sexta-feira, 31 de março de 2023

Clássicos em Rede - Interpretação do mito de Sísifo pelos alunos de Grego

 

Alunos de Grego concorrem pelo segundo ano consecutivo ao concurso Clássicos em Rede - Olimpíadas da Cultura Clássica.


Este ano, o tema escolhido foi o mito de Sísifo.

A escadaria de acesso à Biblioteca serviu de cenário para a escalada de um Sísifo produzido integralmente pelos amadores de Slow motion.

O resultado é fantástico!



Partindo do mito, os alunos saíram para o exterior e, junto da comunidade, tentaram perceber a posição das pessoas sobre temas, ditos fraturantes: a pena de morte, a eutanásia e os crimes de pedofilia praticados por membros da igreja católica.





Jornal de Letras

 




22 de março a 4 de abril de 2023 



























Alguns dos assuntos desta edição:

- O regresso de Augusto Abelaira -

- Pilar del río - Costa e Sánchez n’A Casa de Saramago
- Natália Luiza - O teatro que faz a diferença 
- Música tradicional portuguesa - A recolha, a 'casa', os caminhos...


👉 O jornal de letras está disponível na Biblioteca para consulta.


quinta-feira, 30 de março de 2023

Leituras de sala em sala / Dia dos Autores Europeus

 

#ReadWithEurope

Empoderar as gerações mais jovens através da leitura

No passado dia 27 de março, segunda-feira, celebrou-se pela primeira vez o Dia dos Autores Europeus.

Trata-se de uma iniciativa da Comissão Europeia, liderada pela Comissária Gabriel, para reconectar as gerações mais jovens com a leitura de livros e ajudá-los a descobrir a diversidade da literatura europeia.

Leituras de sala em sala” é uma das atividades promovidas pela Biblioteca Escolar para celebrar a efeméride. O leitor convidado, João Ribeiro, esteve na Camilo, das 17:15 às 18:05, para passar pelas salas de aula e partilhar com os alunos do 8º B, C e D  a leitura de poemas.









































Textos partilhados de sala em sala:

- "Uma estrada", in O poeta faz-se aos 10 anos, de Maria Alberta Meneres
- "O meu primeiro exame de menina", de Fernanda de Castro, in Poetas de hoje e de ontem (antologia)
- "As pessoas que não saem dos sofás", "Bater o coração" e "Sonhar", in Paz, Traz, Paz, de Afonso Cruz
- "Preciso que", In Caras Baratas, de Adília Lopes
- "Com unhas e dentes", in Entre a carne e o osso, de Luís Filipe Parrado

Consulte aqui a Lista de países e escolas participantes no Dia dos Autores Europeus


quarta-feira, 29 de março de 2023

SL-Leitura & Música | Laboratório de improvisação

 





No dia 27 de março, a leitura cruzou-se com a música e o resultado foi fantástico!

Sofia Lopes (voz), Ana Paula (clarinete), Manuel Palma (saxofone) e Mateus Reverendo (violino), acompanhados ao piano pelo professor Gabriel Pinto, interpretaram o poema de Florbela Espanca, na versão dos Trovante, e partilharam com todos os presentes um pouco do trabalho que têm vindo a desenvolver no Laboratório de improvisação.

Público-alvo: 7º B, C e 1ºA-1.

Atividade inserida na Semana da Leitura - RBVR
Parceria: Conservatório de Música de Vila Real
Apoio: Pelouro da Educação da Câmara Municipal de Vila Real


Semana da Leitura | Dia dos Autores Europeus celebrado na Camilo (3)

 

#ReadWithEurope










Partilha da leitura de um excerto de Gonçalo M. Tavares - "Clarice Lispector", do livro Biblioteca.

 



Partilha da leitura de excertos de O vício dos livros, de Afonso Cruz.

 


 Felizes encontros de leitura!

