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terça-feira, 2 de junho de 2026

Arqueólogos criam o “Google Maps” das vias romanas

 

 



As antigas vias romanas eram cerca de 50% mais longas do que se estimava, revela um novo atlas digital que cartografa quase 300 mil quilómetros de estradas. O trabalho resulta de cinco anos de investigação por uma equipa de arqueólogos que utilizou registos históricos, diários antigos, a localização de marcos quilométricos e outros dados de arquivo. 

Quando os relatos mencionavam estradas perdidas em determinadas zonas, os investigadores observavam o terreno de cima, procurando pistas através de imagens de satélite e fotografias aéreas, incluindo imagens captadas por aviões durante a Segunda Guerra Mundial e digitalizadas recentemente, para identificar vestígios subtis, como diferenças na vegetação, variações no solo ou pequenas alterações de altitude. Também procuraram sinais de engenharia antiga, como montes artificiais ou encostas escavadas, que ajudaram a traçar o percurso das vias romanas.

Os investigadores calculavam até agora que a extensão das estradas romanas rondava os 188.555 quilómetros. O novo estudo identifica quase 300.000 quilómetros de vias espalhadas por todo o Império Romano, permitindo visualizar percursos que iam da Península Ibérica à Síria.

 



 

O trabalho aumentou também o conhecimento sobre estradas antigas no Norte de África, nas planícies de França e na península do Peloponeso, na Grécia.

 A possibilidade de visualizar as antigas rotas utilizadas por agricultores, soldados, diplomatas e outros viajantes romanos permitirá compreender melhor tendências históricas que dependiam da circulação de pessoas durante o período romano. Entre elas, a ascensão do cristianismo na região e a disseminação de epidemias.

As proezas de engenharia romana na construção e manutenção de estradas, incluindo pontes de pedra em arco e túneis escavados em encostas, continuam a moldar a geografia e a economia da região do Mediterrâneo e de outras áreas.

 

quinta-feira, 21 de maio de 2026

Quando a História entra em campo: Palestra com Lucas Ribeiro

 

 #alermaisemelhor  #literaciadosmedia #BibliotecaCCBvr #ADailyDoseOfFootball #HistoriaEFutebol #CulturaNaEscola #AprendizagemCriativa

 




No passado dia 18 de maio, às 14:15, a biblioteca da nossa escola recebeu uma visita muito especial! O criador de conteúdos e YouTuber Lucas Ribeiro, a mente brilhante por trás do canal "A daily dose of football", trouxe-nos uma perspetiva única com a palestra "A história e o futebol em imagens".

Numa apresentação incrivelmente cativante e apelativa, o Lucas provou que o futebol e a história mundial andam, afinal, de mãos dadas. Através de imagens marcantes, os nossos alunos puderam ver como os grandes acontecimentos e conflitos políticos — como a Guerra das Malvinas — se refletem (ou por vezes se escondem) nos grandes palcos do futebol.

Uma forma profundamente interessante, visual e atual de conhecer a história do mundo através da lente do desporto-rei.



 


Os nossos agradecimentos ao Lucas Ribeiro pela partilha de conhecimento e aos alunos e professores do 10º D e 10º H que participaram nesta viagem fascinante onde a bola e o passado se cruzaram!
 
Atividade promovida pelo professor de História João Freitas, em articulação com a Biblioteca escolar.
 

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Palestra | A História e o Futebol em Imagens

 

  


 

Gostas de futebol? E de História?

Então não podes perder o encontro com Lucas Ribeiro, criador do famoso canal Daily Dose of Football (mais de 192 milhões de visualizações!), que vem mostrar como o futebol e a História se cruzam de forma surpreendente — tudo através de imagens incríveis!

⚽📸 “A História e o Futebol em Imagens”
📅 18 de maio
🕒 14h15
📍 Auditório 1


sábado, 2 de maio de 2026

Suástica - a força dos símbolos

 

 

 
 
  
 

 

No passado dia 30 de abril, os alunos das turmas 10.ºD e 10.ºF deslocaram-se ao Auditório 1, para assistirem à palestra “Suástica – história de um símbolo”, orientada pelo professor Álvaro Pinto. 

