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PISA 2025 apaga 20 anos de progresso dos alunos portugueses
«O resultado mais preocupante é talvez o da leitura. Os alunos portugueses perdem 15 pontos em apenas três anos. É uma queda muito expressiva e que não pode ser explicada simplesmente pelo choque da pandemia, porque ocorre depois de 2022», explica João Marôco, autor do ED_ON e especialista em estatísticas da educação.
Igualmente preocupante é «a tendência de longo prazo: desde 2015, Portugal perdeu 36 pontos em leitura — passando de 498 para 462. Em 2025, estamos inclusivamente 10 pontos abaixo do resultado de 2006 (472). Ou seja, neste campo, estamos perante uma regressão que nos deixa abaixo de um nível alcançado há quase duas décadas», refere João Marôco.
O especialista indica ainda que «há aqui um paradoxo importante: Portugal continua praticamente alinhado com a média da OCDE — 462 contra 463 pontos —, mas isso não significa que o nosso sistema esteja bem. Significa que a média internacional também caiu e que Portugal perdeu uma parte substancial dos progressos que tinha conseguido. A pergunta que estes resultados deixam não é apenas “como estamos relativamente aos outros?”, mas “porque estamos a perder competências que os nossos alunos já tinham adquirido?” Essa tendência de deterioração, sobretudo na leitura, é preocupante».
De 2000 até 2015, os resultados globais de Portugal no PISA tinham-se mantido estáveis ou melhorado quando comparados com as edições anteriores. Em 2018 assistiu-se a uma queda do desempenho dos alunos portugueses, que se acentuou em 2022 e atingiu mínimos históricos em 2025.
O mais importante nos resultados de 2025 não é, por isso, uma queda pontual, mas o facto de estarmos «perante uma tendência continuada de deterioração do desempenho, particularmente evidente na matemática e na leitura. E isto é relevante porque não estamos a comparar apenas Portugal com outros países: comparamos Portugal consigo próprio e com o que já tinha conseguido alcançar. A queda de 2025 ocorre num contexto em que o próprio desempenho médio da OCDE também diminuiu, e Portugal está alinhado com a média da OCDE. Mas a questão relevante é que Portugal perdeu competências nos últimos anos depois de ter passado quase duas décadas a conquistá-las. Esta inversão da trajetória, mais do que a posição no ranking da OCDE, deve preocupar-nos», conclui João Marôco.
Teresa e Alexandre Soares dos Santos. Newsletter Iniciativa Educação, de 8 de setembro de 2026
OECD (2026), PISA 2025 Results (Volume I): Future-Ready Students, PISA, OECD Publishing, Paris, https://doi.org/10.1787/73451bc5-en


