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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Contra a hegemonia da IA: estamos a fazer 'outsourcing' do nosso sentido crítico a chatbots?

 

#inteligenciaartificial   #pensamentocritico 

 




No podcast "Talvez o contrário seja o mesmo", a partir da análise dos discursos na cerimónia solene do 25 de Abril, José Maria Bettencourt denunciou a utilização excessiva da IA nos textos que os deputados e as altas figuras do Estado leram. Se precisarmos de mais um exemplo paradigmático, podemos observar a nota de pesar que a Presidência da República publicou na sequência do falecimento de Luís Represas. O cenário é catastrófico.


Decidi escrever este texto porque estou cansado da hegemonia dos artigos escritos pela Inteligência Artificial diariamente publicados em jornais, revistas, nas redes sociais; em resumo, em todo o lado onde é possível publicar um texto. Esta supremacia é bastante óbvia, quer pela uniformização da linguagem, quer pelos truques retóricos que a IA utiliza, muitas vezes distantes do que seria uma prosa convencional.

Assumo, desde logo, que, no que concerne à IA, não sou virgem nem propriamente cético. Seria absurdo tentar parar o vento da evolução tecnológica com as mãos e o advento da IA, do ponto de vista económico e social, pode representar um período de crescimento sem precedentes e de alargamento de oportunidades. Recorro diariamente à IA para rever a minha escrita ou para me ajudar a estruturar e-mails e creio que não cai o Carmo e a Trindade por fazer isso, apesar de, cada vez que abro o ChatGPT ou o Copilot, sentir alguma culpa pelo facto de ceder uma parte do meu pensamento a um instrumento deste género.

Mas a grande questão que pretendo colocar é a seguinte: onde traçamos a linha do que é ou não aceitável? Eu digo a mim mesmo que não tem mal usar a IA para algumas tarefas repetitivas, mas possivelmente existe quem estabeleça o seu limite num ponto mais distante. Há quem não veja mal em criar um vídeo com a imagem de outra pessoa a fazer uma dança ridícula, talvez por considerar inofensivo, da mesma forma que existirá quem não veja mal nenhum em usar a IA para escrever um texto completo, um livro ou uma tese de doutoramento.

Certamente, não serei eu a indicar um caminho dotado de virtudes, de verdade e de razão para resolver esta questão existencial, mas, no mínimo, posso ajudar a pensar nos riscos que o uso excessivo da IA comporta.

 
Fazer outsourcing do pensamento e do sentido crítico em nome da preguiça

Neste período inicial de avanço da IA, estamos constantemente a fazer ‘outsourcing’ do nosso pensamento e consciência crítica a um chatbot, frequentemente a transferir todo o trabalho intelectual, complexo e estimulante para um mecanismo que mal conhecemos, tudo em nome da eficiência e da preguiça.

Da eficiência porque consideramos útil reduzir o tempo destinado a uma tarefa; e não estamos totalmente errados. Em alguns casos, pode ser bastante útil, particularmente quando falamos de processos monótonos e repetitivos, que não exigem propriamente uma consciência crítica numa primeira fase. Porém, a ideia de eficiência é, muitas vezes, uma ilusão, porque a IA não nos vai fazer trabalhar menos horas e não vamos passar a ter mais tempo para a família ou para um hobby. Pelo contrário, se há realidade com a qual cada trabalhador se depara diariamente é a de que o trabalho nunca acaba.

Outra consequência potencialmente nefasta da utilização excessiva da IA é a preguiça. Existem vários tipos de preguiça. Diria mesmo que cada indivíduo tem a sua própria preguiça, pessoal e intransmissível, tatuada no seu código genético. Nem toda a preguiça é má. Não fazer nada, o dolce far niente, é algo que não deve ser negligenciado. Todos nós precisamos de momentos em que não fazemos nada, em que dedicamos algum tempo à contemplação serena da vida, como o escocês Robert Louis Stevenson tão bem descreve na sua Apologia do Ócio.

