domingo, 6 de setembro de 2026

Novos usos e novos riscos na relação dos adolescentes com a internet

 

 

Portugal é dos países europeus onde os jovens mais recorrem à Inteligência Artificial para desabafar e pedir conselhos. Nas redes sociais, está a aumentar a exposição dos mais novos a discurso de ódio, teorias da conspiração e conteúdos violentos


A vergonha de falar com outras pessoas sobre assuntos mais íntimos e sensíveis e a disponibilidade permanente e imediata do ChatGPT para “ouvir” sem julgamento e responder leva muitos adolescentes a procurar este e outros robôs de conversação para desabafar e pedir conselhos. E Portugal é um dos países onde isso mais acontece: 23% dos jovens até aos 17 anos afirmam recorrer à Inteligência Artificial (IA) Generativa para apoio e aconselhamento emocional, uma percentagem que fica dez pontos acima da média europeia, segundo um estudo da EU Kids Online, uma rede internacional de investigação sobre a relação dos mais novos com as tecnologias digitais.
 
 
 
Imagem: ChaGPT


 

“Às vezes sinto vergonha de com quem é que eu vou falar. E faço isso [usar o Chat GPT] bastantes vezes para tirar as minhas próprias dúvidas em questões de saúde, ou cenas mais pessoais, de relações, amizades”, conta Laura, de 15 anos, uma das inquiridas neste estudo, conduzido no ano passado, que contou com uma amostra de mais de 2000 crianças e jovens portugueses entre os 9 e os 17 anos. “É amizade, porque partilho praticamente a mesma coisa”, explica Henrique, de 13 anos, outro dos entrevistados. “É como se estivéssemos a falar com alguém de quem gostamos muito”, resume Maria, da mesma idade.

[...] 

De acordo com o estudo, a esmagadora maioria dos jovens portugueses (85%) usa ferramentas de IA, sobretudo para a realização de trabalhos escolares, mas há um grande desconhecimento sobre o seu funcionamento. “Os miúdos usam mas não sabem como funciona, que limitações têm, de onde vêm os dados e como são geradas as respostas. Acreditam que todas as respostas são boas, verdadeiras e exatas e não percebem que pode haver conteúdos errados ou enviesados. Rapidamente podem desenvolver relações de grande proximidade [com os robôs de conversação] sem perceberem os riscos envolvidos. Há muita ingenuidade em relação a estas ferramentas”, diz Cristina Ponte, investigadora do Instituto de Comunicação da Nova e coordenadora da equipa portuguesa da rede EU Kids Online desde o seu início, em 2006.

O mesmo desconhecimento verifica-se no que diz respeito às redes sociais, nomeadamente em relação ao funcionamento dos algoritmos, aos seus mecanismos para captar e reter a atenção e aos impactos que têm a vários níveis. Para Cristina Ponte, é fundamental abordar estes conteúdos em contexto de sala de aula, o que ainda não acontece, pelo menos na medida do que seria desejável. “Literacia digital não é só saber usar estas tecnologias, mas perceber como é que funcionam, o que está por trás delas e quais são as implicações do seu uso. São questões que têm mesmo de ser trabalhadas nas escolas”, frisa a investigadora.

Discurso de ódio, desinformação e violência

Segundo dados da EU Kids Online, cerca de metade das crianças e jovens portugueses já se confrontou com discurso de ódio online. A exposição a conteúdos xenófobos ou misóginos, por exemplo, cresce exponencialmente com a idade, abrangendo 72% dos jovens na faixa etária entre os 15 e os 17 anos.

“É preocupante a força com que emergiram novas situações de risco que resultam do agravamento de um ambiente de polarização e extremismo”, diz Cristina Ponte.

De acordo com um estudo, mais de um terço (37%) dos jovens contactam com “teorias da conspiração”, 31% já se depararam com “sugestões de automutilação” e entre 22% e 29% foram expostos online, de forma não intencional, a “pornografia de adultos, outras práticas corporais danosas e imagens nojentas e violentas”.

Quase 40% referem ter tido pelo menos uma experiência negativa no último ano e a maioria (53%) confessa que não se sente segura no espaço online.
 
Joana Pereira Bastos, Expresso, 6 de setembro de 2026 
 

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

A literacia informacional e mediática em contextos curriculares significativos

 

 #literaciainformacional #literaciamediática #bibliotecasescolares #cidadaniadigital

 



Fonte: ChatGPT 

 

A complexidade crescente do ecossistema informacional e mediático exige que os alunos desenvolvam competências de pesquisa, seleção, avaliação e produção de informação de forma crítica, ética e responsável.
 
