quarta-feira, 30 de setembro de 2015

O Principezinho, comentado por José Luís Peixoto e ilustrado por Hugo Makaroy




A partir de 2 de outubro estará disponível em Portugal mais uma edição de O Principezinho - uma edição de colecionador, com capa preta em tecido, estampada a prateado -, que traz duas novidades portuguesas: uma são os comentários manuscritos do escritor José Luís Peixoto, acompanhando nas margens o texto de Antoine de Saint-Exupéry; a outra são as novas ilustrações concebidas pelo ilustrador e tatuador Hugo Makarov. 

Eis pois uma forma diferente de ler e ver O Principezinho, o livrinho mágico que, desde que foi publicado, em 1943, nunca mais parou de deslumbrar gerações de crianças e adultos no mundo inteiro. Todos, de todas as idades, encontramos um pouco de nós próprios e das nossas perguntas nas personagens deste fabuloso conto-aventura de Saint-Exupéry, a mais famosa das suas obras. 



Hemeroteca digital | Efemérides literárias





Alguns dos conteúdos digitalizados disponibilizados pela Hemeroteca do Município de Lisboa visam assinalar ou comemorar datas e acontecimentos de relevância nacional e de interesse histórico-literário que tiveram lugar em Lisboa ou estão relacionados com a Cidade.



FERNANDO PESSOA (1888-1935)
NOS 125 ANOS DO SEU NASCIMENTO

 
 

  


FIALHO DE ALMEIDA
     nos 100 anos da sua morte
(1911-2011)
  






 
 

Programa | 1º Encontro da Rede de Bibliotecas de Vila Real

 
 
 


O PROGRAMA do 1º Encontro da Rede de Bibliotecas de Vila Real já está disponível.
 
 
 
 
 
 Pode aceder ao formulário de inscrição aqui.  
 
 

terça-feira, 29 de setembro de 2015

Pordata Kids | Base de dados para os mais novos




Pordata Kids, a nova base de dados da Fundação Francisco Manuel dos Santos, pensada especificamente para os mais novos.

Ramalho Ortigão | Ciclo de Conferências

 
 
Apenas um repórter de génio
 
 


O Gabinete de Estudos Olisiponenses em colaboração com o Grémio Literário (Lisboa) celebra o centenário da morte do escritor com um ciclo de conferências. A primeira, intitulada Apenas um Repórter de Génio, é de autoria do jornalista e olisipógrafo Appio Sottomayor. As inscrições são gratuitas.
 
 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

Centenário da morte de Ramalho Ortigão





José Duarte Ramalho Ortigão nasceu no Porto a 24 de outubro de 1836 e faleceu em Lisboa a 27 de setembro de 1915. Frequentou o curso de Direito na Universidade de Coimbra, sem o terminar. De regresso ao Porto, dedicou-se ao ensino, dando aulas de Francês no Colégio da Lapa. Estabeleceu-se em Lisboa ao ser nomeado oficial da secretaria da Academia de Ciências, começando a colaborar em vários jornais e revistas. Envolveu-se na Questão Coimbrã com o folheto "Literatura de hoje", vindo a enfrentar Antero de Quental num duelo, de que resultou ferido. Torna-se entretanto amigo de Eça de Queirós e inicia com ele a publicação de As Farpas. Fez várias viagens ao estrangeiro, viagens estas que influenciaram o seu modo de ver Portugal.



Obras: Literatura de Hoje (1866); Em Paris (1868); Histórias Cor-de-Rosa (1870); O Mistério da Estrada de Sintra (com Eça de Queirós, 1870); As Farpas (1871-1884); Banhos de Caldas e Águas Minerais (1875); As Praias de Portugal (1876); Notas de Viagem (1878); A Holanda (1885); John Bull (1887); O Culto da Arte em Portugal (1896); El-Rei D. Carlos o Martirizado (1908); Últimas Farpas (1911-1914); Carta de um Velho a um Novo (1914).

 

AS FARPAS (extrato)



 OS NOSSOS FILHOS, EM CASA, NA RUA, NO PASSEIO, NO LICEU, NO COLÉGIO

Outubro, 1871.



Leitor! Leitora! – falemos dos vossos filhos. Levantemos a mão das fraquezas, dos ridículos, das misérias do nosso tempo, e consagremos esta página aos mais puros e aos mais vitais dos nossos interesses.

Conhecemo-los – os vossos filhos. Temo-los visto, ao voltar do colégio, com os babeiros brancos, os chapéus mais velhos, o cabelo despenteado e o dedo sujo de tinta, esfarpando de encontro às pedras os bicos dos sapatos, enquanto o vosso criado, com os compêndios do Sr. João Félix presos por uma correia debaixo do braço, os segue pausadamente conversando em coisas líricas com a criada da vossa vizinha.

