Obter uma educação de qualidade é a base para melhorar a vida das pessoas e para o desenvolvimento sustentável.
Reconhecendo as ligações intrínsecas entre o desenvolvimento sustentável e a proteção dos direitos humanos, o Conselho da Europa está empenhado em trabalhar e apoiar os seus 47 Estados membros na implementação da Agenda 2030 da ONU através de uma ampla gama de ações.
Esta publicação, que pretende sensibilizar para a utilização segura da Internet e contribuir para a educação para a justiça, resulta de um projeto cofinanciado pela União Europeia.
Trata-se de uma ação do ISPA – Provedores de Serviço Internet da Áustria, enquanto parte da iniciativa Saferinternet.at, que, recorrendo a mensagens positivas, procura capacitar crianças, com idades compreendidas entre os 4 e 9 anos, de modo a utilizarem e a beneficiarem da Internet, de forma segura.
Para além disso, pretende também contribuir para o combate da UNODC (United Nations Office on Drugs and Crime) contra o cibercrime e para a consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, estabelecidos pelas Nações Unidas (nº 4, 5, 10 e 16).
Especialistas alertam para os riscos de discriminação por algoritmos .
FOTO GETTY IMAGES
Tecnologia está a criar novas formas de discriminação no acesso ao emprego. E são mais difíceis de provar
CÁTIA MATEUS
O
caso recente da Amazon e do seu algoritmo de recrutamento “sexista” que, ao replicar as tendências de contratação passadas da empresa (onde o universo de trabalhadores é predominantemente masculino) excluía as mulheres, já tinha servido para demonstrar o quão arriscado é para as empresas deixar as decisões de contratação exclusivamente nas “mãos” da tecnologia. Agora foi o Facebook a fazer soar os alarmes e tornou-se inequívoco para os juristas e especialistas em recrutamento que a mesma ferramenta que pode fazer milagres pelas empresas no momento de identificar talento, pode também ser uma fonte de discriminação para a qual a maioria os sistemas jurídicos ainda não está preparada para responder.
O modelo de negócio da rede social Facebook ficou novamente debaixo de escrutínio público depois de um grupo de mulheres, utilizadoras da rede social, ter movido no final do ano passado um processo contra a empresa de Mark Zuckerberg e nove empresas anunciantes na rede, por discriminação de género nas ofertas de emprego divulgadas através da plataforma. Na base desta queixa está a possibilidade que o Facebook confere às empresas anunciantes de publicar targeted ads (anúncios direcionados para determinado público-alvo). Ou seja, anúncios que mesmo não contendo na descrição da oferta qualquer fator discriminatório são, por indicação do anunciante ou por decisão do próprio Facebook, exibidos apenas a um determinado perfil de utilizadores, consoante a sua etnia, idade, sexo ou outros critérios passíveis de programação. E esta, garantem os especialistas, é uma forma de discriminação preocupante porque é difícil de comprovar.
Desde a passada semana, que o Facebook alterou os termos do serviço de target ads, restringindo a sua utilização e tornando mais transparente o modelo de funcionamento, na sequência de um acordo extrajudicial alcançado com as queixosas. Mas, pelo caminho, esta nova polémica com Zuckerberg fez emergir uma questão de fundo: quando procuramos emprego online podemos ter certeza de que estamos a visualizar todas as ofertas de emprego disponíveis para as nossas qualificações? E podemos confiar na tecnologia e ter a garantia de que não seremos excluídos num processo de seleção por algum tipo de discriminação tecnológica invisível a olho nu? “Não, porque todo o utilizador tem um comportamento que o transforma numa persona e que leva o algoritmo a mostrar-lhe apenas o que é relevante para o seu perfil”, admite Gonçalo Vilhena, diretor de inovação da consultora de recrutamento Randstad Portugal.
CONTROLO TEM DE SER A REGRA
Porém, isto não quer dizer que os algoritmos de recrutamento sejam todos “preconceituosos e enviesados”. Para o especialista, “desde que exista controlo da qualidade dos dados produzidos [que servem de base ao trabalho do algoritmo], é possível assegurar o princípio da não discriminação”. Isto, acrescenta, “é tão válido para as máquinas como para as pessoas”, num recrutamento liderado por humanos. Uma visão que Pedro Caramez, o coach em gestão de carreira que na última década tem treinado os profissionais para tirar partido da plataforma LinkedIn, corrobora.
