sexta-feira, 27 de março de 2015

Conto inédito de António Tabucchi




Jornal Público publica conto inacabado Tabucchi




Italiano de nascimento, António Tabucchi  (1943-2012) apaixonou-se por Fernando Pessoa quando, em Paris, na Sorbonne, leu uma coletânea de poemas do autor de "Tabacaria", traduzidos em francês. Decidiu então vir para Portugal aprender a língua lusíada para melhor compreender o poeta.

Aqui conheceu Marisa José Lancastre, que viria a ser sua mulher, aqui veria nascer os seus dois filhos e aqui viria a morrer, de doença prolongada.
 
Escreveu, entre outros títulos, Notturno Indiano (1984), Pequenos equívocos sem importância (1985), Chamam ao telefone o Sr. Pirandello (1988), Requiem, uma alucinação (1992), Sonhos de sonhos (1992), Os últimos três dias de Fernando Pessoa (1994), Afirma Pereira (1994), obra premiada, que foi adaptada ao cinema com Marcello Mastroianni no papel principal, A cabeça perdida de Damasceno Monteiro (1997), Tristano morre (2003), Está a fazer-se cada vez mais tarde (2003), O tempo envelhece depressa (2012).



Manuscrito do texto



Maria José Lancastre, viúva de Tabucchi, explica como o escritor chegou ao conto inacabado que, o público publicou na sua edição de 22 de março de 2015, e que termina com o artigo “o”:

 "Este texto foi escrito em 2011. Teria sido certamente aperfeiçoado e, sobretudo, completado se o destino não se tivesse posto de permeio.

 O episódio que inspirou Antonio Tabucchi foi-lhe contado por uma amiga, Helena Abreu, que o viveu pessoalmente quando andava na Faculdade de Letras de Lisboa e participava nas “excursões dialetais”, organizadas no fim dos anos 60 pelo professor de Linguística Portuguesa Luís-Filipe Lindley Cintra, o professor do conto. Os factos de que se fala tiveram lugar em Trás-os-Montes, numa aldeia do concelho de Chaves.

Nessa ocasião, enquanto o grupo chefiado pelo professor interrogava ao pé da sacristia uma velha mulher (parece que o professor estava aborrecido, pois que quase só lhe tinham trazido velhas desdentadas, o que poderia interferir com a pronúncia verdadeira dos vocábulos escolhidos para o teste linguístico), começaram a ouvir-se gritos terríveis na aldeia — gritos de mulheres desesperadas, agudos, quase inumanos, num coro de tragédia grega, gritos que feriam como ferro em brasa. Cedo se soube que a causa fora a chegada de um telegrama a comunicar a morte na guerra em África de um jovem da aldeia. Do grupo de Lisboa, houve quem ficasse petrificado e quem desatasse a soluçar. Aquela tinha sido uma das experiências mais fortes das suas vidas.

 A velha era a avó do rapaz morto e, apesar da notícia, continuou a soletrar palavras para dentro do gravador.


A tradução é minha.

 Maria José Lancastre"
 
 

 Ler o conto aqui.

domingo, 22 de março de 2015

Blimunda 34



Blimunda#34:  
 homenagem ao fotógrafo Sebastião Salgado



março 2015


Testemunha de guerras e da intolerância do homem, em meados dos anos 90 o fotógrafo Sebastião Salgado viu-se com a “alma doente”. Essa dor levou-o a criar, com a ajuda da esposa, o Instituto Terra, replantar uma floresta, e sair pelo mundo em busca da beleza. A Blimunda deste mês dedica várias das suas páginas a Génesis, o seu mais recente projeto, e ao documentário O Sal da Terra, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro, autores de um retrato íntimo do artista brasileiro.


Da 16ª edição das Correntes d’Escritas a revista publica um extenso dossier: uma entrevista com o escritor cubano Leonardo Padura, uma conversa pouco convencional com o português Manuel Jorge Marmelo e o alemão Michael Kegler, e os textos da espanhola Clara Usón e do português Bruno Vieira Amaral.


Na secção infantil e juvenil, uma entrevista da escritora e pedagoga brasileira Ana Maria Machado, para além das habituais notas de rodapé e de duas novas entradas no Dicionário de Literatura Infantil e Juvenil.


Na secção bimestral dedicada ao Cinema, o alvo é o polémico American Sniper, de Clint Eastwood, obra polémica numa Hollywood liberal.


