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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Formação | Fake News

 

Hoje, à tarde, os alunos do 9º D estiveram na Biblioteca, acompanhados pelo professor Pedro Oliveira, para assistir a uma sessão de formação sobre Fake News, orientada pela professora Adelaide Jordão.



Capa do jornal Correio da Manhã de 11 de junho de 2005.



O documentário "Era uma vez um arrastão", de 1 de julho de 2005, disponibilizado na plataforma MILD constituiu o ponto de partida para a discussão em torno das Fake News, nomeadamente:
  • Até que ponto um erro numa notícia pode afetar a credibilidade de um órgão de comunicação social? 
  • Que objetivos poderão estar por detrás da criação de notícias falsas?






"A 10 de junho de 2005, a Agência Lusa noticiou que um grupo de 500 jovens tinha roubado e agredido banhistas na Praia de Carcavelos. A história, que passaria a ser conhecida como arrastão (nome dado a este tipo de ação violenta no Brasil), abriu os telejornais, com fotografias, testemunhos de polícias, de políticos e de uma testemunha ocular, tendo gerado uma onda noticiosa em televisões, jornais e rádios, que se manteve ao longo de duas semanas.

Houve espaço para discutir segurança, emigração, racismo e bairros problemáticos, mas não para confirmar os factos. Na verdade, o arrastão não ocorreu, como mostrou a investigação da jornalista Diana Andringa, no documentário Era uma vez o arrastão (1 de julho de 2005).


Acreditas nas notícias?. (2020). Retrieved 15 December 2021, from https://mild.rbe.mec.pt/acreditas-nas-noticias/




sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Fake-News | Quiz verdade ou mentira

 

Jogo pedagógico de combate à desinformação






quarta-feira, 21 de outubro de 2020

O que são notícias falsas?

 

As notícias falsas são tão velhas quanto a própria humanidade. 

Saiba mais sobre a história das notícias falsas e os desafios no presente...





sexta-feira, 4 de setembro de 2020

A desinformação online funciona, ou assim parece




Corrupção, Engano, Decepção, Eufemismo, Notícias Falsas



A desinformação online funciona, ou assim parece. Uma das estatísticas mais interessantes das eleições gerais de 2019 no Reino Unido foi que 88% dos anúncios publicados nas redes sociais pelo Partido Conservador divulgaram números que já tinham sido considerados enganosos pela principal organização de verificação de fatos do Reino Unido, Full Fact. E, é claro, os conservadores venceram a eleição por uma margem confortável. 

Empresas de internet como o Facebook e o Google estão a tomar algumas medidas para limitar a desinformação política. Mas com Donald Trump a tentar a reeleição em 2020, parece provável que veremos tantas declarações falsas ou enganosas online este ano como no passado. A internet, e as redes sociais em particular, tornaram-se efetivamente um espaço em que qualquer pessoa pode divulgar qualquer que seja a sua preferência, independentemente de sua veracidade. 

No entanto, até que ponto as pessoas realmente acreditam no que leem online e que influência a desinformação realmente tem? Pergunte diretamente às pessoas e a maioria dirá que elas não confiam nas notícias que veem nas redes sociais. E um estudo de referência em 2019 encontrou 43% dos utilizadores de redes sociais que partilham conteúdos imprecisos. Portanto, as pessoas certamente estão cientes, em princípio, de que a desinformação é comum online

Mas pergunte às pessoas onde tomaram conhecimento dos “factos” que sustentam as suas opiniões políticas, e a resposta geralmente será as redes sociais. Uma análise mais complexa da situação sugere que, para muitas pessoas, a fonte de informação política é simplesmente menos importante do que o modo como ela se ajusta às suas visões existentes. 

Pensamento falso 

Pesquisas sobre o referendo do Brexit do Reino Unido e as eleições gerais de 2017 revelaram que eleitores frequentemente confessavam que tomavam as suas decisões com base em argumentos altamente espúrios. Por exemplo, um eleitor argumentou que o Brexit impediria a aquisição da rua britânica por empresas estrangeiras como a Costa Coffee (que era britânica na época). Da mesma forma, um eleitor do Permanecer falou de deportações em massa de qualquer residente não nascido no Reino Unido se o país deixasse a UE, uma política muito mais extrema do que qualquer medida realmente apresentada pelos políticos durante a campanha. 

Durante a eleição de 2017, várias reivindicações foram feitas pelos entrevistados que questionaram injustamente a humanidade da líder conservadora Theresa May. Por exemplo, alguns argumentaram falsamente que ela promulgou leis que levavam à colocação de revestimentos inflamáveis ​​no exterior da Grenfell Tower, o bloco de apartamentos de Londres que pegou fogo em junho de 2017, matando 72 pessoas. Outros chamavam o seu oponente trabalhista Jeremy Corbyn de simpatizante do terrorismo ou vítima de uma conspiração para desacreditá-lo pelas elites militar e industrial. O ponto comum era que esses eleitores obtiveram as informações para apoiar seus argumentos nas redes sociais. 


Fantoche, Política, Gaiola, Ocultistas, Oculto, Mão
Imagem: Pixabay



Como explicamos o aparente paradoxo de saber que as redes sociais estão cheias de informações erradas e ainda assim dependermos delas para formar opiniões políticas? Precisamos de examinar mais amplamente o que ficou conhecido como ambiente pós-verdade. Isso envolve um ceticismo de todas as fontes oficiais de notícias, uma confiança nas crenças e preconceitos existentes formados a partir de preconceitos profundamente arraigados e uma busca por informações que confirmem o viés em oposição ao pensamento crítico. 

As pessoas julgam as informações com base em juízos pessoais sobre credibilidade, em vez de se apoiarem em evidências. A socióloga Lisbet van Zoonen chama isso substituição da epistemologia - a ciência do conhecimento - pela "i-pistemologia" - a prática de fazer julgamentos pessoais. 