Vimo-los no liceu, no dia do primeiro exame, pálidos de concentração e de susto, imóveis, extáticos, com os olhos pasmados na espessura dos seus juízes, lembrando-se um pouco mais das orações que vós rezastes por eles, ó mães, do que das lições que vós lhes destes, 6 mestres!

Tínhamo-los também visto no Passeio Público, em noites de concerto, dançando ao pé do quiosque, eles fingindo-se grosseiros para se darem o chique de velhos colegiais, elas sérias e graves, voltando o rosto por cima do ombro para contemplarem como pequenas senhoras a cauda hipotética dos seus vestidos.

Elas e eles são pálidos, têm as gengivas esbranquiçadas, os dentes baços, as pestanas longas, as pálpebras oftálmicas, os cantos da boca levemente feridos, o sorriso triste, os movimentos indecisos e fracos, o olhar quebrado.

Precisam de tomar banhos frios, de comer carne ao almoço, de beber uma colher de óleo de fígados de bacalhau todos os dias, de fazer ginástica, e de que se lhes corte o cabelo.
As Farpas, Tomo VIII (extratos

As Farpas, de Ramalho Ortigão | Ebooks



"O País, concordando inteiramente com as nossas opiniões sobre a ignorância geral e sobre os falsos meios que até hoje têm sido empregados para organizar o ensino, exproba às Farpas o desprezo em que elas têm sempre tido os problemas governativos, contribuindo assim para manter no público a indiferença política que a referida folha considera a principal causa da corrupção portuguesa."
 
 
http://www.luso-livros.net/Livro/farpas/

Clicar na imagem para aceder ao livro
Informações sobre o ficheiro
 
Número de Páginas: 743
Formatos Disponíveis: epub e pdf

Idioma: Português Europeu (Pt-Pt)
 

 

As Farpas”, nome metafórico, dado com o sentido e intenção de “espicaçar a sociedade”, foram edições mensais, publicadas entre 1871 e 1882, numa revista fundada por Ramalho Ortigão e Eça de Queirós, quando tinham, respetivamente, 35 e 26 anos.

Foram iniciadas pelos no mesmo ano em que se realizou as chamadas “Conferências do Casino”, em 1871, nas quais um grupo de jovens escritores e intelectuais apresentaram o seu manifesto com pretensões de revolucionar a literatura e a sociedade cultural portuguesa da época, com base nas filosofias realistas e naturalistas do escritor francês, Gustave Flaubert. Foi a censura imposta, pelas autoridades, às conferências, enquanto estas decorriam, que motivou, em grande parte, o lançamento dessas publicações pelos dois jovens escritores.

Decerto inspiradas nas “Les Guêpes” (As Ferroadas), do francês Alphonse Karr, “As Farpas” – sublinhadas com a legenda “O País e a Sociedade Portuguesa” – constituem um painel jornalístico da sociedade de Portugal nos finais do século XIX, com artigos altamente críticos e irónicos a satirizar, com muito humor à mistura, múltiplos sectores da sociedade da época – da política à religião, dos costumes e hábitos, à mentalidade vigente.

“As Farpas” constituem pois um marco na literatura e na evolução cultural do país uma vez que se impuseram como um novo e inovador conceito de fazer jornalismo – o jornalismo de ideias, de crítica social e cultural – que hoje é corrente.

Eça de Queirós, por razões profissionais (teve que se ausentar do país), tomou a decisão de abandonar o projeto ao fim de um ano quando assumiu o cargo de embaixador em Cuba, alegando não ter condições de observar o quotidiano português para o poder analisar e criticar mensalmente. Ramalho Ortigão continuaria sozinho este trabalho jornalístico até 1882.

Em 1887, Ramalho decide publicar, em livro, grande parte dos seus folhetins. Assim entre 1887 e 1890 são publicados, em 11 volumes, e repartidos por temas, As Farpas de Ramalho Ortigão, tornando-se assim, também, na primeira obra literária feita a partir da condensação de artigos jornalísticos, previamente publicados em jornal ou revista – algo que hoje também é comum.

Ramalho Ortigão exortou posteriormente Eça de Queirós a fazer o mesmo e os seus artigos acabariam por ser publicados, em 1890, num livro intitulado “Uma Campanha Alegre”.

