Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens

sábado, 20 de dezembro de 2025

Feliz Natal!

 

 

 


 

A equipa de coordenação da Biblioteca deseja Boas Festas a toda a Comunidade Escolar e Felizes Encontros de Leitura! 

 

🎄🎄🎄 

sábado, 24 de dezembro de 2022

Boas Festas!

 






A Equipa de Coordenação da Biblioteca deseja BOAS FESTAS e FELIZES ENCONTROS DE LEITURA a toda a Comunidade Educativa.


terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Atmosferas | Natal na Biblioteca

 

 

 

No passado dia 13 de dezembro, os alunos do 1º ano do Curso Profissional de Técnico de Animação Sociocultural estiveram na Biblioteca a montar o presépio feito pelos mesmos e a fazer a decoração de Natal. 

Como se pode ver a partir dos postais que a seguir se apresentam, a Biblioteca ficou muito mais colorida e acolhedora.


 

 




 

sexta-feira, 25 de dezembro de 2020

terça-feira, 22 de dezembro de 2020

Boas Festas | RBE

 


    "Bad libraries build collections, good libraries build services, great libraries build communities."
     R. David Lankes



quinta-feira, 17 de dezembro de 2020

Natal | Feito à mão na Biblioteca

 




 


 






Natal

 


       Atelier Feito à mão na Biblioteca



Honrarei o Natal em meu coração e tentarei conservá-lo durante todo o ano.
- Charles Dickens



sábado, 5 de dezembro de 2020

Voto de Natal!

 






Voto de Natal


Acenda-se de novo o Presépio no Mundo!
Acenda-se Jesus nos olhos dos meninos!
Como quem na corrida entrega o testemunho,
passo agora o Natal para as mãos dos meus filhos.

E a corrida que siga, o facho não se apague!
Eu aperto no peito uma rosa de cinza.
Dai-me o brando calor da vossa ingenuidade,
para sentir no peito a rosa reflorida!

Filhos, as vossas mãos! E a solidão estremece,
como a casca do ovo ao latejar-lhe vida…
Mas a noite infinita enfrenta a vida breve:
dentro de mim não sei qual é que se eterniza.

Extinga-se o rumor, dissipem-se os fantasmas!
O calor destas mãos nos meus dedos tão frios?
Acende-se de novo o Presépio nas almas.
Acende-se Jesus nos olhos dos meus filhos.

– David Mourão-Ferreira, in Cancioneiro de Natal


quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Árvore de leituras










Partilhamos a árvore dos poetas de Maria de Fátima Roldão, editora da revista de poesia contemporânea "Nervo" .

A Bibloteca tem dois números desta revista, oferecidos por Maria F. Roldão, disponíveis para consulta .



👉Quem quiser partilhar connosco a sua árvore de leituras/autores, pode enviá-la por email para a Biblioteca para ser publicada.  


Salvador Dalí | Cartões de natal




Quando Salvador Dalí criou cartões de Natal que eram avant-garde demais para a Hallmark (1960)






A natureza do marketing na década de 2010, com todos os cruzamentos e colaborações inesperados da marca, deu origem a muitas parcerias comerciais estranhas. Mas, por puro valor de choque artístico, terão algumas delas superado o Natal de 1960, quando Salvador Dalí projetou cartões de Natal para a Hallmark? Esta parceria foi a rara interseção de uma empresa que construiu um império com expressões de amor e festividade amplamente atraentes e inofensivas e de um artista que  um dia disse: "Eu não uso drogas. Eu sou drogas".








"A Hallmark começou a reproduzir as pinturas e desenhos de artistas contemporâneos nos seus cartões de Natal no final dos anos 40, uma iniciativa liderada pela fundadora da empresa, Joyce Clyde Hall", escreve Ana Swanson , do Washington Post .

A arte de Pablo Picasso, Paul Cezanne, Paul Gauguin, Vincent Van Gogh e Georgia O'Keeffe deu uma reviravolta nos cartões de Natal da Hallmark." E assim, Swanson cita Hall como tendo escrito na sua autobiografia, "através da 'arte não sofisticada' dos cartões de felicitações, os maiores mestres do mundo foram mostrados a milhões de pessoas que de outra forma não teriam tido acesso a eles".







