A ideia com que Tolstoi inicia Anna Karenina (de que todas as famílias felizes se parecem e as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira) tem sido um dos grandes motores da literatura que lhe sucedeu. Afonso Cruz pega nela, disseca-a, multiplica-a e questiona: O que é uma família feliz? No seu último livro, vai da Mealhada à Cochinchina, do desejo de perfeição às muitas variáveis da imperfeição, tentando acercar-se da felicidade “como textura”, para concluir que é possível ser feliz até quando se sofre.
Em Palavra de Autor, Afonso Cruz conversa com Cristina Margato e lê passagens de Princípio de Karenina.
Livros selecionados para a 1ª prova de seleção do CNL
"Talvez seja apressado comparar Cruz com Exupery, principalmente porque em Elias Bonfim não há a ingenuidade comovente do Pequeno Príncipe. Mas o facto é que este fabuloso romance curto, que abre questões que nos fazem estremecer, faz lembrar, de facto, de uma maneira imediata e simples, por que motivo existem a leitura e a literatura." - Blic-daily newspaper, 28 de maio de 2012.
Booktrailer - Afonso Cruz apresenta Os livros que devoraram o meu pai
“… um bom livro deve ter mais do que uma pele, deve ser um prédio de vários andares. O rés-do-chão não serve à literatura. Está muito bem para a construção civil, é cómodo para quem não gosta de subir as escadas, útil para quem não pode subir as escadas, mas para a literatura há que haver andares empilhados uns em cima dos outros. Escadarias e escadarias, letras abaixo, letras acima.” - Os livros que devoraram o meu pai, págs. 14/15.
(Livro recomendado para o 3º ciclo, destinado a leitura autónoma)
Entrevista a Afonso Cruz
"As nossas memórias nunca são verdadeiras ou absolutamente verdadeiras, são apenas uma interpretação. Existem outras, e ao longo dos anos vamos vendo o passado com uma luz diferente. As nossas memórias vão sendo vistas de diferentes perspectivas, conforme aquilo que aprendemos e conforme aquilo que sentimos no instante em que as relembramos." - Os livros que devoraram o meu pai, págs. 118/119.
Afonso Cruz escreve e, além de ilustrador, realiza filmes de animação – às vezes de publicidade, às vezes de autor –, toca e compõe para a banda de blues/roots “The Soaked Lamb”. Produz a sua própria cerveja e usa chapéu. Em julho de 1971, na Figueira da Foz, era completamente recém-nascido e haveria, anos mais tarde, de frequentar lugares como a António Arroio, as Belas Artes de Lisboa, o Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira e mais de meia centena de países.
Já conquistou vários prémios: Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco 2010, Prémio Literário Maria Rosa Colaço 2009, Prémio da União Europeia para a Literatura 2012, Prémio Autores 2011 SPA/RTP; Menção Especial do Prémio Nacional de Ilustração 2011, Lista de Honra do IBBY – Internacional Board on Books for Young People, Prémio Ler/Booktailors – Melhor Ilustração Original, Melhor Livro do Ano da Time Out 2012 e foi finalista dos prémios Fernando Namora e Grande Prémio de Romance e Novela APE e conquistou o Prémio Autores para Melhor Ficção Narrativa, atribuído pela SPA em 2014.