sexta-feira, 27 de março de 2026

Roteiro "Caminhos de Camilo em Vila Real"

 

 
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No passado dia 24 de março, pelas 10:20, foi apresentado o Roteiro Digital de Leitura Os Caminhos de Camilo em Vila Real à Comunidade Educativa.

Para além de alunos do 3º Ciclo e do Ensino Secundário e do Subdiretor da Escola, Dr. Armando Figueiredo, a cerimónia de apresentação do Roteiro contou com a presença da Dra. Mara Minhava, Vereadora do Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Vila Real, da Dra. Carla Eiriz, Coordenadora dos Serviços de Gestão do Arquivo Municipal de Vila Real, e do Dr. Carlos Santos Silva, do CFAE de Vila Real.

O projeto pretende ser um recurso aberto, acessível a estudantes, professores e a todos os que desejam conhecer melhor a relação entre o escritor e a cidade.






 
Mais do que um simples percurso geográfico, trata‑se de uma viagem cultural e literária que aproxima o público do universo camiliano através da tecnologia.
 

Olimpíadas da Cultura Clássica | Hebe

 

#alermaisemelhor #OlimpíadasDaCulturaClássica #ClássicosEmRede #mitologia #RedeDeBibliotecasEscolares 

 

 

 

 

Livro digital A vida de Hebe apresentado ao concurso Olimpíadas da Cultura Clássica - Clássicos em Rede 2026. Produzido por Inês Bicá, Jaiane Silva, Matilde Prior e Margarida Santos, alunas do 12º E.

Mito: Hebe.

Escalão C: Ensino Secundário 

 

👉Sobre Hebe, a deusa da eterna juventude

 Na mitologia grega, Hebe é a deusa da juventude, filha de Zeus e Hera. Era a mais jovem dos deuses e responsável por mantê-los eternamente jovens. Várias eram as funções que desempenhava no Olimpo: preparava o banho de Ares, ajudava Hera a atrelar o seu carro e servia néctar e ambrosia aos deuses.

 

Hebe, por Jacques Louis Dubois (Séc. XIX)
 

quinta-feira, 26 de março de 2026

Workshop "Erros, monstros e medos - o desenho conta", com a ilustradora Sónia Borges



#semanasdaleitura #alermaisemelhor #RedeDeBibliotecasDeVilaReal #bibliotecaccbvr


 





A Rede de Bibliotecas de Vila Real, com o apoio do Município, promoveu uma experiência criativa que levou os alunos a mergulharem no universo da imaginação, da expressão emocional e da literacia visual. 
 
Nos dois workshops “Erros, monstros e medos – o desenho conta”, orientados pela ilustradora Sónia Borges, que decorreram esta manhã na biblioteca, os alunos do 10º B e do 10º H foram desafiados a transformar os seus medos em personagens desenhadas, coloridas e nomeadas.
 
 
 
 10ºB
 
 
 10ºH
 
Seguindo instruções por etapas — e recorrendo ao lançamento de dados que determinavam características inesperadas de personagens, como “uma cabeça quadrada”, “quatro olhos” ou “cinco pernas” — os alunos descobriram que o erro pode ser um ponto de partida criativo e que até os monstros mais estranhos podem ganhar forma, sentido e humor.
 
Mais do que um exercício artístico, esta atividade revelou-se um espaço seguro para explorar emoções, desenvolver autoconfiança e estimular a imaginação. Ao criarem também o “antídoto” para os seus medos — os chamados elementos de luz — os alunos foram convidados a olhar para dentro, a reconhecer o que os inquieta e a descobrir estratégias simbólicas para o enfrentar.
 
Este workshop mostrou que o desenho é uma poderosa ferramenta de expressão e que, quando aliado ao jogo e à criatividade, ajuda os jovens a compreender melhor o mundo e a si próprios. 
 