Texto disponível em
http://www.luso-livros.net/Livro/farpas/

Exposição de fotografia: Trabalho à jorna


 



De 1 a 31 de outubro de 2015, está patente na área de exposições da Biblioteca da Escola Secundária Camilo Castelo Branco, Vila Real, uma exposição de fotografia subordinada ao tema "Trabalho à Jorna", da artista plástica brasileira Márcia Toscan.

Realizada no âmbito da parceria da ESCCBVR com a Casa Museu Maurício Penha, de Sanfins do Douro, esta exposição surge na sequência de uma residência artística na Casa Museu, em fevereiro de 2014.
 
 


MARCIA TOSCAN – Brasil, 1969
Graduada em Educação Artística pela Universidade Estadual de Londrina, Mestre em Ciências da Cultura pela UTAD.

Marcia Toscan atua como artista plástica há 25 anos e como professora de Graduação em Artes Visuais há 20 anos. Possui experiência profissional nas áreas de escultura, em especial na área da cerâmica, desenho, pintura, instalação e fotografia.
 
Participou em exposições em Vila Real, no Ciclo Cultural da UTAD, na Livraria Traga-Mundos, na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, no Teatro de Vila Real e na Casa-Museu Maurício Penha onde expôs pintura, primeiro, e fotografia, depois.

Reside na cidade de Cascavel-Paraná-Brasil onde é atuante como artista e professora. Tem participado em muitas exposições locais. Destaque para a exposição “TRANSITORIEDADE”, a qual esteve patente no MAC- Museu de Artes de Cascavel, em março deste ano.
 
 

Blimunda 40



setembro 2015




Assuntos atuais e que nos tocam a todos, a questão dos refugiados e do voto merecem destaque neste número 40 da Blimunda. Como tratam os livros de receção infantil e juvenil questões como as da guerra, das fugas e dos recomeços? A Blimunda de setembro debruça-se sobre esta questão e recolhe obras literárias que tratam estes temas, dirigidas aos leitores mais jovens.

E se toda uma cidade votasse em branco? A secção Saramaguiana traz excertos do romance Ensaio sobre a Lucidez, de José Saramago, que nos ajuda a pensar no poder que tem o voto, se de facto nos sentimos representados e como se sustenta a democracia.

O Museu Bordalo Pinheiro, o mais antigo museu português dedicado a um artista, é outro dos assuntos da revista deste mês. A Blimunda visitou o espaço e conta por que vale a pena conhecê-lo.

O que tem a luz de Lisboa que tanto fascina? Na tentativa de responder a esta questão a Blimunda visitou a exposição «A Luz de Lisboa», patente no Torreão Poente da Praça do Comércio, e voltou de lá com a certeza de que a luz que lhe dá o mote nunca falta.

Na secção Cinema, a revista publica a segunda parte de um ensaio dedicado ao filmes exploitation feitos em Portugal.

Tudo isto e muito mais pode ser lido na edição de setembro da nossa e vossa Blimunda.


Boas leituras!

 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Bibliotecas, leitura e literacias: novas práticas, novos desafios

 
 
1º Encontro da Rede de Bibliotecas de Vila Real
 
 
 



 

O 1º Encontro da Rede de Bibliotecas de Vila Real (RBVR), subordinado à temática “Bibliotecas, leitura e literacias: novas práticas, novos desafios", a decorrer nos dias 23 e 24 de outubro de 2015, no Teatro Municipal de Vila Real, visa constituir-se como um espaço de reflexão, partilha e debate sobre as mudanças colocadas às escolas e às bibliotecas escolares, motivadas pelas profundas alterações tecnológicas e digitais. Estas mudanças causaram um grande impacto em todas as esferas da sociedade e, muito especialmente, na área da educação, alterando a forma como se aprende e como se ensina.

O Encontro, organizado pela RBVR, com o apoio da Câmara Municipal de Vila Real e da Rede de Bibliotecas Escolares, aguarda a acreditação pelo C.C.P.F.C. como curso de formação com a duração de 15 horas, atribuindo 0,6 créditos.

Destinatários: Professores bibliotecários e equipas das bibliotecas escolares; educadores; professores do ensino básico e secundário; órgãos de gestão e de coordenação pedagógica das escolas; técnicos de bibliotecas.
A participação no Encontro é livre, mas sujeita a inscrição prévia.

Em breve será divulgada a página do Encontro, onde estará disponível o programa e a ficha de inscrição.

 

Dicionário do ebook



https://lerebooks.files.wordpress.com/2011/12/dicionc3a1rio-do-ebook.pdf

 Para consultar o dicionário, clicar na imagem

Para além da definição de uma centena de termos relacionados com o mundo do ebook e da edição digital, o Dicionário do Ebook, de Carlos Pinheiro (autor do blogue Ler eBooks), inclui a referência a sítios sobre ebooks (de acesso gratuito) e novos media e uma completa bibliografia de publicações online sobre ebooks.



