No
passado dia 18 de maio, às 14:15, a biblioteca da nossa escola recebeu
uma visita muito especial! O criador de conteúdos e YouTuber Lucas Ribeiro, a mente brilhante por trás do canal "A daily dose of football", trouxe-nos uma perspetiva única com a palestra "A história e o futebol em imagens".
Numa
apresentação incrivelmente cativante e apelativa, o Lucas provou que o
futebol e a história mundial andam, afinal, de mãos dadas. Através de
imagens marcantes, os nossos alunos puderam ver como os grandes
acontecimentos e conflitos políticos — como a Guerra das Malvinas — se
refletem (ou por vezes se escondem) nos grandes palcos do futebol.
Uma forma profundamente interessante, visual e atual de conhecer a história do mundo através da lente do desporto-rei.
Os nossos agradecimentos ao Lucas Ribeiro pela partilha de conhecimento e aos alunos e professores do 10º D e 10º H que participaram nesta viagem fascinante onde a bola e o passado se cruzaram!
Atividade promovida pelo professor de História João Freitas, em articulação com a Biblioteca escolar.
Para celebrar o 150.º aniversário do nascimento, em 2025, e o 100.º aniversário da morte, em 2026, do grande poeta alemão Rainer Maria Rilke, o Goethe Institut lançou um concurso criativo, inspirado no poeta, a partir de dois poemas famosos de Rainer Maria Rilke, para os alunos de Alemão.
Os alunos do 10ºH criou uma versão sonora intitulada “Vorbei”, a partir do poema “Herbsttag“, tendo sido os vencedores nessa categoria.
HERBSTTAG
Herr: es ist Zeit. Der Sommer war sehr groß. Leg deinen Schatten auf die Sonnenuhren, und auf den Fluren laß die Winde los. Befiehl den letzten Früchten voll zu sein; gieb ihnen noch zwei südlichere Tage, dränge sie zur Vollendung hin und jage die letzte Süße in den schweren Wein. Wer jetzt kein Haus hat, baut sich keines mehr. Wer jetzt allein ist, wird es lange bleiben, wird wachen, lesen, lange Briefe schreiben und wird in den Alleen hin und her unruhig wandern, wenn die Blätter treiben.
Como a seu tempo foi anunciado, a Rede de Bibliotecas de Vila Real organizou o 1.ºTorneio de Xadrez, no passado dia 28 de abril, que reuniu alunos de todos os ciclos de ensino dos Agrupamentos de Escolas e das Escolas Não Agrupadas.
O encontro constituiu um momento privilegiado de aprendizagem, desafio intelectual e convivência saudável entre estudantes de diferentes idades e contextos.
A realização deste torneio reforça a aposta das bibliotecas escolares na valorização doxadrez como prática educativa, integrando-o nas suas dinâmicas de literacia, cultura e formação integral dos alunos. Ao promover o xadrez, as bibliotecas estimulam competências essenciais: a concentração, o raciocínio lógico, a tomada de decisões, a gestão emocional e a capacidade de antecipar consequências. São capacidades que se refletem no sucesso escolar, mas também na vida quotidiana.
O xadrez fomenta ainda o respeito pelas regras, o espírito desportivo, a persistência perante a dificuldade e a consciência ética do jogo — valores que as bibliotecas, enquanto espaços de cidadania e conhecimento, procuram cultivar diariamente.
A cultura é frequentemente descrita como uma força "suave", mas em tempos de crise, revela um potencial e uma importância notáveis. Como observou Marju Lauristin, Professora Emérita do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Tartu e Membro da Academia Europeia: "A cultura ajuda-nos a lidar até mesmo com as dificuldades da guerra". Em momentos de profunda tensão social, como os atuais tempos de policrise, a cultura torna-se um espaço onde os valores são esclarecidos, a resiliência é construída e o significado coletivo é sustentado.
Essa compreensão norteou o recente webinarda BECID(Baltic Engagement Centre for Combating Information Disorders): "Como a Arte e a Cultura podem combater a Desinformação", que reuniu 172 participantes de toda a região do Báltico. A expressiva participação refletiu um interesse comum em como a cultura, a arte e os media podem ajudar as sociedades a responder à desinformação e à manipulação e interferência de informações estrangeiras (FIMI).
