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terça-feira, 15 de março de 2022

10 Minutos a Ler na Biblioteca com Camilo

 


Ontem, os alunos do 9º E estiveram na Biblioteca para mais um 10 Minutos a Ler.

Desta vez, dada a proximidade do Dia do Patrono, os alunos foram desafiados a responder a um quiz sobre Camilo Castelo Branco (Kahoot) -  "Quem quer ser camiliário". 

O quizz constituiu o ponto de partida para a discussão em torno da figura de Camilo e da sua relação com Vila Real e com a Escola. Por fim, procedeu-se à leitura de um extrato do capítulo I de Amor de Perdição - a chegada de Domingos Botelho e D.  Rita Preciosa a Vila Real. 



Fotograma de Amor de Perdição, de Manoel de Oliveira



domingo, 18 de março de 2018

Boletim Cultural nº 24


Dia do Patrono | Sou Camilo 2018 aLer+



 Capa do nº 24, da autoria do professor da escola, Dr. Márcio Pontes




Sou Camilo 2018

Apresentação do Boletim Cultural


Dia do Patrono | Sou Camilo 2017



Da esquerda para a direita: Carlos Fraga, apresentador do Boletim nº 24, Helena Correia, Diretora da Escola, 
Celeste Ribeiro, Presidente do Conselho Geral, Henrique Morgado, Equipa da redação do Boletim






Coube ao professor da Camilo, Dr. Carlos Fraga, a apresentação do nº 24 do Boletim Cultural.







Magna Foto



Dia do Patrono | Sou Camilo 2018







Sou Camilo 2018

sábado, 17 de março de 2018

Oficina: Vestir Camilo


Dia do Patrono - Sou Camilo 2018









Sou Camilo 2018

Sou Camilo aLer+





Sou Camilo 2018

Sou Camilo aLer+








Um reconhecido talento


Sou Camilo 2018


Momento musical com Lia Melo, solista de violino premiada nacional e internacionalmente.



Crédito da foto: A Voz de Trás-osMontes (19.01.2017)


Clicar AQUI para ouvir a execução da Lia (átrio da escola).

Sou Camilo 2018

Os Camilinhos da Camilo


Sou Camilo 2018



Os Camilinhos evocaram a época oitocentista e lembraram alguns dos títulos mais emblemáticos do escritor:)










 





Sou Camilo 2018

À espera de Camilo








Na verdade, para a maioria dos presentes, a chegada de Camilo Castelo Branco à escola foi uma surpresa.

Representado pelo ator da Filandorra, Silvano Magalhães, Camilo encantou!!






Camilo & Camilinhos

Dia do patrono


Sou Camilo 2018


 Pormenor do desenho da t-shirt lançada este ano para o Dia do Patrono




Bolo de aniversário da Camilo 



Para a celebração do patrono da nossa escola, que este anos faz 170 anos, foi preparado um conjunto de oficinas e de outras iniciativas / atividades no âmbito do teatro, música, fotografia, cinema, dança, desenho, pintura facial, leitura, escrita, reconstituição história de trajes oitocentistas, ferramentas digitais.

A sínteses descritiva das atividades pode ser consultada AQUI

Sou Camilo 2018  

quarta-feira, 16 de março de 2016

A conturbada vida de Camilo Castelo Branco



RTP Ensina
16 de março | Dia do Patrono





 http://ensina.rtp.pt/artigo/camilo-castelo-branco-bio/



Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco (1825-1890) foi escritor, romancista, poeta, cronista, crítico, dramaturgo, historiador e tradutor. Recebeu ainda do rei D. Luís o título de visconde de Correia Botelho.


segunda-feira, 16 de março de 2015

Dia do patrono: Camilo Castelo Branco



16 de março


Efeméride




Painel elaborado por alunos de Artes da ESCCBVR


Camilo Castelo Branco, nascido a 16 de março de 1825, é patrono da nossa escola desde 1914, por proposta do  reitor do então designado Liceu Nacional de Vila Real.
 
 





A Brasileira de Prazins, de Camilo Castelo Branco.
Como pode ver-se na imagem, o carimbo usado no canto superior direito remonta ao tempo do Liceu Nacional (séc. XIX)



O artista: o que diz a crítica...

"Quem pintou, como ele, o camponês do norte, o padre aldeão, o burguês portuense, os titulares do liberalismo, o velho aristocrata, a gemer do reumático e a chorar pelo Senhor D. Miguel? E na Queda de um Anjo, a esposa do anjo caído, a Dona Teodora Figueiroa! Lá vai, numa liteira, de Trás-os-Montes a Lisboa. Constou-lhe que o marido, o anjo!, andava, por lá, perdido com as meninas do Chiado! A pobre dama vai a suar de aflita, e tão exoticamente encafuada num arcaico vestido cor de ginja, com um lencinho vermelho de três pontas, na cabeça, que alguns populares, em Penafiel, olhando-a, pela portinhola da liteira, exclamaram: É o bispo de Lamego!
 
[...] A Samardã foi, para ele, um segundo berço. Mais do que o lugar em que nascemos para a morte, pertencemos àquele em que nascemos para a vida, que é puramente espiritual. A Samardã e a tia Rita vão adquirir um valor simbólico. A Samardã será Portugal e a D. Rita a Sociedade. Topará sempre a tia a acusá-lo de baixos instintos, e a Samardã a rodeá-lo de morros hostis, sentinelas de granito fardadas de neve, pelo inverno. Sempre a Samardã e a tia: uma sociedade - tia e um Portugal - Samardã! Sempre, até ao desespero do suicídio.


