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quarta-feira, 15 de abril de 2026

Clássicos em Rede | Orfeu e Eurídice: o reconto do mito

 

   #alermaisemelhor #OlimpíadasDaCulturaClássica #ClássicosEmRede #mitologia #RedeDeBibliotecasEscolares 

 

 






Marcus Benício, aluno de Grego do 12ºE, faz o reconto do conhecido mito de Orfeu e Eurídice e apresenta-o num apelativo ebook.


 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Olimpíadas da Cultura Clássica | Hebe

 

#alermaisemelhor #OlimpíadasDaCulturaClássica #ClássicosEmRede #mitologia #RedeDeBibliotecasEscolares 

 

 

 

 

Livro digital A vida de Hebe apresentado ao concurso Olimpíadas da Cultura Clássica - Clássicos em Rede 2026. Produzido por Inês Bicá, Jaiane Silva, Matilde Prior e Margarida Santos, alunas do 12º E.

Mito: Hebe.

Escalão C: Ensino Secundário 

 

👉Sobre Hebe, a deusa da eterna juventude

 Na mitologia grega, Hebe é a deusa da juventude, filha de Zeus e Hera. Era a mais jovem dos deuses e responsável por mantê-los eternamente jovens. Várias eram as funções que desempenhava no Olimpo: preparava o banho de Ares, ajudava Hera a atrelar o seu carro e servia néctar e ambrosia aos deuses.

 

Hebe, por Jacques Louis Dubois (Séc. XIX)
 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

IA | NotebookLM para professores

 

 

 

 #inteligênciaartificial

 





"Neste guia, aprenderá a utilizar as principais funcionalidades do NotebookLM através de exemplos práticos e estratégias comprovadas.

Exploramos as suas utilizações gerais, incluindo a criação de bibliotecas pessoais, a geração de materiais de estudo e a visualização de dados através de mapas mentais.

Descobrirá aplicações específicas para investigação e ensino. Abordaremos também dois dos seus principais recursos, nomeadamente as Visões Gerais em Áudio e as Visões Gerais em Vídeo, e discutiremos algumas formas práticas de tirar partido delas nas suas aulas.

Concluiremos com dicas para ajudar a tirar o máximo partido do NotebookLM tanto no ensino como na investigação. No final deste guia, terá tudo o que precisa para integrar o NotebookLM de forma eficaz no seu fluxo de trabalho profissional." 

Med Kharbach, novembro 2025

 

 

 

 

sexta-feira, 14 de novembro de 2025

Ebook | Um oceano que nos liga

 

16 de novembro - Dia Nacional do Mar

 

Faça duplo clic para aceder ao ebook
 

Este ebook convida a mergulhar no conhecimento do oceano através dos webinários realizados, desde 2021, no âmbito do projeto Em Defesa do Oceano, que tem como objetivo promover a literacia do oceano e incentivar atitudes responsáveis que contribuam para a sua preservação, contando com a parceria da Escola Azul desde 2022.

Os webinários estão organizados de acordo com os sete princípios da literacia do oceano, que representam os conceitos essenciais que todos devemos conhecer sobre este elemento vital. A cada webinário está associado um princípio, numa interpretação possível, mas não única, das relações entre os temas abordados e os princípios. Para complementar a seleção dos webinários, no final, inclui-se um índice de palavras-chave. Os webinários, destinados aos vários níveis de ensino, incluem interpretação em língua gestual portuguesa e têm uma duração média de 45 minutos.

Estes webinários são a voz e refletem a partilha de conhecimento de cerca de 50 especialistas de diversas áreas que connosco embarcaram nesta missão que nos liga a todos - conhecer, preservar e defender o oceano.

 

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

ebook | Os ciganos de Portugal

 

 

#ciganos #interculturalidade






Trabalho em três partes:
  • A língua dos ciganos de Portugal.
  • O calão ou gíria portuguesa e suas relações com a língua dos ciganos.
  • História e esboço etnográfico dos ciganos de Portugal com dois apêndices, um contendo documentos, outro sobre os ciganos do Brasil.

Este trabalho teve por ponto de partida materiais reunidos pelo folclorista de Elvas, o sr. A. Tomás Pires, que a pedido de Adolo Coelho investigou a língua e a etnografia dos ciganos do Alentejo, diretamente e com o auxílio de amigos seus alentejanos.


