quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Ler, é para já: Diário de leitura

Ler, é para já: Diário de leitura


 http://www.rbe.mec.pt/np4/np4/?newsId=1859&fileName=diario_leitura_impressao.pdf



“Escrever diários de leitura ajuda os alunos a passar de uma leitura literal para uma mais profunda e promove um envolvimento pessoal e reflexivo com o texto. Como afirma Colomer, pôr os alunos em contacto com os textos, apenas, não soluciona o problema da leitura. Também é necessário ensiná-los a pensar e a falar sobre o que leram.”


terça-feira, 29 de novembro de 2016

Louça de Bisalhães é Património Imaterial da Humanidade







O processo de fabrico do barro preto de Bisalhães, em Vila Real, foi hoje inscrito na lista do Património Cultural Imaterial que necessita de salvaguarda urgente da UNESCO. 

A decisão foi tomada durante a 11.ª reunião do Comité Intergovernamental para a Salvaguarda do Património Cultural Imaterial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, que está a decorrer em Adis Abeba, capital da Etiópia.


Dia internacional de solidariedade com o povo palestiniano



29 de novembro






domingo, 27 de novembro de 2016

Literatura e Cinema: Ruy Belo (2)



Marilyn Monroe



NA MORTE DE MARILYN, de Ruy Belo


Morreu a mais bela mulher do mundo
tão bela que não só era assim bela
como mais que chamar-lhe marilyn
devíamos mas era reservar apenas para ela
o seco sóbrio simples nome de mulher
em vez de marilyn dizer mulher
Não havia no fundo em todo o mundo outra mulher
mas ingeriu demasiados barbitúricos
uma noite ao deitar-se quando se sentiu sozinha
ou suspeitou que tinha errado a vida
ela de quem a vida a bem dizer não era digna
e que exibia vida mesmo quando a suprimia
Não havia no mundo uma mulher mais bela mas
essa mulher um dia dispôs do direito
ao uso e ao abuso de ser bela
e decidiu de vez não mais o ser
nem doravante ser sequer mulher
O último dos rostos que mostrou era um rosto de dor
um rosto sem regresso mais que rosto mar
e toda a confusão e convulsão que nele possa caber
e toda a violência e voz que num restrito rosto
possa o máximo mar intensamente condensar
Tomou todos os tubos que tinha e não tinha
e disse à governanta não me acorde amanhã
estou cansada e necessito de dormir
estou cansada e é preciso eu descansar
Nunca ninguém foi tão amado como ela
nunca ninguém se viu envolto em semelhante escuridão
Era mulher era a mulher mais bela
mas não há coisa alguma que fazer se certo dia
a mão da solidão é pedra em nosso peito
Perto de marilyn havia aqueles comprimidos
seriam solução sentiu na mão a mãe
estava tão sozinha que pensou que a não amavam
que todos afinal a utilizavam
que viam por trás dela a mais comum imagem dela
a cara o corpo de mulher que urge adjectivar
mesmo que seja bela o adjectivo a empregar
que em vez de ver um todo se decida dissecar
analisar partir multiplicar em partes
Toda a mulher que era se sentiu toda sozinha
julgou que a não amavam todo o tempo como que parou
quis ser atá ao fim coisa que mexe coisa viva
um segundo bastou foi só estender a mão
e então o tempo sim foi coisa que passou.
Ruy Belo, Transporte no Tempo


Literatura e Cinema: Ruy Belo (1)



Natalie Wood





ESPLENDOR NA RELVA , de Ruy Belo


[poema dedicado à personagem Deanie Loomis, interpretada por Natalie Wood, no filme Esplendor na Relva, de Elia Kazan]


Eu sei que Deanie Loomis não existe
mas entre as mais essa mulher caminha
e a sua evolução segue uma linha
que à imaginação pura resiste

A vida passa e em passar consiste
e embora eu não tenha a que tinha
ao começar há pouco esta minha
evocação de Deanie quem desiste

na flor que dentro em breve há-de murchar?
(e aquele que no auge a não olhar
que saiba que passou e que jamais

lhe será dado a ver o que ela era)
Mas em Deanie prossegue a primavera
e vejo que caminha entre as mais


Ruy Belo, Homem de Palavra[s]


Ler comentário de João Bénard da Costa (sobre o filme e o poema) AQUI.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Acha que sabe tudo sobre a violência contra as mulheres?




Faça o quiz e descubra!