Uma iniciativa que reforça o papel das bibliotecas como espaços de encontro, descoberta e crescimento. 

quarta-feira, 25 de março de 2026

Olimpíadas da Cultura Clássica | Orfeu e Eurídice

 

 #alermaisemelhor  #OlimpíadasDaCulturaClássica  #ClássicosEmRede   #mitologia #RedeDeBibliotecasEscolares

 

Este é um dos trabalhos apresentados a concurso, produzido por alunos do 12ºF, na disciplina de Grego - Bruna Fonseca, Maria Eduarda Cruz, Paulo Afonso e Simão Santos.

Escalão C: Ensino Secundário

Mito: Orfeu e Eurídice (transposto para o contexto escolar atual)

 

 

 



👉Sobre o mito clássico

O mito de Orfeu e Eurídice é uma das mais famosas histórias de amor e tragédia da mitologia grega. Orfeu, um músico talentoso, desce ao Hades para resgatar a sua amada Eurídice, picada por uma cobra. Hades permite a sua saída sob a condição de Orfeu não olhar para trás, mas, ansioso, ele olha, perdendo-a definitivamente. 

 

Autor desconhecido

 

 

segunda-feira, 23 de março de 2026

Participação na Semana da formação financeira / GMW2026

 

 
 #semanadaformaçãofinanceira
 
#GMW2026 #GlobalMoneyWeek2026 #SmartMoneyTalks 




A escola participou na Semana da Formação Financeira com duas palestras orientadas por Gonçalo Peixoto, formador do Banco de Portugal. 

As sessões decorreram no dia 20 de março e envolveram as turmas do 12.ºE (8:15–10:05) e do 12.ºF (10:20–12:10), proporcionando aos alunos um contacto direto com temas essenciais de literacia financeira - Poupança & Crédito - e uma reflexão informada sobre a gestão responsável do dinheiro.







 

Vila Real: por estes lugares que me viram crescer na dor, no afeto e na escrita.

 

 #camilo200 #alermaisemelhor #promoçãodaleitura #ferramentasdigitais #semanasdeleitura

 

 

 




Fiquei órfão cedo demais: primeiro perdi minha mãe, depois meu pai, Manuel Correia Botelho, natural de Vila Real. Foi essa dupla ausência que me trouxe, ainda menino, para estas terras transmontanas, onde a família paterna me acolheu e onde encontrei, entre montes severos e afetos discretos, um lugar que se tornou meu por necessidade, destino e formação.

Vim viver com a minha tia, D. Rita Emília, no solar da família Castelo Branco — a conhecida Casa dos Brocas. Mais tarde, vivi em Vilarinho de Samardã, junto da minha irmã, onde iniciei estudos sob a orientação do padre António Azevedo. Foi um período de disciplina, leitura e descoberta, que moldou a minha vocação literária.

Recordo-me de percorrer as ruas estreitas da cidade, de escutar o Corgo como quem escuta confidências, de observar as gentes firmes e reservadas que tanto inspiraram a minha pena. Cada rosto, cada gesto, cada sombra destas serras encontrou eco nos meus romances, mesmo quando disfarçados sob outros nomes e outras geografias.

Hoje, convido-vos a caminhar comigo por estes lugares que me viram crescer na dor, no afeto e na escrita. 
 
Vila Real não foi apenas refúgio: foi raiz, escola, ferida e revelação.
 
(Texto produzido com recurso ao ChatGPT) 
  

sexta-feira, 20 de março de 2026

Apresentação do Roteiro Digital de Leitura "Caminhos de Camilo em Vila Real"

 

#camilo200 #alermaisemelhor #promoçãodaleitura #ferramentasdigitais #semanasdeleitura

 

  



«Nesta Samardã passei eu os descuidos e as alegrias da infância, na companhia da minha irmã, que ali casou, e aquele padre António de Azevedo, alma de Deus, missionário fervoroso, que me podia ensinar tanto latim, tanta virtude, e só me ensinou princípios de cantochão, os quais me serviam de muito para as acertadas apreciações que eu fiz depois das primas-donas. Bem se via que eu tinha a prenda. Aquele santo homem ignora que eu escrevo novelas, nem cuida que a humanidade gaste o seu dinheiro e tempo a ler histórias estranhas à salvação.»
In Memórias do cárcere