No entanto, a preguiça que a IA causa não é a preguiça essencial que comporta a arte de não fazer nada; é a do desleixo intelectual, da renúncia ao pensamento crítico, da aceitação acrítica de uma ideia sem acautelar os perigos em que isso se traduz.

Escrever um texto não é uma tarefa fácil. Especialmente porque existem muitos textos e porque, possivelmente, um filósofo grego ou oriental já dissertou sobre os mesmos temas que nós. Os temas são sempre os mesmos, repetem-se continuamente com a devida adaptação contemporânea. Existem poucos pensamentos originais, mas devemos exigir um pouco mais a quem nos representa.

No podcast «Talvez o contrário seja o mesmo», a partir da análise dos discursos políticos na cerimónia do 25 de Abril deste ano na Assembleia da República, José Maria Bettencourt denunciou a utilização excessiva da IA nos textos que os deputados e as altas figuras do Estado leram. Se precisarmos de mais um exemplo paradigmático, podemos observar a nota de pesar que a Presidência da República publicou na sequência do falecimento de Luís Represas. O cenário é catastrófico: os recursos estilísticos utilizados são sempre os mesmos e a uniformização da linguagem é evidente.

Se um político já nem se dá ao trabalho de escrever um texto para uma das cerimónias mais importantes do ano, ou se já nem consegue pensar num conjunto de palavras para construir uma nota de pesar, estaremos muito longe da transferência das suas inquietações para estes chatbots? Será que algum político já perguntou os prós e contras de uma decisão ao ChatGPT? A bola de neve pode chegar ao ponto de o outsourcing começar na elaboração dos discursos e terminar na responsabilidade política.

Não sou um negacionista da IA. Pelo contrário, acredito, idilicamente, que, se for usada ao mesmo tempo que estimula o pensamento crítico, pode ser um verdadeiro instrumento que vai melhorar as nossas vidas. Mas, neste momento, talvez por estarmos numa fase inicial, em que o fascínio atinge proporções tão parolas como monumentais, não conseguimos ver os perigos que esta hegemonia comporta.

Como qualquer mudança, teremos uma fase de estabilização, em que iremos atingir algum equilíbrio, mas é importante estar alerta e nunca renunciar ao pensamento crítico neste processo, porque há fronteiras que não devemos ultrapassar.

Quem define essas fronteiras?

Para já, ninguém.

Gonçalo Angeiras.* 
"Contra a hegemonia da IA: estamos a fazer 'outsourcing' do nosso sentido crítico a chatbots?", Geração E - Expresso, 5 de agosto de 2026
 
* Jurista e consultor de Políticas Públicas

quinta-feira, 4 de junho de 2026

O que é que um autor pode fazer? Bibliotecas sombra na era da inteligência artificial

 

 #inteligenciaartificial  #direitosdeautor

 

 
 
Em O que é que um autor pode fazer? Bibliotecas Sombra na Era da IA, M. Swartz* (2026) explora a crescente tensão jurídica e ética entre as plataformas de inteligência artificial e os direitos de autor, focando-se no papel das bibliotecas sombra como fontes de dados. 

 

O autor destaca o processo judicial contra a Anna’s Archive, sublinhando que estas bases de dados piratas são agora utilizadas para treinar modelos de linguagem em larga escala sem o consentimento dos criadores. Grandes editoras estão a reagir através de litígios estratégicos, enquanto outras optam por acordos de licenciamento lucrativos que frequentemente excluem os escritores dos lucros. 

 

A análise aponta para um vácuo regulatório global que deixa os produtores de conteúdos com mecanismos de proteção limitados perante a exploração tecnológica. Em suma, o artigo reflete sobre como a IA generativa está a transformar a indústria editorial e a desafiar os conceitos tradicionais de propriedade intelectual.

👉Como é que as bibliotecas-sombra impactam o treino de modelos de IA?

