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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Coligação Europeia para a Literacia

 

 

#literaciadaleitura #EuropeanLiteracyCoalition

 


 

Reconhecendo a necessidade de uma resposta europeia eficaz ao declínio das competências de leitura e escrita, a Comissão Europeia solicitou a criação de uma Coligação Europeia para a Literacia - uma rede europeia multissetorial que liga organizações que atuam em setores relevantes para que possam trabalhar juntas de forma mais eficaz no fortalecimento da literacia e na promoção da leitura em toda a Europa. O Memorando de Varsóvia sintetiza o entendimento comum que surgiu em resposta a essa solicitação. 

A Europa precisa de ações coordenadas em matéria de literacia, porque esta abre caminho para o conhecimento, a aprendizagem e a participação. A literacia permite que as pessoas:
  • desenvolvam o seu potencial
  • compreendam os outros
  • participem na vida social, cultural e democrática das suas comunidades

No entanto, muitas crianças, jovens e adultos em toda a Europa não possuem as habilidades de literacia necessárias para prosperar na educação, no trabalho, na cultura e na vida cívica.

A dimensão do desafio é significativa. Os resultados do PISA 2025 sobre desempenho educacional e desigualdade mostram que um em cada três jovens de 15 anos na UE não atinge o nível mínimo de proficiência em leitura. Enquanto isso, uma Pesquisa de Competências de Adultos de 2023 mostra que um em cada quatro adultos em idade ativa tem dificuldades com leitura e escrita. O baixo nível de literacia pode reduzir as oportunidades de emprego, piorar os indicadores de saúde, aumentar a vulnerabilidade à desinformação e enfraquecer a participação democrática.

A coligação é uma das ações previstas no Plano de Ação sobre Competências Básicas, adotado em março de 2025 como parte da estratégia da União das Competências. Abrangendo a aprendizagem desde a educação e os cuidados na primeira infância até à idade adulta, o Plano de Ação visa:
  • aprimorar o ensino e a aprendizagem de habilidades básicas
    fortalecer o apoio aos educadores
  • criar ambientes favoráveis ​​nos nos quais as pessoas possam desenvolver habilidades básicas.

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

MIBE 2026 | Bibliotecas, literacia e inteligência artificial

 

 

#MIBE2026 #IASL #MesInternacionalDaBibliotecaEscolar #RBE #Leitura #InteligenciaArtificial


 


 
Outubro convida a ler, imaginar, criar e partilhar na biblioteca escolar!

Num momento em que a tecnologia está a transformar a forma como aprendemos, criamos e compartilhamos conhecimento, o Mês Internacional da Biblioteca Escolar - MIBE/ISLM 2026 convida-te a explorar a alegria de ler, as possibilidades da Inteligência Artificial e a importância da imaginação e da conexão humana.
 
👉Tema 2026:  Bibliotecas, literacia e inteligência artificial
 
Subtemas sugeridos:
 
  • Muitas vozes, uma história
  • As bibliotecas empoderam os inovadores do futuro
  • Ler em conjunto
  • Mentes jovens, impacto global
  • Livros, mensageiros da paz
  • Os livros constroem pontes
  • Os livros ligam-nos: uma celebração global da leitura
  • Para além do conhecido: ler para imaginar
  • Arte contra o ódio
 
Estes subtemas têm como objetivo inspirar-te a ler, pensar, criar, questionar, imaginar e conectar — usando as tuas próprias ideias e voz.

 A Biblioteca da ES Camilo Castelo Branco divulga em breve o plano de atividades que tem preparado para ti, para o mês de outubro.

 

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

O prazer de ler deriva da fluência, da perseverança e do conhecimento

 

 

 #LeituraPorPrazer   #FormaçãoDeLeitores  #leitura  #BibliotecasEscolares

 

 

                                                                                     Foto: Unsplash


Embora a leitura por prazer se tenha tornado inquestionável em educação, os argumentos a seu favor não são tão simples como parecem. Na última década, a retórica em torno deste assunto afastou-se largamente da evidência científica, levando à repetição acrítica de diferentes pressupostos: «as crianças que leem mais têm melhores notas»; «desfrutar da leitura favorece o aproveitamento escolar»; «se os alunos usufruírem dos momentos de leitura, os resultados virão por acréscimo». O problema é que estas afirmações chocam muitas vezes com os resultados dos melhores estudos científicos.

A correlação básica é certamente verdade. As crianças que leem com frequência e de forma abrangente, desfrutando desses momentos, tendem a sair-se melhor na escola, principalmente na interpretação e no domínio do vocabulário. Estudos longitudinais robustos, incluindo as mais recentes análises do PISA, continuam a referi-lo. No entanto, a passagem de correlação para causalidade é muito menos segura. Grande parte do efeito parece funcionar no sentido inverso: leitores mais competentes tendem a gostar mais de ler. É a fluência que gera o prazer, e não o contrário. A ideia de que o gosto pela leitura é o motor do desempenho sempre foi mais um desejo do que algo sustentado em provas.

Na investigação mais recente, destacam-se três padrões importantes:
 
1. O prazer na leitura é frágil


Embora nos agrade pensar que o hábito da leitura é um estado permanente, a tendência dos dados científicos mostra que não é bem assim. O relatório do PISA 2022 registou a queda mais acentuada de sempre no prazer na leitura desde o início dos inquéritos internacionais, com o declínio mais acentuado a ocorrer em sistemas onde a leitura em papel foi substituída pelos tablets. Este padrão não revela apenas que as crianças leem menos; mostra que os mais novos veem a leitura como uma atividade menos gratificante. A transição de uma narrativa contínua para um navegação rápida e multissensorial, sempre em busca da novidade, transforma a leitura numa tarefa lenta e difícil.