 

Semana da Leitura | Dia dos Autores Europeus celebrado na Camilo (2)

 

#ReadWithEurope












No dia da celebração dos Autores Europeus, a Diretora da nossa escola, Dra. Helena Correia, partilhou a leitura de um poema de Manuel Alegre, "As mãos":

Com mãos se faz a paz se faz a guerra. 
Com mãos tudo se faz e se desfaz. 
Com mãos se faz o poema - e são de terra. 
Com mãos se faz a guerra - e são a paz. 

Com mãos se rasga o mar. Com mãos se lavra. 
Não são de pedras estas casas, mas 
de mãos. E estão no fruto e na palavra 
as mãos que são o canto e são as armas. 

E cravam-se no tempo como farpas 
as mãos que vês nas coisas transformadas. 
Folhas que vão no vento: verdes harpas. 

De mãos é cada flor, cada cidade. 
Ninguém pode vencer estas espadas: 
nas tuas mãos começa a liberdade.

Manuel Alegre


Semana da Leitura | Dia dos Autores Europeus celebrado na Camilo (1)




27 de março













Para celebrar o Dia dos Autores Europeus, os alunos do 7º B e do 7º C leram poemas de João de Deus, Sophia de Mello Breyner, Manuel Alegre, entre outros, selecionados a partir da coletânea "101 Poetas", poemas do "Pequeno livro da desmatemática", de Manuel António Pina, e poemas do "País de Abril", de Manuel Alegre.




            




A Ana Leonor lê "A triste história do zero poeta"



A triste história do zero poeta

Numa certa conta havia
um zero dado à poesia
que tinha um sonho secreto:
fugir para o alfabeto.

Sonhava tornar-se um O
nem que fosse um dia só,
ou ainda menos: só
o tempo de dizer: «Oh!»

(Nos livros e nas seletas
o que mais o comovia
eram os «Ohs!» que os poetas
metiam nas poesias!)

Um «Oh!» lírico & profundo,
um só «Oh!» lhe bastaria
para ele dizer ao mundo
o que na alma lhe ia!

E o que na alma lhe ia!
Sonhos de glórias, esperanças,
ânsias, melancolia,
recordações de criança;

além de um grande vazio
de tipo existencial
e de uma caixa que o tio
lhe pedira para guardar;

e ainda as chaves do carro
e uma máscara de entrudo...
Não tinha bolsos, coitado,
guardava na alma tudo!

A alma! Como queria
gritá-la num «Oh!» sincero!
Mas não passava de um zero
que, oh!, não se pronuncia...

Daí que andasse doente
de grave doença poética
e em estado permanente
de ansiedade alfabética.

E se indignasse & etc.
contra o destino severo
que fizera dele um zero
com uma alma de letra!

Tanta ambição desmedida,
tanto sonho feito pó!
E aquele zero dava a vida
para poder dizer «Oh!»...

Manuel António Pina









Um dos poemas lidos nesta sessão foi Porque, de Sophia de Mello Breyner:


Porque

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão
Porque os outros têm medo mas tu não

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen




Outro dos poemas lidos foi "Trova do vento que passa", de Manuel Alegre:


Trova do vento que passa

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.

Pergunto aos rios que levam
tanto sonho à flor das águas
e os rios não me sossegam
levam sonhos deixam mágoas.

Levam sonhos deixam mágoas
ai rios do meu país
minha pátria à flor das águas
para onde vais? Ninguém diz.

Se o verde trevo desfolhas
pede notícias e diz
ao trevo de quatro folhas
que morro por meu país.

Pergunto à gente que passa
por que vai de olhos no chão.
Silêncio -- é tudo o que tem
quem vive na servidão.

Vi florir os verdes ramos
direitos e ao céu voltados.
E a quem gosta de ter amos
vi sempre os ombros curvados.

E o vento não me diz nada
ninguém diz nada de novo.
Vi minha pátria pregada
nos braços em cruz do povo.

Vi minha pátria na margem
dos rios que vão pró mar
como quem ama a viagem
mas tem sempre de ficar.