História & estórias ciganas
 

 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

sexta-feira, 19 de setembro de 2025

eBook | Comunidades Ciganas

 

 

  #interculturalidade  #historiacigana

 

 
Título: Juventude e Igualdade: Comunidades Ciganas / REDE
Autora: Nora Kiss (REDE Portuguesa de Jovens para a Igualdade entre Mulheres e Homens)
Edição: Centro de Juventude de Lisboa/Nora Kiss


 

"Esta obra resulta de um projeto de quem trabalha na área da Juventude, inclusão social da comunidade cigana, igualdade de género e oportunidades para todos, cujo objetivo é não só a reflexão mas a garantia e defesa dos Direitos Humanos. Pretende, pois, fazer o mainstreaming de género na área da Juventude, mobilizando os jovens em torno das questões relacionadas com a igualdade de género, recorrendo a meto dologias participativas, nomeadamente com base na educação não formal. 

A temática da juventude, das comunidades ciganas e a igualdade de género é abor dada nesta obra de forma simples, prática e de leitura fácil. Começa com a contextualização temática, abordando a história da comunidade cigana, a sua origem, a cultura e tradições tão específicas do povo «Rom», como é designado, bem como alguns princípios e conceitos gerais. Numa segunda parte, mais prática, são apresen tadas dinâmicas de educação não formal para a promoção dos Direitos Humanos e da Igualdade de Género. Para quem desconhece a cultura e particularidades deste povo, através da leitura desta obra é possível adquirir saber e clarificar preconceitos que ainda persistem sobre esta comunidade."

Prefácio, por Eduarda Marques, Diretora Regional de Lisboa e Vale do Tejo do IPDJ, I.P, 2017

 

segunda-feira, 15 de setembro de 2025

eBook | Do Romantismo e Nietzsche

 

#ebooks  #aleramaisemelhor 

 

 

 Pelotas 2017

 

Apresentação 

Este livro reúne oito estudos de Filosofia Moderna e Contemporânea, com o objetivo de investigar as ruturas e transformações ocorridas no pensamento filosófico desse período. A pergunta que norteia cada um desses ensaios é: como reage a Filosofia ao triunfo das ciências naturais e da industrialização no século XIX? Nem o pensamento mais abstrato se pode furtar ao facto de que a Filosofia tem de responder ao domínio crescente da tecnociência e das novas condições de vida trazidas pelas Revoluções Francesa e Industrial.

Clademir Luís Araldi


 

 

 

O mundo na escola

 

 

 Como dinamizar meios de comunicação escolares

 

Pode ser uma imagem de 2 pessoas e a texto 

 

 


Sinopse

Este livro parte do reconhecimento dos meios de comunicação escolares como espaços privilegiados para dar voz a crianças e jovens e promover a literacia mediática em contexto educativo. Com base num estudo desenvolvido em 12 escolas do ensino básico e secundário, no âmbito do projeto bYou, analisa-se o papel destes meios na promoção da participação, da expressão e da aprendizagem crítica sobre os media e sobre o mundo.

 A obra reúne ainda um conjunto de estratégias para fomentar e diversificar a abordagem jornalística nos media escolares, bem como diversas propostas e recursos para a sua dinamização. Os media escolares são aqui apresentados como laboratórios de cidadania, capazes de contribuir para uma escola mais democrática, inclusiva e preparada para os desafios da era digital.

 Sara Pereira, Daniel Brandão e Joana Fillol (org.). O mundo na escola - Como dinamizar meios de comunicação escolares.  Edição UMinho: Braga, 2025.


segunda-feira, 18 de agosto de 2025

Turismo literário - construção e exploração de roteiros

 

 

 

 

 



Guia prático para profissionais e estudantes de turismo, autarquias, bibliotecas, museus, professores e agentes culturais. O que têm em comum uma biblioteca histórica, um café literário, uma casa-museu de escritor e um guia-intérprete apaixonado por livros? Todos podem ser protagonistas de experiências únicas de Turismo Literário – e este livro é o mapa que liga cada um desses pontos.

Pensado para um público vasto, este guia prático revela como construir, promover e dinamizar percursos inspiradores, com impacto educativo, económico e cultural. De forma acessível e criativa, oferece ferramentas, exemplos reais, sugestões de itinerários e estratégias para transformar o património literário em experiências turísticas envolventes.

Considerando o crescente interesse que o mundo fascinante do turismo literário suscita, esta obra apresenta-se como um valioso recurso para todos aqueles que pretendem desenvolver e implementar roteiros literários de qualidade. Seja para reinventar a sua cidade, enriquecer a sala de aula ou criar novos produtos turísticos, este livro convida-o a cruzar literatura e território, páginas e lugares, leitores e viajantes.

