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sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Lídia Jorge vence Prémio Pessoa 2025

 

 #alermaisemelhor


A literatura de ficção volta a destacar-se entre os distinguidos pelo prémio Pessoa. A 39ª edição do mais importante galardão atribuído em Portugal distingue pela primeira vez uma romancista. Lídia Jorge é a sétima mulher até agora premiada. A literatura de ficção volta a destacar-se entre os distinguidos.





Sinto como se o prémio não fosse só para mim, mas fosse para a comunidade literária, para as mulheres da literatura e para as mulheres que têm também uma voz cívica, que não se calam e que falam, que não têm medo de dizer as palavras que lhe vão na alma”, afirmou Lídia Jorge ao Diário de Notícias.

"Não há livro de instruções para salvar a vida: só a literatura se aproxima desse imenso livro"


A ata do júri refere que "A sua escrita criativa e diversificada tem sido capaz de revelar o poder da literatura para nos ajudar a compreender os grandes desafios do mundo contemporâneo e a sua intervenção cívica corajosa tem contribuído decisivamente para enriquecer o debate democrático na sociedade portuguesa”, e salienta que a obra de Lídia Jorge “incide sobre um espetro muito amplo de temáticas, desde o impacto de situações vivenciais extremas nos seus personagens à recriação de contextos que evocam momentos históricos decisivos da vida portuguesa do último século, em particular no período pós-25 de Abril, como a descolonização, a transição da ditadura para a democracia, a exclusão social e a emergência de novos fenómenos de discriminação e fratura social”.
 

 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Prémio Pessoa 2023


 


 

 

 

 

 

 

 





O cardeal, ensaísta e poeta José Tolentino de Mendonça é o vencedor da 37ª edição do Prémio Pessoa. Foi esta quinta-feira anunciado numa cerimónia no Palácio de Seteais, em Sintra.
 



quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Contrasenso | De e sobre Trás-os-Montes

 




"Contrasenso" é um programa semanal d'A Voz de Trás-os-Montes que debate os principais temas da atualidade, com a ajuda de dois comentadores fixos (Paulo Reis Mourão e Anabela Oliveira) e um convidado semanal. O convidado deste episódio é José Carlos Costa Barros, natural de Boticas, vencedor do prémio Leya 2021. O escritor já tinha sido finalista do prémio LeYa em 2012

O romance As Pessoas Invisíveis foi elogiado pelo júri, que se reuniu vitualmente, pelo seu trabalho de linguagem.



quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Os herdeiros de Saramago

 










Instituído pela Fundação Círculo de Leitores em 1999, o Prémio Literário José Saramago é atribuído de dois em dois anos a uma obra literária portuguesa escrita por jovens autores cuja primeira edição tenha sido publicada num país de língua lusófona (excluindo obras póstumas).


Até 2019, foram atribuídos os seguintes prémios:


Edição

Ano

Obra

Autor

País

1.ª

1999

Natureza Morta

Paulo José Miranda

Portugal

2.ª

2001

Nenhum Olhar

José Luís Peixoto

Portugal

3.ª

2003

Sinfonia em Branco

Adriana Lisboa

Brasil

4.ª

2005

Jerusalém

Gonçalo M. Tavares

Portugal

5.ª

2007

O Remorso de Baltazar Serapião

Valter Hugo Mãe

Portugal

6.ª

2009

As Três Vidas

João Tordo

Portugal

7.ª

2011

Os Malaquias

Andréa del Fuego

 Brasil

8.ª

2013

Os Transparentes

Ondjaki

Angola

9.ª

2015

As Primeiras Coisas

Bruno Vieira Amaral

Portugal

10.ª

2017

A Resistência

Julián Fuks

Brasil

11.ª

2019

Pão de Açúcar

Afonso Reis Cabral

Portugal

Fonte


quarta-feira, 17 de junho de 2020

+ Leitur@s | Jalan Jalan - Uma leitura do mundo, de Afonso Cruz




“O Mundo é um livro, e aqueles que não viajam leem apenas a primeira página. Um pequeno passo é já uma página em frente. Um passo para lá do hotel é já um pedaço de viagem”. - 
Jalan Jalan - Uma Leitura do Mundo (2017). Companhia das Letras, pág. 453 




Bertrand.pt - Jalan, Jalan




Grande Prémio de Literatura de Viagens Maria Ondina Braga 2019

«Apesar da beleza da paisagem, dos campos de arroz, do verde omnipresente, dos templos hindus, dos macacos zangados, uma das melhores coisas que trouxe de Bali foi uma oferta do João, que me embrulhou e ofereceu uma palavra, talvez duas: Jalan significa rua em indonésio, disse-me. Também significa andar. "Jalan jalan", a repetição da palavra, que muitas vezes forma o plural, significa, neste caso, passear. Passear é andar duas vezes. (...)