A falta de confiança nas fontes da elite, em particular políticos e jornalistas, não explica completamente essa rejeição em larga escala do pensamento crítico. Mas a psicologia pode fornecer algumas respostas em potencial. Daniel Kahneman e Amos Twersky desenvolveram uma série de experiências que exploraram sob que condições os seres humanos têm mais probabilidade de tirar conclusões precipitadas sobre um tópico específico. Eles argumentam que a inteligência tem pouco impacto em fazer julgamentos mal informados. 

Os testes de inteligência demonstram a capacidade de executar o raciocínio lógico, mas não podem prever que ele será executado a cada momento que for necessário. Como argumentei, precisamos de entender o contexto das decisões das pessoas.


 
    Toda a gente quer a sua atenção. Andrew E Jardineiro / Shutterstock



O eleitor indeciso médio é bombardeado com argumentos de líderes políticos, especialmente em lugares marginais ou em estados que podem fazer a diferença no resultado de uma eleição. Todo o político oferece uma conta redigida das políticas dos seus oponentes. E os eleitores sabem que cada um desses políticos está a tentar convencê-los e, portanto, mantêm um ceticismo saudável. 

O eleitor médio também tem uma vida agitada. Ele tem um emprego, talvez uma família, contas a pagar e centenas de questões urgentes para resolver na sua vida diária. Ele conhece a importância de votar e de tomar a decisão certa, mas luta para navegar pela comunicação eleitoral contestada que recebe. Ele quer uma resposta simples para esse velho dilema, quem mais ou menos merece o meu voto. 

Portanto, em vez de conduzir uma análise crítica sistemática de todas as evidências que encontrarem, eles procuram questões específicas que consideram uma barreira entre os políticos concorrentes. É aqui que as notícias falsas e a desinformação podem ser poderosas. Por mais que gostemos de pensar que somos bons em detectar notícias falsas e ser céticos em relação ao que nos dizem, somos finalmente suscetíveis a qualquer informação que torne mais fácil tomar uma decisão que pareça correta, mesmo que a longo prazo possamos estar errados. 

Darren Lilleker. Provavelmente é mais suscetível à desinformação do que pensa, The Conversation, 10 de janeiro de 2020


Contra as notícias falsas


 

As notícias falsas são um problema que ameaça as próprias raízes da democracia moderna. No entanto, não existe uma solução fácil ou simples. (1)

Existem muitos incentivos para divulgar informações falsas. As nações costumam promover notícias falsas como parte de campanhas de desinformação para promover agendas políticas. Os lucrativos geram notícias falsas e distribuem-nas amplamente para obter receitas de publicidade. O design de plataformas de media social online permite - e muitas vezes incentiva - a ampla distribuição de notícias falsas. O resultado é uma quantidade significativa de desinformação que atravessa o panorama mediático mundial.

A pesquisa sobre o impacto das notícias falsas é esparsa. Embora a pesquisa sobre propaganda remonte há décadas atrás, as notícias falsas modernas costumam ser disseminadas por meio de redes sociais online e vêm mais claramente sob o disfarce de “notícias”, o que as torna diferentes da propaganda estatal.

Além do mais, as novas tecnologias podem frequentemente piorar o problema. Por exemplo, os bots invadem cada vez mais as redes sociais, muitas vezes amplificando notícias falsas - como mensagens. Um estudo estima que 9 a 15 por cento dos usuários do Twitter são bots e, pelo menos algumas pesquisas sugerem, desempenham um papel fundamental na amplificação de notícias falsas. (2)

As notícias falsas têm outros custos: os grandes media e os sites de verificação precisam de tempo para desmascarar a última mentira viral. Os académicos também suspeitam que relatos conflitantes entre veículos de notícias falsas e veículos de notícias reais podem levar ao ceticismo ou ao desligamento de todos os media, tanto falsos quanto legítimos.

A proliferação de notícias falsas também ocorre num momento em que a confiança em fontes de notícias legítimas atingiu níveis históricos. (3) Apenas 32 por cento dos americanos dizem que têm “muita” ou “uma quantidade razoável” de confiança nos media para relatar as notícias “de forma completa, justa e precisa”, que é a menor quantidade já documentada. (4)

Outro medo é que a combinação de notícias falsas e redes sociais online, pelo menos da maneira como funcionam atualmente, produza altos níveis de extremismo. Como as redes sociais querem prender a atenção dos utilizadores, elas costumam sugerir materiais de que os utilizadores podem gostar, com base no que já viram. As demonstrações com o YouTube sugerem que seguir apenas os vídeos sugeridos leva rapidamente a um conteúdo cada vez mais extremo. (5)

Dada essa dinâmica, as notícias falsas apresentam riscos claros para a democracia.(6) Os governos democráticos dependem de eleitores bem informados, embora as eleições em todo o mundo tenham sido abaladas por campanhas de desinformação. Muitos países ocidentais acusaram a Rússia, por exemplo, de usar notícias falsas para atrapalhar eleições, e atores políticos usaram notícias falsas para promover as suas agendas em vários países, incluindo Mianmar, Filipinas e Indonésia. (7)

Informações falsas e a manipulação dos media sempre estarão connosco. Mas as mudanças na tecnologia - e no consumo dos media - tornaram mais difícil para os cidadãos detetar informações fracas e tornaram a influência das notícias falsas mais nociva e disseminada. (8)




Então, o que pode ser feito? O que deveria ser feito?

Este relatório tem como objetivo responder a essas perguntas e baseia-se em análises da literatura, entrevistas com especialistas, avaliações de sites de estados e a nossa própria pesquisa independente conduzida com milhares de indivíduos por meio de uma plataforma online.

