segunda-feira, 15 de junho de 2020

Sopra o vento, sopra o vento



Dia Internacional do Vento
15 de junho



Aquarela, Pintura, Mistura, Paisagem, Rurais, País
Imagem: Pixabay


Sopra o vento, sopra o vento,
Sopra alto o vento lá fora;
Ma também meu pensamento
Tem um vento que o devora.

Há uma íntima intenção
Que tumultua em meu ser
E faz do meu coração
O que um vento quer varrer;

Não sei se há ramos deitados
Abaixo no temporal,
Se pés do chão levantados
Num sopro onde tudo é igual.

Dos ramos que ali caíram
Sei só que há mágoas e dores
Destinadas a não ser
Mais que um desfolhar de flores.


28-12-1933
Poesias Inéditas (1930-1935). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1955 (imp. 1990). - 133.




Amados gatos




Pawel Kuczynski






Aqui há gatos! 





Livro recomendado PNL2027 dos 12-14 anos - leitura fluente

"É antiga e profunda a paixão do autor pelos gatos e pelo seu singular universo de liberdade e soberania. Amados Gatos é um conjunto de textos que tem como ponto de partida os gatos de figuras famosas da literatura, das artes e da política, de Richelieu a Lenine, de Hemingway a Anne Frank, passando por Churchill, Marilyn Monroe, Paul Klee ou Zola, entre outros. 

Construídos com base em factos e figuras reais, estes contos reinventam a vida de gatos famosos e dos seus ilustres donos, assumindo-se como uma homenagem a estes felinos que o Homem nunca conseguiu domesticar. José Jorge Letria convive diariamente com os seus nove gatos que partilham com ele o espaço e o imaginário da escrita. 

Amados Gatos é o testemunho de uma paixão e de um pacto de cumplicidade e afecto que o tempo se encarregou de fortalecer."



domingo, 14 de junho de 2020

+ Leitur@s | Como podemos superar o abismo do racismo?



Por um mundo inclusivo e igual



Os desenhos têm um poder convincente. Capazes de condensar problemas complexos numa única imagem, eles podem inspirar novas maneiras de ver o mundo à nossa volta.


5 Media
  Cartoon: Miguel Morales Madrigal Cuba


Miguel Morales Madrigal: “A cor da pele não define quem somos. Isso torna-nos fisicamente diferentes, mas além da pele, somos todos feitos de carne e ossos. Os seres humanos não devem ser julgados pela sua raça ou cor da pele, mas pela cor dos seus sentimentos. Homens e mulheres devem olhar mais profundamente, onde está a nossa verdadeira essência: a alma. Lá, as virtudes florescem em cores diferentes, mas juntas em harmonia definem o verdadeiro ser humano.”




Imagem
   Cartoon: Anne Derenne, França


Anne Derenne: “Todos nós partilhamos o DNA da humanidade. Podemos ter culturas diferentes, religiões diferentes e tons de pele diferentes, mas no final todos pertencemos a uma raça humana. Deveríamos unir-nos contra o racismo e trabalhar juntos para construir uma sociedade melhor baseada na igualdade e na solidariedade. ”


cartoon sobre racismo
    Cartoon: Fadi Abou Hassan / Faditoon, Noruega

Fadi Abou Hassan / Faditoon : “Não ao racismo. Apesar das diferentes cores da nossa pele, juntos somos contra o racismo. Com fraternidade, amor, cooperação e respeito pelos outros em nossas sociedades, vamo-nos erguer!”




Educação vs racismo
Cartoon sobre racismo
  Cartoon: Dino, Grécia


Dino : “A ideia surgiu da educação como uma solução para o racismo. Estou vendo um monte de livros com capas coloridas e estou projetando-o para as relações humanas. Cada livro é diferente, todo livro tem uma história para contar e todos fazem parte da nossa biblioteca - com a educação como estabilizador em escala mundial para trazer igualdade e paz de espírito.”


Cartoon Movement - There is more than one truth



Plano para a cooperação digital










No passado dia 11 de junho, o secretário-geral da ONU, António Guterres, apresentou o “Plano para Cooperação Digital”, e pediu mais ação para CONECTAR, RESPEITAR e PROTEGER todas as pessoas na era digital.