Ao longo da sessão, os estudantes tiveram oportunidade de compreender o significado original da palavra - deriva do sânscrito svastika, que significa "boa sorte", "prosperidade", "bem-estar", "energia divina" ou "condutora de fortuna" - e de observar representações iconográficas da cruz suástica em múltiplos contextos históricos e geográficos: em moedas romanas, em tapeçarias de tribos indígenas da América do Norte, em artefactos de cerâmica de povos da América do Sul, em representações do Buda no Oriente, bem como nas ruínas romanas de Conímbriga.
 
Foi também utilizada como logomarca (como a cervejaria Carlsberg), símbolo desportivo e até em medalhas militares de países como a Finlândia e Estados Unidos.

A palestra permitiu ainda compreender o momento em que a suástica foi apropriada pelo regime nazi, passando a ser usada, inicialmente, como emblema de orgulho racial e superioridade branca (exaltação da chamada “raça ariana”) e, posteriormente, como justificação do ódio, do antissemitismo e do Holocausto, alterando profundamente o seu significado original.
 
Uma sessão muito esclarecedora que desafiou os alunos a refletir sobre a força dos símbolos, a forma como atravessam culturas e épocas, e como podem ser ressignificados — com impactos profundos — pelas sociedades que os adotam.
 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Suástica - história de um símbolo

 

 

 #alermaisemelhor   #bibliotecaccbvr   

 






Dia 30 de abril, a Biblioteca Escolar promove a palestra “Suástica, a história de um símbolo”, uma sessão que convida a olhar para além das leituras imediatas e a compreender a longa trajetória deste sinal gráfico. Da pré‑história às culturas do Oriente, passando pela sua presença na América Latina e nas tribos indígenas da América do Norte, a suástica foi, durante milénios, um símbolo associado à prosperidade, ao movimento e ao sagrado.

Orientada pelo professor Álvaro Pinto, a palestra abordará também o momento em que este símbolo ancestral foi apropriado por Hitler e pelo nazismo, adquirindo um significado de violência, propaganda e destruição que marcou profundamente o século XX.

Trata‑se de uma oportunidade para refletir sobre a força dos símbolos, a forma como atravessam tempos e geografias, e como podem ser resignificados — para o bem ou para o mal — pelas sociedades que os utilizam.

A comunidade escolar é convidada a participar neste encontro de conhecimento, memória e pensamento crítico.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Greve Geral | Eventos cancelados

 

 

 #alermaisemelhor  #musicaemcena #bibliotecaccbvr

 

 



 A escola encontra-se encerrada devido à greve geral.

Por esta razão, os eventos agendados para hoje tiveram de ser cancelados.

Divulgaremos em breve a nova calendarização. 

 

 

terça-feira, 9 de dezembro de 2025

Palestra | Suástica, história de um símbolo

 

 
#alermaisemelhor  #bibliotecasescolares  #pensamentocrítico



 

A Biblioteca Escolar convida a comunidade escolar para uma palestra dedicada à história e ao significado simbólico da suástica, um dos sinais mais antigos e complexos da humanidade. Muito antes de ser apropriada por ideologias do século XX, esta figura geométrica atravessou milénios como símbolo de movimento, proteção, prosperidade e ciclo vital em diversas culturas. 

A sessão propõe uma viagem desde as suas origens pré-históricas até às ressignificações contemporâneas, oferecendo uma leitura informada, crítica e contextualizada deste símbolo. Um momento de conhecimento e reflexão sobre a importância de compreender a história dos signos para melhor interpretar o mundo atual. 

Palestrante: Álvaro Pinto 

Dia: 11 de dezembro 

Local: Auditório 1

Hora: 10:20 

sexta-feira, 7 de novembro de 2025

25N em exposição

 

 #25denovembro #cidadania #alermaisemelhor



Voltar ao passado, tanto ao que nos fez grandes como àquele em que perdemos a liberdade, [...] mais do que uma necessidade, é um dever cidadão.
António Ramalho Eanes (prefácio de "1975-O ano que terminou em Novembro")





A exposição 25N, produzida pelo Instituto +Liberdade, relata os principais episódios ocorridos após o 25 de Abril de 1974, que culminou no 25 de novembro do ano seguinte. Um período de forte turbulência política e social, conhecida como o Processo Revolucionário em Curso (PREC).

