 

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa

 

 


#pnl2027 #DiaMundialdaLínguaPortuguesa #InstitutoCamoes

 

Pode ser uma imagem de texto que diz "Contos 6 da Língua Portuguesa ontos Inscrições abertas do Dia Mundial 2025 M F Porto Editora C PORT PORTUGAL CAMÕES INSTITUTO DA LINGUA COOPERAÇÃO RAÇÃO MINISTÉRIO NERÓCIOS ESTRANGEROS DumI LeR PLANONACIONAI PLANO NACIONAL BELEITURABO 20 DE ELEITURA" 

 



Estão abertas as candidaturas para a 5.ª edição do concurso “Contos do Dia Mundial da Língua Portuguesa”, iniciativa conjunta da Porto Editora, do Camões, Instituto da Cooperação e da Língua (Camões, I.P.) e do Plano Nacional de Leitura.

O concurso propõe aos alunos que escrevam um conto inédito em língua portuguesa, subordinado ao tema "Inclusão". O período de submissões termina a 28 de fevereiro de 2025, data a partir da qual os trabalhos serão avaliados pelo júri, composto por elementos das três entidades organizadoras e pelo escritor e editor Rui Couceiro, padrinho desta edição.
 
 Consulte aqui o Regulamento.
 
 
 

quarta-feira, 11 de dezembro de 2024

Olimpíadas da Língua Portuguesa

 

 

 

Pode ser uma imagem de texto 

 


Até 15 de dezembro



À semelhança do ano letivo anterior, as XII Olimpíadas da Língua Portuguesa (OLP) vão ser organizadas, em 2024/25, pela Associação de Professores de Português com a colaboração da Direção-Geral da Educação (DGE), da Direção-Geral da Administração Escolar (DGAE), da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (FLUL), do Plano Nacional de Leitura (PNL2027) e da Escola Secundária de Camões (ES Camões).

As provas terão lugar a 14 de janeiro (1.ª fase), 20 de fevereiro (2.ª fase) e 9 e 10 de maio de 2025 (3.ª fase).

As inscrições decorrem até ao dia 15 de dezembro de 2024.

Para mais informações, veja a página das XII Olimpíadas da Língua Portuguesa.

 

Regulamento 2024-2025 

Formulário de inscrição


📌Conheça as provas da edição de 2024

Provas da 1.ª fase.

Provas da 2.ª fase.

Provas das edições anteriores no histórico.


segunda-feira, 23 de setembro de 2024

'Falemos nobremente mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros!...'

 

 

Mudam-se os tempos... 







"[...] O propósito de pronunciar com perfeição línguas estrangeiras constitui uma lamentável sabujice para com o estrangeiro. Há aí, diante dele, como o desejo servil de não sermos nós mesmos de nos fundirmos nele, no que ele tem de mais seu, de mais próprio — o Vocábulo. [...]

Um homem só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra: todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.

Na língua verdadeiramente reside a nacionalidade; e quem for possuindo com crescente perfeição os idiomas da Europa, vai gradualmente sofrendo uma desnacionalização. Não há já para ele o especial e exclusivo encanto da fala materna com as suas influências afetivas, que o envolvem, o isolam das outras raças; e o cosmopolitismo do Verbo irremediavelmente lhe dá o cosmopolitismo do caráter. Por isso o poliglota nunca é patriota. Com cada idioma alheio que assimila introduzem-se-lhe no organismo moral modos alheios de pensar, modos alheios de sentir. O seu patriotismo desaparece, diluído em estrangeirismo...

Por outro lado, o esforço contínuo de um homem para se exprimir, com genuína e exata propriedade de construção e de acento, em idiomas estranhos – isto é: o esforço para se confundir com gentes estranhas no que elas têm de essencialmente característico, o Verbo – apaga nele toda a individualidade nativa. Ao fim de anos, esse habilidoso, que chegou a falar absolutamente bem outras línguas além da sua, perdeu toda a originalidade de espírito, porque as suas ideias forçosamente devem ter a natureza incaracterística e neutra que lhes permita serem indiferentemente adaptadas às línguas mais opostas em caráter e génio. Devem, de facto, ser como aqueles corpos de pobre, de que tão tristemente fala o povo, que cabem bem na roupa de toda a gente.

Além disso, o propósito de pronunciar com perfeição línguas estrangeiras constitui uma lamentável sabujice para com o estrangeiro. Há aí, diante dele, como o desejo servil de não sermos nós mesmos de nos fundirmos nele, no que ele tem de mais seu, de mais próprio — o Vocábulo. Ora isto é uma abdicação da dignidade nacional.

Não, minha Senhora! Falemos nobremente mal, patrioticamente mal, as línguas dos outros!...".

Extrato de A Correspondência de Fradique Mendes, de Eça de Queirós, 2ª. ed. Porto, 1902. pág. 142.