Diversos estudos recentes ajudam a explicar porquê. A análise em larga escala que Twenge e os colegas conduziram sobre a utilização dos media pelos jovens mostra que interagir com vídeos curtos se correlaciona com uma menor estabilidade da atenção e um decréscimo do prazer em tarefas prolongadas. A neurociência aplicada aos ambientes de mudança rápida descreve o mesmo mecanismo: uma exposição recorrente a conteúdos curtos e fragmentados eleva o limiar de ativação necessário para a mente se conseguir envolver em processos cognitivos mais lentos. A leitura deixa de ser apelativa porque a mente foi treinada para depender de uma estimulação constante.

Além disso, a noção de «ler por prazer» está culturalmente enviesada. Quando os investigadores se debruçam sobre este assunto, dão quase sempre primazia aos livros de ficção, marginalizando os tipos de textos que muitas crianças — especialmente os rapazes e os grupos minoritários — leem com maior interesse. Qualquer leitura feita em ecrãs, os textos sobre videojogos e o conteúdo de não-ficção raramente são contabilizados, mesmo quando exigem níveis de literacia elevados e divulgam conhecimento real. Esta conceção redutora do «prazer de ler» compromete tanto a investigação como as diretrizes políticas, cristalizando uma ampla diversidade de práticas de leitura num ideal único, com uma carga cultural pesada. Se as unidades de medida estiverem enviesadas, não é de estranhar que o prazer que as crianças dizem sentir pareça frágil.

Neste contexto, qualquer estratégia que prometa «tornar a leitura divertida» soa a vazio. Estas estratégias assumem que os livros têm de estar ao mesmo nível do TikTok ou do YouTube. No entanto, quanto mais se tenta vender a leitura como forma de entretenimento, mais se reforça a sua avaliação como tal. E quando se põe um romance a competir com um feed digital que se atualiza a cada segundo, é natural que o romance saia a perder. O problema de base não está na quantidade de diversão que a leitura pode ou não proporcionar, mas sim em a atenção prolongada estar desgastada. Transformar as bibliotecas em parques temáticos e dar mais autocolantes de bom comportamento às crianças não irá criar o prazer de ler; o prazer depende da capacidade de perseguir uma linha de pensamento extensa.
 
2. A qualidade é mais importante do que a quantidade

Tornou-se comum insistir na ideia de que a solução passa apenas por fazer com que as crianças «leiam mais». Importa ter mais páginas lidas, mais minutos de leitura, mais livros terminados. Contudo, estudos recentes mostram que este objetivo não é suficiente. A verdade é que as crianças que leem mais não acumulam apenas volume, mas também exigência. Estas crianças tendem a escolher textos que exigem um esforço de interpretação superior, com narrativas complexas e uma prosa com uma densidade sintática e conceptual capazes de alargar a sua compreensão. No fundo, escolhem textos que exigem e promovem um maior esforço cognitivo.

Grande parte da investigação que pretende demonstrar a eficácia da «leitura por gosto» assenta num equívoco: o prazer propriamente dito nunca chega a ser medido. Estes estudos utilizam muitas vezes a frequência de leitura, a atitude positiva e a motivação para ler como indicadores fundamentais, extrapolando depois, sem o devido rigor, para o prazer. Isto resulta num conjunto de estudos que discorre com autoridade sobre o prazer de ler, embora raramente o consiga definir ou isolar de forma rigorosa. Esta deriva conceptual reforça o problema fundamental: se nem investigadores nem decisores políticos conseguem especificar o que é o prazer de ler — ou distingui-lo da persistência, da curiosidade ou do hábito —, este não pode, com propriedade, figurar como objetivo curricular.

Em suma, o benefício da leitura advém da complexidade e não do volume. A leitura de prosa mais densa — com uma sintaxe mais desafiante, alguma ambiguidade e várias cadeias de causa-efeito — funciona como um catalisador de reforço mútuo entre vocabulário, conhecimento e compreensão. Já a acumulação de leituras mais simples — banda desenhada ou textos em diálogo — representa um nível de desafio mais baixo e produz resultados residuais. Tal como acontece com a alimentação, a eficácia cognitiva da leitura depende da composição do que se consome: a ausência de contacto com textos difíceis inviabiliza o desenvolvimento da capacidade de os processar.

É por isto que a distinção entre «crianças que leem muito» e «crianças que leem pouco» pode ser enganadora. Há crianças que leem muito, mas que acabam por não progredir na leitura. Evitam sair da zona de conforto e consomem sempre o mesmo tipo de conteúdo. Outras leem com menos frequência, mas dominam textos mais densos e registam ganhos mais notórios. O volume não é irrelevante, mas o teor calórico é a métrica que verdadeiramente importa. Ler «tudo e mais alguma coisa» só é eficaz quando se incluem obras que obriguem as crianças a abrandar e a deter-se sobre textos que exigem tempo e concentração para decifrar ideias que ultrapassam a compreensão imediata.

Em suma, o volume só é útil quando aliado à complexidade. Os bons leitores não se tornam melhores por lerem «o que quer que seja», mas sim por lerem conteúdos que desafiem as suas capacidades.
 
3. A liberdade de escolha reforça assimetrias na ausência de bases sólidas

Embora a autonomia do leitor seja frequentemente vista como um bem universal, os estudos mostram que os seus efeitos dependem de condições específicas. Diversos estudos de intervenção revelam que dar autonomia plena a leitores com dificuldades produz ganhos insignificantes, chegando, nalguns casos, a exacerbar lacunas existentes. O padrão é bastante claro: os leitores mais competentes tendem a escolher livros que estimulam o alargamento do léxico e a perspicácia interpretativa. Já os leitores com mais dificuldades não saem da zona de segurança: escolhem textos com sintaxe previsível, assuntos familiares e exigência cognitiva menor. Em vez de atenuar o fosso de aprendizagem entre os melhores e os piores leitores, a autonomia amplifica uma assimetria que já existe.

