sábado, 16 de outubro de 2021

O poder da diversidade

 


Cartoon de @ahmed_aljaffal


Divertimento com sinais ortográficos

 


'O poeta português Alexandre O'Neill (1924-1986) é o autor desta conhecida sequência de poemas-comentário, em tom lúdico, sobre os sinais ortográficos. Apresenta-se uma adaptação em vídeo, seguida da transcrição parcial do poema.'





?

Serás capaz
de responder a tudo o que pergunto?


?

Gosto de quem responde
antes de perguntar...

,

Quando estou mal disposta
(e estou-o muitas vezes...)
mudo o sentido às frases,
complico tudo...


¨
Frequento palavras estrangeiras

Já vivi em saudade,
mas expulsaram-me
(p'ra sempre?...)
da língua portuguesa.


§

Tenho colo de cisne e corpo de hipocampo.


^
Se me puseres
serás a mais bonita das mulheres...


ç

Uma vírgula rebaixada
à condição de cedilha.


!

Não abuses de mim


( )

Quem nos dera bem juntos
sem grandes apartes metidos entre nós!


~

... Desafio um francês a possuir-me
quando estou, por exemplo, em coração...


~

Sou mesmo útil!

.

Que eu saiba
só em Éluard sou único e final.


~

Em certas caligrafias quase voo
como uma andorinha destelhada...


~

Noutras,
sou uma sobrancelha franzida.


:

Introduzimos, por vezes,
frases nada agradáveis...


~

Para ladrar, o cão
não precisa de mim!



?

Como uma orelha, abro-me
sobre um silêncio embaraçado...


-

Que nos separa, Amor, um traço de união?...


...

Em aberto, em suspenso
fica tudo o que digo.

E também o que faço é reticente...




Fonte

O'Neill, Alexandre (2002). Poesias Completas. Lisboa: Assírio & Alvim. 


in Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/outros/antologia/divertimento-com-sinais-ortograficos/2660 [consultado em 16-10-2021]



sexta-feira, 15 de outubro de 2021

Mulheres - Tráfico | Espectáculo Documental

 

Dia 18 de outubro, às 10:00 | Online




Programa





Realizar-se-á, no dia 18 de outubro de 2021, o evento “Mulheres-Tráfico”. Trata-se de um espetáculo documental, a partir de relatos de mulheres traficadas, do encenador Manuel Tur.

O evento assinala, através do teatro, o Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos, dia 18 de outubro. Organizado pelo Plano Nacional das Artes e pela Secretaria de Estado da Cidadania e Igualdade (SECI), com o apoio da DGESTE, o evento terá início às 10h e será emitido para todas as escolas secundárias do país que queiram assistir.

Destinatários - alunos maiores de 16 anos, que poderão fazer as suas perguntas e comentários online.


quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Como fazer nuvens

 

 “Mestre não é quem sempre ensina, mas quem de repente aprende.”
– João Guimarães Rosa, em Grande Sertão: Veredas

 

 

 A cloudy lesson – Diretor: Yezi Xue, 2011

“A cloudy lesson” (“Como fazer nuvens”), é um curta-metragem de animação, com direção de Yezi Xue, 2011, produzida pelo Departamento de Animação Computadorizada no Ringling College of Art and Design.



Esta curta-metragem conta-nos uma história sobre um avô que ensina um neto a fazer nuvens… ou será ao contrário?

 

 

Um livro pela sua saúde!


 

 



 

 

 









                                Foto: Miguel Pereira




Livraria Lello apela em carta aberta que livros passem a ser objeto de prescrição médica 
 

Passado o período eleitoral autárquico e entrando-se agora nos momentos finais da primeira definição, ainda na generalidade, do Orçamento do Estado para 2022 vimos trazer ao Vosso conhecimento um apelo a que o Partido que tão bem representam assuma, na discussão orçamental que se iniciará na especialidade, o seguinte lema como seu: Um Livro, pela sua Saúde! 

Para bem da nossa sanidade (também mental), apelamos para que o bem de primeiríssima necessidade chamado “Livro” possa ser objeto de prescrição médica e tratado fiscalmente como despesa de saúde que também é. 