Canções que nos unem
Os exemplos estão por toda parte – os bálticos ainda se lembram e valorizam a Revolução Cantada da década de 1980, que levou à restauração da independência dos três países bálticos ocupados pelos soviéticos. Naquela época, os festivais públicos de música tornaram-se um elemento fundamental da resistência, com dezenas de milhares de participantes cantando canções nacionais e folclóricas "proibidas" em grandes aglomerações, mesclando o renascimento cultural com o protesto político.
Mais recentemente, testemunhamos o poder de uma canção – “Oi u luzi chervona kalyna”, em ucraniano “Ой, у лузі червона калина”. Em fevereiro de 2022, a canção (que também foi proibida durante a ocupação soviética) ganhou atenção internacional quando Andriy Khlyvnyuk, da banda ucraniana BoomBox, a cantou em Kiev, vestindo uniforme de combate e usando um fuzil automático. A canção viralizou nas redes sociais, contando a história do povo ucraniano. A história claramente importava e uniu o público internacional, resultando em inúmeras variações e colaborações da música, notadamente o uso da gravação de Khlyvnyuk pelo Pink Floyd na faixa vocal de “Hey, Hey, Rise Up!”. Além disso, em 28 de junho de 2022, mais de 1.000 cantores de mais de 50 países interpretaram a música naquela que se tornou a maior performance online do mundo, segundo o Guinness
World Records.
Por que a cultura é importante
A música sempre desempenhou um papel importante nos movimentos sociais e políticos. Não é apenas um ruído de fundo em manifestações políticas, mas sim um poderoso meio narrativo. A importância da música como ferramenta para transmitir mensagens importantes tem sido reconhecida tanto por estados totalitários quanto por movimentos nacionalistas e pelos direitos civis (Eyerman, 2002). Rosenberg (2013) destaca esse aspeto emocional e, além disso, mnemónico das canções de protesto, afirmando que elas tornam-se “uma trilha sonora cultural e social de memórias e mentes”. As canções também contam histórias. Elas seguem um arco narrativo para ambientar a cena, apresentar personagens e relacionamentos, desenvolver a trama e criar tensão cognitiva (Alberhasky & Durkee, 2024).
Obviamente, não se trata apenas de música, mas de cultura num sentido mais amplo. A cultura pode ser entendida de duas maneiras complementares. A um nível mais amplo, é um sistema dinâmico, aprendido e compartilhado por meio do qual as sociedades criam significado, expressam identidade e coordenam a vida social. A um nível mais específico, a cultura abrange práticas criativas e simbólicas coletivas, como arte, música, teatro e performance, através das quais valores, identidades e visões de mundo são questionados e comunicados. É precisamente esse poder de criação de significado que torna a cultura vulnerável à manipulação e poderosa como ferramenta de resistência.
Como a desinformação explora a cultura
Atores de desinformação e de manipulação da informação visam estrategicamente marcadores de identidade cultural, como história nacional, idioma, religião, tradições e patrimônio. Ao manipular esses marcadores, buscam fragmentar sociedades, desestabilizar identidades coletivas e corroer a confiança. Táticas comuns incluem a disseminação de narrativas históricas falsas, a amplificação de queixas culturais e o sequestro de símbolos compartilhados e "códigos culturais" para provocar reações emocionais.
O humor e a familiaridade tornam essas narrativas especialmente eficazes, incorporando mensagens nocivas em formatos que parecem seguros e reconhecíveis.
Em vez de se basear apenas em fatos falsos, a desinformação frequentemente combina elementos emocionais e factuais para reescrever a realidade. Mitos revisionistas, histórias repletas de teorias da conspiração, ameaças culturais fabricadas e representações distorcidas de heróis ou tradições são disseminados em diversos produtos culturais, desde memes e músicas até filmes e tendências nas redes sociais.
A cultura como fonte de resiliência
Ao mesmo tempo, a cultura oferece ferramentas poderosas para combater a desinformação. Sociedades resilientes apoiam-se na coesão cultural, em valores compartilhados e em narrativas confiáveis para resistir a ambientes de informação hostis. Através de histórias, rituais e símbolos compartilhados, as comunidades podem restaurar a confiança e fortalecer os laços sociais.
As artes e o setor GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus) desempenham um papel crucial como contadores de histórias confiáveis. A desinformação prospera onde as pessoas se sentem isoladas ou desconectadas de fontes de informação locais credíveis. Em contrapartida, as redes culturais locais – centros comunitários, bibliotecas, iniciativas de base e media locais – podem funcionar como canais vitais para informações confiáveis e envolvimento crítico. Vozes culturais conhecidas aumentam a credibilidade e ajudam a combater narrativas externas manipuladoras.
