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terça-feira, 8 de setembro de 2026

Relatório PISA 2025

 

 #literaciadaleitura  #Educação

 

 

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PISA 2025 apaga 20 anos de progresso dos alunos portugueses

A OCDE divulgou hoje os resultados do PISA 2025, a maior avaliação internacional à literacia de leitura, ciências e matemática dos estudantes de 15 anos. Os dados mostram que os alunos portugueses pioraram a sua pontuação nos três domínios avaliados: em leitura, a pontuação foi de 462 (vs. 477 em 2022); em matemática foi de 460 (vs. 472 em 2022); e em ciências foi de 482 (vs. 484 em 2022). Estes resultados são também piores em comparação com os primeiros testes PISA em que Portugal participou, em 2000 (em leitura) e 2006 (nas outras duas disciplinas).

«O resultado mais preocupante é talvez o da leitura. Os alunos portugueses perdem 15 pontos em apenas três anos. É uma queda muito expressiva e que não pode ser explicada simplesmente pelo choque da pandemia, porque ocorre depois de 2022», explica João Marôco, autor do ED_ON e especialista em estatísticas da educação.

Igualmente preocupante é «a tendência de longo prazo: desde 2015, Portugal perdeu 36 pontos em leitura — passando de 498 para 462. Em 2025, estamos inclusivamente 10 pontos abaixo do resultado de 2006 (472). Ou seja, neste campo, estamos perante uma regressão que nos deixa abaixo de um nível alcançado há quase duas décadas», refere João Marôco.

O especialista indica ainda que «há aqui um paradoxo importante: Portugal continua praticamente alinhado com a média da OCDE — 462 contra 463 pontos —, mas isso não significa que o nosso sistema esteja bem. Significa que a média internacional também caiu e que Portugal perdeu uma parte substancial dos progressos que tinha conseguido. A pergunta que estes resultados deixam não é apenas “como estamos relativamente aos outros?”, mas “porque estamos a perder competências que os nossos alunos já tinham adquirido?” Essa tendência de deterioração, sobretudo na leitura, é preocupante».

De 2000 até 2015, os resultados globais de Portugal no PISA tinham-se mantido estáveis ou melhorado quando comparados com as edições anteriores. Em 2018 assistiu-se a uma queda do desempenho dos alunos portugueses, que se acentuou em 2022 e atingiu mínimos históricos em 2025.

O mais importante nos resultados de 2025 não é, por isso, uma queda pontual, mas o facto de estarmos «perante uma tendência continuada de deterioração do desempenho, particularmente evidente na matemática e na leitura. E isto é relevante porque não estamos a comparar apenas Portugal com outros países: comparamos Portugal consigo próprio e com o que já tinha conseguido alcançar. A queda de 2025 ocorre num contexto em que o próprio desempenho médio da OCDE também diminuiu, e Portugal está alinhado com a média da OCDE. Mas a questão relevante é que Portugal perdeu competências nos últimos anos depois de ter passado quase duas décadas a conquistá-las. Esta inversão da trajetória, mais do que a posição no ranking da OCDE, deve preocupar-nos», conclui João Marôco.

O PISA é um estudo por amostragem de larga escala, sendo os alunos selecionados de forma a representar devidamente a população escolar de 15 anos de cada país participante. A edição de 2025 contou com a participação de mais de 760 mil alunos de 91 países e economias de todo o mundo. Em Portugal participaram 6945 alunos de 225 escolas selecionadas aleatoriamente em todo o território nacional.

 Teresa e Alexandre Soares dos Santos. Newsletter Iniciativa Educação, de 8 de setembro de 2026

OECD (2026), PISA 2025 Results (Volume I): Future-Ready Students, PISA, OECD Publishing, Paris, https://doi.org/10.1787/73451bc5-en

segunda-feira, 22 de junho de 2026

Balanço Anual da Educação 2026

 

 



Um dos temas do Balanço Anual da Educação 2026, da Fundação Belmiro de Azevedo, são os "Alunos com nacionalidade estrangeira no sistema de ensino público obrigatório". Na apresentação do relatório foram destacadas medidas que podem contribuir para a inclusão destes alunos: mais autonomia das escolas, alterações no currículo, evitar turmas só de alunos estrangeiros e a contratação de professores migrantes. 
 
