Mostrar mensagens com a etiqueta heteronímia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta heteronímia. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 16 de junho de 2020

Eu sou uma antologia













Eu sou uma antologia.
Escrevo tão diversamente
Que, pouca ou muita valia
Dos poemas, ninguém diria
Que o poeta é um somente.
……
Depois para si o poeta
Deve ser poeta também
Se ele não tem a completa
Diversidade
Não é poeta, é só alguém.
Eu graças a Deus não tenho
Nenhuma individualidade
Sou como o mundo (...)
13-12-1932
Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa . Teresa Rita Lopes. Lisboa: Estampa, 1990. 
  - 94.

segunda-feira, 16 de março de 2020

Quizz | Heterónimos de Fernando Pessoa






Conhece bem os heterónimos de Fernando Pessoa?
Faça o quizz que a Imprensa Nacional preparou para si.


Pode verificar a sua pontuação ao clicar em «Enviar todas as respostas e ver o resultado»




Quiz criado por Prelo Blogue Editorial com GoConqr



Fonte:
Prelo-Blogue Editorial da Imprensa Nacional, 5 de agosto de 2019


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

Ricardo Reis, heterónimo de Fernando Pessoa





 http://ensina.rtp.pt/artigo/ricardo-reis-heteronimo-de-fernando-pessoa/




Num dia do ano de 1914 veio à alma do poeta a vontade de escrever «uns poemas de índole pagã». Ficou-lhe na memória «um vago retrato da pessoa que estava a fazer aquilo». Sem o saber ainda, Fernando Pessoa acabara de criar outro heterónimo: Ricardo Reis.

Os mais importantes heterónimos de Fernando Pessoa têm data de nascimento. E uma história, breve que seja, um fio explicativo da forma poética que todos e cada um fixam na sua singularidade. Ricardo Reis é diferente de Álvaro de Campos, de Bernardo Soares e do mestre Alberto Caeiro, com quem desenvolve uma relação discipular.

Este outro eu pessoano, também marcado pelo exílio, é o heterónimo «mais racional de todos», afirma Dionísio Vila Maior na entrevista que reproduzimos.

Consciente do nada depois da morte, Reis cultiva a disciplina das emoções, «opta por um epicurismo e um estoicismo lúcidos». Dos estudos num colégio de Jesuítas ficaram-lhe os valores da antiguidade clássica, latinista e semi-helenista, que desenvolve na poesia.

Médico, pagão, monárquico convicto, «expatriado voluntariamente» no Brasil, Ricardo Reis, que usava a cara rapada e era natural do Porto desde 1887, escreve: «Cada um cumpre o destino que lhe cumpre, E deseja o destino que deseja, Nem cumpre o que deseja, Nem deseja o que cumpre».

Ficará o seu retrato mais completo se seguirmos a conversa entre Raquel Santos e Dionísio Vila Maior, professor da Universidade Aberta




quarta-feira, 23 de outubro de 2019

Fernando Pessoa e os seus heterónimos





 http://ensina.rtp.pt/artigo/fernando-pessoa-e-os-seus-heteronimos/





Richard Zenith, escritor e tradutor de Fernando Pessoa, faz uma reflexão sobre os diversos heterónimos do poeta, como sendo bem mais do que um simples jogo literário. Por outro lado, é sublinhada a importância de ter vivido na África do Sul.





sábado, 15 de junho de 2019

Heterónimos no cinema









Foi há poucos dias. Se bem sei, Fernando Pessoa, Ricardo Reis e Álvaro de Campos tinham ido ver um filme ao cinema Ideal, aqui tão perto do Centro Nacional de Cultura, e não resistiram a tomar uma bica e outras amenidades de boca na Brasileira. Gravei-lhes a conversa e transcrevi, ipsis verbis, o que livremente quiseram dizer. Faltou Alberto Caeiro que, creio, nunca entrou numa sala de cinema.

“Ó Fernando, com tanta angústia patriótica a saltar-lhe da mão esquerda para a direita, você nem a bica consegue tomar.”

Foi o que o engenheiro disse, fazendo rir a mesa heteronímica a que se sentam. São três: Pessoa, Ricardo Reis e Álvaro de Campos. Mortos, descontraídos e invisíveis para os turistas de 2019 da Brasileira.

Pessoa lamentou-se: “Sabe, engenheiro, é a mágoa de um presente infeliz. Somos o pingo de tinta seca de quem escreveu Impérios na geografia do mundo.”