As nossas principais descobertas demonstram que:

Intervenções simples - como ler um artigo sobre como localizar fontes ilegítimas de informação - podem ajudar as pessoas a identificar notícias falsas.

A Reboot Foundation conduziu experiências que demonstram que as pessoas podem tornar-se melhores na identificação de notícias falsas. Especificamente, a nossa equipa de pesquisadores examinou a eficácia de três intervenções curtas que visavam melhorar a capacidade das pessoas de distinguir notícias falsas e legítimas.

Descobrimos que os participantes que assistiram a um vídeo curto ou leram um artigo descrevendo como determinar se uma notícia é legítima ou não, identificaram notícias falsas em taxas mais altas do que antes da intervenção. Curiosamente, depois de os participantes terem participado num jogo em que foram solicitados a moderar um feed de notícias, a sua capacidade de discernir notícias falsas não aumentou. (9)

Simplesmente consciencializar as pessoas sobre o problema das campanhas de desinformação pode ser suficiente para torná-las mais criteriosas a curto prazo. No entanto, essa descoberta levanta a ideia tentadora de usar intervenções simples para ensinar as pessoas a serem consumidores de notícias mais experientes. Pesquisas futuras devem explorar a eficácia dessas abordagens.

A crise das notícias falsas é, em última análise, uma crise de literacia mediática, e mais de um terço dos alunos afirmam raramente aprender habilidades essenciais de literacia mediática, como julgar a fiabilidade de uma fonte.

Embora o recente aumento de notícias falsas seja possibilitado por empresas de tecnologia, em última análise são os indivíduos que partilham - e são expostos a - notícias falsas. (10)

Uma parte crucial da solução para combater as notícias falsas é aumentar a capacidade das pessoas de identificar informações falsas ou fracas. Mais deve ser feito para ensinar as pessoas a avaliar criticamente as fontes de notícias e as táticas comuns de fornecedores de notícias falsas.

Mas a nossa pesquisa revelou que mais de um terço dos alunos do ensino básico nos EUA dizem que “raramente” ou “nunca” aprendem a julgar a fiabilidade das fontes. Analisamos os dados da pesquisa da Avaliação Nacional do Progresso Educacional, também conhecida como “Cartão de Relatório da Nação”, e analisamos as respostas dos alunos do oitavo ano e perguntas sobre instrução e instrução em tecnologia . Também descobrimos que mais de um quinto dos alunos do ensino básico nos Estados Unidos relatam que “raramente” ou “nunca” aprendem como dar o devido crédito às ideias dos outros. (11)

A boa notícia é que o interesse por programas de educação para os media está a crescendo.(12) Várias organizações estão a fazer lobby por programas de educação para os media e também fornecem currículos, ferramentas e outros recursos para as escolas.




Fighting Fake News - Lições das guerras de informação. Reboot-Elevanting critical Thinking, 6 de novembro de 2019




terça-feira, 17 de março de 2020

Literacia mediática na era das notícias falsas





Media Literacy in an Age of Fake News - Prepare your users for the pitfalls of misinformation
Por George M. Eberhart | 1 de novembro de 2019. American Libraries, 2019



Após vários anos de notícias falsas e eventos alternativos, a literacia mediática continua a ser um desafio. O Relatório de Aprendizagem e Prototipagem de 2018 mostrou que os consumidores de notícias pensam que são melhores em liyeracia dos media do que realmente são. Como é que as bibliotecas podem ajudar a fechar essa lacuna e ajudar as suas comunidades a serem informadas?

Os bibliotecários podem garantir que os usuários tomem decisões informadas nas eleições locais e nacionais, ajudando-os a pensar criticamente. Bibliotecas de todos os tipos podem promover a literacia dos media, fornecendo brochuras, Guias, treino e programas sobre como diferenciar a realidade online da ficção. Os seguintes recursos podem ajudar.

The National Association for Media Literacy Education (A Associação Nacional para Educação em Litercaia Mediática), uma organização sem fins lucrativos com sede na cidade de Nova York, define literacia dos media como a “capacidade de aceder, analisar, avaliar, criar e agir usando todas as formas de comunicação”, incluindo "Tecnologias com as quais nem sonhamos ainda." Fornece guias para educadores e pais, planos de aula e recursos eleitorais.

O Center for Media Literacy, com sede na Califórnia, oferece o MediaLit Kit para ajudar os educadores a criar programas instrucionais de literacia dos media em todas as disciplinas e séries.

Entre 2017 e 2018, a American Library Association (ALA) estabeleceu uma parceria com o Center for News Literacy (CNL) da Escola de Jornalismo da Universidade Stony Brook University (Nova York) em torno do programa piloto "Media Literacy at Your Library" (Literacia mediática na sua biblioteca), um programa piloto que treinou os trabalhadores da biblioteca para ajudar os adultos a tornarem-se melhores consumidores de notícias. O  Learning and Prototyping Report (Relatório de Aprendizagem e Prototipagem) acima mencionado mostra como cinco bibliotecas públicas dos EUA usaram o currículo de literacia dos media do CNL para desenvolver programas públicos adaptados às suas comunidades. Entre as descobertas dessas bibliotecas: o público jovem e marginalizado foi o mais difícil de alcançar, e os esforços futuros poderão ser mais eficazes se os programas forem apresentados em espaços mais acessíveis a esse público.

Embora o programa tenha terminado, o Escritório de Programas Públicos da ALA recebeu uma doação de US $ 249.378 do Instituto de Serviços de Museus e Bibliotecas para convocar um grupo de bibliotecários, educadores e jornalistas que irão criar um guia para profissionais de educação em literacia dos media. Mais detalhes serão conhecidos até o final do ano.