As conclusões da OCDE acerca do PISA 2022 confirmam-no claramente: os alunos que reportam uma liberdade de escolha elevada, mas uma proficiência baixa, não revelam qualquer vantagem mensurável no grau de compreensão, ao passo que os alunos com competências de base mais robustas beneficiam com a oportunidade de escolher textos mais exigentes.

Verifica-se o mesmo fenómeno em intervenções em ambiente escolar. Uma avaliação em larga escala de programas de leitura autónoma com base na escolha individual dos alunos revelou que os leitores com mais dificuldades tendiam a preferir obras com um forte pendor visual, coleções que seguem uma fórmula repetitiva ou histórias muito curtas, não revelando progressos na compreensão no final do ano letivo. Em contrapartida, leitores mais fluentes escolheram narrativas mais densas ou textos informativos, evoluindo em função do desafio. Ou seja, a autonomia pressupõe a competência em vez de a construir.

Assim, a liberdade de escolha pode ser prejudicial. Embora possa alargar os horizontes de leitores mais confiantes, demasiada liberdade pode impedir o progresso de leitores menos aptos. Uma escolha sem competência gera estagnação. Para potenciar uma autonomia real, temos de ensinar os alunos a ler suficientemente bem para que possam fazer escolhas exigentes.

No seu conjunto, estas descobertas mostram a necessidade de um debate mais honesto. Ler por prazer é positivo, mas não porque tem o condão de transformar leitores menos aptos em leitores proficientes. Percebemos antes que o prazer é um indicador tardio da fluência: só é possível desfrutar da leitura quando esta deixa de ser um esforço inglório. E para chegar lá, as escolas não têm apenas de criar espaços agradáveis de leitura, oferecer recompensas nem de organizar concursos. Precisam sim de ensinar pacientemente as crianças a ler bem. Só assim os livros se tornarão apelativos.

Esta publicação é uma tradução e adaptação do artigo de David Didau "The myth of teaching children to 'read for pleasure'", disponível aqui.

O mito de ensinar às crianças o “prazer de ler.” (n.d.). Retrieved from https://www.iniciativaeducacao.org/pt/ed-on/artigos/cronicas/o-mito-de-ensinar-as-criancas-o-prazer-de-ler?fbclid=IwY2xjawUvRQ9leHRuA2FlbQIxMQBwZG9mAXNydGMGYXBwX2lkEDIyMjAzOTE3ODgyMDA4OTIAAR6faRrUSNX0CNH-5iTstK83c58ooNN7ABn4yMnkcYz1G9ofzIU




terça-feira, 8 de setembro de 2026

Dia Internacional da Literacia

 

#bibliotecasescolares  #literacias

 


Literacia é muito mais do que saber ler e escrever. É saber compreender, questionar, criar e participar.

Hoje, 8 de setembro, assinala-se o Dia Internacional da Literacia, uma data instituída pela UNESCO para lembrar que a literacia é um direito fundamental e uma condição essencial para a inclusão e a participação na sociedade.

Em 2026, o tema é "Literacia para as pessoas, o planeta e a prosperidade" e pretende que: 
  • seja feito um balanço dos progressos alcançados;
  • se aprofunde a compreensão dos desafios persistentes e emergentes;
  • sejam definidas as futuras agendas de alfabetização num mundo em rápida mudança.

Nas bibliotecas escolares, este trabalho faz-se todos os dias, através da leitura e da escrita, mas também da literacia da informação e dos media, da literacia digital, do pensamento crítico e da cidadania.


quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Prioridades para as bibliotecas escolares 2026-2027

 

#BibliotecasEscolares #RBE #Prioridades20262027 #Leitura #Literacias #LiteraciaInformacional #LiteraciaMediática #Currículo #Educação 




Neste novo ciclo, a ação das bibliotecas escolares organiza-se em torno de um compromisso comum: construir, em cada agrupamento/escola não agrupada, um programa integrado de leitura e literacias, articulado com o currículo, assumido por toda a comunidade educativa e desenvolvido desde a educação pré-escolar ao longo de toda a escolaridade.

 

 

                                                                                            ChatGPT

 
O documento Bibliotecas Escolares - Prioridades 2026-2027, da RBE, destaca:

 👉UM COMPROMISSO CENTRAL - Construir um programa integrado de leitura e de literacias em cada agrupamento/escola não agrupada:

As bibliotecas escolares são chamadas a colaborar ativamente com os órgãos e as estruturas pedagógicas do agrupamento/escola não agrupada na conceção, coordenação e dinamização desse programa, promovendo a articulação entre escolas níveis e ciclos de ensino, apoiando o trabalho pedagógico e mobilizando recursos e parceiros.

  

👉UM PRINCÍPIO TRANSVERSAL - Uma ação centrada nas pessoas:

A ação das bibliotecas escolares deve ter como centro cada criança e cada jovem, reconhecendo os seus direitos, necessidades, experiências e possibilidades de desenvolvimento.

As bibliotecas escolares devem garantir que todos se sintam acolhidos, reconhecidos e capazes de participar, independentemente das suas circunstâncias ou da resposta existente na escola que frequentam.

Os alunos devem ser envolvidos não apenas como destinatários, mas como participantes ativos, com oportunidades para exprimirem as suas perspetivas e contribuírem para as decisões, os projetos e a vida da biblioteca.

Num contexto de crescente mediação tecnológica, importa ainda assegurar que a tecnologia, designadamente a inteligência artificial, permanece ao serviço das pessoas e do bem comum, preservando a autonomia, o pensamento crítico, a criatividade, a responsabilidade, as relações humanas e a dignidade de cada pessoa

 

👉DUAS ÁREAS FUNDAMENTAIS DE INTERVENÇÃO:


1. Leitura, escrita e oralidade

A leitura constitui uma competência matricial, indispensável à aprendizagem, à construção do conhecimento, à fruição cultural e à participação na vida coletiva. Neste processo, o domínio do texto verbal, nas suas formas escrita e oral, ocupa um lugar central, enquanto base da compreensão, da elaboração do pensamento e da comunicação.
Num contexto marcado pela aceleração, pela fragmentação da atenção e pela multiplicação de estímulos, suportes e linguagens, importa garantir tempos, espaços e experiências que favoreçam a leitura regular, continuada e profunda.

