quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Centenário Agustina Bessa-Luís

 

1922-2022













É uma coincidência feliz, não sei se premeditada, que o programa comemorativo do centenário de Agustina seja apresentado ao início da tarde deste primeiro dia de Verão.

Ao longo do ano teremos muitos motivos para regressarmos à obra e ao pensamento de Agustina, aos lugares de Agustina (e sabe-se que um roteiro está em marcha), à relação de Agustina com o cinema, não apenas através da longa e intensa colaboração com Manoel de Oliveira. Aguardo com particular expectativa o filme realizado por Eduardo Brito, a partir d' "A Sibila", um romance do ano em que nasci.

Mas espero que o meu querido amigo António Fontainhas Fernandes, comissário do programa do centenário de Agustina, encontre um jardim do Porto onde, numa tarde do Verão que hoje começa, possa ser projectado um filme que nos leve mais perto dessa mulher para quem o enamoramento da imagem antecedeu o fascínio da escrita. Ela o disse, evocando a infância em Águas Santas. O pai de Agustina tinha um cinema no Porto que ela frequentava todas as quintas feiras. A escritora recordava com aprazimento o café-concerto e o jardim onde, no Verão, se projectava cinema.

O programa do centenário é apresentado em Amarante, muito perto do café onde um Pascoaes de bronze talvez esteja continuando a polémica com Caeiro que aos poetas místicos chamou, ainda com ph, filósofos doentes.

A sibila de Vila Meã engendrou com ambos um notável romance intitulado "O Susto" que também está a pedir uma releitura, no aconchego de um jardim no entardecer de uns quantos dias de Verão. Por muitas razões, mas também porque, como lembrou o Guardador de Rebanhos, " no entardecer dos dias de Verão, às vezes,/ ainda que não haja brisa nenhuma, parece/ que passa, um momento, uma leve brisa..../. 

Ainda que as árvores permaneçam imóveis, os nossos sentidos tiveram uma ilusão. O Caeiro acreditava que essa é sempre a ilusão do que nos agradaria.

Crónica por Fernando Alves, na TSF, 21 de Junho, 2022

Fonte: Notas sobre a chegada do Verão. (2022). Retrieved 14 September 2022, from https://www.tsf.pt/programa/sinais/notas-sobre-a-chegada-do-verao-14955732.html?fbclid=IwAR0tbZ_jLOAHdSVFs8JE-GBiMNTMIdYqzMtJNKaWeOcQ-_vkosh3EmcwNww


O Professor Bachman e a sua turma

 

Hoje, dia 14 de setembro, na RTP2, às 23:25






Em Stadtallendorf, cidade alemã com uma história complexa no que concerne à integração e exclusão de estrangeiros, o professor Dieter Bachmann oferece aos seus alunos a chave para o sentimento de pertença. Com idades entre os 12 e os 14 anos, os estudantes são provenientes de doze países diferentes e alguns ainda não dominam a língua alemã.

Bachmann está empenhado em inspirar estes cidadãos-em-construção com o sentido de curiosidade para que tenham vontade de desenvolver um vasto conjunto de saberes, disciplinas, culturas e opiniões.



FICHA TÉCNICA
Título original : Herr Bachmann Und Seine Klasse
Género : Documentário
Ano : 2021
Realização : Maria Speth
Elenco : Dieter Bachmann, Aynur Bal, Önder Cavdar
País(es) : Alemanha
Duração : 3h 37m

A cidade como ecrã

 



«Já nos Estados Unidos a contaminação da cidade pelo cinema e vice-versa não podia ter um aspeto mais prático, positivo e efetivo. O cinema entrou na cidade e a cidade entra no cinema e os dois emprestam-se um ao outro, ampliando e reinventando o território de ambos. Se a cidade do século XIX constituía um proto-ecrã, o ecrã constitui agora uma proto-cidade, a proto-cidade onde muitos querem viver» (Sol 2018, 20)

