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quarta-feira, 29 de abril de 2026

Sobre a importância da cultura e das artes no combate à desinformação

 

 

 #literaciadosmedia   #alermaisemelhor







A cultura é frequentemente descrita como uma força "suave", mas em tempos de crise, revela um potencial e uma importância notáveis. Como observou Marju Lauristin, Professora Emérita do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Tartu e Membro da Academia Europeia: "A cultura ajuda-nos a lidar até mesmo com as dificuldades da guerra". Em momentos de profunda tensão social, como os atuais tempos de policrise, a cultura torna-se um espaço onde os valores são esclarecidos, a resiliência é construída e o significado coletivo é sustentado.

Essa compreensão norteou o recente webinar da BECID (Baltic Engagement Centre for Combating Information Disorders): "Como a Arte e a Cultura podem combater a Desinformação", que reuniu 172 participantes de toda a região do Báltico. A expressiva participação refletiu um interesse comum em como a cultura, a arte e os media podem ajudar as sociedades a responder à desinformação e à manipulação e interferência de informações estrangeiras (FIMI).
 
Canções que nos unem

Os exemplos estão por toda parte – os bálticos ainda se lembram e valorizam a Revolução Cantada da década de 1980, que levou à restauração da independência dos três países bálticos ocupados pelos soviéticos. Naquela época, os festivais públicos de música tornaram-se um elemento fundamental da resistência, com dezenas de milhares de participantes cantando canções nacionais e folclóricas "proibidas" em grandes aglomerações, mesclando o renascimento cultural com o protesto político.

Mais recentemente, testemunhamos o poder de uma canção – “Oi u luzi chervona kalyna”, em ucraniano “Ой, у лузі червона калина”. Em fevereiro de 2022, a canção (que também foi proibida durante a ocupação soviética) ganhou atenção internacional quando Andriy Khlyvnyuk, da banda ucraniana BoomBox, a cantou em Kiev, vestindo uniforme de combate e usando um fuzil automático. A canção viralizou nas redes sociais, contando a história do povo ucraniano. A história claramente importava e uniu o público internacional, resultando em inúmeras variações e colaborações da música, notadamente o uso da gravação de Khlyvnyuk pelo Pink Floyd na faixa vocal de “Hey, Hey, Rise Up!”. Além disso, em 28 de junho de 2022, mais de 1.000 cantores de mais de 50 países interpretaram a música naquela que se tornou a maior performance online do mundo, segundo o Guinness 
World Records.
 
 
 
 
 
Por que a cultura é importante

A música sempre desempenhou um papel importante nos movimentos sociais e políticos. Não é apenas um ruído de fundo em manifestações políticas, mas sim um poderoso meio narrativo. A importância da música como ferramenta para transmitir mensagens importantes tem sido reconhecida tanto por estados totalitários quanto por movimentos nacionalistas e pelos direitos civis (Eyerman, 2002). Rosenberg (2013) destaca esse aspeto emocional e, além disso, mnemónico das canções de protesto, afirmando que elas tornam-se “uma trilha sonora cultural e social de memórias e mentes”. As canções também contam histórias. Elas seguem um arco narrativo para ambientar a cena, apresentar personagens e relacionamentos, desenvolver a trama e criar tensão cognitiva (Alberhasky & Durkee, 2024).

Obviamente, não se trata apenas de música, mas de cultura num sentido mais amplo. A cultura pode ser entendida de duas maneiras complementares. A um nível mais amplo, é um sistema dinâmico, aprendido e compartilhado por meio do qual as sociedades criam significado, expressam identidade e coordenam a vida social. A um nível mais específico, a cultura abrange práticas criativas e simbólicas coletivas, como arte, música, teatro e performance, através das quais valores, identidades e visões de mundo são questionados e comunicados. É precisamente esse poder de criação de significado que torna a cultura vulnerável à manipulação e poderosa como ferramenta de resistência.
 
Como a desinformação explora a cultura

Atores de desinformação e de manipulação da informação visam estrategicamente marcadores de identidade cultural, como história nacional, idioma, religião, tradições e patrimônio. Ao manipular esses marcadores, buscam fragmentar sociedades, desestabilizar identidades coletivas e corroer a confiança. Táticas comuns incluem a disseminação de narrativas históricas falsas, a amplificação de queixas culturais e o sequestro de símbolos compartilhados e "códigos culturais" para provocar reações emocionais.

O humor e a familiaridade tornam essas narrativas especialmente eficazes, incorporando mensagens nocivas em formatos que parecem seguros e reconhecíveis.