Passear é o que fazemos para não chegar a um destino, não se mede pela distância nem pela técnica de colocar um pé à frente do outro, mas sim pelo modo como a paisagem nos comoveu ou como o voo de um pássaro nos tocou. E um pouco como a arte, tem o valor imenso de tudo aquilo que não tem valor nenhum. Pode não ter razão, destino, objectivo, utilidade, e é exactamente aí que reside a riqueza do passeio. Não existem profissionais do passeio.

Chesterton, que era um grande apologista do amador, dizia que as melhores coisas da vida, bem como as mais importantes, não são profissionalizadas. O amor, quando é profissionalizado, torna-se prostituição.»


Leia AQUI a entrevista a Afonso Cruz, onde o autor fala de Jalan Jalan.
   


quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Prémio Novos-Literatura 2018 para Afonso Reis Cabral







Os Prémios Novos, atribuídos pela Calouste-Gulbenkian, são um evento anual que visa revelar os novos talentos em diversas áreas da sociedade, da cultura, da ciência e da inovação.



Uma das áreas é a Literatura. Este ano, o Novos-Literatura foi atribuío a Afonso Reis CabralLembramos que o escritor se deslocará à nossa escola, a convite da Biblioteca Escolar, nos dias 22 e 23 de janeiro de 2019.

Margarida Carvalho, Adriana Costa Santos, João Pina, Inês Guimarães, Neemias Queta, Filipe Augusto, Bordalo II, António Galapito, Conan Osiris, Rodrigo Gomes, Afonso Reis Cabral, Duarte Coimbra e Daniel Carapeto, foram estes os vencedores dos Prémios Novos 2018, realizados pela Gulbenkian, onde foram apresentadas 13 categorias e 41 nomeados nas categorias de Ciência, Política, Inovação, Comunicação, Desporto, Moda, Criatividade, Gastronomia, Música, Belas Artes, Literatura, Cinema e Humor.




segunda-feira, 8 de outubro de 2018

No dia em que Saramago recebeu o prémio Nobel






A Biblioteca celebra esta efeméride com uma Mostra bibliográfica e com a passagem do filme Ensaio sobre a Cegueira.


Trailer do filme Ensaio sobre a Cegueira



Foi há 20 anos


8 de outubro de 1998: 
a Academia Real da Suécia atribui a José Saramago o prémio Nobel da Literatura 


Anúncio da atribuição do Prémio Nobel da Literatura de 1998 a José Saramago




Entrevista a Saramago no dia do anúncio da atribuição do Prémio Nobel.





Ler aqui o discurso de Saramago aquando da cerimónia de entrega do Prémio Nobel.


terça-feira, 12 de junho de 2018

João Pinto Coelho: discurso na cerimónia de entrega do Prémio Leya 2017




Em 27 de outubro de 2016, JP Coelho esteve na nossa escola a convite da Biblioteca Escolar




As palavras de João Pinto Coelho, na cerimónia de entrega do Prémio Leya, pelo romance Os Loucos da Rua Mazur, que decorreu no passado dia 3 de junho, na Feira do Livro de Lisboa


Não consigo deixar de olhar para este momento como o fim de um ciclo. Não falo dos últimos meses, mas dos três anos que passaram desde que Perguntem a Sarah Gross saiu para as livrarias. Tudo somado, são dois livros e duas linhas de Equador com eles debaixo do braço. Ainda hoje me parece que há qualquer coisa que não bate certo. Este momento e estas imagens, por exemplo. Mas ainda bem que tudo aconteceu, ainda bem que vos vi ou senti por lá.

E, a pedido de alguns, repito aqui o disse então:

"Excelentíssimo Senhor Ministro da Cultura; Excelentíssimo Isaías Gomes Teixeira; Excelentíssimo, Manuel Alegre; Excelentíssimo João Amaral,

Começo por agradecer as vossas palavras, bem como a presença dos meus amigos e familiares e a de todos os que se juntam a nós neste final de tarde. Agradeço igualmente aos elementos do júri do prémio Leya, ao seu presidente, Manuel Alegre, que já referi, mas também a José Castello, Rita Chaves, Lourenço do Rosário, Nuno Júdice - aqui presente -, Pepetela e José Seabra Pereira.

