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sexta-feira, 9 de agosto de 2019

Design Thinking



Uma forma de pensar que conduz à transformação, evolução e inovação








A propósito d' "A revolução do design thinking", Ricardo Morais, Professor de Gestão e Estratégia da Universidade Católica Portuguesa, no Porto, esclarece que "O termo design thinking é normalmente atribuído a Peter Rowe, professor de Arquitetura e Desenho Urbano na Universidade de Harvard, pelo livro que publicou em 1987. A origem desta nova forma de pensar está associada a Herbert Simon, Prémio Nobel da Economia em 1978, Rolfe Faste, diretor do Programa de Desenho de Produto na Universidade de Stanford e David Kelley, fundador da Ideo. [...] 


Dada a natureza interdisciplinar e difusa do conceito, é preferível explicar design thinking por intermédio de cinco metáforas: lógica, sistema, processo, inovação e organização. Enquanto lógica, envolve pensamento analítico e intuitivo para reenquadrar situações problemáticas que o método científico não consegue resolver. Em particular, implica a invenção de causas e mecanismos causais não existentes para produzir efeitos desejados pelo ser humano."




sexta-feira, 12 de julho de 2019

Exames Nacionais | Secundário




Foram hoje divulgados os resultados Finais Nacionais dos Exames do Ensino Secundário, 1ª fase.


Podem ser consultados AQUI, por disciplina. 





quarta-feira, 3 de julho de 2019

Manual para a medição da equidade na educação






Título original: Handbook on measuring equity in education (2018)
Brasilia : UNESCO, 2019. 143 p. ISBN: 978-85-7652-241-6







Sabemos que a educação é um direito humano fundamental. Sabemos que, sem ela, as nossas vidas – e, de facto, o nosso mundo – seriam muito limitadas. O progresso coletivo nas últimas décadas que levou mais alguns milhões de estudantes para as salas de aula é motivo de comemoração. Porém, diante de tantos desafios que restam – desde preocupações sobre se os estudantes estão realmente a aprender até à exclusão educacional de tantas crianças desfavorecidas –, não podemos esmorecer. 

Agora, como nunca antes, precisamos de monitorizar o progresso da educação mais detalhadamente. Onde estão as lacunas de aprendizagem? Quem está ainda sem educação? E, muito importante, por quê? 

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) determinam um forte foco sobre a equidade na educação, com o objetivo de garantir que as crianças e jovens mais desfavorecidos tenham as mesmas oportunidades que os outros. O ODS 4 exige uma educação de qualidade, inclusiva e equitativa para todos, de modo a não deixar ninguém para trás. O desafio agora é fornecer evidências sólidas, com base em dados concretos, que permitam a monitorização efetiva do progresso da equidade educacional. Com dados atualmente disponíveis para menos da metade dos indicadores globais necessários para monitorar o progresso rumo ao ODS 4, chegou o momento de enfrentar esse desafio. 

Este manual estabelece, em termos práticos, como isso pode ser feito. Produzido pelo Instituto de Estatística da UNESCO, em colaboração com o FHI 360 Education Policy and Data Centre, a Oxford Policy Management (OPM) e a Research for Equitable Access and Learning (REAL) Centre da Universidade de Cambridge, o manual oferece a todos os envolvidos na medição da igualdade educacional não apenas os principais marcos concetuais, mas também ferramentas práticas para realizar o trabalho. Com os países sob pressão para fornecer dados numa escala sem precedentes, o manual também reconhece que nenhum país consegue fazer isso sozinho, o que justifica uma maior cooperação e apoio entre governos, doadores e sociedade civil. 

A oferta de uma educação de qualidade e equitativa apoia os objetivos de desenvolvimento mundiais, desde a redução da pobreza até à promoção de sociedades pacíficas e inclusivas. Esperamos que este manual ajude a traduzir os compromissos assumidos para a educação equitativa em ações concretas para monitorizar o progresso rumo a essa ambição global essencial. 