Chamam-lhe "LIVRO"... mas não faço a mínima ideia onde se colocam as pilhas

Dia Europeu das Línguas

 
26 de setembro
 
 




Por iniciativa do Conselho da Europa, sedeado em Estrasburgo, o Dia Europeu das Línguas/ DEL tem vindo a ser celebrado, todos os anos desde 2001, no dia 26 de setembro.

Por ocasião do DEL, organiza-se em toda a Europa uma série de
iniciativas: atividades para e com crianças, programas de rádio e de televisão, aulas de línguas e conferências. As autoridades nacionais e os vários parceiros têm toda a liberdade para organizar atividades.
 
Para coordenar as atividades a nível nacional, os países participantes são convidados pelo Conselho da Europa a nomear “Pessoas de Contacto Nacional” para o DEL.
 
 
 
http://edl.ecml.at/Portals/33/documents/flyer/EDL-flyer-EN.pdf
 
 
 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Da inquietude à transgressão: eis Bocage...



EXPOSIÇÃO NA BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL

Sala de Exposições | Entrada livre / de 17 set. a 31 dez. 2015



 
Banda desenhada, «Manuel Maria Hedois Barbosa du Bocage», Maria das Mercês de Mendonça Soares e Manuel Ferreira, in Camarada, 2.ª série, 8.º volume, Março 1965 (http://bloguedebd.blogspot.pt/2014/11/literatura-e-bd-5-bocage.html)



"Comemoram-se, a partir de setembro de 2015, os 250 anos do nascimento de Bocage, um paradigma literário e cívico da cultura portuguesa.

A sua poesia multifacetada – cultivou com talento todos os géneros poéticos da época – caracteriza-se pela autenticidade, pela singularidade e pelo universalismo, estando omnipresentes na sua obra o lirismo, a intervenção social, o erotismo e a sátira.

Acresce, por outro lado, que Bocage fez incursões pela arte cénica e traduziu com rigor e criatividade os clássicos greco-latinos – Ovídio, Lucano, Virgílio, Museu e Moscho – e os escritores coevos, como, entre outros, Voltaire, La Fontaine, Tasso, Racine, Delille e Madame du Bocage, sua tia-avó.

A sua vida caracterizou-se pela inquietude, a irreverência e a transgressão. Perfilhou os princípios do Iluminismo, criticou os valores serôdios do Antigo Regime português – a religião punitiva, a nobreza parasitária, o ensino entorpecedor, a moral sexual, o fanatismo e a ignorância – e exaltou o corpo, compondo poesia erótica que distribuiu clandestinamente, a qual só pôde ser publicada legalmente com o advento do 25 de Abril, ou seja, cerca de 200 anos depois do seu falecimento.


 
Soneto, Bocage in «A virtude laureada. Drama recitado no Theatro do Salitre... por seu muito devedor, e amigo Manoel Maria de Barbosa du Bocage.», Lisboa, Impressão Regia, 1805. (BNP L. 5798/4 P.) [http://purl.pt/6267/4/#/20]



Bocage subscreveu dois manifestos iluministas, em verso, cuja atualidade é evidente. Não poderia deixar de ser, portanto, persona non grata para Diogo Inácio de Pina Manique, que o pôs a ferros no Limoeiro, tendo sido posteriormente libertado pela intervenção conjugada de personalidades relevantes do regime. Este acontecimento dramático deixou sequelas psicológicas e físicas inequívocas.

Bocage faleceu em 1805, aos 40 anos, intensa e freneticamente vividos. Os seus restos mortais, por incúria das autoridades, foram para a vala comum. O seu legado, porém, vivifica o presente e incentiva a utopia.

 A Biblioteca Nacional de Portugal associa-se às comemorações dos 250 anos do nascimento de Bocage, evocando o poeta, o tradutor, o dramaturgo e o cidadão
."


Biblioteca Nacional Digital
 

Comissário da Exposição: Daniel Pires


domingo, 20 de setembro de 2015

Educação para a cidadania global

 
 
 
http://unesdoc.unesco.org/images/0023/002343/234311por.pdf
UNESCO, 2015
 
 
Clicar na imagem para consultar o estudo
 
 



“Esta primeira publicação da UNESCO sobre Educação para a Cidadania Global (ECG) surge num momento em que a comunidade internacional é chamada a estabelecer uma nova agenda de desenvolvimento, que leve em consideração as implicações de desenvolvimentos socioeconómicos mais amplos e tendências emergentes para a educação num mundo cada vez mais globalizado e interconectado. Neste momento, quando a comunidade de educação é convocada a dar passos para promover a paz, o bem-estar, a prosperidade e a sustentabilidade, espero que esta nova publicação da UNESCO obtenha sucesso em justificar por que é que a ECG é importante, além de oferecer a clareza concetual e a orientação prática necessárias para a sua implementação efetiva”.