No nosso webinar, o jornalista lituano da LRT, Tomas Valkauskas, demonstrou como as formas artísticas de expressão podem ser integradas no trabalho jornalístico de combate à desinformação. Ele destacou a narrativa documental na rádio e na televisão como particularmente eficaz e apresentou dois projetos: o programa de rádio “Voz do Protesto”, que explora a música como forma de protesto, e o podcast “Šaltibarščiai”, que utiliza conversas informais com artistas de comunidades minoritárias para desconstruir as narrativas sociais dominantes.
Entre os exemplos da Letônia, tivemos Joren Dobkiewicz, do Instituto de Cultura New East, que mostrou como as práticas artísticas e participativas podem fortalecer o pensamento crítico e a resiliência da comunidade em ambientes com desordem informacional. Utilizando exemplos como performances, exposições e arte participativa, ele demonstrou como a cultura pode encorajar o público a questionar narrativas e reconhecer a manipulação. O monólogo "Homem e o Tirano" serviu como estudo de caso sobre como o teatro pode desafiar a narrativa autoritária e promover a consciência narrativa.
Cultura nas áreas periféricas
Os exemplos estonianos apresentados no webinar focaram-se no papel do teatro no combate à manipulação da informação. A diretora da Vaba Lava, Krista Tramberg, e uma atriz compartilharam insights da produção “Spy Girls”, que explora a manipulação da informação, as práticas obscuras das redes sociais, o uso de dados e a literacia mediática. Percebeu que não mencionei o nome da atriz na última frase? Por um bom motivo. Como explica o coletivo: “Nunca saberemos os nomes reais das atrizes de Spy Girls. Por quê? Porque esta produção é mais do que apenas uma história sobre operações de ciberativismo em apoio à defesa da Ucrânia, pois participa de uma ação real de espionagem contra as forças armadas russas. Ela passa-se no teatro – e acontece de verdade.”
No webinar, os criadores refletiram sobre as incertezas de criar uma performance que opera na interseção entre teatro, experimentação e ativismo, incluindo um elemento não roteirizado envolvendo contacto em tempo real com soldados russos na linha de frente na Ucrânia. A discussão levantou questões éticas sobre responsabilidade artística, transparência e confiança, ao mesmo tempo que destacou a importância de fortes laços comunitários e confiança institucional, lições extremamente relevantes para o setor GLAM (Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus) em geral.
A cultura não é mero entretenimento. É um espaço para educação coletiva, reflexão ética e resistência. Quando as soluções técnicas por si só se mostram insuficientes, as práticas culturais podem alcançar as pessoas emocionalmente, fortalecer a confiança social e ajudar as sociedades a manterem-se resilientes diante das adversidades. Tudo isso deve ser levado em consideração ao pensarmos em literacia da informação e dos media – como contamos histórias aos outros e a nós mesmos, qual é o elo que nos mantém unidos?
Maria Murumaa-Mengel, Professora Associada de Estudos de Media, Universidade de Tartu e Centro de Engajamento Báltico para o Combate aos Distúrbios da Informação (BECID), Estónia.
Na próxima 3ª feira, dia 28 de abril, vai realizar-se a final do 1º Torneio Escolar de Xadrez. O evento, organizado pela Rede de Bibliotecas de Vila Real e dinamizado pelas bibliotecas do Agrupamento de Escolas Diogo Cão, Agrupamento de Escolas Morgado de Mateus, ES Camilo Castelo Branco e ES de São Pedro, decorre das 14:00 às 17:30, nos Claustros do Palácio do Conde de Amarante (antigo Governo Civil).
A 1ª edição tem o apoio do Bila - Clube de Xadrez de Vila Real e do Clube Académico da Araucária.
Na ES Camilo Castelo Branco, a seleção dos alunos esteve a cargo dos professores de Educação Física:
3º Ciclo Roberto Moura 8º B Francisco Rito 8º C Filipe Fortuna 8º C Guilherme Goulart 8º D
Secundário Tomás Dias 10º C Esther Silva 10º B Helena Simões 11º B Carlos Matos 12ºC
Os prémios e diplomas a distribuir pelos participantes e vencedores são oferecidos pelo Município de Vila Real que também assegura a logística do evento.