As bibliotecas escolares devem contribuir para a formação de leitores autónomos, críticos e envolvidos, promovendo o contacto com textos e obras diversificados, adequados aos diferentes níveis de desenvolvimento, interesses, experiências e necessidades dos alunos.

A leitura deve ser trabalhada em articulação com a escrita e a oralidade, enquanto competências interdependentes de compreensão, expressão, criação e comunicação. Sem desvalorizar a leitura de textos multimodais, importa assegurar uma atenção continuada ao texto verbal e às competências linguísticas e cognitivas necessárias à sua compreensão profunda.

Esta intervenção deve iniciar-se na educação pré-escolar, consolidar-se no 1.º ciclo e desenvolver-se progressivamente ao longo de todo o percurso escolar, atravessando as diferentes áreas disciplinares.

2. Literacia informacional e mediática

A crescente complexidade do ecossistema informacional e mediático exige que os alunos saibam procurar, selecionar, avaliar, interpretar, produzir e comunicar informação de forma crítica, ética e responsável.

A abundância de conteúdos, a desinformação, a ação dos algoritmos, a produção automatizada, a inteligência artificial e a transformação das práticas comunicacionais tornam indispensável uma intervenção educativa sistemática e continuada.

As bibliotecas escolares devem contribuir para que os alunos compreendam o modo como a informação e os media são produzidos, organizados, distribuídos e utilizados, reconheçam interesses, perspetivas e mecanismos de influência e tomem decisões fundamentadas.

Esta área deve ser desenvolvida em contextos curriculares significativos, através de processos de pesquisa, resolução de problemas, criação e comunicação, nos quais os alunos assumam um papel ativo. A intervenção deve ser sistemática e não se limitar a ações avulsas ou ao domínio instrumental das tecnologias.

 

👉TRÊS PILARES DA AÇÃO:


Equidade e corresponsabilização

Nas escolas não agrupadas, a biblioteca deve articular-se com a direção e as estruturas pedagógicas, garantindo que a sua ação abrange todos os alunos e é assumido como responsabilidade comum.

[...]
Um programa institucional comum permite assegurar coerência, continuidade e equidade, evitando que o acesso dos alunos a oportunidades de leitura e de desenvolvimento das literacias dependa da escola que frequentam, do ciclo de ensino, da infraestrutura disponível ou das iniciativas individuais de cada profissional.

Cada resposta deve, por isso, integrar-se numa rede comum e não funcionar como uma unidade isolada.

Integração curricular

A participação das bibliotecas escolares no desenvolvimento do currículo deve traduzir-se numa intervenção planeada, regular e progressiva, articulada com as aprendizagens essenciais, os projetos curriculares e as prioridades educativas do agrupamento.

Importa, assim, colaborar na conceção, concretização e avaliação de programas e sequências de aprendizagem que integrem a leitura e as literacias em situações curriculares.

Deste modo, a biblioteca deve continuar a afirmar-se como parceira pedagógica, contribuindo com curadoria, recursos, conhecimento especializado, metodologias e ambientes de aprendizagem diversificados.

Infraestrutura e qualidade dos serviços

A concretização de um programa integrado de leitura e literacias exige bibliotecas capazes de responder às necessidades educativas, culturais e sociais das comunidades.

Para além do espaço físico, a infraestrutura da biblioteca integra coleções, tecnologias, equipamentos, ambientes digitais e serviços presenciais e em linha, que devem ser acessíveis, flexíveis, inclusivos, atualizados e adequados às diferentes formas de ler, aprender, pesquisar, criar, comunicar e colaborar, acompanhando as mudanças pedagógicas e tecnológicas.

 
Fonte: RBE

Navegando a IA na educação | Guia interdisciplinar para o ensino da literacia em IA

 

 #InteligênciaArtificial #EducaçãoDigital #LiteraciaDeIA #OCDE #ComissãoEuropeia

 

 

Navigating AI in Education: A Cross-Subject Guide for Teachers and Educators é um guia prático lançado pela OCDE em agosto de 2026 para acompanhar a versão final do Quadro de Literacia em IA (AILit), apresentado em junho de 2026 em parceria com a Comissão Europeia. Este Quadro organiza-se em torno de competências essenciais: 

  • Interagir com a IA: Compreender o funcionamento básico e o uso das  ferramentas de IA.
  • Criar com a IA: Explorar o potencial de apoio à aprendizagem e à produção criativa.
  • Gerir a IA: Avaliar riscos, vieses e a responsabilidade no uso tecnológico.
  • Moldar a IA: Capacitar os jovens a participar ativamente e de forma ética no futuro da tecnologia. 

 

Imagem: The AILit Framework

 
O guia parte da premissa central de que a literacia em IA não exige novas aulas ou um curso específico. Em vez disso, pode ser integrada diretamente às disciplinas que os professores já lecionam.
 
O Ensino básico e Secundário são abordados em conjunto. A profundidade e a complexidade do ensino da literacia em IA variam entre faixas etárias. Cabe aos professores adaptar o conteúdo e as questões ao estádio de desenvolvimento e ao conhecimento prévio dos seus alunos. Quando as diferenças de abordagem entre os dois ciclos de estudo são particularmente relevantes, o guia menciona-as.  
 
A literacia em IA desenvolve-se através de uma prática contínua e intencional em diversas disciplinas. Ela não é alcançada através de instrução isolada, mas sim através de um envolvimento repetido, reflexão e aplicação significativa. 
 
