segunda-feira, 17 de outubro de 2022

Migrantes

 


Uma curta-metragem para ver e refletir.


Concurso Nacional de Leitura 2022-2023

 











Juntos vamos celebrar a leitura e a escrita!



A 16.ª Edição do Concurso Nacional de Leitura (CNL) decorre entre o dia 12 de outubro de 2022, data oficial de abertura, e o dia 3 de junho de 2023, dia da grande final.

Cabe ao Plano Nacional de Leitura (PNL2027) e aos seus parceiros na iniciativa o desenvolvimento do CNL, ao longo de três fases consecutivas:

• Fase Escolar/Municipal,
• Fase Intermunicipal,
• Fase Nacional


O objetivo principal do Concurso Nacional de Leitura é estimular o gosto e o prazer da leitura, com vista a melhorar o domínio da língua portuguesa, a compreensão leitora e os hábitos de leitura.



As inscrições decorrem entre 12 a 28 de outubro de 2022.
Em breve divulgaremos o Regulamento da prova (escrita e oral) a nível de escola, que inclui as obras selecionadas.

Boas Leituras!


Ebook | Agentes e vozes - Educação e media

 














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A UNESCO – instituição responsável pela oficialização e divulgação do termo Media-Educação a nível global (Media Education, em inglês) desde a década de 1970, propôs uma mudança em 2011. Devido aos avanços tecnológicos nas telecomunicações e intensa proliferação de informações sendo criadas, acessadas e compartilhadas diariamente por crianças e jovens, o desafio de buscar, selecionar e avaliar a relevância e confiabilidade das mesmas torna-se premissa para sintonizar as demandas da sociedade contemporânea. O conceito atual proposto pela UNESCO passa a ser Media and Information Literacy (Alfabetização Mediática e Informacional). 

Por um lado, a alfabetização informacional enfatiza a importância do acesso à informação e a avaliação do uso ético dessa informação. Por outro, a alfabetização mediática enfatiza a capacidade de compreender as funções dos media, de avaliar como essas funções são desempenhadas e de engajar-se racionalmente junto aos media com vistas à autoexpressão. A Matriz Curricular da UNESCO para formação de professores incorpora ambas as ideias. (UNESCO, 2013, p.18). 

O documento é atual e merece uma leitura cuidadosa. O novo termo não é apenas retórico – um pacote para ser facilmente promovido e partilhado, mas uma consequência da necessidade de atualizar abordagens pedagógicas. Media e Informação são indissociáveis objetos de estudo, plataformas para análise do mundo, esferas de participação, letramento e cidadania. 
Por ora, ainda que os autores da presente coletânea utilizem diferentes terminologias como Media-Educação, Educação para os média, Literacia mediática, Competência mediática, Educomunicação e Media Literacy, o interesse geral parece ser comum e há, portanto, mais convergências do que divergências nesse campo hoje. 

Talvez o leitor se pergunte: mas dentre tantos termos utilizados no Brasil, Portugal e Espanha para definir o que seria “educar com”, “educar para” e “educar através” dos media (Rivoltella, 2001), por que a antologia prioriza o conceito de Media-Educação e não outro? A hipotética pergunta se inscreve na curiosidade e talvez espanto dos que encontram uma série de conceitos e traduções, à primeira vista, bastante similares, para ideias também, à primeira vista, comuns. Não é de estranhar, entretanto, que essa multiplicidade tenda a deixar início de conversa (ou introdução de livro) carecer de um minuto para esclarecimento. 

Uma anotação de fronteira feita por David Buckingham (2003) continua atual e serve de bússola nesse emaranhado conceitual: enquanto Media Literacy, Media and Information Literacy e respetivas traduções podem ser entendidos como o letramento esperado para a contemporaneidade, ou seja, conhecimentos e competências a serem construídos, a Media Education se refere ao fundamental processo de ensino-aprendizagem para o alcance de tal letramento. Na ausência de um termo definitivo que possa ser traduzido do inglês para português e espanhol, empregamos aqui o conceito de Media-Educação, esperando que o leitor esteja cônscio das suas implícitas nuances.