Dia Internacional pela eliminação da violência contra as mulheres





"Break the silence. When you witness violence against women and girls, do not sit back. Act."

Ban Ki-moon, Secretário Geral da ONU


UNiTE for International Day to End Violence Against Women





Links úteis:

Dia Nacional da Cultura Científica (2)




O Prof. António Fortuna lê para os alunos um extrato de História Breve da Lua, de António Gedeão.










História Breve da Lua, de António Gedeão
Livro Recomendado pelo Plano Nacional de Leitura | 8º ano | Leitura Orientada

"Vou contar-vos uma história que espero que vos agrade. Diz essa história que outrora a superfície da Lua não era como é agora… 

Descobre a história (breve) da Lua, nesta divertida peça escrita em verso, com um toque sublime de imaginação. 

A Coleção Educação Literária reúne obras de referência da literatura portuguesa e universal indicadas pelas Metas Curriculares de Português e pelo Plano Nacional de Leitura."

Livro disponível na Biblioteca da Camilo.


Dia Nacional da Cultura Científica (1)


24 de novembro






Para celebrar o Dia Nacional da Cultura Científica, está patente na Biblioteca uma exposição organizada por António Fortuna, professor de Física e Química.

Ao longo da manhã, decorreram também, na Biblioteca, aulas abertas com alunos de 7º e de 8º anos sobre a ciência na obra de Gedeão, orientadas pelo mesmo docente.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Feira do Livro'16 (1ª edição)








Dias 23 e 24 de novembro terá lugar no átrio da Escola mais uma edição da Feira do Livro, com o patrocínio da Leya.

Não deixem de passar por lá! Há livros interessantes a preços convidativos. 

Depois não digam que não leem porque os livros estão muito caros...



segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Histórias da Ajudaris 2017


Concurso









A Ajudaris é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) com estatuto de utilidade pública.


O Projeto Histórias da Ajudaris, criado em 2009, concretiza-se a partir da edição de livros escritos por crianças para crianças, colhendo a inspiração em temas como a cidadania, os afetos e o ambiente.


A 9ª edição do concurso Histórias da Ajudaris obedece ao tema a "Família". As escolas que pretenderem participar neste concurso deverão inscrever-se até 31 de janeiro de 2017, através do preenchimento do formulário disponível on-line.

Para saber mais consulte o regulamento.



Um Natal com muitas estrelas:


Make-A-Wish!






Escola associou-se ao Município de Vila Real na decoração de uma Árvore de Natal de 16m de altura com as estrelas de Natal Make-A-Wish. 

Colaborar na missão Make-A-Wish, participando na iniciativa de Natal, é fácil: basta dispor de 1€ para adquirir uma estrela Make-A-Wish, no PBX da escola. Depois é só escrever uma mensagem natalícia na estrela (por que não um desejo) e entregá-la na Direção. 

No final de novembro, o Município fará a recolha dos donativos (para serem devidamente entregues à Make-A-Wish Portugal) e das estrelas (que serão penduradas, no dia 2 de dezembro de 2016) na Árvore de Natal que será colocada na Praça da Nossa Senhora da Conceição.

A missão Make-A-Wish precisa de todos nós para poder realizar os desejos a crianças (dos 3 aos 18 anos) que sofrem de uma doença que coloque em risco a sua vida.


Make-A-Wish:)


domingo, 20 de novembro de 2016

Lisbon Revisited (1923), de Álvaro de Campos


Leitura / interpretação do ator brasileiro Ivan Lima








NÃO: Não quero nada.
Já disse que não quero nada.

Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.

Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!

Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
Das ciências, das artes, da civilização moderna!

Que mal fiz eu aos deuses todos? 

Se têm a verdade, guardem-na!

Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
Com todo o direito a sê-lo, ouviram?

Não me macem, por amor de Deus!

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflecte!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!

In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002


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Fernando Pessoa / Álvaro de Campos escreveu uma outra versão deste poema, datada de 1926:


Lisbon revisited (1926)


Nada me prende a nada.
Quero cinquenta coisas ao mesmo tempo.
Anseio com uma angústia de fome de carne
O que não sei que seja —
Definidamente pelo indefinido...
Durmo irrequieto, e vivo num sonhar irrequieto
De quem dorme irrequieto, metade a sonhar.
Fecharam-me todas as portas abstractas e necessárias.
Correram cortinas de todas as hipóteses que eu poderia ver da rua.
Não há na travessa achada o número da porta que me deram.