São seis, as áreas temáticas exploradas: Língua Portuguesa, Ciências Humanas e Sociais, Matemática, Ciências, Artes e Disciplinas Criativas e Ciência da Computação. Estas áreas apresentam componentes comuns dos currículos do ensino básico e secundário em muitos sistemas educativos. 
 
Por exemplo, a escrita, a leitura e a comunicação são centrais na área da Língua e da Literatura, sendo que as ferramentas de IA estão presentes nesta área. Os assistentes de escrita com IA podem ajudar os alunos a redigir, rever e melhorar os textos, mas também levantam questões sobre a autoria, a voz e a originalidade. A área da Língua e Literatura oferece um ambiente natural para que os alunos se envolvam criticamente com a IA tanto como ferramenta criativa como objeto de investigação: O que significa escrever com IA? Como reconhecer um texto gerado por IA? Quais são as responsabilidades dos escritores ao utilizar a assistência da IA? Estas questões alargam, em vez de substituir, as prioridades curriculares existentes em torno da composição, da compreensão e da literacia da informação. 
 
O guia não é exaustivo, mas as abordagens descritas podem ser facilmente transferidas para outras áreas temáticas que aqui não são tratadas.  
 
As áreas temáticas oferecem pontos de partida distintos e complementares: onde a matemática ilumina a mecânica dos sistemas de IA, as humanidades desenvolvem as estruturas críticas e cívicas para os avaliar, e a educação artística levanta as questões éticas e criativas que as disciplinas técnicas por si só não conseguem responder. 
 
Cada seção temática está organizada em torno de experiências em sala de aula comummente associadas com essa disciplina. Para cada experiência, o guia ilustra a ligação à literacia em IA e fornece um exemplo em sala de aula alinhado com uma competência do Quadro AILit, mostrando como esta ligação se pode concretizar na prática. Termina com um conjunto de Questões-Chave elaboradas para auxiliar os professores na avaliação e no aprofundamento da literacia em IA dos alunos. Essas questões podem servir como pontos de partida para discussões, verificações formativas ou atividades reflexivas ao longo de uma unidade ou aula.  
 
Através da exploração guiada, pedagogia sólida e relações de confiança com os alunos, os professores garantem que a literacia em IA seja mais do que um conjunto de competências técnicas. Torna-se uma base para os alunos navegarem, questionarem e moldarem as tecnologias nas suas vidas. 
 
 
Imagem: The AILit Framework
 
 
Este guia é um ponto de partida, e não um mapa abrangente ou definitivo. Cada área disciplinar, cada turma e cada comunidade oferece os seus próprios pontos de partida e perspetivas sobre a literacia em IA. Os professores mais bem posicionados para identificar e desenvolver estes pontos de partida são aqueles que conhecem os seus alunos, os seus contextos e as suas comunidades. 
 
 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Correção de testes assistida por IA

 

 

#InteligênciaArtificial #EducaçãoDigital #LiteraciaDeIA  #ComissãoEuropeia 

 

 


A correção de testes é uma das tarefas mais exigentes e invisíveis do trabalho docente, sobretudo em turmas numerosas. A correção assistida por inteligência artificial pode ajudar a reduzir trabalho repetitivo, desde que a rubrica continue a ser do professor, os dados dos alunos sejam protegidos e a decisão final permaneça humana. 

O artigo de Jorge Borges, publicado no blogue TIC, Educação e Web, propõe um modelo prudente, alinhado com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados e com o Regulamento Europeu de IA, pensado para escolas portuguesas que querem experimentar sem correr à frente da ética e da lei.

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

Quadro de referência de literacia em IA para o ensino básico e secundário

 


#InteligênciaArtificial #EducaçãoDigital #LiteraciaDeIA #OCDE #ComissãoEuropeia

 

 



  Empoderar os alunos para a era da IA

 
“Integrar a literacia em IA na educação é essencial para equipar os alunos com as habilidades de pensamento crítico necessárias para compreender, interagir e inovar usando tecnologias digitais, preparando-os para contribuir de forma significativa para a sociedade.”
Lidija Kralj - Especialista independente em IA e educação em dados – Croácia

 



A Inteligência Artificial (IA) está cada vez mais integrada no tecido do mundo digital, moldando a forma como as pessoas vivenciam a informação e interagem umas com as outras. Em alguns casos, os utilizadores têm consciência de que interagem com os sistemas de IA nas ferramentas e plataformas que utilizam regularmente. Outras vezes, os sistemas de IA operam invisivelmente para afetar os resultados no mundo real. A sua crescente presença não é neutra nem temporária.

Os sistemas educativos existem para preparar os jovens para a participação na vida cívica, profissional e social. À medida que a prevalência da IA ​​​​cresce nestes domínios, também cresce a importância de apoiar os jovens a navegar pela IA ​​​​no dia a dia e a desenvolver competências para a utilizar de forma ética e criativa.

A literacia em IA, enquanto conjunto de conhecimentos, capacidades e atitudes, capacita os alunos a compreender como funcionam os sistemas de IA, a avaliar criticamente os seus resultados e a utilizá-los de forma ética e criativa. Apoia a tomada de decisões informadas sobre as oportunidades e os riscos que a IA apresenta para si e para os outros. Para concretizar plenamente o potencial da IA, é necessário abordar as principais barreiras à implementação da literacia em IA, incluindo:

• Falta de um entendimento comum sobre o que é a literacia em IA e como ensiná-la.

• Implementação inconsistente de iniciativas estratégicas para desenvolver a literacia em IA nos sistemas educativos.

• Desmistificação do papel da IA ​​no dia-a-dia, incluindo as conceções erradas sobre a própria IA.

• Compreensão insuficiente das adequadas abordagens pedagógicas que utilizam a IA para melhorar e apoiar a aprendizagem.