Está patente no corredor de serviços da escola até ao próximo dia 14 de novembro.


      


segunda-feira, 3 de novembro de 2025

Exposição | 25N

 

 

#alermaisemelhor  #25denovembro




25N é uma exposição bastante visual, com textos curtos, fotografias e QR Codes que remetem para vídeos da época, tornando-a ainda mais interativa e apelativa para os visitantes. 

É composta por 15 painéis que abordam os principais momentos deste período conturbado da nossa história: a formação dos partidos depois do 25 de abril, o 11 de março, a reforma agrária, as nacionalizações, o verão quente, entre muitos outros momentos marcantes, que culminam no 25 de novembro de 1975. 

Por esta razão, a 25N é uma importante aula de história, bastante enriquecedora para toda a sociedade, em particular para as gerações mais jovens que nasceram muito depois da transição do Estado Novo para a democracia. Considerando a sua relevância na história da democracia portuguesa, acreditamos que é essencial recordar e refletir sobre este período da nossa história, valorizando o conhecimento como um instrumento fundamental para a preservação da nossa democracia e da liberdade. 

 Instituto +Liberdade 

 

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

Exposição | Mário Soares: 100 anos

 

 #exposições



A exposição Mário Soares: 100 anos está patente, no corredor de Serviços da escola, até ao próximo dia 24 de outubro. 








Esta exposição, que dá a conhecer a vida de Mário Soares, o seu pensamento, interesses e valores, a sua luta e ação pela liberdade e pela democracia, o seu legado nacional e internacional, foi concebida para ser instalada em espaços educativos, como escolas, bibliotecas, universidades e outros equipamentos culturais.

Pode servir como um recurso de consulta para os alunos durante as atividades letivas, em sala de aula ou com visita presencial.

Conheça e explore outros recursos educativos aqui.






A iniciativa integra o programa das comemorações do Centenário de Mário Soares.


 

sexta-feira, 13 de junho de 2025

EXAMES | Prepara-te para o exame de História A

 

 

#preparaçãoparaexames

 

 


A plataforma Estudo Autónomo disponibilizou um caderno digitail para download gratuito que pode ajudar no estudo autónomo para o exame nacional de História A.

Bom trabalho!

 


segunda-feira, 26 de maio de 2025

Exposição | Viagens no Tempo e na História - mostra bibliográfica

 

 

#Camões500  #alermaisemelhor



 

 





Em exposição:

Godinho, Vitorino Magalhães (1965). Os descobrimentos e a economia mundial. Vol.2. [1ª edição]. Lisboa: Editora Arcádia. Titulo do Fundo Museológico da Camilo.

Peres, Damião (1943). História dos descobrimentos portugueses. [1ª edição]. Porto: Portucalense Editora. Título do Fundo museológico da Camilo.

Carta da África. Reproduzida do Atlas de Diogo Homem 1558. In Baião, António et al. (1937). História da Expansão Portuguesa no Mundo, vol. 1. [1ª edição]. Lisboa: Editorial Ática. Título do Fundo museológico da Camilo.
 

 

quarta-feira, 21 de maio de 2025

Exposição | Viagens pelo Tempo e pela História - Instrumentos de um mundo novo

 

 #camões500

 

 

 
Carta de Lisboa e do Tejo
 
Carta náutica quinhentista de Lopo Homem-Reinéis. Atlas 1519 
Representa os limites geográficos, os povos, a flora e a fauna dos povos descobertos
 

Quadrante


Bacamarte

Agradecemos à Casa Paúllos a cedência destes objetos para a exposição.

 

Camões 500

Exposição | Viagens no Tempo e na História - Timeline

 

 #camões500 

 

 



 

Exposição V Centenário de Camões - Viagens no Tempo e na História.

Timeline sobre o contexto histórico-cultural de Camões, construída pelos alunos de História do 10º ano.  