Em julho, a RAND Corporation publicou uma pesquisa sobre a eficácia do treino em literacia dos media nas salas de aula das escolas, Exploring Media Literacy Education as a Tool for Mitigating Truth Decay (Explorando a literacia dos media como uma ferramenta para mitigar o declínio da verdade). Os pesquisadores descobriram que as habilidades de literacia dos media são definidas e avaliadas incoerentemente em todas as disciplinas, dificultando a avaliação dos resultados. No entanto, a pesquisa oferece um apêndice separado num arquivo ZIP com uma lista completa de cursos, programas e outros recursos, organizados por instituição.

Um curso de acesso aberto - desenvolvido pelo biólogo Carl Bergstrom da Universidade de Washington e pelo cientista da informação Jevin West - recebeu atenção nacional. Intitulado " Calling Bullshit", o curso oferece um programa de estudos, vídeos, ferramentas, estudos de caso e uma série de perguntas frequentes para educadores que desejam adaptá-lo. Bergstrom e o Ocidente definem "mentira" como "linguagem, figuras estatísticas, gráficos de dados e outras formas de apresentação destinadas a convencer, a impressionar e impressionar um leitor ou ouvinte, com um flagrante desrespeito à verdade e coerência lógica".

No centro de toda a educação para os media, o objetivo é ajudar crianças, adolescentes e adultos a reconhecer alegações enganosas on-line e noutros media. Embora muitas vezes sejam chamadas de notícias falsas, a desinformação pode assumir várias formas. Em 2016, Melissa Zimdars, professora assistente de estudos de media no Merrimack College em North Andover, Massachusetts, e coautora de Fake News: Entendendo is media e  a desinformação na era digital (MIT Press, 2020), identificou diversas categorias de sites para seus alunos que contêm informações suspeitas, incluindo fontes que:
  • falsificam informações de propósito ou distorcem as notícias 
  • enviam opiniões como factos 
  • são baseados em teorias da conspiração refutadas 
  • tráfego de crédito não verificado 
  • consistem em propaganda patrocinada pelo estado 
  • promovem racismo, misoginia ou homofobia 
  • usam títulos ou imagens exagerados ou enganosos, como “clickbait 

Uma pesquisa do Pew Research Center de 2018 indica que os americanos tendem a rotular as declarações com as quais concordam como factuais e aquelas com as quais discordam como opiniões. Um estudo realizado em 2019 por psicólogos da Ohio State University sugere que as pessoas fazem uma distinção entre fontes desonestas e tendenciosas. Os pesquisadores descobriram que mesmo as notícias verdadeiras, quando relatadas por uma fonte considerada tendenciosa, tendem a perder credibilidade.

Deteção de informações erradas

Como identificar notícias falsas. Uma fonte amplamente usada para detectar vieses, " How to Spot Fake News ", de Eugene Kiely e Lori Robertson, foi publicada em novembro de 2016 pelo FactCheck.org, um projeto do Annenberg Public Policy Center. Um infográfico da Federação Internacional de Associações e Bibliotecas de Bibliotecas ( gratuito em vários idiomas ) resume as oito técnicas mencionadas no artigo para avaliar fontes de notícias. Em 2016, a Finlândia  tornou-se um dos primeiros países europeus a ter um sistema educacional que enfatiza formalmente o pensamento crítico e a capacidade de reconhecer informações incorretas.

Informações enganosas costumam ser difíceis de combater, porque memes virais geralmente traduzem-se noutros idiomas, atravessam fronteiras nacionais e plataformas de salto, de acordo com Daniel Funke, escritor do site de jornalismo Poynter. Cientistas da informação da Universidade de Indiana em Bloomington, em 2017, verificaram que robôs e algoritmos sociais eram responsáveis ​​por espalhar histórias virais - algumas falsas, outras reais - através do Twitter.

Para complicar ainda mais, as acusações de conspiração já não são baseadas na teoria da conspiração real. Russell Muirhead e Nancy L. Rosenblum escrevem em A lot of people are saying (Universidade de Princeton, abril) que as explicações factuais foram substituídas por insinuações: “Não há demanda meticulosa por evidências, acumulação exaustiva de evidências ou pontos revelados para formar um padrão." Em vez disso, o que acontece como autoridade é a afirmação de que "muitas pessoas estão a dizer" alguma coisa.

Uma boa visão geral das notícias falsas para os bibliotecários é "Combating Fake News in the Digital Age " (Combatendo as notícias falsas na era digital), de Joanna M. Burkhardt, Library Technology Reports, vol. 53, n. 8 (novembro / dezembro de 2017). Burkhardt, que frequentemente dá palestras sobre literacia mediática, apresenta uma breve história de notícias falsas que começa com o Império Romano, explica como a desinformação se espalha e sugere métodos proativos que os bibliotecários podem usar para ajudar os alunos a navegar pelo universo da informação. Burkhardt também é autora do Ensino da Informação Informativa Reframed (ALA Neal-Schuman, 2016), que usa a Framework for Information Literacy for Higher Education (Estrutura para alfabetização da informação no ensino superior) como uma ferramenta para projetar exercícios em sala de aula sobre media e outras literacias.

Fake News and Alternative Facts (Notícias falsas e factos alternativos), de Nicole A. Cooke, no relatório especial da ALA Notícias falsas e fatos alternativos (Edições da ALA, 2018), oferece dicas para criar um plano de aula que ajude estudantes universitários e adultos a avaliar os meios de comunicação. A segunda edição de Belinha S. De Abreu do Teaching Media Literacy (Ensinar Literacua dos Media) (ALA Neal-Schuman, 2019) reúne 15 bibliotecários e professores para comentar questões sobre media e literacia digital. Ela também oferece seis lições prontas para ensinar, um glossário e uma cronologia dos marcos da literacia mediática. Information Literacy and Libraries in the Age of Fake News (Literacia da informação e bibliotecas na era das notícias falsas), editado por Denise E. Agosto (Libraries Unlimited, 2018), é outro excelente resumo da história dos media e da pesquisa para combater a desinformação.