Vi navios a partir
(minha pátria à flor das águas)
vi minha pátria florir
(verdes folhas verdes mágoas).

Há quem te queira ignorada
e fale pátria em teu nome.
Eu vi-te crucificada
nos braços negros da fome.

E o vento não me diz nada
só o silêncio persiste.
Vi minha pátria parada
à beira de um rio triste.

Ninguém diz nada de novo
se notícias vou pedindo
nas mãos vazias do povo
vi minha pátria florindo.

E a noite cresce por dentro
dos homens do meu país.
Peço notícias ao vento
e o vento nada me diz.

Quatro folhas tem o trevo
liberdade quatro sílabas.
Não sabem ler é verdade
aqueles pra quem eu escrevo.

Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.

Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

Manuel Alegre


terça-feira, 28 de março de 2023

Farmácia literária - 12º F

 








Ontem, dia 27 de março, foi a vez dos alunos do 12º F passarem pela Biblioteca para elaborar bulas literárias, a partir de títulos selecionados da coleção da Biblioteca. 

Partilhamos dois dos livros-remédios aconselhados pelos alunos.








sexta-feira, 24 de março de 2023

Leitura & Música 2

 


Semana(s) da Leitura 2023



























No próximo dia 27 de março, vamos ter mais uma sessão de música, com o apoio do Conservatório Regional de Música de Vila Real.

Sofia Lopes (voz), Ana Palma (clarinete), Manuel Palma (saxofone) e Mateus Reverendo (violino), acompanhados ao piano pelo Prof. Gabriel Pinto, vão ser os protagonistas da segunda sessão de Leitura & Música.

A atividade está inserida na Semana da Leitura da Rede de Bibliotecas de Vila Real.

Feira do livro

 






























A Biblioteca vai promover mais uma edição da Feira do livro, nos próximos dias 28 e 29 de março, no átrio da Escola.


Ler acrescenta! 


Dia dos Autores Europeus celebrado na Camilo

 

#ReadWithEurope




















O Dia dos Autores Europeus é uma iniciativa da Comissão Europeia que se assinala pela primeira vez em 27 de março de 2023. A iniciativa visa voltar a ligar as gerações mais jovens à leitura de livros e ajudá-las a descobrir a diversidade da literatura europeia.
Além de ajudar os jovens a relacionarem-se com os livros, esta celebração anual pretende mostrar como a literatura pode ser uma ferramenta para o empoderamento individual: livros e leitura podem levar a que as pessoas se envolvam com desafios sociais e pessoais contínuos.
O Dia é também uma oportunidade para enfatizar a importância de todos os programas e iniciativas já existentes em cada país da UE para promover a leitura.

A Escola aderiu a esta iniciativa através da Biblioteca (Projeto Escola a ler), tendo procedido à sua inscrição no evento.

Assim, no próximo dia 27 de março estamos todos convidados a ler textos de autores portugueses e de outros países europeus, em vários locais da escola, incluindo a Biblioteca, proceder ao seu registo e enviá-lo para a Biblioteca (via Wetransfer).
Posteriormente, iremos proceder à sua divulgação junto da Rede de Bibliotecas (instituição parceira) e na página da iniciativa da Comissão Europeia.
A propósito desta data, a Rede de Bibliotecas Escolares propõe este passatempo para toda a comunidade

BONS ENCONTROS DE LEITURAS!


quinta-feira, 23 de março de 2023

Participação no Global Money WeeK

 











A turma do 1A1 participou hoje na Global Money Week (GMW).

A GMW é uma campanha global anual de consciencialização sobre a importância de garantir que os jovens, desde cedo, tenham consciência financeira e gradualmente adquiram conhecimentos, habilidades, atitudes e comportamentos necessários para tomar decisões financeiras sensatas que possam melhorar a sua resiliência financeira futura e o bem-estar financeiro.

O tema escolhido para 2023 foi Plan your money, plant your future (planeia o teu dinheiro, planta o teu futuro).

