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sexta-feira, 26 de abril de 2024

Palestra | Voces de poetas llegan al cielo

 







No passado dia 23 de abril, pelas 9:15, decorreu na Biblioteca a palestra/aula aberta “Voces de poetas llegan al cielo”, proferida pela professora Paula Fortuna, na aula de Espanhol.

Nesta sessão, a palestrante fez uma retrospetiva das ditaduras do último quartel do século XX, na América Latina (Argentina, Chile, Brasil, Uruguai), Portugal e Espanha, para sublinhar o papel crucial das vozes dos poetas na denúncia do caráter opressivo e persecutório dessas ditaduras.

Victor Jara, Sergio Ortega, Violeta Parra, Pablo Neruda, Mercedes Sosa, Paco Urondo, Chico Buarque, Mario Bebedetti, Manuel Alegre / Adriano Correia de Oliveira, Zeca Afonso, Federico Garcia Lorca e Miguel Hernández foram algumas das vozes que chegaram ao céu.

A terminar a palestra, as sibilinas palavras de Salgueiro Maia, o Capitão de Abril: 

“Não se preocupem com o local onde vão sepultar o meu corpo. Preocupem-se, sim, com aqueles que querem sepultar o que ajudei a construir”. 


Abril depois de Abril - Fazer Abril

 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2024

Biblioteca da censura - Obras apreendidas e proibidas no Estado Novo

 

 





Ao longo deste 2º Período, os alunos do 10º ano vão abordar as obras apreendidas e proibidas pelo Estado Novo, na disciplina de Português, a partir da pesquisa dos títulos da Classe 8, da coleção da Biblioteca. 

1ª Etapa - Pesquisa dos autores portugueses por ordem alfabética, por apelido, de acordo com as letras do alfabeto distribuídas por cada turma.

2ª Etapa - análise / seleção dos autores representados na biblioteca, e respetivas obras, que foram alvo de censura

3ª Etapa - Elaboração de uma síntese biobibliográfica sobre o autor censurado.

4ª Etapa - Fotografia, de forma criativa, do livro censurado, se fizer parte da coleção da Biblioteca, ou pesquisa numa imagem do livro, na Fnac, por exemplo, se não fizer parte da coleção da Biblioteca.

5ª Etapa - Colocação do ficheiro Word (texto) e da foto na Classroom, devidamente identificados.


Produto final: Ebook “Biblioteca da Censura” da Camilo

 

quarta-feira, 15 de março de 2023

Corrigir até que o lápis azul me doa

 




JOÃO FAZENDA



HÁ DUAS IDEIAS MUITO POPULARES, HOJE: UMA É QUE AS PESSOAS TÊM O DIREITO DE NÃO SER OFENDIDAS; A OUTRA É QUE PALAVRAS SÃO EQUIVALENTES A ACÇÕES. ESTÃO AMBAS ERRADAS

F


inalmente, podemos todos dormir mais descansados. Os livros infanto-juvenis de Roald Dahl estão a ser corrigidos por pessoas muito boazinhas para que eles deixem de ser um perigo para as nossas crianças e para a sociedade em geral. A editora das obras, os herdeiros do autor e uma instituição chamada Inclusive Minds trabalharam afincadamente para que os livros passassem de arte degenerada a arte regenerada. A Inclusive Minds descreve-se como “um coletivo de pessoas apaixonadas pela inclusão e a acessibilidade na literatura infantil” — uma paixão mesmo muito específica. Como é próprio de pessoas muito boazinhas, elas cortaram o que o autor, estupidamente, escreveu nos livros, e substituíram as palavras pecaminosas por aquelas que Roald Dahl teria escrito, se tivesse conseguido ser tão bonzinho como os seus virtuosos revisores. As centenas de correções efetuadas incluem, por exemplo, a retirada da palavra “gordo” da descrição malvada de uma personagem. Augustus Gloop, de “Charlie and the Chocolate Factory”, para alívio de todos, passou a ser “enorme” — pelo menos até à próxima correção. A Srª. Twitt, do livro “The Twitts”, deixou de ser “feia”, e é agora “muito desagradável”. Embora devamos celebrar o facto de vivermos num tempo em que personagens imaginárias não podem ser gordas e feias, creio que poderíamos evoluir ainda mais. Talvez num futuro próximo não se admita que estas figuras sejam enormes e desagradáveis. Deixem-me sonhar. No livro “The Witches”, Roald Dahl teve o topete de escrever que as bruxas usavam perucas porque eram carecas. A seguir a essa explicação aparece agora a frase salvadora: “Há muitas outras razões para que mulheres usem perucas, e não há certamente nada de errado nisso.” Ufa! Em “Fantastic Mr. Fox”, os terríveis tratores pretos, que eram monstros assassinos de aspeto brutal, são agora apenas monstros assassinos de aspeto brutal. Deixaram de ser pretos. Talvez aquela marca de tratores tenha deixado de os fabricar nessa cor. Já não era sem tempo.