Por fim, os interessados ​​nas raízes históricas do atual clima político controverso podem ler “The Lie Factory: How Politics Became a Business (A Fábrica de Mentiras: Como a Política se Tornou um Negócio), pela historiadora Jill Lepore, na edição de 24 de setembro de 2012 do The New Yorker. Lepore escreve sobre Clem Whitaker, Leone Baxter e seu grupo de consultoria Campaigns Inc. que eles lançaram na década de 1930. “Whitaker e Baxter não estavam apenas a inventar novas técnicas; eles estavam a escrever um livro de regras ”, ele argumenta. Esse livro de regras, esboçado no discurso de Whitaker antes do Capítulo de Los Angeles da Sociedade de Relações Públicas dos Estados Unidos, em 13 de julho de 1948, contém conselhos que se tornaram comuns nas campanhas políticas do século XXI, entre os quais se incluem: "torne isso pessoal", "finja que você é a voz do povo", "ataque, ataque, ataque e ataque" e "diga a mesma coisa repetidamente".

Fonte:
La alfabetización mediática en la era de noticias falsas, Universo Abierto, 5 de novembro de 2019 (tradução da nossa responsabilidade, A. J.)


MISINFOVID-19



A desinformação é perigosa!
Avalie bem as fontes de informação nas redes sociais!



Cartoon: @cartoonistzach


sábado, 4 de janeiro de 2020

As novas gerações precisam de valorizar a imprensa





Por Mariana Mandelli e Isabella Galante




Termos como “fake news” precisam de ser desconstruídos na escola



Imagem de Davie Bicker por Pixabay




2019 é o ano em que a internet completa 50 anos. É pouquíssimo tempo quando paramos para pensar na dimensão do impacto que ela teve e tem na nossa vida.

Em apenas cinco décadas, todas as relações sociais, nas mais diversas esferas, sofreram mutações profundas, que redimensionaram as formas como lidamos e olhamos o mundo. 

Não é diferente quando observamos as mudanças profundas pelas quais passaram os veículos de comunicação e informação. Se há alguns anos precisávamos de esperar o dia seguinte para saber os detalhes de um evento importante, impressos nas páginas de jornais e revistas após serem apurados, escritos e editados por grandes redações, hoje acompanhamos o desenrolar dos fatos praticamente em tempo real. 

Na chamada Era da Informação, jornalista e leitor/telespectador vivenciam os acontecimentos ao mesmo tempo, e é possível encontrar uma infinidade de conteúdos nas redes sociais que não passaram pelo crivo de um repórter ou editor profissional – como um vídeo no WhatsApp, por exemplo, filmado por alguém que estava próximo de um acidente. Ou seja: a digitalização dos meios permitiu que todo nós nos transformassemos em produtores e consumidores de conteúdos, e a fusão desses dois papéis agravou a crise na qual a imprensa tradicional já se encontrava. 

Entretanto, é consensualmente aceite que o imediatismo aprofunda a desinformação, uma vez que, no processo de disseminação de dados, circulam mentiras, boatos e invenções, que se propagam por redes sociais e aplicativos numa velocidade exponencialmente maior. Tais conteúdos são popularmente chamados de “fake news”, termo bastante problemático e que vem sendo criticado por especialistas por ser amplamente usado, sem nenhum critério.

A priori, se algo é “fake”, não pode ser “news”. Tecnicamente, não existe notícia falsa, visto que textos noticiosos têm autores e devem prezar por serem objetivos e equilibrados, apresentando evidências e citando especialistas.

O que se convencionou chamar de “fake news” são, portanto, inverdades e fabricações espalhadas com intenções altamente questionáveis para contribuir para a onda de desinformação em que vivemos.

Além disso, não é porque não concordamos com algo que esse conteúdo é falso, já que opiniões não podem ser confundidas com factos, jamais!

O trabalho do jornalista profissional consiste em pesquisar, procurar fontes, entrevistar, confirmar, editar, hierarquizar e, finalmente, divulgar o ocorrido ao público, seja num site, numa rádio, num jornal, numa revista ou numa emissora de televisão. Um conteúdo jornalístico deve seguir padrões éticos e de confiabilidade mas, ainda assim, como qualquer profissão humana, tal atividade é suscetível a erros, que prejudicam a tão almejada objetividade. 

Ao usarmos o termo “fake news”, que é bastante diferente de um erro de reportagem propriamente dito, estamos a deslegitimar o trabalho da imprensa profissional – e o processo de descrença nessa instituição tão importante para a democracia é um sério risco. 

É preciso recuperar o senso comum de que o chamado “quarto poder” sustenta e fortalece a cidadania e os regimes democráticos à medida que assegura o direito à informação.

Nesse sentido, a escola tem papel fundamental, sendo que o campo jornalístico mediático é parte importante da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no que se refere ao ensino e aprendizagem da língua portuguesa.

Preparar as crianças e os jovens para aprender com senso crítico e responsabilidade no século 21 exige que elas saibam ler, escrever e interpretar diversos textos mediáticos, podendo valorizar fontes confiáveis, diferenciar géneros e questionar informações duvidosas. Educação mediática é justamente isso: saber filtrar e dar sentido ao grande fluxo de informação para podermos participar ativamente da sociedade.

Cidadãos mais críticos são menos vulneráveis à manipulação e à desinformação, podendo tomar decisões mais conscientes na hora de se informar. Só assim poderemos lidar de maneira mais crítica, ética e responsável com os próximos 50 anos de internet – e com as grandes transformações que nos aguardam.