 

As bibliotecas-sombra, como o Anna’s Archive, LibGen e Sci-Hub, desempenham um papel fundamental e controverso no desenvolvimento da Inteligência Artificial (IA), atuando como fontes massivas de dados para o treino de Modelos de Linguagem de Grande Escala (LLMs).

 

O impacto destas plataformas manifesta-se de várias formas:

  • Fornecimento de grandes conjuntos de dados: As bibliotecas-sombra deixaram de ser apenas canais de pirataria para se tornarem fornecedores ativos de dados. O Anna's Archive, por exemplo, é acusado de publicitar e fornecer acesso de alta velocidade a obras protegidas por direitos de autor especificamente para programadores de sistemas de IA e corretores de dados.

  • Contorno de barreiras éticas e legais: Devido à intensa competição e à abordagem de que "o progresso está acima de tudo", muitas empresas de tecnologia recorrem a estes sites piratas para obter materiais de treino, frequentemente sem pagar qualquer compensação aos autores.
    Uso de coleções específicas: Existem casos documentados de utilização de bases de dados derivadas de bibliotecas-sombra. A Meta foi acusada de treinar o seu LLM no Books3, um conjunto de dados que continha o texto integral de quase 200.000 livros piratas. Outras gigantes como Nvidia, Salesforce e Apple também enfrentaram acusações semelhantes.

  • Ineficácia dos mecanismos de "Opt-out": O uso de bibliotecas-sombra torna quase inúteis as tentativas de proteção dos autores. Mesmo que um autor utilize modelos de licenciamento progressivos ou opte por não permitir o uso do seu trabalho em acordos com editoras oficiais, o seu conteúdo pode ainda assim acabar num LLM se for extraído de uma biblioteca-sombra.

  • Aceleração de conflitos jurídicos: O papel destas bibliotecas no treino de IA motivou uma nova vaga de processos judiciais. Grandes editoras globais (como Hachette, Penguin Random House e HarperCollins) processaram o Anna’s Archive, argumentando que a ação é crítica dado o papel do site em "alimentar chatbots de IA".

Em suma, as bibliotecas-sombra criaram um cenário onde a vasta maioria das publicações em língua inglesa já foi provavelmente utilizada como dado de treino para múltiplos modelos de IA, deixando os criadores com poucas opções para controlar o uso das suas obra.

 

👉Que empresas foram processadas por usar dados do Books3?
Com base nas fontes, a principal empresa mencionada como tendo sido processada especificamente pelo uso do conjunto de dados Books3 (que contém cerca de 200.000 livros piratas) é a Meta. O processo em questão é o caso Kadrey v. Meta, no qual foi alegado que a empresa treinou o seu modelo de linguagem utilizando esse repositório.
Além da Meta, as fontes indicam outras empresas envolvidas em litígios ou acusações semelhantes relacionadas com o uso de bibliotecas-sombra e obras piratas: Anthropic: Foi alvo do caso Bartz et al. v. Anthropic PBC, que resultou no maior acordo de ação coletiva de direitos de autor na história dos EUA (1,5 mil milhões de dólares). A empresa foi acusada de utilizar uma "biblioteca central" de obras piratas e conteúdos de bibliotecas-sombra para treinar os seus modelos.
Nvidia, Salesforce e Apple: Estas grandes empresas tecnológicas também foram acusadas de utilizar estratégias semelhantes (recurso a bibliotecas-sombra e livros piratas) para o treino dos seus modelos de IA. No caso da Salesforce, a fonte menciona explicitamente que a empresa foi processada por autores em outubro de 2025.
As fontes sublinham que este cenário de processos judiciais é alimentado pela tendência das empresas de IA de utilizarem sites como o Anna’s Archive (sucessor do LibGen e Sci-Hub) como fontes massivas de dados sem a devida ccompensação aos autores.


