domingo, 30 de junho de 2024

Ebook | Carta a Camilo

 

 

 

 

Na ES Camilo Castelo Branco, a início da celebração do Ano do bicentenário do nascimento do patrono foi assinalado no dia 16 de março com uma exposição de cartas ao escritor produzidas por alunos do 11º ano (turmas B, C, E e F).

Selecionámos algumas dessas cartas, que divulgamos num pequeno ebook.


Boas Leituras!

 

sexta-feira, 28 de junho de 2024

Podcast | Inteligência Artificial na Educação: o futuro é promissor?

 

 

 





A educação tem estado no centro do debate sobre inteligência artificial generativa, nomeadamente devido à possibilidade de os estudantes poderem, em poucos segundos, obter respostas e trabalhos académicos sobre qualquer tema. No «Educar tem Ciência» desta semana, João Marôco, professor catedrático, analisa as oportunidades, cuidados e desafios atuais que esta realidade traz à forma como se ensina e como se aprende.

 
Neste episódio, poderá saber mais sobre:

  • Os vários tipos e ferramentas de Inteligência Artificial;
  • Como pode ser utilizada no ensino, por professores e alunos;
  • A importância do conhecimento prévio.


terça-feira, 25 de junho de 2024

Podcast | A viagem do Pátria

 




A Viagem do Pátria: Portugal - Macau, 1924

 


 


Foi há cem anos que três portugueses voaram pela primeira vez entre Portugal e Macau, numa altura em que a audácia humana testava continuamente os limites de uma aviação nascente. A viagem transcontinental de Brito Pais, Sarmento de Beires e Manuel Gouveia, apoiada e seguida atentamente pelos portugueses de então, deixou uma marca na história da aviação.

Aqui, contamos como tudo se passou.

O podcast A Viagem do Pátria é uma produção conjunta da Força Aérea Portuguesa e da Universidade do Porto.

 

 

Festa de Entrega dos Prémios 'Clássicos em Rede ' 2024

 

As alunas premiadas no Concurso Clássicos em Rede estiveram ontem na Faculdade de Letras de Lisboa, para rever o prémio e o respetivo certificado.

 


 

A acompanhá-las estiveram alunos do 10º I, a professora de Latim e a professora Bibliotecária.

 


                                      Pode ser uma imagem de 6 pessoas

Parabéns às alunas Bruna Soares Pinto e Inês Moreira da Silva (ao centro), da ES Camilo Castelo Branco, Vila Real, a quem foi atribuído o 1º Prémio, na modalidade de Desenho / BD não digital / Fotografia.  Mito Escolhido: Céfalo e Prócris.



                                      

Parabéns à Alba Dominguez Oliveira Mancera (à direita), da ES Camilo Castelo Branco, Vila Real, recebeu o 2º Prémio na modalidade de Escrita. Mito Escolhido: Pandora.

 

Os mitos a trabalhar no próximo ano letivo serão brevemente anunciados.

 

A terra deles

 

 

 Riquixá, Transporte, Táxi, Ciclo-Riquixá



Seríamos melhores pessoas se reconhecêssemos a arbitrariedade que é ter nascido aqui ou ali


