#HistóriaeEstóriasCiganas #aLerMaiseMelhor #BibliotecaCCBvr
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Está patente na escadaria de acesso à biblioteca, até 26 de junho, a exposição "Caos poético - After black cat, white cat", de Emir Kusturica.
Trabalhos produzidos pelos alunos do 10º E, na disciplina de Desenho A, sob orientação do professor Carlos Santelmo, no âmbito do projeto História & Estórias ciganas.
#clássicosemrede #alermaisemelhor
O júri do Clássicos em Rede, edição 2025-26, distinguiu o trabalho apresentado pela nossa escola:
1º Prémio - Escalão C Desenho, ilustração, fotografia, bandas desenhadas não digitais
Atribuído ao projeto de Luciana Alves, do 12º D, "A busca pela eterna juventude e perfeição", realizado na disciplina de Oficina de Artes, sob orientação da professora Nélia Miranda.
Parabéns aos vencedores e a todos quantos, com o seu envolvimento neste projeto, ficaram a conhecer melhor a cultura clássica!
Os resultados do projeto Clássicos em Rede estão disponíveis para consulta no Portal da Rede de Bibliotecas Escolares.
A entrega dos prémios irá realizar-se no próximo dia 9 de junho, pelas 14h30, na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.
#camões500
Ebook com os trabalhos dos alunos
Camões 500
A representação do olho humano e o diálogo com José Saramago
Os trabalhos dos alunos do 12º F e G, atualmente em exposição na Biblioteca da Escola, transcendem o mero exercício técnico da disciplina de Desenho. Ao abordarem a representação do olho humano, eles abrem um diálogo sensível e profundo com a obra Ensaio sobre a Cegueira, de José Saramago, em particular com a provocação contida na frase: “Se podes olhar, vê. Se podes ver, repara.”
O olho humano, como elemento central das composições, não é apenas uma forma anatómica. Ele é um símbolo da perceção, da consciência e, acima de tudo, da capacidade humana de ver além do visível. Nesta exposição, os alunos mostram-se não apenas como aprendizes de arte, mas como pensadores críticos, ao explorarem a tensão entre o que é visto e o que é percebido. A frase de Saramago desafia-nos a olhar para além da superfície e reparar no essencial — um convite que cada obra parece ecoar.
Aspetos técnicos e simbólicos
Sob o ponto de vista técnico, os trabalhos impressionam pela diversidade de abordagens. Alguns desenhos destacam-se pela precisão dos detalhes, como a reprodução minuciosa das texturas e reflexos do íris, das pálpebras e dos cílios, sugerindo um estudo atento da forma. Outros optam por interpretações mais livres e abstratas, onde o olho se torna um elemento metafórico.
Os elementos composicionais usados pelos alunos — como o jogo de luz e sombra, o uso do contraste e a escolha das cores (ou sua ausência, em alguns casos) — acrescentam profundidade emocional às obras. Um olho desenhado em tons sombrios pode sugerir a cegueira emocional ou o vazio, enquanto outro, vibrante e detalhado, pode simbolizar a nitidez de uma consciência desperta.
Diálogo com a literatura
A relação entre os desenhos e Ensaio sobre a Cegueira é instigante. O romance de Saramago trata da perda da visão não apenas no sentido literal, mas também como uma metáfora para a alienação e a falta de empatia que permeiam a sociedade contemporânea. Da mesma forma, os trabalhos expostos parecem indagar: que tipo de cegueira nos afeta hoje? Que verdades deixamos de reparar mesmo quando olhamos para elas?
Reflexão final
Esta exposição vai além do âmbito escolar e apresenta-se como um convite à reflexão sobre o nosso próprio olhar. Estamos a ver o mundo ou apenas a olhar para ele? Estamos a reparar no que realmente importa? Ao explorarem o potencial do desenho como ferramenta de expressão e questionamento, os alunos colocam-se como criadores de uma arte que é tanto visual quanto concetual.
Que cada visitante desta exposição se permita reparar, tal como os alunos o fizeram ao criar, no poder que há em cada olhar representado, pois, como nos lembra Saramago, o ato de reparar é, em última instância, uma forma de resistir à cegueira coletiva.
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| Camilo Castelo Branco (1825-1890), caricatura de Fernão Campos |