No dia 10 de fevereiro de 2026 assinala-se o Dia da Internet Mais Segura, que, à semelhança dos anos anteriores, será comemorado em todos os continentes. Este ano, sob o lema “Tecnologia inteligente, escolhas seguras – Explorando o uso seguro e responsável da IA",destaca a importância de desenvolver competências digitais para navegar com confiança e proteger dados pessoais contra novas ameaças, como deepfakes e a desinformação.
A utilização segura e responsável da Inteligência Artificial exige uma abordagem ética, focada na transparência, na proteção de dados e no respeito pelos direitos fundamentais. Para navegar neste ecossistema de forma prudente, é fundamental adotar uma atitude crítica perante as respostas automáticas, verificar a fiabilidade das fontes e nunca partilhar informações confidenciais em plataformas públicas sem as devidas configurações de privacidade.
Em fevereiro de 2025, a BBC publicou um inquérito¹ - News Integrity in AI Assistants: An International PSM Study -examinando o modo como quatro assistentes de IA amplamente utilizados – ChatGPT da OpenAI, Copilot da Microsoft,Gemini da Google e Perplexity – respondiam a questões sobre notícias. O estudo encontrou problemas significativos em mais de 50% das respostas, incluindo o facto de os assistentes distorcerem frequentemente o conteúdo da BBC quando esta era utilizada como fonte.
Desde então, a investigação tem confirmado o papel crescente que os assistentes de IA desempenham no consumo de notícias digitais – cerca de 7% das pessoas utilizam agora os assistentes de IA como fonte de notícias, atingindo até 15% dos menores de 25 anos². Isto sublinha a importância de os assistentes prestarem às pessoas informações precisas e fiáveis ao responderem a perguntas sobre notícias.
Após a publicação do relatório da BBC, a estação fez uma parceria com a União Europeia de Radiodifusão (UER) para uma segunda fase de investigação. Este projeto incluiu 22 organizações de comunicação social de serviço público (MSP), representando 18 países e 14 línguas. O seu objetivo era avaliar a qualidade das respostas dos assistentes em diferentes nações, línguas e organizações, descobrir se os problemas identificados na primeira ronda de pesquisa são sistémicos e reunir um conjunto abrangente de exemplos que ilustram os tipos de problemas que ocorrem quando os assistentes de IA respondem a perguntas relacionadas com notícias.
Juntamente com este relatório, estamos a lançar um “News Integrity in AI Assistants Toolkit”, desenvolvido para ajudar a criar soluções para os problemas destacados no relatório. Isto inclui melhorar as respostas dos assistentes de IA e a literacia mediática entre os utilizadores.
Este Kit de Ferramentas é um recurso complementar ao relatório da BBC/EBU News Integrity in AI Assistants: An International PSM Study (Estudo Internacional de Media de Serviço Público), que avalia como os assistentes de IA respondem a perguntas sobre notícias. Em junho-julho de 2025, participantes da pesquisa de 22 organizações de Media de Serviço Público (MSP) analisaram e avaliaram mais de 3.000 respostas de assistentes de IA a perguntas relacionadas com notícias, identificando centenas de exemplos do modo como os assistentes erram.
Este Kit de Ferramentas, que pretende ser um recurso autossuficiente e em constante evolução, foi desenvolvido pela BBC/EBU para ajudar a abordar duas questões-chave levantadas pelas descobertas da pesquisa: “O que torna uma boa resposta de um assistente de IA a uma pergunta sobre notícias?” e “Quais são os problemas que precisam de ser corrigidos?”
O Toolkit apresenta:
Critérios para uma boa resposta: precisão, contexto, distinção entre factos e opiniões, e fontes confiáveis.
Uma taxonomia de erros: citações inventadas, falta de contexto, informações desatualizadas ou fontes pouco fiáveis.
Ferramentas para análise e melhoria, apoiando literacia mediática e algorítmica.
Durante o mês de outubro, a biblioteca vai dinamizar sessões de formação com alunos do 3º Ciclo, com o objetivo de promover areflexão sobre a escrita literária e a escrita gerada por IA.
Esta será também uma oportunidade de aplicar uma das sugestões de atividadesAcBEsugeridas pela RBE no âmbito do MIBE 2025:A IA também pode ser escritora?
Outubro é o Mês Internacional da Biblioteca Escolar (MIBE), uma celebração anual das bibliotecas escolares em todo o mundo, uma oportunidade para darmos a conhecer o trabalho que desenvolvemos e mostrarmos que não somos apenas um serviço, mas um centro nevrálgico vital nas escolas.