A atividade foi desenvolvida em trabalho articulado entre a Biblioteca Escolar e a disciplina de Marketing e Comunicação.










quarta-feira, 22 de março de 2023

terça-feira, 21 de março de 2023

Vale a pena

 














MAR PORTUGUÊS

Ó mar salgado, quanto do teu sal

São lágrimas de Portugal!

Por te cruzarmos, quantas mães choraram,

Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar

Para que fosses nosso, ó mar!

Valeu a pena? Tudo vale a pena

Se a alma não é pequena.

Quem quer passar além do Bojador

Tem que passar além da dor.

Deus ao mar o perigo e o abismo deu,

Mas nele é que espelhou o céu.

s.d.

Mensagem. Fernando Pessoa. Lisboa: Parceria António Maria Pereira, 1934 (Lisboa: Ática, 10ª ed. 1972).

  - 70.


 🔊 Partindo dos versos "Valeu a pena? Tudo vale a pena / Se a alma não é pequena", os alunos do 8º A e do 8º C construíram dois poemas que podem ser ouvidos aqui e aqui


Dia Mundial da Poesia

 



Estipulado pela Unesco em 1999, este é o dia em que festejamos a poesia. Por cá, várias iniciativas celebram a data e, claro, os poetas.


O que se comemora é a “diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação”. Assim o quis a UNESCO na 30ª Conferência Geral de 16 de novembro de 1999, quando o Dia Mundial da Poesia foi estabelecido. 

Todos os anos, a 21 de março, ele salta-nos à vista para lembrar o que nunca deveríamos esquecer e que, se é diálogo, o é sobretudo com um tempo e com uma língua.

Em Portugal, o ano é pródigo em homenagens. São os cem de Eugénio de Andrade e de Natália Correia. Os noventa de Ruy Belo.



No Dia Mundial da poesia, a Biblioteca criou um espaço muito especial dedicado à palavra poética, a palavra alada.


Bom dia Primavera! Bom dia Poesia!

 








Abre-te, Primavera!
Tenho um poema à espera
Do teu sorriso.
Um poema indeciso
Entre a coragem e a covardia.
Um poema de lírica alegria
Refreada,
A temer ser tardia
E ser antecipada.
Dantes, nascias
Quando eu te anunciava.
Cantava,
E no meu canto acontecias
Como o tempo depois te confirmava.
Cada verso era a flor que prometias
No futuro sonhado…
Agora, a lei é outra: principias,
E só então eu canto confiado."

Miguel Torga


segunda-feira, 20 de março de 2023

A música em Pessoa

 






























Muita da poesia de Fernando Pessoa (em especial a ortónima, mas não somente esta) manifesta uma vocação para ser cantada, havendo nela em inúmeros casos a referência à voz, ao canto, ou ao tipo de ritmo e melodia, que indiciam ter esses textos sido escritos por um poeta que parece tê-los destinado a serem canções, pensadas para uma pluralidade heteronímica de estilos musicais.


A música, sim a música...

A música, sim a música...

Piano banal do outro andar.

A música em todo o caso, a música..

Aquilo que vem buscar o choro imanenre

De toda a criatura humana

Aquilo que vem torturar a calma

Com o desejo duma calma melhor...

A música... Um piano lá em cima

Com alguém que o toca mal.

Mas é música...

Ah quantas infâncias tive!

Quantas boas mágoas?,

A música...

Quantas mais boas mágoas!

Sempre a música...

O pobre piano tocado por quem não sabe tocar.

Mas apesar de tudo é música.

Ah, lá conseguiu uma música seguida —

Uma melodia racional —

Racional, meu Deus!

Como se alguma coisa fosse racional!

Que novas paisagens de um piano mal tocado?

A música!... A música...!

19-7-1934

Álvaro de Campos - Livro de Versos . Fernando Pessoa. (Edição crítica. Introdução, transcrição, organização e notas de Teresa Rita Lopes.) Lisboa: Estampa, 1993. 

 - 190.