Atravessámos juntos o período mais difícil que alguma vez pensámos ser possível. Dele saímos agora, juntos, ainda com cautelas, mas confiantes no bem-estar comum. 

Se, para o bem-estar sanitário, contamos com a resposta do notável Serviço Nacional de Saúde a que tanto devemos; se, para o bem-estar social e económico, contamos com um ambicioso Plano de Recuperação e Resiliência a que certamente muito ficaremos a dever; já para o bem-estar mental, intelectual e anímico, precisamos do que sempre a humanidade precisou para estar bem consigo e, logo a seguir, querer ir além do que é: o Livro.

Por o ser, a UNESCO, a Presidente da Comissão Europeia e vários Governos (incluindo o Governo português na pessoa da Senhora Ministra da Cultura), sublinharam precisamente esta condição fundamental do Livro: ser um bem de primeiríssima necessidade.

A Livraria Lello concorda, aplaude e, sobretudo, pratica-o, desde logo em plena pandemia, tendo desenvolvido várias ações nesse sentido, como o primeiro Drive-Thru Livreiro do mundo em que ofereceu (não vendeu, ofereceu) livros e concurso Contos da Quarentena dirigido a autores de todo o mundo não publicados.

Não podemos deixar que o fim anunciado (e sentido) da pandemia signifique também o fim desse olhar para o Livro como bem de primeira necessidade. Nunca como agora se discutiu tanto a saúde mental, nunca como agora ela foi tão importante, talvez nunca como agora ela tenha estado tanto em causa.

Em Bruxelas, a Cidade está a ultimar a implementação de uma medida que vai permitir aos médicos receitarem visitas guiadas a museus. A medida tem o duplo mérito de considerar a arte como parte importante do processo de cura de doenças mentais, e de ajudar a revitalizar os museus, que a pandemia da Covid19 afetou, igualmente, em grande medida.

Também em Portugal toda a área cultural foi fortemente afetada. As Livrarias, em particular, foram um dos sectores mais dizimados.

Porque os Livros são um alicerce insubstituível de sanidade mental, a Livraria Lello, enquanto casa do Livro, dos Autores e dos Leitores, apela publicamente aos nossos políticos e à Assembleia da República que se inspirem em Bruxelas e que permitam que os médicos portugueses receitem, sempre que o entendam útil à saúde mental dos seus pacientes, o singelo Livro. Não um Livro com autor e título, mas “um” Livro que possa ser livremente escolhido pelo paciente que é leitor e aconselhado pelo verdadeiro farmacêutico que é o Livreiro nessa farmácia que também são as Livrarias.

Defendemos consequentemente que essa receita possa ser fiscalmente tratada como despesa de saúde que efetivamente é, considerando-a também como dedutível nas despesas de saúde em sede de IRS e comparticipando a aquisição do Livro como medicamento para a alma que é e sempre foi. 
 
Estando o país em período prévio de negociação e votação orçamentais, a Livraria Lello acredita que esta é uma oportunidade imperdível para os deputados que nos representam dizerem aos cidadãos como efetivamente se preocupam com a sua saúde mental, e que o Livro, além de um bem de primeiríssima necessidade, é também um bem de primeiríssima sanidade. 
 
Porque a melhor receita passa sempre por um livro; Um Livro, pela sua Saúde!

A Administração da Livraria Lello

(Aurora Pedro Pinto)

 

Leia a carta aqui.
 
 

MIBE | Formação para as literacias

 




Imagem: alunos do 7º C, na Biblioteca


Os alunos os 7º C estiveram hoje na biblioteca, acompanhados da professora de Português, Dra. Elza Pinto.

Nos primeiros 45 minutos, participaram numa sessão de utilizadores. Para além de ficarem a conhecer as valências da Biblioteca, os recursos e as regras de funcionamento, tiveram oportunidade de conhecer um pouco da história da escola e de contactar de perto com documentos seculares, nomeadamente textos produzidos por antigos alunos, datados de 1879, e a adaptação à ópera de Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, o Patrono.

Nos segundos 45 minutos, depois de se familiarzarem com os canais de comunicação digital da Biblioteca, realizaram uma sessão de formação para as literacias, respondendo ao desafio que lhes foi colocado neste blogue. 

Os resultados podem ser consultados neste Wakelet: