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quinta-feira, 5 de março de 2026

IN MEMORIAM

 

 António Lobo Antunes (1942_2026)

 



A morte de António Lobo Antunes representa uma grande perda para a literatura portuguesa e para a cultura contemporânea. Considerado um dos mais importantes escritores de língua portuguesa das últimas décadas, construiu uma obra marcante pela originalidade da linguagem e pela profundidade com que explorou temas como a memória, a guerra, a família e a condição humana.

Autor de romances fundamentais como Os Cus de Judas, As Naus, O esplendor de Portugal e A morte de Carlos Gardel, viu os seus livros traduzidos em numerosas línguas e publicados em vários países, conquistando reconhecimento internacional e leitores em todo o mundo.

Com a sua morte desaparece uma das vozes mais singulares da literatura portuguesa, permanecendo uma obra de enorme importância que continuará a ser lida e estudada em Portugal e no estrangeiro.
 
 
 
 
 

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

IN MEMORIAM | M. ALZIRA SEIXO

 

#inmemoriam

Maria Alzira Seixo (1941-2026) 

 

 

 

 Professora e investigadora da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde é professora catedrática aposentada, tem uma carreira também de alcance internacional, tendo lecionado como Professora convidada em Universidades estrangeiras de prestígio, como Poitiers, Chicago, Johns Hopkins ou California (Santa Barbara).

Publicou 11 livros como autora, em especial sobre as suas áreas de eleição, Literatura Francesa, Literatura Portuguesa, e Literatura Comparada, tendo ainda várias obras em colaboração ou como co-autora. O escopo do seu labor intelectual é muito alargado, destacando-se, pela expressão que tiveram, os estudos que produziu no âmbito do Seminário Internacional “A Viagem na Literatura” (Comissão dos Descobrimentos), e os que dedicou quer a José Saramago, de cujo Nobel foi uma das principais promotoras, e António Lobo Antunes, de que foi responsável pela edição da sua obra ne varietur.

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Testemunho

 Faleceu a minha vizinha. Não era uma vizinha qualquer. Foi a única pessoa que conheci que fez entrar no mesmo prédio em que vivi tantos anos escritores rivais como José Saramago e António Lobo Antunes. Em dias diferentes, naturalmente. Maria Alzira Seixo foi uma professora que deixou uma marca única na Academia portuguesa. Temida, amada ou odiada, era impossível ficar-lhe indiferente. Respeitava-a muito, admirava a sua extraordinária capacidade de ler tudo o que se publicava. Por isso, nesse tempo em que nos encontrávamos com mais frequência ou no prédio ou no café do Shopping ou no supermercado, podíamos ficar horas a conversar, quero dizer, horas a ouvi-la… Até que nasceu o episódio real do nascimento do grande romance académico português. 

Quem melhor do que ela para o escrever? Ninguém tinha mais histórias interessantes de todos os escritores e académicos portugueses vivos e não vivos. Aceitou o desafio, mas eu tinha também de tentar escrever esse romance, pois não bastava ser leitor fervoroso do género. Cada um foi para a sua casa, no mesmo prédio, a tentar escrever o primeiro romance académico português, sim, porque o que Frederico Lourenço já tinha publicado não fazia justiça ao género por total falta de humor, sem o qual o romance académico não funciona. Maria Alzira Seixo, que escrevia bem poesia, não foi capaz de escrever mais de 8 páginas de um possível romance académico. Eu fui até ao fim e saiu O Professor Sentado. Divertiu-se muito com o meu feito, não porque ela própria entrava como personagem real, na pele de crítica literária temida (o que foi na verdade), mas porque afinal estavam lá os ingredientes que um romance académico deve ter. Mais ninguém deve ter lido tal romance de estreia. Até foi ela quem me arranjou editor (outra história interessante). 

A doença recente afastou-a do mundo das letras onde reinou. Deixa saudades, mas, como sempre acontece com os grandes, o seu legado é suficientemente precioso para ser sempre lembrada. 