Silvia Montoya, Diretora do Instituto de Estatística da UNESCO



domingo, 30 de junho de 2019

Design | Bibliotecas Escolares




Lugares mágicos 
onde os Professores Bibliotecários podem inspirar novas gerações de leitores e pensadores 



Michael Bierut , designer




sábado, 15 de junho de 2019

Criatividade – mudar a educação, transformar o mundo







Não pretendemos oferecer aqui respostas nem fórmulas prontas, mas instigar leitores e leitoras a refletir e sair da zona de conforto. Sim, este livro também convida à ação! Os caminhos inventados, as soluções criadas, as infinitas maneiras de ser, estar, conviver e participar deste mundo estão presentes nas reflexões e experiências, dentro ou fora da escola, narradas na publicação. 
- Abdalaziz de Moura, David Silva, Fernando Leão, Maria Amélia Cupertino e Raquel Franzim, "Apresentação", in Criatividade – mudar a educação, transformar o mundo, p, 16






 https://drive.google.com/open?id=1g10LFlkn9wWFiQWUc7f7W4SIlf7zYEZZ


Criatividade – mudar a educação, transformar o mundo
Raquel Franzim Antonio Sagrado Lovato Flavio Bassi (org.)
1ª edição 

São Paulo 
Ashoka / Instituto Alana 
2019







Criatividade – mudar a educação, transformar o mundo, é um livro digital do programa brasileiro Escolas Transformadoras. Tal como se defende em Portugal, no Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória, também este programa apresenta a criatividade como uma das áreas de competência essenciais para a formação de pessoas capazes de transformar a educação e a sociedade. 

Mais de 40 autores, entre alunos, professores, gestores de escola, pesquisadores, profissionais do setor terciário e professores universitários, abordam a criatividade como um dos valores transformadores essenciais para a superação de desafios na educação.

A publicação tem sua origem no Encontro Nacional realizado pelo programa em agosto de 2018, no Instituto Brincante, Brasil. 








Veja aqui a Roda de Conversa: Criatividade na educação







quinta-feira, 18 de abril de 2019

Educação: Em busca de uma utopia necessária





Correio UNESCO- janeiro-março 2018



Download



Com o título Educação: Em busca de uma utopia necessária, o Correio da UNESCO avalia o estado da Educação mundial e explora o modo como ela responde aos principais desafios que enfrentamos.





sábado, 6 de abril de 2019

Educação do Século XXI | Educação Física de Qualidade






A UNESCO defende políticas de educação física de qualidade em todo o mundo como uma ferramenta para contribuir para a educação do século XXI e impulsionar a inclusão. 

O infográfico ilustra os benefícios de investir em políticas de educação física de qualidade em oposição ao custo de NÃO investir.





Quality physical education policy



terça-feira, 19 de março de 2019

Uma arma chamada educação


Objetivos de Desenvolvimento Sustentável : ODS4

A educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo. É preciso lançar livros, não bombas!



A sala de aula



Organização da sala de aula 
deve mudar conforme intenção pedagógica



Ler+




domingo, 17 de fevereiro de 2019

Aprendizagem baseada em projetos



Por trás da ideia de trabalhar com projetos, está a proposta de integrar diferentes conhecimentos e estimular o desenvolvimento de habilidades. 

Tudo começa com um problema ou questão que seja desafiadora, que não tenha resposta fácil e que estimule a imaginação.



Fontes: Project-Based Learning vs Problem-Based Learning vs BL
Guia para professores de Ensino Fundamental e Médio 
Why Project-Based Learning (PBL)? 
Livro Educação no Século XXI



Este Infográfico é interativo. Pode consultá-lo AQUI.


sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Portugal | Lixo Zero








O Movimento Lixo Zero Portugal é um projecto inspirado em Bea Johnson e criado em 2016 pela Ana Milhazes. Tem como base o estilo de vida desperdício zero, assente num conjunto de práticas (5 Rs) destinadas a evitar o desperdício o máximo possível no nosso dia-a-dia:

  • Recusar aquilo que não necessitamos (Refuse)
  • Reduzir o que necessitamos (Reduce)
  • Reutilizar aquilo que consumimos (Reuse)
  • Reciclar aquilo que não conseguimos recusar, reduzir ou reutilizar (Recycle)
  • Fazer compostagem (Rot)


domingo, 3 de fevereiro de 2019

Tédio, criatividade e autosuficiência




Deixemos as crianças ficarem entediadas novamente
O tédio ensina-nos que a vida não é um desfile de diversões. Mais importante: ele gera criatividade e autosuficiência.
Pamela Paul, escritora e editora do Book Review. 2 fev. 2019


Imagem: Leo Espinosa



"Estou entediado." É uma pequena frase, insignificante, mas que tem o poder de fazer com que os pais se sintam invandidos por uma avalanche de medo, aborrecimento e culpa. Se alguém está entediado, é porque alguém deve ter deixado de esclarecer, enriquecer ou divertir. E como é que alguém - criança ou adulto - pode reclamar de tédio quando há tanto que pode e deve ser feito? Imediatamente.

