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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Contra a hegemonia da IA: estamos a fazer 'outsourcing' do nosso sentido crítico a chatbots?

 

#inteligenciaartificial   #pensamentocritico 

 




No podcast "Talvez o contrário seja o mesmo", a partir da análise dos discursos na cerimónia solene do 25 de Abril, José Maria Bettencourt denunciou a utilização excessiva da IA nos textos que os deputados e as altas figuras do Estado leram. Se precisarmos de mais um exemplo paradigmático, podemos observar a nota de pesar que a Presidência da República publicou na sequência do falecimento de Luís Represas. O cenário é catastrófico.


Decidi escrever este texto porque estou cansado da hegemonia dos artigos escritos pela Inteligência Artificial diariamente publicados em jornais, revistas, nas redes sociais; em resumo, em todo o lado onde é possível publicar um texto. Esta supremacia é bastante óbvia, quer pela uniformização da linguagem, quer pelos truques retóricos que a IA utiliza, muitas vezes distantes do que seria uma prosa convencional.

Assumo, desde logo, que, no que concerne à IA, não sou virgem nem propriamente cético. Seria absurdo tentar parar o vento da evolução tecnológica com as mãos e o advento da IA, do ponto de vista económico e social, pode representar um período de crescimento sem precedentes e de alargamento de oportunidades. Recorro diariamente à IA para rever a minha escrita ou para me ajudar a estruturar e-mails e creio que não cai o Carmo e a Trindade por fazer isso, apesar de, cada vez que abro o ChatGPT ou o Copilot, sentir alguma culpa pelo facto de ceder uma parte do meu pensamento a um instrumento deste género.

Mas a grande questão que pretendo colocar é a seguinte: onde traçamos a linha do que é ou não aceitável? Eu digo a mim mesmo que não tem mal usar a IA para algumas tarefas repetitivas, mas possivelmente existe quem estabeleça o seu limite num ponto mais distante. Há quem não veja mal em criar um vídeo com a imagem de outra pessoa a fazer uma dança ridícula, talvez por considerar inofensivo, da mesma forma que existirá quem não veja mal nenhum em usar a IA para escrever um texto completo, um livro ou uma tese de doutoramento.

Certamente, não serei eu a indicar um caminho dotado de virtudes, de verdade e de razão para resolver esta questão existencial, mas, no mínimo, posso ajudar a pensar nos riscos que o uso excessivo da IA comporta.

 
Fazer outsourcing do pensamento e do sentido crítico em nome da preguiça

Neste período inicial de avanço da IA, estamos constantemente a fazer ‘outsourcing’ do nosso pensamento e consciência crítica a um chatbot, frequentemente a transferir todo o trabalho intelectual, complexo e estimulante para um mecanismo que mal conhecemos, tudo em nome da eficiência e da preguiça.

Da eficiência porque consideramos útil reduzir o tempo destinado a uma tarefa; e não estamos totalmente errados. Em alguns casos, pode ser bastante útil, particularmente quando falamos de processos monótonos e repetitivos, que não exigem propriamente uma consciência crítica numa primeira fase. Porém, a ideia de eficiência é, muitas vezes, uma ilusão, porque a IA não nos vai fazer trabalhar menos horas e não vamos passar a ter mais tempo para a família ou para um hobby. Pelo contrário, se há realidade com a qual cada trabalhador se depara diariamente é a de que o trabalho nunca acaba.

Outra consequência potencialmente nefasta da utilização excessiva da IA é a preguiça. Existem vários tipos de preguiça. Diria mesmo que cada indivíduo tem a sua própria preguiça, pessoal e intransmissível, tatuada no seu código genético. Nem toda a preguiça é má. Não fazer nada, o dolce far niente, é algo que não deve ser negligenciado. Todos nós precisamos de momentos em que não fazemos nada, em que dedicamos algum tempo à contemplação serena da vida, como o escocês Robert Louis Stevenson tão bem descreve na sua Apologia do Ócio.

No entanto, a preguiça que a IA causa não é a preguiça essencial que comporta a arte de não fazer nada; é a do desleixo intelectual, da renúncia ao pensamento crítico, da aceitação acrítica de uma ideia sem acautelar os perigos em que isso se traduz.

Escrever um texto não é uma tarefa fácil. Especialmente porque existem muitos textos e porque, possivelmente, um filósofo grego ou oriental já dissertou sobre os mesmos temas que nós. Os temas são sempre os mesmos, repetem-se continuamente com a devida adaptação contemporânea. Existem poucos pensamentos originais, mas devemos exigir um pouco mais a quem nos representa.

No podcast «Talvez o contrário seja o mesmo», a partir da análise dos discursos políticos na cerimónia do 25 de Abril deste ano na Assembleia da República, José Maria Bettencourt denunciou a utilização excessiva da IA nos textos que os deputados e as altas figuras do Estado leram. Se precisarmos de mais um exemplo paradigmático, podemos observar a nota de pesar que a Presidência da República publicou na sequência do falecimento de Luís Represas. O cenário é catastrófico: os recursos estilísticos utilizados são sempre os mesmos e a uniformização da linguagem é evidente.

Se um político já nem se dá ao trabalho de escrever um texto para uma das cerimónias mais importantes do ano, ou se já nem consegue pensar num conjunto de palavras para construir uma nota de pesar, estaremos muito longe da transferência das suas inquietações para estes chatbots? Será que algum político já perguntou os prós e contras de uma decisão ao ChatGPT? A bola de neve pode chegar ao ponto de o outsourcing começar na elaboração dos discursos e terminar na responsabilidade política.

Não sou um negacionista da IA. Pelo contrário, acredito, idilicamente, que, se for usada ao mesmo tempo que estimula o pensamento crítico, pode ser um verdadeiro instrumento que vai melhorar as nossas vidas. Mas, neste momento, talvez por estarmos numa fase inicial, em que o fascínio atinge proporções tão parolas como monumentais, não conseguimos ver os perigos que esta hegemonia comporta.