Carlos Ceia. Facebook. 20 de janeiro de 2026

 

segunda-feira, 14 de abril de 2025

IN MEMORIAM

 

 

 




Escritor, político, jornalista, ensaísta e professor universitário peruano, Mário Vargas Llosa foi um dos romancistas e ensaístas mais importantes da América Latina e um dos principais escritores da sua geração.

Em 2010, ganhou o Prémio Nobel de Literatura. Segundo a Academia, este prémio foi-lhe atribuído pela "sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual". 
 
Alguns dos títulos de Vargas Llosa:
 
 
 

 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Morreu a escritora Maria Teresa Horta

 

 







Morreu Maria Teresa Horta, uma das autoras da marcante obra Novas Cartas Portuguesas. A BBC colocou a escritora portuguesa entre "as 100 mulheres mais influentes e inspiradoras de todo o mundo".

Escritora, jornalista e poetisa, Maria Teresa Horta ficou conhecida na história da literatura portuguesa como uma das "três Marias". Por ser uma das três autoras do livro Novas Cartas Portuguesas, foi processada e julgada em 1972, ao lado de Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa.




segunda-feira, 1 de julho de 2024

IN MEMORIAM

 

 Fausto Bordalo Dias (1948-2024)

 

 



"Era um grande criador, intérprete , criador de letras e músicas e criou um universo próprio, muito pessoal e muito personalizado. A gente consegue dizer aquela canção é do Fausto porque de facto ele tinha um carimbo." - Sérgio Godinho

 




Por Este Rio Acima é o sexto álbum de Fausto, editado em 1982. Baseado na Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, é considerado geralmente pela crítica um dos álbuns mais marcantes da música popular portuguesa das últimas décadas. Em 2009, este trabalho foi considerado o 4º melhor álbum da década de 1980 pela revista Blitz, que recorreu a um grupo de mais de 50 personalidades ligadas ao mundo da música.
 

 
Por este rio acimaDeixando para trásA côncava fundaDa casa do fumo
Cheguei perto do sonhoFlutuando nas águasDos rios dos céusEscorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanasPimenta e canelaRecebendo ofertasDe músicas suavesEm nossas orelhas
Leve como o arA terra a navegarMeu bem como eu vouPor este rio acima
Por este rio acimaOs barcos vão pintadosDe muitas pinturasDescrevem varandas
E os cabelos de InêsDesenham memóriasAo longo da águaBosques enfeitiçados
Soutos laranjeirasCampinas de trigoAmores repartidosAfagam as doresQuando são sentidos
Monstros adormecidosNa esfera do fogoComo nasce a pazPor este rio acima
Meu sonhoQuanto eu te queroEu nem sei, eu nem seiFica um bocadinho maisQue eu tambémQue eu tambémMeu bem
Meu sonhoQuanto eu te queroEu nem sei, eu nem seiFica um bocadinho maisQue eu tambémQue eu tambémMeu bem
Por este rio acimaIsto que é de unsTambém é de outrosNão é mais nem menos
Nascidos foram todosDo suor da fêmeaDo calor do machoAquilo que uns tratamNão hão-de tratarOutros de outra coisa
Pois o que vende o frescoNão vende o salgadoNem também o secoNa terra em harmoniaPerfeita e suaveDas margens do rioPor este rio acima
Meu sonhoQuanto eu te queroEu nem sei, eu nem seiFica um bocadinho maisQue eu tambémQue eu tambémMeu bem
Meu sonhoQuanto eu te queroEu nem sei, eu nem seiFica um bocadinho maisQue eu tambémQue eu tambémMeu bem
Por este rio acimaDeixando para trásA côncava fundaDa casa do fumo
Cheguei perto do sonhoFlutuando nas águasDos rios dos céusEscorre o gengibre e o mel
Sedas porcelanasPimenta e canelaRecebendo ofertasDe músicas suavesEm nossas orelhas
Leve como o arA terra a navegarMeu bem como eu vouPor este rio acima
Por este rio acima