A Biblioteca é o coração da escola — um espaço onde o saber se partilha, a curiosidade floresce e o bem-estar se constrói em comunidade.
Para celebrar esta efeméride, a biblioteca da ES Camilo Castelo Branco preparou um conjunto de atividades que iremos divulgar ao longo do mês.
Celebre o MIBE connosco. Visite a Biblioteca e agende uma aula com os seus alunos!
LIDERA – Ler Informação Diária para Escolher, Refletir e Agir é um ciclo de oficinas que vai decorrer, ao longo de um ano, em bibliotecas escolares, do ensino superior e municipais.
Objetivo do projeto
Promover competências de leitura crítica e de avaliação de conteúdos informativos, reforçando a literacia mediática e digital, a cidadania informada e a resistência à desinformação.
Como funciona
Capacitação de mediadores (professores bibliotecários, bibliotecários do ensino superior e municipais);
Dinamização de sessões com alunos do ensino secundário, do ensino superior e utilizadores de bibliotecas municipais;
Reflexão crítica, verificação de factos, análise de fontes, debate e criação de conteúdos informativos responsáveis.
Parceiros
• Cátedra UNESCO em Comunicação, Literacia Mediática e Cidadania (ESCS-IPL) • Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC) • Rede de Bibliotecas Escolares (RBE)
Quatro em 10 portugueses entre os 25 e 64 anos só conseguem compreender textos simples e curtos, segundo um relatório divulgado hoje [9 de setembro] que mostra Portugal entre os países com níveis mais baixos de proficiência em literacia.
É preciso chegar quase ao final da tabela publicada no relatório "Education at a Glance 2025", divulgado hoje pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), para encontrar Portugal.
Segundo entre 30 países com o nível mais baixo de proficiência em literacia, 46% dos portugueses com idades entre os 25 e 64 anos tem muita dificuldade em interpretar textos e só consegue compreender textos muito curtos e com o mínimo de informação irrelevante.
A conclusão resulta do inquérito às competências dos adultos, conduzido no âmbito do Programa para a Avaliação Internacional de Competências de Adultos (PIAAC, na sigla em inglês) da OCDE.
Com cinco níveis de proficiência, que variam entre a capacidade de identificar informação em textos curtos (nível 1) e de sintetizar e avaliar criticamente informações complexas (nível 5), perto de metade dos portugueses ficou no nível 1 ou abaixo, com uma percentagem muito superior à média da OCDE (27%).
Atrás de Portugal, ficou apenas o Chile, onde 57% dos inquiridos também não foram além do nível 1.
[...]
A análise feita a estes resultados no âmbito do Education at a Glance 2025 revela ainda que o nível de escolaridade e as competências estão intimamente ligadas.
Em Portugal, por exemplo, os adultos com ensino superior demonstraram maior facilidade na compreensão e análise de textos, conseguindo, em média, obter mais 36 pontos do que aqueles que têm apenas o secundário e perto de 70 pontos acima dos inquiridos sem o 12.º ano concluído.
Acostumamo-nos à tecnologia digital. Ela está ao nosso redor e permeou praticamente todos os aspetos das nossas vidas. Em muitos aspetos, isso é positivo – expandiu o nosso acesso ao conhecimento, ampliou os nossos horizontes e colocou uma infinidade de possibilidades ao nosso alcance.
Mas isso não significa necessariamente que devamos abandonar as tecnologias mais tradicionais e mergulhar de cabeça neste mundo digital. Há dezesseis anos atrás, foi isso que o Ministério da Educação e Pesquisa da Suécia fez. Mais de uma década depois, o país escandinavo viu-se a gastar mais de 100 milhões de euros para reverter esse passo revolucionário.
Transformação digital na educação da Suécia
2009 foi um grande ano para a tecnologia digital. Os primeiros smartphones com ecrãn sensível ao toque tinham sido lançados há alguns anos, mas esses dispositivos realmente começaram a chamar a atenção do público em 2009.
O revolucionário videojogo Minecraft também foi lançado naquele ano, tornando-se o jogo mais vendido de todos os tempos, e o primeiro bloco foi adicionado à blockchain do Bitcoin. Enquanto isso, o WikiLeaks aparecia com frequência nas manchetes por sua transmissão digital de documentos vazados.
