quarta-feira, 9 de agosto de 2023

Cesariny 100

 






Em "Cesariny 100" escutamos os poemas de Mário Cesariny, que hoje faria 100 anos. 

Ouvimos quem nos evoca a sua vida e obra e recebemos uma atuação ao vivo de Os Poetas. 

Um programa Antena 1 para ouvir na RTP Palco. 


Centenário Mário Cesariny

 



Mário Cesariny | 9AGO1923 - 26NOV2006

100 ANOS | 1923 - 2023







Em Todas as Ruas te Encontro

Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 
conheço tão bem o teu corpo 
sonhei tanto a tua figura 
que é de olhos fechados que eu ando 
a limitar a tua altura 
e bebo a água e sorvo o ar 
que te atravessou a cintura 
tanto tão perto tão real 
que o meu corpo se transfigura 
e toca o seu próprio elemento 
num corpo que já não é seu 
num rio que desapareceu 
onde um braço teu me procura 
Em todas as ruas te encontro 
em todas as ruas te perco 

Mário Cesariny, in "Pena Capital"


sábado, 5 de agosto de 2023

Sugestão de leitura | Não-Coisas, de Byung-Chul Han

 













Relógio D' Água
fevereiro 2022
112 Páginas




Neste seu livro, Byung-Chul Han analisa o universo digital verificando como se desvanece o nosso apego às coisas tangíveis que conferiam ao mundo uma sensação de estabilidade.

"Hoje encontramo-nos na transição da era das coisas para a era das não-coisas. Não são as coisas, mas as informações que determinam o mundo em que vivemos."

Para o filósofo germano-coreano, o mundo esvazia-se de coisas e enche-se de informação tão inquietante como vozes a que não podemos atribuir a um corpo.

Os meios digitais substituem a memória, sem violência, como se isso fosse natural ou até inevitável. A informação simplifica os acontecimentos e alimenta-se da surpresa, para logo se desatualizar.

Como caçadores de informação, vamo-nos alheando das coisas discretas, habituais, que nos ligam ao ser.

Byung-Chul Han desenvolve assim uma filosofia do smartphone e uma crítica à inteligência artificial, a partir de uma perspetiva inovadora


Byung-Chul Han: “O smartphone é uma prisão”

 



































Estrela do pensamento contemporâneo, Byung-Chul Han não usa redes sociais 
e raramente dá entrevistas Alberto Cristofari/Contasto via Reuters




O filósofo nascido na Coreia do Sul, residente na Alemanha, vê o telemóvel como uma “não-coisa”, não usa redes sociais e raramente fala diretamente sobre o seu trabalho (online ou offline). Só que nos últimos 13 anos encontrou um público ávido pelas críticas que faz à sociedade moderna – uma cultura que acredita que é livre, mas vive obcecada com a produtividade, refém de ecrãs, e presta culto diário a um novo deus chamado Big Data.

“Todas as épocas têm as suas aflições características", resume no arranque de A Sociedade do Cansaço (ed. Relógio d’Água, 2014), o diagnóstico em prosa da modernidade que em 2010 catapultou o nome do filósofo, de quem pouco se sabe ao certo, para a lista de grandes pensadores contemporâneos, com livros traduzidos em mais de uma dezena de línguas. Há mais de 20 anos, porém, que Han escreve sobre as “doenças” do ser humano moderno. A incapacidade de as pessoas deixarem os telemóveis de lado é um dos grandes sintomas. Nos seus livros e intervenções diz que nos exploramos a nós mesmos, com ferramentas digitais como o Zoom; que vivemos esgotados e deprimidos devido ao atual modelo de sociedade; que nos entregamos ao narcisismo online e esquecemos o outro; que nos deixamos vigiar pela Internet e pela profusão de dispositivos alegadamente smart. Pede “uma política da inatividade”, que nos liberte das obrigações da produção e torne possível um tempo de “ócio verdadeiro”.

A linguagem simples e direta, com referências a filósofos da Antiguidade e clássicos da ficção científica, atrai um público sem experiência em filosofia, que, quase paradoxalmente, comenta os seus textos na Internet e partilha excertos dos seus livros em redes sociais e fóruns como o Reddit.

