Cartoon Movement
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Neste vídeo, Vítor Serrão, Professor universitário e historiador de arte, explora a inesgotável riqueza da figura e da obra de Luís de Camões, destacando o seu fascínio como tema de estudo, tanto em abordagens interdisciplinares como monotemáticas. Na sua intervenção, Vítor Serrão sublinha a importância de compreender Camões à luz da arte do seu tempo — incluindo a pintura de mestres como Fernão Gomes, a miniatura, a caligrafia de Manuel Barata, a gravura e outras disciplinas visuais.
Para o historiador, estudar o poeta exige evitar o “apagamento inconsciente” da vasta floresta cultural que o envolvia, reconhecendo os vínculos que o ligavam aos seus pares nas artes e nas letras, ao mercado da arte e aos valores que animavam o debate intelectual da época. Entre esses valores, destaca-se a liberalidade, entendida como a liberdade de criar, e a consciência dos constrangimentos impostos por uma Contrarreforma cada vez mais restritiva, que limitava tanto o engenho como a crítica.
Uma reflexão que revela como a compreensão plena de Camões passa também por olhar para as artes visuais, os contextos culturais e as tensões ideológicas que moldaram o seu tempo.
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Coreto. Jardim romântico da Carreira
Camilo 200
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Livros de artista produzidos pelos alunos de Desenho A, do 11ºano

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Para a construção dos projetos e das maquetes de cenografia, Camões serviu de inspiração aos alunos do 12º F / G, na disciplina de Desenho A.
Coordenação dos trabalhos: professora Alcina Gonçalves.

Alguns dos trabalhos produzidos
Ebook com os projetos dos alunos
Os trabalhos estiveram expostos na Biblioteca e, posteriormente, no átrio da escola e na Ágora (Museu da Vila Velha).
Camões 500
A representação do olho humano e o diálogo com José Saramago
Os trabalhos dos alunos do 12º F e G, atualmente em exposição na Biblioteca da Escola, transcendem o mero exercício técnico da disciplina de Desenho. Ao abordarem a representação do olho humano, eles abrem um diálogo sensível e profundo com a obra Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, em particular com a provocação contida na frase: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
O olho humano, como elemento central das composições, não é apenas uma forma anatómica. Ele é um símbolo da perceção, da consciência e, acima de tudo, da capacidade humana de ver além do visível. Nesta exposição, os alunos mostram-se não apenas como aprendizes de arte, mas como pensadores críticos, ao explorarem a tensão entre o que é visto e o que é percebido. A frase de Saramago desafia-nos a olhar para além da superfície e reparar no essencial — um convite que cada obra parece ecoar.
Aspetos técnicos e simbólicos
Sob o ponto de vista técnico, os trabalhos impressionam pela diversidade de abordagens. Alguns desenhos destacam-se pela precisão dos detalhes, como a reprodução minuciosa das texturas e reflexos do íris, das pálpebras e dos cílios, sugerindo um estudo atento da forma. Outros optam por interpretações mais livres e abstratas, onde o olho se torna um elemento metafórico.
Os elementos composicionais usados pelos alunos — como o jogo de luz e sombra, o uso do contraste e a escolha das cores (ou sua ausência, em alguns casos) — acrescentam profundidade emocional às obras. Um olho desenhado em tons sombrios pode sugerir a cegueira emocional ou o vazio, enquanto outro, vibrante e detalhado, pode simbolizar a nitidez de uma consciência desperta.
Diálogo com a literatura
A relação entre os desenhos e Ensaio sobre a Cegueira é instigante. O romance de Saramago trata da perda da visão não apenas no sentido literal, mas também como uma metáfora para a alienação e a falta de empatia que permeiam a sociedade contemporânea. Da mesma forma, os trabalhos expostos parecem indagar: que tipo de cegueira nos afeta hoje? Que verdades deixamos de reparar mesmo quando olhamos para elas?
Reflexão final
Esta exposição vai além do âmbito escolar e apresenta-se como um convite à reflexão sobre o nosso próprio olhar. Estamos a ver o mundo ou apenas a olhar para ele? Estamos a reparar no que realmente importa? Ao explorarem o potencial do desenho como ferramenta de expressão e questionamento, os alunos colocam-se como criadores de uma arte que é tanto visual quanto concetual.
Que cada visitante desta exposição se permita reparar, tal como os alunos o fizeram ao criar, no poder que há em cada olhar representado, pois, como nos lembra Saramago, o ato de reparar é, em última instância, uma forma de resistir à cegueira coletiva.
Vol.6, nº3, set-dez 2023
Sumário
AS ARTES, AS EXPERIÊNCIAS E OS MUNDOS DA VIDA
Paula Guerra*
Os processos criativos nunca foram tão discutidos como hoje. O uso das práticas artísticas enquanto apanágio da crítica, da reflexão, da mudança e da exaltação, são temas de ordem no escopo da investigação académica, principalmente no campo das ciências sociais e, mais especificamente, na sociologia. Num sentido lato, neste Volume 6, Número 3, encontrámos uma ode às mais diversas práticas artísticas, desde a literatura ao teatro, passando pelo cinema e até mesmo pelo graffiti. Em todos os artigos que compõem esta edição, vislumbramos uma relação entre identidades, processos de democratização, mas também emergentes formas de analisar a realidade social–do passado ao presente- a partir de atos de criação que, frequentemente, se afastam das instituições e que são tomados em mãos pelos agentes sociais e por agentes criativos.
Nussbaum (2010), problematizando a criação artística, defende que existe uma relação intrínseca entre o envolvimento cultural e artístico e a ação dos cidadãos dentro dos sistemas democráticos. A cultura e a arte geram espaços vitais de debate, de crítica, de contestação e, por turno, são eles próprios potenciadores de novos espaços de fala, de debate e de criação na esteira de Huizinga (2003). Criação gera criação. A arte gera envolvimento social. Recentemente, Flisbäcke Bengsson (2023) destacaram um conceito que nos pareceu relevante para esta introdução: falamos do conceito de sociologia da existência. Vários questionamentos emergiram, tais como, haverá existências em arte? Será o ato de existir, ele próprio artístico? E quanto à existência da arte? De quantas existências falamos, quando falamos em criação?
*Universidade do Porto, Faculdade de Letras e Instituto de Sociologia, CITCEM, CEGOT, Dinâmia’CET,Griffith Centre for Cultural Research, Porto, Portugal
De 15 a 27 de maio, está patente, na escadaria de acesso à Biblioteca, a exposição de pintura "Interpretar o Douro", de João Rebelo.
O evento é realizado no âmbito da Rede de Bibliotecas de Vila Real e conta com o apoio do Município.