No entanto, o tédio é algo a experimentar, em vez de ser apressadamente afastado. E não como algum tipo de condicionamento vitoriano, cruel, recomendado porque é horrível e endurece. Apesar da lição, a maioria dos adultos aprendeu a crescer - o tédio é para pessoas chatas - o tédio é útil. É positivo.

Se as crianças não descobrirem isso cedo, terão uma desagradável surpresa. A escola, admitamos, pode ser monótona e na realidade o trabalho do professor não é entreter e educar. A vida não é um desfile interminável de diversões. "Isso mesmo", diz uma mãe à filha no romance de 2012 de Maria Semple, "Where'd Go Go, Bernadette". “Estás entediada. Eu vou contar-te um pequeno segredo sobre a vida. Achas que é chata agora? Bem, ela só fica mais chata. Quanto mais cedo aprenderes que depende de ti torná-la mais interessante, melhor será para ti. ” (tradução da nossa responsabilidade)

Pode continuar a ler AQUI o artigo (em inglês) de Pamela Paul, publicado no The New York Times, de 2 de fevereiro de 2019.



quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Dia Internacional da Educação


24 de junho




"Este dia é a ocasião para reafirmar princípios fundamentais. Em primeiro lugar, a educação é um direito humano, um bem público e uma responsabilidade pública. Em segundo lugar, a educação é a força mais poderosa nas nossas mãos para garantir melhorias significativas na saúde, estimular o crescimento económico, para liberar o potencial e a inovação que precisamos para construir sociedades mais resilientes e sustentáveis. Por fim, precisamos urgentemente de uma ação coletiva para a educação a nível global ”. - Audrey Azoulay, Diretora-Geral da UNESCO, Mensagem por ocasião do Dia Internacional da Educação



 
Animação da UNESCO que explica as dez metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4





A educação é um direito humano, um bem público e uma responsabilidade pública.

A Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 24 de janeiro como o Dia Internacional da Educação, em comemoração do papel da educação para a paz e o desenvolvimento. 

Sem educação inclusiva e equitativa de qualidade e oportunidades para todos ao longo da vida, os países não conseguirão alcançar a igualdade de género e quebrar o ciclo de pobreza que está a deixar milhões de crianças, jovens e adultos para trás.

Hoje, 262 milhões de crianças e jovens ainda não frequentam a escola; 617 milhões de crianças e adolescentes não sabem ler nem matemática básica; menos de 40% das meninas na África Subsaariana concluem o ensino médio e cerca de quatro milhões de crianças e jovens refugiados estão fora da escola. O seu direito à educação está a ser violado e isso é inaceitável.

Como o mundo marca o primeiro Dia Internacional da Educação, a UNESCO apela aos governos e a todos os parceiros para que façam da educação universal de qualidade uma das principais prioridades. 





segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Quadro Europeu de Competência Digital para Educadores



DigCompEdu


"O Quadro Europeu de Competência Digital para Educadores responde à consciencialização crescente entre muitos estados membros europeus que os educadores precisam de um conjunto de competências digitais específicas para a sua profissão de modo a serem capazes de aproveitar o potencial das tecnologias digitais para melhorar e inovar a educação." (DigCompEdu, p.8). 








Este documento apresenta um Quadro para o desenvolvimento da competência digital dos educadores na Europa. Pretende ajudar os estados membros a promover a competência digital dos seus cidadãos e impulsionar a inovação na educação. O Quadro destina-se a apoiar os esforços nacionais, regionais e locais na promoção da competência digital dos educadores, ao oferecer um enquadramento comum de referência, com uma linguagem e lógica comuns. 