 

Camões 500

segunda-feira, 19 de maio de 2025

O mundo conhecido pelos europeus do final do séc. XIV ao início do séc. XV

 

 

 

 



Portugal e a Europa nos séculos XV e XVI

 

 



Paulo Caetano (ed.). Lisboa: IEM – Instituto de Estudos Medievais, 2019




Os séculos XV e XVI são cruciais nas relações entre Portugal e a Europa, mas também no percurso individual de cada uma destas entidades, uma nacional e outra supranacional. Uma ideia há a reter: são duas centúrias impossíveis de desligar uma da outra, independentemente de tratar-se do campo da política, da cultura ou da religião. Por isso, preferimos ousar a afirmação os “longos séculos XV e XVI” à sentença mais tradicional e limitadora do “longo século XVI”.
Em termos da Europa propriamente dita, trata-se de duzentos anos de redefinição, sem dúvida – basta pensarmos na Reforma protestante ou na presença otomana efetiva em solo europeu –; mas de uma redefinição sempre no sentido das continuidades, isto é, pautada a cada momento por estas. Os dois exemplos acima referidos bastam para demonstrá-lo: nem a Reforma surgiu despegada do que a antecedeu (pensemos, por exemplo, em John Wycliffe, c.1328-1384, João Huss, 1369-1415, ou no próprio movimento da devotio moderna, que, iniciado na segunda metade de Trezentos, tem largas e impactantes repercussões no continente europeu); nem a presença otomana teve início na segunda metade do século XV, mas sim muito antes.
Sobretudo, em sentido lato, é simplista e redutor falar de uma simples e quase automática passagem da Respublica Christiana para uma Europa concebida enquanto cenário emergente das monarquias nacionais e das grandes Casas dinásticas. Nunca tal aconteceu de forma absoluta e muito menos se tratou de um processo maquinal, isto é, nem a Cristandade deixou de existir , apesar dos processos assinalados, nem a concepção de “Europa” surgiu abruptamente do nada. Na verdade, há muito que já se falava dela no sentido de uma realidade emocional, portanto, bem mais palpável do que uma noção meramente geográfica. 
É caso para sublinhar de forma veemente o quanto é pouco operacional o recurso à tradicional noção de corte ou ruptura entre uma Idade Média conotada como um período estático e fechado sobre si mesmo e uma fase seguinte, a Idade Moderna, já inteiramente diversa, tendo pelo meio, qual ponte purificadora, o Renascimento. A interpretação oitocentista de Jacob Burckhardt sobre o Renascimento, e portanto também sobre a época medieval, apesar da sua importância, deixou há muito, como sabemos, de ser funcional. Como assinala Jacques Le Goff, “Esse período de transição, a que a época das Luzes chamaria Dark Ages – o Tempo das Trevas –, foi desde as origens definido pela expressão ‘Idade Média’ — um conceito pejorativo – como um período, se não negativo, pelo menos inferior ao que se lhe seguiu. […] Esta definição cronológica e pejorativa da Idade Média tem sido, de há decénios a esta parte e, principalmente, nos anos mais recentes, atacada pelos dois extremos. […] A oposição Idade Média/Renascimento é contestada em muitos aspectos. […] O passado respinga, sem dúvida, quando pretendemos sujeitá-lo e domá-lo com periodizações. Certas divisões são, contudo, mais destituídas de fundamento que outras para assinalar a mudança. Aquela a que se deu o nome de Renascimento não me parece pertinente. A maioria dos sinais característicos por meio dos quais se tem pretendido reconhecê-la surgiu muito antes da época em que a situamos (séculos XV-XVI).” É, pois, fundamental ter presente a fragilidade e o perigo das grandes classificações e periodizações estanques, como é precisamente o caso da relativa ao mundo medieval versus Renascimento/Idade Moderna. O que se designa tradicionalmente por Renascimento começou bem mais cedo do que se considera; por outro lado, a Idade Média não terminou com a queda de Constantinopla (1453) ou com as viagens pioneiras de Colombo (1492) e de Vasco da Gama (1497-1498). A “continuidade” é, mais do que nunca, um dado irrefutável e operatório para qualquer tentativa sólida de hermenêutica histórica, em particular tratando-se dos campos cultural, religioso e político, na viragem do século XV para o século XVI. Daqui resulta que a mundividência medieval é algo enraizado nesta sociedade de charneira, pelo que é impossível que novas práticas e orientações, quer políticas quer culturais e religiosas, se manifestem sem o peso da herança dos séculos anteriores. É um facto a coexistência de técnicas, ideias, estilos, modelos e gostos. 
Partindo da análise de fontes tipologicamente muito diferentes (cronísticas, documentais, epistolares, iconográficas, entre outras), quer portuguesas quer estrangeiras, é objetivo desta antologia refletir de forma crítica sobre a composição e descrição de paisagens europeias no período em questão. Naturalmente, uma atenção especial é dada à relação entre Portugal e o continente de que faz parte: se por um lado se visa indagar sobre a forma como em Portugal, nos séculos XV e XVI, se projetava o espaço europeu, por outro ambiciona-se identificar a natureza das representações construídas entre Portugal e a Europa. Noutra vertente, buscam-se respostas válidas para questões centrais como o carácter e a constância das relações mantidas com os diversos territórios europeus. 
