sábado, 3 de outubro de 2026

Quando a IA responde, quem fica pelo caminho?

 


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                                                                                   Alex Shuper | Unsplash

 


A desvalorização dos autores e criadores

Recentemente, quando se coloca uma pergunta no motor de busca Google, ou quando se abre um documento, por exemplo na extensão PDF, surge: 

  • A resposta pronta escrita por IA, que aparece no topo da página;   
  • O convite para gerar automaticamente o resumo e as conclusões do documento, antes mesmo de o abrir e ler. 

A pesquisa na internet passou a ser centrada na IA, que se apresenta como “dona e senhora da verdade” (Descartes). A IA oferece ao utilizador/consumidor a ilusão de que há uma resposta única e simples para questões e problemas complexos, que têm diferentes interpretações e perspetivas críticas. Neste processo, há todo um universo de exploração próprio, especificamente humano, que pode desaparecer e, a médio prazo, reduzir a diversidade de pensamento e da criatividade humana.  

Por outro lado, dantes víamos quem aparecia no topo da página como patrocinado e, agora, a resposta automática não o indica, apesar de sabermos que as empresas de tecnologias dão maior visibilidade às fontes das quais retiram maior lucro.  

Perante este desafio da mudança silenciosa de motores de busca e de ferramentas digitais em assistentes personalizados de IA - que ocorre de forma silenciosa - que soluções deve a escola e os professores bibliotecários pôr em prática?  

No âmbito da leitura e da literacia digital, da informação e media, deve: 

  • Incentivar o acesso a fontes credíveis de informação, em vez de aceitar os resultados - não validados - de seleção automática baseada em algoritmos. É fundamental que cada aluno seja orientado para avaliar e classificar sítios Web e respostas de IA generativa de diferentes LLM; 
  • Priorizar os diferentes autores e criadores que aparecem em segundo plano na página do Google e priorizar a leitura das autoridades que podem validar o conhecimento, como cientistas e investigadores especializados; profissionais de informação, de bibliotecas, de museus e de arquivos; líderes institucionais e comunitários; professores e professores bibliotecários qualificados.  
    Só através da consulta destas fontes se pode comparar/cruzar informação e acrescentar perspetivas diversas que alargam e aprofundam o pensamento, a criação e os modos de ser e de se relacionar; 
  • Promover fontes abertas de interesse público, como a Wikipédia ou a Europeana, cujas ferramentas redistribuem o poder narrativo, garantindo que o património cultural inclui aqueles cujas vozes foram omitidas ao longo da História; 
  • Apoiar e ajudar a construir redes de património digital local/regional de acesso aberto, com conteúdo de qualidade, construído a partir de fontes primárias, que sempre que são clicadas ganham audiência e financiamento através de publicidade e criam condições para a participação democrática no governo de IA. 

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Rede Bibliotecas Escolares. (n.d.). Retrieved from https://www.rbe.mec.pt/np4/5885.html?fbclid=IwY2xjawUvo9BleHRuA2FlbQIxMAB

 

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