"É que sinto a nostalgia daquela povoaçãozinha, há muitos anos – uma saudade inveterada como a reminiscência dum primeiro amor, e único feliz. Na minha mocidade, nada mais vejo. Não nasci lá; mas aí foi que me alvoreceu o arrebol do entendimento, a ânsia de trasladar ao papel o dilúculo dessa alvorada; foi ali que fiz os meus primeiros versos… versos, meu Deus! não – a primeira página da minha biografia de lágrimas.

A aldeia chama-se VILARINHO DA SAMARDÃ. Demora em Trás-os-Montes, na comarca de Vila Real, sobranceira ao rio Córrego, no desfiladeiro de uma serra sulcada de barrocais.

In Serões de S. Miguel de Ceide

  

No próximo dia 24 de março, pelas 10.20, vai ser apresentado à Comunidade Escolar, no Auditório 1, o Roteiro Digital de Leitura "Caminhos de Camilo em Vila Real", produzido por docentes do Departamento de Línguas Românicas e Clássicas, em articulação com a Biblioteca Escolar, no âmbito da Oficina de Formação “As tecnologias em cena - Da teoria à prática - Plataformas e Ferramentas Digitais na Aula de Português", realizada pelo CFAE Vila Real.

Este Roteiro Digital de Leitura convida o visitante a explorar Vila Real através da vida e da memória de Camilo Castelo Branco, uma das figuras maiores da literatura portuguesa. Recorrendo ao Google Earth, o percurso reúne os locais mais marcantes da infância e juventude de Camilo, período em que o escritor viveu intensamente a cidade e o seu território.


Concertina - o som do mês de março

 

 #músicaemcena #bibliotecaccbvr







No dia 19 de maeço, a Biblioteca voltou a encher-se de música com mais uma sessão da rubrica Música em Cena – Um som novo a cada mês. Neste mês, o protagonista foi o som da concertina, apresentado por Eliano Anjos, aluno da Escola Morgado de Mateus.







Durante a sessão, o Eliano partilhou a sua história musical: como nasceu o seu interesse pela concertina, o primeiro contacto com o instrumento e a importância que o grupo folclórico onde atua tem no seu percurso artístico. Entre explicações, curiosidades e boa disposição, brindou todos os presentes com várias composições que fizeram a biblioteca ganhar nova vida.

Houve ainda espaço para a participação ativa dos alunos, que puderam experimentar a concertina e arriscar os primeiros acordes, num momento de descoberta e entusiasmo.
 
 
 

 
Esta atividade reforça o papel da Biblioteca como espaço de cultura, partilha e experiências únicas, aproximando os alunos da música e dos seus intérpretes.

 

quinta-feira, 19 de março de 2026

Paulo Freixinho e as palavras cruzadas

 

 

#semanasdaleitura  #rbvr  #alermaisemelhor  #bibliotecaccbvr










No passado dia 17 de março, a nossa escola recebeu o reconhecido cruciverbalista Paulo Freixinho para um encontro dirigido aos alunos do Ensino Secundário (10º B, 10ºE, 11ºE, 11ºF). A iniciativa, promovida pela Rede de Bibliotecas de Vila Real e apoiada pelo Município, proporcionou uma sessão dinâmica e inspiradora, centrada no universo das palavras cruzadas e no seu papel na construção do conhecimento.

Ao longo da sessão, Paulo Freixinho — colaborador habitual de jornais como o Público, Jornal de Notícias e A Voz de Trás-os-Montes — partilhou com os alunos a sua experiência enquanto autor de passatempos e destacou a relevância deste género lúdico na vida quotidiana. Para muitos estudantes, foi surpreendente perceber como um simples jogo de palavras pode ser uma poderosa ferramenta de aprendizagem.