Como qualquer mudança, teremos uma fase de estabilização, em que iremos atingir algum equilíbrio, mas é importante estar alerta e nunca renunciar ao pensamento crítico neste processo, porque há fronteiras que não devemos ultrapassar.

Quem define essas fronteiras?

Para já, ninguém.

Gonçalo Angeiras.* 
"Contra a hegemonia da IA: estamos a fazer 'outsourcing' do nosso sentido crítico a chatbots?", Geração E - Expresso, 5 de agosto de 2026
 
* Jurista e consultor de Políticas Públicas

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Palestra | Suástica, história de um símbolo

 

 
#alermaisemelhor  #bibliotecasescolares  #pensamentocrítico



 

A Biblioteca Escolar convida a comunidade escolar para uma palestra dedicada à história e ao significado simbólico da suástica, um dos sinais mais antigos e complexos da humanidade. Muito antes de ser apropriada por ideologias do século XX, esta figura geométrica atravessou milénios como símbolo de movimento, proteção, prosperidade e ciclo vital em diversas culturas. 

A sessão propõe uma viagem desde as suas origens pré-históricas até às ressignificações contemporâneas, oferecendo uma leitura informada, crítica e contextualizada deste símbolo. Um momento de conhecimento e reflexão sobre a importância de compreender a história dos signos para melhor interpretar o mundo atual. 

Palestrante: Álvaro Pinto 

Dia: 11 de dezembro 

Local: Auditório 1

Hora: 10:20 

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Jornalismo e violência: um romance

 

 #literaciadosmedia  #pensamentocritico

 

Máquina De Escrever, Vintage, Silhueta

Tenho dois ou três cretinos de estimação. Acontecerá a muitos de nós, calculo. Atenção: ninguém é cretino por me insultar, embora eu prefira quem discorda sem baixar o nível. Mas, enfim, estaremos ainda dentro dessa malha, tão discutível quanto ampla, da liberdade de expressão. O cretino revela-se quando ao insulto junta a estupidez, clara, declarada, tantas vezes orgulhosa e petulante, como qualquer boa ignorância. Por vezes é-me difícil dar por eles. Como de momento basicamente não publico nada nas minhas páginas, lá têm eles de ir deixar o fel numa qualquer publicação muito antiga, o que tem o seu quê de cómico, como seja chamarem-me isto ou aquilo sobre jornalismo ou política ou coisa do género mesmo debaixo de uma foto onde simplesmente mostrei o meu cão a dormir descansado, sem legenda, considerandos, ironia ou mensagem criptada. Mas os meus dois ou três cretinos dão-se ao trabalho de criar uma página anónima, com respetivo nome falso e ausência de foto, para me enviarem mensagem privada, sempre a uma distância tão comprida quanto sensata: nunca me dizem quem são. Adiante.

Quero com isto trazer aqui uma das “bombas” mais cretinas do cretino: quando me acusam de ser hipócrita porque por vezes deixo críticas ao jornalismo. Ahahaha, ri o cretino, então este gajo é jornalista e está a malhar no jornalismo, escreve-me o cretino, julgando atingir-me em cheio com uma criptonite que não previ e que me deixaria supostamente embaraçado. Desconhecem os cretinos o conceito de pensar. Desconhecem que uma das maiores riquezas de empresas e ramos profissionais (riqueza em perda…) é a interrogação constante, a autocrítica, a análise de comportamentos, para verificação sistemática do que andamos a fazer, se respeitamos os valores que jurámos um dia abraçar. Há óptimos exemplos nas mais variadas profissões (quem dera que em todas…), médicos, advogados, engenheiros, políticos, militares, cozinheiros, empresários disto e daquilo. O que são, aliás, as Ordens de tantas e tão nobres atividades senão uma constante vigilância de valores basilares? Mas não adianta, os cretinos não alcançam que fiscalização e exigência começam por dentro.

Pertenço à equipa fundadora da SIC. E torna-se hoje, e cada vez mais, difícil conseguir explicar a plenitude do que foi esse período da televisão e do jornalismo. Sou grato por ter vivido momentos inéditos e irrepetíveis, dos quais realço a espantosa capacidade que as redacções tinham para conversa e reflexão constantes. Grande parte dos dias eram passados entre discussões bem quentes. E é curioso, e tão diferente de hoje; podia haver amuos breves aqui e ali, mas não havia quem se sentisse “ofendido” por ouvir o que não queria. Tínhamos mentalidade de pugilista, sabíamos que se íamos dar era provável também levarmos. Tínhamos ideias e posturas diferentes, mas no centro de tudo estava uma rocha que todos respeitavam: o que andamos a fazer, quais são os nossos deveres para com o público?

Em 2001, na SIC, discordei abertamente da fome de sangue com que investimos tanto numa ida ao Brasil para entrevistar Luís Militão, que acabara de mandar matar com requintes de crueldade seis portugueses que atraiu a Fortaleza. Não está em causa a qualidade do trabalho da equipa da SIC, acontece que sempre me causou enorme estranheza a relevância de ouvirmos assassinos confessos. Ainda assim, há um pormenor importante. À época, era o drama mais mediático, que deixara em choque um país inteiro pela aparente futilidade dos crimes e, acima de tudo, a lenta macabra violência. E a entrevista, conduzida pela Maria João Ruela poucos dias após o horror, levaria Militão a respostas tão aberrantes e desconcertantes que se tornavam parte integrante da notícia e levantavam cada vez mais dúvidas sobre os motivos reais. Ou seja, acabou por ser relevante, não o nego.

Já me parece despropositado todo este folclore, 24 anos depois, de ver televisões a anunciarem com orgulho um “exclusivo” com o monstro. Não percebo o valor acrescentado de deixá-lo revisitar e voltar a esfregar-nos na cara a crueldade, muito menos compreendo que uma das missões destas entrevistas seja, de alguma forma, “compreender” o assassino, primeiro passo para uma busca de absolvição pública. Não importa ter sido noutras estações, a SIC tem a sua boa parte de situações parecidas. É uma coisa minha, um arrepio que não me permite entender tempo de antena aos criminosos, à face mais feia do mundo que nos calhou. Não, não quero saber de mais pormenores que “ainda não se sabiam”. Dispenso. Mas eu é que estou deslocado.

