"o mais certo é ser a palavra o melhor que se pôde arranjar, a tentativa sempre frustrada para exprimir isso a que, por palavra, chamamos pensamento". - José Saramago
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sexta-feira, 15 de maio de 2020
Distanciamento social
segunda-feira, 4 de março de 2019
Da imagem ao texto: diálogo(s)
Pintura: Albert Anker, A Pequena Amiga (1862)
Numa cama está deitada uma jovem rapariga, morta. Devo confessar que é raro encontrar um quadro que me toque tão profundamente. Três a quatro alunas, companheiras de escola da falecida, estão perante o mistério, que com a sua sublime grandeza atinge as almas florescentes com um sopro frio. Estão angustiadas; não se entendem nos seus exercícios e jogos: os pais, as casas, os campos, a igreja. No entanto, decerto irão entender tudo isto no dia seguinte ou até na próxima hora, retomando as suas actividades habituais. Mas agora, despedindo-se do corpo da sua amiga, tudo o que lhes era familiar torna-se estranho, a estranheza, por outro lado, torna-se familiar. Morrer é tão grandioso e, ao mesmo tempo, tão infinitamente insignificante. É como outra coisa qualquer, como colher cerejas na época em que amadurecem ou como andar de trenó no Inverno ou como beber café. Têm os lenços à frente dos rostos, mas nenhuma chora o choro belo e macio de uma dor natural. Um enorme espanto apoderou-se delas, misturado com o esforço de entender o que não pode ser entendido, impedindo-as de chorar naturalmente. Ó, este espanto das raparigas é alto e grande como uma cumeeira, como montanhas aladas. Os vestidinhos que trazem parecem-lhes ter sido levados para bem longe. Mas elas irão senti-los de novo, a sua necessidade, o seu encanto junto à pele. Agora é como se não tivessem pele. O quarto, outrora aconchegante e animado, está agora silencioso, lúgubre. Também o quarto está morto, o relógio na parede, os móveis, contudo os objectos irão renascer da falta de sentido, de significado, readquirindo um sentido, a balança irá parecer às crianças, pacientes e bem-educadas, suportando esta hora de frieza violentamente silenciosa, de novo agradável e simbólica. A esperança ferida reencontra sempre o rumo certo.
domingo, 29 de abril de 2018
Ilusão de ótica
Imagens que enganam os nossos olhos: nem tudo é o que parece.
Quando movemos a cabeça, o círculo azul deste QR code parece mover-se. O autor desta ilusão de ótica é o psicólogo japonês Akiyoshi Kitaoka, especialista em imagens que enganam os nossos olhos.
Nas ilusões ópticas semelhantes a esta, o interior de uma imagem estática parece mover-se. A sensação de movimento pode ser induzida de várias formas. Por exemplo, fazendo contrastar elementos com formas diferentes ou que parecem mover-se em direções opostas.
Apresentamos mais duas ilusões de ótica do mesmo autor:
terça-feira, 10 de maio de 2016
Ler com olhos de ver | Leitura de imagem
Uma interessante análise de uma das capas de E- A Revista do Expresso
Revista E - edição nº 2270, de 30 de abril de 2016
"Procuro analisar em profundidade a capa de E, A Revista do Expresso, edição nº 2270, de 30 de Abril de 2016. Aparentemente simples, ela é de uma grande riqueza de significados. É ocupada na íntegra por uma fotografia do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, e diversos títulos e outros elementos verbais. Esta análise segue o seguinte alinhamento: o contexto; a reportagem anunciada na capa; análise dos textos verbais na capa; análise do texto visual da capa; análise conjunta dos textos verbais e visual da capa (Imagem 1)."
[...]
Este homem está só na imagem. É o único protagonista, pois não há mais ninguém (outras pessoas distrairiam a conotação de liderança), e é o único tema, pois não se vêem obras nem o local é identificável. Os homens providenciais são amiúde representados como homens sós, o que não significa que são misantropos enquanto indivíduos ou dirigentes, mas antes que são auto-suficientes e singulares.
Medina está numa zona escura, coberta, dum local que não é possível identificar (os títulos e a reportagem indiciarão como um local de uma futura obra). O local é tão escuro que a luz natural ocupa apenas a zona do fundo, após um arco de pedra do edifício, criando zonas quase negras em redor do autarca, na sua mão esquerda, no cabelo. Todavia, essa ausência de luz natural forte no local exacto em que se encontra Medina é compensada pela luz emitida pelo smartphone nas suas mãos, que incide fortemente na camisa e gravata e principalmente na cara de Medina. Qualquer pessoa ou objecto que receba uma luz forte torna-se a sua própria fonte de luz. A luz vem de baixo, o que é infrequente. Não é qualquer um. Chama a atenção e, entre outras sugestões, traz consigo a de magia. A luz natural por trás criando o contraste entre claro (fundo) e escuro (primeiro plano) e a luz do telemóvel que parece irradiar de Medina conotam a ideia de que se está a arrancá-lo da escuridão (é “ainda pouco conhecido”, dá-se-lo a “conhecer melhor”), de que ele é luz resgatada da escuridão nacional, de que ele mesmo é fonte de luz. Em suma, Medina é luz na escuridão. É líder."
Ler análise completa AQUI.
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