As palavras cruzadas, além de estimularem a curiosidade e o raciocínio, promovem a aquisição de vocabulário, reforçam a ortografia, desenvolvem a atenção ao detalhe e incentivam a autonomia na pesquisa. Através do desafio e do prazer lúdico, os alunos descobrem novas palavras, consolidam conhecimentos e ampliam a sua cultura geral — competências essenciais num mundo em constante transformação.

Este encontro permitiu, assim, valorizar a leitura, o pensamento crítico e a criatividade, mostrando que aprender pode — e deve — ser também um exercício de jogo, descoberta e prazer intelectual.


quarta-feira, 18 de março de 2026

Música em Cena | Concertina

 

#músicaemcena #bibliotecaccbvr

 

 




 

Em março, na Biblioteca, a concertina e o Eliano Anjos são os protagonistas.

Convidados: alunos do 8ºB. 

Dia: 19

Hora: 10:20

 

EuDaMuS 2026

 

#eudamus2026 #musiceducation #europe #europeanday #schoolmusic


 O Dia Europeu da Música nas Escolas comemora-se a 15 de março.

 A biblioteca da Camilo juntou-se à celebração internacional da educação musical, partilhando, com todos na Europa, excertos da sessão d' A música em cena, com a Maria João Abreu.



Consulte o Padlet com as participações das escolas europeias no EuDaMuS 2026 (a nossa escola surge no slide 127)



 

terça-feira, 17 de março de 2026

Clássicos em Rede - Submissão de trabalhos

 

 #ClássicosEmRede  #OlimpíadasDaCulturaClássica  #concursos  

 

 


 


A Escola Camilo Castelo Branco vai participar, mais uma vez, nas Olimpíadas da Cultura Clássica, concurso que tem por objetivo estimular a curiosidade dos alunos e alargar os seus conhecimentos sobre temas de Cultura Clássica, através de desafios que apelam à escrita, à expressão artística e ao domínio de ferramentas digitais.

Os trabalhos das categorias 1 e 2 (recusos digitais e vídeos) vão ser publicados nos canais digitais da Biblioteca, para ser facultada a respetiva hiperligação, aquando da submissão do formulário . 
 

segunda-feira, 16 de março de 2026

SL | Encontro com o cruciverbalista Paulo Freixinho

 

 #semanasdaleitura  #alermaisemelhor  #encontroscomautores #bibliotecaesccbvr

 

 




Duas sessões: 14:15 e 15:15 

Dia: 17 de março

Público-alvo: 10ºB, 10ºE, 11ºE, 11ºF 

Atividade promovida pela Rede de Bibliotecas de Vila Real (RBVR), com o apoio do Município.




 

sexta-feira, 13 de março de 2026

Semanas da leitura 2026 | Programa

 

 

#semanasdaleitura  #alermaisemelhor  #bibliotecaesccbvr


Partilhamos o programa das Semanas da Leitura 2026 na Escola Secundária Camilo Castelo Branco.




Felizes Encontros de Leitura!

 

Semanas da Leitura 2026

 

 #semanasdaleitura  #alermaisemelhor  #bibliotecaccbvr

 

 

 



Celebrar a leitura, ampliar horizontes, fortalecer a comunidade

Na Escola Secundária Camilo Castelo Branco, a leitura é uma presença constante. Integrados na Rede de Escolas Leitoras, através do projeto aLer mais e melhor, desenvolvemos ao longo de todo o ano um conjunto de dinâmicas que procuram aprofundar, na escola, uma cultura de leitura integral e aproximar os alunos dos livros, das histórias e das múltiplas formas de ler o mundo.

Mas este é um momento especial. As Semanas da Leitura, promovida pela Rede de Bibliotecas Escolares, e sob a forma de plural por opção da Rede Concelhia de Vila Real, convidam-nos a celebrar, com ainda maior intensidade, o poder transformador da leitura. Durante os meses de março e abril, a nossa escola junta-se a esta festa, abrindo portas a iniciativas que valorizam a leitura em diferentes suportes, linguagens e contextos.