O jornalismo tem uma história romântica com a violência, um pacto de venda que me impressiona. E há que lembrar que só se vende a quem compra. No limite, participamos todos nesta dança com o horror, ou não haveria tanto documentário, filme e série sobre “crimes reais”, negócio que nunca conheceu crise e só sabe crescer.

Rodrigo Guedes de Carvalho. Jornalismo e violência: um romance, Jornal Expresso, 25 de setembro de 2025

 

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Empoderar a próxima geração: competências digitais

 

 

 



A capacidade de trabalhar com tecnologias digitais críticas molda as nossas vidas – na educação, no trabalho, no lazer e no compromisso cívico.
 
 
O ensino de competências digitais não diz respeito apenas ao know-how técnico. Inclui a promoção do pensamento crítico, da criatividade e da resiliência para ser bem sucedido num cenário digital em rápida evolução. Estas competências são elementos centrais para preparar crianças e jovens para ter sucesso na sociedade moderna e moldar um futuro digital mais equitativo.


As habilidades digitais são muito mais do que proficiência técnica. Eles formam a base para a aprendizagem ao longo da vida, a prontidão da força de trabalho e a participação ativa na sociedade. Desde a avaliação crítica de informações on-line até à colaboração eficaz em espaços digitais, essas habilidades capacitam as pessoas a adaptarem-se aos avanços tecnológicos e contribuírem significativamente para as suas comunidades à medida que se transformam.

As competências digitais são particularmente importantes para as crianças e os jovens. As tecnologias digitais podem oferecer oportunidades de aprendizagem, socialização e autoexpressão, mas essas mesmas tecnologias também podem expô-las a riscos como o ciberassédio, a desinformação e a exclusão digital.

O desafio está em ensinar os jovens não apenas a usar a tecnologia, mas também a envolverem-se com ela de forma crítica, criativa e responsável. A educação digital eficaz deve ir além da simples introdução de tecnologia nas salas de aula. Requer a compreensão dos diversos contextos em que os alunos usam a tecnologia e a adaptação das abordagens educacionais para atender às suas necessidades.


Lições da pesquisa: o que funciona no ensino de habilidades digitais

A pesquisa, incluindo as descobertas do projeto DigiGen, oferece informações valiosas sobre como podemos ensinar habilidades digitais de forma mais eficaz.
 
1. Priorize a inclusão

O acesso à tecnologia é desigual e a origem socioeconómica desempenha um papel significativo. Escolas e educadores devem preencher ativamente essa divisão, fornecendo a todos os alunos acesso igual a dispositivos, conetividade com a Internet e suporte. Sem inclusão, a exclusão digital pode exacerbar ainda mais as desigualdades sociais. 
 
2. O contexto é importante

O desenvolvimento de competências digitais é influenciado pelos ambientes dos alunos (rural ou urbano, favorecidos ou desfavorecidos). As estratégias de ensino devem ser adaptáveis a diversos contextos – uma abordagem única não pode atender a todas essas necessidades variadas. 
 
3. Vá além da proficiência técnica

Ensinar os alunos a usar software ou dispositivos é apenas o começo. A literacia digital crítica deve incluir a avaliação da credibilidade do conteúdo online, a compreensão dos riscos online e a navegação pelas dimensões éticas da tecnologia. Essas habilidades são essenciais para combater a desinformação e promover um cenário digital mais seguro. 
 
4. Capacite os professores

Os professores são fundamentais para promover as habilidades digitais, mas muitos sentem-se despreparados para integrar a tecnologia de forma eficaz em seu ensino. Os programas de desenvolvimento profissional devem equipar os educadores com conhecimentos técnicos e estratégias pedagógicas para criar ambientes de aprendizagem digital inclusivos. As escolas também devem garantir que os professores se sintam apoiados para atender às necessidades de alunos sub-representados ou desfavorecidos.
 
5. Envolva famílias e comunidades

As famílias e as comunidades desempenham um papel crucial no reforço da educação digital que os alunos recebem na escola. Os pais podem modelar comportamentos digitais positivos, enquanto os programas comunitários podem oferecer oportunidades informais para explorar a tecnologia. Unir ambientes de aprendizagem formais e informais cria uma abordagem mais holística para o desenvolvimento de habilidades digitais.

 

Halla B. Holmarsdottir. "Empowering next generation: digital skills", Comissão Europeia. Boletim informativo da Plataforma Europeia de Educação Escolar. Agosto 2025

 


sábado, 21 de junho de 2025

Escola de Verão da Fundação Francisco Manuel dos Santos

 

 


 


 
Tens entre 15 e 17 anos, estás a terminar o 10.º ou o 11.º ano e queres acabar as férias de forma inesquecível?

De 31 de agosto a 7 de setembro, tens a oportunidade fantástica de viver uma semana cheia de novas experiências, fazer amigos de todo o país e explorar ideias sobre inteligência artificial em ambiente seguro, divertido e inspirador!

👉 Alojamento, alimentação e deslocações? São gratuitos.

 



📝 As inscrições estão abertas até 30 de junho, online, e podem ser feitas aqui. Para mais informações, consulta o site da Fundação. 

 

 

sexta-feira, 6 de junho de 2025

A literacia em inteligência artificial é já uma competência essencial na educação

 

 

 Inteligência Artificial, Matemática

O artigo do "Fórum Económico Mundial" defende que compreender a IA deixou de ser um tema apenas tecnológico: é agora uma competência básica de cidadania, trabalho e pensamento crítico.
 

À medida que as ferramentas de IA generativa se tornam omnipresentes nas escolas, locais de trabalho e na vida digital diária, é crucial incutir o uso responsável desde cedo. Os alunos não estão apenas a usar a IA, eles estão a experimentar, muitas vezes sem orientação formal sobre as suas limitações e riscos.