 
 

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Diagnóstico de Fluência Leitora

 






Os resultados da fluência leitora, como os do Diagnóstico nacional de 2025 em Portugal, mostram que a média de palavras lidas por minuto (PLCM) para o 2.º ano é de cerca de 75, mas um quarto dos alunos está abaixo das 51 PLCM, indicando risco de dificuldades futuras, o que levou a medidas como a criação de mais bibliotecas escolares e a repetição do diagnóstico em 2025/2026 para apoiar o planeamento pedagógico e melhorar a compreensão leitora, segundo dados do IAVE e do Ministério da Educação. 


Principais Descobertas: 

- Média e Dispersão: 

A média de 75 PLCM (palavras lidas corretamente por minuto) está no intervalo de referência, mas há uma alta dispersão, com muitos alunos em níveis muito baixos (abaixo de 51 PLCM), que é considerado risco para compreensão futura.


- Impacto: 

Baixa fluência afeta a capacidade de compreender textos, sendo a leitura repetida e intervenções individuais (como as realizadas por professores) estratégias eficazes para melhorar velocidade, precisão e compreensão. 


Contexto em Portugal (2025): 

- Diagnóstico: 

Foi aplicado o Diagnóstico de Fluência Leitora no 2.º ano, com participação de bibliotecas escolares e docentes, visando identificar necessidades.


- Respostas do Ministério: 

Foram anunciadas medidas como a criação de mais bibliotecas escolares e a implementação de programas focados no ensino da leitura para mitigar os resultados insatisfatórios, informa o Ministério da Educação. 

 

Apresentação utilizada nas sessões de esclarecimento

 

Mais Informações: 

 

📌O diagnóstico de fluência leitora foi aplicado a todos os alunos do 2.º ano de escolaridade entre 9 e 20 de junho de 2025.

 

sábado, 13 de dezembro de 2025

Relatório | O Estado da Educação 2024

 

 

 

 O Estado da Educação 2024, que passarei a designar por EE 2024, foi pensado e desenvolvido para proporcionar informação considerada relevante acerca de uma diversidade de questões do domínio da educação e formação e para suscitar análises e reflexões que, de algum modo, possam enriquecer o espaço público da educação. Neste sentido, também devo referir a intenção deliberada de criar condições para apoiar o desenvolvimento das políticas públicas de educação no nosso país. 

 
Nestes termos, o EE 2024 apresenta um conjunto de sínteses estatísticas referente a domínios reconhecidamente importantes para fazer um ponto de situação acerca do estado das coisas da educação. Tais sínteses foram organizadas, apresentadas e analisadas em três secções ou capítulos principais: a) Condições para a Educação e Formação; b) População Discente; e c) Resultados do Sistema. Em cada um destes capítulos são detalhadas, nas diferentes secções, descrições e análises decorrentes dos dados a que nos foi possível ter acesso. No final de cada capítulo é feita uma síntese em que se salientam os aspetos considerados mais relevantes e se perspetivam desenvolvimentos possíveis para as políticas públicas de educação. 
 
Por outro lado, e no seguimento do que tem acontecido nos dois últimos anos, o EE 2024 inclui quatro textos de natureza ensaística e prospetiva: a) Inclusão: Ninguém Pode Ficar Invisível; b) Aprender ao Longo da Vida para uma Sociedade Mais Democrática e Competente; c) Uma Escola com Futuro; e d) As Autarquias e a Transformação da Escola e da Educação. Estes textos resultam do trabalho realizado no Conselho Nacional de Educação (CNE) no que se refere ao acompanhamento e análise da concretização de uma diversidade de medidas de política. Assim, o propósito primordial destes ensaios é contribuir para incentivar a reflexão e a ação relativamente a temas que são sensíveis e relevantes para a evolução e melhoria da educação do país. 
 