 

Semana da leitura - Canto lírico na Biblioteca

 









Imagens da Sessão Leitura e Música



Esta manhã houve canto lírico na Biblioteca. 

Matilde Sousa, do Conservatório de Música de Vila Real, cantou Pastoral, de Vianna da Motta, e Widmung, de Schumann, acompanhada ao piano pelo professor Cabriel Pinto.

Antes do canto, houve partilha da leitura de Haikus, de Matsuo Bashô, pelos / com os alunos presentes

Público-alvo: alunos do 9º F, acompanhados pelo professor Álvaro Pinto, e do 12º I, acompanhados pelo professor Vítor Lousada.


Interpretação de "Pastoral"


Intervenção do professor Vasco Sousa, da Direção Pedagógica do Conservatório Regional de Música de Vila Real



Promoção: Rede de Bibliotecas de Vila Real

Parceria: Conservatório de Música de Vila Real

Apoio: Pelouro da Educação da Câmara Municipal de Vila Real

domingo, 19 de março de 2023

Dia Internacional para a Eliminação da Discriminação Racial

 

21 de março




Racismo, xenofobia e intolerância são problemas prevalentes em todas as sociedades. Mas todos os dias, cada um de nós pode se levantar contra o preconceito racial e atitudes intolerantes. Seja um defensor dos direitos humanos, #fightracism e #Standup4humanrights.



Lê, observa, aprende e escuta




Fala e age!




sexta-feira, 17 de março de 2023

Leitura & Música



Semana(s) da Leitura 2023 



















No próximo dia 20 de março, vamos ter uma atividade de leitura e música, na Biblioteca da Escola.

A música vai estar presente com o canto lírico.

Matilde Sousa, aluna do Conservatório de Vila Real, vai cantar "Pastoral", de Vianna da Motta, e "Widmung", de Robert Schumann. A acompanhá-la, ao piano, estará o professor Gabriel Pinto.

A leitura vai estar presente com a partilha de leituras de poemas pelos/entre os presentes.

Público alvo: alunos do 12º I e do 9ºF.

A atividade é promovida em articulação com a Rede de Bibliotecas de Vila Real.

Parceria: Conservatório de Música de Vila Real.

quarta-feira, 15 de março de 2023

Camilo aLer Camilo

 


Leitura de excertos de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco.


Corrigir até que o lápis azul me doa

 




JOÃO FAZENDA



HÁ DUAS IDEIAS MUITO POPULARES, HOJE: UMA É QUE AS PESSOAS TÊM O DIREITO DE NÃO SER OFENDIDAS; A OUTRA É QUE PALAVRAS SÃO EQUIVALENTES A ACÇÕES. ESTÃO AMBAS ERRADAS

F


inalmente, podemos todos dormir mais descansados. Os livros infanto-juvenis de Roald Dahl estão a ser corrigidos por pessoas muito boazinhas para que eles deixem de ser um perigo para as nossas crianças e para a sociedade em geral. A editora das obras, os herdeiros do autor e uma instituição chamada Inclusive Minds trabalharam afincadamente para que os livros passassem de arte degenerada a arte regenerada. A Inclusive Minds descreve-se como “um coletivo de pessoas apaixonadas pela inclusão e a acessibilidade na literatura infantil” — uma paixão mesmo muito específica. Como é próprio de pessoas muito boazinhas, elas cortaram o que o autor, estupidamente, escreveu nos livros, e substituíram as palavras pecaminosas por aquelas que Roald Dahl teria escrito, se tivesse conseguido ser tão bonzinho como os seus virtuosos revisores. As centenas de correções efetuadas incluem, por exemplo, a retirada da palavra “gordo” da descrição malvada de uma personagem. Augustus Gloop, de “Charlie and the Chocolate Factory”, para alívio de todos, passou a ser “enorme” — pelo menos até à próxima correção. A Srª. Twitt, do livro “The Twitts”, deixou de ser “feia”, e é agora “muito desagradável”. Embora devamos celebrar o facto de vivermos num tempo em que personagens imaginárias não podem ser gordas e feias, creio que poderíamos evoluir ainda mais. Talvez num futuro próximo não se admita que estas figuras sejam enormes e desagradáveis. Deixem-me sonhar. No livro “The Witches”, Roald Dahl teve o topete de escrever que as bruxas usavam perucas porque eram carecas. A seguir a essa explicação aparece agora a frase salvadora: “Há muitas outras razões para que mulheres usem perucas, e não há certamente nada de errado nisso.” Ufa! Em “Fantastic Mr. Fox”, os terríveis tratores pretos, que eram monstros assassinos de aspeto brutal, são agora apenas monstros assassinos de aspeto brutal. Deixaram de ser pretos. Talvez aquela marca de tratores tenha deixado de os fabricar nessa cor. Já não era sem tempo.

