domingo, 12 de agosto de 2018

Dia Internacional da Juventude


12 de agosto

#IFLA 
#SafeSpaces4Youth



Bibliotecas, espaços seguros para os jovens

As bibliotecas oferecem a todos um espaço seguro para aprender, crescer e exercer os seus direitos.




Passatempo | Puzzle





Pormenor do produto de um trabalho de projeto realizado há alguns anos atrás por alunos de Artes de 12º ano que foi oferecido à Biblioteca.

É a nossa mascote. 

De que falamos?
É fácil: A resposta está mesmo à sua frente! Basta resolver o puzzle. 



Formas de ver o mundo | A sátira



Os toucados vistos por Nicolau Tolentino 







Nada melhor do que a sátira, para chamar a atenção para a importância do património cultural. E se falo de sátira, falo de património imaterial, de costumes, de modos de vida. O património da cultura como realidade viva comporta a compreensão da complexidade e da diversidade. Ninguém melhor do que o nosso Nicolau Tolentino de Almeida (1740-1811) para nos dar conta da permanência e da relatividade desses costumes. Olhe-se a gravura que hoje publicamos. Quantas vezes não vemos ainda hoje os toucados e os chapéus extravagantes nas corridas de Ascot? Portanto, não estamos a falar de realidades distantes. O último grito pode torna-se ridículo, mas pode ter sentido quando surge. A novidade é importante, mas só vale se for capaz de ficar. E se folhearmos uma revista de modas, com dez ou vinte anos, temos de sorrir ora com o ridículo, ora com a coexistência ou o conflito gritante entre o bom gosto e a falta de senso… São elementos de todos os tempos. Se a elegância ou o bom gosto devem sempre rimar com bom senso e sentido da medida, a verdade é que isso é mais raro do que supõe. Mas o não nos levarmos demasiado a sério obriga a compreendermos que o tempo só pode ser entendido pelo uso da sátira. E que é a sátira senão a compreensão de que ninguém foge ao ridículo – e que o ridículo permite compreender-se o que passa e o que fica?… Daí o poema de hoje. Um dos mais célebres de Nicolau Tolentino. Está lá tudo dito. A mãe e a filha não fogem ao ridículo. E nada na sátira está a mais. E fala-se de muito mais do que de penteados altos… Tudo nos permite compreender o quadro… Mas se houvesse um comentário sisudo – nada entenderíamos.



«Chaves na mão, melena desgrenhada,
Batendo o pé na casa, a mãe ordena
Que o furtado colchão, fofo e de pena,
A filha o ponha ali ou a criada.

A filha, moça esbelta e aperaltada,
Lhe diz coa doce voz que o ar serena:
- «Sumiu-se-lhe um colchão? É forte pena;
Olhe não fique a casa arruinada...»

- «Tu respondes assim? Tu zombas disto?
Tu cuidas que, por ter pai embarcado,
Já a mãe não tem mãos?» E, dizendo isto,

Arremete-lhe à cara e ao penteado.
Eis senão quando (caso nunca visto!)
Sai-lhe o colchão de dentro do toucado!...»


Nicolau Tolentino (1740-1811)
Agostinho de Morais

Portugal de Alexandre O'Neill, Tu cá, tu lá com o património, Diário de Agosto, Número 1. Disponível no e-cultura.blogues 


sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Formas de ver o mundo | a poesia



Portugal visto por Alexandre O'Neill






Não é possível falar de identidade portuguesa sem ouvir Alexandre O’Neill, que disse como ninguém o que deve ser dito – num tempo em que se verifica por toda a parte a tentação de maximizar as identidades fechadas. De facto, como vimos depois da Primavera dos Povos (1848), a afirmação das diferenças nacionais teve consequências dramáticas: nacionalismos agressivos, soberanias ilimitadas, conflitos desregulados, tribalismos doentios. Ao falar de Portugal O’Neill põe-nos de sobreaviso relativamente às tentações absolutistas. 
Eduardo Lourenço disse em O Labirinto da Saudade que não somos nem melhores nem piores que outros e que a História tem de ser um revelador de imperfeição e responsabilidade… Pode dizer-se que o poema de «Feira Cabisbaixa» é emblemático – permitindo encarar a História como exigência de não esquecer o lirismo, a tragédia e o carácter pícaro da nossa cultura ancestral. Nascemos dos trovadores, continuámos entre a lírica e a história trágico-marítima, mas nunca esquecemos o escárnio e mal dizer e a ironia de Fernão Mendes ou do Pranto de Maria Parda… Está tudo aqui no nosso Portugal visto por O’Neill…