Quase metade da Geração Z obteve pontuação baixa em "avaliação e identificação de deficiências críticas na tecnologia de IA", como a capacidade dos sistemas de IA de inventar factos, de acordo com um relatório de 2024 da TeachAI e da EY.

O relatório do Fórum, Shaping Learning: The Role of AI in Education, reforça essa tendência. Observa que os sistemas educacionais devem ir além da literacia digital e adotar a literacia em IA como prioridade educacional central. Isso inclui equipar os alunos com habilidades de pensamento crítico para avaliar resultados, criatividade para colaborar com a IA de forma significativa e a base ética para questionar seu papel na sociedade.

As bibliotecas escolares têm um papel central neste desafio, promovendo o debate informado, a compreensão dos sistemas algorítmicos e a reflexão ética sobre o impacto da IA nas nossas vidas. Ao longo deste ano letivo, a biblioteca da Camilo promoveu sessões de (in)formação sobre inteligência artificial, que incluíram algumas atividades sugeridas pela Rede de Bibliotecas (AcBE).

Formar leitores críticos é, hoje, também formar cidadãos preparados para o mundo da IA.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

Programa de Oferta de Assinaturas Digitais | Passem a palavra!


 

#PortugalMediaLab  #literaciadosmedia




Jornais, Pilha, Leitura, Papel



A leitura de jornais desempenha um papel essencial na formação dos jovens como cidadãos informados e críticos. Num mundo onde a informação circula rapidamente e nem sempre de maneira confiável, acompanhar as notícias através de fontes confiáveis contribui significativamente para o desenvolvimento do pensamento analítico e da capacidade de discernimento.

Ao manterem-se atualizados sobre acontecimentos políticos, económicos e sociais, os jovens ampliam a sua compreensão sobre o contexto em que vivem, tornando-se mais preparados para participar ativamente na sociedade. Além disso, o contacto frequente com textos jornalísticos favorece o aperfeiçoamento da escrita e do vocabulário, impactando positivamente a sua capacidade de comunicação e argumentação.

Mais do que um hábito intelectual, a leitura de jornais pode ser vista como um exercício de cidadania. Jovens bem informados tendem a participar em debates, refletir sobre os impactos das decisões políticas e tomar escolhas mais conscientes. Em tempos de predominância dos media digitais, acessar jornais online também os ensina a avaliar a credibilidade das informações, desenvolvendo um olhar crítico face às fake news.

Embora muitos prefiram procurar notícias em redes sociais, é fundamental incentivar a leitura de fontes jornalísticas comprometidas com a veracidade e a investigação profunda. Somente assim os jovens poderão construir uma visão de mundo fundamentada e atuar de maneira mais consciente na sociedade. 


Agora já é possível aceder gratuitamente a publicações periódicas digitais

A partir das 14h desta sexta-feira, 9 de maio, todos os jovens dos 15 aos 18 anos, residentes em Portugal, poderão subscrever gratuitamente uma assinatura digital de uma publicação periódica nacional generalista ou de cariz económico, à sua escolha, com a validade de dois anos.

À escolha dos jovens estão onze meios de comunicação social que aderiram ao programa:

 A adesão poderá ser feita através do portal Gov.pt, mediante autenticação com Cartão de Cidadão ou Chave Móvel Digital.


No formulário vai precisar de indicar os seguintes dados:

  • O número de identificação civil (número do Cartão de Cidadão). Se for estrangeiro vai ter de indicar o número de identificação fiscal (NIF), também conhecido como número de contribuinte.
  • Data de nascimento
  • Distrito e concelho de residência
  • Email
  • A publicação periódica (jornal ou revista) que quer subscrever
 
 Passem a palavra!

 

7 Dias com os media | Dia 7

 

 #7diascomosmedia #7diascomosmedia2025 #gilm #alermaisemelhor #literaciadosmedia

 

 

 


 



Inteligência Artificial e Democracia — ameaça... oportunidade?


A IA pode influenciar debates, campanhas políticas, recomendações de conteúdo e até o que vemos (ou deixamos de ver) nas redes sociais.

Mas o que acontece quando os algoritmos moldam a opinião pública?

A democracia baseia-se em cidadãos informados e livres para decidir.
Mas como garantir isso se:

  • Nos deixarmos fechar em bolhas de opinião?
  • Bots e perfis falsos influenciarem o discurso político?
  • Se não percebermos minimamente como a IA funciona?
Hoje lançamos o último desafio: Pensar como cidadão digital.

  • A IA está a fortalecer ou a fragilizar a nossa liberdade de escolha?
  • Sabemos como os nossos dados podem ser utilizados?
  • Como podemos usar a IA para reforçar a participação cívica e a justiça social, em vez de as manipular?

No último dia da Operação - que também é Dia da Europa - pensemos que a democracia não se adapta sozinha. Também temos de a defender no espaço digital.



quarta-feira, 30 de abril de 2025

7 Dias com os media | Embaixadores 2025

 

 

 #7diascomosmedia #7diascomosmedia2025 #gilm #alermaisemelhor #literaciadosmedia

 

 

Dra Manuela Silva, Coordenadora Nacional da Rede de Bibliotecas Escolares

 

 

 Ana Farrajota, Coordenadora Interconcelhia da Rede Bibliotecas Escolares 

 


Margarida Telmo, Professora Bibliotecária

 

Outros embaixadores:

Anabela Baptista, Coordenadora Interconcelhia da Rede Bibliotecas Escolares 

Isabel Pardal, Coordenadora Interconcelhia da Rede Bibliotecas Escolares

Nicolau Marques - Biblioteca Municipal de S. Roque, Pico, Açores

Armando Pinho, Biblioteca Municipal de Câmara de Lobos, Madeira 

Nuno Marçal, Bibliotecário, Biblioteca Municipal de Proença-a-Nova

Ana Luísa Lucas, Bibliotecária, Biblioteca Municipal de Gavião

Gorete Afonso, Bibliotecária, Biblioteca Municipal de Montalegre 

Mário Augusto, Jornalista da RTP

Emmily Gomes, aluna do curso de Jornalismo da Escola Superior de Educação e Comunicação Social do IP de Portalegre

 


terça-feira, 29 de abril de 2025

7 Dias com os media

 

 #7diascomosmedia #7diascomosmedia2025 #gilm #alermaisemelhor #literaciadosmedia

 







7 Dias com os media é uma operação nacional anual que pretende sensibilizar para o papel e lugar que os media ocupam no quotidiano dos indivíduos e das sociedades.
 
