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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Sobre a palavra aniversário...

                                    porque todos os dias são dias de...

Uma Palavra


 Procurei no dicionário,
Com paciência e cuidado,
O real significado
Da palavra aniversário.
Aquele livro pesado,
Mestre dos visionários,
"Pai dos burros" batizado,
Pareceu-me sectário,
Ao responder meu chamado.
Deveras decepcionado,
Joguei o meu dicionário
Na estante, empoeirado,
Para pregar, solitário,
O meu significado
Da palavra aniversário.
Diz assim, o verbete lendário,
Ontem, por mim criado:
"Aniversário: Espécie de relicário,
Muitíssimo bem guardado
Nas folhas do meu diário,
Dos versos que eu escrevi,
Com todo amor, e não li,
Durante o ano passado.
                        Carlos Drummond



 

 
Soneto de aniversário


Passem-se dias, horas, meses, anos
Amadureçam as ilusões da vida
Prossiga ela sempre dividida
Entre compensações e desenganos.

Faça-se a carne mais envilecida
Diminuam os bens, cresçam os danos
Vença o ideal de andar caminhos planos
Melhor que levar tudo de vencida.

Queira-se antes ventura que aventura
À medida que a têmpora embranquece
E fica tenra a fibra que era dura.

E eu te direi: amiga minha, esquece...
Que grande é este amor meu de criatura
Que vê envelhecer e não envelhece.

                                                       Vinícius de Moraes
 
 
 



 
 

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Homenagem a Manoel de Oliveira

 
Imagens:  vídeo do Jornal Público
 
 
 

Construção da imagem do realizador a partir de 40 mil pins!!

 
 
Caricatura de Manoel de Oliveira (desenho digital), de Moisés Carvalho
 
 
Manuel de Oliveira faz amanhã, dia 11 de dezembro, 105 anos.
Para lembrar a efeméride e homenagear o cineasta, foi construída, no Porto, uma tela com a sua imagem a partir de 40 mil pins!!
 
 
 
 


 

 Textos literários adaptados ao cinema por Manoel de Oliveira
(longas-metragens):

Benilde ou a Virgem Mãe (texto dramático), de José Régio ( em 1974)
Amor de Perdição (romance, de Camilo Castelo Branco ( em 1979)
O sapato de cetim (adaptação de Le soulier de Satin),  de Paul Claudel (em 1985)
Os canibais (novela fantástica), de Álvaro do Carvalhal (em 1988)
Vale Abraão, novela de Agustina Bessa-Luís (em 1993)
O dia do desespero, história, verídica, dos últimos dias de Camilo Castelo Branco, baseada fundamentalmente em cartas de Camilo (1992) 
O Convento, novela de Agustina Bessa-Luís (em 1995)
Inquietude - esta longa-metragem parte  de  três  obras  literárias:  a  peça  Os  imortais, de  Hélder Prista  Monteiro;  o  conto  “Suze”,  do  livro  Serão  Inquieto, de António Patrício e o conto “A mãe de um rio”, de  Agustina  Bessa-Luís (em 1998)
A Carta, livro de Madame de La Fayette (em 1999)
Vou para casa, livro de Jacques Parsi (em 2001)
O princípio da incerteza, novela de Agustina Bessa-Luís (em 2002)
O Quinto Império, novela de José Régio (em 2004)
Espelho mágico, novela de Agustina Bessa-Luís (em 2005)
Cristóvão Colombo - O Enigma, inspirado no livro "Cristóovão Colon era Português", de Manuel Luciano da Silva e Sílvia Jorge da Silva (em 2007)
Singularidades de uma rapariga loura, conto de Eça de Queirós (em 2009)
O gebo e a sombra, texto dramático de Raul Brandão (em 2012)


De destacar, também Palavra e Utopia (longa-metragem de 2002) sobre um dos vultos literários mais importantes do panorama português: Padre António Vieira.