Nesse contexto, é fácil entender por que o Ministério da Educação e Pesquisa da Suécia estava tão entusiasmado. O mundo estava mudando e os jovens precisavam de habilidades e capacidades que os ajudassem a capitalizar novas oportunidades.
Então, uma decisão foi tomada: os livros didáticos tradicionais seriam eliminados gradualmente, sendo substituídos por computadores e tablets. Os alunos não aprenderiam apenas a usar esses dispositivos, mas também aprenderiam quase exclusivamente por meio de mídias digitais.
Começam os problemas
Os problemas com a nova abordagem da Suécia não se manifestaram a princípio. Demorou vários anos para que surgissem. Mas, quando surgiram, ficou claro que o governo sueco havia se precipitado demais com suas mudanças radicais.
Em primeiro lugar, ler exclusivamente em uma tela digital, em vez de um livro impresso, pode causar sérios problemas de saúde. Os olhos ficam cansados e a luz azul emitida pela tela pode causar problemas de sono e descanso, dois aspectos frequentemente negligenciados da aprendizagem eficaz.
Crédito da foto: Lieselotte van der Meijs
Conhecimento, compreensão e retenção também foram questionados. Embora a tecnologia digital seja, sem dúvida, adequada à aprendizagem interativa e à resolução de problemas, isso é apenas parte do cenário educacional moderno.
Surgiram preocupações de que os alunos não conseguiam aprender alguns aspectos do currículo com a mesma eficácia de antes.
Depois, havia a questão do vício em telas. Grande parte de nossas vidas agora é governada por dispositivos digitais, o que torna difícil encontrar algum descanso. Ao se voltar completamente para esses dispositivos, a Suécia correu o risco de alimentar a obsessão por telas, potencialmente reduzindo a capacidade de atenção e prejudicando as habilidades sociais. Uma solução cara
A Suécia não ignorou os potenciais danos de uma revolução digital total – depois de algum tempo, começou a se dar conta dos potenciais problemas. De 2022 a 2025, o governo sueco decidiu reverter suas políticas, ou pelo menos algumas delas. Começou a reintroduzir livros didáticos em papel nas salas de aula suecas.
Isso não significou a eliminação total dos dispositivos digitais; em vez disso, significou restabelecer o equilíbrio. Políticos e educadores trabalharam juntos para entender onde os dispositivos digitais poderiam oferecer uma ajuda significativa e onde os livros didáticos em papel seriam mais adequados para uma aprendizagem bem-sucedida.
Claro, nada disso foi de graça. O governo sueco gastou mais de 1,13 bilhão de coroas suecas (cerca de US$ 120 milhões) para trazer os livros de volta às salas de aula. Isso foi parcialmente responsável por um aumento de 5.000 coroas suecas (US$ 514) nos custos da educação por aluno em 2022. Embora os custos não tenham prejudicado exatamente a economia sueca, eles representaram uma reversão dispendiosa da política anterior.
Uma abordagem equilibrada à educação
A questão é que o Ministério da Educação e Pesquisa da Suécia não estava errado. É importante que os alunos adquiram habilidades de literacia digital e se tornem proficientes no uso de uma ampla gama de dispositivos. Também é verdade que as ferramentas digitais podem ser extremamente benéficas na sala de aula, introduzindo novos conceitos de aprendizagem e ajudando os educadores a encontrar novas maneiras de transmissão do conhecimento.
Crédito da foto: Maskot/Folio/Megabank.sweden.se
O problema é que eles foram longe demais, rápido demais. Educação é sinónimo de equilíbrio e abordagens ponderadas. Fazer mudanças radicais e eliminar recursos como livros didáticos em papel e materiais tradicionais não é a melhor maneira de promover mudanças significativas. Em vez disso, novos conceitos de aprendizagem podem funcionar em conjunto com processos já consolidados, alcançando resultados notáveis em sala de aula.
O governo sueco, para seu crédito, aprendeu essa lição valiosa. Infelizmente, levou quinze anos e mais de cem milhões de dólares para consertar o problema.
A capacidade de trabalhar com tecnologias digitais críticas molda as nossas vidas – na educação, no trabalho, no lazer e no compromisso cívico.
O ensino de competências digitais não diz respeito apenas ao know-how técnico. Inclui a promoção do pensamento crítico, da criatividade e da resiliência para ser bem sucedido num cenário digital em rápida evolução. Estas competências são elementos centrais para preparar crianças e jovens para ter sucesso na sociedade moderna e moldar um futuro digital mais equitativo.