A nossa sociedade é uma fusão de Admirável Mundo Novo, de Huxley, e de 1984, de Orwell. Estamos sob vigilância constante, mas sentimo-nos livres. Na realidade, o smartphone, que promete a ideia de liberdade, é uma prisão”, constata Han numa troca de emails com o Ípsilon sobre a sua visão da tecnologia. “Estamos constantemente a avaliar-nos uns aos outros. Melhores classificações prometem mais lucros. Tentamos ser simpáticos para obter melhores classificações”, realça. É assim que até a “bondade é capitalizada”.

[...]

Aos olhos do filósofo, o telemóvel ocupa um lugar central no altar do novo culto aos dados a que Han chama “dataísmo”. O conceito descreve uma nova forma de organização social baseada na recolha, tratamento e análise de grandes quantidades de dados. Para o filósofo, os dados digitais tornaram-se a principal fonte de poder e riqueza e as pessoas vêem-se reduzidas a fornecedoras de dados, sem autonomia ou privacidade. “O smartphone não é um objeto, mas um informador, que nos vigia e influencia”, insiste Han. “Fazer like [com o telemóvel nas redes sociais] é rezar digitalmente”, compara. “Só que já não pedimos perdão, pedimos atenção.”

Filósofo da anticomunicação

“[Han] é um exemplo de anti-informação e anticomunicação na era da hipercomunicação”, define César García, professor de Comunicação Estratégica na escola de negócios ESIC, em Madrid

A forma como Han fala (ou não fala) sobre o seu trabalho faz parte da sua tese. “Han considera que, devido a um excesso de informação, a realidade não consegue ser percecionada. Critica a informação abundante e permanente promovida e fornecida pelas redes sociais e pela Internet no seu conjunto”, argumenta García. “Enquanto, no passado, as pessoas eram controladas através da força física, agora esse controlo tornou-se mental.”

Ler artigo completo em; Karla Pequenino e Renata Monteiro. Ipsilon, Público, 4 de Agosto de 2023



quarta-feira, 2 de agosto de 2023

O Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2023




A menos que ajamos agora, a Agenda 2023 tornar-se-á um epitáfio para um mundo que poderia ter existido.
António Guterres- Secretário-Geral, Nações Unidas



10 de julho de 2023: O Relatório dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável 2023: Edição Especial fornece um poderoso apelo à ação, apresentando uma avaliação sincera dos ODS com base nos dados e estimativas mais recentes. Ao destacar as lacunas existentes e instar o mundo a redobrar os seus esforços, o relatório também enfatiza o imenso potencial de sucesso por meio de uma forte vontade política e da utilização de tecnologias, recursos e conhecimentos disponíveis. Juntos, a comunidade global pode reacender o progresso para alcançar os ODS e criar um futuro melhor para todos.

Segundo o relatório, os impactos da crise climática, a guerra na Ucrânia, uma economia global fraca e os efeitos prolongados da pandemia do COVID-19 revelaram fraquezas e impediram o progresso em direção aos Objetivos. O relatório adverte ainda que, embora a falta de progresso seja universal, são os mais pobres e vulneráveis ​​do mundo que estão a experimentar os piores efeitos desses desafios globais sem precedentes. Também aponta áreas que precisam de ação urgente para resgatar os ODS e proporcionar um progresso significativo para as pessoas e para o planeta até 2030.


Baixar Relatório: inglês | Français 
(idiomas adicionais em breve)



O vídeo do Relatório de Desenvolvimento Sustentável 2023: Edição Especial é uma visão geral animada dos principais factos e números encontrados no Relatório.
Dê uma olhada!




Smartphones na escola? Somente quando eles apoiam claramente a aprendizagem

 





O Relatório Global de Monitoramento da Educação de 2023 da UNESCO acaba de lançar um apelo para que a tecnologia seja usada apenas em sala de aula quando apoiar os resultados da aprendizagem, e isso inclui o uso de smartphones.