Por fim, a terminar, o escritor açoriano João de Melo assina um texto sobre a relação de José Saramago com a Espanha na secção Saramaguiana.


Boas leituras!

 
Descarregar Blimunda # 34

Dia Mundial da Água



22 de março

Cidadania

 
 
  
 
 
 
 Não vamos fazer
 
tempestade em copo d'água
 
nem chover no molhado.
 
Mas se não formos
 
água mole em pedra dura
 
será a gota de água.
 
 
 
 


Trailer oficial do Dia Mundial da Água 2015
 
(ver mais vídeos no site oficial da UNESCO sobre o Dia Mundial da Água:  http://www.unwater.org/worldwaterday/features/videos/en/ 
 
 
Até 2030, o planeta enfrentará um deficit de água de 40%, a menos que seja melhorada dramaticamente a gestão desse recurso precioso. Essa é a conclusão inevitável do Relatório das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento de Água 2015 - Água para um mundo sustentável, lançado em 20 de março em nova Deli (Índia), em celebração ao Dia Mundial da Água (22 de março).

O Resumo executivo do relatório (PDF) pode ser consultado aqui.

 



Todos os dias as mulheres gastam milhões de horas a transportar água
(http://www.unwater.org/worldwaterday/home/en/)
 
 

 
 
Em 1992, a ONU (Organização das Nações Unidas) instituiu o dia 22 de março como “Dia Mundial da Água", publicando um documento intitulado "Declaração Universal dos Direitos da Água". Ao todo são 10 artigos que devem ser tema de reflexão, discussão e análise.



 

Declaração Universal dos Direitos da Água
 
Art. 1º - A água faz parte do património do planeta. Cada continente, cada povo, cada nação, cada região, cada cidade, cada cidadão é plenamente responsável aos olhos de todos. 
 Art. 2º - A água é a seiva do nosso planeta. Ela é a condição essencial de vida de todo o ser vegetal, animal ou humano. Sem ela não temos atmosfera, clima, vegetação, cultura,  agricultura. O direito à água é um dos direitos fundamentais do ser humano: o direito à vida, tal como é estipulado no Art. 3 º da Declaração dos Direitos do Homem. 
 Art. 3º - Os recursos naturais de transformação da água em água potável são lentos, frágeis e muito limitados. Assim sendo, a água deve ser usada com racionalidade, precaução e responsabilidade. 
 Art. 4º - O equilíbrio e o futuro do nosso planeta dependem da preservação da água e dos seus ciclos. Estes devem permanecer intactos e funcionar normalmente para garantir a continuidade da vida na Terra. Este equilíbrio depende, em particular, da preservação dos mares e oceanos, por onde os ciclos começam. 
 Art. 5º - A água não é somente uma herança dos nossos predecessores; ela é, sobretudo, um empréstimo àqueles que virão depois de nós. A sua proteção constitui uma necessidade vital, assim como uma obrigação moral do homem para com as gerações presentes e futuras. 
 Art. 6º - A água não é uma doação gratuita da natureza; tem um valor económico: algumas vezes, é rara e dispendiosa e que pode muito bem escassear em qualquer região do mundo. 
 Art. 7º - A água não deve ser desperdiçada, nem poluída, nem envenenada. De uma maneira geral, a sua utilização deve ser feita com consciência e discernimento para que não se chegue a uma situação de esgotamento ou de deterioração da qualidade das reservas atualmente disponíveis. 
 Art. 8º - A utilização da água implica respeito pela lei. A sua proteção constitui uma obrigação jurídica para todo homem ou grupo social que a utiliza. Esta questão não deve ser ignorada nem pelo homem nem pelo Estado. 
 Art. 9º - A gestão da água impõe um equilíbrio entre os imperativos da sua proteção e as necessidades de ordem económica, sanitária e social. 
 Art. 10º - O planeamento da gestão da água deve levar em conta a solidariedade e o consenso devido à sua distribuição desigual sobre a Terra. 

 
 
 
 


Água para um Mundo Sustentável - Mensagens principais  
 
Mensagem geral
 

A água está no centro do desenvolvimento sustentável. Os recursos hídricos, e a gama de serviços fornecidos por eles, sustentam os processos de redução da pobreza, crescimento económico e sustentabilidade ambiental. Da segurança alimentar e energética até à saúde humana e ambiental, a água contribui para o bem-estar social e o crescimento inclusivo, o que afeta os meios de subsistência de bilhões de pessoas.
 