Viaje por histórias reais. Construa e explore itinerários com alma.

O que pode encontrar neste livro?

· Noções e conceitos fundamentais
· Tipos de roteiros literários
· Promotores e públicos
· Recursos e inventariação
· Etapas da construção de roteiros literários

E ainda:

· Fotografias ilustrativas, acompanhadas de códigos QR
· Secções para verificação de conhecimentos
· Fichas de exemplo
· Recomendações e sugestões
 
 

 

sexta-feira, 25 de julho de 2025

Ebook | Crianças, Jovens e media: Vidas (Des)Ligadas?

 

 

 

Sara Pereira & Daniel Brandão (eds), UMinho Editora, julho 2025

 



A obra Crianças, Jovens e Media: Vidas (Des)Ligadas? Atas do Congresso bYou reúne, na primeira parte, o texto de introdução do congresso e os textos dos dois oradores da conferência de abertura: Ana Beatriz Pereira, aluna do 12.º ano da Escola Secundária Vitorino Nemésio, e João Marecos, advogado e investigador ligado a vários projetos culturais, jornalísticos e de cidadania. 
 
Na segunda parte, são apresentados 10 textos de investigadores nacionais e internacionais que participaram no evento. 
 
A terceira parte inclui o Manifesto produzido a partir da discussão, das conclusões e das recomendações dos dois dias de trabalho. Inclui igualmente um texto poético da autoria de José Miguel Braga, inspirado nos resumos das comunicações dos participantes, bem como em textos produzidos no âmbito do projeto bYou.
 

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Portugal e a Europa nos séculos XV e XVI

 

 



