sábado, 30 de julho de 2022

RBE | Plano de Ação 2021-2022


 







  • De acordo com o Quadro Estratégico da RBE, “uma operacionalização detalhada dos propósitos e linhas de ação definidos [no] Quadro Estratégico será levada a efeito anualmente, através da definição de prioridades e da elaboração de um plano de ação.”

  • Em setembro de 2021, foi elaborado o Plano de ação 2021-2022 que definiu medidas e ações a implementar ao longo do ano letivo.

  • Em julho de 2022, a RBE apresenta o respetivo relatório de execução e uma síntese das ações concretizadas:





quinta-feira, 28 de julho de 2022

Bibliotecas Escolares: o coração da aprendizagem do século XXI

 









Bibliotecas escolares prósperas, facilitadas por professores bibliotecários e funcionários da biblioteca, apoiam o desenvolvimento do currículo académico e social ao nível do aluno, da sala de aula e da escola. Os espaços físicos e virtuais da biblioteca são inclusivos e acolhedores, incentivando alunos e professores a conectarem-se entre si para aprendizagem ou recreação. 

Os professores bibliotecários, com assistência e apoio da equipa da biblioteca, fornecem conhecimentos especializados em literatura, literacia da informação e digital, além de manter uma coleção de biblioteca atual e relevante. 

The School Libraries: The Heart of 21st Century Learning fornece aos diretores e comunidades escolares um guia de boas práticas para: 

• criar uma biblioteca escolar que seja um espaço vibrante e acolhedor, 
• desenvolver uma cultura de colaboração na aprendizagem entre o professor bibliotecário e os professores na escola que beneficiem os resultados positivos dos alunos, 
• incentivar os alunos a consumir e criar conhecimento robusto, com honestidade e integridade, 
• promover o conceito de "terceiro espaço" da biblioteca como um ambiente seguro e respeitoso que ajuda os alunos a prosperar na sala de aula, 
• ​​fornecer recursos impressos e eletrónicos para funcionários, alunos e toda a comunidade escolar, 
• garantir a diversidade cultural nos recursos curados e distribuídos em toda a escola, e 
• construir informações e habilidades de literacia digital. 

[Introdução]


As biliotecas escolares funcionam!

 




Bibliotecas escolares prósperas, lideradas por professores bibliotecários qualificados, desenvolvem cidadãos do século 21 que podem localizar, avaliar e usar a informação de forma eficaz. Abundam os dados internacionais e nacionais que confirmam que um professor bibliotecário qualificado melhora os resultados de aprendizagem dos alunos, independentemente do seu estatuto socioeconámico. Quando o ensino e a aprendizagem são transformados pela revolução digital, os professores bibliotecários aprimoram a literacia digital e informacional, fornecem recursos ao currículo e ajudam os alunos a tornarem-se pensadores críticos, criativos e colaborativos. 


Ao olhar para o futuro, espere ver... 

• co-ensino de professores bibliotecários com professores de sala de aula (não apenas ensino paralelo ou assistência de apoio) 
• o programa da biblioteca impactando a aprendizagem autodirigida, diferenciação e aprendizagem baseada em projetos 
• o biblioteca como centro de criação e consumo de conhecimento 
• bibliotecas transformadas em espaços comuns de aprendizagem 
• um espaço comum de aprendizagem virtual acessível a todos, em qualquer lugar e em qualquer dispositivo 
• o impacto da informação de qualidade no ensino, aprendizagem e produtos criados pelos alunos 
• colaboração regular entre diretores de tecnologia e bibliotecários escolares 
• as redes sociais como uma plataforma para os alunos acessarem informações e usarem os bens comuns de aprendizagem da biblioteca 
• o impacto dos "maker spaces" em vários aspetos dos bens comuns de aprendizagem da biblioteca 

(Adaptado de Scholastic Library Publishing (2015), School Libraries Work!)




Revista Indagatio Didactica

 













vol. 14 n.º 1 (2022)



Já se encontra disponível a mais recente edição da revista online Indagatio Didactica, o número regular de julho de 2022, da Universidade de Aveiro. Os 11 artigos que a compõem encontram-se divididos pelas 4 principais secções da Revista: 

Desenvolvimento Curricular e Didática” com 5 artigos; 

Tecnologias da Informação em Educação” com 3; 

Avaliação em Educação” com 1; 

 “Supervisão” com 2 artigos.

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Dinossauros vegetais

 















A artista Raku Inoue cria dinossauros com folhas e flores. 


Educação à Escuta | Pensamento Crítico

 










4º episódio da iniciativa de Comunicação de Ciência em Educação “Educação à Escuta”, intitulado “Pensamento Crítico”, moderado pelo investigador do Centro de Investigação Didática e Tecnologia na Formação de Formadores (CIDTFF), Rui M. Vieira, e que recebe:

– Katja Tschimmel, formadora e consultora em Criatividade,

– Sandra Barão Nobre, biblioterapeuta, consultora e formadora,

– Guilhermina Gomes, diretora editorial da Temas e Debates.

