segunda-feira, 26 de dezembro de 2022

Media - guia de boas práticas

 

“É justamente pelo facto de a violência doméstica ser tão contraintuitiva que os media precisam de continuar a relatar estas histórias. Mas nós, jornalistas, precisamos de formação para não continuarmos a cometer os erros do costume. Não podemos aceitar que jornalistas examinem o comportamento de uma mulher para explicar por que foi assassinada ou ferida. Não podemos aceitar que jornalistas apresentem desculpas para homens que mataram as suas famílias, como se tivessem sido pressionados a fazê-lo.” 
- Jess Hill, jornalista do The Guardian
















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A forma como os crimes de violência contra as mulheres e violência doméstica são tratados pelos órgãos de comunicação social é determinante para o modo como estes são entendidos e interpretados pelo público. A frequência com que os incidentes são noticiados, o destaque que lhes é dado, as informações incluídas ou omitidas, as palavras utilizadas para descrever o sucedido – todos estes fatores fazem a diferença na compreensão social da violência. 

O papel dos órgãos de comunicação social no domínio da violência contra as mulheres e violência doméstica é decisivo não só porque torna visível crimes que, ainda hoje, são muitas vezes erradamente considerados como pertencendo à esfera privada e relacional, mas também porque influi sobre as possibilidades de reação e construção de uma sociedade mais justa, mais segura, mais atenta. A pessoa que foi informada do crime está mais capaz do que antes de reconhecer os sinais de violência se se deparar com estes? Sabe o que fazer? Compreende melhor as dinâmicas de escalada da violência e as formas de a prevenir? 

A tolerância para com os comportamentos violentos e para com a pessoa agressora é zero e a mensagem que urge veicular é a de total apoio às mulheres e crianças vítimas. Sabemos também que a violência contra as mulheres e a violência doméstica é indissociável dos motivos que a têm reproduzido ao longo dos tempos: as relações de subordinação, as assimetrias de poder e os estereótipos de género que penalizam raparigas e mulheres em todas as etapas da vida. 

Este documento apresenta uma lista de objetivos que reforçam o papel informativo e capacitador da comunicação social neste contexto, numa iniciativa que promovemos com os órgãos de comunicação social, com a Entidade Reguladora da Comunicação Social e com o Sindicato dos Jornalistas Portugueses. 

Rosa Monteiro, Secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade


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