Paulo Caetano (ed.). Lisboa: IEM – Instituto de Estudos Medievais, 2019




Os séculos XV e XVI são cruciais nas relações entre Portugal e a Europa, mas também no percurso individual de cada uma destas entidades, uma nacional e outra supranacional. Uma ideia há a reter: são duas centúrias impossíveis de desligar uma da outra, independentemente de tratar-se do campo da política, da cultura ou da religião. Por isso, preferimos ousar a afirmação os “longos séculos XV e XVI” à sentença mais tradicional e limitadora do “longo século XVI”.
Em termos da Europa propriamente dita, trata-se de duzentos anos de redefinição, sem dúvida – basta pensarmos na Reforma protestante ou na presença otomana efetiva em solo europeu –; mas de uma redefinição sempre no sentido das continuidades, isto é, pautada a cada momento por estas. Os dois exemplos acima referidos bastam para demonstrá-lo: nem a Reforma surgiu despegada do que a antecedeu (pensemos, por exemplo, em John Wycliffe, c.1328-1384, João Huss, 1369-1415, ou no próprio movimento da devotio moderna, que, iniciado na segunda metade de Trezentos, tem largas e impactantes repercussões no continente europeu); nem a presença otomana teve início na segunda metade do século XV, mas sim muito antes.
Sobretudo, em sentido lato, é simplista e redutor falar de uma simples e quase automática passagem da Respublica Christiana para uma Europa concebida enquanto cenário emergente das monarquias nacionais e das grandes Casas dinásticas. Nunca tal aconteceu de forma absoluta e muito menos se tratou de um processo maquinal, isto é, nem a Cristandade deixou de existir , apesar dos processos assinalados, nem a concepção de “Europa” surgiu abruptamente do nada. Na verdade, há muito que já se falava dela no sentido de uma realidade emocional, portanto, bem mais palpável do que uma noção meramente geográfica. 
É caso para sublinhar de forma veemente o quanto é pouco operacional o recurso à tradicional noção de corte ou ruptura entre uma Idade Média conotada como um período estático e fechado sobre si mesmo e uma fase seguinte, a Idade Moderna, já inteiramente diversa, tendo pelo meio, qual ponte purificadora, o Renascimento. A interpretação oitocentista de Jacob Burckhardt sobre o Renascimento, e portanto também sobre a época medieval, apesar da sua importância, deixou há muito, como sabemos, de ser funcional. Como assinala Jacques Le Goff, “Esse período de transição, a que a época das Luzes chamaria Dark Ages – o Tempo das Trevas –, foi desde as origens definido pela expressão ‘Idade Média’ — um conceito pejorativo – como um período, se não negativo, pelo menos inferior ao que se lhe seguiu. […] Esta definição cronológica e pejorativa da Idade Média tem sido, de há decénios a esta parte e, principalmente, nos anos mais recentes, atacada pelos dois extremos. […] A oposição Idade Média/Renascimento é contestada em muitos aspectos. […] O passado respinga, sem dúvida, quando pretendemos sujeitá-lo e domá-lo com periodizações. Certas divisões são, contudo, mais destituídas de fundamento que outras para assinalar a mudança. Aquela a que se deu o nome de Renascimento não me parece pertinente. A maioria dos sinais característicos por meio dos quais se tem pretendido reconhecê-la surgiu muito antes da época em que a situamos (séculos XV-XVI).” É, pois, fundamental ter presente a fragilidade e o perigo das grandes classificações e periodizações estanques, como é precisamente o caso da relativa ao mundo medieval versus Renascimento/Idade Moderna. O que se designa tradicionalmente por Renascimento começou bem mais cedo do que se considera; por outro lado, a Idade Média não terminou com a queda de Constantinopla (1453) ou com as viagens pioneiras de Colombo (1492) e de Vasco da Gama (1497-1498). A “continuidade” é, mais do que nunca, um dado irrefutável e operatório para qualquer tentativa sólida de hermenêutica histórica, em particular tratando-se dos campos cultural, religioso e político, na viragem do século XV para o século XVI. Daqui resulta que a mundividência medieval é algo enraizado nesta sociedade de charneira, pelo que é impossível que novas práticas e orientações, quer políticas quer culturais e religiosas, se manifestem sem o peso da herança dos séculos anteriores. É um facto a coexistência de técnicas, ideias, estilos, modelos e gostos. 
Partindo da análise de fontes tipologicamente muito diferentes (cronísticas, documentais, epistolares, iconográficas, entre outras), quer portuguesas quer estrangeiras, é objetivo desta antologia refletir de forma crítica sobre a composição e descrição de paisagens europeias no período em questão. Naturalmente, uma atenção especial é dada à relação entre Portugal e o continente de que faz parte: se por um lado se visa indagar sobre a forma como em Portugal, nos séculos XV e XVI, se projetava o espaço europeu, por outro ambiciona-se identificar a natureza das representações construídas entre Portugal e a Europa. Noutra vertente, buscam-se respostas válidas para questões centrais como o carácter e a constância das relações mantidas com os diversos territórios europeus. 