Em vez de se basear apenas em fatos falsos, a desinformação frequentemente combina elementos emocionais e factuais para reescrever a realidade. Mitos revisionistas, histórias repletas de teorias da conspiração, ameaças culturais fabricadas e representações distorcidas de heróis ou tradições são disseminados em diversos produtos culturais, desde memes e músicas até filmes e tendências nas redes sociais.
 
A cultura como fonte de resiliência

Ao mesmo tempo, a cultura oferece ferramentas poderosas para combater a desinformação. Sociedades resilientes apoiam-se na coesão cultural, em valores compartilhados e em narrativas confiáveis ​​para resistir a ambientes de informação hostis. Através de histórias, rituais e símbolos compartilhados, as comunidades podem restaurar a confiança e fortalecer os laços sociais.

As artes e o setor GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus) desempenham um papel crucial como contadores de histórias confiáveis. A desinformação prospera onde as pessoas se sentem isoladas ou desconectadas de fontes de informação locais credíveis. Em contrapartida, as redes culturais locais – centros comunitários, bibliotecas, iniciativas de base e media locais – podem funcionar como canais vitais para informações confiáveis ​​e envolvimento crítico. Vozes culturais conhecidas aumentam a credibilidade e ajudam a combater narrativas externas manipuladoras.

No nosso webinar, o jornalista lituano da LRT, Tomas Valkauskas, demonstrou como as formas artísticas de expressão podem ser integradas no trabalho jornalístico de combate à desinformação. Ele destacou a narrativa documental na rádio e na televisão como particularmente eficaz e apresentou dois projetos: o programa de rádio “Voz do Protesto”, que explora a música como forma de protesto, e o podcast “Šaltibarščiai”, que utiliza conversas informais com artistas de comunidades minoritárias para desconstruir as narrativas sociais dominantes.

Entre os exemplos da Letônia, tivemos Joren Dobkiewicz, do Instituto de Cultura New East, que mostrou como as práticas artísticas e participativas podem fortalecer o pensamento crítico e a resiliência da comunidade em ambientes com desordem informacional. Utilizando exemplos como performances, exposições e arte participativa, ele demonstrou como a cultura pode encorajar o público a questionar narrativas e reconhecer a manipulação. O monólogo "Homem e o Tirano" serviu como estudo de caso sobre como o teatro pode desafiar a narrativa autoritária e promover a consciência narrativa.
 
 
Cultura nas áreas periféricas

Os exemplos estonianos apresentados no webinar focaram-se no papel do teatro no combate à manipulação da informação. A diretora da Vaba Lava, Krista Tramberg, e uma atriz compartilharam insights da produção “Spy Girls”, que explora a manipulação da informação, as práticas obscuras das redes sociais, o uso de dados e a literacia mediática. Percebeu que não mencionei o nome da atriz na última frase? Por um bom motivo. Como explica o coletivo: “Nunca saberemos os nomes reais das atrizes de Spy Girls. Por quê? Porque esta produção é mais do que apenas uma história sobre operações de ciberativismo em apoio à defesa da Ucrânia, pois participa de uma ação real de espionagem contra as forças armadas russas. Ela passa-se no teatro – e acontece de verdade.”

No webinar, os criadores refletiram sobre as incertezas de criar uma performance que opera na interseção entre teatro, experimentação e ativismo, incluindo um elemento não roteirizado envolvendo contacto em tempo real com soldados russos na linha de frente na Ucrânia. A discussão levantou questões éticas sobre responsabilidade artística, transparência e confiança, ao mesmo tempo que destacou a importância de fortes laços comunitários e confiança institucional, lições extremamente relevantes para o setor GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus) em geral.

A cultura não é mero entretenimento. É um espaço para educação coletiva, reflexão ética e resistência. Quando as soluções técnicas por si só se mostram insuficientes, as práticas culturais podem alcançar as pessoas emocionalmente, fortalecer a confiança social e ajudar as sociedades a manterem-se resilientes diante das adversidades. Tudo isso deve ser levado em consideração ao pensarmos em literacia da informação e dos media – como contamos histórias aos outros e a nós mesmos, qual é o elo que nos mantém unidos?
 
Maria Murumaa-Mengel, Professora Associada de Estudos de Media, Universidade de Tartu e Centro de Engajamento Báltico para o Combate aos Distúrbios da Informação (BECID), Estónia.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Formação para as literacias | Super Searchers

 




Os alunos das turmas 8.º A e 8.º B deslocaram-se à biblioteca, no passado dia 16 de dezembro, para participaram numa sessão de formação integrada no projeto Super Searchers, dedicada ao desenvolvimento de literacias digitais e informacionais essenciais para a navegação segura e crítica no ambiente online.