Ler é descobrir, questionar, imaginar. É construir pensamento crítico, desenvolver competências essenciais, fortalecer a autonomia e a criatividade. É também criar laços: entre alunos, professores, famílias e toda a comunidade local. Por isso, estas Semanas da Leitura serão um tempo de partilha, encontro e participação ativa.

Ao longo destas semanas, a biblioteca escolar, em articulação com os diversos departamentos curriculares, irá dinamizar atividades que pretendem envolver todos: sessões de leitura, encontros com autores, desafios criativos, concursos, workshops, projetos colaborativos e momentos de fruição literária pensados para diferentes idades e interesses. Algumas iniciativas integram a programação comum da Rede de Bibliotecas de Vila Real, com o apoio do Município; outras nascem da identidade própria da nossa escola e da energia da nossa comunidade educativa.

Convidamos todos — alunos, famílias e parceiros — a juntar-se a nós nesta celebração. Porque ler amplia horizontes, fortalece a cidadania e aproxima as pessoas. E porque, quando a leitura ganha protagonismo, a escola torna-se um espaço ainda mais vivo, mais aberto e mais nosso.


terça-feira, 10 de março de 2026

“Camoinz Hépyco‑Lyrico”: teatro que faz a literatura ganhar vida


 
#camões500 #teatro #RBVR #bibliotecaccbvr #semanasdaleitura

 










Na ES Camilo Castelo Branco, as Semanas da Leitura abriram com o espetáculo “Camoinz Hépyco‑Lyrico”, de Simão Rubim e João Marta, que trouxe a poesia de Camões para o palco com humor, criatividade e enorme envolvimento.

De forma lúdica, os alunos revisitaram rimas, temas, conceitos e influências estéticas e assistiram à desconstrução de convenções e normas literárias. O espetáculo integrou ainda a leitura expressiva de textos camonianos, incluindo excertos de Os Lusíadas, revelando a força e atualidade da palavra poética.

Este momento artístico destacou o papel do teatro como ferramenta pedagógica, capaz de aproximar os estudantes da literatura, estimular a compreensão dos textos e transformar a aprendizagem num processo vivo e participativo.

Um espetáculo excelente e uma prova de que a arte continua a ser uma poderosa aliada da educação.

segunda-feira, 9 de março de 2026

Chama o António




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Fazemos assim: vocês fingem que não se dão conta de que umas vezes a frase é sobre ele, outras, aposto que muitas, sou eu a falar com ele. Serão ideias dispersas. Por exemplo: ser-me-ia difícil responder com exactidão a uma interrogação quiçá legítima de um jornalista, diga-me aí umas cinco ou seis coisas que lhe ensinou António Lobo Antunes, uma vez que ele não ensinava, ele só escrevia, e era a gente, em querendo, que aprendia.

Soube agora, ao dizer umas palavras a uma rádio sobre a tua morte, que disseste numa ocasião com um sorriso que a esperança é a mais bela de todas as coisas. Disseste-o, contam-me, na Escritaria que te foi dedicada, e eu fiquei muito contente. Porque demasiadas vezes, injustas vezes, ignorantes vezes, te confundiam com um escritor cínico que navegava com prazer pelas maldades e agruras deste mundo.

Na verdade eu não soube da tua morte. Vou sabendo. Mesmo agora, ao dizer umas palavras vazias sobre ti, estava eu ao telefone para onde me ligaram, às voltas pela sala toda, movido a bichos-carpinteiros, porque não consigo falar ao telefone de outra maneira, não sei porquê, sei que os meus filhos são iguais, imagina tu que a minha filha um dia atendeu o telefone na praia, na toalha ao meu lado, e levantou-se a falar às voltas e às voltas, e quando dei por ela estava lá ao fundo ao pé das dunas, que até lhe fiz sinal para voltar.