👉Existem alternativas para os autores protegerem as suas obras da IA?
Atualmente, as opções para os autores que pretendem proteger as suas obras do treino de IA são consideradas limitadas, uma vez que é provável que a grande maioria das publicações em língua inglesa e conteúdos online já tenha sido utilizada para esse fim. No entanto, as fontes identificam algumas alternativas e estratégias: 
  • Seleção de editoras com políticas de "Opt-out": Uma das alternativas é publicar em editoras ou plataformas que ofereçam o direito de exclusão (opt-out). Um exemplo destacado é a Cambridge University Press, que adotou um modelo considerado mais progressivo, permitindo que os autores optem por não ter as suas obras utilizadas para treino de IA, ao mesmo tempo que assegura o pagamento de royalties.
  • Novos modelos de licenciamento (Creative Commons Signals): O projeto CC Signals é uma iniciativa emergente que visa permitir aos detentores de direitos sinalizar as suas preferências sobre como o seu conteúdo deve ser reutilizado por máquinas. Este sistema baseia-se num conjunto de opções moldadas pelo interesse público para tentar criar um "novo contrato social" na era da IA.
  • Ações judiciais coletivas: Como mencionado anteriormente, os autores têm recorrido aos tribunais para contestar o uso não autorizado das suas obras. Casos como Kadrey v. Meta e Bartz et al. v. Anthropic PBC (que resultou num acordo histórico de 1,5 mil milhões de dólares) mostram que a via judicial é uma forma de retaliação e tentativa de proteção dos direitos de autor contra o uso de bases de dados piratas como o Books3.
  • Obstáculos à proteção: Estas alternativas enfrentam desafios significativos: iIneficácia perante Bibliotecas-Sombra: Um mecanismo de "opt-out" oficial tem pouco valor se as empresas de IA continuarem a recolher dados de bibliotecas-sombra como o Anna’s Archive, que operam à margem das licenças e acordos legais.
  • Dependência da boa vontade tecnológica: O sucesso de iniciativas como o CC Signals depende de as empresas de IA respeitarem esses sinais. Dado o histórico de "o progresso acima de tudo" e o uso frequente de sites piratas, é incerto se estas empresas tratarão tais sinais como algo mais do que opcional.
  • Acordos de editoras sem consentimento: Muitas vezes, grandes editoras (como Taylor & Francis e Wiley) celebram acordos de licenciamento de dados com empresas tecnológicas sem que os autores sejam informados ou consultados previamente. 
 👉Como funciona o projeto CC Signals para proteger conteúdos?


O projeto Creative Commons (CC) Signals é apresentado como uma resposta às dificuldades dos autores em controlar o uso de suas obras no treino de IA, funcionando como um modelo emergente de licenciamento para a era digital.
O seu funcionamento baseia-se nos seguintes pilares:

  • Sinalização de preferências: O projeto permite que os detentores de direitos "sinalizem as suas preferências" sobre a forma como o seu conteúdo pode ser reutilizado por máquinas.

  • Opções estruturadas: Estas preferências não são arbitrárias; baseiam-se num conjunto de opções limitadas, mas significativas, que foram desenhadas e moldadas tendo em conta o interesse público.

  • Novo contrato social: O objetivo de fundo é estabelecer um "novo contrato social" para a era da inteligência artificial, criando uma linguagem clara entre criadores e desenvolvedores de tecnologia.

  • Desafios à sua eficácia: O sucesso do CC Signals não depende apenas da ferramenta em si, mas da boa vontade das empresas de tecnologia. O sistema só funciona se as empresas que treinam modelos de IA decidirem respeitar esses "sinais". Dado o histórico das grandes tecnológicas no uso de bibliotecas-sombra e a sua abordagem de que "o progresso está acima de tudo", existe o receio de que estas empresas tratem o CC Signals como algo meramente opcional e não vinculativo.

👉As empresas de IA são obrigadas a respeitar estes sinais?
De acordo com as fontes, as empresas de IA não são obrigadas a respeitar estes sinais no sentido de existir um mecanismo legal que as force a tal. O sucesso do projeto CC Signals depende das empresas de tecnologia decidirem, voluntariamente, respeitar essas preferências de licenciamento.
 
