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segunda-feira, 14 de maio de 2018

Tardes de Agustina



Dia 24 de maio | Auditório do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ) de Vila Real.






No âmbito do Ano Agustina promovido pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), vai realizar-se, no próximo dia 24 de maio, pelas 14h30, mais uma “Tarde de Agustina”. 

A sessão conta com a presença de Mónica Baldaque, escritora e ilustradora, filha da homenageada, que irá falar da obra Dentes de Rato aos alunos de 7º ano das quatro Escolas/Agrupamentos de Vila Real (Camilo Castelo Branco, S. Pedro, Diogo Cão e Morgado de Mateus).  


sábado, 1 de abril de 2017

Escrever é isto











"Escrever é isto: comover para desconvocar a angústia e aligeirar o medo, que é sempre experimentado nos povos como uma infusão de laboratório, cada vez mais sofisticada. Eu penso que o escritor com maior sucesso é aquele que protege os homens do medo: por audácia, delírio, fantasia, piedade ou desfiguração."

Agustina Bessa-Luís




sábado, 10 de dezembro de 2016

Crónica de Natal, de Agustina Bessa-Luís




Mas que tem o Natal a ver com isto? – direis. Descubram. 

Todos os anos, por esta altura, quando me pedem que escreva alguma coisa sobre o Natal, reajo de mau modo. «Outra vez, uma história de Natal! Que chatice!» — digo. As pessoas ficam muito chocadas quando eu falo assim. Acham que abuso dos direitos que me são conferidos. Os meus direitos são falar bem, assim como para outros não falar mal. Uma vez, em Paris, um chauffeur de táxi, desses que se fazem castiços e dizem palavrões para corresponder à fama que têm, aborreceu-me tanto que lhe respondi com palavrões. Ditos em francês, a mim não me impressionavam, mas ele levou muito a mal e ficou amuado. Como se eu pisasse um terreno que não era o meu e cometesse um abuso. Ele era malcriado mas eu - eu era injusta. Cada situação tem a sua justiça própria, é isto é duma complexidade que o código civil não alcança. 

Mas dizia eu: «Outra vez o Natal, e toda essa boa vontade de encomenda!» Ponho-me a percorrer as imagens que são de praxe, anjos trombeteiros, pastores com capotes de burel e meninos pobres do tempo da Revolução Industrial inglesa. Pobres e explorados, mas, entretanto, não excluídos do trato social através dos seus conflitos próprios, como se pode observar nos livros de Dickens. Actualmente as crianças estão mais isoladas dum processo de libertação adequada à sua normalidade. Não há qualquer lógica entre o pensamento que elas sugerem e a ação que lhes é imposta. Mas isto são considerações de Natal? Confessem que preferem uma história, uma coisa leve, talvez um pouco insensata e graciosa. Pois bem, falemos de pastores. 

Um amigo meu passou uns dias na serra da Estrela para se curar duma depressão, uma dessas doenças que são produzidas pela sociedade burocrática onde todos se destroem em boa paz. Cuidou ele que a solidão e a vida rude o haviam de transformar. Mas o sofrimento, que não é disciplina nem necessidade, torna-se em crítica mesquinha. Ele andava pelos montes, com ar de censura e escândalo, perguntando às pessoas como podiam viver sem ir ao teatro e sem comer costelas panadas. Alumiando-se com azeite e deitando-se ao sol-pôr para não o gastar. Sobressaltava-o muito aquela imobilidade da serra com os rebanhos que pareciam pedras e os pastores com o cão de pêlo assanhado. Sentava-se ao lado deles e travava conversa. 

— Olhe lá: você nunca sai daqui? — perguntava. E o pastor respondia: 

— Eu, não senhor. 

— E então, não se aborrece? 

— Eu, não senhor — tornava o homem. 

— Mas não se aborrece mesmo, sempre sozinho, a ver só ovelhas, aqui no cimo da serra? — insistia o meu amigo. 

Então o pastor, apertado naquele inquérito, fez um esforço para compreender a desordem que provocava no espírito do homem da cidade, e disse, apontando, com um ligeiro movimento do queixo, as ovelhas: 

— Ah! Elas às vezes bolem... 

Queria desculpar-se, se o conseguiu ou não, não sei. O meu amigo não andou muito tempo por lá. Deu um jeito a um tornozelo e tiveram que o levar de padiola até à localidade, onde arranjou melhor transporte para o hospital. Disse daquilo cobras e lagartos. Também é preciso ver que não era homem para grandes descobertas. Até acha que as descobertas foram um erro histórico. Mas que tem o Natal a ver com isto? – direis. Descubram. 

Agustina Bessa-Luís, in Crónica da Manhã, 6 dez 1978





domingo, 6 de setembro de 2015

Livros & Leituras | Autobiografia de Agustina Bessa-Luís

 
 


Título : O livro de Agustina
Autor : Agustina Bessa-Luís
Editor : Guerra & Paz
Data de lançamento: abril 2014
ISBN : 9789897020971
Nº de páginas : 120


Este livro é a única autobiografia existente de Agustina. Escrita para a Guerra e Paz editores, este livro foi escrito para ser um primeiro volume – do nascimento ao 25 de Abril – de que, posteriormente, a autora escreveria uma segunda e última parte. Tem, por isso, esta obra, na impossibilidade de Agustina vir a escrever a segunda parte, um altíssimo valor simbólico e emocional. As várias fases da vida e obra de Agustina. Um relato que evoca lugares, personagens e raízes familiares.
 
«E acho que o texto está muitíssimo bem adaptado àquele grafismo. Acho que é um belo livro.»Agustina, ela-própria sobre a primeira edição deste livro
 
«"O Livro de Agustina". A escritora escreveu o texto, deu as fotografias do seu arquivo pessoal. Não é uma fotobiografia. O que é? Um acompanhamento. Como numa procissão.»Tereza Coelho
 
«… um belo livro sobre uma personagem extraordinária – e uma meditação sobre a vida que Agustina aceita descrever.» Fernando José Viegas

Homenagem a Agustina na Feira do Livro do Porto

 
 
"O amor é o invisível no habitual"
 
  
 
Agustina Bessa-Luís em 2005  - Fernando Veludo/NFACTOS
 
 
 
O presidente da Câmara do Porto homenageou neste sábado a escritora Agustina Bessa-Luís, patrona da Feira do Livro de 2015, com uma tília de vários metros de altura [...].
 
 
 
 
 
 
 
A filha da escritora, Mónica Baldaque, e o Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, destapam o letreiro junto à tília dedicada a Agustina. Nele, pode ler-se uma passagem de uma das obras da escritora portuense - o Dicionário Imperfeito (2008): "O amor é o invisível no habitual"
 
 
 
 
Feira do Livro do Porto: discursos de homenagem a Agustina
 
 
O webflyer da homenagem à escritora pode ser consultado aqui.