A Hallmark assinou com Dalí em 1959. O pintor de A persistência da memória e da crucificação (Corpus Hypercubus) pediu ao gigante do cartão de felicitações "$ 15.000 dólares em dinheiro antecipadamente por 10 designs de cartão de felicitações, sem sugestões da Hallmark aobre o assunto o medium, sem prazo e sem royalties ". Os desenhos de Dalí incluíam "versões surrealistas da árvore de Natal e da Sagrada Família", além de algumas imagens "vagamente perturbadoras", como um anjo sem cabeça a tocar alaúde e os três sábios sentados em camelos de aparência louca. A Hallmark acabaria por produzir apenas duas das cartas de Dalí, um presépio e uma representação da Madonna e da Criança. Infelizmente, mesmo essas imagens relativamente "domesticadas" não deram certo.








A "visão de Dalí", como Patrick Regan escreve, em Hallmark: A Century of Caring", era um pouco avant-garde para o comprador médio de cartões", e a resposta pública negativa logo convenceu a Hallmark a retirar os cartões de Dalí da sua linha de produtos - garantindo assim o seu futuro como itens de colecionador muito procurados. Por mais auspicioso que o casamento de Dalí e Hallmark possa parecer, o artista possuía um senso comercial mais alinhado com o de Joyce Clyde Hall: na sua vida, Dalí criou uma gama de produtos que variam de impressões de livros (incluindo um livro de receitas) a um baralho de cartas de tarot, e até apareceu em anúncios de televisão. Nem todos os seus empreendimentos foram bem-sucedidos, mas, como nos cartões de Natal da Hallmark, às vezes os insucessos são mais memoráveis ​​que os sucessos.



Referência (2019). When Salvador Dalí Created Christmas Cards That Were Too Avant Garde for Hallmark (1960), 25 de dezembro. Retrieved 26 december from http://www.openculture.com/2019/12/when-salvador-dali-created-christmas-cards-that-were-too-avant-garde-for-hallmark-1960.html (Tradução da nossa responsabilidade. A.J.)





Natal na arte e na literatura




Quando se fala ou se escreve acerca de presépios, em matéria de arte erudita, é obrigatório referir Machado de Castro
DeAgostini/Getty Images





Como, ao longo dos séculos, o nascimento de Jesus inspirou os mais variados artistas de todas as tendências
Texto António Valdemar


Através dos séculos, o Natal tem motivado poetas, escritores, dramaturgos, artistas plásticos e músicos de todas as tendências. A palavra deu lugar à reposição, ao vivo, do relato do Evangelho de São Lucas. A imaginação criadora de São Francisco de Assis transformou a narrativa em realidade humana. Transpôs para o horizonte do quotidiano a presença da mãe, do pai e do filho. O quadro da família. E a exaltação do menino, num estábulo humilde e obscuro de Belém, na companhia do boi e do jumento. Assim se representou, no silêncio da noite e ao ar livre, o nascimento de Jesus.