Ao longo das sessões, os alunos exploraram estratégias para aperfeiçoar competências de pesquisa, avaliar a fiabilidade de conteúdos digitais e compreender os mecanismos que moldam a informação que circula na internet. A formação, orientada pela Professora bibliotecária, Dra Adelaide Jordão, abordou um conjunto de temas fundamentais:

  • Interação critica com informação online, reconhecendo riscos, vieses e manipulações.
  • Verificação de imagens, vídeos e reivindicações, rastreando o contexto e a origem dos conteúdos.
  • Pesquisa de forma eficiente, aplicando técnicas avançadas para obter resultados mais precisos.
  • Exploração e interpretação da página de resultados do Google, compreendendo o funcionamento do motor de pesquisa.
  • Aprofundamento da literacia de informação em quatro passos simples, incluindo parar, pensar e investigar a fonte.
  • Rastreamento de citações, multimédia e cobertura noticiosa, identificando versões mais completas e fiáveis.


A sessão integrou também um módulo dedicado à Inteligência Artificial Generativa, no qual os alunos:

  • Experimentaram ferramentas de IA aplicadas à pesquisa.
  • Aprenderam como a IA generativa produz respostas e que fontes utiliza.
  • Identificaram imagens geradas por IA e avaliaram a sua confiabilidade.
  • Conheceram os cinco aspetos essenciais para começar a usar IA de forma segura e crítica.


Por fim, os participantes exploraram a Pesquisa Segura do Google, aprendendo a gerir configurações, filtrar conteúdos impróprios, bloquear a pesquisa segura em dispositivos e redes, e denunciar materiais inadequados.

Esta iniciativa reforça o compromisso da Biblioteca Escolar em promover literacias digitais, mediáticas e informacionais, capacitando os alunos para uma participação mais consciente, crítica e segura no mundo digital.

Super Searchers é um projeto da Google cuja adaptação para Portugal foi acordada com MiudosSegurosNa.Net para ser implementado através do projeto Agarrados à Net, tendo a Rede de Bibliotecas Escolares sido convidada para ser parceira na implementação da iniciativa.
  

 

domingo, 29 de outubro de 2023

Participação na Semana Global da Literacia dos Media e da Informação: Como fazer um jornal na plataforma TRUE

 


#GlobalMILWeek

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 


No âmbito da Semana Global da Literacia dos Media e da Informação (24 a 31 de outubro de 2023), promovida pela UNESCO, com a temática: “Literacia da informação e dos media em ambientes digitais: uma agenda coletiva global”, a Direção-Geral da Educação, em parceria com o Público na Escola, realizou o Webinar “Como fazer Jornais Escolares na Plataforma TRUE”, no passado dia 27 de outubro, sexta-feira, das 11:00 às 12:00.

Neste Webinar, Bárbara Simões, jornalista e coordenadora do PÚBLICO na Escola, explicou, passo a passo, como criar um jornal escolar na plataforma TRUE: do registo à escolha dos templates e das cores; da escrita à edição e publicação de notícias. O Webinar contou também com a participação do Agrupamento Escolas Sophia de Mello Breyner, de Arcozelo (Vila Nova de Gaia), que deu a conhecer a sua experiência de utilização da Plataforma na dinamização do jornal escolar.

A nossa escola participou nesta iniciativa, com os alunos do 10º H, no âmbito do trabalho articulado da Biblioteca com a disciplina de Português. Na próxima etapa, os alunos desta turma vão produzir um jornal escolar com recurso à plataforma TRUE.
 
 
 

 



 

terça-feira, 24 de outubro de 2023

Torne-se um MIL CLICKer (Pacto MIL CLICKS)


 

#GlobalMILWeek
Semana Global da literacia mediática e informacional (24 a 31 de outubro 2023)






 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Muitas pessoas estão a usar as redes sociais para aceder a informações e media. Isto é especialmente verdade para os jovens que passam muito tempo em diferentes redes. Portanto, as redes sociais podem ser usadas para treinar pessoas, no seu contexto social normal, para serem mais competentes em AMI. As redes sociais também podem fornecer informações convincentes para aumentar a consciencialização sobre a importância da literacia mediática e informacional em todos os níveis da sociedade.

Leia o Pacto MIL CLICKS, preencha o formulário online e comprometa-se a ser um MIL CLICKer.