Há cerca de seis anos, acompanhei um grupo de dezassete jovens portugueses a uma pequena cidade do sul da Polónia chamada Oswiécim, a mesma que, poucos dias após o início da 2.ª Guerra Mundial, a Alemanha de Adolf Hiler rebatizou como Auschwitz. Durante quatro dias, e já depois de termos visitado os antigos campos de Auschwitz 1 e Birkenau, calcorreámos a cidade, falámos com quem passava e ouvimos as histórias de muitos que ali viviam, havia mais de setenta anos. Conhecemos ainda as ruas, os cemitérios, a antiga praça do mercado e, em cada beco, em cada ruína, em cada ombreira de porta, procurámos pelos vestígios de uma presença judaica há tanto desaparecida. Na verdade, cada um daqueles jovens estava ali com um propósito: escrever um diário, na primeira pessoa, mas como se vivesse ali mesmo, em Oswiécim, em Auschwitz, durante o período da ocupação alemã. Para tal, deveriam construir o seu cenário, um retrato da cidade a preto e branco, tal como era nessa altura: com as pessoas de então, os hábitos de então, as instituições, a toponímia e até as pequenas coisas que a História deixa ficar para trás. Assim que regressámos, os jovens continuaram os seus diários e eu escrevi a primeira linha de ficção desde os tempos da escola primária, sem imaginar que os parágrafos seguintes iriam mudar a minha vida para sempre. Foi assim que nasceu o meu primeiro romance, Perguntem a Sarah Gross, foi assim que cheguei até aqui. Vencer o prémio Leya, mesmo na recarga, até pela minha condição de escritor inicial, constitui, como percebem, um aval de confiança inestimável.

Na sinopse de Os Loucos da Rua Mazur diz-se, a dada altura, que a escrita de um romance pode tornar-se um ajuste de contas com o passado. E é exatamente por aí que pretendo prosseguir, uma vez que também eu tenho contas a acertar com o passado mais recente. Dirijo-me àqueles que, nos últimos tempos, me têm acompanhado de perto com os seus gestos afáveis. Não podendo falar de todos, pior seria se não me referisse ao João de Melo, que, sendo grande entre os maiores, se permite olhar para baixo, agarrar-te pelos braços, e elevar-te para um lugar que nunca te atreveste a ambicionar.

O Manuel Alberto Valente, a quem nunca agradeci devidamente o aconchego nem as palavras que um dia publicou por causa da Sarah Gross. Foram as primeiras, ainda hoje e por isso, as mais marcantes.

Há ainda a Isabel Rio Novo, o Paulo Paulo M. Morais e o Rodrigo Guedes de Carvalho, escritores admiráveis, pela generosidade, elegância e, desculpem-me, a falta de pachorra para as invejas de aldeia.

Mas também o Vamberto Freitas e o Joaquim Gonçalves, esse livreiro de Sines de quem tanto tomei para construir o maior herói da rua Mazur.

Gostaria ainda de guardar um lugar para os que há três anos multiplicam as palavras que escrevo por todos aqueles que as leem. Falo da Leya, a minha casa editorial, e da aposta destemida nos meus escritos: os administradores ao darem-lhes crédito, os designers ao darem-lhes rosto, os comerciais ao darem-lhes montra, os delegados ao darem-me a sua paciência, de norte a sul do país, por dezenas de escolas visitadas. E, porque este discurso também tinha de falar de ternura, há os outros, os de todos os dias, as minhas traves, a minha ordem, o meu sossego: a Diana Monsanto, que é gestora de marca, o Rui Breda, que é diretor de comunicação, e a Madalena G. Escourido, que é tudo.

Depois, que é um “antes”, a Maria do Rosário Pedreira. Por vezes, encontro nas margens dos originais que lhe envio justíssimos puxões de orelhas para que não me repita. Mas agora, aqui, fora do alcance da sua caneta vermelha, tenho de lhe dizer mais uma vez que continuo a encontrar a minha perseverança na sua persistência, e que a sua ambição de editora é a minha ousadia de escritor.

O Nuno Camarneiro, vencedor de uma edição anterior do Prémio Leya, disse um dia que, pela mão da Rosário, um autor aceita ir para qualquer sítio, até para o Inferno. E se calhar, foi por isso que arrisquei essa visita. Em os Loucos da Rua Mazur, mergulho num poço de chamas, uma massa de corpos retorcidos onde há choro e ranger de dentes, sem nunca achar um demónio, apenas homens. E é deles que falo neste livro. Homens e mulheres mais os seus rostos, as suas histórias, e um mal sem restrições destravado sobre alguém. Ali, em pleno desastre humano, estão Yankel e Shionka; ele não vê, ela não fala, mas o que os liga pode ser o Bem na sua expressão mais límpida, a provar que o amor se possibilita para além das circunstâncias, até num solo de iniquidade, mesmo destituído de imagens ou carente de palavras.