Ilana Eleá (ed.). "Introdução" in Agentes e Vozes - Um panorama da mídia-educação no Brasil, Portugal e Espanha. The International Clearinghouse on Children, Youth and Media, at Nordicom University of Gothenburg, 2014, pp. 10-11.


domingo, 16 de outubro de 2022

Saramago | Leituras centenárias

 

#100saramago


Assinala-se a 16 de novembro de 2022 o centenário do nascimento de José Saramago. 

O programa “Saramago na Escola” compreende várias iniciativas, dentre as quais as Leituras Centenárias, uma parceria da Fundação José Saramago com a Rede de Bibliotecas Escolares e com o Plano Nacional de Leitura. Assim, a 16 de novembro de 2022, assinalando o dia do Centenário, realizar-se-ão, em Escolas Secundárias portuguesas, sessões de leitura de um excerto do Memorial do Convento ou d’O Ano da Morte de Ricardo Reis.  

Regulamento da iniciativa.

Vasco Miguel da Silva Petiz Varandas Guedes é o aluno que vai representar a Camilo na leitura em linha do dia 16.


Para além de constituir uma evocação do escritor José Saramago, as “Leituras Centenárias” procurarão motivar os jovens para a leitura, para o aperfeiçoamento da língua, para a compreensão da narrativa e para o questionamento e diálogo sobre nós próprios, a sociedade e o meio ambiente, em sintonia com a filosofia que preside ao Plano Nacional de Leitura e à Rede de Bibliotecas Escolares. 

No âmbito desta celebração, os alunos de Português 12º ano estão a preparar a leitura áudio de excertos dos dois romances de Saramago que irá ser partilhada com/na Comunidade através de um Podcast, que em breve divulgaremos. 

Rede de Bibliotecas Escolares

 

Cinco lições para as bibliotecas que querem inovar no século XXI




Em junho de 2017, a Knight Foundation enviou um grupo de bibliotecários americanos de instituições de todo o país à Next Library Conference, um encontro anual realizado em Aarhus, na Dinamarca, que reúne líderes de bibliotecas de todo o mundo para discutir programas, serviços e ideias inovadores na área das bibliotecas. Vinte bibliotecários americanos de 11 cidades juntaram-se a centenas de colegas de todo o mundo, da China ao Quênia e ao Caribe, que participaram da conferência.

O objetivo era difundir as melhores práticas em inovação de bibliotecas, ao mesmo tempo em que permitia refletir sobre a sua capacidade de responder às novas exigências da era digital. 



Herning Bibliotekerne, que já foi uma mercearia, foi transformada num espaço multiuso.
É como uma segunda sala de estar para os membros da comunidade, mas com o apoio
de uma equipa experiente da biblioteca. Foto: Julie Oborny







1. AS PESSOAS PRECISAM QUE AS BIBLIOTECAS SEJAM MAIS DO QUE REPOSITÓRIOS DE INFORMAÇÃO.


As bibliotecas podem desempenhar um papel na organização de prefeituras e oferecer playgrounds, serviços sociais e muito mais. Flexibilidade, visão e abertura de espírito no processo de projeto e planeamento arquitetónico são essenciais para facilitar essa evolução.

Shana Hinze, do Miami-Dade Public Library System, fala sobre sua experiência ao visitar a Dokk 1, uma biblioteca pública em Aarhus: estúdios de televisão, restaurante e café, espaço para artes plásticas e espaços especialmente concebidos para diferentes idades e necessidades (grupo de tricô, torneio de jogos, clube de leitura, seminários, oficinas, performance musical, ...).

Pamela J. Hickson-Stevenson, da Biblioteca Pública do Condado de Akron-Summit, resumiu assim: “ Precisamos de nos concentrar intensamente em tornar transformar os nossos edifícios em locais de experimentação, inovação, educação, recreação e relaxamento”.


2. AS BIBLIOTECAS PODEM DESEMPENHAR UM PAPEL FUNDAMENTAL NA PRESERVAÇÃO E FORTALECIMENTO DA NOSSA DEMOCRACIA.


Como centros cívicos de informação e compromisso, as bibliotecas podem incentivar as pessoas a envolver-se nas suas comunidades, a interessar-se pelas questões locais e a tornar-se cidadãos e eleitores mais informados.