Casa da Samardã, onde Camilo viveu com uma irmã mais velha, Carolina Rita


 
 
 
[...] O jovem poeta, nas ruas do Porto, evoca a paixão transmontana, tão da sua intimidade, onde, entre fragas, desabrocham flores, que são mulheres. Não separa a mulher da natureza. Descobre-a, ao mesmo tempo, na sua memória e num enorme outeiro: ermo, não por ser desabitado, mas porque nos revela um sentimento de abandono, tão vivo como se estivesse em nosso coração.

[...] Camilo amou e foi amado, topou mulheres falsas e verdadeiras, a Ana Plácido, toda literatura, a fumar charuto, e a Fany, a fêmea angelizada pela sua infinita delicadeza. A sua vida é um eterno conflito entre o ser amado e o amar, o morrer e o matar-se, ou entre a morte ativa e a passiva, ou ele a gemer à sombra de Ana Plácido, e caindo fulminado aos pés da estátua de um anjo em luar marmóreo, e o conflito hamlético entre o ser ou amar  e o não ser ou ser amado. Só vive quem ama; e, por isso, a mulher não vive, mas é vivida."
 
Teixeira de Pascoais - O Penitente. Lisboa: Assírio & e Alvim, 1985




Casa dos Brocas - mandada construir pelo avô materno do escritor, Domingos Correia Botelho,
por volta de 1774. (crédito: http://artalongtheages.blogspot.pt/2011/07/vila-real-casa-dos-brocas.html)



"O romance de Camilo participa do folhetim, participa do panfleto, participa da crónica, participa do comentário, divagação ou confissão pessoal, participa, como já foi dito, do que geralmente chamamos novela, e até do que, num sentido técnico fixado, geralmente chamamos romance. É, pois, irregular e compósito - no que em certa medida se avizinha do romance moderno. Visivelmente, a personalidade e os humores de Camilo dominam o seu romance: impõem-lhe uma técnica desigual, volúvel, diversa, caprichosa, livre (ou licenciosa) como essa mesma personalidade, esses mesmos humores, Neste sentido, é Camilo um mestre que pode servir como exemplo (até como representante de certo pendor português para a improvisação e a confusão) mas não pode conquistar discípulos aos quais ofereça regras que não tem ele próprio.
 
 
[...] O comediógrafo, o versejador, o historiador, o cronista, o apreciador literário, esfumam-se, em Camilo, perante o romancista e o novelista.
 
Não quer isto dizer que sejam sem interesse, e devam ser esquecidos, ou passados de relance, num estudo completo da sua obra. Porém o polemista mantém-se resistente; e a razão é simples: na polémica exercita Camilo, sem as baixar de grau, algumas das forças que caraterizam o seu romance, e a que só agora nos podemos referir com relativo vagar. Falamos do seu sarcasmo; do seu dom de fazer ver ridículo e grotesco; do seu poder de troça, caricatura, paródia; da sua extraordinária fantasia cómica. Efetivamente, desde sempre mais ou menos se reconheceu a Camilo o talento de fazer rir a par do de comover.
 
[...] Se um crítico estrangeiro quiser conhecer um romancista lidimamente português abdicando (o que parece difícil) de procurar nas obras de ficção portuguesa não o que é originalmente nacional, mas o que antes reflete gostos da sua própria nacionalidade dele, crítico, terá de ler, estudar, procurar compreender Camilo."
 
José Régio - "Camilo, romancista português", in Ensaios de interpretação crítica. Lisboa: Portugália Editora, 1964
 



 
«Camilo é o nosso grande romancista. E humorista. Romântico, dramático, trágico, satírico, de ir às lágrimas e de chorar de rir. A língua portuguesa rejubila com ele. Desenha personagens a fio de prata, iluminando a prosa. Raúl Ruiz escolheu Mistérios de Lisboa para filmar e quer continuar com O Livro Negro do Padre Diniz, obra romântica fantástica com um pouco de O Monte dos Vendavais. Manoel de Oliveira transformou Camilo em teatro radiofónico, o que é pouco para o génio absoluto do autor de A Brasileira de Prazins. Talvez o Chileno entenda o talento extraordinário de ficcionista e historiador, que os portugueses ignoram por não ser “moderno”, nem “francês”, nem “cosmopolita”. Por isso é o melhor de nós.»

                                       Francisco José Viegas, In Correio da Manhã, 29 de Dezembro de 2009

 




Um escritor multifacetado:
_____________narrativa, teatro, poesia, polémica





Reprodução de trabalhos do pintor e ilustrador Júlio Pomar, feitos expressamente para a obra de Aquilino Ribeiro, O Romance de Camilo.




morte de camilo

quando camilo deu, como então diziam os românticos
afetando o maior desprezo pelo corpo, um tiro
nos miolos, o projétil furou muitos milhares de páginas
que ele, na cegueira, já não conseguia ler, mas

guardava na cabeça. elas entraram assim em contacto,
umas com as outras, as dele e muitas mais, por esse
novo canal aberto pela bala. no exato momento
da sua morte, tintas de sangue e dor insuportável,

ele deve ter reconhecido semelhanças e perdições,
reencontrado personagens e experiências
amarguradas a jorrarem, de súbito presentes,
deve ter entrevisto paisagens, rostos, torpezas, ironias,

intensidades próprias e alheias. camilo deve tê-las percorrido,
à velocidade do raio, numa fração de segundo,
como numa espécie de nova ars combinatoria,
e compreendido as negras molas reais de tudo. nós só

não sabemos se então ainda lamentou já não poder
escrever esses enredos possíveis, fulgurantes numa prosa
cada vez mais dominada, mas que, como sempre, da paixão
incontrolada e da morte e de rápidos traços se nutriam.

      Vasco Graça Moura - “Poemas com Pessoas”, in Poesia 1997/2000. Lisboa: Quetzal, 2000, p. 132.