Pedro Caramez reconhece que “toda a tecnologia tem riscos e benefícios” e recorda que “quem cria um algoritmo cria-o para valorizar determinadas características. Logo, é óbvio que isso pode excluir candidatos ou enviesar resultados”. O especialista está alinhado com o argumento da matemática americana Cathy O’Neil, quando diz que “os algoritmos são opiniões transformadas em código”, com tudo o que isso implica (ver caixa). E para Pedro Caramez, o que é fundamental é padronizar aquilo que é admissível que seja programado num algoritmo. Ou seja, criar uma ética para os algoritmos.
Essa foi, na verdade, a questão de fundo nas polémicas que envolveram a Amazon, o Facebook e outros casos que têm surgido. Não se sabe ao certo como é que o Facebook determina quem pode e não pode ver determinado anúncio, mas o que uma equipa de seis investigadores da Universidade de Northeastern (sul da Califórnia) concluiu numa investigação sobre o sistema de anúncios da rede social é que “o enorme sucesso financeiro da plataforma de anúncios do Facebook reside precisamente nas ferramentas de targeting que oferece”, e que nos últimos anos se somaram casos de discriminação não só em ofertas de emprego mas também em anúncios para arrendamento de imóveis, que eram apenas exibidos a utilizadores de determinada etnia, consoante as preferências dos anunciantes.
Em Portugal, o Código do Trabalho proíbe toda e qualquer forma de discriminação no acesso ao emprego, mas Carmo Sousa Machado, presidente da Abreu Advogados, admite que a lei atual, cá como noutros países, não está ainda preparada para abordar casos desta natureza. “Esta é uma forma de discriminação preocupante, porque é silenciosa. Num típico anúncio de emprego é fácil identificar a discriminação, mas nestes casos não só é difícil identificá-la como prová-la”, explica. Talvez por isso não se contem em Portugal casos idênticos. E caso existissem, admite a especialista, a jurisdição atual não estaria preparada. “O mercado de trabalho atual não tem nada a ver com o que tínhamos há dois anos, quanto mais há dez, e em termos de legislação laboral não estamos a conseguir acompanhar a velocidade a que está a mudar o mercado”, admite.
Sempre que o meu pai parava o carro por ordem do sinaleiro e baixava o vidro, todos os dias por aquela hora, o ardina – que já o conhecia – entregava-lhe o jornal pela janela do automóvel a troco da moeda. Corria de um lado para o outro, no meio do trafego, para vender o maior número de jornais possível e também aliviar o peso da cinzenta sacola de pano que transportava e o fazia coxear de tão pedra. Depois logo que vazia a sacola, corria a enchê-la. Quantas vezes os vi a correr, Rua da Rosa acima.
E eram homens estes ardinas e eram meninos também que brincavam a descortinar a buzina dos carros que os chamavam, e com um saco de jornais quase maior que o seu tamanho, lá vendiam mais um jornal, a sorrir, como se brincar fosse assim e só assim àquela hora em que os carros passavam perto dos seus pés podendo pisá-los.
Ninguém se lhes referia como crianças em trabalho adulto. Esquecimento?
Era uma vez
Um cabeça de giz, como chamávamos aos sinaleiros devido ao formato do capacete que usavam, um cabeça de giz que elegantemente comandava o trânsito em gestos de braços e mãos de bailarino clássico. Nunca se cansava. Fazia piruetas nas voltas do corpo com uma tal eloquência que, por vezes, os carros não arrancavam logo a seu mando, pois os condutores pensavam ou diziam para os restantes companheiros de viatura
Olhem, lá esta ele, parece que dança sem se cansar horas a fio. Parece que controla o ar. É giro este fulano!
Ninguém celebrava a passagem por este sinaleiro com um agradecimento. Nem mesmo nos dias de maiores melancolias. Esquecimento?
Era uma vez
Um amolador que passava lá na rua de Alvalade, tocando uma gaita-de-beiços em timbre conhecido, e a avó dizia logo que o escutava: «pronto lá vem chuva». As criadas corriam com as facas e as tesouras e alguma cafeteira na mão, antes que o amolador da bicicleta se fosse. Creio ter visto, um dia, que a cozinheira levava também na mão um desgravidado chapéu-de-chuva para concertar as hastes. Eu corria de mão dada com as criadas e ficava a ouvir os piropos que o amolador lhes atirava enquanto concertava os haveres entregues. Aquele era danado, diziam elas. Enfim, eu achava bonito ouvi-lo dizer: «dás-me um beijo e caso-me contigo.». Elas riam e provocavam-no. Ele olhava-as com prazer. Era um namoro único. Esperado. Esquecimento?