Como disse Tonya, chefe da Biblioteca Pública de Lexington : “As bibliotecas sempre desempenharam um papel numa democracia forte e florescente, mas o papel que desempenhamos agora é mais crucial do que nunca. Fiquei surpreso ao saber que os funcionários das bibliotecas em todo o mundo estão a enfrentar os mesmos desafios, mas não fiquei surpreso que todos nós estejamos a enfrentar esses desafios com inovação otimista. Muitos de nós expressamos o desejo de trabalhar mais juntos e estamos mais convencidos do que antes de que, se formarmos uma associação mundial de bibliotecas mais unificada, podemos ser ainda mais eficazes na solução dos desafios que enfrentamos.”.

Espaços lúdicos e criativos ainda podem ser espaços funcionais. Na casa Lego Idea em Billund, a mensagem é: as bibliotecas também precisam de se comprometer com práticas deliberadas de criatividade e diversão. 



Fotos: Julie Oborny


3. AS MANEIRAS PELAS QUAIS OS BIBLIOTECÁRIOS PERCEBEM E INTERAGEM COM O PÚBLICO SÃO UM FATOR DETERMINANTE PARA O SUCESSO DE UMA BIBLIOTECA .


As ideias dos membros do público são vistas como interferência ou são bem-vindas como oportunidades de evolução? As bibliotecas devem ser guiadas pela opinião pública sobre quais serviços que são necessários e úteis.

Jennifer Lautzenheiser, da Middle Georgia Regional Library, explica: “Como um sistema de bibliotecas, precisamos de aprender a confiar nos nossos usuários, funcionários e comunidade para construir a biblioteca de que precisam (em vez de nos limitarmos a determinar quais são as suas necessidades. ”

Jenni Gaisbauer e Seth Ervin, da Charlotte Mecklenburg Library Foundation e Library, respetivamente, colocaram a questão da seguinte forma: “Falar com colegas de todo o país forneceu a validação de que todos nós precisamos para centramos mais no cidadão; as bibliotecas têm que deixar de lado a facilitação e perceber que as pessoas estão no comando agora. ”

4. ABRAÇAR A INOVAÇÃO E A COLABORAÇÃO E ADMITIR FALHAS SÃO A CHAVE PARA O SUCESSO DE UMA BIBLIOTECA .

Para que as organizações e os funcionários das bibliotecas cresçam e inovem, eles precisam de abraçar uma mudança cultural, deixar de lado as velhas normas e colocar as pessoas em primeiro lugar.

Thomas Lide, da Richland Library, descreve esta lição: “Visitando as bibliotecas de Silkeborg, Herning e Aarhus, [na Dinamarca], vi um design cuidadoso e deliberado evidente não apenas nos belos espaços físicos, mas também nas abordagens colaborativas e inventivas para fornecer – e melhorar – serviços para as comunidades. … Precisamos de cometer e reconhecer erros, compartilhar o que não sabemos e explorar soluções juntos. Precisamos de praticar a criatividade, a empatia e a escuta, e criar oportunidades para aprendizagem interativa e resolução inclusiva de problemas .”

Foto: Julie Oborny

A equipe da biblioteca dinamarquesa e o design da biblioteca criam uma experiência calorosa e acolhedora para os usuários, ajudando a promover um senso de comunidade – uma abordagem inovadora que inspirou a equipe da biblioteca dos EUA na conferência Next Library. 


5. AS BIBLIOTECAS PODEM DESEMPENHAR UM PAPEL DE LIDERANÇA NA REVITALIZAÇÃO E SUSTENTAÇÃO DAS COMUNIDADES.


À medida que as cidades dos Estados Unidos se esforçam para crescer, permanecer competitivas e se ajustar a um ambiente em rápida mudança, as bibliotecas oferecem um lugar onde pessoas de diferentes origens e níveis económicos podem se encontrar e se conectar. Elas podem atrair as pessoas para fora de suas casas e para espaços públicos, promovendo interação e colaboração de todos os tipos.

Cynthia Berner, da Biblioteca Pública de Wichita, disse: “As bibliotecas deveriam ir além da organização da informação para a organização das comunidades. Em todo o mundo, as colaborações de bibliotecas tradicionais estão a ser substituídas por parcerias público/cívicas que garantem a inclusão à medida que aumentam a vitalidade e a sustentabilidade das comunidades. ”

Tiffany Nardella da Free Library of Philadelphia acrescenta : “ Fazer as perguntas certas, às pessoas certas (incluindo aquelas que são 'diferentes' de nós) ajuda-nos a determinar as nossas necessidades críticas, objetivos e oportunidades. ”

Os participantes da conferência enfatizaram repetidamente a importância das bibliotecas fornecerem tanto um maior acesso público à tecnologia atualizada como maiores oportunidades para interações pessoa a pessoa.