Foi no ano remoto de 1223, em Itália, em Graecio, na província de Rieti. A partir daí, o primeiro presépio do mundo vai propagar-se através da Europa e introduzir-se, durante as descobertas marítimas, nos territórios da África, da Ásia, da América e da Oceânia.
Quando se fala ou se escreve acerca de presépios, em matéria de arte erudita, é obrigatório referir Machado de Castro, cujas obras de escultura se multiplicaram em conventos, igrejas, palácios e outros espaços públicos. Machado de Castro (1731-1822) nasceu em Coimbra, onde começou a aprender a arte com o pai, um dos santeiros mais conceituados da cidade e da região. Veio depois para Lisboa trabalhar com Nicolau Pinto e, a seguir, com José de Almeida, o grande escultor formado em Roma e que foi — no depoimento de Cirilo Volkmar Machado — o primeiro artista português, do século XVIII, que “soube esculpir em pedra”.
A ESCOLA DE MAFRA
Permaneceu Machado de Castro em Mafra, entre 1756 e 1770, na equipa de Giusti que D. João V incumbiu de instalar a Capela de São João Batista na Igreja de São Roque, em Lisboa, e de superintender na construção da basílica, do convento e do palácio de Mafra.
Durante 14 anos, Machado de Castro, sem nunca sair de Portugal, tomou contacto com a riqueza e a diversidade da cultura artística da Europa, que continuava a irradiar nos grandes centros urbanos da Itália. Um dos convívios mais assíduos que estabeleceu em Mafra foi com Francisco Vieira de Matos, o famoso pintor Vieira Lusitano, que se formou em Roma e ganhou o Concurso Clementino, que abria as portas das principais cortes da Europa.
A AMBIÇÃO DO COLOSSAL
Encontrava-se Machado de Castro na plenitude da maturidade profissional ao radicar-se, em 1770, em Lisboa. Realizou obras de vulto para a Basílica da Estrela, o Palácio da Ajuda, as quintas reais de Belém e de Caxias e o Palácio do Marquês de Pombal, em Oeiras. Refletem os mais notáveis paradigmas da construção clássica e neoclássica. Nenhum outro artista português igualou Machado de Castro no seu tempo.
Interveio no plano de reconstrução de Lisboa, após o terramoto de 1755. Recebeu um convite da Casa do Risco das Obras Públicas para fazer a maqueta de uma estátua de homenagem a D. José. O escultor italiano Andrea Imbom, natural de Malta, era o outro concorrente. Um ano depois, apresentado o primeiro estudo, foi entregue a Machado de Castro a concretização da estátua equestre.
Em junho de 1775 decorreu a inauguração, com um cerimonial de aparato inédito. A estátua e o conjunto em que se enquadra têm a amplitude, a imponência e os efeitos decorativos dos melhores mestres europeus. Ficou no centro da Praça do Comércio e passou a ser um dos mais emblemáticos monumentos do mundo.
UNIVERSO QUOTIDIANO
Todavia, a par desta estatuária opulenta, com a ambição do colossal, Machado de Castro também inventou e executou presépios. Constituem a outra componente da sua trajetória profissional.
Sem a pompa orgulhosa e a sumptuosidade altiva que marcam os outros trabalhos da sua produção escultórica, os presépios de Machado de Castro transmitem o calor afetivo, a espontaneidade lírica e satírica que também surpreendemos no teatro popular. Revelam a expressão viva da realidade social voltada para o quotidiano.
Recriou figuras típicas como, por exemplo, o rapaz que toca caixa de rufo, o homem da gaita de foles, a matança do porco e o peregrino ajoelhado que oferece um carneiro, entre a representação de numerosos costumes, usos e tradições genuinamente portugueses.
ESPECULAÇÃO E FRAUDE
Há presépios, incontestavelmente, da autoria de Machado de Castro; outros têm algumas peças dele e a colaboração da sua oficina; outros são de artistas e artífices que foram seus discípulos e continuadores.
E ainda outros, podemos dizer muitos e muitos outros, são imitações — melhores ou piores — e objeto de especulação e de fraude de colecionadores, de antiquários e de leiloeiros.
Aliás, continua a ser muito frequente atribuir a Machado de Castro a autoria de inúmeros presépios ou de pequenos grupos escultóricos alusivos ao ciclo da Natividade, mas que, efetivamente, não lhe pertencem. Até agora não se conseguiu unanimidade de critério acerca do número de presépios da exclusiva autoria de Machado de Castro.
INVENTARIAÇÃO RIGOROSA
Diogo de Macedo, no estudo biográfico e crítico sobre Machado de Castro e em livros e artigos acerca de presépios, inventariou dez presépios comprovadamente de Machado de Castro. Também apurou que apenas está assinado o presépio da Sé de Lisboa. Nele se regista a data em que foi concluído. E também ali se pode ler em carateres visíveis e em latim: “Joach Machado de Castro inven et fecit 1766”.
Estes e outros pormenores, a respeito da vida e da obra de Machado de Castro, foram igualmente examinados nos estudos de Henrique Ferreira Lima, Garcês Teixeira, Luciano Ribeiro, Ayres de Carvalho, Luís Chaves e, mais recentemente, Sérgio Andrade, para citarmos alguns dos investigadores que se detiveram na atividade do escultor, na produção da sua oficina e no contributo dos seus colaboradores.