A revolução digital possui um potencial imensurável, mas, assim como foram feitas advertências sobre como ela deve ser regulamentada na sociedade, atenção semelhante deve ser dada à maneira como ela é usada na educação.
Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO


Uma distração para aprender

O relatório mostra que algumas tecnologias podem apoiar alguma aprendizagem em alguns contextos, mas não quando são usadas em excesso ou inadequadamente. Em particular, o uso de smartphones pode atrapalhar a aprendizagem nas salas de aula. Um estudo que analisou o ensino pré-primário até o ensino superior em 14 países descobriu que isso distraía os alunos da aprendizagem. Mesmo ter um telemóvel por perto com notificações é suficiente para fazer com que os alunos percam a atenção da tarefa em questão. Um estudo descobriu que os alunos podem levar até 20 minutos para se concentrar novamente no que estavam a aprender, uma vez distraídos.
A remoção de smartphones de escolas na Bélgica, Espanha e Reino Unido melhorou os resultados de aprendizagem, de acordo com um estudo citado no relatório, especialmente para alunos que não estavam a ter um desempenho tão bom quanto o dos seus colegas.


Riscos à privacidade e bem-estar das crianças

Preocupações com privacidade de dados, segurança e bem-estar também sustentam debates sobre o uso de algumas tecnologias nas escolas, especialmente por alunos em idades jovens.

Existem questões de privacidade levantadas quando aplicativos específicos coletam dados do usuário desnecessários para o funcionamento dos aplicativos. Atualmente, apenas 16% dos países garantem explicitamente a privacidade dos dados na educação por lei. Uma análise descobriu que 89% dos 163 produtos de tecnologia educacional recomendados durante a pandemia poderiam pesquisar crianças. Além disso, 39 dos 42 governos que ofereceram educação online durante a pandemia promoveram usos que arriscaram ou infringiram os direitos das crianças.




Vimos crianças de até nove anos a solicitar smartphones, e ficou evidente que essas crianças não estavam emocionalmente prontas para navegar pelas complexidades desses dispositivos e do mundo digital.
Rachel Harper - Diretora da St. Patrick's Primary School, Greystones, County Wicklow, Irlanda, que proibiu o uso de smartphones na sua escola


Regulamentando o uso de smartphones na escola

Quase um em cada quatro países introduz a proibição do uso de smartphones nas escolas em leis ou políticas, da Costa do Marfim à Colombia, da Itália à Holanda.

As proibições são mais comuns na Ásia. Tanto Bangladesh quanto Cingapura proíbem o uso de smartphones nas aulas, mas não na escola. A França proíbe o uso a menos que sejam usados estritamente para fins pedagógicos ou para apoiar crianças com deficiência.

Algumas escolas proibiram o uso de aplicativos específicos em ambientes educacionais por questões de privacidade. A Dinamarca e a França proibiram o Google Workspace, enquanto a Alemanha proibiu os produtos da Microsoft em alguns estados. Nos Estados Unidos, algumas escolas e universidades começaram a banir o TikTok.


O novo Relatório GEM 2023, intitulado Tecnologia na educação: uma ferramenta nos termos de quem?, pede decisões sobre tecnologia na educação para priorizar as necessidades do aluno, certificando-se de que qualquer uso da tecnologia seja apropriado, equitativo, escalável e sustentável.

Os alunos precisam aprender os riscos e oportunidades que vêm com a tecnologia e não ser totalmente protegidos deles. Mas os países precisam dar melhores orientações sobre quais tecnologias são permitidas na escola e quais não são, e sobre seu uso responsável. Somente a tecnologia que tem um papel claro no apoio à aprendizagem deve ser permitida na escola.


Fonte


terça-feira, 1 de agosto de 2023

Dia dos autores europeus | Certificado de participação

 



















Recebemos ontem o email do Directorate-General for Education, Youth, Sport and Culture, da Comissão Europeia, com o certificado de participação da nossa escola na 1ª edição do Dia dos Autores Europeus, do qual destacamos a seguinte passagem:

"This certificate recognizes your school's commitment to promoting reading and literature among young Europeans. We hope that you will continue to participate in this exciting initiative. Please save the date for the next edition of the Day of European Authors which will take place on 25 March 2024."

A data está, desde já, reservada!