terça-feira, 10 de março de 2026

“Camoinz Hépyco‑Lyrico”: teatro que faz a literatura ganhar vida


 
#camões500 #teatro #RBVR #bibliotecaccbvr #semanasdaleitura

 










Na ES Camilo Castelo Branco, as Semanas da Leitura abriram com o espetáculo “Camoinz Hépyco‑Lyrico”, de Simão Rubim e João Marta, que trouxe a poesia de Camões para o palco com humor, criatividade e enorme envolvimento.

De forma lúdica, os alunos revisitaram rimas, temas, conceitos e influências estéticas e assistiram à desconstrução de convenções e normas literárias. O espetáculo integrou ainda a leitura expressiva de textos camonianos, incluindo excertos de Os Lusíadas, revelando a força e atualidade da palavra poética.

Este momento artístico destacou o papel do teatro como ferramenta pedagógica, capaz de aproximar os estudantes da literatura, estimular a compreensão dos textos e transformar a aprendizagem num processo vivo e participativo.

Um espetáculo excelente e uma prova de que a arte continua a ser uma poderosa aliada da educação.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Chama o António




antnio1_0



Fazemos assim: vocês fingem que não se dão conta de que umas vezes a frase é sobre ele, outras, aposto que muitas, sou eu a falar com ele. Serão ideias dispersas. Por exemplo: ser-me-ia difícil responder com exactidão a uma interrogação quiçá legítima de um jornalista, diga-me aí umas cinco ou seis coisas que lhe ensinou António Lobo Antunes, uma vez que ele não ensinava, ele só escrevia, e era a gente, em querendo, que aprendia.

Soube agora, ao dizer umas palavras a uma rádio sobre a tua morte, que disseste numa ocasião com um sorriso que a esperança é a mais bela de todas as coisas. Disseste-o, contam-me, na Escritaria que te foi dedicada, e eu fiquei muito contente. Porque demasiadas vezes, injustas vezes, ignorantes vezes, te confundiam com um escritor cínico que navegava com prazer pelas maldades e agruras deste mundo.

Na verdade eu não soube da tua morte. Vou sabendo. Mesmo agora, ao dizer umas palavras vazias sobre ti, estava eu ao telefone para onde me ligaram, às voltas pela sala toda, movido a bichos-carpinteiros, porque não consigo falar ao telefone de outra maneira, não sei porquê, sei que os meus filhos são iguais, imagina tu que a minha filha um dia atendeu o telefone na praia, na toalha ao meu lado, e levantou-se a falar às voltas e às voltas, e quando dei por ela estava lá ao fundo ao pé das dunas, que até lhe fiz sinal para voltar.

A minha filha vai ter uma filha dentro de dois meses. Imagina, António. Vou ser avô. E portanto, e ainda que compreenda que mo peçam, não posso desatar já a falar sobre a tua morte, porque com a idade também eu peço tempo para digerir com calma, sob pena de me afogar de medo. Deixa-me explicar melhor, já sabemos que hoje não se pode escrever de certas maneiras que as pessoas ficam muito confundidas, é por isso, por razões práticas, que nas chamadas redes sociais escreves frases com mais de duas linhas e já foste.

Digo que me começaste a morrer assim que ouvi o telefone piar uma campainha e depois outra, e depois outra, e antes de espreitar, estremunhado à procura dos óculos, já sabia que o telemóvel ia piar muitas campainhas de manhã cedo quando fosse o dia que detesto.

E isto não tem relação com a doença que te roubou ao mundo antes. Nessa ocasião nunca me ocorreu dizer ou sentir ou escrever ou rezar que tinha começado a tua morte. Eu vou à minha estante e estão lá os livros, encostados uns aos outros, cronológicos, mais firmes e disciplinados do que as paradas em Angola, quando os soldados magros tentavam compor a farda para não levarem descomposturas.

Tu estavas doente e entre outras características insanas da condição, não escreverias mais. Mas eu passava na estante e estavas lá, estás lá, aqui, na minha casa, sempre, mesmo que mude de casa ou de estante, portanto tudo estava na mesma, em grande parte, ou na parte que interessa, o que já é bastante bom, porque tu explicaste muitas vezes que a tua biografia, ou seja, quem tu és ou queres dizer, estava nos livros e em mais lugar nenhum. A biografia de um escritor dificilmente se encontra nas amizades, amores e ódios da vida do lado de fora, o quotidiano, feito de circunstâncias e humores e etapas e idades. O que tem piada, falámos muito disto, as pessoas partirem do princípio de que é nos livros que mentimos.

