quinta-feira, 19 de março de 2026

Paulo Freixinho e as palavras cruzadas

 

 

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No passado dia 17 de março, a nossa escola recebeu o reconhecido cruciverbalista Paulo Freixinho para um encontro dirigido aos alunos do Ensino Secundário (10º B, 10ºE, 11ºE, 11ºF). A iniciativa, promovida pela Rede de Bibliotecas de Vila Real e apoiada pelo Município, proporcionou uma sessão dinâmica e inspiradora, centrada no universo das palavras cruzadas e no seu papel na construção do conhecimento.

Ao longo da sessão, Paulo Freixinho — colaborador habitual de jornais como o Público, Jornal de Notícias e A Voz de Trás-os-Montes — partilhou com os alunos a sua experiência enquanto autor de passatempos e destacou a relevância deste género lúdico na vida quotidiana. Para muitos estudantes, foi surpreendente perceber como um simples jogo de palavras pode ser uma poderosa ferramenta de aprendizagem.

As palavras cruzadas, além de estimularem a curiosidade e o raciocínio, promovem a aquisição de vocabulário, reforçam a ortografia, desenvolvem a atenção ao detalhe e incentivam a autonomia na pesquisa. Através do desafio e do prazer lúdico, os alunos descobrem novas palavras, consolidam conhecimentos e ampliam a sua cultura geral — competências essenciais num mundo em constante transformação.

Este encontro permitiu, assim, valorizar a leitura, o pensamento crítico e a criatividade, mostrando que aprender pode — e deve — ser também um exercício de jogo, descoberta e prazer intelectual.


quarta-feira, 18 de março de 2026

Música em Cena | Concertina

 

#músicaemcena #bibliotecaccbvr

 

 




 

Em março, na Biblioteca, a concertina e o Eliano Anjos são os protagonistas.

Convidados: alunos do 8ºB. 

Dia: 19

Hora: 10:20

 

segunda-feira, 16 de março de 2026

SL | Encontro com o cruciverbalista Paulo Freixinho

 

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Duas sessões: 14:15 e 15:15 

Dia: 17 de março

Público-alvo: 10ºB, 10ºE, 11ºE, 11ºF 

Atividade promovida pela Rede de Bibliotecas de Vila Real (RBVR), com o apoio do Município.




 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Semanas da leitura 2026 | Programa

 

 

#semanasdaleitura  #alermaisemelhor  #bibliotecaesccbvr


Partilhamos o programa das Semanas da Leitura 2026 na Escola Secundária Camilo Castelo Branco.




Felizes Encontros de Leitura!

 

Semanas da Leitura 2026

 

 #semanasdaleitura  #alermaisemelhor  #bibliotecaccbvr

 

 

 



Celebrar a leitura, ampliar horizontes, fortalecer a comunidade

Na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, a leitura é uma presença constante. Integrados na Rede de Escolas Leitoras, através do projeto aLer mais e melhor, desenvolvemos ao longo de todo o ano um conjunto de dinâmicas que procuram aprofundar, na escola, uma cultura de leitura integral e aproximar os alunos dos livros, das histórias e das múltiplas formas de ler o mundo.

Mas este é um momento especial. As Semanas da Leitura, promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares, e sob a forma de plural por opção da Rede Concelhia de Vila Real, convidam-nos a celebrar, com ainda maior intensidade, o poder transformador da leitura. Durante os meses de março e abril, a nossa escola junta-se a esta festa, abrindo portas a iniciativas que valorizam a leitura em diferentes suportes, linguagens e contextos.

Ler é descobrir, questionar, imaginar. É construir pensamento crítico, desenvolver competências essenciais, fortalecer a autonomia e a criatividade. É também criar laços: entre alunos, professores, famílias e toda a comunidade local. Por isso, estas Semanas da Leitura serão um tempo de partilha, encontro e participação ativa.

Ao longo destas semanas, a biblioteca escolar, em articulação com os diversos departamentos curriculares, irá dinamizar atividades que pretendem envolver todos: sessões de leitura, encontros com autores, desafios criativos, concursos, workshops, projetos colaborativos e momentos de fruição literária pensados para diferentes idades e interesses. Algumas iniciativas integram a programação comum da Rede de Bibliotecas de Vila Real, com o apoio do Município; outras nascem da identidade própria da nossa escola e da energia da nossa comunidade educativa.

Convidamos todos — alunos, famílias e parceiros — a juntar-se a nós nesta celebração. Porque ler amplia horizontes, fortalece a cidadania e aproxima as pessoas. E porque, quando a leitura ganha protagonismo, a escola torna-se um espaço ainda mais vivo, mais aberto e mais nosso.


terça-feira, 10 de março de 2026

“Camoinz Hépyco‑Lyrico”: teatro que faz a literatura ganhar vida


 
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Na ES Camilo Castelo Branco, as Semanas da Leitura abriram com o espetáculo “Camoinz Hépyco‑Lyrico”, de Simão Rubim e João Marta, que trouxe a poesia de Camões para o palco com humor, criatividade e enorme envolvimento.

De forma lúdica, os alunos revisitaram rimas, temas, conceitos e influências estéticas e assistiram à desconstrução de convenções e normas literárias. O espetáculo integrou ainda a leitura expressiva de textos camonianos, incluindo excertos de Os Lusíadas, revelando a força e atualidade da palavra poética.

Este momento artístico destacou o papel do teatro como ferramenta pedagógica, capaz de aproximar os estudantes da literatura, estimular a compreensão dos textos e transformar a aprendizagem num processo vivo e participativo.