Uma questão com que a Filosofia se entretém desde há muito é a “lotaria natural” que distribui de forma arbitrária posições sociais, riqueza ou cor de pele. Nasce-se lá, do outro lado do planeta, a rezar a outro deus, num sistema de desigualdades, e não rico, a rezar a outro deus neste hemisfério — sem que se perceba que não foi uma escolha, mas um acaso geográfico inicial. Às vezes, ainda é mais absurdo, pois basta nascer de um lado de uma fronteira, de um muro, a poucos quilómetros de distância, para ter o destino traçado desde o nascimento. Imaginemos o menino André; nasceu em Portugal e era católico devoto quando jovem, por sua decisão. Isso foi opção. Mas ali na transição do século XX para XXI, a conjuntura permitiu-lhe que todo o percurso escolar até à universidade fosse feito no ensino público e mesmo o seu doutoramento no UK sobre “estigmatização de minorias” se devesse a uma bolsa do Estado português. Há valor no André. Mas teve sorte com onde nasceu e quando, dadas as vias que se abriram para lhe dar o apoio que teve para singrar. Tivesse nascido uns mil quilómetros a sul numa família de pequenos comerciantes dos arredores de Casablanca, mesmo sendo um muçulmano devoto e bom estudante, e o seu destino estava traçado, e não passaria por um doutoramento em York. Muito menos se tivesse nascido 5000 quilómetros a sul, em Niamey, capital do Níger. Aí, para se safar às milícias ligadas ao Estado Islâmico que combatem as da Al-Qaeda, era bom que o pai tivesse umas cabeças de gado para ele pastorear e sair da cidade. Talvez se safasse. Talvez. Mas também era possível que fosse raptado por um dos grupos para se tornar combatente-criança. Sem ter voz na matéria. Porque teria nascido ali na África subsariana e não branco de classe média em Algueirão. Nada disto teve que ver com o facto de um deus ser melhor do que outro. Arbitrariedade geográfica. Podia ter nascido multimilionário. Pois, mas é ver o ratio multimilionários/pobres nos 7 mil milhões de habitantes no planeta para perceber o incrível que é termos nascido em Portugal.

Há dias, ouvi isto. “Assim que um gajo do Bangladesh fizesse merda, era logo deportado para a terra dele.” A terra dele não é propriamente um paraíso. Depois de os britânicos darem a independência à Índia em 1947, a maioria hindu concluiu que tinha de correr com os muçulmanos, os largos milhões que existiam na Índia. E assim se criou o Paquistão Ocidental e o Paquistão Oriental. Escusado será dizer que os hindus cederam os piores pedaços do seu subcontinente e deram início à maior transumância humana de que há memória. Puseram lá todos os muçulmanos e tiraram os hindus. Foi assim que nasceu o Paquistão, que não é propriamente uma beleza luxuriante. E criou-se o Paquistão Oriental, que se tornou independente em 1971 — o Bangladesh: um pedaço de território que coincide com a foz de grandes rios, do tamanho da Grécia, onde vivem 170 milhões de almas. Com o derreter dos Himalaias, com a subida do nível das águas, e dado que aquilo é tudo plano, o Bangladesh chega a ter mais de 20% do território submerso. E vai piorar. O Bangladesh é dos países mais miseráveis e deprimentes que visitei. Estive lá uma única vez, faz agora dez anos. Havia bandeiras de Portugal no mais remoto canto do país. Vivia-se o Mundial de 2014.

A capital tem uns 7 milhões de habitantes, esgotos a céu aberto, autocarros zombies sobrelotados a cuspir fumo preto, um calor sujo peganhento. Quisemos ir a Chatigão, a Bengala onde os portugueses aportaram no século XVI e que chegou a ter 2 mil dos nossos compatriotas a viver. Há que contornar rios mais largos (conspurcados vindos da Índia) que desaguam no país. Havia lá uma igreja com uma placa, sim senhor. Já não havia mar. Não há tanta T-shirt que diz “made in Bangladesh”? A mão de obra é “muito” mais barata do que na China. O mar tinha uns 30 centímetros de uma papa de tecidos e tinta grossa que vinha das fábricas têxteis ali perto. Um pouco mais ao longe, não nos deixaram ver, havia um estaleiro de ferrugem no longo areal onde homens estariam a desmantelar à mão navios colossais que vão ali morrer. Os pescadores para poderem pescar tinham de se arrastar por dois ou três quilómetros de sopa de químicos. E ficavam à mercê dos piratas.

Os slums (bairros de lata) impressionaram-me. E vi muitos na vida. Virava-se numa viela e, de repente, abria-se uma enorme clareira de uns milhares de casas de chapa de zinco empoleiradas, onde vivia um inimaginável número de pessoas e animais numa bolha gordurosa num calor viscoso. De um desses slums vi uma menina sair — de uniforme de colégio e lenço branco. Como teria conseguido que o lenço estivesse imaculadamente branco sempre me intrigou.