Num contexto marcado pela abundância de conteúdos, pela desinformação, pelos algoritmos e pela inteligência artificial, torna‑se essencial uma intervenção educativa contínua.
 
Neste contexto, as bibliotecas escolares devem apoiar os alunos na compreensão dos processos de produção, organização e circulação da informação e dos media, ajudando‑os a reconhecer perspetivas, interesses e mecanismos de influência para tomarem decisões fundamentadas.
 
Este trabalho deve ocorrer em contextos curriculares significativos, através de pesquisa, resolução de problemas, criação e comunicação, garantindo a participação ativa dos alunos e evitando ações pontuais ou meramente instrumentais. 
 
 

Leitura, uma competência matricial

 

 
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Fonte: ChatGPT 


A leitura constitui uma competência matricial indispensável à aprendizagem, à construção do conhecimento e à fruição cultural.

 

 

quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Prioridades para as bibliotecas escolares 2026-2027

 

#BibliotecasEscolares #RBE #Prioridades20262027 #Leitura #Literacias #LiteraciaInformacional #LiteraciaMediática #Currículo #Educação 




Neste novo ciclo, a ação das bibliotecas escolares organiza-se em torno de um compromisso comum: construir, em cada agrupamento/escola não agrupada, um programa integrado de leitura e literacias, articulado com o currículo, assumido por toda a comunidade educativa e desenvolvido desde a educação pré-escolar ao longo de toda a escolaridade.

 

 

                                                                                            ChatGPT

 
O documento Bibliotecas Escolares - Prioridades 2026-2027, da RBE, destaca:

 👉UM COMPROMISSO CENTRAL - Construir um programa integrado de leitura e de literacias em cada agrupamento/escola não agrupada:

As bibliotecas escolares são chamadas a colaborar ativamente com os órgãos e as estruturas pedagógicas do agrupamento/escola não agrupada na conceção, coordenação e dinamização desse programa, promovendo a articulação entre escolas níveis e ciclos de ensino, apoiando o trabalho pedagógico e mobilizando recursos e parceiros.

  

👉UM PRINCÍPIO TRANSVERSAL - Uma ação centrada nas pessoas:

A ação das bibliotecas escolares deve ter como centro cada criança e cada jovem, reconhecendo os seus direitos, necessidades, experiências e possibilidades de desenvolvimento.

As bibliotecas escolares devem garantir que todos se sintam acolhidos, reconhecidos e capazes de participar, independentemente das suas circunstâncias ou da resposta existente na escola que frequentam.

Os alunos devem ser envolvidos não apenas como destinatários, mas como participantes ativos, com oportunidades para exprimirem as suas perspetivas e contribuírem para as decisões, os projetos e a vida da biblioteca.

Num contexto de crescente mediação tecnológica, importa ainda assegurar que a tecnologia, designadamente a inteligência artificial, permanece ao serviço das pessoas e do bem comum, preservando a autonomia, o pensamento crítico, a criatividade, a responsabilidade, as relações humanas e a dignidade de cada pessoa

 

👉DUAS ÁREAS FUNDAMENTAIS DE INTERVENÇÃO:


1. Leitura, escrita e oralidade

A leitura constitui uma competência matricial, indispensável à aprendizagem, à construção do conhecimento, à fruição cultural e à participação na vida coletiva. Neste processo, o domínio do texto verbal, nas suas formas escrita e oral, ocupa um lugar central, enquanto base da compreensão, da elaboração do pensamento e da comunicação.
Num contexto marcado pela aceleração, pela fragmentação da atenção e pela multiplicação de estímulos, suportes e linguagens, importa garantir tempos, espaços e experiências que favoreçam a leitura regular, continuada e profunda.

As bibliotecas escolares devem contribuir para a formação de leitores autónomos, críticos e envolvidos, promovendo o contacto com textos e obras diversificados, adequados aos diferentes níveis de desenvolvimento, interesses, experiências e necessidades dos alunos.

A leitura deve ser trabalhada em articulação com a escrita e a oralidade, enquanto competências interdependentes de compreensão, expressão, criação e comunicação. Sem desvalorizar a leitura de textos multimodais, importa assegurar uma atenção continuada ao texto verbal e às competências linguísticas e cognitivas necessárias à sua compreensão profunda.

Esta intervenção deve iniciar-se na educação pré-escolar, consolidar-se no 1.º ciclo e desenvolver-se progressivamente ao longo de todo o percurso escolar, atravessando as diferentes áreas disciplinares.

2. Literacia informacional e mediática

A crescente complexidade do ecossistema informacional e mediático exige que os alunos saibam procurar, selecionar, avaliar, interpretar, produzir e comunicar informação de forma crítica, ética e responsável.

A abundância de conteúdos, a desinformação, a ação dos algoritmos, a produção automatizada, a inteligência artificial e a transformação das práticas comunicacionais tornam indispensável uma intervenção educativa sistemática e continuada.

As bibliotecas escolares devem contribuir para que os alunos compreendam o modo como a informação e os media são produzidos, organizados, distribuídos e utilizados, reconheçam interesses, perspetivas e mecanismos de influência e tomem decisões fundamentadas.

Esta área deve ser desenvolvida em contextos curriculares significativos, através de processos de pesquisa, resolução de problemas, criação e comunicação, nos quais os alunos assumam um papel ativo. A intervenção deve ser sistemática e não se limitar a ações avulsas ou ao domínio instrumental das tecnologias.

 

👉TRÊS PILARES DA AÇÃO:


Equidade e corresponsabilização

Nas escolas não agrupadas, a biblioteca deve articular-se com a direção e as estruturas pedagógicas, garantindo que a sua ação abrange todos os alunos e é assumido como responsabilidade comum.

[...]
Um programa institucional comum permite assegurar coerência, continuidade e equidade, evitando que o acesso dos alunos a oportunidades de leitura e de desenvolvimento das literacias dependa da escola que frequentam, do ciclo de ensino, da infraestrutura disponível ou das iniciativas individuais de cada profissional.

Cada resposta deve, por isso, integrar-se numa rede comum e não funcionar como uma unidade isolada.

Integração curricular

A participação das bibliotecas escolares no desenvolvimento do currículo deve traduzir-se numa intervenção planeada, regular e progressiva, articulada com as aprendizagens essenciais, os projetos curriculares e as prioridades educativas do agrupamento.

Importa, assim, colaborar na conceção, concretização e avaliação de programas e sequências de aprendizagem que integrem a leitura e as literacias em situações curriculares.

Deste modo, a biblioteca deve continuar a afirmar-se como parceira pedagógica, contribuindo com curadoria, recursos, conhecimento especializado, metodologias e ambientes de aprendizagem diversificados.

Infraestrutura e qualidade dos serviços

A concretização de um programa integrado de leitura e literacias exige bibliotecas capazes de responder às necessidades educativas, culturais e sociais das comunidades.

Para além do espaço físico, a infraestrutura da biblioteca integra coleções, tecnologias, equipamentos, ambientes digitais e serviços presenciais e em linha, que devem ser acessíveis, flexíveis, inclusivos, atualizados e adequados às diferentes formas de ler, aprender, pesquisar, criar, comunicar e colaborar, acompanhando as mudanças pedagógicas e tecnológicas.

 
Fonte: RBE

Navegando a IA na educação | Guia interdisciplinar para o ensino da literacia em IA

 

 #InteligênciaArtificial #EducaçãoDigital #LiteraciaDeIA #OCDE #ComissãoEuropeia

 

 

Navigating AI in Education: A Cross-Subject Guide for Teachers and Educators é um guia prático lançado pela OCDE em agosto de 2026 para acompanhar a versão final do Quadro de Literacia em IA (AILit), apresentado em junho de 2026 em parceria com a Comissão Europeia. Este Quadro organiza-se em torno de competências essenciais: 

  • Interagir com a IA: Compreender o funcionamento básico e o uso das  ferramentas de IA.
  • Criar com a IA: Explorar o potencial de apoio à aprendizagem e à produção criativa.
  • Gerir a IA: Avaliar riscos, vieses e a responsabilidade no uso tecnológico.
  • Moldar a IA: Capacitar os jovens a participar ativamente e de forma ética no futuro da tecnologia. 

 

Imagem: The AILit Framework

 
O guia parte da premissa central de que a literacia em IA não exige novas aulas ou um curso específico. Em vez disso, pode ser integrada diretamente às disciplinas que os professores já lecionam.
 