A minha filha vai ter uma filha dentro de dois meses. Imagina, António. Vou ser avô. E portanto, e ainda que compreenda que mo peçam, não posso desatar já a falar sobre a tua morte, porque com a idade também eu peço tempo para digerir com calma, sob pena de me afogar de medo. Deixa-me explicar melhor, já sabemos que hoje não se pode escrever de certas maneiras que as pessoas ficam muito confundidas, é por isso, por razões práticas, que nas chamadas redes sociais escreves frases com mais de duas linhas e já foste.

Digo que me começaste a morrer assim que ouvi o telefone piar uma campainha e depois outra, e depois outra, e antes de espreitar, estremunhado à procura dos óculos, já sabia que o telemóvel ia piar muitas campainhas de manhã cedo quando fosse o dia que detesto.

E isto não tem relação com a doença que te roubou ao mundo antes. Nessa ocasião nunca me ocorreu dizer ou sentir ou escrever ou rezar que tinha começado a tua morte. Eu vou à minha estante e estão lá os livros, encostados uns aos outros, cronológicos, mais firmes e disciplinados do que as paradas em Angola, quando os soldados magros tentavam compor a farda para não levarem descomposturas.

Tu estavas doente e entre outras características insanas da condição, não escreverias mais. Mas eu passava na estante e estavas lá, estás lá, aqui, na minha casa, sempre, mesmo que mude de casa ou de estante, portanto tudo estava na mesma, em grande parte, ou na parte que interessa, o que já é bastante bom, porque tu explicaste muitas vezes que a tua biografia, ou seja, quem tu és ou queres dizer, estava nos livros e em mais lugar nenhum. A biografia de um escritor dificilmente se encontra nas amizades, amores e ódios da vida do lado de fora, o quotidiano, feito de circunstâncias e humores e etapas e idades. O que tem piada, falámos muito disto, as pessoas partirem do princípio de que é nos livros que mentimos.

Natureza de bicho, inteiro e limpo e sujo, só quando escrevemos, sozinhos com a página, sozinhos com a página, cada vez mais sós a cair, a cair dentro de cada vez mais páginas, porque a resposta tarda, porque a resposta pode estar na próxima frase, e na outra, e na outra. Inventamos personagens para falarem por nós, ou pelo que em nós não sabe nada, e fazemo-las como aos aviõezinhos de papel, todas um nadinha tortas e sem sabermos bem para onde vão voar, uma vez que algumas começam logo a dar cambalhotas e volteios que não respeitam planos iniciais, o que só nos garante que somos mesmo nós. 

Tenho na parede do quarto onde escrevo a carta que me escreveste no dia 1 de Fevereiro de 1999, só a mudo de sítio de tempos a tempos, quando começo a acumular os papelinhos com gatafunhos do que um dia serão os meus pobres livros. Não preciso já de a ler, sei-a como a um rebuçado que trago na boca a proteger-me de nervos, a carta de um consagrado a um aprendiz, com recomendações e pedidos. Procuro honrá-los, embora seja difícil que alguém entenda, porque além de escritores também vão morrendo os leitores que nos aguardavam como quem espera a carta de amor que o carteiro há-de trazer à primeira luz da manhã.

Agora, vai, meu querido António, que aprendi contigo a não ter medo de beijos, os que reservamos aos pais, aos irmãos, aos cúmplices.

Amo em ti a ternura com que nos vias. Sorrio quando me lembro que adoptei uma letra pimba para te invocar. Ainda hoje, quando me falta a musa, ou se atrasa, sorrio e chamo o António. E tu vens em meu socorro, como se eu fosse um filho às voltas na cama com um pesadelo. Hoje, peço-te que durmas bem.