Mensagem 1: a água fornece uma ampla gama de benefícios e serviços que são fatores-chave para a obtenção do desenvolvimento sustentável e do crescimento inclusivo, essenciais para quase todas as formas de atividade económica, e que sustentam os meios de subsistência de bilhões de pessoas.


 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 



Semana da leitura'15 | Celebração do Dia Mundial da Poesia





Dia mundial da poesia na ESCCBVR






A celebração, na escola, do Dia Mundial da Poesia coincidiu com a data de encerramento da Semana da Leitura, este ano subordinada ao tema Palavras do Mundo. 
Para celebrar esta efeméride, a biblioteca da ESCCBVR promoveu uma sessão de poesia em que participaram alunos, professores pais/encarregados de educação e o auxiliar da Biblioteca Escolar.












A palavra dita / declamada







 





A palavra cantada






Acompanhada pelo professor Carlos Santelmo, Inês Lima, do 10º F, cantou os poemas: "Gaivota", de Alexandre O'Neill, "Pedra Filosofal", de António Gedeão, e "Barca Bela", de Almeida Garrett.
 
Um momento mágico!!

sábado, 21 de março de 2015

Semana da leitura'15 | Exposições



 
De 16 a 20 de abril



 
Palavra | Imagem | Banda Desenhada | Cenografia | Gravura




Há já alguns anos que o grupo disciplinar de Artes Visuais  desenvolve um trabalho articulado com a Biblioteca Escolar,  tomando o tema selecionado pelo Plano Nacional de Leitura para a Semana da Leitura como mote de múltiplas atividades e projetos a desenvolver com / pelos alunos ao longo do ano letivo. 


Este ano letivo, PALAVRAS DO MUNDO constituiu o tema transversal do concurso de máscaras de carnaval destinado a alunos de artes do Ensino Secundário. Na Semana da Leitura, foram expostos os seguintes trabalhos:

Desenhos de Parede e Desenhos Cenográficos, elaborados no âmbito da disciplina de Artes Visuais, pelos alunos do Ensino Vocacional. Orientação das professoras Alcina Gonçalves e Nélia Miranda.

Banda Desenhada, realizada na disciplina de Educação Visual, pelos alunos do 9º B e C. Orientação da professora Alcina Gonçalves.

Linguagem Visual/Escrita, no âmbito da disciplina de Oficina de Artes. Trabalhos elaborados pelos alunos do 12ºE. Orientação da professora Graça Campolargo.

Módulo/Padrão, realizado na disciplina de Desenho A, por alunos do 10º F, orientados pela professora Teresa Pimentel.

Maquetes, disciplina de Desenho A, por alunos do 12º E, orientados pela professora Teresa Pimentel.


Gravuras, realizadas na disciplina de Desenho A, por alunos do 11º F, orientados pelo professor Carlos Santelmo



Banda Desenhada:
 
 


 


 




 






  




 




Trabalhos de banda desenhada de alunos do 9º ano, turmas B e C, na disciplina de Educação Visual (item programático: Comunicação Visual).







Desenho de parede "A letra como desenho"
(linguagem escrita / linguagem visual)

e Maquete (trabalho cenográfico)



























Gravura
 
 



 
 
 









Caricaturas de autores portugueses

Para celebrar a Semana da Leitura, a BE organizou uma exposição de caricaturas de autores portugueses. Esta exposição resulta de um duplo trabalho de pesquisa: das caricaturas (a cujos autores são dados os devidos créditos) e de excertos de textos paradigmáticos dos escritores representados.

Camilo Castelo Branco (1825-1890), caricatura de Fernão Campos






Assim que sai romance teu, minha mulher, combinada com o editor, seca-me a paciência, até que o livro chegue de Braga entre um papeliço de açúcar e o saco do arroz. A pobre mulher começa a chorar no título, estrenoita-se a ler; e, ao outro dia, está desolhada, e amarela como as doze tísicas, que tens levado à sepultura num rio de lágrimas. Tens romances, meu amigo, que mentem desde o título. Comecei, pouco há, a ler um que se chama: “A mulher que salva”.




Vinte horas de Liteira


(relato de uma viagem de Camilo de Vila Real ao Porto, na companhia do amigo António Joaquim)