A investigação do Joint Research Centre (JRC) sobre Learning and Skills for the Digital Era teve início em 2005 com o objetivo de fornecer apoio político com base em evidências à Comissão Europeia e aos estados membros para aproveitar o potencial das tecnologias digitais para inovar práticas de educação e formação, melhorar o acesso à aprendizagem ao longo da vida e lidar com o aparecimento de novas competências (digitais) necessárias para o emprego, desenvolvimento pessoal e inclusão social. Foram realizados mais de 20 grandes estudos sobre essas questões, dos quais resultaram mais de 120 publicações diferentes. 

Trabalho recente sobre o reforço da capacitação para a transformação digital da educação e da aprendizagem, e para a mudança de requisitos relativos às competências, focou-se no desenvolvimento dos Quadros de Competência Digital para Cidadãos (DigComp), para Organizações Educativas (DigCompOrg) e Consumidores (DigCompConsumers). Em 2016, também foi publicado um Quadro para a abertura das Instituições de Ensino Superior (OpenEdu), juntamente com um Quadro de Competência Digital para o Empreendedorismo (EntreComp). Alguns destes quadros são acompanhados por instrumentos de (auto)avaliação. Foram realizados estudos adicionais sobre Learning Analytics, MOOCs (MOOCKnowledge, MOOCs4inclusion), Pensamento computacional (Computhink) e políticas para a integração e uso inovador de tecnologias digitais na educação (DigEduPol). Também está em curso um estudo sobre blockchain para a educação. 
Prefácio, p. 7


Informação adicional sobre estes estudos pode ser encontrada na página do centro científico do JRC: https://ec.europa.eu/jrc/en/research-topic/learning-and-skills.
 
Yves Punie 
Chefe adjunto de unidade 
Unidade da DG JRC Capital Humano e Emprego 
Comissão Europeia




MILD | Manual de instruções para a literacia digital




        




sábado, 12 de janeiro de 2019

A empatia no contexto da aprendizagem




www.shutterstock.com



Empatia é a habilidade que os alunos precisam dominar para poder entender perspetivas diferentes das suas. A empatia é fundamental para construir pontes entre os indivíduos, compreender as emoções complexas, ganhar uma perspetiva diversificada e alavancar relacionamentos para colaboração e progresso.



Situar a empatia no contexto da aprendizagem de competências - chave
: formar alunos mais sábios nas suas escolhas, mais ativos na sua comunidade e mais gentis com eles mesmos e com os outros.



Discernimento, agência e empatia





Discernimento 
Ao ensinar os alunos a selecionar / classificar a informação a partir de uma torrente de informações, ensiná-los a distinguir a verdade da ficção, ajudá-los a construir a força de caráter para tomar decisões sensatas, isto é, ao educar os jovens para serem perspicazes, estamos a ajudar a formar membros ponderados e competentes da sociedade.


Agência

Agência é a habilidade que os alunos precisam conhecer, ver e valorizar. É a capacidade de falar. É a crença de que o próprio eu é merecedor de cuidado e atenção. O conceito de agência é central para a história da humanidade; são os que têm a agência para agir apesar das circunstâncias opressivas (Nelson Mandela, por exemplo) que, pelo seu exemplo e pelo sentido de responsabilidade, nos desafram a ser melhores do que o que a sociedade espera de nós. A agência, no seu nível mais básico, é nossa capacidade de afetar a mudança no mundo - é através da agência que criamos e acessamos oportunidades.


Empatia

Todas as pessoas devem ser capazes de se colocar no lugar de outra pessoa. Para além de nossa responsabilidade de equipar os alunos com as habilidades académicas de que precisam, também precisamos considerar como podemos fornecer experiências-chave de aprendizagem que apoiarão o desenvolvimento do seu caráter para se tornarem um indivíduo empático. 

Empatia é a habilidade que os alunos precisam dominar para poder entender perspetivas diferentes das suas. A empatia é fundamental para construir pontes entre os indivíduos, compreender as emoções complexas, ganhar uma perspetiva diversificada e alavancar relacionamentos para colaboração e progresso. 