A partir da inscrição da assinatura de Machado de Castro no presépio da Sé de Lisboa verifica-se que pertence a ele a conceção e a execução integral de um presépio; e, em relação aos demais que lhe são atribuídos, limitam-se quase sempre a algumas peças por ele criadas mas, fundamentalmente, a trabalhos realizados por artistas que faziam parte da sua oficina. Machado de Castro, através da sua correspondência, não escondeu que, em diferentes oportunidades, como sucedeu na própria estátua equestre de D. José, contou como o auxílio direto de vários colaboradores.
DE TERRA EM TERRA
Portugal, em todos os seus territórios geográficos e humanos, do Minho ao Algarve, de Trás-os-Montes ao Alentejo, das ilhas da Madeira às ilhas dos Açores e através dos países da diáspora e da lusofonia, reencontra-se, nesta quadra do ano, na profusão extraordinária dos presépios.
É sempre difícil pormenorizar. Todavia, os presépios das antigas olarias de Estremoz — em minha opinião — podem considerar-se dos mais belos e originais. De terra em terra deparamos, no interior de igrejas, nos adros, noutros espaços públicos, nas casas de habitação, desde as mais ricas até às mais humildes, com presépios e com tudo o que os caracteriza no essencial e com tudo o que os distingue em cada lugar. Por mais remoto e por mais obscuro que seja.
Escultores contemporâneos como, por exemplo, Canto da Maya, ao fazer a representação da família, aproximou-se quase sempre da simbologia da recriação do Natal, seja na arte erudita dos presépios, que assumiu notoriedade em Machado de Castro e nos seus discípulos e continuadores, seja na arte popular realizada ao sabor da imaginação de oleiros muitas vezes anónimos e que se tornaram conhecidos através do nome das terras onde viveram e onde trabalharam o barro.
A VOZ DOS POETAS
Nos Cancioneiros medievais, que encerram os primórdios da cultura portuguesa, o Natal começa a estar presente na poesia de inspiração provençal e de influência galaica. Acompanhou a evolução da língua até atingir autonomia e projeção. As evocações sucederam-se no teatro de Gil Vicente (“Auto Pastoril Português”, um dos mais célebres). Ganhou depois expressão em sonetos de Camões, Diogo Bernardes e Agostinho da Cruz.
Prosseguiu nos árcades, evidenciou-se no génio de Bocage; motivou o virtuosismo de Garrett, a eloquência austera de Herculano e o gosto vernáculo de Castilho, três personalidades classificadas como os três expoentes mais representativos do romantismo.
Eles consagraram ao Natal alguns dos mais belos poemas da língua portuguesa, intervenientes da geração de 70: a simplicidade modelar de João de Deus e os recursos verbais de Guerra Junqueiro. Mas entre os grandes poetas do fim do século XIX e início do século XX, Gomes Leal comunicou toda a sua imaginação exuberante não só ao nascimento de Cristo mas a todos os outros momentos significativos da sua existência. Reuniu estas poesias, em 1883, num livro. Tem apenas o título “História de Jesus para as Criancinhas Lerem”.
Também António Feijó registou o encontro nas ruas da cidade com um vendedor de jornais em plena noite da Consoada. E quantos e quantos outros? Por exemplo, as recriações saudosistas de António Nobre e de Teixeira de Pascoaes; a melodia verbal de Augusto Gil e a memória rural de Afonso Duarte.
Tão diferentes no imaginário, na conceção, nas posições políticas, os poetas do “Orpheu”, da “Presença”, do neorrealismo, dos “Cadernos de Poesia” e do surrealismo abordaram o tema sem se desviarem das ideias fundamentais e até recorrendo às mesmas palavras. Contudo, há um cunho pessoal que logo identifica Fernando Pessoa, Cortes Rodrigues, José Régio, Miguel Torga, Vitorino Nemésio. E também Natércia Freire, Sophia de Mello Breyner, Jorge de Sena e Natália Correia.
Não podemos ignorar outros poetas contemporâneos: José Gomes Ferreira, Álvaro Feijó, António Gedeão, Ruy Belo, David Mourão-Ferreira, Mário Cesariny, para completar uma possível inventariação de nomes de poetas representativos.
Para muitos poetas e escritores, o Natal e o Ano Novo, antes do 25 de Abril, constituíram pretexto para condenar meio século de ditadura, a supressão das liberdades públicas e dos direitos cívicos, a repressão da polícia política e o controlo da censura, nos órgãos de comunicação social, no teatro, no cinema e noutros espetáculos.
Um país oprimido e um país coberto de luto, desde 1961, com uma guerra colonial sem fim à vista, provocando, em três frentes de combate, milhares de mortos e milhares de traumatizados. Ainda hoje debatendo-se com a ressaca da tragédia que os atingiu. Implacavelmente.
TEMAS DOMINANTES
As componentes com que deparamos na poesia também se encontram na prosa e no teatro com tanta ou mais intensidade. É o caso de Raul Brandão, num capítulo de “Os Pobres”, com as confissões trágicas que recolheu numa casa de prostitutas e onde cada uma descreve a desgraça que a fez resvalar na lama e o pressentimento ainda mais negro da fatalidade que a espera.
Predominam, durante a comemoração do ciclo do Natal, a confidência lírica, o arrebatamento místico, as interrogações existenciais e teologais. Acentua-se a carga nostálgica em redor do paraíso perdido da infância e da adolescência; a solicitação da tranquilidade do mundo rural perante as desigualdades sociais, a insegurança e a turbulência das cidades. Todas as formas de expressão literária e estética incidem na retrospetiva do passado e no olhar fixo no presente, sempre na expectativa da mudança.