E escrevi uma história sobre um condutor de riquexó que pedalava das 5 da manhã até às 9 da noite para trazer para casa o equivalente a €1,5, do qual tinha de dar 50 cêntimos ao dono da bicicleta-táxi. E falei da família dele. Depois de publicada a reportagem, um leitor de Leiria não descansou enquanto não descobriu a família via AMI e pagou um ano de estudos à menina. Pensei: “Os portugueses são mesmo gente de bem.” Voltando ao ponto de partida. Se o menino André tivesse nascido em Daca, num slum ou mesmo numa família com melhores situações (a diferença parece pouca), talvez o seu sonho fosse tentar a sorte dele noutro lado, talvez na Europa. Deus tinha de ter outros planos para ele. Quer isto dizer que devemos deixar entrar todos os imigrantes bangladeshianos em Portugal, blábláblá? Não é essa a questão. Não ser aquele que está a ser “mandado para a sua terra por se queixar dos serviços públicos” resulta de uma arbitrariedade do universo. Ninguém fez nada para merecer estar de um lado ou de outro do discurso. Reconhecer algo tão óbvio faria de nós melhores pessoas.

 Luís Pedro Nunes. Revista E - Semanário Expresso, 21 de junho de 2024

 

Sobre o futebol e a Europa— alguns tópicos

 

 


Estádio, Futebol, Território, Roma



Imaginar uma seleção europeia de futebol que pudesse jogar contra as seleções dos outros continentes. Finalmente, aí, os europeus aprenderiam o hino comum

Agora é que a verdadeira Europa emocional começa, diz alguém, enquanto liga o ecrã para ver o jogo de abertura do Europeu de futebol.

 

1.

Som — ver um jogo de futebol sem som é perder metade da sua potência. O som do próprio ambiente do estádio ou o do relato é a banda sonora do jogo. Poderia quase ser vendida à parte como se faz com as bandas sonoras dos filmes.

E sim, como com qualquer filme, se tirarmos a banda sonora, tiramos parte da emoção. Já milhares de vezes se falou do som que acompanha a cena do chuveiro em “Psico” de Hitchcock. Outra música mudaria o tom da cena.

Curiosa, esta questão da emoção ligada ao ouvido. Seria interessante perceber se a emoção do jogo se perde mais com a ausência de som ou com a ausência de imagem (como nos relatos na rádio).

Eu arriscaria: o relato de um jogo na rádio emociona mais os músculos cardíacos de um adepto do que ver o jogo sem qualquer som.

Com a música já o tínhamos percebido, com o futebol também fica claro: o nosso aparelho auditivo deve ter a ligação mais direta e mais rápida ao sistema emocional.


2.

Nervosismo — a ansiedade de um jogador antes de marcar uma grande penalidade. É um jogo de zero e um. Mas não da mesma maneira para guarda-redes e marcador da grande penalidade. Não defender não é um falhanço, não marcar é um falhanço. Para o guarda-redes há o balanço entre uma perda previsível e a possibilidade de ser um herói. Para o marcador da grande penalidade, há o balanço entre ser competente — marcar, ou seja, fazer o que estava previsto, quase como um funcionário que cumpre as suas obrigações com a eficácia — e ser muitíssimo incompetente, falhando aquilo que na maioria das vezes se consegue.

O que cria maior ansiedade? A possibilidade da grande falha. É um duelo, sim, mas emocionalmente não é equilibrado.


3.

 Improviso e monotonia — todo o improviso é no jogo uma forma de arte e na arte uma forma de jogo. Não se trata de uma surpresa, mas de algo que soluciona um problema de uma maneira insólita. Há jogadores-jazz e jogadas-jazz. Há equipas-jazz. E há, depois, por vezes, a monotonia e a previsibilidade absoluta. Um jogo monótono, por definição, não é jogo.


