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sábado, 19 de setembro de 2015

Antero e a cultura crítica do século XIX

 


COLÓQUIO | 28 a 30 set. '15 | Auditório BNP | Entrada livre
 
 
redebibliotecas
 
Parte do manuscrito de «A Poesia na Actualidade», de Antero de Quental, conservado na Biblioteca Marciana de Veneza
 
Colóquio no âmbito dos 150 anos da chamada Questão Coimbrã, organizado pelo IELT – Instituto de Estudos de Literatura e Tradição da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa com o apoio da Biblioteca Nacional de Portugal, Centro Nacional de Cultura,  Fundação para a Ciência e Tecnologia e da Lisboa Autêntica.

Comissão organizadora: Gustavo Rubim, Giorgia Casara, Manuele Masini, Andrea Ragusa, Fabrizio Boscaglia
 

O programa inclui a apresentação de um selo comemorativo dos CTT, uma demonstração de impressão em tipografia de caracteres móveis pelo Homem do Saco (a partir de uma citação de Antero), a apresentação do livro Veneza (Versão de Antero de Quental), o passeio literário A Lisboa de Antero e da Geração de 70 (inscrições através do email anteroeaculturacritica@gmail.com) e a mostra A Questão do Som Senso e Bom Gosto, em exibição na Sala de Referência da BN até 2 de Outubro.

Mais informação
AQUI e AQUI

A questão do Bom senso e bom gosto

 
 
 

MOSTRA | Biblioteca Nacional de Portugal
de 10 ago. a 2 out. 2015 | Sala de Referência | Entrada livre

 

Antero de Quental, 1865 in «Antero de Quental. Fotobiografia», Ana Maria Almeida Martins, Imprensa Nacional-Casa da Moeda, Câmara Municipal de Ponta Delgada, 2008 (BNP L. 101012 V.)
 


"A Questão Coimbrã, nome pelo qual a polémica ficou conhecida na época, é uma das mais renhidas batalhas do século XIX que se manteve acesa durante quase um ano numa guerra de opúsculos, artigos, folhetins, defendendo ou atacando as duas personalidades em foco – António Feliciano Castilho e Antero de Quental.

Em boa verdade, o desencontro de palavras e conceitos começara já em meados de 1865 com as intervenções de Manuel Pinheiro Chagas, um dos protegidos de Castilho, em folhetins nos jornais de Lisboa, ridicularizando Antero de Quental e Teófilo Braga chamando “tisanas filosóficas” aos conceitos expressos nos prefácios dos seus livros de poesia. Estes pontos de vista não correspondiam aos cânones defendidos por Castilho e a sua corte de jovens literatos, ansiosos por agradar ao “patriarca das letras” que, de Lisboa, fustigavam os coimbrões. A poesia devia ser entendida por todos “sem idealidades e abstrações mascaradas em literatura e poesia”.

Assim se expressava Castilho na carta enviada ao editor António Maria Pereira, felicitando-o pela publicação do medíocre livro de Manuel Pinheiro Chagas Poema da Mocidade. Nessa extensíssima carta, semeada de citações, principalmente latinas, aproveita para afirmar que a poesia andava com o “fastio de morte à verdade e à simplicidade” e que Antero e Teófilo voam muito alto, mas não se sabia qual seria o seu destino.




 



Estas opiniões provocaram a indignação de Antero que respondeu com o violento opúsculo Bom Senso e Bom Gosto, o outro título pelo qual também é conhecida a polémica. Explica que a atitude do “patriarca das letras” deriva do facto de jovens escritores - “hereges das letras” - se revoltarem contra as autoridades literárias e ousarem seguir a sua carreira intelectual sem pedir autorização a ninguém. Acusa ainda Castilho de se ter feito chefe de uma cruzada “tão desgraçada e mesquinha”.

As duras palavras de Antero deram lugar a intervenções, umas indignadas outras elogiosas, em que participaram intelectuais como Teófilo Braga, Ramalho Ortigão, Camilo Castelo Branco, Brito Aranha, Eduardo Vidal e muitos outros. Os diferentes pontos de vista sobre a literatura ajudaram a enterrar a poesia passadista e criaram as condições para a afirmação da que viria a denominar-se Geração de Setenta."


Maria José Marinho, Biblioteca Nacional de Portugal