O desassossego do mundo e a inquietação dos homens continuam a intensificar o apelo para a tolerância e a paz, a solidariedade e a justiça, o diálogo e a reconciliação. A luz que brilha nos olhos das crianças, neste tempo de Natal, irradia, contudo, um sinal de esperança que se acende no coração de cada um de nós.
E-Revista Expresso, 21 de dezembro de 2016

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

sábado, 21 de dezembro de 2019

Natal 2019






 https://drive.google.com/open?id=1jfg4--6Oj8-UqnZDzAW7ctL_mWLr-dsS






A Satvrnalia | As origens remotas do Natal




A caverna do Fauno
Por Aristides Mínguez Baños











Há 29 anos que me bato nas trincheiras de institutos públicos, usando a cultura latina, clássica ou grega como armas evangelizadoras, a fim de alcançar uma sociedade mais culta, reflexiva, humana e, portanto, mais justa, livre, e consistente. Período após período, no início de cada curso, alguns zangolotinos colocam-me à prova [...]: "Professor, para que serve a cultura latina / grega / clássica?". No começo da minha carreira, fiel ao meu espírito combativo e impetuoso, mais agitador do que provocador, respondia ao nabo com delicadezas como “para um ignorante como você me fazer uma pergunta tão estúpida como essa. Se você não entender nenhuma dessas palavras, pegue num dicionário, se souber o que é, ou espere alguns meses para descobri-las, graças ao conhecimento de latim.”  Hoje, muito mais calmo - ou derrotado o meu humor pela relutância e inculturação reinante - eu simplesmente grito com resmungos diante dos ousados ​​ou nem sequer respondo à impertinência.


Num outro lugar, confessei o grave pecado cometido por mim contra a atual sociedade materialista, utilitária, imediata, vazia e insana, tendo escolhido ser professor de línguas e cultura clássicas e me desvencilhando em sua defesa. Causa fastio que, por pura e vaga ignorância, que não se recata em disfarçar, a população questione ou despreze tudo o que esteja relacionado com assuntos que constituem o meu trabalho e a minha paixão.

"O que a maioria deles ignora é que essas celebrações têm suas raízes na Roma antiga, que ainda somos romanos na maneira de celebrar a vinda do Redentor."


Com os meus alunos de Cultura Clássica, fizemos testes para verificar o que os seus colegas, professores ou vizinhos sabem sobre a presença do mundo greco-romano em diferentes facetas do mundo atual: física, química, matemática, filosofia, história (aliás, todas as palavras gregas), publicidade, etc. Os resultados são sombrios. Poucos podem explicar por que é chamado de segunda  [lunes, em espanhol] a segunda-feira (vem de Lunae dies, dia da lua; Monday em inglês, onde moon evoluiu para "mon"). Mesmo alguns professores de química são incapazes de ver vestígios do grego em cloro, bromo ou iodo ou de identificar caracteres mitológicos em mercúrio, paládio ou plutónio. é confrangedor ouvir dizer que Homero é o pai dos Simpsons ou que Clio é um carro.