Na tese “A Imagem da cidade e o seu espaço-representado no videoclip da década de oitenta. Interferências norte-americanas na cultura arquitetónica contemporânea dita ocidental.” (Universidade de Lisboa, Faculdade de Arquitetura, 2018), Luísa Sol escreve que há toda uma nova atmosfera urbana, advinda das alterações impostas no final do séc. XIX, e que antecipou todo o ecrã contemporâneo - através da transformação da noção de espaço público e da emergência de uma nova consciência do individual (Sol 2018, 8). Essa nova consciência surgiu com o advento do capitalismo industrial que destruiu lentamente o domínio público, ao ampliar as expectativas e os interesses privados. O eclodir dos grandes armazéns e o seu sucesso fizeram da vida pública um lugar mais intenso e menos sociável, sublinhando sobretudo o papel da secularização. A secularização leva o ser humano a mistificar a sua própria condição – e a não ter tempo para olhar para qualquer outra coisa que não seja a sua eterna face num reflexo. Sol explica que Baudelaire em O Pintor da vida moderna afirmou que o indivíduo moderno deseja assemelhar-se somente àquilo que pretende ser, sem se deixar tocar pelo incontrolável e pelo incompreensível. E vive, por isso, em grande conflito com o facto de ser outro. O seu reflexo nunca corresponde ao sonhado. O resultado é o culto da personalidade, através do fascínio das roupas e da moda. Haussmann, contribuiu em Paris, para a produção desta sociedade que agrava a visão que cada um tem de si próprio - os grandes boulevards não escondem nada, o importante é aquilo que as pessoas têm para mostrar.

A metrópole da era industrial e o cinema surgiram num contexto muito próximo: «A cidade moderna, do comércio, dos boulevards, das vitrines e das arcadas sintetiza um modelo expositivo que determinaria a importância da imagem, estática ou em movimento, da visibilidade do indivíduo e da mercadoria, da sua circulação e transações.» (Sol 2018, 12)

A cidade e também a arquitetura, para Sol, funciona assim como o ecrã da modernidade e, gera, a necessidade do cinema. A cidade moderna trouxe a constante vontade das pessoas verem e serem vistas. A nova velocidade, as multidões de olhos e as largas avenidas esboçaram o ato de filmar e a permanente exposição dos percursos no espaço. Por isso, a arquitetura da cidade é a superfície ideal para se projetar tudo aquilo que as pessoas têm para exibir.

Luísa Sol revela ainda que os situacionistas já avisavam que a sociedade moderna estava contaminada e dominada por imagens. A imagem do mundo torna-se assim mais importante que o próprio mundo. Essas imagens são uma produtificação da vida quotidiana. E vai ser cada vez mais difícil separar a realidade da ficção. (Sol 2018, 20)


Ana Ruepp

Fonte: A FORÇA DO ATO CRIADOR. (2022). Retrieved 14 September 2022, from https://e-cultura.blogs.sapo.pt/a-forca-do-ato-criador-1345027


A definição de 'museu' foi atualizada

 


















Uma votação quase unânime dos membros do Conselho Internacional de Museus (ICOM) substituiu oficialmente sua definição de “museu” por uma mais contemporânea. A nova definição introduz termos como “acessibilidade”, “inclusividade”, “diversidade” e “comunidade”, marcando uma conceção mais horizontal e democrática do museu moderno.

A definição de museu do ICOM foi atualizada pela última vez em 2007 durante os trabalhos da Assembleia Geral em Viena. Mas desde 1974, as modificações na definição do ICOM têm sido relativamente pequenas e fragmentadas. Na íntegra, a nova definição agora diz:

Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade que pesquisa, coleciona, conserva, interpreta e expõe património material e imaterial. Abertos ao público, acessíveis e inclusivos, os museus promovem a diversidade e a sustentabilidade. Atuam e comunicam de forma ética, profissional e com a participação das comunidades, oferecendo experiências variadas de educação, fruição, reflexão e partilha de conhecimento.

Nesta nova definição, destaca-se que o museu, além de “aberto ao público”, é “acessível e inclusivo”, com o objetivo declarado de facilitar a “diversidade e sustentabilidade”. Para o novo museu, “património tangível e imaterial” é “colecionado”, não “adquirido”; “interpretado”, não “explicado” ou “comunicado”. A razão de ser do museu é formulada como “reflexão e partilha de conhecimento” sobre “estudo”. Cada uma dessas mudanças subtis sinaliza que o mundo dos museus está a mover-se em direção a um modelo em que ocupa um nó numa rede mais nivelada de pessoas e instituições, em vez de uma posição neutra de autoridade e significado privilegiados.

Legalmente, a definição do ICOM geralmente determina as definições que os governos nacionais usam. Isso, por sua vez, pode influenciar o modo como as organizações são tributadas, que financiamento estão qualificadas para receber e se recebem status de proteção patrimonial.




📌 Explore a visita virtual 360º nas galerias do Museu Calouste Gulbenkian.

