quarta-feira, 3 de maio de 2017

Dia mundial da liberdade de imprensa



3 de maio




Todos os anos, 3 de maio é uma data em que se celebra os princípios fundamentais da liberdade de imprensa para avaliar a liberdade de imprensa em todo o mundo, defender os meios de comunicação contra os ataques à sua independência e prestar homenagem aos jornalistas que perderam a vida no exercício da sua profissão.



Mensagem de António Guterres, Secretário Geral da ONU, por ocasião do Dia Mundial da Liberdade de Imprensa







Press kit: https://es.unesco.org/sites/default/files/press_kit_wpfd2017_en.pdf

Concept-note: https://en.unesco.org/sites/default/files/wpfd2017_concept-note_en.pdf

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Maio de minha Mãe








O primeiro de Maio de minha Mãe
Não era social, mas de favas e giestas.
Uma cadeira de pau, flor dos dedos do Avô
— Polimento, esquadria, engrade, olhá-la ao longe —
Dava assento a Florália, o meu primeiro amor.


Já não se usa poesia descritiva,
Mas como hei-de falar da Maromba de Maio
Ou, se era macho, do litro de vinho na sua mão?
O primeiro de Maio nas Ilhas, morno como uma rosa,
Algodoado de cúmulos, lento no mar e rapioqueiro
Como Baco em Camões,
Límpido de azeviche
E, afinal de contas, do ponto de vista proletário,
Mais de mãos na algibeira do que Lenine em Zurich.
(Porque foi por esta época: eu é que não sabia!)

A minha Maromba tinha barriga de palha como as massas
E a foice roçadoira da erva das cabras do Ribeiro
Que se pegou, esquecida, no banco do martelo de meu Avô
Cujas quedas iguais, gravíficas, profundas

Muito prego em cunhal deixaram,
Muita madeira emalhetaram,
Muita estrela atraíram ao bico da foice do Ribeiro
Nas noites de luar em que roçava erva às cabras.
Favas de Maio do meu tempo!
Havia poder popular
Nas mãos de minha mãe, que as descascava como flores
E flores eram de si, na flórea abada
Como se já guardassem flor de laranjeira e açaflor
Nas suas intenções de Maio 1918, para as depor
(Nem pensada sequer) na fronte à minha amada.

Vitorino Nemésio, in Antologia Poética


sábado, 29 de abril de 2017

O jazz é uma mensagem universal de paz






Jazz, criatividade e diversidade





O Jazz é uma expressão de criatividade e de diversidade



http://www.unesco.org/new/en/jazz-day



O jazz:

• Quebra barreiras e cria oportunidades para a compreensão e tolerância mútuas;

• É um vetor de liberdade de expressão;

• É é um símbolo de unidade e paz;

• Reduz as tensões entre indivíduos, grupos e comunidades;

• Promove a igualdade de género;

• Reforça o papel que os jovens desempenham na mudança social;

• Incentiva a inovação artística, a improvisação, as novas formas de expressão e a inclusão de formas tradicionais de música nas novas formas;

• Estimula o diálogo intercultural e capacita os jovens das sociedades marginalizadas.





O jazz contribui para:

• Integrar a cultura nos quadros de desenvolvimento sustentável;

• Promover os Direitos Humanos e as Liberdades Fundamentais;

• Proteger e promover a Diversidade das Expressões Culturais.



Dia Internacional do Jazz


30 de abril





Mensagem de Irina Bokova, Diretora-Geral da UNESCO, por ocasião do Dia Internacional do Jazz


"Na ocasião do sexto Dia Internacional do Jazz, a UNESCO celebra todos os músicos, poetas, pintores, escritores, historiadores, académicos e entusiastas do jazz em todo o mundo, que prestam homenagem ao jazz, à sua capacidade de unir as pessoas e às suas contribuições para a paz. 

Como disse a grande Nina Simone: “Jazz não é apenas música – é um modo de viver, um modo de ser, um modo de pensar”. O jazz está em todos os lugares, ao nosso redor, e inspira-nos a melhorar a nós mesmos por meio da música e na vida. 