Natureza de bicho, inteiro e limpo e sujo, só quando escrevemos, sozinhos com a página, sozinhos com a página, cada vez mais sós a cair, a cair dentro de cada vez mais páginas, porque a resposta tarda, porque a resposta pode estar na próxima frase, e na outra, e na outra. Inventamos personagens para falarem por nós, ou pelo que em nós não sabe nada, e fazemo-las como aos aviõezinhos de papel, todas um nadinha tortas e sem sabermos bem para onde vão voar, uma vez que algumas começam logo a dar cambalhotas e volteios que não respeitam planos iniciais, o que só nos garante que somos mesmo nós. 

Tenho na parede do quarto onde escrevo a carta que me escreveste no dia 1 de Fevereiro de 1999, só a mudo de sítio de tempos a tempos, quando começo a acumular os papelinhos com gatafunhos do que um dia serão os meus pobres livros. Não preciso já de a ler, sei-a como a um rebuçado que trago na boca a proteger-me de nervos, a carta de um consagrado a um aprendiz, com recomendações e pedidos. Procuro honrá-los, embora seja difícil que alguém entenda, porque além de escritores também vão morrendo os leitores que nos aguardavam como quem espera a carta de amor que o carteiro há-de trazer à primeira luz da manhã.

Agora, vai, meu querido António, que aprendi contigo a não ter medo de beijos, os que reservamos aos pais, aos irmãos, aos cúmplices.

Amo em ti a ternura com que nos vias. Sorrio quando me lembro que adoptei uma letra pimba para te invocar. Ainda hoje, quando me falta a musa, ou se atrasa, sorrio e chamo o António. E tu vens em meu socorro, como se eu fosse um filho às voltas na cama com um pesadelo. Hoje, peço-te que durmas bem.

Rodrigo Guedes de Carvalho. E-Revista Expresso, de 5 de março de 2026

Reinterpretação da taxonomia de Bloom na era da IA

 

 #inteligênciaartificial

 

 

 





A taxonomia original foi concebida numa época em que o acesso à informação era relativamente limitado e em que os processos cognitivos associados à aprendizagem eram frequentemente representados de forma hierárquica e linear, partindo de níveis mais básicos (como recordar informação) até níveis mais complexos (como criar). No entanto, o atual ecossistema informacional, marcado pela abundância de dados, pela automatização de processos cognitivos e pela presença de sistemas inteligentes capazes de produzir textos, imagens ou código, exige uma reinterpretação mais dinâmica e processual da aprendizagem.
 
Neste contexto, propõe-se um modelo cíclico e não linear da taxonomia. Os níveis Lembrar, Compreender, Aplicar, Analisar, Avaliar e (Co)Criar continuam a representar dimensões essenciais da atividade cognitiva, mas deixam de ser entendidos como etapas rigidamente sequenciais. Na prática, quando os alunos interagem com sistemas de inteligência artificial, os processos cognitivos ocorrem frequentemente de forma iterativa e recursiva: um aluno pode criar um produto com apoio da IA, analisá-lo criticamente, adaptá-lo, voltar a aplicá-lo e reavaliá-lo. Assim, a aprendizagem torna-se um processo circular de refinamento e reconstrução do conhecimento.
 
A introdução das dimensões Curar, Adaptar, Simular e Inovar, que atravessam transversalmente os níveis da taxonomia, procura captar novas práticas cognitivas emergentes no contexto da inteligência artificial.
 
Curar refere-se à capacidade de selecionar, filtrar e organizar informação proveniente de múltiplas fontes, incluindo conteúdos gerados por IA. Num ambiente de sobrecarga informacional, a competência de curadoria torna-se central para construir conhecimento fiável.
 
Adaptar diz respeito à capacidade de modificar, personalizar ou reconfigurar conteúdos, ajustando-os a novos contextos, problemas ou públicos.
 
 Simular representa a possibilidade de explorar cenários hipotéticos, testar ideias e experimentar soluções com o apoio de sistemas computacionais.
 
Inovar corresponde à capacidade de transformar conhecimento em novas ideias, produtos ou soluções, muitas vezes em colaboração com sistemas inteligentes. A criação deixa de ser apenas o nível final da taxonomia e passa a integrar um processo contínuo de experimentação e transformação.
 