Os principais pontos de preocupação destacados nas fontes incluem:
  • Carácter opcional: Dado o histórico das grandes empresas tecnológicas em relação ao cumprimento de direitos de autor e ao uso de bibliotecas-sombra, considera-se difícil que estas venham a tratar o CC Signals como algo mais do que meramente opcional.
  • Abordagem de "Progresso acima de tudo": As grandes empresas de IA têm adotado uma mentalidade em que o desenvolvimento tecnológico rápido é prioritário, o que as leva frequentemente a ignorar barreiras éticas e a recorrer a sites piratas para obter dados de treino.
  • Ineficácia perante a pirataria: Mesmo que uma empresa respeite os sinais em fontes oficiais, os autores continuam vulneráveis se os seus conteúdos forem extraídos de bibliotecas-sombra (como o Anna’s Archive), onde as preferências de licenciamento e os mecanismos de "opt-out" não têm qualquer efeito.
 Em suma, embora o CC Signals tente criar um "novo contrato social", a sua eficácia depende inteiramente da boa vontade das empresas de IA em honrar as sinalizações dos criadores.

Swartz, M. (2026). O que é que um autor pode fazer? Bibliotecas Sombra na Era da IA. Slaw, 8 de maio de 2026. https://www.slaw.ca/2026/05/08/whats-an-author-to-do-shadow-libraries-in-the-age-of-ai/  
* Mark Swartz é o Bibliotecário de Publicações Académicas da Queen's University em Kingston, Ontário. Nesse cargo, ele gere o programa de publicação de periódicos de Acesso Aberto da universidade e o repositório institucional, além de supervisionar programas de bolsas que apoiam subsídios de livros e a criação de recursos educacionais abertos.

terça-feira, 14 de abril de 2026

Operação 7 Dias com os Media 2026

 

 
#7diascomosmedia2026 #7diascomosmedia  #literaciamediatica  #alermaisemelhor #bibliotecaccbvr

 

 


 


“Direitos Humanos: em rede ou sem rede?” é o tema da Operação 7 Dias com os Media 2026. Prevista para a já tradicional semana de 3 a 9 de maio de 2026, esta 14ª edição convoca-nos para uma reflexão alargada sobre a nossa relação com as redes digitais, o modo como nelas estamos presentes (ou não), como nos relacionamos, como nos sentimos e respeitamos (ou esquecemos) os direitos humanos. As redes são uma excelente oportunidade de conhecimento, participação e encontro, mas o algorítmo, com a sua lógica opaca, pode também amplificar desigualdades e diversas formas de discriminação: o discurso de ódio, a misoginia, o racismo. 

  • Estarão os direitos humanos, cívicos e sociais a cair pelas malhas das redes?
  • Estará a democracia ameaçada?
  • Quem está em rede? Como estamos? Como nos sentimos?
  • Onde fica a empatia? A capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de compreendermos o seu pensamento e os seus sentimentos?
  • Estará a nossa humanidade a perder-se pela rede?
A operação 7 Dias com os Media 2026 convida-nos a refletir sobre como os media e as plataformas digitais nos podem arrastar ao sabor do algoritmo e sensibiliza-nos para a urgência de todos nós reafirmarmos valores fundamentais como o respeito, a diversidade, a igualdade, o diálogo e a cultura de paz.  

👉Como participar  

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

A IA na escola

 

 
#LiteraciaDigital #MILD #CidadaniaDigital #PensamentoCrítico #InteligênciaArtificial

 

 Pode ser uma imagem de texto que diz "KKI BIBLIOTECAS EDE EDE DE ESCOLARES literacia digital manual de Instrucões 小 Pode-se usar a IA na escola? MANUAL DE INSTRUÇÕES PARA A LITERACIA DIGITAL https://mild.rbe.mec.pt" 

 



O MILD – Manual de Instruções para a Literacia Digital, disponível no Portal RBE, reúne temas, perguntas e orientações que ajudam a desenvolver uma relação crítica, ética e responsável com a informação, a tecnologia e a IA, em contexto escolar e para além dele.