Este Plano surge numa altura crítica para o mundo digital, com a pandemia da covid-19 a acelerar a digitalização, ampliando as oportunidades e os desafios da tecnologia digital.

Os benefícios da tecnologia digital evidenciados por esta pandemia, como a investigação colaborativa para uma vacina, o teletrabalho, o ensino à distância e o comércio eletrónico também refletem a crescente divisão entre as pessoas que estão conectadas e as que não estão.

De acordo com a União Internacional das Telecomunicações, quase metade da população global, 46,4%, não tem acesso à internet, estando, por isso, impedidas de participar plenamente da era digital. As mulheres são desproporcionalmente afetadas e à medida que se tenta alargar o acesso ao mundo digital, surgem novas vulnerabilidades, com os ciberataques e a desinformação a ameaçarem os direitos humanos, a privacidade e a segurança.

O documento da ONU sublinha que a rápida expansão da tecnologia digital não conhece fronteiras e ultrapassou as competências políticas a nível nacional, regional e global, por isso, o plano agora apresentado pelo secretário-geral da ONU procura enfrentar estes desafios, recomendando ações concretas para aproveitar o melhor dessas tecnologias e mitigar os seus riscos.

O secretário-geral da ONU enfatiza que “para colher plenamente os seus benefícios e conter possíveis danos, precisamos garantir que a era digital seja definida pelo aumento da cooperação internacional”, lembrando ainda que o ciberespaço não tem fronteiras, o líder da ONU apela a todos os Estados-membros da ONU e aos parceiros da ONU na indústria e na sociedade civil “para expandirem a cooperação em questões de tecnologia digital.

Só trabalhando em conjunto, poderemos conectar todas as pessoas até 2030, respeitar os direitos humanos online e proteger os mais vulneráveis dos perigos em potencial da era digital.”

Para atender ao apelo de conectar, respeitar e proteger o mundo online, o plano apresenta as recomendações do secretário-geral para ações concretas de diversas partes interessadas para melhorar a cooperação digital global nas seguintes áreas:
  • Atingir a conectividade universal até 2030 – a internet deve ser segura e acessível a todos.
  • Promoção de bens públicos digitais para um mundo mais equitativo – a internet deve ser aberta e pública.
  • Garantir a inclusão digital para todos, inclusive dos mais vulneráveis – os grupos mais excluídos precisam de ter acesso igual a ferramentas digitais para acelerar o desenvolvimento
  • Fortalecer a capacitação digital – o desenvolvimento e a formação de competências são necessários em todo o mundo.
  • Garantir a proteção dos direitos humanos na era digital – os direitos humanos devem ser garantidos online e offline.
  • Apoiar a cooperação global para uma inteligência artificial que seja confiável, sustentável, que respeite os direitos humanos e promova a paz.
  • Promoção da confiança e da segurança digitais – exigindo um diálogo global para promover os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
  • Construir uma arquitetura mais eficaz para a cooperação digital – tornar a governança digital uma prioridade e promover a abordagem das Nações Unidas.


UNRIC.ORG






sábado, 13 de junho de 2020

Vamos à escola



Que coisa são as nuvens
José Tolentino Mendonça




Seria um absurdo voltar ao dualismo cartesiano, em que a mente tem o primado, julgando assim poder dispensar o corpo, as emoções ou a tangibilidade da relação educativa enquanto prática colaborativa e comunitária