Referência:
Mariana Mandelli e Isabella Galante. As novas gerações precisam de valorizar a imprensa. Educamídia. 29 de outubro de 2019. Disponível em: https://educamidia.org.br/as-novas-geracoes-precisam-valorizar-a-imprensa. Acedido em: 4 de janeiro de 2020

sábado, 7 de dezembro de 2019

Desinformação | Uma abordagem multidisciplinar









Download do relatório


Em janeiro de 2018, a Comissão Europeia criou um grupo de especialistas ("o HLEG") para aconselhar sobre iniciativas políticas de combate às notícias falsas e desinformação difundidas online. O principal resultado do HLEG foi um relatório elaborado para rever as melhores práticas à luz dos princípios fundamentais e respostas adequadas decorrentes desses princípios.

A análise apresentada no relatório parte do entendimento partilhado da desinformação como um fenómeno que vai muito além do termo "notícias falsas". A desinformação, conforme definida neste Relatório, inclui todas as formas de informações falsas, imprecisas ou enganosas, projetadas, apresentadas e promovidas para causar intencionalmente dano público ou lucro. Não abrange questões decorrentes da criação e disseminação online de conteúdo ilegal (nomeadamente difamação, incitação ao ódio, incitação à violência), que estão sujeitas a medidas regulamentares sob as leis da UE ou nacionais, nem outras formas de distorção deliberada, mas não enganosa, dos factos veiculados pela sátira e pela paródia.

O HLEG aconselha a Comissão contra soluções simplistas. Qualquer forma de censura pública ou privada deve ser claramente evitada. As recomendações do HLEG visam fornecer respostas de curto prazo aos problemas mais prementes, respostas de longo prazo para aumentar a resiliência da sociedade à desinformação e uma estrutura para garantir que a eficácia dessas respostas seja avaliada continuamente, enquanto novas respostas baseadas em evidências estão a ser desenvolvidas.

A abordagem multidimensional recomendada pelo HLEG é baseada em várias respostas interligadas e que se reforçam mutuamente. Essas respostas baseiam-se em cinco pilares projetados para: 
  • aumentar a transparência das notícias online, envolvendo uma partilha de dados adequada e compatível com a privacidade sobre os sistemas que permitem sua circulação online; 
  • promover a literacia dos media e da informação para combater a desinformação e ajudar os utilizadores a navegar no ambiente de media digital; 
  • desenvolver ferramentas para capacitar utilizadores e jornalistas a combater a desinformação e promover um envolvimento positivo com as tecnologias da informação em rápida evolução; 
  • salvaguardar a diversidade e a sustentabilidade do ecossistema europeu dos meios de comunicação;
  • promover a continuação da pesquisa sobre o impacto da desinformação na Europa para avaliar as medidas adotadas por diferentes atores e ajustar constantemente as respostas necessárias. 





quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Saber reconhecer fake-news













A Internet e todos os meios que temos ao nosso dispor, fazem com que tenhamos acesso a todo o tipo de notícias e conteúdos. São tantos que às vezes podemos sentir que a informação é excessiva, ou melhor, que não sabemos como trabalhá-la e conseguir os dados de que realmente necessitamos.


Para os mais jovens, compreender que é útil e que é imprescindível pode ser ainda mais complexo. Por isso devemos ajudá-los a compreender como identificar as notícias falsas.



 Saber+


sábado, 12 de outubro de 2019

As promessas, os desafios e o futuro da literacia mediática



Por Monica Bulger e Patrick Davison


O Relatório As promessas, os desafios e os futuros da literacia mediática aborda o problema das “fake-news” avaliando os sucessos e fracassos dos esforços recentes de literacia dos media.




ExecutiveSummary........................................................3 
Introduction................................................................... 5 
What Is Media Literacy? ............................................... 7 
How Media Literacy Helps .......................................... 12 
How Media Literacy Can Fail........................................15 
Future Of Media Literacy .............................................18 
Open Questions.............................................................21 
Acknowledgments.........................................................22 
Endnotes.......................................................................22 
References....................................................................26





Os programas contemporâneos de literacia mediática - geralmente organizados em torno dos cinco temas principais: participação dos jovens, formação docente e recursos curriculares, apoio dos pais, iniciativas políticas e construção de bases de evidências - demonstraram resultados positivos, particularmente no caso de respostas rápidas a eventos de notícias de última hora, conectando o pensamento crítico à mudança de comportamento e avaliando o conteúdo partidário. No entanto, os esforços de literacia mediática continuam a lutar com a falta de dados de avaliação abrangentes, com algumas pesquisas que mostram que os programas podem ter pouco ou nenhum impacto em determinados materiais ou até levar a um excesso de confiança prejudicial na avaliação do conteúdo dos media.

Os autores do relatório, Monica Bulger e Patrick Davison, fazem cinco recomendações para orientar o futuro da programação de literacia dos media para educadores, legisladores, tecnólogos e filantropos no espaço. Especificamente, eles alertam contra o tratamento da literacia dos media como uma panaceia - particularmente num momento em que recursos significativos continuam a ser direcionados para programas de literacia mediática como contrapeso às “fake-news”.

O relatório recomenda as seguintes abordagens:

Desenvolver uma compreensão coerente do ambiente dos media: Com novas tecnologias e novas técnicas retóricas, os programas existentes devem ser atualizados.

Melhorar a colaboração interdisciplinar: a literacia mediática é vista como um campo pedagógico restrito. Mas o trabalho de outras disciplinas - psicologia social, ciência política, sociologia - está a produzir novas pesquisas e descobertas que podem beneficiar muito a literacia dos media.

Alavancar a atual crise dos media para consolidar as partes interessadas: A nova atenção às “notícias falsas” poderia permitir uma nova colaboração interdisciplinar e, portanto, maior coerência dentro do campo.

Priorizar a criação de uma base nacional de evidências de literacia dos media: Uma base centralizada e estável de dados de avaliação tornaria possível uma avaliação mais precisa (embora existam muitos desafios políticos em potencial para essa base de evidências).