Esta reinterpretação, em vez de substituir o modelo clássico, pretende expandir o seu alcance conceptual, permitindo compreender melhor as práticas cognitivas que emergem quando os estudantes trabalham em ambientes digitais avançados e interagem com sistemas de inteligência artificial. O modelo cíclico proposto oferece um quadro teórico que ajuda a repensar o desenho das atividades de aprendizagem, das estratégias de avaliação e das competências a desenvolver, numa era em que aprender implica cada vez mais dialogar com sistemas tecnológicos, interpretar os seus resultados e reconstruir continuamente o conhecimento.
 

domingo, 8 de março de 2026

Global Money Week 2026 | “Smart Money Talks”

 

#GMW2026 #GlobalMoneyWeek2026 #SmartMoneyTalks 

 



 
Global Money Week - GMW2026 é uma campanha anual de consciencialização global que visa garantir que os jovens, desde cedo, tenham consciência financeira e adquiram gradualmente o conhecimento, as habilidades, as atitudes e os comportamentos necessários para tomar decisões financeiras acertadas e, em última instância, alcançar o bem-estar e a resiliência financeira. A campanha é coordenada pela OCDE e implementada pelas autoridades nacionais. 
 
Este ano, decorre entre os dias 16 e 22 de março e tem como tema “Conversas Inteligentes sobre Dinheiro” 

A educação financeira fornece as ferramentas – desde o básico do orçamento e da poupança até ao crédito – para iniciar conversas que podem prevenir a ansiedade e os erros. A literacia financeira pode capacitar os jovens a construir hábitos financeiros mais saudáveis, evitar armadilhas e assumir o controlo da sua jornada rumo ao bem-estar financeiro.

A biblioteca escolar vai promover a participação da escola neste evento através da realização de duas palestras em parceria com o Banco de Portugal


👉ToolKit

 

 

Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as mulheres e meninas

 

 
#paratodasasmulheresemeninas  #forallwomenandgirls

 




 


No dia 8 de março de 2026, junte-se a mulheres e meninas de todo o mundo para exigir igualdade de direitos e justiça igualitária para garantir, exercer e desfrutar desses direitos.

Atualmente, nenhuma nação conseguiu eliminar as disparidades legais entre homens e mulheres. Hoje, as mulheres possuem apenas 64% dos direitos legais que os homens têm em todo o mundo. Em áreas fundamentais da vida, como trabalho, finanças, segurança, família, propriedade, mobilidade, negócios e aposentadoria, a lei sistematicamente coloca as mulheres em desvantagem.

O Dia Internacional da Mulher de 2026 (IWD 2026), sob o tema “Direitos. Justiça. Ação. Para TODAS as Mulheres e Meninas”, convoca à ação para desmantelar todas as barreiras à igualdade perante a lei: leis discriminatórias, proteções legais frágeis e práticas e normas sociais prejudiciais que corroem os direitos das mulheres e meninas.

ONU Mulheres 

 

sábado, 7 de março de 2026

É o António Lobo Antunes que o diz

 


#alermaisemelhor  #bibliotecaccbvr





"Não tenho dúvida em dizer que ninguém escreve como eu, mas não sou eu, é o António Lobo Antunes, que é uma pessoa que ninguém sabe quem é. Porque o eu é um menino assustado, muitas vezes com medo e por vezes perdido." 

Fonte: Diário de Notícias, 05.12.2015









 

quinta-feira, 5 de março de 2026

IN MEMORIAM

 

 António Lobo Antunes (1942_2026)

 



A morte de António Lobo Antunes representa uma grande perda para a literatura portuguesa e para a cultura contemporânea. Considerado um dos mais importantes escritores de língua portuguesa das últimas décadas, construiu uma obra marcante pela originalidade da linguagem e pela profundidade com que explorou temas como a memória, a guerra, a família e a condição humana.

Autor de romances fundamentais como Os Cus de Judas, As Naus, O esplendor de Portugal e A morte de Carlos Gardel, viu os seus livros traduzidos em numerosas línguas e publicados em vários países, conquistando reconhecimento internacional e leitores em todo o mundo.

Com a sua morte desaparece uma das vozes mais singulares da literatura portuguesa, permanecendo uma obra de enorme importância que continuará a ser lida e estudada em Portugal e no estrangeiro.