Melhorar, incluir e enfrentar as desigualdades (excerto), por Domingos Fernandes, Presidente do Consrlho Nacional de Educação 
 

sexta-feira, 21 de novembro de 2025

Femicídios em 2023

 

 #orangetheworld   #vamosalaranjaraescola

 

 

Estimativas globais de feminicídios cometidos por parceiros íntimos/familiares



A violência contra mulheres e meninas é a violação de direitos humanos mais disseminada. Os femicídios, ou assassinatos de mulheres e meninas motivados por questões de género, são a forma mais extrema de violência contra elas e, frequentemente, são consequência de formas anteriores de violência perpetradas contra elas nos seus lares.

Com o objetivo de impulsionar a ação global contra esse crime, o UNODC e a ONU Mulheres publicam esta terceira publicação conjunta com estimativas globais de feminicídios de mulheres e meninas cometidos por parceiros íntimos ou familiares, com novos dados para 2023. Os feminicídios de mulheres e meninas são evitáveis, mas as evidências disponíveis mostram que houve muito pouco progresso. O contexto em que a violência por parceiro íntimo pode escalar para um homicídio tem sido amplamente estudado, e os principais fatores de risco que podem ser abordados para prevenir os feminicídios foram identificados.

Este relatório destaca algumas regiões e países do mundo que registaram uma ligeira diminuição no número de femicídios, contribuindo assim para o conhecimento global sobre como prevenir eficazmente esses crimes. O relatório revela que o número de países que reportam femicídios diminuiu 50% nos últimos cinco anos. Contudo, só garantindo que todas as vítimas são contabilizadas poderemos assegurar que os perpetradores são responsabilizados e que a justiça é feita. E é melhorando a compreensão de todos os tipos de assassinatos de mulheres e meninas relacionados com o género que poderemos fortalecer a prevenção e melhorar as respostas.

O estudo apresenta 5 mensagens-chave: 
  • As mulheres e meninas têm mais possíbilidades de serem mortas por pessoas que lhes são próximas
  • O femicídio é um problema universal
  • A verdadeira escala do femicídio é provavelmente muito maior
  • Alguns grupos de mulheres e meninas enfrentam maior risco
  • O femicídio pode e deve ser prevenido

Para saber mais, visite a página da campanha #SemDesculpa: UNA-SE pelo fim da violência contra mulheres e meninas.


quarta-feira, 30 de abril de 2025

A Situação dos Direitos Humanos no Mundo | Relatório Anual 2024/2025

 


#amnistiainternacional #amnistiainternacionalportugal #relatorioanual


 

 

 A Amnistia Internacional lançou ontem, dia 29 de abril de 2025, o seu relatório anual “A Situação dos Direitos Humanos no Mundo”, em que se documenta vários casos de repressões cruéis e generalizadas contra a dissidência, uma escalada dos conflitos armados, esforços inadequados para fazer face ao colapso climático e uma crescente reação negativa a nível mundial contra os direitos dos migrantes, refugiados, mulheres, raparigas e pessoas LGBTI. 

No relatório é descrito como, um pouco por todo o mundo, vários governos procuraram entrincheirar-se no poder e incutir o medo, proibindo meios de comunicação social, dissolvendo ou suspendendo ONG e partidos políticos, prendendo críticos e opositores sob acusações infundadas de “terrorismo” ou “extremismo” e criminalizando defensores dos direitos humanos, ativistas pelo clima, manifestantes solidários com Gaza e outros críticos e dissidentes. 

Em Portugal, a situação nas prisões, o direito de reunião, o acesso à IVG, a discriminação e o acesso à habitação estão entre as principais preocupações referidas no relatório.



A nível nacional, o relatório:
  • Reforça os alertas da Provedoria da Justiça sobre denúncias de tortura e maus-tratos nas prisões;
  • Reitera para como legislação com décadas de existência sobre o direito de reunião continua a condicionar o exercício da liberdade de manifestação;
  • Sinaliza que o acesso à interrupção voluntária da gravidez não está garantido em todo o território nacional;
  • Aponta que a grande maioria dos crimes de ódio denunciados em Portugal são arquivados;
  • Denuncia que a habitação a preços acessíveis continua a ser insuficiente. Estimativas apontam para 13% a viver em sobrelotação e 60% dos inquilinos sem contrato de arrendamento.


sexta-feira, 31 de maio de 2024

Capacitação dos Docentes em Competências Digitais

 

 



Relatório | Margarida Lucas e Pedro Bem-haja


 

O relatório final do Estudo de Avaliação do Efeito do “Projeto de Capacitação dos Docentes em Competências Digitais” (fevereiro 2024)foi produzido pela Universidade de Aveiro, a pedido da Direção-Geral da Educação (DGE), com o objetivo de avaliar o impacto da formação em competências digitais dos docentes do ensino básico e secundário da rede pública de Portugal Continental. Este estudo contou com a participação de docentes e formadores e utilizou uma metodologia híbrida, combinando abordagens longitudinais e transversais. 

A Capacitação Digital de Docentes (CDD) envolveu ações de formação ajustadas ao nível de competência digital dos docentes, de acordo com os resultados obtidos previamente através do preenchimento do questionário Check-in. 

A formação foi dividida em três níveis (N1, N2, N3), com oficinas correspondentes a cada nível. A capacitação dos formadores também foi uma componente central, com a realização de várias edições do Curso de Formação de Formadores (CFF) e Ações de Formação de Curta Duração (AFCD). 

O estudo baseou-se na aplicação de questionários tanto a docentes quanto a formadores, analisando a evolução das competências digitais em dois momentos distintos (pré e pós-formação). A amostra incluiu docentes que participaram e não participaram nas oficinas de formação, permitindo uma comparação quasi-experimental.


 

 

                                                                              Infografia do estudo

 

sexta-feira, 24 de maio de 2024

Relatório | Implementação e Impacto dos PADDE

 

 

 

Patrícia Ávila (coordenadora). 2024

 

O Estudo sobre a Implementação e o Impacto dos Planos de Ação de Desenvolvimento Digital das Escolas (PADDE), promovido pela Direção-Geral da Educação (DGE) e realizado pelo Centro de Investigação e Estudos em Sociologia (CIES) do ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, oferece uma análise detalhada e abrangente sobre a transformação digital no contexto educativo português. 

Este relatório visou analisar as estratégias, dinâmicas e práticas pedagógicas inovadoras resultantes da implementação dos PADDE, destacando os principais resultados, desafios e recomendações decorrentes da sua aplicação nos Agrupamentos de Escolas (AE) e Escolas não Agrupadas (Ena) em Portugal Continental. 

O PADDE, enquanto instrumento estratégico, orientador e facilitador da adaptação e implementação das tecnologias digitais nas escolas, bem como de apoio à reflexão e definição de estratégias para a integração do digital, de forma holística, na “estrutura” escola, tem tido impactos em processos, metodologias de trabalho e nas práticas educativas, bem como no desenvolvimento de competências digitais entre alunos e docentes. A sua implementação contou com a colaboração de Embaixadores Digitais e Equipas de Desenvolvimento Digital (EDD) que desempenharam um papel crucial na definição e monitorização das ações previstas. 

De acordo com o Estudo, a dimensão pedagógica dos PADDE foi central, com ações focadas no desenvolvimento de competências digitais e na aplicação de metodologias ativas de ensino-aprendizagem. A capacitação digital dos docentes aumentou significativamente, promovendo uma maior utilização de ferramentas educativas digitais e o trabalho colaborativo entre professores. A implementação dos PADDE teve também um impacto positivo na dimensão organizacional, reforçando as lideranças e promovendo uma gestão mais eficiente e desburocratizada. No entanto, foram apontadas algumas assimetrias entre diferentes distritos e realidades escolares. Por fim, a dimensão tecnológica e digital focou-se na melhoria das infraestruturas e equipamentos, apesar das limitações identificadas, como a insuficiência de recursos e a obsolescência rápida dos equipamentos tecnológicos.