«Ó Portugal, se fosses só três sílabas,
linda vista para o mar,
Minho verde, Algarve de cal,
jerico rapando o espinhaço da terra,
surdo e miudinho,
moinho a braços com um vento
testarudo, mas embolado e, afinal, amigo,
se fosses só o sal, o sol, o sul,
o ladino pardal,
o manso boi coloquial,

a rechinante sardinha,
a desancada varina,
o plumitivo ladrilhado de lindos adjetivos,
a muda queixa amendoada
duns olhos pestanítidos,
se fosses só a cegarrega do estio, dos estilos,
o ferrugento cão asmático das praias,
o grilo engaiolado, a grila no lábio,
o calendário na parede, o emblema na lapela,
ó Portugal, se fosses só três sílabas
de plástico, que era mais barato!


*

Doceiras de Amarante, barristas de Barcelos,
rendeiras de Viana, toureiros da Golegã,
não há «papo-de-anjo» que seja o meu derriço,
galo que cante a cores na minha prateleira,
alvura arrendada para o meu devaneio,
bandarilha que possa enfeitar-me o cachaço.
Portugal: questão que eu tenho comigo mesmo,
golpe até ao osso, fome sem entretém,
perdigueiro marrado e sem narizes, sem perdizes,
rocim engraxado,
feira cabisbaixa,
meu remorso,
meu remorso de todos nós...»

Alexandre O’Neill (1924-1986)

Ler. Reler! Sempre.

Agostinho de Morais


Portugal de Alexandre O'Neill, Tu cá, tu lá com o património, Diário de Agosto, Número 4. Disponível no e-cultura.blogues


Revista 7faces homenageia Eugénio de Andrade




 https://issuu.com/setefaces/docs/revista_7faces_15
7faces, edição nº 15, jan 2018

Aceder à revista |




Canção


Tinha um cravo no meu balcão;
veio um rapaz e pediu-mo
– mãe, dou-lho ou não?

Sentada, bordava um lenço de mão;
veio um rapaz e pediu-mo
– mãe, dou-lho ou não?

Dei um cravo e dei um lenço,
só não dei o coração;
mas se o rapaz mo pedir
– mãe, dou-lho ou não?

Eugénio de Andrade (Póvoa de Atalaia, Fundão, 19.01.1923 – Porto, 13.06.2005). 
Pseudónimo de José Fontinhas.



"Canção", de Eugénio de Andrade, dito por Eunice Muñoz


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Formas de ver o mundo | A fotografia



Solange Ferraz de Lima, do Museu Paulista da USP, e Lívia Aquino, da FAAP, falam sobre
a importância da fotografia e como ela moldou a forma de ver o mundo.





quarta-feira, 8 de agosto de 2018

Cordas que libertam


“Y al final, te ataré con todas mis fuerzas, mis brazos serán cuerdas” - canção de Enrique Bunbury
            O CORDAS from Pedro on Vimeo.




A relação de amizade entre a pequena María e seu colega de orfanato Nicolás, portador de paralisia cerebral, é o fio condutor da curta-metragem espanhola Cuerdas, vencedora do Prémio Goya 2014, na categoria ‘Melhor Curta-metragem de Animação’. 

A história, escrita e dirigida por Pedro Solís García, é inspirada na relação de amor e carinho construída entre os filhos do próprio realizador: a filha dele, Alejandra, tem uma ligação especial com o irmão, Nicolás, que possui paralisia cerebral que o impede de andar e falar.


No final da curta, uma dedicatória que nos emociona:

“A minha filha Alejandra: obrigado por inspirar essa história.
 Ao meu filho Nicolás: quem dera nunca tivesse inspirado essa história.
A Iola: por tudo o que não tem chorado diante de mim…”


Por um mundo com mais Marías...