quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Teatro | Os anjos Nus, de A. M. Pires Cabral

 

 #MIBE #BibliotecasEscolares  #aLermaiseMelhor

 

 



 

Dia 15 de outubro, os alunos do 7º ano vão ao teatro de Vila Real assistir à representação teatral do conto de A. M. Pires Cabral Os Anjos Nus, pelo Peripécia Teatro.

A atividade está inserida no MIBE, é promovida pela RBVR, dinamizada pela Biblioteca, em articulação com o grupo disciplinar de Português de 7º ano, e conta com o apoio do Município de Vila Real. 

 

segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Contos | Anjos nus, de A. M. Pires Cabral

 

#aLerMaiseMelhor


Os Anjos Nus - 1


"Sei que não vai acreditar numa só palavra do que lhe vou contar. Mas não se inquiete por causa disso: eu também não acredito. Somos dois a não acreditar. Mas esta história contou-ma um velhote, da última vez que estive na aldeia, em Trás-os-Montes, no Natal passado, e conto-lha agora a si porque sei que acha piada a estas coisas. Acha-lhes piada, mas no fundo essas mesmas coisas a que acha piada fazem-no pensar. O meu amigo é como eu: só somos cartesianos até certo ponto. Desse ponto em diante, temos na cabeça as mesmas minhocas que outro homem qualquer. Uns levam o fardo da razão mais perto, outros mais longe; mas acaba sempre por chegar um momento em que a razão vacila, a dúvida se instala e a irracionalidade toma conta de nós. Comigo assim é, e consigo também. Acertei? Claro que acertei. Mesmo que diga que não. Somos todos muito racionais, a razão é a única soberana a quem prestamos vassalagem, etc. e tal, mas todos temos uma porta das traseiras por onde entram coisas irracionais como a fé, a crendice, o palpite. Não a ponto de acreditarmos nelas, claro; mas a ponto de lhes acharmos piada— que se calhar é o primeiro passo para as legitimar, o diabo seja surdo." 
 
CABRAL, A. M. Pires - Os anjos nus. Lisboa: Cotovia, 2012.     
 
   

Livro de contos de A. M. Pires Cabral, publicado em 2012, pela Edições Cotovia. 
 
Tema central: Episódios e memórias orais (muitas vezes de veracidade ambígua ou lendas) recolhidas em aldeias de Trás-os-Montes. 
 
Abordagem narrativa: Explora a fronteira entre a razão (o pensamento cartesiano) e a crendice popular, o mistério, a tradição oral e a sabedoria ou as "penumbras" da alma humana e das penedias transmontanas.
 
Estilo: Caracterizado por um apuro formal de tom clássico (frequentemente comparado à prosa de Camilo Castelo Branco), centrado na escuta de histórias que andam "à beira dos caminhos". 
 

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Nobel da Literatura 2026 | Anne Carson

 


#premiosnobel #literatura #aLerMaiseMelhor

 

A escritora, poeta, ensaísta e tradutora canadiana Anne Carson foi distinguida com o Prémio Nobel da Literatura de 2026, “pela sua obra audaz e inventiva que, num diálogo lúdico com a tradição clássica, criou novas formas para a literatura contemporânea”.


Faça duplo clique na imagem para assistir ao vídeo 

 

A Academia sueca declarou: “Quase toda a sua produção literária se centrou na interseção entre a obsessão do filólogo pelas palavras e o desejo do poeta de encontrar novos sentidos. A própria autora identificou a etimologia das palavras como ponto de partida para todo o seu trabalho.”

Entre as obras mais conhecidas de Carson contam-se a estreia, em 1986, Eros the Bittersweet, uma análise do prazer e da dor do desejo na literatura grega antiga; a obra de 1998, muitas vezes apontada como a sua maior, Autobiography of Red: A Novel in Verse, um romance queer de passagem à idade adulta que reimagina um poema grego sobre Héracles; The Beauty of the Husband: A Fictional Essay in 29 Tangos (2001); e Norma Jeane Baker of Troy (2019), que aproxima Marilyn Monroe de Helena de Tróia.

O trabalho mais recente é Wrong Norma, publicado em 2024.

Com este prémio, Carson torna-se apenas na 19.ª mulher a receber o Nobel da Literatura; entre as vencedoras recentes contam-se Han Kang, em 2024, Annie Ernaux, em 2022, e Louise Glück, em 2020.

Fonte: EuroNews 

terça-feira, 6 de outubro de 2026

MIBE | Bibliotecas, Literacia e Inteligência Artificial

 

 #literacias  #leitura  # aLerMaiseMelhor  #bibliotecasescolares  #MIBE

 

 




Outubro é tempo de celebrar as bibliotecas escolares!
Sob o mote "Bibliotecas, Literacia e Inteligência Artificial", a Biblioteca da ES Camilo Castelo Branco, em Vila Real, convida a comunidade escolar a descobrir novas formas de ler, aprender, questionar, criar, imaginar e compreender o mundo.

Ao longo do Mês Internacional da Biblioteca Escolar - MIBE, a tradição e a inovação encontram-se num programa diversificado, com formação para as literacias (da leitura e escrita, da informação e dos media), um workshop de ilustração, palestras sobre as paisagens poéticas do Douro e a relação entre literatura e ciência, participação no intercâmbio internacional de marcadores de livros, sessão de teatro e momentos de partilha de leituras, entre outras iniciativas, como "Ler e escrever está na moda!".
 
E porque a biblioteca escolar empodera para a IA, haverá também sessões com e sobre a Inteligência Artificial preparadas pela RBE.

Outubro marca ainda o regresso de projetos de continuidade: LIDERA, História & estórias ciganas, Bookcrossing, Provavelmente Leitura, bem como o (re)lançamento do Miúdos a Votos.