As representações que suportavam as figurações desenvolvidas denunciavam identidades cada vez mais marcadas, mas também traziam consigo, ainda que na maioria das vezes de forma pouco declarada, evocações de uma consciência relativamente a um espaço e uma herança cultural comuns. Um sentimento precursor (ainda que, como destacámos, em continuidade, pois, os seus fundamentos localizam-se num “longo” tempo anterior), que não se identifica já exclusivamente com o conceito de Cristandade ou com a ideia imperial, mas que respeita à definição de uma “outra” identidade europeia fundada especialmente no contacto com o Turco e com as novidades oriundas dos territórios longínquos recentemente alcançados pelos reinos ibéricos (o Eu-civilizacional literalmente explode e expande-se neste processo proto-globalizador de contacto com o Outro) – processos que têm lugar sobretudo neste binómio de tempo. 
 Já então, ainda que de forma algo incipiente, a diversidade das nações do Velho Continente indiciava uma unidade, que, de forma absolutamente “informal”, transcendia a individualidade de cada uma das partes. A tese de Patrick Geary em relação a uma pseudo-história é aqui pertinente: “Esta pseudo-história começa por partir do princípio de que os povos europeus são unidades sociais e culturais distintas, estáveis e objetivamente identificáveis, e de que se distinguem uns dos outros pela língua, pela religião, pelos costumes e pelo carácter nacional, características estas que são inequívocas e imutáveis. Supostamente, terão sido formados num momento remoto da pré-história ou então o processo de formação étnica aconteceu nalgum momento da Idade Média, tendo terminado, no entanto, para sempre.” Com efeito, e apesar das múltiplas convulsões que os marcaram, os séculos XV e XVI constituem um período de tempo com uma extraordinária coerência própria, expressa precisamente na já referida continuidade dos fenómenos que então tiveram lugar, nomeadamente o facto de o continente ter recebido um quadro de referências civilizacionais, ideológicas e, consequentemente, identitárias (por exemplo, ao nível cartográfico e técnico, de que o nascimento da imprensa é paradigmático), que o tornou claramente distinto dos que com ele coexistiam. E, nas diversas fases deste processo, é indiscutível a relevância do contributo português. 
O percurso da Europa per se, bem como ao nível da relação que foi estabelecendo ao longo dos séculos com as unidades que a compõe, constitui um processo transformador modelar em relação àquela mutação de que Braudel fala quando evoca a história de “amplitude secular” e as “grandes permanências”, ou seja, a “história de longa, e mesmo de muito longa, duração”. Dito de outro modo, o que está aqui em questão não é uma transformação momentânea e, por isso, superficial – relacionada com o tempo breve, do acontecimento, do indivíduo, isto é, a história de curta duração (événementielle). Também não se trata da história de média amplitude, conjuntural, “do ciclo e até do ‘interciclo’ – que oferece à nossa escolha uma dezena de anos, um quarto de século e, em última instância, o meio século do ciclo clássico de Kondratieff”. Trata-se antes de uma mutação ontológica, de movimentos profundos, que revolve os alicerces do quadro mental e, consequentemente, das estruturas do imaginário que, assim, se vê irremediavelmente alterado. Daí ser inútil utilizar balizas cronológicas e periodizações estanques, pois foi no entretanto (bastante flexível) dos duzentos anos aqui em causa que esse processo transformador ganhou novos contornos de uma forma mais clara e objetiva em relação ao passado. 
Se bem que, nos últimos anos, se tenha vindo a aprofundar, sob o ponto de vista documental e historiográfico, o conhecimento das relações entre Portugal e a restante Europa, a verdade é que muito há ainda a fazer no sentido de compreender o carácter e a configuração das concepções e representações portuguesas do continente europeu nos séculos de Quatrocentos e Quinhentos, assim como de identificar e apreender os mecanismos de reconhecimento das realidades do Velho Continente nos círculos cultos do reino português. 
Estes são os objetivos centrais de um conjunto multidisciplinar de estudos, que se propõem aprofundar os diversos intercâmbios desenvolvidos entre Portugal e os diferentes espaços europeus nos séculos XV e XVI. A circulação cultural, os contatos político-diplomáticos, militares e estratégicos, bem como as relações de índole religiosa, comercial e mercantil estarão no centro de uma reflexão que se deseja crítica e ampla. 
De alguma forma todos os textos aqui presentes cruzam-se e inclusivamente tocam-se em diversas problemáticas, ou não tivessem por pano de fundo o mesmo enquadramento temático: Portugal e a Europa nos séculos XV e XVI. Olhares, relações, identidade(s). As mais diversas áreas de atuação humana que marcaram o quotidiano português e europeu nos séculos XV e XVI estão de alguma maneira representadas nesta antologia. 
Fruto do apoio conjugado de duas unidades de investigação sediadas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (o Instituto de Estudos Medievais e o CHAM – Centro de Humanidades), a presente antologia é, pois, composta por quatro partes principais – Alteridades e construções identitárias; Intercâmbios e interculturalidade; Olhares e representações; Fronteiras e europeização –, as quais, no seu conjunto, pretendem responder às questões e aos objetivos em cima apontados. Como se pode inferir, a História cultural e das mentalidades é predominante, sem que isso signifique contudo o apagamento de outros campos, como por exemplo o económico e mercantil. De reter é o quadro conceptual que serve de base à totalidade dos estudos apresentados: paisagem, fronteira, centro/periferia, representação, identidade, alteridade, interculturalidade, comunidade, imaginário, espiritualidade e emoção.