Em 2025, esta operação convida à reflexão sobre como podemos, coletivamente, assegurar que o avanço da IA seja acompanhado por um fortalecimento do pensamento crítico, promovendo assim uma sociedade mais informada, equitativa, consciente e livre. 

A IA está cada vez mais presente nas nossas vidas e na sociedade, influenciando, entre muitos outros aspetos, os conteúdos que vemos nas redes sociais e nas pesquisas na internet. O processamento e a análise de dados pela IA permitem avanços significativos em várias áreas do conhecimento. No entanto, essa mesma tecnologia apresenta novos desafios que implicam a utilização do nosso discernimento e sentido crítico.
 
 No contexto atual, o pensamento crítico apresenta-se como uma competência indispensável. A IA já consegue gerar conteúdos de forma autónoma e convincente e torna-se vital garantir que a tecnologia é um meio para o progresso humano, e não um fim em si mesma. Para isso, é fundamental que todos nós desenvolvamos a capacidade de questionar, analisar e refletir criticamente sobre as mensagens que recebemos, produzimos e partilhamos.
 

Tópicos para refletir sobre o tema de 2025:

  • Pensamento crítico na era digital
  • Media, criatividade humana e IA generativa
  • Impactos da IA para o ambiente e sustentabilidade
  • Ética e responsabilidade na utilização da IA
  • Desafios da desinformação gerada por IA
  • Impacto da IA na democracia e na liberdade de expressão
  • IA: riscos e oportunidades para equidade e acessibilidade
  • Futuro do jornalismo e da informação perante os avanços da IA
  • Papel da regulação na proteção dos direitos individuais face à IA
  • (Ciber)segurança, criptografia e IA
Para além da temática proposta, também poderão apresentar outras ideias e temas relacionados com a literacia mediática e os diversos tipos de media (Imprensa, Rádio, Televisão, Internet, Redes Sociais, Videojogos, entre outros).

Esta iniciativa associa-se ao Ano Europeu da Educação para a Cidadania Digital 2025, promovido pelo Conselho da Europa.
 

quarta-feira, 2 de abril de 2025

Sessão de (in)formação sobre Cidadania Digital - 7º B

 

 #cidadaniadigital  #direitosedeveresonline  #literacias

 #semanadaleitura2025

 

Aluna, Computador Portátil, Copo

 
 

 
Os alunos do 7º B estiveram na Biblioteca esta manhã, das 12:20 às 13:10, para participarem numa sessão de (in)formação sobre Cidadania Digital, orientada pela professora coordenadora da Biblioteca. 
 

Sob o tema "Sabes usar a informação da Internet nas tuas produções?", refletiu-se sobre os direitos e responsabilidades no uso da informação online. Este tipo de iniciativa destaca o papel fundamental das bibliotecas escolares no desenvolvimento da cidadania digital, promovendo o pensamento crítico, o uso ético da informação e a responsabilidade no ambiente digital. 
 
A Biblioteca afirma-se, assim, como um espaço essencial de aprendizagem e formação para uma participação consciente e informada na sociedade digital. 
 
 

terça-feira, 1 de abril de 2025

Sessão de (in)formação sobre Cidadania Digital - 8º A

 

 #cidadaniadigital  #direitosedeveresonline #literacias

#semanadaleitura2025





“Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual” (Constituição da República Portuguesa, Princípio da Igualdade, artigo 13º).



Os alunos do 8º A estiveram na Biblioteca, esta tarde, das 16:20 às 17:10, para participarem numa sessão de (in)formação sobre Cidadania Digital, orientada pela professora coordenadora da Biblioteca. 
 

Sob o tema "Sabes usar a informação da Internet nas tuas produções?", refletiu-se sobre os direitos e responsabilidades no uso da informação online, nomeadamente sobre:
  • o direito ao copyright (propriedade e autoria de conteúdos, licenças, normas de referenciação, utilização de imagens da internet; plataformas gratuitas de imagens, música e vídeos);
  • a netiqueta (normas e procedimentos de conduta e deveres digitais baseados no respeito pelas ideias, opiniões e crenças dos outros:
    • não plagiar conteúdos,
    • não descarregar conteúdos não autorizados,
    • não utilizar o anonimato ou falsas identidades como forma de desresponsabilização,
    • não divulgar boatos ou informações falsas,
    • não divulgar informações pessoais de terceiros,
    • não denegrir a imagem, a reputação e o bom nome dos outros,
    • respeitar a sua privacidade.

quarta-feira, 19 de março de 2025

Como se ensina o pensamento crítico?

 

 

Ilustração do conceito de pensar demais
Designed by Freepik



Pensar de forma crítica é, essencialmente, pensar de forma eficaz. Mas não é possível desenvolver um sentido crítico sem uma base sólida de conhecimento. - Daniel T. Willingham

 


Se consideramos uma “capacidade” como algo generalizável, não podemos afirmar que existem “capacidades de pensamento critico”? Talvez não, mas é difícil ter certezas. Sabemos que os alunos que frequentam a escola durante mais tempo têm melhores resultados em testes de inteligência, sendo que aqui estamos a considerar uma inteligência de aplicação universal.[1] No entanto, as capacidades de pensamento ensinadas nas escolas são muito específicas. Se, porventura, se aprendem capacidades gerais de pensamento nas escolas, a investigação ainda não o conseguiu comprovar.