As perguntas a que se procura responder neste episódio:

Como desenvolver o sentido crítico e a criatividade? Qual o impacto e consequências da Era da tecnologia? Qual a diferença entre informação e conhecimento? Quais os benefícios da leitura para o desenvolvimento do pensamento crítico? Qual o papel do sentido crítico e da criatividade no dia a dia? Como contribui o pensamento crítico para a resolução de problemas? E qual a importância da leitura e da biblioterapia para a formação do sentido crítico?





Educação à Escuta é uma iniciativa desenvolvida numa parceria entre a Universidade de Aveiro e a Bertrand Editora, coordenada pela investigadora do CIDTFF Susana Ambrósio no âmbito do projeto de Investigação SKG_ON | Science Communication within the Smart Knowledge Garden: enhancing Outreach in Education and Networking to foster the sustainability of CIDTFF’s research.


terça-feira, 26 de julho de 2022

O verão como parábola

 














NÃO CHEGAREMOS A ESCUTAR O MUNDO COM SABEDORIA SE NÃO OUSARMOS EM ALGUM MOMENTO A CORAGEM DE NOS ESCUTARMOS A NÓS MESMOS

O

verão é um tempo favorável à perene ideia de viagem. Mesmo se de forma comedida e com todas as programações hoje possíveis, redescobrimos em nós restos duma condição nómada. O fechado horizonte dos nossos circuitos rotineiros como que se abre no contacto com outras paisagens. A vastidão oceânica liberta, por algum tempo, os nossos olhos das visões emparedadas. A montanha e o trilho devolvem-nos, pelo menos em parte, o sentimento do mundo como evidência pura. O reencontro uns com os outros na distância fala-nos, porventura, de uma economia da relação e de uma prática da hospitalidade que os nossos férreos quotidianos desconhecem. A lentidão autorizada ao modo como habitamos estes dias cura-nos, ainda que de forma pontual, do ofegante turbilhão em ziguezague em que transformámos a vida.

Por isso, mesmo se parece escasso, penso que ganharíamos em encarar o que o verão permite não apenas como a consolação possível, mas como uma parábola do que nos cabe construir no tempo: uma experiência de interioridade e sentido. Interioridade e sentido ligam-nos à tarefa do conhecimento de nós próprios e ao cultivo da nossa humanidade. É que seria uma dispersão de recursos fazer das nossas viagens apenas deslocações externas que nos afastassem de nós, mantendo-nos sempre e só à superfície, ali entretidos com rondas secundárias, sem chegar a sedimentar uma consciência do que somos e daquilo que nos habita. A verdade é que não chegaremos a escutar o mundo com sabedoria se não ousarmos em algum momento a coragem de nos escutarmos a nós mesmos. Nessa linha, o conselho que Rainer Maria Rilke dá a Franz Kappus, em “Cartas a Um Jovem Poeta”, serve para encontrar o caminho do poema e o da vida: “Há apenas uma maneira. Entre em si mesmo”, investigue “o ponto mais secreto do seu coração”, “desenterre dentro de si uma resposta profunda”.

Ganharíamos em encarar o que o verão permite não apenas como a consolação possível, mas como uma parábola do que nos cabe construir no tempo: uma experiência de interioridade e sentido

Não é uma contradição que num parágrafo Rilke fale da necessidade do mergulho interno e no parágrafo seguinte recomende ao seu correspondente: “Aproxime-se da natureza e procure, como o primeiro homem, dizer o que vê.” É que o encontro mais decisivo que possamos realizar connosco mesmos é, muitas vezes, um encontro mediado. Começamos um percurso na natureza, entramos num bosque, aventuramo-nos pelo silêncio de um vale e sem sabermos como apercebemo-nos que já estamos a caminhar dentro de nós. É isso que faz das peregrinações a pé, por exemplo, ocasiões privilegiadas para a audição da vida. O segredo talvez esteja nessa recomendação a atuar “como o primeiro homem”, isto é, a viver o que se está a viver como se fosse a primeira vez, com o coração e o pensamento desarmados, numa espécie de inocência reconquistada. O segredo talvez esteja nesse arriscar “dizer o que [se] vê”, partindo de um primordial espanto. A fidelidade ao que se vê fora inicia-nos na fidelidade ao que avistamos dentro. É a mesma atenção que nos torna capazes de acolher o visível e o invisível, o de fora e o de dentro, a palavra e o silêncio.

Mas o trabalho interno tem também alguma coisa parecida com o ato de desenterrar que Rilke sugere. Chegamos ao verão e não raro nos damos conta que o repouso, a pacificação ou a alegria não são coisas tão imediatas como havíamos pensado. E que pelo contrário: sentimos uma dificuldade crescente em nos conectarmos com elas. De facto, deambulamos pelos diferentes espaços com demasiadas coisas, intimamente divididos, dando acordo a vozes diferentes, incapazes de estar inteiros onde estamos. Teremos de perfurar a crosta para reencontrar o apelo da vida verdadeira.

José Tolentino Mendonça. Que coisa são as nuvens, Expresso Semanário#2595, de 22 de julho de 2022