As representações que suportavam as figurações desenvolvidas denunciavam identidades cada vez mais marcadas, mas também traziam consigo, ainda que na maioria das vezes de forma pouco declarada, evocações de uma consciência relativamente a um espaço e uma herança cultural comuns. Um sentimento precursor (ainda que, como destacámos, em continuidade, pois, os seus fundamentos localizam-se num “longo” tempo anterior), que não se identifica já exclusivamente com o conceito de Cristandade ou com a ideia imperial, mas que respeita à definição de uma “outra” identidade europeia fundada especialmente no contacto com o Turco e com as novidades oriundas dos territórios longínquos recentemente alcançados pelos reinos ibéricos (o Eu-civilizacional literalmente explode e expande-se neste processo proto-globalizador de contacto com o Outro) – processos que têm lugar sobretudo neste binómio de tempo. 
 Já então, ainda que de forma algo incipiente, a diversidade das nações do Velho Continente indiciava uma unidade, que, de forma absolutamente “informal”, transcendia a individualidade de cada uma das partes. A tese de Patrick Geary em relação a uma pseudo-história é aqui pertinente: “Esta pseudo-história começa por partir do princípio de que os povos europeus são unidades sociais e culturais distintas, estáveis e objetivamente identificáveis, e de que se distinguem uns dos outros pela língua, pela religião, pelos costumes e pelo carácter nacional, características estas que são inequívocas e imutáveis. Supostamente, terão sido formados num momento remoto da pré-história ou então o processo de formação étnica aconteceu nalgum momento da Idade Média, tendo terminado, no entanto, para sempre.” Com efeito, e apesar das múltiplas convulsões que os marcaram, os séculos XV e XVI constituem um período de tempo com uma extraordinária coerência própria, expressa precisamente na já referida continuidade dos fenómenos que então tiveram lugar, nomeadamente o facto de o continente ter recebido um quadro de referências civilizacionais, ideológicas e, consequentemente, identitárias (por exemplo, ao nível cartográfico e técnico, de que o nascimento da imprensa é paradigmático), que o tornou claramente distinto dos que com ele coexistiam. E, nas diversas fases deste processo, é indiscutível a relevância do contributo português. 
O percurso da Europa per se, bem como ao nível da relação que foi estabelecendo ao longo dos séculos com as unidades que a compõe, constitui um processo transformador modelar em relação àquela mutação de que Braudel fala quando evoca a história de “amplitude secular” e as “grandes permanências”, ou seja, a “história de longa, e mesmo de muito longa, duração”. Dito de outro modo, o que está aqui em questão não é uma transformação momentânea e, por isso, superficial – relacionada com o tempo breve, do acontecimento, do indivíduo, isto é, a história de curta duração (événementielle). Também não se trata da história de média amplitude, conjuntural, “do ciclo e até do ‘interciclo’ – que oferece à nossa escolha uma dezena de anos, um quarto de século e, em última instância, o meio século do ciclo clássico de Kondratieff”. Trata-se antes de uma mutação ontológica, de movimentos profundos, que revolve os alicerces do quadro mental e, consequentemente, das estruturas do imaginário que, assim, se vê irremediavelmente alterado. Daí ser inútil utilizar balizas cronológicas e periodizações estanques, pois foi no entretanto (bastante flexível) dos duzentos anos aqui em causa que esse processo transformador ganhou novos contornos de uma forma mais clara e objetiva em relação ao passado. 
Se bem que, nos últimos anos, se tenha vindo a aprofundar, sob o ponto de vista documental e historiográfico, o conhecimento das relações entre Portugal e a restante Europa, a verdade é que muito há ainda a fazer no sentido de compreender o carácter e a configuração das concepções e representações portuguesas do continente europeu nos séculos de Quatrocentos e Quinhentos, assim como de identificar e apreender os mecanismos de reconhecimento das realidades do Velho Continente nos círculos cultos do reino português. 
Estes são os objetivos centrais de um conjunto multidisciplinar de estudos, que se propõem aprofundar os diversos intercâmbios desenvolvidos entre Portugal e os diferentes espaços europeus nos séculos XV e XVI. A circulação cultural, os contatos político-diplomáticos, militares e estratégicos, bem como as relações de índole religiosa, comercial e mercantil estarão no centro de uma reflexão que se deseja crítica e ampla. 
De alguma forma todos os textos aqui presentes cruzam-se e inclusivamente tocam-se em diversas problemáticas, ou não tivessem por pano de fundo o mesmo enquadramento temático: Portugal e a Europa nos séculos XV e XVI. Olhares, relações, identidade(s). As mais diversas áreas de atuação humana que marcaram o quotidiano português e europeu nos séculos XV e XVI estão de alguma maneira representadas nesta antologia. 
Fruto do apoio conjugado de duas unidades de investigação sediadas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (o Instituto de Estudos Medievais e o CHAM – Centro de Humanidades), a presente antologia é, pois, composta por quatro partes principais – Alteridades e construções identitárias; Intercâmbios e interculturalidade; Olhares e representações; Fronteiras e europeização –, as quais, no seu conjunto, pretendem responder às questões e aos objetivos em cima apontados. Como se pode inferir, a História cultural e das mentalidades é predominante, sem que isso signifique contudo o apagamento de outros campos, como por exemplo o económico e mercantil. De reter é o quadro conceptual que serve de base à totalidade dos estudos apresentados: paisagem, fronteira, centro/periferia, representação, identidade, alteridade, interculturalidade, comunidade, imaginário, espiritualidade e emoção.

Paulo Catarino Lopes. "Introdução: Portugal e a Europa nos séculos XV e XVI. Duas centúrias de contatos, continuidades e também redefinição", in Portugal e a Europa nos séc. XV e XVI. Lisboa: IEAM - Instituto de Estudos Medievais, 2019.

terça-feira, 13 de maio de 2025

Eu sou Camões

 

 

 #alermaisemelhor  #camões500

 

 



Textos multimodais produzidos na disciplina de Multimedia B, pelos alunos do 12º F, no âmbito da celebração do V Centenário do nascimento de Camões.
 
Camões 500
 

 

segunda-feira, 5 de maio de 2025

Ebooks | Tecnodiversidade

 

 

 #7diascomosmedia #literaciadosmedia  #inteligenciaartificial

 


 

 

CONTRA O DERROTISMO EM FACE DA TECNOLOGIA 

Ronaldo Lemos 

Ler ou não Yuk Hui pode ser comparado à decisão de tomar a pílula azul ou a pílula vermelha no filme Matrix [Lilly e Lana Wachowski, 1999]. Optar por não ler a sua obra é escolher a pílula azul: uma bela prisão cognitiva em que permanecemos no conforto da ignorância, enquanto vemos a tecnologia como uma força monolítica que avança por si só. Adentrar a sua obra, pelo contrário, é tomar a pílula vermelha, que nos leva a um futuro incerto, mas, ao mesmo tempo, libertador dos grilhões que a ideia monolítica de tecnologia nos impõe, permitindo aceder a uma forma mais profunda de realidade, certamente mais dura e difícil, porque eivada de responsabilidades. Por outras palavras, Yuk Hui articula como ninguém uma filosofia da tecnologia libertadora com a essência humanista. Essa visão é especialmente importante no mundo de hoje, sobretudo no Ocidente, onde o nosso pensamento foi capturado por concepções sobre tecnologia que são de uma pobreza e de uma miséria enormes. A aceitação crescente da ideia de “singularidade” como orientadora da nossa relação com a tecnologia é um exemplo disso. Por singularidade entenda-se o momento hipotético em que a tecnologia se torna incontrolável e irreversível, fonte de mudanças imprevisíveis na civilização – aquele momento em que a ficção científica prevê a superação do homem pela máquina, que adquire inteligência e consciência de si. A ideia de singularidade é uma distração. Ela pode ser muito útil para a ficção científica e para criar ótimos filmes, mas, como orientadora de políticas públicas e do pensamento relacionado com a tecnologia, é um conceito miserável. Yuk Hui consegue demolir, pedra por pedra, qualquer vestígio dessa ideia que tomou conta do pensamento ocidental. Ele mostra que o que chamamos “tecnologia” não é um absoluto, um fenómeno único ou universal; diferentes sociedades e comunidades políticas podem ter manifestações completamente distintas dela. Nesse sentido, é muito mais realista trabalhar com o conceito de “multiplicidade” do que de “singularidade”. Afinal, além de preservar um ponto cego no pensamento sobre a tecnologia, essa concepção de singularidade é uma ferramenta política: se a tecnologia é um universal, que forças definem a sua construção e disseminação? Nesse sentido, quem molda a tecnologia como universal assume uma postura de dominação, submetendo o mundo à sua cosmovisão. Yuk Hui mostra como ninguém os limites dessa estratégia. Na conversa que tivemos na Universidade Federal do Rio de Janeiro e no Instituto de Tecnologia e Sociedade em 2019, ele falou sobre quanto seria “confortável” se a tecnologia funcionasse como uma força independente e superior à natureza, como os proponentes da singularidade parecem defender. Seria o mesmo conforto da pílula azul de Matrix.

No entanto, a tecnologia não tem nenhuma capacidade de transcendência sobre a natureza, ela faz parte da natureza e do “cosmos”. Seria uma cegueira infeliz pensar de outra forma. Yuk Hui gosta de citar D.H. Lawrence para exemplificar esse facto: “Quando ouço pessoas reclamarem por estar sozinhas, então sei o que aconteceu. Elas perderam o cosmos”. Da mesma forma que a solidão, a confiança na tecnologia divorciada do humanismo pode ser também uma forma de perda do cosmos. É contra essa interposição da tecnologia entre a humanidade e o cosmos que Yuk Hui se insurge. 

Não surpreende, portanto, que Hui tenha nascido em Hong Kong. Entre os muitos papéis que a China tem desempenhado, alguns são inconspícuos. O país está a tornar-se uma potência de imaginação. Hoje, por exemplo, produz, na minha opinião, a melhor ficção científica do planeta, na voz de autores como Liu Cixin ou autoras como Xia Jia e Hao Jingfang. Isso é importante porque, como dizia Jules Michelet, “cada época sonha com a que virá a seguir, criando-a primeiro em sonhos”. 

Quem sonha melhor é também mais capaz de projetar melhor o futuro. Mais do que o sonho, Yuk Hui traz uma das visões mais originais e poderosas sobre como pensar a tecnologia com base numa perspetiva plural, que inclui tanto o Ocidente quanto o Oriente. No seu livro The Question Concerning Technology in China: An Essay in Cosmotechnics, ele faz um apanhado impressionante de como os pensamentos ocidental e oriental trataram a questão da “tecnologia”, mostrando que o conceito “tecnologia” tal como formulado no Ocidente nem sequer pode ser visto na história do pensamento chinês, evidenciando as falhas de se pensar a tecnologia como um universal. 

Muitos acreditaram que a tecnologia seria capaz de fazer a nossa capacidade de agir coletivamente avançar, levando ao progresso da cultura, da democracia, da política ou do pensamento científico – por outras palavras, à expansão dos valores ocidentais pelo planeta. Mas essa visão otimista, que via a tecnologia como uma força universal e objetiva, não se concretizou. Nos últimos anos, houve uma guinada de perceção sobre o papel da tecnologia, bem detetada como premissa por Yuk Hui. A tecnologia tem vindo a mostrar-se como uma força de atomização, que dissolve o coletivo em individualidades cada vez menores e particulares. Uma força que pode ser capturada por interesses específicos, bem financiados e organizados. O que nos leva à incómoda questão: pode um “universal” ser privatizado? Se sim, certamente não é um universal. Em face dos desdobramentos distópicos recentes da tecnologia, é preciso descartar com urgência essa ideia de universal da tecnologia. 

Para compreender a tecnologia para além desse universal, Yuk Hui invoca a busca por uma nova cosmologia, que permitiria a construção de um olhar “de fora”, que colocasse a técnica no seu devido lugar, ou seja, de apenas mais um entre os elementos da existência. Essa ideia de “cosmotécnica” é libertadora. 

O Ocidente, nesse contexto, continua a orientar sua marcha sob a égide do tecnocentrismo. Autores ocidentais, mesmo sagazes, como Danny Hillis, têm vindo a defender que a tecnologia provoca um ocaso do humanismo e a substituir o Iluminismo (Enlightenment), ambos pelo que Hillis chama de entrelaçamento (Entanglement). Nesse “entrelaçamento” estaria a surgir uma nova técnica que assumiria as vezes da natureza e seria incompreensível para a humanidade. Um exemplo seriam as aplicações de inteligência artificial que funcionariam em modelo de “caixa-preta”, inacessíveis aos seres humanos, deslocando-os para um papel subalterno à técnica nessa nova cosmotécnica miserável.1 

Por outras palavras, enquanto um tecnocentrismo como esse prega uma rendição diante da técnica (tal como no caso da singularidade ou do entrelaçamento), a articulação de Yuk Hui ocorre no sentido oposto, de fuga de qualquer tipo de determinismo. 

Faz sentido. As múltiplas crises provocadas pela tecnologia (das fake news ao aumento da desigualdade) demandam um pensamento novo sobre essa relação. Nas palavras da cientista americana Donella Meadows, a maneira mais eficaz de interferir num sistema é modificar o estado mental ou o paradigma a partir do qual esse sistema – os seus objetivos, poder, estrutura, regras e cultura – surge. Todas as outras estratégias mudanças nos objetivos do sistema, nas regras que se aplicam a ele, na sua estrutura ou na forma como evolui– são menos relevantes. 

Essa subordinação da natureza à técnica lembra o poema de Richard Brautigan de 1967 chamado “All Watched Over by Machines of Loving Grace” [Tudo observado por máquinas de adorável graça], cuja leitura é um alerta de um futuro indesejável à luz desse novo contexto: 

Gosto de pensar (e
quanto antes melhor!)
num prado cibernético
onde mamíferos e computadores
vivem juntos em harmonia
mutuamente programável
como água pura
que toca o céu claro.

Gosto de pensar
(desde logo, por favor!)
numa floresta cibernética
repleta de pinheiros e eletrónicos
onde cervos passam em paz
pelos computadores
como se fossem flores
de desabrochar torcido. 

Gosto de pensar
(assim há de ser!)
numa ecologia cibernética
em que estaremos livres do trabalho
e unidos de novo à natureza,
de volta aos mamíferos
nossos irmãos e irmãs
tudo observado por máquinas de adorável graça.2

 

Sem um paradigma e um novo estado mental que permitam sonhar além da tecnologia, a capitulação torna-se mesmo inevitável. Yuk Hui é o artífice desse novo pensamento. Assim como a lua do escritor Campos de Carvalho,3 hoje o melhor pensamento filosófico sobre tecnologia também vem da Ásia. 

Lemos, Ronaldo. "Apresentação", in Hui, YUK, Tecnodiversidade, UBU, 2020.

RONALDO LEMOS nasceu em 1976 em Araguari, Minas Gerais. Advogado especialista em tecnologia, foi professor da Universidade Columbia, em Nova York, e do Schwarzman College na Universidade de Tsinghua, em Pequim. É cientista-chefe do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro e diretor do Creative Commons Brasil. Participou da formulação do Marco Civil da Internet, lei que regulamenta o uso da Internet no Brasil. É coautor de A vida em rede (Campinas: Papirus, 2015) e autor de Futuros possíveis: Mídia, cultura, sociedade, direitos (Porto Alegre: Sulina, 2012), além de artigos e colaborações para jornais e revistas.