Reis, mal o deixou acabar: “Lá vem você com o Quinto Império. Basta-nos o mito ou, para que as actuais gerações compreendam, um milagre como no cinema. Ainda ontem voltei a ver, de mão dada com a Lídia, o “It’s a Wonderful Life” do Capra.”

“Nem Portugal é o Jimmy Stewart, nem a Senhora Merkel tem a bonomia do anjo Clarence,” riu-se o desbocado Campos.

Pessoa interrompeu-o: “Bem dito, engenheiro. Onde anda o português que, com a universalidade das Descobertas, salvou a Europa de ser só mediterrânica? Voltou o português à antiga – bom católico, toureiro, estúpido como uma porta de cofre-forte.”

Campos insiste: “Como não está cá o Mestre Caeiro para se zangar comigo e já que o Dr. Reis gosta de filmes, diria que nos falta um optimismo fordiano.”

Logo Pessoa: “O Álvaro confunde optimismo com o que em Ford é só pura crença e europeia. Porque Ford era artisticamente europeu e universal. O cinema dele era uma poesia ajudada: reflecte nos filmes o que a alma não tem.”

Reis interrompe-os: “Pois a Portugal até o direito a ser europeu escapa. Somos só serventuários da França e lacaios da Alemanha.”

O engenheiro abana a cabeça: “Quando fazemos uma revolução é para implantar uma coisa igual à que já estava. Veja o Passos Coelho, parecia tão liberal e indisciplinador? Mas acabou por cair na disciplina por uma fatalidade ancestral.”

Pessoa dá um salto na cadeira: “Álvaro, não está a sugerir que os portugueses se ponham a ver “O Couraçado de Potemkin” ou o “Ivan o Terrível?”

Álvaro ofende-se: “Todo o artista que dá à sua arte um fim extra-artístico é um infame. Encontre-me antes, no cinema, um criador de anarquias.”

Reis afasta o cálice de absinto: “Um Syberberg, um Herzog? Cuidado com o cinema alemão. Olhem a Merkel: uma asceta. Como é perigoso o asceta que se casa com o poder e se amanceba com a vontade de domínio.”

Pessoa concorda: “A Alemanha é na paz o que sempre foi na guerra: uma organização cruel. O sacro império romano é o que cada Alemanha ocultamente quer ser.”

Campos volta à carga:”Prefiro o cinema que seja uma mentira artística, o americano. Intruja? Mas um país sem grandes intrujões é um país perdido. Quem não intruja não come. A grande civilização é a superior organização da artificialidade, isto é, da intrujice.”

Levantam-se, exuberantes, e saem sem pagar a conta.

Manuel S. Fonseca


Raíz e Utopia - Centro Nacional de Cultura



quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Tabacaria, de Álvaro de Campos


Um texto, três leituras



Da janela de seu quarto, em frente à Tabacaria do outro lado da rua, um homem reflete sobre a vida. Os seus questionamentos revelam o pessimismo, a frustração, a descrença e a incapacidade de ação num mundo em constante transformações e crescimento.


A interpretação de Mário Viegas:






A interpretação de Sofia Carvalhinha (excerto do poema):




A interpretação de Caroline Nunes, uma adolescente brasileira, num jardim de uma cidade de Minas Gerais, Poços de Caldas:



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Livros & Leituras | Fernando Pessoa

 
 
Prosa Escolhida de Álvaro de Campos
 
 
 
 
 
 
 
Fernando Pessoa - Prosa Escolhida de Álvaro de Campos

Ano de edição ou reimpressão: 2015

Editor: Assírio & Alvim

Páginas: 176


ISBN: 9789723718300

Coleção:
Pessoa Breve



Sinopse


Inclui textos inéditos.

Na sua célebre carta de 1935 sobre a génese dos heterónimos, Pessoa confessou ter «chorado lágrimas verdadeiras» ao escrever algumas das «Notas para a Recordação do Meu Mestre Caeiro» de Álvaro de Campos, que contam os saborosos encontros e conversas que supostamente houve entre Caeiro, Campos, Ricardo Reis, António Mora e o próprio Fernando Pessoa.
 
Campos, enquanto prosador, também assinou textos importantíssimos como o «Ultimatum» e «Apontamentos para uma Estética Não-Aristotélica», cartas para jornais e uma carta para Marinetti, artigos sobre vários temas e até uma «entrevista sensacional». O presente volume reúne a sua melhor prosa e inclui textos inéditos.
 
Conheça aqui todos os livros da coleção Pessoa breve.