Embora os dados apontem para o ensino de capacidades mais específicas nas escolas,[2] ainda não se determinou se um bom pensador crítico domina várias capacidades específicas, ou apenas um conjunto mais restrito de capacidades gerais ainda não identificadas. Contudo, os professores não são investigadores e, do nosso ponto de vista, uma das duas hipóteses terá de ser mais acertada. Não sabemos se as ditas “capacidades gerais” existem, mas sabemos que não existe nenhum método comprovado para as ensinar de forma direta.
 

Ensinar o pensamento crítico

Em contrapartida, sabemos muito bem como ensinar capacidades específicas do pensamento crítico. E recomendo que o façamos. Para o efeito, proponho um plano em quatro passos.

1. Defina “pensamento crítico” em cada domínio de conhecimento

Identifique o que se entende por “pensamento crítico” num dado domínio. Procure ser específico, focando-se nas tarefas que requerem essas capacidades, e não nas capacidades gerais, em si. Que tipo de pensamento crítico pretendemos que os alunos que concluem o ensino secundário saibam aplicar à matemática, à história e a outras disciplinas? Por exemplo, os professores podem determinar que um fator essencial para compreender a história é a capacidade de referenciar documentos históricos; i.e., de os interpretar à luz da respetiva fonte (quem o escreveu, para quem foi escrito e com que finalidade). Podem também considerar que compreender a relação entre uma teoria e uma hipótese é fundamental para as disciplinas científicas. Neste caso, estas capacidades devem ser ensinadas e praticadas de forma explicita, uma vez que os dados indicam que, sem o uso de instruções explícitas, a assimilação é menos eficaz.[3]

2. Identifique os conhecimentos de base

Identifique os conhecimentos que os alunos têm de dominar. Já vimos que o conhecimento em cada domínio é decisivo para tornar o pensamento mais eficaz. Assim sendo, quais são os conhecimentos essenciais para o tipo de pensamento que queremos que os alunos desenvolvam e saibam aplicar? Por exemplo, para saberem referenciar documentos, os alunos têm de ter conhecimentos relevantes sobre a sua origem; ou seja, o facto de saberem que estão a ler uma carta escrita pelo General George Clinton em 1779, em que este solicita determinados recursos a George Washington, não terá grande significado, por si só, se estes não possuírem conhecimentos de base sobre a Guerra da Independência dos Estados Unidos que lhes permitam compreender o que estão a ler.

3. Defina a melhor sequência de aprendizagem

Defina a melhor sequência de aprendizagem para as capacidades que pretende ensinar. Em disciplinas como a Matemática ou a História, bem como em muitos outros domínios, as capacidades e os conhecimentos vão-se construindo com base uns nos outros; interpretamos nova informação com base nos nossos conhecimentos prévios.

4. Planeie as capacidades a reiterar ao longo dos anos

Determine as capacidades que precisam de ser reiteradas ao longo dos anos. A investigação mostrou que, mesmo que os alunos aprendam muito bem determinadas matérias ao longo de meio ano escolar, já se terão esquecido de cerca de metade dos conteúdos ao fim de três anos.[4] Mas isto não significa que não seja benéfico expor os alunos a determinados conteúdos apenas uma vez. A maior parte dos alunos vão esquecer-se de muitas coisas, mas vão lembrar-se de outras tantas e, em alguns casos, esta exposição poderá estimular novos interesses. No entanto, para que os alunos retenham capacidades a longo prazo, são necessários, pelo menos, três a cinco anos de prática.[5]

Alguns aspetos práticos do ensino do pensamento crítico


No ponto anterior, propus um plano geral em quatro passos para o ensino do pensamento crítico. Neste ponto, abordarei algumas das decisões pragmáticas com que os professores terão de se debater.

Será que o ensino do pensamento crítico tem de ser uma questão de tudo ou nada? Sugeri que o ensino destas capacidades fosse integrado num currículo escolar abrangente. Isso significa que, sozinho, um professor não consegue fazer nada e que nem vale a pena tentar se não contar com a cooperação de todo o sistema escolar?

Naturalmente que a resposta é não. Se um professor incluir conteúdos de pensamento crítico na sua disciplina, os alunos vão aprendê-los. Mas é muito provável que aprendam mais, e mais rapidamente, se essa aprendizagem for coordenada ao longo dos anos. A psicologia já reconheceu, há muito, que um fator decisivo para a aprendizagem de novos conhecimentos, e talvez até o mais decisivo, são os conhecimentos anteriores que os alunos já adquiriram.[6] Se os professores estiverem confiantes daquilo que os seus alunos já sabem, o ensino será mais eficaz.

A idade dos alunos: com que idade devem os alunos começar a aprender a pensar de forma crítica? A investigação não tem respostas definitivas para esta pergunta. Os investigadores interessados nas capacidades de pensamento de crianças pequenas (do ensino pré-escolar ao ensino primário), como por exemplo, a resolução de problemas ou a avaliação de dados, estudaram a forma como as crianças pensam na ausência de instruções explícitas, e não como ou se podem ser levadas a pensar de forma mais crítica. Ainda assim, a investigação realizada ao longo de cerca dos últimos 30 anos chegou a uma conclusão importante: as crianças são muito mais capazes do que aquilo que julgávamos.

O conceituado psicólogo do desenvolvimento, Jean Piaget, propôs uma teoria altamente influente, que sugere que a cognição das crianças se desenvolve ao longo de quatro estágios. Estes estágios caracterizam-se pelo desenvolvimento crescente da capacidade de pensamento abstrato e da capacidade de ter em conta várias perspetivas. Nas teorias dos estágios de desenvolvimento, a arquitetura básica do pensamento permanece inalterada durante longos períodos de tempo, reorganizando-se rapidamente no momento em que a criança avança de um estágio para o seguinte.[7] Uma das principais implicações destas teorias em termos educativos é que, no mínimo, seria inútil e potencialmente prejudicial exigir às crianças que desenvolvessem trabalho cognitivo adequado apenas a estágios de desenvolvimento posteriores. Contudo, os últimos 30 anos mostraram-nos que, contrariamente à proposta de Piaget, o desenvolvimento é gradual e não se reorganiza abruptamente. E também nos mostraram que aquilo que as crianças conseguem, ou não, fazer depende dos conteúdos em causa.