As habilidades digitais são muito mais do que proficiência técnica. Eles formam a base para a aprendizagem ao longo da vida, a prontidão da força de trabalho e a participação ativa na sociedade. Desde a avaliação crítica de informações on-line até à colaboração eficaz em espaços digitais, essas habilidades capacitam as pessoas a adaptarem-se aos avanços tecnológicos e contribuírem significativamente para as suas comunidades à medida que se transformam.
As competências digitais são particularmente importantes para as crianças e os jovens. As tecnologias digitais podem oferecer oportunidades de aprendizagem, socialização e autoexpressão, mas essas mesmas tecnologias também podem expô-las a riscos como o ciberassédio, a desinformação e a exclusão digital.
O desafio está em ensinar os jovens não apenas a usar a tecnologia, mas também a envolverem-se com ela de forma crítica, criativa e responsável. A educação digital eficaz deve ir além da simples introdução de tecnologia nas salas de aula. Requer a compreensão dos diversos contextos em que os alunos usam a tecnologia e a adaptação das abordagens educacionais para atender às suas necessidades.
Lições da pesquisa: o que funciona no ensino de habilidades digitais
A pesquisa, incluindo as descobertas do projeto DigiGen, oferece informações valiosas sobre como podemos ensinar habilidades digitais de forma mais eficaz.
1. Priorize a inclusão
O acesso à tecnologia é desigual e a origem socioeconómica desempenha um papel significativo. Escolas e educadores devem preencher ativamente essa divisão, fornecendo a todos os alunos acesso igual a dispositivos, conetividade com a Internet e suporte. Sem inclusão, a exclusão digital pode exacerbar ainda mais as desigualdades sociais.
2. O contexto é importante
O desenvolvimento de competências digitais é influenciado pelos ambientes dos alunos (rural ou urbano, favorecidos ou desfavorecidos). As estratégias de ensino devem ser adaptáveis a diversos contextos – uma abordagem única não pode atender a todas essas necessidades variadas.
3. Vá além da proficiência técnica
Ensinar os alunos a usar software ou dispositivos é apenas o começo. A literacia digital crítica deve incluir a avaliação da credibilidade do conteúdo online, a compreensão dos riscos online e a navegação pelas dimensões éticas da tecnologia. Essas habilidades são essenciais para combater a desinformação e promover um cenário digital mais seguro.
4. Capacite os professores
Os professores são fundamentais para promover as habilidades digitais, mas muitos sentem-se despreparados para integrar a tecnologia de forma eficaz em seu ensino. Os programas de desenvolvimento profissional devem equipar os educadores com conhecimentos técnicos e estratégias pedagógicas para criar ambientes de aprendizagem digital inclusivos. As escolas também devem garantir que os professores se sintam apoiados para atender às necessidades de alunos sub-representados ou desfavorecidos.
Ao longo do presente ano letivo, a Biblioteca Escolar reforçou o seu compromisso com a promoção da literacia financeira, desenvolvendo um conjunto de ações formativas que visam dotar os alunos de competências fundamentais para uma gestão consciente e responsável dos seus recursos financeiros.
Pelo terceiro ano consecutivo, e em parceria com o Banco de Portugal, a Biblioteca dinamizou 19 sessões de formação em literacia financeira, envolvendo 344 alunos dos 7.º ao 11.º anos e 10 professores. Esta iniciativa insere-se numa estratégia educativa que reconhece a importância da formação financeira desde cedo, como base para uma cidadania ativa, informada e responsável.
Destaca-se a participação integral dos alunos do 10.º ano, possível graças a um trabalho articulado entre os professores do grupo setorial de Filosofia e a Biblioteca Escolar, demonstrando como a colaboração pode potenciar o impacto e o alcance destas ações.
A aposta contínua na literacia financeira constitui um contributo decisivo para preparar os jovens para os desafios do mundo atual, promovendo a autonomia, o pensamento crítico e a capacidade de tomar decisões conscientes no âmbito económico e social.
📌A biblioteca em números:
TOTAL DE SESSÕES: 19 TOTAL DE TURMAS: 16 TOTAL DE ALUNOS: 344 TOTAL DE PROFESSORES: 10 Professores TOTAL DE HORAS DE FORMAÇÃO: (1500 min) 30h
O artigo do "Fórum Económico Mundial" defende que compreender a IA deixou de ser um tema apenas tecnológico: é agora uma competência básica de cidadania, trabalho e pensamento crítico.