Num tempo em que a informação circula a uma velocidade sem precedentes e a IA abre novas possibilidades, a biblioteca afirma-se como lugar de encontro entre livros, pessoas, ideias e tecnologias — um espaço onde se aprende a ler para além das palavras, a pensar criticamente, a distinguir informação de opinião e a transformar a curiosidade em conhecimento.

Vem à Biblioteca! 
 
Porque aprender é também imaginar, dialogar e criar em conjunto.



segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Cientistas alemães e norte-americano ganham Nobel da Medicina 2026

 



 

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Os cientistas alemães Karl Deisseroth e Peter Hegemann e o cientista norte-americano Georg Nagel ganharam o Prémio Nobel da Medicina, pela sua investigação sobre canais iónicos ativados pela luz e optogenética — um método que "oferece oportunidades para mapear o cérebro de uma forma com que antes só podíamos sonhar", lançando as bases "de uma nova era na neurociência", afirmou a Assembleia Nobel do Karolinska Institutet, em comunicado.

"A optogenética oferece oportunidades para mapear o cérebro de uma forma com que antes apenas podíamos sonhar", afirmou Per Svenningsson, presidente do Comité Nobel da Fisiologia ou Medicina, em comunicado de imprensa.

"Este método está agora a ser utilizado em laboratórios de todo o mundo para desvendar os mistérios do cérebro", escreveu o comité na rede social X.

Fonte: Euronews

Dia do professor

 

 

#BibliotecasEscolares #Literacias  #PensamentoCrítico

 

 
 


No Dia Mundial do Professor, celebramos o trabalho essencial daqueles que, todos os dias, constroem caminhos de conhecimento, diálogo e cidadania. A Biblioteca Escolar junta‑se a esta homenagem, reconhecendo a força da colaboração que mantém com os docentes na promoção da leitura, da pesquisa, das literacias, dos media e do pensamento crítico.

Em conjunto, professores e biblioteca criam ambientes de aprendizagem onde ler é descobrir, investigar é compreender, analisar é transformar. Através de projetos partilhados, recursos diversificados e práticas pedagógicas inovadoras, esta parceria fortalece competências fundamentais para que cada aluno se torne leitor autónomo, cidadão informado e participante ativo na vida democrática.

Hoje, celebramos os professores — e celebramos também o trabalho articulado que dá sentido à missão da Biblioteca Escolar: apoiar, inspirar e caminhar ao lado de quem ensina, para que todos possam aprender melhor e viver com mais consciência e responsabilidade.  

sábado, 3 de outubro de 2026

Quando a IA responde, quem fica pelo caminho?

 


#PensamentoCrítico  #InteligenciaArtificial #FontesDeInformação  #LiteraciaDosMedia  #LiteraciaDigital

 

 

                                                                                   Alex Shuper | Unsplash

 


A desvalorização dos autores e criadores

Recentemente, quando se coloca uma pergunta no motor de busca Google, ou quando se abre um documento, por exemplo na extensão PDF, surge: 

  • A resposta pronta escrita por IA, que aparece no topo da página;   
  • O convite para gerar automaticamente o resumo e as conclusões do documento, antes mesmo de o abrir e ler. 

A pesquisa na internet passou a ser centrada na IA, que se apresenta como “dona e senhora da verdade” (Descartes). A IA oferece ao utilizador/consumidor a ilusão de que há uma resposta única e simples para questões e problemas complexos, que têm diferentes interpretações e perspetivas críticas. Neste processo, há todo um universo de exploração próprio, especificamente humano, que pode desaparecer e, a médio prazo, reduzir a diversidade de pensamento e da criatividade humana.  

Por outro lado, dantes víamos quem aparecia no topo da página como patrocinado e, agora, a resposta automática não o indica, apesar de sabermos que as empresas de tecnologias dão maior visibilidade às fontes das quais retiram maior lucro.  

Perante este desafio da mudança silenciosa de motores de busca e de ferramentas digitais em assistentes personalizados de IA - que ocorre de forma silenciosa - que soluções deve a escola e os professores bibliotecários pôr em prática?  

No âmbito da leitura e da literacia digital, da informação e media, deve: 

  • Incentivar o acesso a fontes credíveis de informação, em vez de aceitar os resultados - não validados - de seleção automática baseada em algoritmos. É fundamental que cada aluno seja orientado para avaliar e classificar sítios Web e respostas de IA generativa de diferentes LLM; 
  • Priorizar os diferentes autores e criadores que aparecem em segundo plano na página do Google e priorizar a leitura das autoridades que podem validar o conhecimento, como cientistas e investigadores especializados; profissionais de informação, de bibliotecas, de museus e de arquivos; líderes institucionais e comunitários; professores e professores bibliotecários qualificados.  
    Só através da consulta destas fontes se pode comparar/cruzar informação e acrescentar perspetivas diversas que alargam e aprofundam o pensamento, a criação e os modos de ser e de se relacionar; 
  • Promover fontes abertas de interesse público, como a Wikipédia ou a Europeana, cujas ferramentas redistribuem o poder narrativo, garantindo que o património cultural inclui aqueles cujas vozes foram omitidas ao longo da História; 
  • Apoiar e ajudar a construir redes de património digital local/regional de acesso aberto, com conteúdo de qualidade, construído a partir de fontes primárias, que sempre que são clicadas ganham audiência e financiamento através de publicidade e criam condições para a participação democrática no governo de IA. 

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Rede Bibliotecas Escolares. (n.d.). Retrieved from https://www.rbe.mec.pt/np4/5885.html?fbclid=IwY2xjawUvo9BleHRuA2FlbQIxMAB