E diabos nos levem se isso não é um sinal de esperança.

Mas mal da obra que se esgota em quem a escreve. Um livro tem tantos autores quantos aqueles que o leem, e, talvez por isso, passei os últimos meses a conhecer versões melhoradas do romance que escrevi. No entanto, infelizmente, nem todas as leituras nos devolvem a mesma honestidade.

Pior do que um livro que não vê a luz do dia, pior que qualquer noite de cristal, é o livro proscrito por gritar aquilo que é justo, por dizer que aconteceu, por lembrar que pode voltar a acontecer. Como disse Piotr Cywinski, «o amanhã está enraizado na memória, e, quando nos esquecemos, não estamos a destruir uma imagem do passado, mas a forma tangível do nosso futuro."

Ora quando o governo de um país, um estado membro da União Europeia, decide institucionalizar a verdade histórica, resvala sem remédio para o absurdo - até porque escrever a história oficial de uma nação não gera mais do que um instrumento perverso de poder. Daí a uma lei que criminaliza qualquer um - nacional ou estrangeiro - que proponha versões divergentes, o passo é curto e previsível. Salvaguardar dessa lei infame os artistas e os investigadores é, na verdade, um desplante, uma discriminação tola e odiosa.

E porque não aceito ser inimputável, muito menos a coberto dos meus livros, reafirmo hoje, e perante cada um de vós:

Neste romance, a cidade que nunca é nomeada, a medalha perdida na floresta, é mesmo um círculo imperfeito e tem um nome maldito: Jedwabne;

o manicómio que arde é, afinal, o celeiro de Bronisław Śleszyński;

as cinzas que esvoaçam são judias;

as culpas, essas, são gentias e são polacas.

Escrito o livro, há poucos meses regressei à Polónia, a Jedwabne. A cidade é como sempre a imaginei: há uma praça, há árvores e corvos que as vergam às dezenas, há pessoas a olhar por detrás das cortinas. Mas também há vergonha e há rancor e negação.

Mas há mais: há Kamil.

Kamil Mrozowicz é um miúdo de vinte e poucos anos. Numa certa tarde de inverno, encontrámo-nos à porta de uma casa abandonada de Jedwabne. Nas suas mãos, carregava uma pilha de livros. O primeiro era este, era o meu. Por baixo, havia outros, histórias de verdade sobre a guerra, sobre judeus e cristãos, sobre o bem e sobre o mal e a tal zona cinzenta de que fala Primo Levi. Era ali, naquele lugar desconsolado, que Kamil queria erguer a sua biblioteca. Já lá dentro, dispôs os livros ao seu jeito e, durante uma hora, falou-nos de um sonho enfim cumprido. Foi então que eles apareceram. Apareceram para acusar, para ameaçar e para destruir. Mas não houve resistência, e Kamil saiu como entrou, com os mesmos livros nas mãos, com a mesma consciência. Nunca o voltei a ver. Sei apenas que a sua família foi confrontada na cidade, sei que o acusou por isso, só não sei o que morreu naquela tarde.

Mas também sei outra coisa: é que, durante uma hora, Kamil teve a sua biblioteca.

E diabos nos levem se isso não é um sinal de esperança.

É por isso que hoje, ao olhar para baixo, para esta imensa esplanada, para todas estas cores e para todas estas vozes - as vozes dos livros e daqueles que os escrevem, que os leem, que os vendem, que os editam, promovem e criticam -, mais do que um festival de livros, eu vejo uma celebração do pensamento livre. E num território de ideias soberanas, confiemos, há sempre alguém que se ergue,

há sempre alguém que diz NÃO.

Muito obrigado a todos."



Feira do Livro, Lisboa, 3 de junho de 2018



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Prémio Camões 2018


Atribuído ao escritor cabo-verdiano  Germano Almeida



Foto: visão.sapo.pt




Germano de Almeida, o contador de Estórias

Em 2006, Germano Almeida publica Eva, o seu décimo quarto título e é curioso verificar que ao longo dos anos, e já lá vão dezassete desde que publicou o primeiro livro, O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, tem reiteradamente afirmado não se considerar um escritor, mas sim um contador de estóreas. Explica a diferença pelo facto de que o que verdadeiramente lhe interessa é ter uma estórea e alguém a quem a contar. A forma só lhe importa na medida em que serve o conteúdo e os recursos estilísticos ou linguísticos que utiliza estão submetidos às necessidades do enredo que é, de facto, a sua prioridade. Ele pertence à geração que teve o privilégio de entrar no mundo da ficção pelas palavras ouvidas e não pelas palavras escritas, e por isso não é de estranhar que essa marca da oralidade esteja tão claramente presente nas suas obras.