O Ensino básico e Secundário são abordados em conjunto. A profundidade e a complexidade do ensino da literacia em IA variam entre faixas etárias. Cabe aos professores adaptar o conteúdo e as questões ao estádio de desenvolvimento e ao conhecimento prévio dos seus alunos. Quando as diferenças de abordagem entre os dois ciclos de estudo são particularmente relevantes, o guia menciona-as.  
 
A literacia em IA desenvolve-se através de uma prática contínua e intencional em diversas disciplinas. Ela não é alcançada através de instrução isolada, mas sim através de um envolvimento repetido, reflexão e aplicação significativa
 
São seis, as áreas temáticas exploradas: Língua Portuguesa, Ciências Humanas e Sociais, Matemática, Ciências, Artes e Disciplinas Criativas e Ciência da Computação. Estas áreas apresentam componentes comuns dos currículos do ensino básico e secundário em muitos sistemas educativos. 
 
Por exemplo, a escrita, a leitura e a comunicação são centrais na área da Língua e da Literatura, sendo que as ferramentas de IA estão presentes nesta área. Os assistentes de escrita com IA podem ajudar os alunos a redigir, rever e melhorar os textos, mas também levantam questões sobre a autoria, a voz e a originalidade. A área da Língua e Literatura oferece um ambiente natural para que os alunos se envolvam criticamente com a IA tanto como ferramenta criativa como objeto de investigação: O que significa escrever com IA? Como reconhecer um texto gerado por IA? Quais são as responsabilidades dos escritores ao utilizar a assistência da IA? Estas questões alargam, em vez de substituir, as prioridades curriculares existentes em torno da composição, da compreensão e da literacia da informação. 
 
O guia não é exaustivo, mas as abordagens descritas podem ser facilmente transferidas para outras áreas temáticas que aqui não são tratadas.  
 
As áreas temáticas oferecem pontos de partida distintos e complementares: onde a matemática ilumina a mecânica dos sistemas de IA, as humanidades desenvolvem as estruturas críticas e cívicas para os avaliar, e a educação artística levanta as questões éticas e criativas que as disciplinas técnicas por si só não conseguem responder. 
 
Cada seção temática está organizada em torno de experiências em sala de aula comummente associadas com essa disciplina. Para cada experiência, o guia ilustra a ligação à literacia em IA e fornece um exemplo em sala de aula alinhado com uma competência do Quadro AILit, mostrando como esta ligação se pode concretizar na prática. Termina com um conjunto de Questões-Chave elaboradas para auxiliar os professores na avaliação e no aprofundamento da literacia em IA dos alunos. Essas questões podem servir como pontos de partida para discussões, verificações formativas ou atividades reflexivas ao longo de uma unidade ou aula 
 
Através da exploração guiada, pedagogia sólida e relações de confiança com os alunos, os professores garantem que a literacia em IA seja mais do que um conjunto de competências técnicas. Torna-se uma base para os alunos navegarem, questionarem e moldarem as tecnologias nas suas vidas
 
 
Imagem: The AILit Framework
 
 
Este guia é um ponto de partida, e não um mapa abrangente ou definitivo. Cada área disciplinar, cada turma e cada comunidade oferece os seus próprios pontos de partida e perspetivas sobre a literacia em IA. Os professores mais bem posicionados para identificar e desenvolver estes pontos de partida são aqueles que conhecem os seus alunos, os seus contextos e as suas comunidades. 
 
 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Entre quem lê

 

 #entrequemle

 

 





De 18 a 26 de setembro, Vila Real recebe a 3.ª edição do Entre Quem Lê, com escritores, apresentações de livros, conversas, recitais, leituras e oficinas.
Em simultâneo, decorre a Feira do Livro de Vila Real.

 

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Correção de testes assistida por IA

 

 

#InteligênciaArtificial #EducaçãoDigital #LiteraciaDeIA  #ComissãoEuropeia 

 

 


A correção de testes é uma das tarefas mais exigentes e invisíveis do trabalho docente, sobretudo em turmas numerosas. A correção assistida por inteligência artificial pode ajudar a reduzir trabalho repetitivo, desde que a rubrica continue a ser do professor, os dados dos alunos sejam protegidos e a decisão final permaneça humana. 

O artigo de Jorge Borges, publicado no blogue TIC, Educação e Web, propõe um modelo prudente, alinhado com o Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados e com o Regulamento Europeu de IA, pensado para escolas portuguesas que querem experimentar sem correr à frente da ética e da lei.