Hoje destacamos a secção dedicada ao uso da inteligência artificial na escola, que reforça a importância da agência humana, da transparência, da autoria e do pensamento crítico na aprendizagem.

 

 Modelos de referenciação e citação de IA generativa

  

Estilo

Componentes da citação

Exemplo prático

APA

Companhia. (Ano). Modelo (Versão) [Chat]. URL

OpenAI. (2025). ChatGPT (GPT-4o) [Chat]. https://chatgpt.com

MLA

“Prompt” prompt. Ferramenta, versão, Data, URL.

“Análise do poema ‘Mar Português” prompt. Gemini, v. 1.5, 12 Jan. 2025, https://gemini.google.com

Declaração de uso

Descrição qualitativa do apoio recebido pela IA.

“Este trabalho utilizou o Claude 3 para a estruturação do índice e revisão gramatical do terceiro capítulo.”

 


A transparência protege-te de acusações de má conduta e demonstra uma competência avançada na gestão de ferramentas tecnológicas, uma habilidade altamente valorizada tanto no ensino superior como no mercado de trabalho. 

👉Não de esqueças:
A maior ameaça ao uso autónomo da IA é a confiança cega. Os modelos de linguagem não têm acesso à “verdade”; eles geram respostas baseadas em padrões estatísticos de associação de palavras. Isto leva ao fenómeno das “alucinações de IA”, onde o sistema produz informações que parecem plausíveis e confiáveis, mas que são totalmente falsas ou sem base factual. 
 
A tabela seguinte mostra tipos de falhas comuns na IA generativa e as estratégias para as poderes atenuar. 
 
 
 
 

Tipo de erro

Manifestação prática

Estratégia de mitigação

Erro factual

Invenção de datas, nomes ou eventos históricos.

Confrontar com manuais escolares ou enciclopédias.

Alucinação de referência

Invenção de links ou títulos de livros que não existem.

Procurar o título ou autor em bases de dados como o Google Scholar. Verificar se o link fornecido pela IA funciona.

Viés de estereótipo

Respostas que favorecem certas culturas ou géneros.

Pedir à IA para apresentar múltiplas perspetivas culturais.

Lógica circular

Argumentos que se repetem sem chegar a uma conclusão.

Decompor a pergunta em passos lógicos menores.



Usares o teu pensamento crítico é a ferramenta que te permite “desmontar” a resposta da IA. Em vez de perguntares “O que é isto?”, deves perguntar “Como é que a IA chegou a esta conclusão e quais são as evidências que a suportam?”.


Recomendações finais :
  • Trata a IA como um estagiário brilhante mas trapalhão: ela faz o trabalho pesado rapidamente, mas precisa de ser supervisionada em cada detalhe.
  • Não uses a IA para fugir ao pensamento: usa-a para chegar mais longe no pensamento. Se a IA escreve o teu ensaio, perdes a oportunidade de treinar o teu cérebro para estruturar ideias.
  • Sê transparente com os professores: o diálogo aberto sobre o uso da IA gera confiança e permite que o professor oriente a utilização para o que é pedagogicamente mais útil.
  • Pratica a “Recordação Ativa”: depois de usares a IA para aprender um conceito, fecha o computador e tenta explicá-lo por tuas palavras a um colega. Só assim o conhecimento passa da máquina para a tua memória de longo prazo. 
 
Para saberes mais não só sobre a inteligência artificial na escola, mas tabém sobre temas, perguntas e orientações que te ajudam a desenvolver uma relação crítica, ética e responsável com a informação, a tecnologia e a IA, em contexto escolar e para além dele, consulta o  MILD - Manual de Instruções da Literacia Digital.