quarta-feira, 3 de setembro de 2025

Biblioteca | Prioridades 2025-2026

 

  

 







Em 2025-2026, as bibliotecas escolares prosseguem o caminho iniciado em 2024-2025, reafirmando-se como lugares seguros, inclusivos e inovadores, ao serviço da aprendizagem e da cidadania.
 
Num tempo marcado por mudanças tecnológicas aceleradas, desafios sociais e climáticos, e pela necessidade urgente de cuidar do bem-estar, a Rede de Bibliotecas Escolares dá continuidade ao trabalho desenvolvido e define quatro áreas prioritárias:
  •  Leitura, escrita e oralidade – para aprender e participar
  •  Media e informação – para responder aos desafios do digital
  •  Humanismo e interculturalidade – para promover a empatia e a paz
  •  Infraestrutura física e digital – para garantir eficácia e inovação
Com um lema transversal que permanece como fio condutor:  
Conhecer & conviver — biblioteca, espaço de bem-estar.
 
 
Fonte: Rede de Bibliotecas Escolares 

Novidades na Biblioteca | Oferta

 

#alermaisemelhor #bibliotecaesccbvr



A Biblioteca da Escola recebeu, da Fundação António José de Almeida, a oferta de dois livros dedicados à obra de Agustina Bessa-Luís, uma das mais marcantes escritoras da literatura portuguesa - Ética e política na obra de Agustina Bessa-Luís e Homenagem a Agustina Bessa-Luís.  




 
 
  
 
 
Ética e política na obra de Agustina Bessa-Luís / coord. Isabel Pires de Lima [et al.]. [S.l.]: 
Fundação Eng. António de Almeida, imp. 2017



 
 
 
 
 
 
Homenagem a Agustina Bessa-Luís - conferências, colóquio, exposição / texto Agustina Bessa-Luís [et al.]. Porto: Fundação Engenheiro António de Almeida, 2019.


 
 
 
 
À Fundação Engenheiro António de Almeida, os nossos agradecimentos.

 

Bem-vindos a um novo ano letivo!

 

 



Bem-vindos a um novo ano letivo!

A Biblioteca Escolar deseja a todos os alunos e professores um ano cheio de aprendizagens, descobertas e conquistas. Que cada desafio seja uma oportunidade de crescimento e cada dia uma nova página desta caminhada.


Não se esqueçam: ler é abrir portas para novos mundos. Façam da leitura uma companhia diária — ela inspira, ensina e transforma.

Bom regresso às aulas e votos de muito sucesso!


segunda-feira, 25 de agosto de 2025

O holocausto cigano

 

 
mulher sorridente na camisa floral azul vermelha e branca



O genocídio dos judeus tornou-se símbolo universal do mal, mas o dos sintis e romas, tal como agora o dos palestinianos, permanece largamente invisível.

No dia 2 de agosto de 1944 as SS assassinaram os últimos 4300 sintis e romas no campo de concentração de Auschwitz-Birkenau. Em 2015, mais de 70 anos depois, a data foi oficialmente reconhecida pelo Parlamento Europeu como Dia Europeu da Memória do Holocausto dos Sinti e Roma.

Não se conhece com exatidão a dimensão do Porajmos, o genocídio dos sintis e romas durante o regime nazi. Estima-se que tenha culminado no assassínio de até 500 mil pessoas em toda a Europa. Estas pessoas foram sistematicamente privadas de direitos, deportadas, exterminadas. Nos campos de concentração de Dachau e Flossenburg centenas sofreram em condições desumanas.

Durante décadas, o extermínio dos sintis e romas foi tratado como uma nota de rodapé da História. Uma tragédia menor numa tragédia maior. O anticiganismo persistiu após a guerra, dificultando o reconhecimento das vítimas e a sua integração na narrativa oficial do Holocausto. Só em 1982 a Alemanha, através do chanceler Helmut Schmidt, reconheceu oficialmente o genocídio dos sintis e romas como “genocídio por motivos raciais”.

Em julho, teve início um novo estudo sobre as comunidades ciganas em Portugal. Uma das cocoordenadoras, Inês Barbosa, revelou, em entrevista ao “Público”, que o anticiganismo está a aumentar entre nós. Embora a situação já fosse preocupante há dois anos, quando foi avaliada a Estratégia Nacional de Integração das Comunidades Ciganas 2013-2023, deteriorou-se significativamente.