Por exemplo, em determinadas circunstâncias, as crianças de um a três anos conseguem compreender princípios de raciocínio condicional. O raciocínio condicional ocorre, por exemplo, quando a relação entre duas coisas está dependente de uma terceira coisa. As crianças percebem que quando visitam uma determinada pessoa poderão, ou não, comer algo doce. Mas se essa pessoa estiver a celebrar o seu aniversário, a relação entre estas duas coisas (fazer uma visita e comer algo doce) torna-se muito mais consistente. Contudo, quando os problemas que envolvem o raciocínio condicional se enquadram em contextos não familiares, até o adulto mais expedito pode ficar confuso. Tudo depende do conteúdo do problema.[8]

Por este motivo, a investigação sugere que pode ser perfeitamente adequado ensinar capacidades de pensamento crítico a crianças pequenas. No entanto, não nos oferece qualquer orientação sobre o tipo de capacidades a ensinar, e por onde começar. Essas decisões terão de ser tomadas por educadores experientes, em articulação com os colegas que ensinam crianças mais velhas, para que se desenvolva um currículo consistente.

Tipos de alunos: o pensamento crítico deve ser ensinado a todos os tipos de alunos? Esta pergunta parece ter sido arquitetada; colocada como um pretexto para recomendar enfaticamente o ensino universal do pensamento crítico. Mas a verdade é que, em muitos sistemas, os alunos com menos capacidades são direcionados para cursos menos desafiantes, na esperança de que dominem, pelo menos, “os conhecimentos básicos”. Esta redução de expectativas permeia frequentemente escolas inteiras, compostas maioritariamente por alunos provenientes de famílias com baixos rendimentos.[9]

Importa salientar que, em praticamente todos os países, o acesso a conteúdos desafiantes e a frequência do ensino pós-secundário estão diretamente associados ao estatuto socioeconómico da população.[10] Os alunos de estatuto socioeconómico mais elevado têm, também, mais oportunidades de aprenderem e de serem acompanhados em casa. Se a escola for o principal ou o único local em que os alunos mais desfavorecidos têm contacto com vocabulário avançado, conteúdos enriquecedores e atividades que requerem capacidades de pensamento avançadas, é absolutamente imprescindível que as escolas multipliquem estas oportunidades, em vez de as restringirem.

A avaliação: escusado será dizer que a avaliação do pensamento crítico constitui um desafio. Uma das principais dificuldades são os recursos implicados. Apesar das alegações em contrário, as perguntas de escolha múltipla não requerem necessariamente capacidades de pensamento crítico, mesmo quando são concebidas meticulosamente e sujeitas a controlos rigorosos, como é o caso dos testes americanos de Avaliação Nacional do Progresso Educacional (NAEP). Um investigador[11] colocou perguntas do teste de história do NAEP a alunos do 12.º ano e universitários que obtiveram bons resultados noutros testes de história padronizados. Quando pediu aos alunos para pensarem em voz alta enquanto escolhiam as respostas, verificou que os alunos recorriam mais a “táticas” para responder às perguntas, do que propriamente ao pensamento crítico. A avaliação do pensamento crítico requer que os alunos respondam a perguntas de resposta aberta que, por sua vez, têm de ser corrigidas por seres humanos. E isso, é uma proposta que implica a mobilização de recursos.

Um aspeto positivo é que o plano proposto acima torna alguns aspetos da avaliação do pensamento crítico mais diretos. Se se definirem integralmente as capacidades que constituem o “pensamento crítico”, por exemplo, para a disciplina de química do 10.º ano, não haverá dúvidas quanto aos conteúdos a avaliar. A previsibilidade fará com que os professores se sintam mais seguros de que conseguem preparar os alunos para avaliações padronizadas.

Ainda que o ensino do pensamento crítico seja um objetivo universal da educação, as dificuldades dos alunos neste campo continuam a surpreender-nos. Muitas vezes, os professores sentem-se frustrados pelo facto de parecer que os alunos pensam de forma superficial. Este artigo deverá ser útil para ajudar a compreender as causas deste problema. Pela forma como a mente funciona, o superficial é o que surge primeiro. A reflexão profunda e o pensamento crítico conquistam-se com muito trabalho.

Isto significa que criar e gerir um programa para o ensino de capacidades de pensamento crítico requer uma visão a longo prazo, quer a respeito da duração do programa, quer a respeito da rapidez com que se observam os resultados esperados. A paciência será, pois, o ingrediente principal de qualquer programa bem-sucedido.


Daniel T. Willingham. Como se ensina o pensamento crítico? Site Iniciativa Educação, 27.10.2020
 