Paulo Catarino Lopes. "Introdução: Portugal e a Europa nos séculos XV e XVI. Duas centúrias de contatos, continuidades e também redefinição", in Portugal e a Europa nos séc. XV e XVI. Lisboa: IEAM - Instituto de Estudos Medievais, 2019.

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

A ficção como porta de entrada para a memória do Holocausto

 

 

 

Mostra bibliográfica

 
Falar sobre o Holocausto com os mais jovens é um desafio delicado, mas essencial. A ficção — através de livros, filmes e outras formas narrativas — pode ser uma poderosa aliada nesse processo. Histórias que misturam emoção, empatia e humanidade ajudam a aproximar os alunos de uma realidade difícil de compreender apenas com dados e factos históricos.

Obras como O Menino do pijama às riscas, A menina que roubava livros ou o clássico O Diário de Anne Frank — embora com abordagens e graus de fidelidade variados — despertam no jovem leitor ou espectador sentimentos que o ligam diretamente às vítimas, às suas famílias e experiências. Através da ficção, o Holocausto deixa de ser apenas um capítulo distante da história e passa a ser algo vivido, sentido e refletido.

As bibliotecas escolares e públicas, com seus acervos de livros e filmes, tornam-se assim espaços fundamentais de memória e educação. Elas oferecem recursos acessíveis e diversos, que estimulam o pensamento crítico, o respeito pelas diferenças e a valorização dos direitos humanos. Promover o contato com essas obras é uma forma de ensinar não apenas sobre o passado, mas sobre a importância de construir um futuro mais justo e consciente.

Ler, ver, sentir — e lembrar. Porque é preciso nunca esquecer.