Hoje, celebramos a forma de arte internacional que é o jazz e o seu poder de promover o diálogo entre culturas, de aproveitar ao máximo a diversidade, de aprofundar o respeito pelos direitos humanos e todas as formas de expressão.

A história do jazz está escrita na busca pela dignidade humana, pela democracia e pelos direitos civis. Os seus ritmos e a sua variedade deram força à luta contra todas as formas de discriminação e racismo – essa é a mensagem que devemos levar a todo o mundo no dia de hoje. 

Havana é a Cidade Anfitriã Mundial do Dia Internacional do Jazz deste ano, o que reflete os laços profundos que a cidade tem com o jazz. 

Cidade natal de renomados líderes de bandas, Mario Bauzá e Frank “Machito” Grillo, a florescente cultura musical de Havana e, de forma mais ampla, de Cuba, faz surgir o movimento de jazz afro-cubano, inspirado por uma grande mistura de culturas e povos de toda a região. O jazz cubano é uma lição sobre diversidade criativa que repercute no coração da UNESCO. 

Pela primeira vez, o Dia Internacional do Jazz será o foco de uma celebração em Havana, que irá durar uma semana e terá oficinas, aulas-mestras, exibições de filmes, performances e concertos por toda a cidade. O All-Star Global Concert será uma oportunidade única para mostrar os maiores talentos musicais de Cuba, da América Latina e de todo o mundo, incluindo o lendário pianista, compositor de jazz e embaixador da Boa Vontade da UNESCO para o Diálogo Intercultural, Herbie Hancock, e o jazzista cubano Chucho Valdés. 

Mais uma vez, a UNESCO orgulha-se da associação com o Thelonious Monk Institute of Jazz e com o Instituto Cubano de Música, para levantar a bandeira para o jazz, a criatividade, a diversidade e a união. O foco deste ano em Cuba é testemunho do poder que o jazz tem de construir pontes e reunir mulheres e homens em torno de aspirações e valores partilhados."



Dia Mundial da Dança



29 de abril






O Dia Mundial da Dança foi instituído em 1982 pelo Conselho Internacional da Dança (CID), entidade criada sob a égide da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO). 

A data foi escolhida para recordar o nascimento do coreógrafo francês Jean-Georges Noverre, um dos pioneiros da dança moderna.




terça-feira, 25 de abril de 2017

Cantiga de abril








Às Forças Armadas e ao povo de Portugal
«Não hei-de morrer sem saber qual a cor da liberdade»
Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Quase, quase cinquenta anos
reinaram neste pais,
e conta de tantos danos,
de tantos crimes e enganos,
chegava até à raiz.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Tantos morreram sem ver
o dia do despertar!
Tantos sem poder saber
com que letras escrever,
com que palavras gritar!

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Essa paz de cemitério
toda prisão ou censura,
e o poder feito galdério.
sem limite e sem cautério,
todo embófia e sinecura.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Esses ricos sem vergonha,
esses pobres sem futuro,
essa emigração medonha,
e a tristeza uma peçonha
envenenando o ar puro.

Qual a cor da liberdade?
É verde. verde e vermelha.

Essas guerras de além-mar
gastando as armas e a gente,
esse morrer e matar
sem sinal de se acabar
por politica demente.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Esse perder-se no mundo
o nome de Portugal,
essa amargura sem fundo,
só miséria sem segundo,
só desespero fatal.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

Quase, quase cinquenta anos
durou esta eternidade,
numa sombra de gusanos
e em negócios de ciganos,
entre mentira e maldade.

Qual a cor da liberdade?
E verde, verde e vermelha.

Saem tanques para a rua,
sai o povo logo atrás:
estala enfim altiva e nua,
com força que não recua,
a verdade mais veraz.

Qual a cor da liberdade?
É verde, verde e vermelha.

26-28(?)/4/1974