Acordei para a mesma vida para que tinha adormecido.
Até os meus exércitos sonhados sofreram derrota.
Até os meus sonhos se sentiram falsos ao serem sonhados.
Até a vida só desejada me farta – até essa vida...

Compreendo a intervalos desconexos;
Escrevo por lapsos de cansaço;
E um tédio que é até do tédio arroja-me à praia.

Não sei que destino ou futuro compete à minha angústia sem leme;
Não sei que ilhas do sul impossível aguardam-me náufrago;
Ou que palmares de literatura me darão ao menos um verso.
Não, não sei isto, nem outra coisa, nem coisa nenhuma...
E, no fundo do meu espírito, onde sonho o que sonhei,
Nos campos últimos da alma, onde memoro sem causa
(E o passado é uma névoa natural de lágrimas falsas),
Nas estradas e atalhos das florestas longínquas
Onde supus o meu ser,
Fogem desmantelados, últimos restos
Da ilusão final,
Os meus exércitos sonhados, derrotados sem ter sido,
As minhas cortes por existir, esfaceladas em Deus.

Outra vez te revejo,
Cidade da minha infância pavorosamente perdida…
Cidade triste e alegre, outra vez sonho aqui…
Eu? Mas sou eu o mesmo que aqui vivi, e aqui voltei,
E aqui tornei a voltar, e a voltar.
E aqui de novo tornei a voltar?
Ou somos todos os Eu que estive aqui ou estiveram,
Uma série de contas-entes ligados por um fio-memória,
Uma série de sonhos de mim de alguém de fora de mim?

Outra vez te revejo,
Com o coração mais longínquo, a alma menos minha.

Outra vez te revejo – Lisboa e Tejo e tudo –,
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte,
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações,
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver…

Outra vez te revejo,
Sombra que passa através das sombras, e brilha
Um momento a uma luz fúnebre desconhecida,
E entra na noite como um rastro de barco se perde
Na água que deixa de se ouvir…

Outra vez te revejo,
Mas, ai, a mim não me revejo!
Partiu-se o espelho mágico em que me revia idêntico,
E em cada fragmento fatídico vejo só um bocado de mim -
Um bocado de ti e de mim!...


26 - 4 - 1926 
In Poesia , Assírio & Alvim, ed. Teresa Rita Lopes, 2002

sábado, 19 de novembro de 2016

Ensaio filosófico no Ensino Secundário



Concurso





Possuir um pensamento crítico, livre e bem fundamentado é essencial no mundo de hoje, tal como o era em 2005 quando a UNESCO elegeu a terceira quinta-feira de cada mês de novembro como o dia para celebrar a Filosofia.

Aprender a Filosofar, ou seja, ousar pensar por si, é um fim que apenas se alcança pelo exercício do pensamento.

É com o objetivo de incentivar os jovens a ousar pensar por si que a Associação de Professores de Filosofia (Apf), em parceria com a Rede de Bibliotecas Escolares, promove o concurso Ensaio filosófico no ensino secundário dirigido a todos os alunos do ensino secundário público e privado português.

Para mais informações, consulte o regulamento.


Concurso Uma Aventura... Literária 2017









Modalidades: Texto Original, Crítica, Desenho, Teatro e Olimpíadas da História.

Destinatários: alunos do pré-escolar, 1.º ciclo, 2.º ciclo, 3.º ciclo e secundário.

Prazo: o envio dos trabalhos termina a 19 de fevereiro 2017 (data dos CTT).

Os trabalhos podem ser enviados pelo correio ou através do site Uma Aventura http://uma-aventura.pt/

Se optar pelo envio através do site Uma Aventura, a inscrição e envio dos trabalhos devem ser feitos em simultâneo. Para tal, basta fazer o registo no site e adicionar o/os trabalhos a concurso (ficheiros word ou imagem .docx, .doc, .png ou .jpg). A cada trabalho terá que corresponder um registo de inscrição.

Os trabalhos podem ainda ser enviados através do correio (com as fichas de participação devidamente preenchidas), nos moldes habituais, para a seguinte morada:
Concurso Uma Aventura… Literária 2017 - Editorial Caminho
Rua Cidade de Córdova nº 2 - 2610 - 038 Alfragide

Os professores e alunos que enviarem e registarem trabalhos através do site poderão imprimir os Diplomas de Participação e de Coordenação Pedagógica diretamente através do site.

A ficha de participação deverá ser imprimida e enviada pelo correio juntamente com os trabalhos, caso estes sejam enviados pelo correio.