Prof. Dr. Qian Tang (
Diretor-geral assistente para Educação na UNESCO), "Prefácio" a Educação para a cidadania global, Brasília: Unesco, 2015, p. 8.
 


INDICE:

 
Livro traduzido em português do Brasil.

sábado, 19 de setembro de 2015

Antero e a cultura crítica do século XIX

 


COLÓQUIO | 28 a 30 set. '15 | Auditório BNP | Entrada livre
 
 
redebibliotecas
 
Parte do manuscrito de «A Poesia na Actualidade», de Antero de Quental, conservado na Biblioteca Marciana de Veneza
 
Colóquio no âmbito dos 150 anos da chamada Questão Coimbrã, organizado pelo IELT – Instituto de Estudos de Literatura e Tradição da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa com o apoio da Biblioteca Nacional de Portugal, Centro Nacional de Cultura,  Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Lisboa Autêntica.

Comissão organizadora: Gustavo Rubim, Giorgia Casara, Manuele Masini, Andrea Ragusa, Fabrizio Boscaglia
 

O programa inclui a apresentação de um selo comemorativo dos CTT, uma demonstração de impressão em tipografia de caracteres móveis pelo Homem do Saco (a partir de uma citação de Antero), a apresentação do livro Veneza (Versão de Antero de Quental), o passeio literário A Lisboa de Antero e da Geração de 70 (inscrições através do email anteroeaculturacritica@gmail.com) e a mostra A Questão do Som Senso e Bom Gosto, em exibição na Sala de Referência da BN até 2 de Outubro.

Mais informação
AQUI e AQUI

A questão do Bom senso e bom gosto

 
 
 

MOSTRA | Biblioteca Nacional de Portugal
de 10 ago. a 2 out. 2015 | Sala de Referência | Entrada livre

 

Antero de Quental, 1865 in «Antero de Quental. Fotobiografia», Ana Maria Almeida Martins, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Câmara Municipal de Ponta Delgada, 2008 (BNP L. 101012 V.)
 


"A Questão Coimbrã, nome pelo qual a polémica ficou conhecida na época, é uma das mais renhidas batalhas do século XIX que se manteve acesa durante quase um ano numa guerra de opúsculos, artigos, folhetins, defendendo ou atacando as duas personalidades em foco – António Feliciano Castilho e Antero de Quental.

Em boa verdade, o desencontro de palavras e conceitos começara já em meados de 1865 com as intervenções de Manuel Pinheiro Chagas, um dos protegidos de Castilho, em folhetins nos jornais de Lisboa, ridicularizando Antero de Quental e Teófilo Braga chamando “tisanas filosóficas” aos conceitos expressos nos prefácios dos seus livros de poesia. Estes pontos de vista não correspondiam aos cânones defendidos por Castilho e a sua corte de jovens literatos, ansiosos por agradar ao “patriarca das letras” que, de Lisboa, fustigavam os coimbrões. A poesia devia ser entendida por todos “sem idealidades e abstrações mascaradas em literatura e poesia”.

Assim se expressava Castilho na carta enviada ao editor António Maria Pereira, felicitando-o pela publicação do medíocre livro de Manuel Pinheiro Chagas Poema da Mocidade. Nessa extensíssima carta, semeada de citações, principalmente latinas, aproveita para afirmar que a poesia andava com o “fastio de morte à verdade e à simplicidade” e que Antero e Teófilo voam muito alto, mas não se sabia qual seria o seu destino.




 



Estas opiniões provocaram a indignação de Antero que respondeu com o violento opúsculo Bom Senso e Bom Gosto, o outro título pelo qual também é conhecida a polémica. Explica que a atitude do “patriarca das letras” deriva do facto de jovens escritores - “hereges das letras” - se revoltarem contra as autoridades literárias e ousarem seguir a sua carreira intelectual sem pedir autorização a ninguém. Acusa ainda Castilho de se ter feito chefe de uma cruzada “tão desgraçada e mesquinha”.

As duras palavras de Antero deram lugar a intervenções, umas indignadas outras elogiosas, em que participaram intelectuais como Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Camilo Castelo Branco, Brito Aranha, Eduardo Vidal e muitos outros. Os diferentes pontos de vista sobre a literatura ajudaram a enterrar a poesia passadista e criaram as condições para a afirmação da que viria a denominar-se Geração de Setenta."