No dia 7 de Julho de 2020, a revista “Harper’s” publicou uma carta, subscrita por 153 signatários. Era uma espécie de manifesto pela liberdade de expressão que apontava Trump como uma “ameaça real à democracia” e lamentava a existência de um ambiente de intolerância e censura em ambos os lados do espectro político. A carta era assinada por gente como Noam Chomsky, Margaret Atwood, Martin Amis, John Banville, Anne Applebaum, Steven Pinker, Fareed Zakaria, Atul Gawande, J.K. Rowling e Salman Rushdie. Na altura pensei que era estranho intelectuais renomados terem-se dado ao trabalho de dizer umas coisas tão óbvias. Mas, apenas três dias depois, outra carta foi publicada criticando a primeira. Acabava dizendo que os subscritores da carta da “Harper’s” tinham somente dificuldade de “lidar com críticas válidas”. Que “a liberdade intelectual dos intelectuais brancos cis nunca tinha sido ameaçada”. E que “eles nunca tinham enfrentado consequências sérias — apenas desconforto momentâneo”. Nos dois anos que se seguiram, entre outras ocorrências, um homem foi agredido por dizer uma piada no palco dos Óscares, outro foi agredido por um atacante armado quando fazia stand-up comedy no palco do Hollywood Bowl, e Salman Rushdie foi esfaqueado 17 vezes — e lida agora com o desconforto momentâneo de ter ficado cego de um olho e sem o uso de uma das mãos. Parece claro que os signatários da primeira carta, muitos dos quais não eram brancos nem do sexo masculino, tinham percebido qualquer coisa.

Quando Rushdie escreveu os “Versículos Satânicos” e o aiatola decretou a fatwa, várias pessoas no Ocidente acharam que deviam tomar uma posição forte sobre aquela atitude inadmissível. Refiro-me à atitude de Rushdie. Escrever um livro tinha sido, evidentemente, um grande desaforo. Uma dessas pessoas foi Roald Dahl, que achou o livro “sensacionalista” e chamou a Rushdie um “oportunista perigoso”. Esta semana, Rushdie saiu em defesa de Dahl, dizendo que as suas obras estão a ser vítimas de “censura absurda”. Não aprende, este palerma.

Há duas ideias muito populares, hoje: uma é que as pessoas têm o direito de não ser ofendidas; a outra é que palavras são equivalentes a ações. Estão ambas erradas. Se as pessoas tivessem o direito de não ser ofendidas, a vida seria impossível. Tudo tem potencial para ofender alguém — e ficar calado não é solução, porque como sabemos há silêncios que também ofendem. E, assim como uma imagem não é a realidade, também as palavras não são ações, e é por isso que não é fácil ganhar uma luta articulando o verbo “lutar”. É importante não esquecer que quando alguém diz que as palavras são como punhais está a usar uma figura de estilo. As palavras que Rushdie escreveu nos “Versículos Satânicos” são palavras. O punhal que o cegou é que é um punhal.

Ricardo de Araújo Pereira. "Estranho Ofício", in Expresso Revista, Semanário#2626, 24 de fevereiro de 2023