O Regulamento do concurso pode ser consultado AQUI.



quinta-feira, 17 de novembro de 2016

A Imprensa no Estado Novo (2)



A figura da mulher nos jornais e nas revistas



















A Imprensa no Estado Novo (1)


Exposição













Methodo para a prender a dançar as contradanças




Methodo ou explicaçam para aprender com perfeicão a dançar as contradanças / Julio Severin Pantezze. Lisboa : 1761


 http://purl.pt/29145/4/849698_PDF/849698_PDF_24-C-R0150/849698_0000_capa-capa_t24-C-R0150.pdf
Fazer duplo clic sobre a imagem para aceder ao documento.



Há uma dissertação de mestrado, de Alexandra Campos, onde se estuda este tratado. Está disponível para consulta na BNP e no RUN:http://hdl.handle.net/10362/11979.

 

Poema em linha reta, de Álvaro de Campos





Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cómico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado,
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um acto ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe — todos eles príncipes — na vida...
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?
Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos — mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.
s.d.
Poesias de Álvaro de Campos. Fernando Pessoa. Lisboa: Ática, 1944 (imp. 1993).
  - 312.


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Tabacaria, de Álvaro de Campos


Um texto, três leituras



Da janela de seu quarto, em frente à Tabacaria do outro lado da rua, um homem reflete sobre a vida. Os seus questionamentos revelam o pessimismo, a frustração, a descrença e a incapacidade de ação num mundo em constante transformações e crescimento.


A interpretação de Mário Viegas:






A interpretação de Sofia Carvalhinha (excerto do poema):




A interpretação de Caroline Nunes, uma adolescente brasileira, num jardim de uma cidade de Minas Gerais, Poços de Caldas:



Saramago: O [novo] Sermão aos Peixes






"De memória de guarda da fronteira, nunca tal se viu. Este é o primeiro viajante que no meio do caminho para o automóvel, tem o motor já em Portugal, mas não o depósito da gasolina, que ainda está em Espanha, e ele próprio assoma ao parapeito naquele exato centímetro por onde passa a invisível linha da fronteira. Então, sobre as águas escuras e profundas, entre as altas escarpas que vão dobrando os ecos, ouve-se a voz do viajante, pregando aos peixes do rio:

«Vinde cá, peixes, vós da margem direita que estais no rio Douro, e vós da margem esquerda que estais no rio Duero, vinde cá todos e dizei-me que língua é a que falais quando aí em baixo cruzais as aquáticas alfândegas, e se também lá tendes passaportes e carimbos para entrar e sair. Aqui estou eu, olhando para vós do alto desta barragem, e vós para mim, peixes que viveis nessas confundidas águas, que tão depressa estais duma banda como da outra, em grande irmandade de peixes que uns aos outros só se comem por necessidades de fome e não por enfados de pátria.

Dais-me vós, peixes, uma clara lição, oxalá não a vá eu esquecer ao segundo passo desta minha viagem a Portugal, convém a saber: que de terra em terra deverei dar muita atenção ao que for igual e ao que for diferente, embora ressalvando, como humano é, e entre vós igualmente se pratica, as preferências e as simpatias deste viajante, que não está ligado a obrigações de amor universal, nem isso se lhe pediu. De vós, enfim, me despeço, peixes, até um dia, ide à vossa vida enquanto por aí não vêm os pescadores, nadai felizes, e desejai-me boa viagem, adeus, adeus.»

Bom milagre foi este para começar. Uma aragem súbita encrespou as águas, ou terá sido o rebuliço dos peixes mergulhando, e mal o viajante se calou não havia mais que ver do que o rio e escarpas dele nem mais que ouvir do que o murmúrio adormecido do motor. É esse o defeito dos milagres: não duram muito. Mas o viajante não é taumaturgo de profissão, milagriza por acidente, por isso já está resignado quando regressa ao automóvel. Sabe que vai entrar num país abundoso em fastos de sobrenatural, de que logo é assinalado exemplo esta primeira cidade de Portugal por onde vai entrando, com seu vagar de viajante minucioso, cuja se chama Miranda do Douro. Há de pois recolher com modéstia as suas próprias veleidades, e decidir-se a aprender tudo. Os milagres e o resto."

Viagem a Portugal, de José Saramago (extrato)


Viagem a Portugal, de José Saramago





A quem me abriu portas e mostrou caminhos — e também em lembrança de Almeida Garrett, mestre de viajantes. - Epígrafe introdutória

 

“É preciso recomeçar a viagem. Sempre.» escreveu José Saramago em Viagem a Portugal, livro que regressa numa nova edição da Porto Editora e com o título caligrafado por Maria Alzira Seixo.