Objetos do Antigo Egito, do Oriente Islâmico ou obras de artistas como Rembrandt, Turner, Monet, Rodin ou René Lalique são alguns dos destaques de uma das mais importantes coleções particulares de arte internacional, reunida em vida por Calouste Gulbenkian.

A visita virtual exige um consumo elevado de dados, recomendamos que não sejam utilizados dados móveis.


domingo, 11 de setembro de 2022

Edumediatest | Relatório Final

 







A ERC – Entidade Reguladora para a Comunicação Social avaliou, com recurso à ferramenta interativa online EduMediaTest, o nível de Literacia Mediática de 2636 jovens portugueses, entre os 14 e os 18 anos, em seis dimensões em apreciação - Estética/Tecnologia/Produção e Difusão/Linguagem -, tendo concluído que se encontra num patamar semelhante ao verificado em jovens oriundos da Catalunha, França, Irlanda, Eslováquia, Croácia e Grécia. [...]

Refira-se que a ferramenta EduMediaTest, que constitui um recurso, ainda em fase piloto, de avaliação de competências e formação em educação para os media cofinanciado pela Comissão Europeia, no âmbito do programa Media Literacy for All, foi também aplicada pelas entidades AEM - Agency for Electronic Media, CAC – Consell de l’Audiovisual de Catalunya, CSA – Conseil Supérieur de l’Audiovisuel, EKOME - National Centre of Audiovisual Media & Communication, RVR - Rada pre vysielanie a retransmisiu e Webwise - Irish Internet Safety Awareness Centre nos respetivos países.

Pretende-se que esta ferramenta digital venha futuramente a ser disponibilizada em livre acesso no endereço edumediatest.eu e que possa vir a servir como recurso a ser utilizado pelas escolas portuguesas.

O projeto foi liderado pelo regulador catalão dos media, em colaboração com uma equipa científica da Universitat Pompeu-Fabra de Barcelona, na conceção teórica e metodológica da ferramenta e sua implementação. Os resultados dos 8699 jovens testados no conjunto dos países confirmam a necessidade de investimento na formação ao nível de diferentes competências de literacia mediática.

Em Portugal, apesar das dificuldades geradas pela pandemia de Covid-19 que marcaram a implementação do projeto, a ERC conseguiu envolver, na testagem do questionário que integra a ferramenta, alunos do 8ºano ao 12ºano, oriundos de 25 escolas públicas e privadas e de contextos rural e urbano de todas as regiões do País.

[...] O questionário que dá corpo à ferramenta permitiu concluir que a dimensão em que os alunos portugueses, assim como os colegas europeus, são mais competentes é Tecnologia, seguindo-se a dimensão Estética. No polo oposto, as questões em que revelaram maiores dificuldades foram as que integram a dimensão Linguagem, resultado que se alinha também com os resultados obtidos pelos colegas dos restantes países. Deste modo, apura-se um dado que fazia já parte das hipóteses de partida deste projeto: os jovens apresentam melhores níveis de literacia ao nível do uso das tecnologias e níveis mais débeis no que respeita a dimensões que convocam interpretação de informação, uso da linguagem, assim como nas questões da Ideologia ou que se relacionam com o funcionamento dos media enquanto negócio ou com a sua regulação, por exemplo.

Os jovens portugueses obtiveram uma pontuação média de 14,45 pontos no conjunto do questionário. Na distribuição por sexo, verifica-se que as raparigas apresentam pontuações ligeiramente mais elevadas do que os rapazes e que o valor da pontuação média sobe consoante a idade dos respondentes.

Os resultados globais e nacionais da aplicação do questionário podem ser lidos, em detalhe, na versão portuguesa do relatório que contém em anexo a tradução do relatório executivo internacional e das recomendações gerais adotadas pelos sete países.

ERC- Entidade reguladora para a Comunicação Social. 6 de setembro de 2022



Educação, género, profissão

 



Cartoon de Nahid Zamani



sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Revista de Ciência Elementar

 

 

Capa da Revista de Ciência Elementar 

Setembro 2022

 

 


A comunicação pela Matemática

Entrados na Era Digital, os meios que os cientistas dispõem para a investigação, para a publicação e para a disseminação das suas pesquisas, das suas descobertas e das suas previsões, estão a modificar e a aumentar o ritmo do progresso no Conhecimento. Certamente que os matemáticos, por muito que estejam embrenhados nas abstrações das suas teorias ou nas interações com o mundo real dos seus modelos, não são alheios a este facto. 
 
 
 
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