Rodrigo Guedes de Carvalho. E-Revista Expresso, de 5 de março de 2026

Reinterpretação da taxonomia de Bloom na era da IA

 

 #inteligênciaartificial

 

 

 





A taxonomia original foi concebida numa época em que o acesso à informação era relativamente limitado e em que os processos cognitivos associados à aprendizagem eram frequentemente representados de forma hierárquica e linear, partindo de níveis mais básicos (como recordar informação) até níveis mais complexos (como criar). No entanto, o atual ecossistema informacional, marcado pela abundância de dados, pela automatização de processos cognitivos e pela presença de sistemas inteligentes capazes de produzir textos, imagens ou código, exige uma reinterpretação mais dinâmica e processual da aprendizagem.
 
Neste contexto, propõe-se um modelo cíclico e não linear da taxonomia. Os níveis Lembrar, Compreender, Aplicar, Analisar, Avaliar e (Co)Criar continuam a representar dimensões essenciais da atividade cognitiva, mas deixam de ser entendidos como etapas rigidamente sequenciais. Na prática, quando os alunos interagem com sistemas de inteligência artificial, os processos cognitivos ocorrem frequentemente de forma iterativa e recursiva: um aluno pode criar um produto com apoio da IA, analisá-lo criticamente, adaptá-lo, voltar a aplicá-lo e reavaliá-lo. Assim, a aprendizagem torna-se um processo circular de refinamento e reconstrução do conhecimento.
 
A introdução das dimensões Curar, Adaptar, Simular e Inovar, que atravessam transversalmente os níveis da taxonomia, procura captar novas práticas cognitivas emergentes no contexto da inteligência artificial.
 
Curar refere-se à capacidade de selecionar, filtrar e organizar informação proveniente de múltiplas fontes, incluindo conteúdos gerados por IA. Num ambiente de sobrecarga informacional, a competência de curadoria torna-se central para construir conhecimento fiável.
 
Adaptar diz respeito à capacidade de modificar, personalizar ou reconfigurar conteúdos, ajustando-os a novos contextos, problemas ou públicos.
 
 Simular representa a possibilidade de explorar cenários hipotéticos, testar ideias e experimentar soluções com o apoio de sistemas computacionais.
 
Inovar corresponde à capacidade de transformar conhecimento em novas ideias, produtos ou soluções, muitas vezes em colaboração com sistemas inteligentes. A criação deixa de ser apenas o nível final da taxonomia e passa a integrar um processo contínuo de experimentação e transformação.
 
Esta reinterpretação, em vez de substituir o modelo clássico, pretende expandir o seu alcance conceptual, permitindo compreender melhor as práticas cognitivas que emergem quando os estudantes trabalham em ambientes digitais avançados e interagem com sistemas de inteligência artificial. O modelo cíclico proposto oferece um quadro teórico que ajuda a repensar o desenho das atividades de aprendizagem, das estratégias de avaliação e das competências a desenvolver, numa era em que aprender implica cada vez mais dialogar com sistemas tecnológicos, interpretar os seus resultados e reconstruir continuamente o conhecimento.
 

domingo, 8 de março de 2026

Global Money Week 2026 | “Smart Money Talks”

 

#GMW2026 #GlobalMoneyWeek2026 #SmartMoneyTalks 

 



 
Global Money Week - GMW2026 é uma campanha anual de consciencialização global que visa garantir que os jovens, desde cedo, tenham consciência financeira e adquiram gradualmente o conhecimento, as habilidades, as atitudes e os comportamentos necessários para tomar decisões financeiras acertadas e, em última instância, alcançar o bem-estar e a resiliência financeira. A campanha é coordenada pela OCDE e implementada pelas autoridades nacionais. 
 
Este ano, decorre entre os dias 16 e 22 de março e tem como tema “Conversas Inteligentes sobre Dinheiro” 

A educação financeira fornece as ferramentas – desde o básico do orçamento e da poupança até ao crédito – para iniciar conversas que podem prevenir a ansiedade e os erros. A literacia financeira pode capacitar os jovens a construir hábitos financeiros mais saudáveis, evitar armadilhas e assumir o controlo da sua jornada rumo ao bem-estar financeiro.

A biblioteca escolar vai promover a participação da escola neste evento através da realização de duas palestras em parceria com o Banco de Portugal


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