No passado dia 10 de outubro, a Academia Sueca, com sede em Estocolmo, anunciou, anunciou a atribuição do Prémio Nobel da Literatura 2024 à escritora sul-coreana Han Kang “pela sua intensa prosa poética que confronta traumas históricos e expõe a fragilidade da vida humana”.
Livros da autora traduzidos em Português: Lições de Grego, O Livro Branco, A Vegetariana e Atos Humanos.
Com esta atribuição, as mulheres escritoras atingem os 14,87% na galeria dos prémios Nobel da Literatura.
"O Prémio Nobel da Literatura foi hoje atribuído em Estocolmo a Bob Dylan. O músico norte-americano tornou-se o 113.º escritor a receber o mais cobiçado prémio literário do planeta. «Por ter criado novas formas de expressão poética no quadro da grande tradição da música americana», foi assim que a Academia Sueca justificou a entrega do Nobel ao cantor norte-americano.
É o primeiro norte-americano a ganhar o prémio desde Toni Morrison, em 1993. Mais relevante, porém, é o facto de, depois de vários anos em que o seu nome foi avançado como possível vencedor, a atribuição do Nobel a Dylan servir como legimitação literária da canção popular, de que o cantor de Blowing in the wind é um dos maiores representantes. Não por acaso, Sara Danius, Secretária Permanente da Academia Sueca, reconhecendo que a distinção de alguém cujo ofício é o das canções pode ser controverso, manifestou a esperança de a Academia não ser criticada pela escolha. «The times they are-a changing, perhaps»(«Talvez os tempos estejam a mudar»), afirmou, citando o título de uma das mais famosas canções de Dylan.
Nascido em Dulluth, no Minnesota, a 24 de Maio de 1941, Bob Dylan foi uma figura fulcral na revolução musical e cultural da década de 1960. Partindo da tradição folk, blues e country americanas, mas transportando-a para uma nova era de convulsão política e agitação social, levou a palavra, como nunca antes, para o centro da criação pop. Assinou 37 álbuns desde a estreia homónima em 1962. Fallen Angels, editado em 2016, é o último até ao momento."
Sinto como se minha alma se tivesse transformado em aço
Tenho ainda as cicatrizes que o sol não sarou
Nem sequer há espaço suficiente para estar em qualquer lado
Ainda não escureceu, mas não tarda.
Bem, a minha humanidade foi pelo cano abaixo
Atrás de todas as coisas belas sempre houve algum tipo de dor
Ela escreveu-me uma carta e escreveu-a de forma tão gentil [1]
Pôs por escrito o que lhe ia na mente
Só não percebo porque me havia eu de importar
Ainda não escureceu, mas não tarda.
Bem, estive em Londres e estive na alegre Paris
Segui o rio e cheguei ao mar
Toquei no fundo dum mundo cheio de mentiras
Não procuro nada nos olhos de ninguém
Por vezes o meu fardo parece demasiado pesado
Ainda não escureceu, mas não tarda.
Aqui nasci e aqui morrerei contra minha vontade
Sei que parece que estou a mexer-me, mas estou parado
Cada nervo do meu corpo está tão vazio e entorpecido
Nem consigo sequer lembrar-me de que fugia quando vim para aqui
Não ouço sequer o murmúrio duma oração
Ainda não escureceu, mas não tarda.
Tradução de Pedro Serrano e Angelina Barbosa
[1] Citação do verso “she wrote me a letter and she wrote it so kind”, da canção Girl From The Red River Shore da autoria de Slim Critchlow. (Nota dos tradutores)