Saber + ...



segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular (PAFC)



Relatório



Estudo avaliativo da experiência pedagógica desenvolvida em 2017/2018 
ao abrigo do Despacho nº 5908 / 2017







INTRODUÇÃO

Este é um documento através do qual se torna público o Estudo Avaliativo do Projeto de Autonomia e Flexibilidade Curricular (PAFC), um projeto desenvolvido em regime de experiência pedagógica, por 226 agrupamentos escolares e escolas não agrupadas (Cf. Anexo 1)[1], da rede pública e privada de ensino, cujos órgãos de direção/administração e gestão manifestaram interesse e decidiram implementar. Foi ao abrigo do Despacho nº 5908/2017, publicado Diário da República n.º 128/2017, Série II de 2017-07-05, que durante o ano letivo de 2017/18 se desenvolveu o referido projeto, em regime experimental, o qual constitui o objeto da avaliação que se partilha através deste relatório. Nesta sequência, promoveu-se um estudo avaliativo compreensivo (modelo orientado para a gestão in Worthen e Sanders, 1987) daquele projeto, tendo como preocupação central a identificação e disponibilização de informação relevante para a fundamentação de decisões de gestão por parte do Ministério da Educação (Afonso, 2005). Assim, mais do que medir, descrever ou julgar (Guba e Lincoln, 1989), pretendia-se contribuir para estimular os atores educativos no terreno, levando-os a participar nesse processo de modo a que, como defendia Kemmis (1988), a avaliação possa ser entendida como um processo através do qual se projetam, obtêm, conferem e organizam informações e argumentos que resultam da reflexão sobre o problema em debate. Na linha de Natércio Afonso (2005), este estudo avaliativo teve como preocupação central “a recolha de informação fiável e sistemática sob aspetos específicos da realidade social usando procedimentos empíricos com o intuito de gerar e interrelacionar conceitos que permitem interpretar essa realidade” (p. 14).

Com a redação deste documento pretende-se dar visibilidade à apresentação e análise dos dados recolhidos, para melhor compreensão das tensões sinalizadas e para melhor interpretação das interrogações mais significativas apresentadas pelas escolas participantes, tendo em vista a definição de propostas e recomendações. Descrição e Interpretação constituem dois procedimentos metodológicos que se interpenetram, já que ao descrevermos raramente deixamos de estar a interpretar (Amado, 2014). O objetivo desta centralidade na descrição evidenciando pormenores e contrastes contribuirá para tornar “explícito o implícito” (Morse,1997).

[1] Na lista dos estabelecimentos fornecidos pela Direção-Geral da Educação, em 2017, eram identificados 234 agrupamentos de escolas e escolas não agrupadas que participaram no PAFC, o que significa que ao longo do ano letivo de 2017/18 houve 8 desistências.


sábado, 15 de dezembro de 2018

Gestão Curricular






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O presente texto resulta de uma adaptação, agora em coautoria e integrando desenvolvimentos mais recentes, de uma publicação de Roldão (1999) editada pelo então DEB, Departamento do Ensino Básico, como apoio às escolas envolvidas no processo de flexibilização curricular iniciado em 1996 e que assumiu forma legal no Decreto-Lei 6/2001, de 18 de janeiro. Retomadas hoje nas políticas curriculares portuguesas as tendências internacionais que continuam a recomendar uma orientação para maior autonomia curricular das escolas articulada com a definição mais adequada das aprendizagens comuns essenciais (OCDE, 2016), situa-se este livro na tentativa de retomar essa perspetiva, fornecendo elementos de reflexão e concetualização ao trabalho curricular das escolas. 

Retomando nesta secção, com adaptações da autora, texto recente de Roldão (2017), assume-se que é no difícil reajuste do currículo a uma escolarização universal massificada, mas de cuja qualidade as sociedades não podem prescindir, que os conflitos e tensões curriculares hoje se situam, sendo necessário acentuar que é a garantia das aprendizagens curriculares que legitima a escola como instituição educativa. Contudo, a ideia de currículo que funciona na mentalidade educativa dominante, patente nos níveis de decisão macro, meso e micro, da administração às escolas e professores, privilegia a leitura do currículo como uma mera prescrição, não capturando o seu significado social e político essencial (Gaspar & Roldão, 2007). 