Referências

1. M. Carlsson et al., “The Effect of Schooling on Cognitive Skills,” Review of Economics and Statistics 97, no. 3 (2015): 533–547; S. Ritchie and E. Tucker-Drob, “How Much Does Education Improve Intelligence? A Meta-Analysis,” Psychological Science 29, no. 8 (2018): 1358–1369; and T. Strenze, “Intelligence and Socioeconomic Success: A Meta-Analytic Review of Longitudinal Research,” Intelligence 35, no. 5 (2007): 401–426.
2. S. Ritchie, T. C. Bates, and I. J. Deary, “Is Education Associated with Improvements in General Cognitive Ability, or in Specific Skills?,” Developmental Psychology 51, no. 5 (2015): 573–582.
3. Abrami et al., “Instructional Interventions”; D. F. Halpern, “Teaching Critical Thinking for Transfer across Domains: Disposition, Skills, Structure Training, and Metacognitive Monitoring,” American Psychologist 53, no. 4 (1998): 449–455; A. Heijltjes, T. Van Gog, and F. Paas, “Improving Students’ Critical Thinking: Empirical Support for Explicit Instructions Combined with Practice,” Applied Cognitive Psychology 28, no. 4 (2014): 518–530.
4. A. Pawl et al., “What Do Seniors Remember from Freshman Physics?,” Physical Review Special Topics—Physics Education Research 8, no. 2 (2012): 020118.
5. H. P. Bahrick, “Semantic Memory Content in Permastore: Fifty Years of Memory for Spanish Learned in School,” Journal of Experimental Psychology: General 113, no. 1 (1984): 1–29; and H. P. Bahrick and L. K. Hall, “Lifetime Maintenance of High School Mathematics Content,” Journal of Experimental Psychology: General 120, no. 1 (1991): 20–33.
6. D. Ausubel, Educational Psychology: A Cognitive View (New York: Holt, Rinehart, and Winston, 1968).
7. J. Piaget, The Origins of Intelligence in Children (New York: International Universities Press, 1952).
8. D. T. Willingham, “What Is Developmentally Appropriate Practice?” American Educator 32, no. 2 (2008): 34–39.
9. P. D. Parker et al., “A Multination Study of Socioeconomic Inequality in Expectations for Progression to Higher Education: The Role of Between-School Tracking and Ability Stratification,” American Educational Research Journal 53, no. 1 (2016): 6–32.
10. Organization for Economic Cooperation and Development, Education at a Glance: 2018: OECD Indicators (Paris: OECD Publishing, 2018).
11. M. D. Smith, “Cognitive Validity: Can Multi-Choice Items Tap Historical Thinking Processes?” American Educational Research Journal 54 (2017): 1256–1287.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2025

Sessões de (in)formação sobre Cidadania Digital com o 9ºC e o 9ºD

 

 #cidadaniadigital  #direitosedeveresonline  #literacias

 

 


 

No passado dia 27 de fevereiro, os alunos do 9ºC e do 9ºD estiveram na Biblioteca, das 10:20 às 12:10, para uma sessão de formação sobre Cidadania digital, mais precisamente sobre direitos e deveres online.

Sob o tema "Sabes usar a informação da Internet nas tuas produções?", a sessão, orientada pela Equipa de Coordenação da Biblioteca , procurou sensibilizar os alunos para a importância de um uso responsável e consciente da informação disponível online.

Foram abordados temas essenciais como direitos de autor, licenças de utilização de conteúdos, pesquisa segura de imagens, vídeos e músicas em plataformas gratuitas, bem como a necessidade de respeitar as normas de referenciação das fontes consultadas. Os alunos também ficaram a conhecer ferramentas de gestão bibliográfica que facilitam a organização e citação de fontes nos seus trabalhos.

Estas iniciativas reforçam o papel crucial das bibliotecas escolares na promoção da literacia digital e na formação de cidadãos informados, críticos e responsáveis no uso da informação, preparando-os para os desafios do mundo digital de forma ética e consciente.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Sessão de (in)formação sobre Cidadania digital - 1ºA-TAS

 

 

#internetmaissegura #DiaDaInternetMaisSegura #cidadaniadigital
#Cibersegurança #direitosedeveresonline




 

 

 

 

 

 

 

 



Hoje, os alunos do 1ºA-TAS tiveram aula na Biblioteca. Acompanhados da professora de Português, participaram numa sessão de formação sobre Cidadania digital, subordinada ao tema "Cidadania digital: Sabes usar a informação da internet nas tuas produções?" e dinamizada pela professora bibliotecária.

Tópicos abordados:
- Direitos de autor
- Licenciamento
- Referenciação de fontes
- Plágio
 


quarta-feira, 6 de novembro de 2024

Participação no Webinar "IA, eu penso!"

 

 #inteligenciaartificial

 



Os alunos do 11º H estiveram esta manhã na Biblioteca para participaram no Webinar de apresentação da iniciativa Operação 7 Dias com os Media 2025, que este ano tem como mote “IA, eu penso!”.

Com este evento pretende-se divulgar e esclarecer a iniciativa, de modo a que as escolas a possam marcar na sua agenda, e tenham oportunidade de preparar, nos próximos meses, as suas participações, quem sabe inspirando-se no muito que já foi partilhado em anos anteriores.

Esta operação é promovida pelo Grupo Informal de Literacia Mediática (GILM), de que a DGE e a RBE fazem parte.

 

sexta-feira, 5 de janeiro de 2024

Inteligência artificial e pensamento crítico

 

 

 

 

  

 

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A chegada e a popularização de ferramentas acessíveis de inteligência artificial generativa e todas as suas faces, expostas em protótipos de chatbots como o ChatGPT – que atingiu mais de 100 milhões de usuários nos primeiros dois meses
após o lançamento, em novembro de 2022 – e o Bart do Google, só reforçam o facto desta obra chegar em boa hora.
Nada mais atual como tratar esse tema sob a ótica da educação e da importância
do desenvolvimento do pensamento crítico, a fim de que todos nós – estudantes,
educadores e cidadãos – possamos aprender sobre IA e suas potencialidades, além dos riscos intrínsecos a qualquer evolução tecnológica.
A própria discussão sobre o conceito de pensamento crítico já torna a leitura deste livro extremamente enriquecedora. O autor foi bastante perspicaz ao abordar questões éticas relativas ao desenvolvimento e uso da inteligência artificial, e ao alertar sobre a necessidade de aprofundar ainda mais o debate para garantir pluralidade, diversidade, equidade e respeito a todos os matizes que compõem a nossa sociedade.
Num mundo cada vez mais conectado, no qual a IA faz parte da nossa vida quotidiana sem nos darmos conta de como isso ocorre, é crucial entendê-la: não só para fazer o melhor uso dela, mas principalmente para garantir a utilização correta e responsável dessa tecnologia que veio para ficar. Por esse motivo, a educação mediática é fundamental se quisermos formar uma geração de cidadãos autónomos, independentes e que possam se beneficiar de todo o potencial da IA. 

Paula Blanco. Prefácio. 

 

 

 

Lançamento do livro “Inteligência Artificial e Pensamento Crítico”