Maria José Marinho, Biblioteca Nacional de Portugal
 

Jornadas d@ Informação'15

 
Estarreja
 
 
 
 
A literacia, nas suas múltiplas vertentes, tem vindo a ser assumida, por parte de organismos (inter)nacionais, como um problema e um desafio na atual sociedade, dominada pela informação, pela tecnologia, pelo digital e pela contínua mudança.
 
Nunca a informação foi tão célere, tão imediata, tão abundante, tão complexa e tão desmaterializada, situação à qual não é alheia a utilização crescente e inovadora das TIC e a popularização da Internet.
 
Consciente desta realidade, a Biblioteca Municipal de Estarreja tem promovido, desde 2011, espaços de partilha e de reflexão em torno destas áreas com as Jornadas da Informação. As Jornadas d@ Informação’15 terão lugar nos próximos dias 9 e 10 de Outubro, na Biblioteca Municipal de Estarreja.
 


Detalhes do evento:

Título: Jornadas d@ Informação 2015
Data: 9 e 10 de outubro 2015
Organização: Rede de Bibliotecas de Estarreja
Local: Biblioteca Municipal de Estarreja
Curso de Formação - [CCPFC/ACC-83501/15 -15 horas/0,6 créditos]
Inscrições: até 5 de outubro.
Valor da inscrição e modo de pagamento: consultar na ficha de inscrição


 FICHA DE INSCRIÇÃO (a enviar para biblioteca.municipal@cm-estarreja.pt até ao dia 5 de Outubro)

PROGRAMA EM PDF

 

Aprender com a biblioteca escolar Relatório de avaliação 2014-15

 
 




"As bibliotecas escolares têm, em pleno século XXI, uma importância cada vez maior no desenvolvimento da competência leitora e das novas literacias.

A necessidade de responder às exigências formativas dos alunos nos campos da leitura, da informação, dos media e das tecnologias digitais, conduziu à criação, pelo Programa RBE, de um referencial de aprendizagens nestas áreas e ao lançamento de um projeto piloto para a sua implementação.

Em 2014-15 concluiu-se o período experimental sobre o uso do referencial Aprender com a biblioteca escolar, testado ao longo de três anos no Pré-escolar, 1.º, 2.º e 3.º Ciclos do Ensino Básico.

Os padrões de desempenho, as estratégias de operacionalização e os exemplos de atividades que compõem o documento foram, pelo terceiro ano consecutivo, considerados uma preciosa ajuda para a ligação que as bibliotecas têm de estabelecer com os docentes, as turmas e os alunos no âmbito das literacias, aconselhando-se, por isso, o seu aperfeiçoamento e a continuação da sua utilização."

"Introdução" in PORTUGAL. Ministério da Educação e Ciência. Gabinete da Rede Bibliotecas Escolares. Portal RBE: Aprender com a biblioteca escolar: relatório 2014.15, p. 3, setembro 2015 [Em linha]. Lisboa: RBE, atual. 18-09-2015. [Consult. 19-09-2015] Disponível em WWW: <URL: http://www.rbe.mec.pt/np4/1592 .HTML>


Rota(s) da Palavra

 
 
Encontro de literatura infantil e juvenil | Coimbra
 
 
 





Este encontro formativo resulta de uma parceria entre a Rede de Bibliotecas Escolares, os parceiros locais: Câmara Municipal de Coimbra e Biblioteca Municipal, editora Trinta por uma Linha, e Centros de Formação de Associação de Escolas - Minerva e Nova Ágora. Integra-se no plano de atividades da rede concelhia de bibliotecas de Coimbra e decorre em três dias: 2, 3 e 9 de outubro, sendo cada um dos dias um contributo para a construção de uma rota na formação de leitores, em articulação com as orientações curriculares.


Sítios da formação creditada:
.
CFAE Minerva
. CFAE Nova Ágora




http://rbe.mec.pt/np4/np4/?newsId=1589&fileName=programa_rota_palavras.pdf


 O Programa do Encontro (pdf) pode ser consultado aqui.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Descobrir com a Gulbenkian

 
 
“Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante!”
                                                                                                  Paulo Freire



 
http://www.gulbenkian.pt/mediaRep/gulbenkian/files/institucional/FTP_files/Descobrir/DESCOBRIREscolas15-16/index.html#1


Com mais um ano letivo à porta, o Descobrir – Programa Gulbenkian Educação para a Cultura e Ciência - elaborou um conjunto de propostas pedagógicas a pensar na comunidade escolar – alunos e professores do pré-escolar ao ensino superior –, sem esquecer academias e universidades seniores e outras associações culturais.