Desenvolver currículos para abordar ações além da interpretação: Com o aumento do uso das redes sociais, os esforços de literacia precisam de ser capazes de abordar o comportamento do usuário, além da interpretação.

sexta-feira, 11 de outubro de 2019

Alguém falou em fake news?



RTP Ensina




 http://ensina.rtp.pt/artigo/alguem-falou-em-fake-news/?utm_term=Newsletter+-+RTP+Ensina+-+RTP&utm_campaign=RTP+Newsletters&utm_source=e-goi&utm_medium=email







A expressão está na moda e a tomar o lugar da verdade. Fake news são notícias falsas, produzidas para enganar, distorcer, manipular, desinformar. O fenómeno circula na Internet e nas redes sociais a uma velocidade incontrolável. O problema é que as mentiras são tantas vezes repetidas que até parecem verdadeiras e, por isso, difíceis de identificar. Estes conteúdos políticos, comerciais ou outros, que beneficiam os seus autores, representam uma ameaça à informação e à democracia. 

Desconfiar e verificar fontes são passos importantes para combater o inimigo.




domingo, 29 de setembro de 2019

Desinformação e notícias falsas





 




Par mais sugestões de atividades visite o MILD (*)- Manual de instruções para a literacia digital - um portal da Rede de Bibliotecas Escolares que visa desenvolver as competências dos jovens dos 14 aos 18 anos nos domínios da leitura, dos media e da cidadania digitais.


(*) Financiado pela Fundação Calouste Gulbenkian, o projeto foi desenvolvido por uma equipa de trabalho constituída por Maria Teresa Calçada (coordenação), Elsa Conde e Ana Bela Martins. A produção de conteúdos contou com a participação de Alex Martire, António Granado, António Maneira, Daniel Cassany, João Correia de Freitas, Paula Lopes e Vitor Tomé; a conceção e execução da plataforma foi realizada pela EDUCOM - Associação Portuguesa de Telemática Educativa.


Como distinguir facto e ficção online?









Até ao final desta palestra, haverá mais 864 horas de vídeo no YouTube e 2,5 milhões a mais de fotos no Facebook e Instagram. Então, como vamos ordenar este dilúvio? 

No TEDSalon em Londres, Markham Nolan partilha as técnicas de investigação que ele e sua equipa usam para verificar informações em tempo real, para informar se a imagem da Estátua da Liberdade foi manipulada ou se o vídeo descarregado da Síria é legítimo.


quarta-feira, 22 de maio de 2019

Fake News: como detetá-las?


5 passos para detetares notícias falsas








1º passo: Verifica o meio de comunicação

2º passo: Verifica o autor

3ª passo: Verifica as referências

4ª passo: Pensa antes de partilhares

5º passo: Junta-te aos caçadores de mitos

FAKE NEWS: o que é?









Segundo o Urban Dictionary




sexta-feira, 5 de abril de 2019

Da desinformação



Uma reflexão sobre a dimensão, abrangência e problemática em torno da proliferação da desinformação e das falsas narrativas online.





Ficha TécnicaTítulo: A Desinformação—Contexto Europeu e Nacional (Contributo da ERC para o debate na Assembleia da República) 
Edição: ERC—Entidade Reguladora para a Comunicação Social 
Supervisão: Mário Mesquita, Vice-Presidente da ERC 
Coordenação: Marta Carvalho, Técnica do Departamento Jurídico da ERC 
Equipa Técnica: Eulália Pereira e Pedro Puga, Técnicos do Departamento de Análise de Media da ERC Francisco Azevedo, Técnico do Departamento Jurídico da ERC 
Consultores: Rui Mouta, Diretor do Departamento Jurídico da ERC Tânia de Morais Soares, Diretora do Departamento de Análise de Media da ERC 
Data: 4 de abril de 2019








O Conceito de Desinformação 

O presente projeto visa uma reflexão sobre a dimensão, abrangência e problemática em torno da proliferação de desinformação e falsas narrativas online, dentro do quadro legal europeu e nacional, circunscrita, porém, ao quadro de atribuições e competências cometidas à ERC – Entidade Reguladora da Comunicação Social, pelo que importará ter presente que não se almeja abordar exaustivamente todos os potenciais desafios, respostas e propostas que o problema da desinformação coloca. 

O atual ambiente digital, pela profusão de fontes de informação que viabiliza e ampliação do seu potencial de influência à escala global e, simultaneamente, redução da influência dos meios tradicionais, permite que “fake news” e narrativas com objetivos menos claros floresçam. 

Já em 2014, o Fórum Económico e Social apontava a propagação de notícias falsas como uma das dez maiores tendências das sociedades modernas [1] , o que bem se compreende, atendendo aos sucessivos e exponenciais avanços tecnológicos que permitem que a informação se dissemine nas plataformas de comunicação em linha, em especial as redes sociais, com uma escala e rapidez praticamente incontroláveis e com consequências imprevisíveis. 

O problema em análise, que vai da simples divulgação e propagação de notícias falsas às mais organizadas campanhas de desinformação, inclusive levadas a cabo sob a alçada de países terceiros, é suscetível de semear desconfiança nas pessoas e alimentar tensões sociais, chegando, no limite, a representar ameaças à segurança interna, incluindo processos eleitorais, especialmente quando estão envolvidos ciberataques. 

Neste contexto, e sobretudo após as eleições presidenciais americanas de 2016, em cuja campanha eleitoral se verificaram, alegadamente, interferências russas por via cibernética, os meios políticos europeus têm vindo a debater e estudar os efeitos adversos e a desenvolver planos de ação destinados a combater a disseminação de desinformação. Importa, antes de mais, clarificar o conceito de desinformação. 