Continuar a ler AQUI.


quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Prémio Literário José Saramago 2017




Photo credit: Ípsilon - Público


Julián Fuks, escritor brasileiro de origem argentina, é o vencedor da edição deste ano do Prémio Literário José Saramago, pelo seu livro A Resistência. O anúncio foi feito hoje, em Lisboa pela Fundação Círculo de Leitores, que instituiu o prémio em 1999 a celebrar a atribuição, no ano anterior, do Prémio Nobel da Literatura a José Saramago.



terça-feira, 24 de outubro de 2017

Prémio Literário Fernando Namora 2017



A Noite Não É Eterna, de Ana Cristina Silva, publicado pela Oficina do Livro, foi a escolha unânime do júri do Prémio Literário Fernando Namora, presidido por Guilherme d'Oliveira Martins. 



Oficina do Livro, 2016


Sinopse do romance

"A Roménia, sob o jugo do ditador Nicolae Ceausescu, atravessa um dos piores períodos da sua história, com a população a enfrentar a fome e dominada pelo terror. Seguindo as orientações do Presidente para a criação de um exército do povo no qual os soldados seriam treinados desde crianças, Paul, um ambicioso funcionário do partido, decide levar de casa o filho de três anos e entregá-lo aos cuidados do Estado. Quando a mãe se apercebe do desaparecimento do pequeno Drago, o desespero já não a abandonará, bem como o firme desejo de acabar com a vida do marido. Correndo riscos tremendos, Nadia não desistirá, porém, de procurar o menino, ainda que para isso tenha de forjar uma nova identidade, de fazer falsas denúncias, de correr os orfanatos cujas imagens terríveis chocaram o mundo e até de integrar uma rede que transporta clandestinamente crianças romenas seropositivas para o Ocidente. Mas será que o seu sofrimento pode ser apaziguado enquanto Paul for vivo? Enquanto o ditador for vivo?"

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Trata-se de "uma obra que se articula a partir da realidade social, política e humana das crianças romenas, e das suas famílias, no período da ditadura de Nicolae Ceausescu", esclarece a ata do júri, que inclui ainda José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, Maria Carlos Gil Loureiro, pela Direção-Geral do Livro, Arquivos e Bibliotecas, Maria Alzira Seixo e Liberto Cruz, convidados a título individual, e Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, pela Estoril-Sol, instituição que atribui este prémio, no valor de 15 mil euros.

Realçando que o romance de Ana Cristina Silva é "uma belíssima composição narrativa com linguagem sóbria e cuidada, que valoriza em particular a narrativa de um drama pungente, num quadro político sufocante e obsessivo", o júri conclui: "É uma história construída sobre os labirintos da tirania".



segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE)



 O romance Não se pode morar nos olhos de um gato (Teorema, 2016), de Ana Margarida de Carvalho, é o vencedor do Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE).

“O júri, constituído por José Correia Tavares, que presidiu, Isabel Cristina Rodrigues, José Carlos Seabra Pereira, Luís Mourão, Paula Mendes Coelho e Teresa Carvalho, ao reunir pela quarta vez, deliberou por maioria, pois Luís Mourão votou em ‘A Gorda’, de Isabela Figueiredo”, esclarece a APE, em comunicado.




Teorema, 2016



SINOPSE

"Em finais do século XIX, já depois da abolição da escravatura, um tumbeiro clandestino naufraga ao largo do Brasil. Um grupo de náufragos atinge uma praia intermitente, que desaparece na maré cheia: um capataz, um escravo, um mísero criado, um padre, um estudante, uma fidalga e sua filha, um menino pretinho ainda a dar os primeiros passos… Todos são vencedores na morte, perdedores na vida.

O mar, ao contrário dos seus antecedentes quotidianos, dá-lhes agora uma segunda oportunidade, duas vezes por noite, duas vezes por dia. Ao contrário do que pensam, não estão sós naquele cárcere, com os penhascos enquanto sentinelas, cercados de infinitos, entre o céu e o oceano. Trazem com eles todos os seus remorsos, todos os seus fantasmas. E mais difícil do que fazerem-se ao mar ou escalarem precipícios será ultrapassarem os preconceitos: os de raça, os de classe social, os de género, os de credo. Para sobreviverem, terão de se transformar num monstro funcional com muitos braços e muitas cabeças; serão tanto mais deuses de si próprios quanto mais se tornarem humanos e conseguirem um estado de graça a que poucos terão acesso: a capacidade de se colocarem na pele do outro."