No dia 7 de Julho de 2020, a revista “Harper’s” publicou uma carta, subscrita por 153 signatários. Era uma espécie de manifesto pela liberdade de expressão que apontava Trump como uma “ameaça real à democracia” e lamentava a existência de um ambiente de intolerância e censura em ambos os lados do espectro político. A carta era assinada por gente como Noam Chomsky, Margaret Atwood, Martin Amis, John Banville, Anne Applebaum, Steven Pinker, Fareed Zakaria, Atul Gawande, J.K. Rowling e Salman Rushdie. Na altura pensei que era estranho intelectuais renomados terem-se dado ao trabalho de dizer umas coisas tão óbvias. Mas, apenas três dias depois, outra carta foi publicada criticando a primeira. Acabava dizendo que os subscritores da carta da “Harper’s” tinham somente dificuldade de “lidar com críticas válidas”. Que “a liberdade intelectual dos intelectuais brancos cis nunca tinha sido ameaçada”. E que “eles nunca tinham enfrentado consequências sérias — apenas desconforto momentâneo”. Nos dois anos que se seguiram, entre outras ocorrências, um homem foi agredido por dizer uma piada no palco dos Óscares, outro foi agredido por um atacante armado quando fazia stand-up comedy no palco do Hollywood Bowl, e Salman Rushdie foi esfaqueado 17 vezes — e lida agora com o desconforto momentâneo de ter ficado cego de um olho e sem o uso de uma das mãos. Parece claro que os signatários da primeira carta, muitos dos quais não eram brancos nem do sexo masculino, tinham percebido qualquer coisa.

Quando Rushdie escreveu os “Versículos Satânicos” e o aiatola decretou a fatwa, várias pessoas no Ocidente acharam que deviam tomar uma posição forte sobre aquela atitude inadmissível. Refiro-me à atitude de Rushdie. Escrever um livro tinha sido, evidentemente, um grande desaforo. Uma dessas pessoas foi Roald Dahl, que achou o livro “sensacionalista” e chamou a Rushdie um “oportunista perigoso”. Esta semana, Rushdie saiu em defesa de Dahl, dizendo que as suas obras estão a ser vítimas de “censura absurda”. Não aprende, este palerma.

Há duas ideias muito populares, hoje: uma é que as pessoas têm o direito de não ser ofendidas; a outra é que palavras são equivalentes a ações. Estão ambas erradas. Se as pessoas tivessem o direito de não ser ofendidas, a vida seria impossível. Tudo tem potencial para ofender alguém — e ficar calado não é solução, porque como sabemos há silêncios que também ofendem. E, assim como uma imagem não é a realidade, também as palavras não são ações, e é por isso que não é fácil ganhar uma luta articulando o verbo “lutar”. É importante não esquecer que quando alguém diz que as palavras são como punhais está a usar uma figura de estilo. As palavras que Rushdie escreveu nos “Versículos Satânicos” são palavras. O punhal que o cegou é que é um punhal.

Ricardo de Araújo Pereira. "Estranho Ofício", in Expresso Revista, Semanário#2626, 24 de fevereiro de 2023


quinta-feira, 20 de agosto de 2020

eBook | Liberdade de expressão - Questões da atualidade

 

Liberdade de Expressão - Questões da Atualidade
Organização: Maria Cristina Castilho Costa e Patrícia Blanco
Universidade de São Paulo
2019



Assim, depois de quase vinte anos, dedicamo-nos agora a estudar a censura que, em nome de justificativas de defesa de instituições, da moral, dos bons costumes, da família ou do “cidadão acima de qualquer suspeita”, buscam manipular a opinião pública, silenciar a oposição, impedir a crítica e o debate.
Maria Cristina Castilho Costa - Apresentação- Liberdade de Expressão - Questões da Atualidade

 