35 anos depois da sua publicação, este é um livro que reúne as crónicas de viagem do Nobel português pelo nosso país, oferecendo-nos um retrato de cada região, das suas pessoas e paisagens.


Entre outubro de 1979 e julho de 1980, José Saramago percorreu o país de lés a lés a convite do Círculo de Leitores, que comemorava o décimo aniversário da sua implantação em Portugal. 

Disse o autor após essa deambulação, misto de crónica, narrativa e recordações, que

 «o fim de uma viagem é apenas o começo de outra. É preciso ver o que não foi visto, ver outra vez o que se viu já, ver na primavera o que se vira no verão, ver de dia o que se viu de noite... É preciso voltar aos passos que foram dados, para os repetir, e para traçar caminhos novos»
                                                                              

Fundação José Saramago




Um poema de Natal para o lobo


Concurso de Natal







No âmbito do seu programa educativo, o Grupo Lobo promove, uma vez mais, um concurso de Natal para a comunidade escolar. O presente concurso integra-se nas ações de sensibilização e educação ambiental desta Associação e pretende alertar os alunos para a problemática de conservação da biodiversidade, em particular do lobo-ibérico.

Os participantes são convidados a criar um poema de Natal para o lobo. Pretende-se com esta iniciativa estimular a criatividade e imaginação do público mais jovem e, ao mesmo tempo, incutir a sua participação ativa para a difusão da conservação do património natural do nosso país.

Destinatários
O concurso destina-se a todos os alunos do país que frequentem os 1º, 2º e 3º ciclos do ensino básico.

Apresentação dos Trabalhos 
a) Os trabalhos deverão ser apresentados em folhas A4, redigidos à mão ou em computador, tendo no máximo uma página. Será fator de exclusão a apresentação noutro formato. 
b) Os trabalhos são individuais e cada participante poderá apresentar apenas um a concurso. 
c) No verso do trabalho deverá ser indicado o ano escolar que o aluno frequenta. 
d) Os trabalhos não podem conter o nome dos alunos. Esta informação deverá ser colocada num envelope (fechado à parte), juntamente com a identificação do estabelecimento de ensino, morada, contacto telefónico e endereço eletrónico (do professor responsável ou da escola).

Envio dos trabalhos
Os trabalhos deverão ser enviados por correio eletrónico para globo@ciencias.ulisboa.pt ou por correio para a seguinte morada: 
Grupo Lobo Departamento de Biologia Animal, Faculdade de Ciências de Lisboa, Edifício C2, Campo Grande 1749-016 Lisboa 

O prazo limite para a entrega dos trabalhos é o dia 16 de dezembro (data constante no carimbo dos correios).

Júri
O júri de avaliação dos trabalhos é composto por três elementos, dois da Direção Nacional e um sócio a nomear.

Prémios
Os critérios de avaliação dos trabalhos terão em consideração a qualidade, originalidade e mensagem do poema. As decisões tomadas pelo Júri não permitirão recurso. Nenhum familiar da organização ou do Júri poderá concorrer ao concurso.

Serão atribuídos 3 prémios às categorias que seguidamente se enumeram: 

a) Categoria 1º Ciclo
- 1º Classificado: Visita ao Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, válido para aluno, e adoção de um lobo residente no CRLI; 
- 2º Classificado: Adoção de um lobo residente no CRLI; 
- 3º Classificado: Visita ao Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, válido para o aluno. 

b) Categoria 2º Ciclo 
- 1º Classificado: Visita ao Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, válido para aluno, e adoção de um lobo residente no CRLI; 
- 2º Classificado: Adoção de um lobo residente no CRLI; 
- 3º Classificado: Visita ao Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, válido para o aluno. 

c) Categoria 3º Ciclo 
- 1º Classificado: Visita ao Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, válido para aluno, e adoção de um lobo residente no CRLI; 
- 2º Classificado: Adoção de um lobo residente no CRLI; 
- 3º Classificado: Visita ao Centro de Recuperação do Lobo Ibérico, válido para o aluno.

Os prémios serão enviados por correio para a morada da escola. Todos os participantes receberão um certificado de participação. Caso considere pertinente, a organização pode entregar menções honrosas.