À medida que as ferramentas de IA generativa se tornam omnipresentes nas escolas, locais de trabalho e na vida digital diária, é crucial incutir o uso responsável desde cedo. Os alunos não estão apenas a usar a IA, eles estão a experimentar, muitas vezes sem orientação formal sobre as suas limitações e riscos.
O relatório do Fórum, Shaping Learning: The Role of AI in Education, reforça essa tendência. Observa que os sistemas educacionais devem ir além da literacia digital e adotar a literacia em IA como prioridade educacional central. Isso inclui equipar os alunos com habilidades de pensamento crítico para avaliar resultados, criatividade para colaborar com a IA de forma significativa e a base ética para questionar seu papel na sociedade.
As bibliotecas escolares têm um papel central neste desafio, promovendo o debate informado, a compreensão dos sistemas algorítmicos e a reflexão ética sobre o impacto da IA nas nossas vidas. Ao longo deste ano letivo, a biblioteca da Camilo promoveu sessões de (in)formação sobre inteligência artificial, que incluíram algumas atividades sugeridas pela Rede de Bibliotecas (AcBE).
Formar leitores críticos é, hoje, também formar cidadãos preparados para o mundo da IA.
A EU Fact Checker Networké uma rede europeia que reúne organizações, investigadores, educadores, criativos e jornalistas com o objetivo de reforçar a resiliência democrática e promover a cidadania ativa. Trabalha para combater a desinformação, melhorar a verificação de factos e envolver os jovens e os profissionais dos meios de comunicação social como principais agentes de mudança.
Através da colaboração transfronteiriça e de ferramentas inovadoras, pretende construir uma Europa mais informada, onde o pensamento crítico, o jornalismo responsável e o acesso à informação transparente sirvam como pilares fundamentais da democracia.
Com uma rede dinâmica e multidisciplinar, quer sensibilizar, educar e inspirar, contribuindo para a criação de comunidades mais fortes e promovendo uma participação cívica cada vez mais inclusiva e informada.
Vídeo produzido por Henrique Ribeiro, Margarida João, Maria Colaço, Carolina Coelho, alunos de Grego - 12º ano, Turma D, no âmbito da participação no concurso Clássicos em Rede - Olimpíadas da Cultura Clássica 2025.
Nove jornais, duas rádios e uma televisão de 12 agrupamentos de escolas de norte a sul de Portugal continental, ilhas dos Açores e da Madeira. Eis os protagonistas deste documentário, que ouviu, entre maio de 2023 e junho de 2024, dezenas de alunos e professores envolvidos na dinamização de meios de comunicação escolares.
Media Escolares - Vozes em Ação é o resultado de uma das cinco tarefas do projeto de investigação "bYou - Estudo das vivências e expressões de crianças e jovens sobre os media", financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia (PTDC/COM-OUT/3004/2020), e ainda em curso no Centro de Estudos de Comunicação e Sociedade da Universidade do Minho.
Os alunos do 7º B estiveram na Biblioteca esta manhã, das 12:20 às 13:10, para participarem numa sessão de (in)formação sobre Cidadania Digital, orientada pela professora coordenadora da Biblioteca.
Sob o tema "Sabes usar a informação da Internet nas tuas produções?", refletiu-se sobre os direitos e responsabilidades no uso da informação online. Este tipo de iniciativa destaca o papel fundamental das bibliotecas escolares no desenvolvimento da cidadania digital, promovendo o pensamento crítico, o uso ético da informação e a responsabilidade no ambiente digital.
A Biblioteca afirma-se, assim, como um espaço essencial de aprendizagem e formação para uma participação consciente e informada na sociedade digital.
“Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual” (Constituição da República Portuguesa, Princípio da Igualdade, artigo 13º).
Os alunos do 8º A estiveram na Biblioteca, esta tarde, das 16:20 às 17:10, para participarem numa sessão de (in)formação sobre Cidadania Digital, orientada pela professora coordenadora da Biblioteca.
Sob o tema "Sabes usar a informação da Internet nas tuas produções?",
refletiu-se sobre os direitos e responsabilidades no uso da informação
online, nomeadamente sobre:
o direito ao copyright (propriedade e autoria de conteúdos, licenças, normas de referenciação, utilização de imagens da internet; plataformas gratuitas de imagens, música e vídeos);
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