Para assumir decisões quanto à escolha objetiva de conteúdos curriculares, importa ainda considerar a forma que essa seleção adota, tendo em vista as finalidades legitimadoras referidas. A opção mais clássica, porque mais antiga na história da escola, é a versão enciclopedista, que mobilizando uma lógica perpetuamente aditiva, introduz no currículo uma natureza cumulativa e aditiva de todo o saber disponível, em formato forçosamente simplificado, manifestamente ineficaz na produção de verdadeiro conhecimento, além de inviável a termo. A adoção desta visão favoreceu, na escola, uma formatação estéril do conhecimento, encapsulado nas unidades disciplinares repletas de tópicos enumerativos (os programas eternamente extensos e cada vez mais, dado o crescimento dos saberes) e esgotadas no momento da sua avaliação final, com escassa apropriação traduzida em uso ou transferência, geradora de ganhos de saber e competências (Roldão, 2003, 2017). A estruturação de conteúdos nos currículos prescritos, que não se queira enciclopedista e “estéril”: (1) privilegiará a apropriação das dimensões estruturantes de cada disciplina do conhecimento, portadora de uma elaboração histórica significativa, dos seus conceitos e dos respetivos códigos de acesso; (2) promoverá o equilíbrio entre saberes funcionais e saberes científico-culturais; (3) garantirá a apropriação dos processos e metodologias que permitem aceder a e/ou construir conhecimento; e (4) interpretará a aprendizagem curricular (vulgo “resultados”, mas que não são só os das classificações...) por parte dos alunos, que a ação de ensinar deve promover sistematicamente, como apropriação e uso inteligente do conhecimento, em todas as suas dimensões. 

Encontra-se de novo na agenda política em Portugal a discussão sobre a racionalização do currículo, quer pela retoma da lógica de binómio curricular (Roldão & Almeida, 2018) assente num currículo nuclear comum prescrito a nível central – aprendizagens essenciais – e no reconhecimento efetivo de um outro nível de decisão curricular na escola para o operacionalizar de forma contextualizada, quer pela assunção de “emagrecimento curricular”, centrado na substituição do enciclopedismo pelos saberes estruturantes essenciais, como se recomenda em muitos documentos de política curricular internacional das últimas duas décadas, nomeadamente no Projeto Future of Education and Skills 2030 da OCDE (2016). 

Na fase em que este texto foi escrito (março 2018) estava definido no quadro político da atual equipa governativa da Educação, após discussão pública alargada, um Perfil dos Alunos no final dos ensinos básico e secundário, e estava em curso trabalho de equipas, integrando associações de professores e especialistas em currículo, sobre a reconfiguração das prescrições curriculares das diferentes disciplinas no sentido de as reorientar para a formulação de Aprendizagens Essenciais, conceito que o Projeto Future of Education and Skills 2030 (2016) supra também operacionaliza. Simultaneamente, foi lançada a iniciativa de trabalho no terreno para suporte deste debate, com um conjunto de cerca de duas centenas de escolas que voluntariamente participaram no ano letivo de 2017/2018 na discussão e estabilização destas linhas de trabalho, com vista à reconcetualização de um referencial curricular coerente, prevendo-se dispositivos de avaliação e reorientação do processo iniciado. 

Este contexto dá continuidade às preocupações que na década de 1990 e início de 2000 marcaram o currículo, nomeadamente na clarificação do conceito de gestão curricular, que requer um grau mais elevado de deliberação colaborativa dos professores (Sousa, 2010), operacionalizadora da autonomia e flexibilização curriculares pretendidas, visando a melhoria da qualidade das aprendizagens. 

O facto de que o texto que se segue retoma em grande parte o texto de Roldão de 1999 é indicativo da dificuldade do sistema e das escolas se reorientarem, no sentido da efetiva e desde então normativamente proclamada autonomia, o que faz com que os problemas então identificados se mantenham no essencial os mesmos. 

Este livro constitui assim uma retoma adaptada ao contexto atual do essencial do texto produzido em 1999 (Roldão, 1999).

Roldão, Maria do Céu, Almeida, Sílvia de (2018). Autonomia e flexibilização curricular revisitadas, in Gestão Curricular - Para a Autonomia das Escolas e Professores. Lisboa: Ministério da Educação / Direção-Geral da Educação (DGE)