A programação pode ser consultada aqui.

Literacia dos Oceanos


http://www.oceanario.pt/docs/oceanario_de_lisboa_programa_de_educacao_2015_2016.pdf



Oceanário de Lisboa - Programação Educativa


Literacia dos Oceanos significa o conhecimento acerca dos oceanos no Homem e a consciência do nosso impacto nos mesmos. O Oceanário de Lisboa explora toda a matéria da literacia dos oceanos através de um vasto programa de atividades educativas no âmbito das ciências naturais, da terra e da vida, da literatura, da matemática e da conservação da natureza.

Consultar aqui a Programação do Oceanário de Lisboa para os diferentes níveis de ensino.
 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Textos & Leituras | Eu, de Florbela Espanca


                         
                        
Excerto do espetáculo "Eu não sou assim, escreveram-me assim", estreado em setembro de 2004,
em Alcochete. Dramaturgia e Encenação de Luís Assis.

 

Eu


Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada ... a dolorida ...

Sombra de névoa ténue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida! ...

Sou aquela que passa e ninguém vê ...
Sou a que chamam triste sem o ser ...
Sou a que chora sem saber porquê ...

Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver
E que nunca na vida me encontrou!

Florbela Espanca, in Livro de Mágoas
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Autorretratos Urbanos | Anna di Prospero








 
 
 
Através dos seus autorretratos, a fotógrafa italiana Anna di Prospero explora a sua própria identidade em clichês que se aproximam da performance. No meio das grandes estruturas arquitetónicas coloridas, cruas e geométricas, a artista faz literalmente corpo com o meio ambiente, às vezes deixando apenas aparecer as pernas ou as mãos.



 

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Google Earth na Sala de Aula

 
earth.png



O "Google Earth na Sala de Aula" é um projeto educativo sem fins-lucrativos que tem como objetivo criar as condições necessárias para a aplicação de novas tecnologias geográficas como ferramenta pedagógica cativando os alunos para a aprendizagem dos conteúdos a partir da descoberta. Os recursos cartográficos gratuitos criados em exclusivo para o projeto, bem como o manual e os cursos apresentados, pretendem ser uma base de apoio para o desenvolvimento e apresentação de conteúdos programáticos por parte dos professores e educadores, de qualquer área curricular (não só os de Geografia), neste mundo virtual chamado de Google Earth.
 
O projeto foi iniciado com a publicação de um manual e não ficou por aí. Seguiu-se-lhe a criação de um Canal do Youtube, de uma página do facebook, do Blog Google Earth na Sala de Aula e de cursos práticos online.

Para o complementar e agregar toda a sua informação num só local, em julho de 2015, foi lançado o
site oficial do projeto. Este site pretende ser dinâmico e ter uma comunicação direta com os utilizadores de geotecnologia, nomeadamente, permitindo o comentário e a partilha de páginas do site. A grande novidade é não só a partilha dos recursos cartográficos em KML mas, acima de tudo, a visualização destes mapas em Google Maps (sempre que possível), não necessitando de ter o Google Earth instalado para visualizar os dados.

                                                                                                  
Ler mais...

Ekaterina Panikanova transforma livros antigos em telas gigantes

 
 
Ekaterina Panikanova, artista russa a viver em Roma, constrói painéis gigantes fazendo ilustrações em centenas de livros antigos.
 
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
                                                                                              Ver mais...


sábado, 12 de setembro de 2015

A noite em que a noite ardeu | A. M. Pires Cabral

 
 


Título : A Noite em que a noite ardeu
Autor :  A. M. Pires Cabral
Editor:  Cotovia
Data de lançamento : agosto 2015
ISBN : 9789727953493
Dimensões :  13 x 20,5 cm
Nº Páginas : 64



«Epígrafe
Se algum dia alguém chegar a ler
este dizer agreste,
provavelmente pensará: que pálida lanterna;
não é deste metal que a luz é feita.
Calma. Pois não.
Mas quem assiduamente
visita os desvãos onde a noite se acoita
não precisa de mais que o clarão desta treva
desta cegueira sem cão e sem bengala,
para no escuro rasgar o seu caminho
e nele ir progredindo às arrecuas.»




Transcreve-se, de seguida, o comentário do livro por Pedro Mexia, no Expresso, de 5 de setembro:


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Puka | Crónica de José Luís Peixoto

 
 
Foto: José Luís Peixoto


Quando morre um cão, há uma tristeza específica. É fina e espeta-se no pensamento. Aleija só de imaginar. Deriva da pena de não termos sido capazes de estar à altura da pureza, da generosidade absoluta.