A expressão amplamente difundida de “fake news” é enganadora, tendo aliás sido inicialmente utilizada para denegrir o trabalho dos meios de comunicação social. Uma notícia, por definição, não é falsa. Falsas são as narrativas que, embora anunciadas como notícias e contendo partes de textos copiados de jornais ou de sites do mesmo género, integram conteúdos ou informações falsas, imprecisas, enganadoras, concebidas, apresentadas e promovidas para intencionalmente causar dano público ou obter lucro. Assim, tais narrativas podem nem sequer conter informação com conteúdo ilegal, como aconteceria se veiculassem discurso do ódio, incitamento à violência, terrorismo, pornografia infantil, a qual está sujeita a remédios regulatórios próprios sob a lei europeia ou nacional, embora sejam potencialmente nocivas para a formação da opinião pública e, por isso, para a sustentação da sociedade democrática.

Por outro lado, no conceito de desinformação também não se incluem outras formas deliberadas mas não enganadoras de distorção dos factos, como a sátira e a paródia.

A União Europeia, em janeiro de 2018, sob a égide da Comissão Europeia, criou um Grupo de Peritos de Alto Nível para aconselhar sobre iniciativas políticas para o combate às «fake news» e desinformação disseminada online tendo em conta o contexto eleitoral para o Parlamento Europeu em maio de 2019 [2].

No relatório elaborado pelos Peritos é evidenciado que a desinformação representa riscos que têm de ser coletivamente combatidos e contidos para total realização do potencial democrático, societário e económico do progresso tecnológico com respeito pela liberdade de expressão e a liberdade de receber e dar informação.

Para melhor delimitação do universo em causa, foi adotado como conceito operacional de desinformação toda a informação comprovadamente falsa ou enganadora que é criada, apresentada e divulgada para obter vantagens económicas ou para enganar deliberadamente o público, e que é susceptível de causar um prejuízo público. O prejuízo público abrange ameaças aos processos políticos democráticos e aos processos de elaboração de políticas, bem como a bens públicos, tais como a proteção da saúde dos cidadãos da UE, o ambiente ou a segurança.

A desinformação não abrange erros na comunicação de informações, sátiras, paródias ou notícias e comentários claramente identificados como partidários e, como já referido, não estão em causa conteúdos ilegais.

Os conteúdos incluem não só informação completamente falsa, mas também informação fabricada, misturando factos e práticas que vão muito além das notícias, de contas automáticas usadas para astroturfing (mascarar a proveniência de mensagens de movimentos políticos alegadamente legítimos), redes de falsos seguidores, vídeos manipulados ou fabricados, comunicações políticas ou comerciais dirigidas, trolling organizado, memes visuais e outros. Pode também envolver um conjunto de comportamentos digitais mais relacionados com a circulação de desinformação do que com a produção, desde o postar, ao comentar, o partilhar, o tweeting e o retweeting, etc.

É imprescindível que qualquer debate ou análise sobre estas matérias garanta o respeito e equilíbrio entre os diferentes direitos e princípios fundamentais, como a liberdade de expressão, o pluralismo, a diversidade e a fiabilidade da informação.

Na Declaração Conjunta das Nações Unidas (ONU), da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE), da Organização dos Estados Americanos (OEA) e da Comissão Africana para os Direitos Humanos e da Mulher (CADHP), sobre «fake news», desinformação e propaganda [3] é sublinhado o potencial da desinformação e da propaganda para induzir em erro e interferir com o direito do público de saber, bem como os direitos individuais de procurar, receber e partilhar informação e ideias de todos os tipos, sendo sublinhados, como objetivos a alcançar, com vista a garantir esses direitos sem interferência das autoridades públicas e independentemente das fronteiras, os seguintes:

i) Aumentar a longo prazo a resiliência dos europeus, dotando-os de sentido crítico que permita proactivamente reconhecer várias formas de desinformação.

ii) Assegurar que as respostas à desinformação são sempre atualizadas, o que requer uma monitorização constante da natureza em evolução do problema, da constante inovação na conceção de respostas adequadas e avaliação da sua eficiência.

Na Comunicação dirigida ao Parlamento Europeu, ao Conselho, ao Comité Económico eSocial Europeu e ao Comité das Regiões, subordinada ao tema «Combater a desinformação em linha: uma estratégia europeia» [4], de 26 de abril de 2018, a Comissão manifestou a preocupação da exposição dos cidadãos europeus à desinformação em larga escala, recordando que «[a]s nossas sociedades democráticas e abertas dependem de debates públicos que permitam a cidadãos bem informados expressarem a sua vontade mediante processos políticos livres e justos. Os meios de comunicação têm desempenhado, tradicionalmente, um papel essencial na responsabilização das autoridades públicas e no fornecimento das informações que permitem aos cidadãos formarem as suas próprias opiniões sobre questões sociais e participarem ativa e efetivamente na sociedade democrática. Na Europa, os meios de comunicação tradicionais estão sujeitos a uma vasta gama de regras sobre imparcialidade, pluralismo, diversidade cultural, conteúdos nocivos, publicidade e conteúdos patrocinados. A democracia na União Europeia assenta na existência de meios de comunicação social livres e independentes».

A desinformação mina a confiança nas instituições e nos meios de comunicação tradicionais e digitais e prejudica as nossas democracias ao comprometer a capacidade dos cidadãos de tomarem decisões bem informadas, portanto, a desinformação enfraquece a liberdade de expressão.

A principal obrigação dos intervenientes estatais é a de abster-se de interferir e censurar e garantir um ambiente favorável a um debate inclusivo e pluralista. O conteúdo legal, mesmo que se trate de conteúdo alegadamente nocivo, está geralmente protegido pela liberdade de expressão e deve ser abordado de forma diferente dos conteúdos ilegais, no caso dos quais se pode justificar a remoção do próprio conteúdo.