 

sábado, 8 de agosto de 2020

Ebook | Avanços e desafios da liberdade de expressão



Edição: Instituto Palavra Aberta
Organização: Patrícia Blanco
Coordenação: Saula Ramos
2019





Apresentação
[...] 
É inadmissível que esses crimes [diversos tipos de agressão contra jornalistas e outros profissionais da comunicação, incluindo homicídios continuem acontecendo pois, além de atentados contra profissionais, são ataques à democracia. A censura de qualquer tipo não pode mais ser tolerada. A violência contra a imprensa é, sobretudo, uma violência contra toda a sociedade, pois inibe o direito à informação e à expressão, que são pilares de qualquer país que valorize os direitos humanos e a democracia. 
A desinformação também representa uma grande ameaça que precisa ser encarada com seriedade e de forma ampla, evitando que haja a possibilidade de cerceamento à liberdade de expressão, uma vez que a própria definição do termo se alargou de tal forma que significa um vasto leque de coisas, que vão de golpes virtuais a memes divertidos, passando também por opiniões com as quais o interlocutor não concorda e por uma forma eficaz de desqualificar o trabalho da imprensa profissional. 
É evidente que a liberdade de expressão não representa um salvo-conduto a ofensas e nem pode servir de escudo para a disseminação de discurso de ódio, inverdades ou práticas intolerantes — afinal, liberdade de expressão não pode ter limites, mas tem consequências. No entanto, em um estado democrático, em que a liberdade de opinião, de escolha e o livro arbítrio são cláusulas pétreas, não pode haver margem para qualquer tipo de censura. 
Vivemos numa sociedade hiperconectada em que todos produzem e consomem conteúdos o tempo todo, fazendo com que o excesso de opiniões disponíveis sejam um desafio à nossa percepção. Fatos são confundidos com opiniões e há a exigência de interpretarmos a intenção, a autoria e o contexto de cada mensagem que recebemos. Tal cenário exige uma nova alfabetização, uma educação compatível com essa realidade ultraconectada. Ser um usuário da internet e das plataformas sociais exige mais do que uma conexão, logins e senhas. É preciso ter ética, senso crítico e, principalmente, responsabilidade para exercer plenamente a liberdade de expressão. 
Foi pensando em oferecer uma resposta a essa nova exigência que o Palavra Aberta lançou, em 2019, o EducaMídia, programa de educação midiática que tem como objetivo formar cidadãos com habilidades e competências para acessar informações, analisá-las corretamente e conhecer as técnicas de criação e produção de mensagens. Em suma: cidadãos que desenvolvam o senso crítico e saibam como participar do mundo conectado de forma ética e responsável, reforçando o seu papel na sociedade. 
Como disse, os desafios são muitos. No entanto, a única certeza é que quanto maior a liberdade de expressão da sociedade, maior a liberdade de imprensa e, consequentemente, mais afirmativa se torna a democracia. 
Concluo agradecendo o apoio de todos aqueles que fizeram a história do Instituto nestes 10 anos e lembrando a fala do nosso saudoso amigo e fundador Sidnei Basile ao participar de um evento promovido no primeiro ano do Palavra Aberta, quando ressaltou a importância da liberdade de expressão para o fortalecimento da democracia: 

“Se formos generosos com o país e suas instituições, generosos com nossos filhos, saberemos construir o diálogo tão necessário para que a liberdade de expressão e a democracia, que hoje florescem plenamente, se enraízem ainda mais.” 

Assim, mais do que ampliar o debate, o propósito deste livro que você tem em mãos é servir de registro histórico e motivar as atuais e futuras gerações a pensarem no precioso bem que é a liberdade. Das suas páginas e dos artigos escritos por membros do Conselho Diretor e Consultivo do Palavra Aberta – a quem agradeço imensamente -, transpiram o alcance desse valor que, desde a antiga democracia grega, é único e insubstituível. 

Boa leitura! 

Patricia Blanco 
Presidente Executiva e do Conselho Diretor do 
Instituto Palavra Aberta


quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Dia internacional para acabar com a impunidade por crimes contra jornalistas 2017



2 de novembro






Nos últimos onze anos, cerca de 930 jornalistas foram mortos por relatar as notícias e trazer informações ao público. Em média, isso constitui uma morte a cada quatro dias. Nove em dez casos, os assassinos ficam impunes. A impunidade leva a mais mortes e muitas vezes é um sintoma do agravamento do conflito e da quebra da lei e dos sistemas judiciais. 

A UNESCO está preocupada com o facto de a impunidade prejudicar sociedades inteiras ao encobrir abusos graves de direitos humanos, corrupção e crime. Os governos, a sociedade civil, os meios de comunicação social e todos os envolvidos em defender o Estado de Direito são a participar nos esforços globais para acabar com a impunidade.



Factos e números - 2006-2016

  • 930 assassinatos de jornalistas foram condenados pela DG da UNESCO desde 2006-2016.
  • Nove em dez casos de jornalistas mortos permanecem sem solução.
  • 93% dos jornalistas mortos são locais e apenas 7% são correspondentes estrangeiros.
  • Jornalistas masculinos representam 94% dos jornalistas mortos.
  • 29% dos jornalistas mortos trabalhavam em televisão.
  • 17% dos jornalistas mortos trabalharam como jornalistas freelance.


sexta-feira, 6 de maio de 2016

"Tendências mundiais sobre a liberdade de expressão e o desenvolvimento dos media"


Relatório da UNESCO


 http://unesdoc.unesco.org/images/0023/002349/234933e.pdf





O ritmo das mudanças levanta questões sobre como promover a liberdade de expressão por meio dos media impressos, de radiodifusão e da internet, e sobre como garantir a segurança dos jornalistas. Este relatório baseia-se numa variedade de pesquisas e não é prescritivo – pelo contrário, transmite uma mensagem clara sobre a importância da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa, em todas as plataformas. O estudo é dedicado aos governos, organizações internacionais e regionais, sociedade civil, meio académico, media e jornalistas de modo a contribuir para o entendimento do mundo em mudança, num tempo em que a comunidade internacional está a definir uma nova agenda mundial de desenvolvimento sustentável, que deverá ser sustentada e dirigida pelos direitos humanos, com particular atenção à liberdade de expressão.



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Projeto | Liberdade de expressão e redes sociais







A SIC Esperança, em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares e com o apoio da Porto Editora, lança a 3º edição do projeto Liberdade de Expressão e Redes Sociais.


Este projeto consiste na criação de um concurso a nível nacional, para estudantes com idade igual ou superior a 13 anos, que frequentem o 3º ciclo do ensino básico e ensino secundário, e que tem como objetivo suscitar a reflexão e o debate sobre a temática da liberdade de expressão e das redes sociais, identificando igualmente os riscos e abusos ligados ao seu uso.


Para a 3ª edição, os alunos são desafiados a trabalhar sobre o tema do Cyberbullying, um fenómeno que surgiu nos últimos anos com a emergência das novas tecnologias.
 


Os alunos que pretendam participar deverão criar conteúdos originais recorrendo a textos, vídeos, podcasts, fotografias, desenhos ou animações, e enviar os seus trabalhos até ao dia 18 de dezembro de 2015. Os vencedores serão anunciados a 18 de janeiro.


Consulte aqui o Regulamento e o formulário da ficha técnica.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Liberdade



CIDADANIA



Liberdade

— Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pão de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

— Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
— Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.

Miguel Torga, in Diário XII




Liberdade de expressão

Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo:
- Jordano Bruno e Galileu



quarta-feira, 15 de outubro de 2014


 Concurso: Liberdade de Expressão e redes sociais








A SIC Esperança, em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares, lança a 2.ª edição do projeto Liberdade de expressão e redes sociais.
 
O tema para este ano é: 
 
Como seria a vida sem as redes sociais criadas pela tecnologia?

Podem concorrer alunos do 3º Ciclo do Ensino Básico, com idade igual ou superior a 13 anos, e alunos do Ensino Secundário.
 
Como seria a vida se não existisse facebook, instagram, youtube, tumblr, google+ e outras redes sociais recentes?
Teríamos mais ou menos liberdade de expressão?
Mais ou menos privacidade?
Que relações entre a liberdade e a privacidade?
Que implicações têm as redes sociais, ou a falta delas, na participação cívica e democrática?

Questões como estas  podem servir de ponto de partida para a resposta ao tema proposto.

Os trabalhos de grupo, com conteúdos originais e em vários formatos (texto, vídeo, banda desenhada…), obrigatoriamente com um professor orientador, devem ser apresentados até ao dia 15 de janeiro de 2015 para sicesperanca@sic.pt.
 
Os vencedores terão a oportunidade de participar, acompanhar ou assistir a programas da SIC. 
 
Ver  Regulamento.