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sexta-feira, 24 de maio de 2019
sábado, 25 de fevereiro de 2017
Arlequim
Criado no século XVI, na Commedia dell’Arte italiana, o Arlequim era uma personagem que divertia o público durante os intervalos dos espetáculos.
Almada Negreiros, Arlequim e Columbina (1938)
Arlequim, Pierrô e Colombina formam um triângulo amoroso: Pierrô ama Colombina, que ama Arlequim, que deseja Colombina…
O teu beijo é tão doce, Arlequim…
O teu sonho é tão manso, Pierrô…
Pudesse eu repartir-me
encontrar minha calma
dando a Arlequim meu corpo…
e a Pierrô, minha alma!
Quando tenho Arlequim,
quero Pierrô tristonho,
pois um dá-me prazer,
o outro dá-me o sonho!
Nessa duplicidade o amor todo se encerra:
Um me fala do céu…outro fala da terra!Eu amo, porque amar é variar
e , em verdade, toda razão do amor
está na variedade…
Penso que morreria o desejo da gente
se Arlequim e Pierrô fossem um ser somente.
Porque a história do amor
só pode se escrever assim:
Um sonho de Pierrô
E um beijo de Arlequim!
Menotti del Picchia, "As Máscaras"
Ciumes
Pierrot dorme sobre a relva junto ao lago. Os cisnes junto d'elle passam sêde, não n'o acordem ao beber.
Uma andorinha travêssa, linda como todas, avôa brincando rente á relva e beija ao passar o nariz de Pierrot. Elle accorda e a andorinha, fugindo a muito, olha de medo atraz, não venha o Pierrot de zangado persegui-la pelos campos. E a andorinha perdia-se nos montes, mas, porque elle se queda, de nôvo volta em zig-zags travêssos e chilreios de troça. E chilreia de troça, muito alto, por cima d'elle. Pierrot já se adormecia, e a andorinha em descida que faz calafrios pousou-lhe no peito duas ginjas bicadas, e fugiu de nôvo.
De contente, ergueu-se sorrindo e de joelhos, braços erguidos, seus olhos foram tão longe, tão longe como a andorinha fugida nos montes.
De repente viu-se cego - os dedos finissimos da Colombina brincavam com elle. Desceu-lhe os dedos aos labios e trocou com beijos o arôma das palmas perfumadas. Depois dependurou-lhe de cada orelha uma ginja, á laia de brincos com joias de carmim. Rolaram-se na relva e uniram as boccas, e já se esqueciam de que as tinham juntas...
- Sabes? Uma andorinha...
E foram de enfiada as graças da ave toda paixão. Pierrot contava enthusiasmado, olhando os montes ainda em busca da andorinha, e Colombina torceu o corpo numa dôr calada e tomou-lhe as mãos.
Havia na relva uma máscara branca de dôr, e a lua tinha nos olhos claros um olhar triste que dizia: Morreu Colombina!
Almada Negreiros, in 'Frisos - Revista Orpheu nº1'
Carnaval
Em revista(s)
Ilustração Portuguesa, 2.ª série, n.º 363, 3 de fevereiro de 1913
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Ilustração Portuguesa, 2.ª série, n.º 418, 23 de fevereiro de 1914
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Ilustração Portuguesa, 2.ª série,n.º 469, 15 de fevereiro de 1915
Ilustração Portuguesa, 2.ª série, n.º 781, 5 de fevereiro de 1921
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Ilustração Portuguesa, 2.ª série, n.º 886, 10 de fevereiro de 1923
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Revista Ilustração nº 4, de 16 de fevereiro de 1926
Revista Ilustração nº 76, 16 de fevereiro de 1929
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