 

Literacia Mediática e Informacional | Ser um utilizador informado

 



#GlobalMILWeek
Semana Global da literacia mediática e informacional (24 a 31 de outubro 2023)

 

 

Sabe o que é a Literacia Mediática e Informacional? Se consegue usar um serviço de rede social, como Facebook, Twitter, Google+, etc., então já possui algumas habilidades de literacia mediática e informacional. Mas está a usar esse serviço de forma eficaz? Sabe analisar criticamente informações e conteúdos de media online e offline? Seja um utilizador informado!


Junte-se e convide os seus amigos a tornarem-se MIL CLICKers aderindo à inovação de redes sociais MIL CLICKS.

Compartilhe o vídeo MIL CLICKS com os seus amigos. 

 

Participação na Semana Global da literacia mediática e informacional

 

 24 a 31 de outubro de 2023

#GlobalMILWeek

Tema 2023: “Literacia mediática e informacional em espaços digitais ”




 

"Com a propagação de rumores e a distorção dos factos, a fronteira entre o verdadeiro e o falso tornou-se confusa. Isto está a minar os próprios alicerces das nossas sociedades e democracias e a colocar vidas em risco através da propagação de curas falsas, do fomento da conspiração de vacinas teorias, ou a propagação do racismo e do discurso de ódio. Neste dilúvio de informação, precisamos de mais pontos de referência e de pensamento mais racional. E é por isso que a literacia mediática e informacional é uma competência tão fundamental para a educação dos cidadãos do século XXI."
Mensagem de Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, por ocasião da Semana Global de Literacia Mediática e Informacional, 24 a 31 de outubro de 2023

 

 Seguindo as sugestões da UNESCO, a Biblioteca da ES Camilo Castelo Branco vai participar na Semana Global da Literacia Mediática Informacional, utilizando as redes sociais para aumentar a consciencialização sobre a literacia mediática e informacional na sociedade civil.

Para além disso, a Biblioteca vai também promover, em articulação com a professora de Português do 10º H, a  participação dos alunos na videoconferência promovida pela DGE e pelo Público na Escola "Como fazer Jornais Escolares na Plataforma TRUE". Nessa sessão, Bárbara Simões, responsável pelo Público na Escola, vai explicar como se cria um jornal escolar na recém-criada plataforma TRUE.

 

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Literacias cívicas e críticas

 




























Título: Literacias cívicas e críticas: refletir e praticar 
Autoras: Maria José Brites, Inês Amaral & Marisa Torres da Silva 
Editora: CECS - Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade Universidade do Minho Braga. Portugal
ISBN: 978-989-8600-88-2 
Capa: Fotografia: Faizal Sugi | Composição: Pedro Portela 
Formato: eBook, 186 páginas 
Data de Publicação: 2019, novembro




"Este livro reflete preocupações científicas das três editoras da obra. Existe um traço comum, a ligação ao jornalismo e à democracia, e o seu cruzamento com as literacias críticas, impossíveis de considerar sem o crescente interesse científico e social em relação ao discurso do ódio, numa sociedade em que o transmedia storytelling aponta para o imperativo de saber reconhecer, usar e operar as multiplataformas. As literacias críticas vão, pois, além da definição clássica de educação para os média. A literacia crítica dos média, além de contemplar o acesso, análise e produção nos média, inclui igualmente olhares sobre relações de poder.


[O conceito de] literacia crítica mediática tem como objetivo ampliar a noção de literacia para incluir diferentes formas de cultura mediática, tecnologias da informação e comunicação e novos média, assim como aprofundar o potencial da literacia para analisar criticamente as relações entre média e público, informação e poder. Uma abordagem multiperspetiva que aborda questões de género, raça, classe e poder é utilizada para explorar as interligações entre literacia mediática, estudos culturais e pedagogia crítica (Kellner & Share, 2007, p. 59) [1]


Como aponta o título do livro, procuramos trazer uma reflexão diversificada sobre contextos cívicos, incluindo as literacias cívicas e críticas, sem a intenção de exaustividade sobre estas temáticas, tentando trazer para pistas de trabalho futuro. Em paralelo, pretendemos apresentar propostas práticas que educadores de diferentes naturezas, técnicos que trabalham em associações, famílias, ou outros atores sociais possam usar para pensar a educação para os média."

Maria José Brites, Inês Amaral & Marisa Torres da Silva



[1] Kellner, D. & Share, J. (2007). Critical media literacy is not an option. Learn Inq, 1(1), 59-69. https://doi.org/10.1007/s11519-007-0004-2




terça-feira, 10 de abril de 2018

Literacia Informacional e Mediática = TIC?