A literacia em IA é diferente do uso de ferramentas de IA. A literacia em IA parte da compreensão de como funciona a IA e da avaliação crítica do papel da IA ​​no dia-a-dia. Estes conhecimentos podem levar a uma utilização mais criativa, eficaz, inclusiva e ética das ferramentas de IA; no entanto, interagir simplesmente com ferramentas de IA não desenvolve nem depende do conhecimento, das capacidades ou das competências detalhadas nesta estrutura. 

Esta publicação serve de ponto de partida para estabelecer uma linguagem comum para a literacia em IA e demonstra como a literacia em IA pode apoiar o sucesso dos alunos dentro e fora da sala de aula.

A AILit Framework descreve competências e cenários de aprendizagem para orientar materiais didáticos, padrões e iniciativas sistémicas para os alunos do ensino básico e secundário e esclarece como diferentes partes interessadas podem ajudar a alcançar estes resultados (foi desenvolvido para professores, líderes educativos, formuladores de políticas educacionais, designers instrucionais e pais). 

Apresentado em junho de 2026, o AILit Framework é uma iniciativa conjunta da Comissão Europeia (CE) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O seu desenvolvimento conta com o apoio da CodeAI (antiga Code.org) e de renomados especialistas internacionais. A iniciativa contribui para o Domínio da Inovação da Avaliação PISA 2029 e apoia os objetivos da União Europeia de promover uma educação e competências digitais inclusivas e de qualidade.

 

 

Quadro de referência de literacia em IA 

👉Definição de literacia em IA*
A literacia em IA representa o conhecimento técnico, as competências duradouras e
as atitudes preparadas para o futuro necessárias para prosperar num mundo influenciado pela IA. Ela permite que os alunos se envolvam, criem, giram e moldem a IA, ao mesmo tempo que avaliam criticamente os seus benefícios, riscos e implicações éticas.

* Esta definição baseia-se nas definições existentes da Lei da IA ​​da UE (2024), da OCDE (2024) e da UNESCO (Miao & Cukurova, 2024; Miao et al., 2024), entre outras.

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Quando a História entra em campo: Palestra com Lucas Ribeiro

 

 #alermaisemelhor  #literaciadosmedia #BibliotecaCCBvr #ADailyDoseOfFootball #HistoriaEFutebol #CulturaNaEscola #AprendizagemCriativa

 




No passado dia 18 de maio, às 14:15, a biblioteca da nossa escola recebeu uma visita muito especial! O criador de conteúdos e YouTuber Lucas Ribeiro, a mente brilhante por trás do canal "A daily dose of football", trouxe-nos uma perspetiva única com a palestra "A história e o futebol em imagens".

Numa apresentação incrivelmente cativante e apelativa, o Lucas provou que o futebol e a história mundial andam, afinal, de mãos dadas. Através de imagens marcantes, os nossos alunos puderam ver como os grandes acontecimentos e conflitos políticos — como a Guerra das Malvinas — se refletem (ou por vezes se escondem) nos grandes palcos do futebol.

Uma forma profundamente interessante, visual e atual de conhecer a história do mundo através da lente do desporto-rei.



 


Os nossos agradecimentos ao Lucas Ribeiro pela partilha de conhecimento e aos alunos e professores do 10º D e 10º H que participaram nesta viagem fascinante onde a bola e o passado se cruzaram!
 
Atividade promovida pelo professor de História João Freitas, em articulação com a Biblioteca escolar.
 

quinta-feira, 7 de maio de 2026

Rilke - Alunos do 10º H vencem concurso criativo

 

 



Para celebrar o 150.º aniversário do nascimento, em 2025, e o 100.º aniversário da morte, em 2026, do grande poeta alemão Rainer Maria Rilke, o Goethe Institut lançou um concurso criativo, inspirado no poeta, a partir de dois poemas famosos de Rainer Maria Rilke, para os alunos de Alemão.

Os alunos do 10ºH criou uma versão sonora intitulada “Vorbei”, a partir do poema “Herbsttag“, tendo sido os vencedores nessa categoria. 

 

 

 

 HERBSTTAG

Herr: es ist Zeit. Der Sommer war sehr groß.
Leg deinen Schatten auf die Sonnenuhren,
und auf den Fluren laß die Winde los.
Befiehl den letzten Früchten voll zu sein;
gieb ihnen noch zwei südlichere Tage,
dränge sie zur Vollendung hin und jage
die letzte Süße in den schweren Wein.
Wer jetzt kein Haus hat, baut sich keines mehr.
Wer jetzt allein ist, wird es lange bleiben,
wird wachen, lesen, lange Briefe schreiben
und wird in den Alleen hin und her
unruhig wandern, wenn die Blätter treiben.



Guia do concurso

 

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Rilke em 1900, com 24 anos 

 

 

quinta-feira, 30 de abril de 2026

Resultados do 1º Torneio Escolar de Xadrez

 

 
#rededebibliotecasdevilareal #1torneiodexadrezdarbvr #bibliotecaccbvr

 

 

  



 

Como a seu tempo foi anunciado, a Rede de Bibliotecas de Vila Real organizou o 1.º Torneio de Xadrez, no passado dia 28 de abril, que reuniu alunos de todos os ciclos de ensino dos Agrupamentos de Escolas e das Escolas Não Agrupadas. 

O encontro constituiu um momento privilegiado de aprendizagem, desafio intelectual e convivência saudável entre estudantes de diferentes idades e contextos.

A realização deste torneio reforça a aposta das bibliotecas escolares na valorização do xadrez como prática educativa, integrando-o nas suas dinâmicas de literacia, cultura e formação integral dos alunos. Ao promover o xadrez, as bibliotecas estimulam competências essenciais: a concentração, o raciocínio lógico, a tomada de decisões, a gestão emocional e a capacidade de antecipar consequências. São capacidades que se refletem no sucesso escolar, mas também na vida quotidiana.