A memória seletiva das tragédias revela como privilegiamos certas vítimas em detrimento de outras. Construímos hierarquias da compaixão que refletem os preconceitos do presente. O genocídio dos judeus tornou-se símbolo universal do mal, mas o dos sintis e romas, tal como agora o dos palestinianos, permanece largamente invisível.

Esta invisibilidade permite a continua­ção da discriminação. Em Portugal os números são brutais. Segundo dados da Agência dos Direitos Fundamentais da União Europeia, 62% dos ciganos portugueses sentiram discriminação em 2021. No acesso ao emprego 81% e no acesso à saúde 32%. Nestas três ­áreas Portugal apresenta a percentagem mais alta dos 10 países analisados. A taxa de risco de pobreza atinge 96%.

Os ciganos continuam a ser vistos como o “outro” inassimilável, perigoso, indesejável. Os mesmos estereótipos que alimentaram o genocídio nazi persistem nas sociedades democráticas. Os investigadores notam, com preocupação, que não só o Chega, mas também outras forças políticas, podem estar a contribuir para retrocessos. Por todo o país as comunidades ciganas manifestam receio face às próximas eleições autárquicas, temendo o cancelamento de projetos e a paralisação ou reversão de processos de realojamento.

A memória do Porajmos exige mais do que um dia comemorativo. Exige justiça presente para os seus descendentes, porque a História só serve se nos ensinar a não repetir.

Teresa Violante, Jornal Expresso, 14 de agosto de 2025

 

O Dia Europeu em Memória dos Ciganos Vítimas do Holocausto assinala-se todos os anos a 2 de agosto.

📌Saiba mais sobre o holocausto cigano... 

 

sábado, 23 de agosto de 2025

A Suécia adotou a educação digital em 2009, mas 15 anos depois os livros didáticos impressos estão de volta.

 




Acostumamo-nos à tecnologia digital. Ela está ao nosso redor e permeou praticamente todos os aspetos das nossas vidas. Em muitos aspetos, isso é positivo – expandiu o nosso acesso ao conhecimento, ampliou os nossos horizontes e colocou uma infinidade de possibilidades ao nosso alcance.

Mas isso não significa necessariamente que devamos abandonar as tecnologias mais tradicionais e mergulhar de cabeça neste mundo digital. Há dezesseis anos atrás, foi isso que o Ministério da Educação e Pesquisa da Suécia fez. Mais de uma década depois, o país escandinavo viu-se a gastar mais de 100 milhões de euros para reverter esse passo revolucionário.


Transformação digital na educação da Suécia

2009 foi um grande ano para a tecnologia digital. Os primeiros smartphones com ecrãn sensível ao toque tinham sido lançados há alguns anos, mas esses dispositivos realmente começaram a chamar a atenção do público em 2009.

O revolucionário videojogo Minecraft também foi lançado naquele ano, tornando-se o jogo mais vendido de todos os tempos, e o primeiro bloco foi adicionado à blockchain do Bitcoin. Enquanto isso, o WikiLeaks aparecia com frequência nas manchetes por sua transmissão digital de documentos vazados.
 
 
 


 
 
Nesse contexto, é fácil entender por que o Ministério da Educação e Pesquisa da Suécia estava tão entusiasmado. O mundo estava mudando e os jovens precisavam de habilidades e capacidades que os ajudassem a capitalizar novas oportunidades.

Então, uma decisão foi tomada: os livros didáticos tradicionais seriam eliminados gradualmente, sendo substituídos por computadores e tablets. Os alunos não aprenderiam apenas a usar esses dispositivos, mas também aprenderiam quase exclusivamente por meio de mídias digitais.
 
 
Começam os problemas

Os problemas com a nova abordagem da Suécia não se manifestaram a princípio. Demorou vários anos para que surgissem. Mas, quando surgiram, ficou claro que o governo sueco havia se precipitado demais com suas mudanças radicais.

Em primeiro lugar, ler exclusivamente em uma tela digital, em vez de um livro impresso, pode causar sérios problemas de saúde. Os olhos ficam cansados ​​e a luz azul emitida pela tela pode causar problemas de sono e descanso, dois aspectos frequentemente negligenciados da aprendizagem eficaz.
 