Por estes dias, celebramos o Natal. Como de tudo deve haver nas vinhas de Dionísio, alguns consideram as festas natalícias festividades cativantes, enquanto outros as detestam. O que a maior parte das pessoasa ignora é que essas celebrações têm as suas raízes na Roma antiga, que permanecemos romanos no modo de comemorar a vinda do Redentor, que a Igreja adaptou ao seu credo para honrar o nascimento do seu Messias, o que os antigos fizeram para comemorar Saturno: a Saturnalia.

Lendo o essencial de Um ano na Roma antiga, de Nestor F. Marquis, descobrimos que a primeira Saturnália ocorreu em 17 de dezembro de 497 a. C., coincidindo com a consagração do Templo de Saturno no Fórum de Roma, aos pés do Capitólio.



"Foi o próprio Saturno quem ensinou o homem a cultivar os campos. Os antigos romanos converteram-no numa divindade agrária benéfica."


Saturno, que os helenos chamavam de Cronos, foi o segundo dos reis que governaram a corte divina. Deste titã, talvez tenhamos uma imagem negativa por causa das pinturas de Rubens ou Goya, que o representam devorando os seus filhos por causa de uma profecia que previa que um deles o destronaria. O que viria a acontecer: Zeus libertou os seus irmãos do ventre paterno e arrebatou-lhe a coroa. Mas durante o reinado de Saturno, a humanidade conheceu a Idade de Ouro, da qual Hesíodo nos dá testemunho poético nos seus Trabalhos e Dias, Virgílio nas suas Geórgicas, Ovídio na sua Metamorfose ou, Miguel de Cervantes, no capítulo XI da primeira parte do Dom Quixote.

Naquela Idade de Ouro não havia diferenças sociais, o ser humano não tinha de ganhar a vida com o suor da sua testa, todos eram livres e partilhavam os frutos da terra, que brotavam espontaneamente. Foi o próprio Saturno quem ensinou o homem a cultivar os campos. Os romanos antigos converteram-no, então, numa divindade agrária benéfica. As suas celebrações coincidiam com o fim das tarefas do plantio, e foram-lhe confiadas para que as plantações pudessem suportar o longo período em que atingiam o subsolo, coincidindo com a época em que a deusa Proserpina tinha que permanecer no submundo com o marido, Plutão, antes que os primeiros rebentos da primavera viessem à luz do dia.

Terminada a sementeira, poderiam fazer uma pausa, que incluia os próprios escravos. No começo, a Saturnália durou apenas um dia, 17 de dezembro, mas a sociedade acolheu-a tão bem que acabou por se estender do dia 17 ao 23 do último mês do ano.

O Templo de Saturno do Fórum, para além de ser usado para guardar o tesouro nacional no Aerarium, abrigava uma estátua da divindade que durante todo o ano era amarrada com uma corda entrançada com lã, para que o deus não deixasse a cidade e deixasse os romanos à sua sorte. A Saturnália começou quando um sacerdote, capite aperto, com a cabeça descoberta (todos os outros deuses recebiam rituais com a cabeça coberta) sacrificou animais em homenagem ao titã e cortou a corda que o prendia. Ao grito de IO SATVRNALIA começaram alguns dias de fraternidade e de alguma devassidão.


"Os participantes da cerimónia eram recebidos num banquete pago pelo erário, no qual os animais abatidos eram devorados e grandes quantidades de vinho eram consumidas."


Os participantes da cerimónia eram recebidos num banquete pago pelo erário, no qual os animais abatidos eram devorados e grandes quantidades de vinho eram consumidas. A ele podiam assistir todos os habitantes que o desejassem, livres e escravos, pobres e ricos, estrangeiros e nacionais. Era uma oportunidade de confraternização numa sociedade em que as diferenças sociais eram muito acentuadas. Naquele que muitos consideravam o melhor dia do ano, o dia 17 de dezembro, escolas e empresas fechavam, e nenhum criminoso era executado ou julgado.

A cidade de Sagunto abriga o Domus Baebia, o farol para o qual todos nós , os que amamos a Cultura Clássica, olhamos. É a sede da associação Ludere et discere, cujas figuras de proa são Charo Marco e Amparo Moreno, as melhores sacerdotisas com as quais os amantes da romanidade podem sonhar para divulgar e valorizar tudo o que está relacionado com o mundo greco-romano. Ambas, juntamente com Mª Teresa Beltrán, Mª Teresa Cases e Mercedes García, são responsáveis ​​por uma página de acesso gratuito, Festa Saturnalia, com a qual podemos documentar minuciosamente a natureza dessas celebrações e encontrar textos e atividades para aprofundar os conhecimentos de uma maneira agradável e requintadamente documentada.