Um espetáculo excelente e uma prova de que a arte continua a ser uma poderosa aliada da educação.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Chama o António




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Fazemos assim: vocês fingem que não se dão conta de que umas vezes a frase é sobre ele, outras, aposto que muitas, sou eu a falar com ele. Serão ideias dispersas. Por exemplo: ser-me-ia difícil responder com exactidão a uma interrogação quiçá legítima de um jornalista, diga-me aí umas cinco ou seis coisas que lhe ensinou António Lobo Antunes, uma vez que ele não ensinava, ele só escrevia, e era a gente, em querendo, que aprendia.

Soube agora, ao dizer umas palavras a uma rádio sobre a tua morte, que disseste numa ocasião com um sorriso que a esperança é a mais bela de todas as coisas. Disseste-o, contam-me, na Escritaria que te foi dedicada, e eu fiquei muito contente. Porque demasiadas vezes, injustas vezes, ignorantes vezes, te confundiam com um escritor cínico que navegava com prazer pelas maldades e agruras deste mundo.

Na verdade eu não soube da tua morte. Vou sabendo. Mesmo agora, ao dizer umas palavras vazias sobre ti, estava eu ao telefone para onde me ligaram, às voltas pela sala toda, movido a bichos-carpinteiros, porque não consigo falar ao telefone de outra maneira, não sei porquê, sei que os meus filhos são iguais, imagina tu que a minha filha um dia atendeu o telefone na praia, na toalha ao meu lado, e levantou-se a falar às voltas e às voltas, e quando dei por ela estava lá ao fundo ao pé das dunas, que até lhe fiz sinal para voltar.

A minha filha vai ter uma filha dentro de dois meses. Imagina, António. Vou ser avô. E portanto, e ainda que compreenda que mo peçam, não posso desatar já a falar sobre a tua morte, porque com a idade também eu peço tempo para digerir com calma, sob pena de me afogar de medo. Deixa-me explicar melhor, já sabemos que hoje não se pode escrever de certas maneiras que as pessoas ficam muito confundidas, é por isso, por razões práticas, que nas chamadas redes sociais escreves frases com mais de duas linhas e já foste.

Digo que me começaste a morrer assim que ouvi o telefone piar uma campainha e depois outra, e depois outra, e antes de espreitar, estremunhado à procura dos óculos, já sabia que o telemóvel ia piar muitas campainhas de manhã cedo quando fosse o dia que detesto.

E isto não tem relação com a doença que te roubou ao mundo antes. Nessa ocasião nunca me ocorreu dizer ou sentir ou escrever ou rezar que tinha começado a tua morte. Eu vou à minha estante e estão lá os livros, encostados uns aos outros, cronológicos, mais firmes e disciplinados do que as paradas em Angola, quando os soldados magros tentavam compor a farda para não levarem descomposturas.

Tu estavas doente e entre outras características insanas da condição, não escreverias mais. Mas eu passava na estante e estavas lá, estás lá, aqui, na minha casa, sempre, mesmo que mude de casa ou de estante, portanto tudo estava na mesma, em grande parte, ou na parte que interessa, o que já é bastante bom, porque tu explicaste muitas vezes que a tua biografia, ou seja, quem tu és ou queres dizer, estava nos livros e em mais lugar nenhum. A biografia de um escritor dificilmente se encontra nas amizades, amores e ódios da vida do lado de fora, o quotidiano, feito de circunstâncias e humores e etapas e idades. O que tem piada, falámos muito disto, as pessoas partirem do princípio de que é nos livros que mentimos.

Natureza de bicho, inteiro e limpo e sujo, só quando escrevemos, sozinhos com a página, sozinhos com a página, cada vez mais sós a cair, a cair dentro de cada vez mais páginas, porque a resposta tarda, porque a resposta pode estar na próxima frase, e na outra, e na outra. Inventamos personagens para falarem por nós, ou pelo que em nós não sabe nada, e fazemo-las como aos aviõezinhos de papel, todas um nadinha tortas e sem sabermos bem para onde vão voar, uma vez que algumas começam logo a dar cambalhotas e volteios que não respeitam planos iniciais, o que só nos garante que somos mesmo nós. 

Tenho na parede do quarto onde escrevo a carta que me escreveste no dia 1 de Fevereiro de 1999, só a mudo de sítio de tempos a tempos, quando começo a acumular os papelinhos com gatafunhos do que um dia serão os meus pobres livros. Não preciso já de a ler, sei-a como a um rebuçado que trago na boca a proteger-me de nervos, a carta de um consagrado a um aprendiz, com recomendações e pedidos. Procuro honrá-los, embora seja difícil que alguém entenda, porque além de escritores também vão morrendo os leitores que nos aguardavam como quem espera a carta de amor que o carteiro há-de trazer à primeira luz da manhã.

Agora, vai, meu querido António, que aprendi contigo a não ter medo de beijos, os que reservamos aos pais, aos irmãos, aos cúmplices.

Amo em ti a ternura com que nos vias. Sorrio quando me lembro que adoptei uma letra pimba para te invocar. Ainda hoje, quando me falta a musa, ou se atrasa, sorrio e chamo o António. E tu vens em meu socorro, como se eu fosse um filho às voltas na cama com um pesadelo. Hoje, peço-te que durmas bem.

Rodrigo Guedes de Carvalho. E-Revista Expresso, de 5 de março de 2026