 
 
Crédito da foto: Lieselotte van der Meijs

 
Conhecimento, compreensão e retenção também foram questionados. Embora a tecnologia digital seja, sem dúvida, adequada à aprendizagem interativa e à resolução de problemas, isso é apenas parte do cenário educacional moderno.

Surgiram preocupações de que os alunos não conseguiam aprender alguns aspectos do currículo com a mesma eficácia de antes.

Depois, havia a questão do vício em telas. Grande parte de nossas vidas agora é governada por dispositivos digitais, o que torna difícil encontrar algum descanso. Ao se voltar completamente para esses dispositivos, a Suécia correu o risco de alimentar a obsessão por telas, potencialmente reduzindo a capacidade de atenção e prejudicando as habilidades sociais.
Uma solução cara

A Suécia não ignorou os potenciais danos de uma revolução digital total – depois de algum tempo, começou a se dar conta dos potenciais problemas. De 2022 a 2025, o governo sueco decidiu reverter suas políticas, ou pelo menos algumas delas. Começou a reintroduzir livros didáticos em papel nas salas de aula suecas.

Isso não significou a eliminação total dos dispositivos digitais; em vez disso, significou restabelecer o equilíbrio. Políticos e educadores trabalharam juntos para entender onde os dispositivos digitais poderiam oferecer uma ajuda significativa e onde os livros didáticos em papel seriam mais adequados para uma aprendizagem bem-sucedida.
 
 
 


 
Claro, nada disso foi de graça. O governo sueco gastou mais de 1,13 bilhão de coroas suecas (cerca de US$ 120 milhões) para trazer os livros de volta às salas de aula. Isso foi parcialmente responsável por um aumento de 5.000 coroas suecas (US$ 514) nos custos da educação por aluno em 2022. Embora os custos não tenham prejudicado exatamente a economia sueca, eles representaram uma reversão dispendiosa da política anterior.
 
 
Uma abordagem equilibrada à educação

A questão é que o Ministério da Educação e Pesquisa da Suécia não estava errado. É importante que os alunos adquiram habilidades de literacia digital e se tornem proficientes no uso de uma ampla gama de dispositivos. Também é verdade que as ferramentas digitais podem ser extremamente benéficas na sala de aula, introduzindo novos conceitos de aprendizagem e ajudando os educadores a encontrar novas maneiras de transmissão do conhecimento.
 
 
Crédito da foto: Maskot/Folio/Megabank.sweden.se

 
O problema é que eles foram longe demais, rápido demais. Educação é sinónimo de equilíbrio e abordagens ponderadas. Fazer mudanças radicais e eliminar recursos como livros didáticos em papel e materiais tradicionais não é a melhor maneira de promover mudanças significativas. Em vez disso, novos conceitos de aprendizagem podem funcionar em conjunto com processos já consolidados, alcançando resultados notáveis ​​em sala de aula.

O governo sueco, para seu crédito, aprendeu essa lição valiosa. Infelizmente, levou quinze anos e mais de cem milhões de dólares para consertar o problema.
 
  
John Burns, "Sweden spent over 100 million bringing books back to classrooms", Magazine -1000 libraries, 2 de junho de 2025.

 

sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Camões, a pintura e as outras artes

 

 #camões500  #alermaisemelhor  #bibliotecaccbvr 

 

 

 

  

 

Neste vídeo, Vítor Serrão, Professor universitário e historiador de arte, explora a inesgotável riqueza da figura e da obra de Luís de Camões, destacando o seu fascínio como tema de estudo, tanto em abordagens interdisciplinares como monotemáticas. Na sua intervenção, Vítor Serrão sublinha a importância de compreender Camões à luz da arte do seu tempo — incluindo a pintura de mestres como Fernão Gomes, a miniatura, a caligrafia de Manuel Barata, a gravura e outras disciplinas visuais. 

Para o historiador, estudar o poeta exige evitar o “apagamento inconsciente” da vasta floresta cultural que o envolvia, reconhecendo os vínculos que o ligavam aos seus pares nas artes e nas letras, ao mercado da arte e aos valores que animavam o debate intelectual da época. Entre esses valores, destaca-se a liberalidade, entendida como a liberdade de criar, e a consciência dos constrangimentos impostos por uma Contrarreforma cada vez mais restritiva, que limitava tanto o engenho como a crítica. 