Erin Berman, da Biblioteca Pública de San Jose, ofereceu este eloquente resumo da conferência e seus temas: “Brincar. Conexão. Fortalecimento. Democracia. Flexibilidade. Esses temas ecoaram na Next Library Conference em apresentações, conversas e passeios. Lembrei-me de encontrar maneiras de incorporar diversão e cultura nos projetos de construção em casa. A construção de espaços flexíveis permite que os usuários definam o seu próprio humor, tom e experiência. Ao estabelecer uma estrutura intencional e um espaço acolhedor, as bibliotecas podem capacitar os usuários a desempenhar um papel ativo na sua cidadania e democracia. As bibliotecas são a plataforma para elevar a voz democrática do mundo. A biblioteca do século XXI  inspira o bibliotecário que trabalha num ambiente conectado com todo o mundo e que busca construir, em união, caminhos para o empoderamento.”

Wilansky, L. (2022). Five lessons for libraries looking to innovate in the 21st Century. Retrieved 16 October 2022, from https://knightfoundation.org/articles/five-lessons-for-libraries-looking-to-innovate-in-the-21st-century/?fbclid=IwAR2jxY_2K2d7-oKQ_kJU96RazYZyJNPi0c3U3QJfzK18FeNbIBFsK769HL4



A importância de ser Agustina Bessa-Luís

 


RTP Play












Enquadrado na celebração do centenário do nascimento da escritora, a RTP 2 exibiu no passado dia 15 de outubro, a peça A Importância de Ser Agustina Bessa-Luís, um espetáculo de Miguel Bonneville, estreado em 2016. 

Tendo como ponto de partida a escrita de Agustina, Bonneville apresenta em palco uma abordagem à condição social e cultural dos portugueses. Este trabalho caracteriza-se pela procura das raízes mais profundas do que é ser português através da caracterização que Bessa-Luís faz das personagens, em choque permanente com a sociedade em que vivem.

Com um estilo absolutamente único e enigmático, a obra de Agustina Bessa-Luís destaca-se pelas suas histórias intemporais numa busca pragmática de quem somos, sempre com personagens extremamente marcantes.


sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Agustina (1922-2022)






Agustina, Algarve © Alberto Luís


Agustina Bessa-Luís nasceu a 15 de Outubro de 1922, em Vila Meã, Amarante. Assinalar o centenário do nascimento de uma escritora que, no dizer de Álvaro Manuel Machado, foi – e continua a ser – “exemplo de solitária grandeza”, equivale a compreender os caminhos percorridos pela ficção portuguesa contemporânea, assim como a acompanhar algumas das muitas faces assumidas pelo século XX português, século que, pelas suas riqueza, diversidade e inconstância políticas, económicas, sociais e culturais, podia bem ser (e tantas vezes tem sido) personagem de romance. Tudo isto, para além do que é já do domínio do óbvio e do consensual: Agustina Bessa-Luís criou uma obra singular, inconfundível, impossível de delimitar e difícil de definir por não haver palavras que signifiquem o suficiente para tal. Eduardo Lourenço sintetizou-a como poucos ao afirmar que “imagem alguma existe, em Língua Portuguesa, que possa comparar-se ao que a obra de Agustina vai desenrolando diante de nós, tapeçaria voltada para o dia e não para a noite como a de Penélope”. Faz, por isso, sentido chamar a um colóquio que celebra Agustina e a sua obra “o riso de todas as palavras”, excerto de Maria Agustina, a trânsfuga, de Maria Velho da Costa. É o riso do espanto e da sabedoria, o riso da infância e da ancestralidade, mas também o do humor, da ironia e de um certo desdém; é, em suma e para se regressar ao texto de Maria Velho da Costa, o riso de quem “triunfa, menina total e raciocinante”.






— Inês Fonseca Santos. Agustina. O riso de todas as palavras, in Colóquio comemorativo do centenário de Agustina Bessa-Luís