Divulgação dos Premiados 
Os resultados do concurso serão divulgados no dia dos “Reis Magos” 6 de Janeiro de 2017 no através do correio electrónico do Grupo Lobo, do seu portal http://lobo.fc.ul.pt, e das suas redes sociais Facebook e Twitter. Os três primeiros classificados serão contactados por telefone.

Disposições Finais 
A entidade promotora reserva-se no direito de modificar o presente regulamento, bem como de proceder à resolução de situações omissas no mesmo. A participação neste concurso implica a aceitação deste regulamento, bem como das possíveis alterações que ao mesmo se venham a verificar. As obras entregues a concurso, após receção, passarão a ser propriedade do Grupo Lobo, entidade que reserva para si todos os direitos de autoria, publicação, divulgação e exposição através de qualquer meio ou suporte, no âmbito das suas atividades, sem necessidade de prévio conhecimento ou consentimento do(s) autor(es) ou seus representantes, mas sempre com menção do nome do(s) autor(es).


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Celebração do Dia de São Martinho








Na Camilo, o Dia de São Martinho é celebrado com castanhas assadas embrulhadas em quadras do poeta popular António Aleixo e distribuídas pelo João e pelo Rodrigo, alunos de Artes do 12º ano. 

Para além das castanhas e das quadras, haverá também jogos populares.


Transcrevemos algumas das quadras de Aleixo que serão lidas neste dia nas salas de aula e noutros espaços da escola pelo João, pelo Rodrigo e pelo Gonçalo do 12º F, ao som da guitarra da Mariana do 7º E, acompanhados pela professora Rosa Canelas: 


Sei que pareço um ladrão
Mas há muitos que eu conheço
Que sem parecer o que são
São aquilo que eu pareço.

Para triunfar depressa
cala contigo o que vejas
finge que não te interessa
aquilo que mais desejas.


Vinho que vai para vinagre
não retrocede o caminho;
só por obra de milagre,
pode de novo ser vinho.

— Onde nasceu a ciência?...
— Onde nasceu o juízo?...
Calculo que ninguém tem
Tudo quanto lhe é preciso!

Vemos gente bem vestida
No aspeto desassombrada
São tudo ilusões da vida
Tudo é miséria dourada.

Embora os meus olhos sejam
Os mais pequenos do mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo.

Os que bons conselhos dão
Às vezes fazem-me rir
Porque eles próprios são
Incapazes de os seguir.

És a deusa que eu adoro
Teus olhos são meu altar
Tua janela, uma igreja
Onde eu quisera rezar.

Há tantos burros mandando
Em homens de inteligência
Que às vezes fico pensando
Que a burrice é uma ciência.

Para não fazeres ofensas
E teres dias felizes,
Não digas tudo o que pensas,
Mas pensa tudo o que dizes. 

Os teus olhos mulher linda
Para quem neles souber ler
Dizem mais coisas ainda
Do que tu sabes dizer.

Não queiras que se convençam
Que és da regra uma excepção
Pensas como todas pensam
Tu és como todas são.

Certas viúvas discretas
De luto pesado em cima
Lembram cachos de uvas pretas
A pedir outra vindima.

Riem de outras com desdém
Certas damas bem vestidas
Quantas para vestir bem
Se despem às escondidas.

Quem trabalha e mata a fome
Não come o pão de ninguém
Quem não ganha o pão que come
Come sempre o pão de alguém.

Tu que tens saber profundo
Que és engenheiro e vês bem
Ergue uma ponte onde o mundo
Passe sem esmagar ninguém.

Quem prende a água que corre
É por si próprio enganado
O ribeirinho não morre
Vai correr para outro lado.

Não digas que me enganaste
Por ter confiado em ti
Muito mais do que levaste
Ganhei eu no que aprendi.

Para a mentira ser segura
E atingir profundidade
Tem que trazer à mistura
Qualquer coisa de verdade.

O mundo só pode ser
Melhor que até aqui,
- Quando consigas fazer
Mais p'los outros que por ti!

À guerra não ligues meia,
porque alguns grandes da terra,
vendo a guerra em terra alheia,
não querem que acabe a guerra.

De te ver fiquei repeso,
em vez de ganhar, perdi;
quis prender-te, fiquei preso,
e não sei se te prendi.

Entra sempre com doçura
A mentira, pr’a agradar;
A verdade entra mais dura,
Porque não quer enganar.

Ser artista é ser alguém!
Que bonito é ser artista...
Ver as coisas mais além
do que alcança a nossa vista!



Bom Dia de São Martinho!