Está deitada ao meu lado, a ressonar. Acredito que o som dos meus dedos no teclado do computador também a tranquiliza: o ritmo certo/incerto destas palavras: letras-letras-letras espaço letras-letras-letras espaço. Se assim for, se a minha escrita contribuir para a paz do seu sono, está apenas a devolver-lhe aquilo que também recebe deste corpo encostado a mim, a respirar profundamente, como se essa fosse a sua resposta ao tempo.

Quando lhe pouso a mão em cima, deixa-me fazer tudo. Não se incomoda. Essa é a forma que tem de mostrar a sua confiança ilimitada. Não acorda, como se escolhesse não acordar. Oferece o corpo às minhas festas e, se a aperto com um pouco de mais força, deixa escapar um som de prazer preguiçoso, arrastado, nasce-lhe na garganta.

Noutras horas, quando sente um barulho mínimo nas escadas, começa por rosnar e, se o barulho continua, quer ladrar contra a porta fechada. É preciso chamá-la e convencê-la a pensar noutro assunto. Agora, esses episódios parecem histórias inventadas. Neste momento, abrir os olhos e voltar a fechá-los logo a seguir é o máximo de incómodo que aceita. Está tão calma, tem tanto vagar. Às vezes, debaixo das minhas festas, espreguiça-se longamente. Depois, perde a força nos músculos e afunda-se ainda mais no sono.

Eu já estava aqui sentado, a escrever, quando ela chegou muito direita. Caminhou na minha direção sem hesitar, com as patinhas a riscarem um som leve. Numa agilidade súbita, deu um pequeno salto e ficou ao meu lado. Então, encostou-se à minha perna, formámos uma pequena união de calor, e adormeceu.

Foi também assim que chegou à minha vida. Eu não esperava nada, não procurava nada, ela chegou e, sem forçar, conquistou-me inteiro com a sua presença. Quando lhe faço festas na cabeça, os seus olhos descobrem-se entre o pêlo. Há uma certa tristeza nesse olhar antigo, como se carregasse restos de uma mágoa. Compreendo-a e, às vezes, chego a acreditar que também ela me compreende a mim, também ela é capaz de distinguir essa mesma idade no meu olhar, esse silêncio. Encontrámo-nos aqui, mas viemos de lugares distantes.

Durante o dia, passeia sossegada pela casa. Só ela sabe onde vai. Com frequência, escolhe um quadrado de sol no chão e deixa cair as orelhas. Nessas ocasiões, está preparada para qualquer surpresa.

De todas as palavras que existem no mundo, há duas que a enchem de eletricidade: "rua" e "bola". Rejuvenesce com cada uma delas, enlouquece. Na rua, muito interessada, como se estivesse a tomar conhecimento das últimas notícias, vai sempre cheirar os mesmo cantos. Fingindo não fazer caso, partilhamos o pudor do momento em que baixa as duas patinhas de trás e, depois, se afasta de uma pequena poça de chichi. Com a bola, dá saltos no ar, apoia-se em duas patas, chega a ficar assim alguns segundos, como no circo, e parece cega quando corre para apanhá-la. Vai buscá-la onde for preciso.

Quando eu andava na escola primária, numa visita de estudo ao Jardim Zoológico de Lisboa, admirei-me com o cemitério dos animais de estimação. Estava habituado a cães que mal tinham nome, que eram levados numa saca e enterrados no campo. Durante anos, habituávamo-nos a ver um cão quando passávamos numa certa rua, depois, um dia, deixávamos de vê-lo. Era assim.

Hoje, com esta cadelinha, sinto-me como aquele velho mal-humorado, a queixar-se de tudo, a culpar sempre os outros, mas que se derrete com os netos, lhes permite tudo, e quase parece outra pessoa. Talvez por isso, sou agora capaz de compreender que, quando morre um cão, há uma tristeza específica. É fina e espeta-se no pensamento. Aleija só de imaginar. Deriva da pena de não termos sido capazes de estar à altura da pureza, da generosidade absoluta.
Aqui, o tempo desta sala continua à mesma cadência, letras-letras-letras espaço letras-letras-letras espaço. Às vezes, ela estremece de repente. O arco da respiração perturba-se. Está talvez a sonhar. Aperto-a de encontro a mim. Nada te pode fazer mal, pequenina. Eu protejo-te com a mesma dedicação com que me proteges. Esta companhia que partilhamos é eterna.

Publicada na revista Visão, em 20 de fevereiro de 2013