 

Exposição de trabalhos dos alunos

 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

É PRECISO LEMBRAR PARA QUE NÃO SE REPITA

 

 

 #nóslembramos / #weremember

 

 



27 de Janeiro – Dia da Lembrança das Vítimas do Holocausto


Hoje, lembramos uma das páginas mais sombrias da história da humanidade: o Holocausto. Milhões de judeus, além de outras minorias perseguidas pelos nazistas, foram brutalmente assassinados em um regime de ódio e intolerância. Esta data não é apenas para recordar o sofrimento das vítimas, mas também para reafirmar nosso compromisso com a dignidade humana, a justiça e a paz.

Lembrar o Holocausto na escola é fundamental. A educação tem o poder de formar consciências, ensinar empatia e combater o preconceito. Ao estudarmos essa tragédia, aprendemos a identificar os perigos da discriminação, do racismo e do silêncio diante da injustiça. Não se trata apenas de lembrar o passado, mas de garantir que ele nunca se repita.

Nós lembramos. E precisamos de continuar a lembrar.

 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Palestra: A "apagada e vil tristeza", de Miguel da Silveira e Luís de Camões


 



#CamoesVCentenarioEducacao #Camoes500Anos #lercamoes


Celebração do dia do nascimento de Camões - 23 de janeiro






Como previsto, realizou-se ontem, pelas 9:10, no auditório 1, a palestra A "apagada e vil tristeza" de Miguel da Silva e Luís e Camões, orientada pelo Dr. Álvaro Pinto.

Assistiram os alunos do 11º C, 12º D e 12º F e vários docentes da escola.

Foi, sem dúvida, uma palestra muito interessante, de excecional qualidade (a que o professor Álvaro já nos habituou)!

 

 Quem foi D. Miguel da Silva

D. Miguel da Silva (c. 1480–1556) foi um importante humanista português do século XVI, diplomata, bispo e cardeal. Filho de Rui Gomes da Silva, senhor de Chamusca e Ulme, e de D. Isabel de Menezes, teve uma educação esmerada, influenciada pelo espírito do Renascimento.
 
Serviu como embaixador de D. Manuel I e de D. João III na Santa Sé, desempenhando um papel essencial na diplomacia portuguesa em Roma. Durante a sua estadia, contactou com grandes humanistas e artistas da época, aprofundando-se nos estudos clássicos e tornando-se um dos principais intelectuais portugueses do seu tempo. Foi amigo pessoal do pintor Rafael e do escritor Baldassare Castiglione, que lhe dedicou a sua obra-prima Il libro del Cortegiano (O Cortesão, em português).
 
Após ter sido nomeado Bispo de Viseu, a sua aproximação com o ambiente cultural italiano e o seu prestígio na Cúria Romana geraram desconfiança na corte portuguesa. D. João III, temendo a sua crescente influência e possível nomeação como cardeal sem sua autorização, ordenou o seu retorno a Portugal. 
 
D. Miguel obedece regressa a Portugal. Vendo a sua posição deteriorar-se rapidamente, fugiu para Itália, em 1540, escapando por uma questão de horas a uma ordem régia de prisão. Em Roma, recebeu-o calorosamente o Papa Paulo III, que o faz cardeal, em 1541.

Como resultado, D. João III confiscou-lhe todos os bens em Portugal e proibiu a menção de seu nome no reino. D. Miguel da Silva permaneceu em Itália até à sua morte, em 1556, sendo lembrado como um grande humanista e patrono das artes e letras.
D. Miguel da Silva teve um papel importante na introdução do pensamento renascentista em Portugal. A sua experiência em Itália e o seu mecenato ajudaram a difundir as ideias humanistas, mesmo que o seu exílio tenha limitado a sua influência direta no reino. 
É considerado uma das figuras mais ilustres do humanismo português.

 Camões 500


quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Navegações Portuguesas

 

#camões500anos




 

Ficha técnica

Os artigos da base de dados “Navegações Portuguesas” foram redigidos entre 2002 e 2005 por um grupo de antigos alunos da cadeira de História da Marinha Portuguesa, na licenciatura em História da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.


Camões 500