O xadrez fomenta ainda o respeito pelas regras, o espírito desportivo, a persistência perante a dificuldade e a consciência ética do jogo — valores que as bibliotecas, enquanto espaços de cidadania e conhecimento, procuram cultivar diariamente.


  

Vencedores desta 1ª edição:

 3º ciclo
1º lugar: Ernesto Cardoso (AEMM)
2º lugar: João Fernandes (ESSP)
3º lugar: César Fidalgo (AEMM)


Secundário
1º lugar: Gonçalo Patrício (AEMM)
2º lugar: Tomás Dias (ESCCB)
3º lugar: Diogo Fonseca (ESSP) 


Parabéns a todos os participantes pela dedicação, fair play e entusiasmo demonstrados.


quarta-feira, 29 de abril de 2026

Sobre a importância da cultura e das artes no combate à desinformação

 

 

 #literaciadosmedia   #alermaisemelhor







A cultura é frequentemente descrita como uma força "suave", mas em tempos de crise, revela um potencial e uma importância notáveis. Como observou Marju Lauristin, Professora Emérita do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Tartu e Membro da Academia Europeia: "A cultura ajuda-nos a lidar até mesmo com as dificuldades da guerra". Em momentos de profunda tensão social, como os atuais tempos de policrise, a cultura torna-se um espaço onde os valores são esclarecidos, a resiliência é construída e o significado coletivo é sustentado.

Essa compreensão norteou o recente webinar da BECID (Baltic Engagement Centre for Combating Information Disorders): "Como a Arte e a Cultura podem combater a Desinformação", que reuniu 172 participantes de toda a região do Báltico. A expressiva participação refletiu um interesse comum em como a cultura, a arte e os media podem ajudar as sociedades a responder à desinformação e à manipulação e interferência de informações estrangeiras (FIMI).
 
Canções que nos unem

Os exemplos estão por toda parte – os bálticos ainda se lembram e valorizam a Revolução Cantada da década de 1980, que levou à restauração da independência dos três países bálticos ocupados pelos soviéticos. Naquela época, os festivais públicos de música tornaram-se um elemento fundamental da resistência, com dezenas de milhares de participantes cantando canções nacionais e folclóricas "proibidas" em grandes aglomerações, mesclando o renascimento cultural com o protesto político.

Mais recentemente, testemunhamos o poder de uma canção – “Oi u luzi chervona kalyna”, em ucraniano “Ой, у лузі червона калина”. Em fevereiro de 2022, a canção (que também foi proibida durante a ocupação soviética) ganhou atenção internacional quando Andriy Khlyvnyuk, da banda ucraniana BoomBox, a cantou em Kiev, vestindo uniforme de combate e usando um fuzil automático. A canção viralizou nas redes sociais, contando a história do povo ucraniano. A história claramente importava e uniu o público internacional, resultando em inúmeras variações e colaborações da música, notadamente o uso da gravação de Khlyvnyuk pelo Pink Floyd na faixa vocal de “Hey, Hey, Rise Up!”. Além disso, em 28 de junho de 2022, mais de 1.000 cantores de mais de 50 países interpretaram a música naquela que se tornou a maior performance online do mundo, segundo o Guinness 
World Records.
 
 
 
 
 
Por que a cultura é importante

A música sempre desempenhou um papel importante nos movimentos sociais e políticos. Não é apenas um ruído de fundo em manifestações políticas, mas sim um poderoso meio narrativo. A importância da música como ferramenta para transmitir mensagens importantes tem sido reconhecida tanto por estados totalitários quanto por movimentos nacionalistas e pelos direitos civis (Eyerman, 2002). Rosenberg (2013) destaca esse aspeto emocional e, além disso, mnemónico das canções de protesto, afirmando que elas tornam-se “uma trilha sonora cultural e social de memórias e mentes”. As canções também contam histórias. Elas seguem um arco narrativo para ambientar a cena, apresentar personagens e relacionamentos, desenvolver a trama e criar tensão cognitiva (Alberhasky & Durkee, 2024).

Obviamente, não se trata apenas de música, mas de cultura num sentido mais amplo. A cultura pode ser entendida de duas maneiras complementares. A um nível mais amplo, é um sistema dinâmico, aprendido e compartilhado por meio do qual as sociedades criam significado, expressam identidade e coordenam a vida social. A um nível mais específico, a cultura abrange práticas criativas e simbólicas coletivas, como arte, música, teatro e performance, através das quais valores, identidades e visões de mundo são questionados e comunicados. É precisamente esse poder de criação de significado que torna a cultura vulnerável à manipulação e poderosa como ferramenta de resistência.
 
Como a desinformação explora a cultura

Atores de desinformação e de manipulação da informação visam estrategicamente marcadores de identidade cultural, como história nacional, idioma, religião, tradições e patrimônio. Ao manipular esses marcadores, buscam fragmentar sociedades, desestabilizar identidades coletivas e corroer a confiança. Táticas comuns incluem a disseminação de narrativas históricas falsas, a amplificação de queixas culturais e o sequestro de símbolos compartilhados e "códigos culturais" para provocar reações emocionais.

O humor e a familiaridade tornam essas narrativas especialmente eficazes, incorporando mensagens nocivas em formatos que parecem seguros e reconhecíveis.

Em vez de se basear apenas em fatos falsos, a desinformação frequentemente combina elementos emocionais e factuais para reescrever a realidade. Mitos revisionistas, histórias repletas de teorias da conspiração, ameaças culturais fabricadas e representações distorcidas de heróis ou tradições são disseminados em diversos produtos culturais, desde memes e músicas até filmes e tendências nas redes sociais.
 
A cultura como fonte de resiliência

Ao mesmo tempo, a cultura oferece ferramentas poderosas para combater a desinformação. Sociedades resilientes apoiam-se na coesão cultural, em valores compartilhados e em narrativas confiáveis ​​para resistir a ambientes de informação hostis. Através de histórias, rituais e símbolos compartilhados, as comunidades podem restaurar a confiança e fortalecer os laços sociais.