Uma reflexão que revela como a compreensão plena de Camões passa também por olhar para as artes visuais, os contextos culturais e as tensões ideológicas que moldaram o seu tempo.  

Empoderar a próxima geração: competências digitais

 

 

 



A capacidade de trabalhar com tecnologias digitais críticas molda as nossas vidas – na educação, no trabalho, no lazer e no compromisso cívico.
 
 
O ensino de competências digitais não diz respeito apenas ao know-how técnico. Inclui a promoção do pensamento crítico, da criatividade e da resiliência para ser bem sucedido num cenário digital em rápida evolução. Estas competências são elementos centrais para preparar crianças e jovens para ter sucesso na sociedade moderna e moldar um futuro digital mais equitativo.


As habilidades digitais são muito mais do que proficiência técnica. Eles formam a base para a aprendizagem ao longo da vida, a prontidão da força de trabalho e a participação ativa na sociedade. Desde a avaliação crítica de informações on-line até à colaboração eficaz em espaços digitais, essas habilidades capacitam as pessoas a adaptarem-se aos avanços tecnológicos e contribuírem significativamente para as suas comunidades à medida que se transformam.

As competências digitais são particularmente importantes para as crianças e os jovens. As tecnologias digitais podem oferecer oportunidades de aprendizagem, socialização e autoexpressão, mas essas mesmas tecnologias também podem expô-las a riscos como o ciberassédio, a desinformação e a exclusão digital.

O desafio está em ensinar os jovens não apenas a usar a tecnologia, mas também a envolverem-se com ela de forma crítica, criativa e responsável. A educação digital eficaz deve ir além da simples introdução de tecnologia nas salas de aula. Requer a compreensão dos diversos contextos em que os alunos usam a tecnologia e a adaptação das abordagens educacionais para atender às suas necessidades.


Lições da pesquisa: o que funciona no ensino de habilidades digitais

A pesquisa, incluindo as descobertas do projeto DigiGen, oferece informações valiosas sobre como podemos ensinar habilidades digitais de forma mais eficaz.
 
1. Priorize a inclusão

O acesso à tecnologia é desigual e a origem socioeconómica desempenha um papel significativo. Escolas e educadores devem preencher ativamente essa divisão, fornecendo a todos os alunos acesso igual a dispositivos, conetividade com a Internet e suporte. Sem inclusão, a exclusão digital pode exacerbar ainda mais as desigualdades sociais. 
 
2. O contexto é importante

O desenvolvimento de competências digitais é influenciado pelos ambientes dos alunos (rural ou urbano, favorecidos ou desfavorecidos). As estratégias de ensino devem ser adaptáveis a diversos contextos – uma abordagem única não pode atender a todas essas necessidades variadas. 
 
3. Vá além da proficiência técnica

Ensinar os alunos a usar software ou dispositivos é apenas o começo. A literacia digital crítica deve incluir a avaliação da credibilidade do conteúdo online, a compreensão dos riscos online e a navegação pelas dimensões éticas da tecnologia. Essas habilidades são essenciais para combater a desinformação e promover um cenário digital mais seguro. 
 
4. Capacite os professores

Os professores são fundamentais para promover as habilidades digitais, mas muitos sentem-se despreparados para integrar a tecnologia de forma eficaz em seu ensino. Os programas de desenvolvimento profissional devem equipar os educadores com conhecimentos técnicos e estratégias pedagógicas para criar ambientes de aprendizagem digital inclusivos. As escolas também devem garantir que os professores se sintam apoiados para atender às necessidades de alunos sub-representados ou desfavorecidos.
 
5. Envolva famílias e comunidades

As famílias e as comunidades desempenham um papel crucial no reforço da educação digital que os alunos recebem na escola. Os pais podem modelar comportamentos digitais positivos, enquanto os programas comunitários podem oferecer oportunidades informais para explorar a tecnologia. Unir ambientes de aprendizagem formais e informais cria uma abordagem mais holística para o desenvolvimento de habilidades digitais.

 

Halla B. Holmarsdottir. "Empowering next generation: digital skills", Comissão Europeia. Boletim informativo da Plataforma Europeia de Educação Escolar. Agosto 2025