Graças a eles e ao mencionado Marqués, descobrimos que nos dias de hoje era excepcionalmente permitido jogar e apostar em público (costumava ser restrito a tabernas e tugúrios semelhantes) e até mesmo organizar sorteios. Os cidadãos enchiam as ruas, comiam e bebiam sem freio nas centenas de barracas permitidas e cobriam-se com um boné cónico, o pilleus, com o qual os escravos se tocavam quando alcançavam a liberdade, simbolizando a igualdade de todos os homens.

A ordem social era subvertida: os senhores sentavam os seus escravos nas suas camas de banquete, triclinia, e serviam o jantar, tolerando piadas e confianças, que no resto do ano seriam repreendidas. Há até quem veja neste momento a origem histórica da cesta de Natal: os clientes, cidadãos de classe social desfavorecida, que se colocavam ao serviço de um patronus de maior nível socioeconómico, deviam ir todas as manhãs colocar-se à sua disposição na cerimónia da salutatio matutina. Coincidindo com as Saturnalia, recebiam as sportula, algumas cestas de vime com bebidas e alimentos.


"Neste jantar, no último dia das Saturnalia, trocavam-se presentes com a família."


As famílias reuniam-se, muitas na única época do ano, para realizar banquetes, nos quais usavam as suas melhores roupas. Nessas refeições, comia-se um bolo com mel e nozes, onde estava escondida uma fava seca. Quem a encontrasse era coroado Princeps Saturnalicius e todos os presentes tinham que obedecer às suas ordens. Muito cego deve ser quem não vir nisso a origem do que hoje chamam de Roscón de Reyes [bolo-rei], que termina quase duas semanas de comemorações.

Neste jantar, no último dia das Saturnalia, trocavam-se presentes com a família. As crianças recebiam bonecas de barro ou cera, sigilla, e os maiores recebiam velas, que acendiam por todas as casas para iluminar esses dias adoráveis, costume que algumas populações de hoje levam ao paroxismo nas suas campanhas de iluminação de Natal. Esses presentes tinham sido comprados em mercados reunidos por ocasião das saturnais.

Os carnavais atuais também parecem ter origem nas chirigotas montadas no segundo dia, com cidadãos disfarçados que andavam pelas ruas fazendo piadas e cantando canções burlescas.


"Essas festividades eram tão arraigadas que, quando o cristianismo se tornou a religião oficial do império, os levou alguns dias a começar em 24 de dezembro, presumivelmente dia do nascimento de Jesus".


Mesmo naqueles tempos remotos, havia aqueles que renegavam esses dias e se trancavam nos seus quartos até que aquela tempestade desagradável passasse. Seneca de Córdoba alertou para os perigos dos excessos cometidos nas Saturnalia e Plínio, o Jovem, ficava confinado ao seu gabinete, não querendo ver ninguém, até que os festejos terminassem.

Essas festividades estavam tão arraigadas que, quando o cristianismo se tornou a religião oficial do império, a casta eclesial, diante da impossibilidade de as erradicar, adiou-as por uns dias, passando a começar em 24 de dezembro, presumivelmente o dia do nascimento de Jesus, mas que na realidade comemorava o dia 25 do nascimento do Sol Invicto, deus ligado ao culto de Mitra, que também morreu e ressuscitou, como Cristo.

Como podes ver, querido visitante desta Caverna do Fauno: NIHIL NOVVM SVB SOLE, nada de novo sob o sol. Quando alguém se atrever a dizer na tua presença para que serve o latim hoje, compadece-te da sua ignorância, abomina a sua ingratidão e mostra que o latim está muito mais vivo do que seus olhos cegos e utilitários são capazes de ver.

Por enquanto, IO SATVRNALIA!


Zenda - Autores, libros & compañía, 21 de dezembro de 2019
(Tradução da nossa responsabilidade, A.J.)



+Leitur@s | Contos de Natal




As mais belas histórias portuguesas de Natal | Vasco Graça Moura




Livro disponível na Biblioteca