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terça-feira, 25 de abril de 2017

As canções de abril (7)





O charlatão





O Charlatao

Compositor: José Mario Branco



uma rua de má fama
faz negócio um charlatão
vende perfumes de lama
anéis d'ouro a um tostão
enriquece o charlatão

No beco mal afamado
as mulheres não têm marido
um está preso, outro é soldado
um está morto e outro f'rido
e outro em França anda perdido

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Na ruela de má fama
o charlatão vive à larga
chegam-lhe toda a semana
em camionetas de carga
rezas doces, paga amarga

No beco dos mal-fadados
os catraios passam fome
têm os dentes enterrados
no pão que ninguém mais come
os catraios passam fome

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Na travessa dos defuntos
charlatões e charlatonas
discutem dos seus assuntos
repartem-s'em quatro zonas
instalados em poltronas

Pr'á rua saem toupeiras
entra o frio nos buracos
dorme a gente nas soleiras
das casas feitas em cacos
em troca d'alguns patacos

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

Entre a rua e o país
vai o passo dum anão
vai o rei que ninguém quis
vai o tiro dum canhão
e o trono é do charlatão

É entrar, senhorias
a ver o que cá se lavra
sete ratos, três enguias
uma cabra abracadabra

É entrar, senhorias
É entrar, senhorias
É entrar, senho...


As canções de abril (6)







Livre



O poema "Livre" (não há machado que corte), de Carlos de Oliveira, musicado e interpretado por Manuel Freire, era facilmente memorizado. Por aqueles dias da revolução, qualquer pretexto servia para ser cantado.










Livre (não há machado que corte)
Música e interpretação de Manuel Freire
Poema de Carlos de Oliveira
  

Não há machado que corte 
a raíz ao pensamento [bis] 
não há morte para o vento 
não há morte) [bis]

Se ao morrer o coração 
morresse a luz que lhe é querida [bis] 
sem razão seria a vida 
sem razão [bis] 

Nada apaga a luz que vive 
num amor num pensamento [bis] 
porque é livre como o vento 
porque é livre [bis]