Para sobreviver e evoluir, para tomar decisões e resolver problemas, em cada faceta da vida pessoal, social, educacional, e profissional, os indivíduos, as comunidades e as nações precisam de informação, acerca de si próprios e do seu ambiente físico e social. Esta informação está disponível por via de três processos: observação e experimentação, conversação (com outras pessoas) e consulta (a instituições de preservação do património). A competência para fazer isto de forma eficaz e eficiente é chamada Literacia Informacional e Mediática.

A Literacia Informacional e Mediática engloba o conhecimento, as atitudes, e o conjunto das capacidades necessárias para saber quando é necessária informação e qual é a informação necessária; onde e como obter essa informação; como avaliá-la criticamente e, uma vez encontrada, como a organizar; e como usar essa informação de forma ética. O conceito vai para além das tecnologias da informação e comunicação, abarcando a aprendizagem, o pensamento crítico e as capacidades interpretativas que cobrem e superam as fronteiras educativas e profissionais. A Literacia Informacional e Mediática inclui todos os tipos de recursos de informação: orais, impressos e digitais. A Literacia Informacional e Mediática é um novo campo emergente dos direitos humanos num mundo cada vez mais digital, interdependente e global, e promove uma maior inclusão social. Ela pode estabelecer a ponte entre a informação rica e a informação pobre. A Literacia Informacional e Mediática fortalece os indivíduos e fornece-lhes o conhecimento das funções dos sistemas de informação e dos média e das condições em que estas funções são desempenhadas. A Literacia Informacional e Mediática está intimamente ligada com a aprendizagem ao longo da vida. A aprendizagem ao longo da vida permite aos indivíduos, às comunidades e às nações atingir as suas metas e tomar partido das oportunidades emergentes no ambiente global envolvente para o benefício partilhado de todos os indivíduos e não apenas de uns poucos. Ela permite-lhes conhecer os seus desafios tecnológicos, económicos e sociais e os das suas instituições e organizações, para compensar as desvantagens, e para promover o bem estar de cada indivíduo. Sob o chapéu do desenvolvimento da sociedade da informação / conhecimento a todos os níveis - local, regional, nacional e internacional, nós instigamos os governos e as organizações intergovernamentais bem como as instituições e as organizações privadas a prosseguir as políticas e os programas que advogam a promoção da Literacia Informacional e Mediática e a Aprendizagem ao Longo da Vida para todos. Ao fazer isso, elas irão fornecer a base vital para atingir as metas da Declaração do Milénio das Nações Unidas e da Cimeira Mundial da Sociedade da Informação.
Em particular, a IFLA recomenda que os governos e as organizações façam o seguinte: 
• Encomendem investigação sobre o estado da Literacia Informacional e Mediática e produzam relatórios, usando os indicadores da Literacia Informacional e Mediática como uma base para que os especialistas, os educadores, e os profissionais fiquem aptos a desenhar iniciativas eficazes; 
• Apoiar o desenvolvimento profissional nas áreas da educação, bibliotecas, informação, arquivo, e saúde e serviços pessoais nos princípios e práticas da Literacia Informacional e Mediática e da Aprendizagem ao Longo da Vida;
• Integrar a educação em Literacia Informacional e Mediática em todos os currículos de aprendizagem ao longo da vida; 
• Reconhecer a Literacia Informacional e Mediática e a Aprendizagem ao Longo da Vida como elementos chave para o desenvolvimento de capacidades genéricas que devem ser demonstradas para a acreditação de todos os programas de educação e formação; 
• Incluir a Literacia Informacional e Mediática no núcleo e naformação contínua de profissionais da informação, educadores, decisores económicos e políticos e administradores, bem como nas práticas dos consultores dos setores de negócios, da indústria e da agricultura; e 
• Implementar programas de Literacia Informacional e Mediática para aumentar as capacidades de empregabilidade e empresariais das mulheres e de grupos desfavorecidos, incluindo migrantes, subempregados e desempregados; 
• Apoiar encontros temáticos que irão facilitar a aquisição de estratégias em Literacia Informacional e Mediática e de Aprendizagem ao Longo da Vida no seio de regiões, setores e grupos populacionais específicos. 


Aprovado pelo Conselho de Administração da IFLA, na sua realização que teve lugar na cidade de Haia na Holanda, no dia 7 de Dezembro de 2011. 

A 37ª Assembleia Geral da UNESCO convidou os Estados Membros a apoiar as Recomendações e a tê-las em consideração durante o planeamento de futuras estratégias, políticas e iniciativas.

Recomendações da IFLA sobre a Literacia Informacional e Mediática Versão Final