4.

Longevidade — neste Europeu de futebol, no mesmo campo pode estar um jogador com 17 anos e outro com 39. Vinte e dois anos de diferença. Qual seria o jogo ideal em termos etários? Aquele que, no limite, pudesse juntar três ou mesmo quatro gerações no mesmo espaço. Há jogos populares onde isso acontece: um menino de seis, o pai, a avó e o bisavô a jogarem o mesmo jogo tradicional. A vida, entretanto, é o outro jogo, bem sério, em que várias gerações estão ao mesmo tempo no mesmo campo.


5.

Portugal, Europa, hino e bandeira — tirando datas festivas, bem específicas, os cidadãos de um país em paz só cantam o hino aquando de competições desportivas (jogos de futebol, vitórias olímpicas, etc.). Há, provavelmente, pessoas que só cantaram o hino antes de certos jogos de futebol da seleção do seu país. Sem o futebol, o hino talvez fosse uma música, não um símbolo.

Agora que se fala tanto da importância de um sentimento comum europeu, seria interessante imaginar uma seleção europeia de futebol que pudesse jogar contra as seleções dos outros continentes. Provavelmente, quem sabe, finalmente aí, os europeus aprenderiam o hino comum e colocariam a mão no peito em homenagem à bandeira e ao hino europeus. E vibrariam com as vitórias da equipa da Europa e sofreriam com as suas perdas.

É curioso, penso agora: temos uma palavra para amor à pátria — patriotismo — mas não temos uma palavra para amor ao continente — seria algo como “continentismo”.

Que não seja necessária uma guerra para se aprender o hino europeu, costuma dizer Jonathan, um amigo.


6.

Mas esse amigo disse-me ainda: talvez a grande divisão entre países não seja continental, mas sim política. Democracias e não democracias. E, talvez por isso, mais importante do que criar uma equipa de futebol europeia seria criar uma equipa de futebol que representasse a democracia, com um hino próprio e uma bandeira.

Que a equipa de futebol da democracia não tivesse adversário, eis uma verdadeira utopia lúdico-política, disse-me Jonathan.


7.

Quantos europeus votaram para as eleições europeias e quantos europeus irão ver jogos deste torneio? Sim, certas sondagens, apesar de estapafúrdias, deveriam ser feitas. Isso não tem importância, dirão uns; isso é muito relevante, defenderão outros. O jogo é mesmo uma coisa séria.

Gonçalo M. Tavares. Revista E - Semanário Expresso, 21 de junho de 2024


quinta-feira, 20 de junho de 2024

Ilustração de Os Maias , de Eça de Queirós / 11º D e G

 



O suicídio de Pedro da Maia. Trabalho de Renata Navio



Os Maias relata a vida de uma família portuguesa em finais do século XIX. Escrita por Eça de Queirós, um dos intelectuais mais importantes da sua geração, a obra ultrapassa a mera saga familiar e critica a sociedade provinciana do seu tempo

Os costumes da burguesia portuguesa do século XIX enquadram a história de três gerações da família Maia; O Patriarca, Afonso Maia, o seu filho Pedro, traído pela mulher, e o diletante neto, Carlos. Nas idas a Sintra, nas corridas e nos serões literários dos Maias, Eça fala também da educação de ideal Liberal, do peso excessivo da Igreja e de uma sociedade incapaz de se modernizar.



No âmbito do estudo d' Os Maias, de Eça de Queirós, os alunos do 11ºD e G, do curso de Artes Visuais,  ilustraram algumas passagens deste romance.

Trabalho articulado entre as disciplina de Português e Desenho A.


Hotel Central. Trabalho de Francisco Nunes

Carlos e Maria Eduarda. Trabalho de Ketlen Silva

O Ramalhete. Trabalho de Inês Brás

Restaurante Nunes. Sintra. Trabalho de Letícia

O quarto da Toca. Diogo Carlão

Elementos simbólicos n' Os Maias. Trabalho de Ana Maria