Era uma vez
Sempre que escrevo o que bate em mim como alguém que se procura e se pensa e se desenvolve e se aniquila, e depois renasce, porque é com palavras de uma ideia que o esquecimento se faz pensar.
Teresa Bracinha Vieira
Raíz e Utopia- Centro Nacional de Cultura, 1 de agosto de 2019
Já somos todos ciborgues e em breve teremos implantes no cérebro
Musk quer testar chips neurais em humanos em 2020. Zuckerberg prefere ler o pensamento dos utilizadores
JOÃO MIGUEL SALVADOR
N
ós construímos as ferramentas e as ferramentas constroem-nos”, considera o futurista venezuelano Jason Silva desde que se dedicou a pensar o amanhã. Foi assim com o fogo, com a roda e será assim quando cada humano tiver dentro de si — como se dele fizesse parte — um chip neural que lhe permita desenvolver capacidades superiores às que tem no presente. “Temos de perceber que não somos apenas aquilo que está por baixo da nossa pele, uma vez que as nossas ferramentas são a nossa segunda pele”, considerou em entrevista ao Expresso quando apresentava o seu projeto “Origens: A Jornada da Humanidade”. E as suas palavras voltam a ecoar agora, numa semana em que surgiram novos desenvolvimentos sobre a integração de formas de inteligência artificial em completa sintonia com a inteligência humana que nos caracteriza.
Estamos num processo de evolução constante, ao qual não é estranho o meio em que nos inserimos, e os desenvolvimentos tecnológicos mais recentes estão a fazer acelerar o processo evolutivo destes ciborgues que têm em cada smartphone uma extensão do seu ser. E há seres que não podem ser ignorados quando o que está em causa é a exploração da mente para lá do que alguma vez foi estudada. À semelhança com o que está a fazer com o espaço e possível colonização de Marte, Elon Musk tem um fascínio especial pela mente humana e os 100 milhões de dólares (cerca de 90 milhões de euros) que já investiu na sua empresa Neurolink fazem desta uma aposta séria.
O objetivo a curto prazo, cerca de um ano, é inserir o primeiro implante num cérebro humano e os preparativos estão já a avançar. O pedido para a intervenção já foi submetido na Food and Drug Administration (a reguladora norte-americana para a alimentação e saúde) e segue-se a um teste já efetuado num primata. “Um macaco conseguiu controlar um computador com o seu cérebro, para vossa informação”, informou Elon Musk na semana passada. E esse é o primeiro passo para atingir um dos objetivos do multimilionário.
É público que o visionário quer entrar o quanto antes no mundo da medicina regenerativa e ajudar doentes com patologias do foro neurológico, mas a aspiração é ainda maior. Para isso é necessária calma, uma vez que elevar a capacidade de processamento humana, criando uma espécie de super-humanos, demorará o seu tempo e traz novos desafios bioéticos. Numa altura em que a computação quântica continuará a afinar-se e a ganhar força, será a única possibilidade de colocar os humanos ao nível das máquinas, sem que se perceba ainda quais serão as alterações que algo desta magnitude pode ter na própria composição da sociedade.
O maior alerta é do próprio Musk, que frisa os perigos da “simbiose” entre o ser humano e a inteligência artificial, ao mesmo tempo que continua a apostar na investigação deste tipo de inovações. Para ele, um desenvolvimento descontrolado pode até levar ao fim da Humanidade, pelo que deixa uma garantia do produto que já apresentou. Os chips da Neurolink “não controlarão os cérebros das pessoas”.
Enquanto esse tempo da simbiose não chega, há outras empresas poderosas a apostar na interação entre o cérebro e os computadores. É o caso da rede social Facebook, controlada por Mark Zuckerberg, que está a trabalhar num projeto de BCI (brain-computer interface, no original) que pretende dar aos utilizadores a possibilidade de navegarem por mundos alternativos — através de realidade virtual e realidade aumentada — apenas com a sua mente. Mas aqui a abordagem é diferente. Para Zuckerberg, e ao contrário de Musk, o futuro não está nos implantes. “Se estás mesmo a tentar construir coisas que toda a gente vai utilizar, terás de te focar em coisas não invasivas”, considerou o empreendedor em Harvard. O problema é que a sua empresa está a tentar desenvolver uma máquina para ler os pensamentos dos utilizadores.
A UNESCO lançou recentemente um novo Atlas Interativo sobre o direito das meninas e das mulheres à educação. Este atlas, que integra o movimento “A educação dela, o nosso futuro”, constitui uma ferramenta de monitorização com o objetivo de dar a conhecer a situação atual, a nível nacional, nesta matéria.