As artes e o setor GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus) desempenham um papel crucial como contadores de histórias confiáveis. A desinformação prospera onde as pessoas se sentem isoladas ou desconectadas de fontes de informação locais credíveis. Em contrapartida, as redes culturais locais – centros comunitários, bibliotecas, iniciativas de base e media locais – podem funcionar como canais vitais para informações confiáveis ​​e envolvimento crítico. Vozes culturais conhecidas aumentam a credibilidade e ajudam a combater narrativas externas manipuladoras.

No nosso webinar, o jornalista lituano da LRT, Tomas Valkauskas, demonstrou como as formas artísticas de expressão podem ser integradas no trabalho jornalístico de combate à desinformação. Ele destacou a narrativa documental na rádio e na televisão como particularmente eficaz e apresentou dois projetos: o programa de rádio “Voz do Protesto”, que explora a música como forma de protesto, e o podcast “Šaltibarščiai”, que utiliza conversas informais com artistas de comunidades minoritárias para desconstruir as narrativas sociais dominantes.

Entre os exemplos da Letônia, tivemos Joren Dobkiewicz, do Instituto de Cultura New East, que mostrou como as práticas artísticas e participativas podem fortalecer o pensamento crítico e a resiliência da comunidade em ambientes com desordem informacional. Utilizando exemplos como performances, exposições e arte participativa, ele demonstrou como a cultura pode encorajar o público a questionar narrativas e reconhecer a manipulação. O monólogo "Homem e o Tirano" serviu como estudo de caso sobre como o teatro pode desafiar a narrativa autoritária e promover a consciência narrativa.
 
 
Cultura nas áreas periféricas

Os exemplos estonianos apresentados no webinar focaram-se no papel do teatro no combate à manipulação da informação. A diretora da Vaba Lava, Krista Tramberg, e uma atriz compartilharam insights da produção “Spy Girls”, que explora a manipulação da informação, as práticas obscuras das redes sociais, o uso de dados e a literacia mediática. Percebeu que não mencionei o nome da atriz na última frase? Por um bom motivo. Como explica o coletivo: “Nunca saberemos os nomes reais das atrizes de Spy Girls. Por quê? Porque esta produção é mais do que apenas uma história sobre operações de ciberativismo em apoio à defesa da Ucrânia, pois participa de uma ação real de espionagem contra as forças armadas russas. Ela passa-se no teatro – e acontece de verdade.”

No webinar, os criadores refletiram sobre as incertezas de criar uma performance que opera na interseção entre teatro, experimentação e ativismo, incluindo um elemento não roteirizado envolvendo contacto em tempo real com soldados russos na linha de frente na Ucrânia. A discussão levantou questões éticas sobre responsabilidade artística, transparência e confiança, ao mesmo tempo que destacou a importância de fortes laços comunitários e confiança institucional, lições extremamente relevantes para o setor GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus) em geral.

A cultura não é mero entretenimento. É um espaço para educação coletiva, reflexão ética e resistência. Quando as soluções técnicas por si só se mostram insuficientes, as práticas culturais podem alcançar as pessoas emocionalmente, fortalecer a confiança social e ajudar as sociedades a manterem-se resilientes diante das adversidades. Tudo isso deve ser levado em consideração ao pensarmos em literacia da informação e dos media – como contamos histórias aos outros e a nós mesmos, qual é o elo que nos mantém unidos?
 
Maria Murumaa-Mengel, Professora Associada de Estudos de Media, Universidade de Tartu e Centro de Engajamento Báltico para o Combate aos Distúrbios da Informação (BECID), Estónia.

domingo, 26 de abril de 2026

Final do 1º Torneio Escolar de Xadrez

 

 #rededebibliotecasdevilareal #1torneiodexadrezdarbvr #bibliotecaccbvr

 

 



Na próxima 3ª feira, dia 28 de abril, vai realizar-se a final do 1º Torneio Escolar de Xadrez. O evento, organizado pela Rede de Bibliotecas de Vila Real e dinamizado pelas bibliotecas do Agrupamento de Escolas Diogo Cão, Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus, ES Camilo Castelo Branco e ES de São Pedro, decorre das 14:00 às 17:30, nos Claustros do Palácio do Conde de Amarante (antigo Governo Civil).

A 1ª edição tem o apoio do Bila - Clube de Xadrez de Vila Real e do Clube Académico da Araucária.

Na ES Camilo Castelo Branco, a seleção dos alunos esteve a cargo dos professores de Educação Física:

3º Ciclo
Roberto Moura 8º B
Francisco Rito 8º C
Filipe Fortuna 8º C
Guilherme Goulart 8º D 


Secundário
Tomás Dias 10º C
Esther Silva 10º B
Helena Simões 11º B
Carlos Matos 12ºC

Os prémios e diplomas a distribuir pelos participantes e vencedores são oferecidos pelo Município de Vila Real que também assegura a logística do evento.


segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Dia da internet mais segura

 

 #diadainternetmaissegura  #bibliotecaCCBvr

 






No dia 10 de fevereiro de 2026 assinala-se o Dia da Internet Mais Segura, que, à semelhança dos anos anteriores, será comemorado em todos os continentes. Este ano, sob o lema “Tecnologia inteligente, escolhas seguras – Explorando o uso seguro e responsável da IA", destaca a importância de desenvolver competências digitais para navegar com confiança e proteger dados pessoais contra novas ameaças, como deepfakes e a desinformação.

A utilização segura e responsável da Inteligência Artificial exige uma abordagem ética, focada na transparência, na proteção de dados e no respeito pelos direitos fundamentais. Para navegar neste ecossistema de forma prudente, é fundamental adotar uma atitude crítica perante as respostas automáticas, verificar a fiabilidade das fontes e nunca partilhar informações confidenciais em plataformas públicas sem as devidas configurações de privacidade.