H
á momentos, como este da estação atual, em que as interpretações sobre os perigos e as oportunidades são tão contrastadas que nos sentimos dentro do incipit de “História em Duas Cidades”, a narrativa que Charles Dickens dedicou à emergência da revolução francesa: “Era o melhor de todos os tempos, era o pior de todos os tempos, era a idade da sabedoria, era a idade da loucura, a época da fé e a época da incredulidade, o período da luz e o período das trevas, a primavera da esperança e o inverno do desespero. Tínhamos tudo à nossa frente, não tínhamos nada à nossa frente...” Uma divisão assim acentuada de perspetivas é, por exemplo, aquela que se está a desenvolver a propósito da escola. De uma parte estão os que saúdam a chegada promissora do futuro, mesmo se nesta primeira fase ele chegue de rompante e nos encontre impreparados, no meio de muitas debilidades. Mas estas serão progressivamente corrigidas e o importante é que não se volte para trás, dizem. A rede escolar será mais qualificada e eficaz: em vez de termos, por exemplo, dezenas de universidades localizadas, cada uma com a obrigação de constituir um amplo conjunto de docentes para assegurar os seus cursos, os alunos poderão ter acesso aos melhores professores e iniciativas de uma determinada área científica, através da via telemática. A transformação a que assistimos já no domínio das publicações científicas, com o abandono da edição em papel e a formação de autênticas bibliotecas digitais, vai propagar-se às outras dimensões do ensino e da investigação, potenciando o trabalho deslocalizado, em rede e num quadro de internacionalização.
É necessário evitar a liquidação da escola na sua configuração tradicional. Eis um debate decisivo do presente

Mas há quem tema estas elucubrações. Em Itália são sobretudo os filósofos — e nomes reconhecidos como Agamben, Cacciari, Esposito ou Marramao — a chamar a atenção para a extrema delicadeza do que se pode estar a preparar. Neste grupo, Giorgio Agamben deve, talvez, ser escutado como “uma voz” à parte. “Uma voz” é, de facto, o título da coluna que ele mantém no site da editora Quodlibet, onde se tem posicionado, muitas vezes em radical solidão, contra a inconsistência ética e civilizacional deste estado de exceção. A sua tese é que “o nosso próximo foi abolido” e que esta nova forma de Estado, fundada sobre o medo, pretende que se fechem universidades e escolas, passando a funcionar tudo online, que “se troquem apenas mensagens digitais e que onde for possível as máquinas substituam todo o contacto entre os seres humanos”. As outras vozes, porventura com entoação diferente mas na mesma direção, recordam que seria um absurdo voltar ao dualismo cartesiano, em que a mente tem o primado, julgando assim poder dispensar o corpo, as emoções ou a tangibilidade da relação educativa enquanto prática colaborativa e comunitária. Não é possível excluir o corpo da escola, pois é através dele que damos significação ao mundo, maturando os diversos saberes e exercitando a responsabilidade pela inteira existência. Num abaixo-assinado que o grupo de filósofos italianos promoveu, recorda-se que “o termo escola não quer dizer aprendizagem mecânica de noções, nem coincide com o martelar dos dedos num teclado, ou com a subordinação aos motores de busca. Quer dizer, sim, antes de tudo sociabilidade, em sentido horizontal (entre colegas) e vertical (com os docentes), dinâmicas de formação omnilateral, crescimento intelectual e moral, maturação de uma consciência civil e política”. Mas para isso, insistem, é necessário evitar a liquidação da escola na sua configuração tradicional. Eis um debate decisivo do presente.
E-Revista Expresso, Semanário #2483, 30 de maio de 2020

Anne Frank | Diário





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Hoje, lembramos Anne Frank e a sua voz única, uma verdadeira luz no meio da escuridão, um símbolo de esperança apesar de todas as adversidades. Impossível esquecer a sua história, narrada em primeira pessoa no seu Diário. 

Uma forma de honrarmos a sua memória é combater o anti-semitismo e todas as formas de racismo. É defender os Direitos Humanos e rejeitar a violência, todos os dias.


Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929. Se fosse viva, faria 91 anos.



👉Visite o Anexo Secreto online e descubra mais sobre o que aconteceu aqui ou coloque seus óculos de realidade virtual e faça um passeio virtual pelo esconderijo onde Anne Frank escreveu o seu diário. Também pode dar uma olhada na casa onde Anne e sua família moravam antes de se esconder e visitar uma exposição online sobre a sua vida.


No dia de Santo António












No dia de Santo António
Todos riem sem razão.
Em São João e São Pedro
Como é que todos rirão?


s.d.
Quadras ao Gosto Popular. Fernando Pessoa. (Texto estabelecido e prefaciado por Georg Rudolf Lind e Jacinto do Prado Coelho.) Lisboa: Ática, 1965. (6ª ed., 1973). - 90.