 

Notas: 

1 Pode-se travar a mesma contenda com Yuval Noah Harari. No livro Homo Deus, o autor israelita propugna o fim do humanismo, a ser substituído por imperativos tecnológicos, em linha parecida com as ideias de Hillis. Nesse ponto, creio que o pensamento de Harari seja digno de crítica dada a sua visão empobrecida sobre tecnologia. Ele também age aceitando e anunciando essa derrota do homem pela tecnologia. 2 Richard Brautigan, All Watched Over by Machines of Loving Grace. San Francisco: Communication Company, 1967. 3 Referência ao romance surrealista de Campos de Carvalho, A lua vem da Ásia. Rio de Janeiro: José Olympio, 1956. [N.E.] 

 

sábado, 3 de maio de 2025

Plano de Ação da ONU sobre a Segurança de Jornalistas e a Questão da Impunidade

 

 

 


Com o objetivo de criar um ambiente livre e seguro para jornalistas e profissionais dos media, em 2012, as Nações Unidas desenvolveram, de forma participativa e multissetorial, a primeira estratégia global sistemática para a proteção de jornalistas, que reúne órgãos da ONU, autoridades nacionais, media e organizações da sociedade civil. O Plano de Ação da ONU sobre a Segurança de Jornalistas e a Questão da Impunidade aborda os aspectos fundamentais da prevenção, proteção e repressão.
 
O 10º aniversário do Plano foi um marco para reafirmar, renovar o compromisso e reposicionar os esforços para avançar o Plano da ONU
  • Reafirmar a relevância do Plano de Ação da ONU como modelo de todas as partes envolvidas encarregadas de proteger a segurança dos jornalistas.
  • Reafirmar a vontade política, o propósito e os recursos para promover os objetivos do Plano.
  • Reposicionar-se para aumentar o impacto no local, prevenir ataques, proteger jornalistas em perigo e responsabilizar os responsáveis ​​por ataques contra jornalistas.

O 10º aniversário foi também uma oportunidade para fazer um balanço das principais conquistas da iniciativa durante esta primeira década de implementação, bem como para identificar soluções para os desafios que surgiram ao longo do caminho. Nesse sentido, a UNESCO coordenou um processo consultivo multissetorial, envolvendo consultas regionais e temáticas, para recolher as experiências dos parceiros na promoção da segurança de jornalistas. 


📌Leia os resultados das consultas regionais e temáticas para marcar o 10º aniversário do Plano de Ação da ONU sobre a Segurança de Jornalistas e a Questão da Impunidade.
 

quarta-feira, 23 de abril de 2025

Mitologia | Circe no submundo

 

 

Concurso Clássicos em Rede

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 Gabriela Mariano, aluna de Grego do 12º ano, Turma D, é a autora deste ebook "Circe no submundo".

 Camões 500

Mitologia | O terror de Circe

 

 

Concurso Clássicos em Rede 

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Entre o sonho e a realidade. Teria Circe, a poderosa feiticeira, deixado Eana, a sua terra, e viajado até ao Hades, onde perdeu os seus poderes?

Maya Luna Nhampoca escreveu este "O Terror de Circe", na disciplina de Grego do 12º ano, e apresentou-o a concurso sob a forma de ebook.


Camões 500

Faetonte | O último suspiro

 

 

 Concurso Clássicos em Rede

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Camões, figura tutelar do Concurso Clássicos em Rede - Olimpíadas da Cultura Clássica 2025, a "Conclusão" de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, cujo bicentenário se celebra este ano, e o mito de Faetonte constituem os elementos estruturantes do ebook O último Suspiro, produzido pelos alunos Daniela Santos e Francisco Lisboa.

 Camões 500

Circe | Vingança ao herói destemido

 

 

 Concurso Clássicos em Rede

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A partir do mito de Telelégono e da história de Circe apresentada na Odisseia, o Rafael, a Rita, o Vasco e a Sara produziram este ebook na disciplina de Grego-12º ano, que apresentaram ao concurso Clássicos em Rede - Olimpíadas da Cultura Clássica.

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Olimpo News - Aurora, Deusa do Amanhecer

 

  

Concurso Clássicos em Rede

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Para apresentação ao concurso Clássicos em Rede - Olimpíadas da Cultura Clássica 2025, a Mariana, o João, o Daniel e o David produziram este ebook na disciplina de Grego- 12º ano, sobre o mito de Aurora, constituído por páginas de um jornal - o Olimpo News. 

Camões 500